Rude Girl
5 Capitulo 5 — Completamente ferrado
Notas iniciais
(Pov’Jimmy)
— Para onde está me levando afinal? — Apertando o volante, segurei na garganta um ruído de desgosto quando Harlow falou naquela voz desanimada. Vê-la assim estava causando o inferno dentro de mim. Não era algo que se pudesse ignorar.
Diabos, eu havia jurado que seria um perfeito cavalheiro, que faria Harlow mudar de opinião a meu respeito, para não ficar sempre tão desconfiada quando eu estivesse por perto, mas as coisas ficavam difíceis quando queria esfolar os irmãos e a tia dela por deixa-la em uma situação tão horrível.
E claro, ela ter aceitado sair da casa comigo, ajudou para que minha cabeça formasse mais de um milhão de sensações. Algo que envolvia toques e muitos abraços para que ela sorrisse, ou até me batesse como antes. É oficial. Estou ferrado. E eu não queria — não podia — sentir aquelas coisas. Não ainda. Aquela garota iria me matar um dia desses. Eu não tinha dúvidas
— No melhor lugar onde Bacon é algo sagrado. — Ela ergueu uma sobrancelha desconfiada. Eu só pude sorrir — Não esquenta, não estou te lavando para uma armadilha.
— Você tem certeza? — Questionou. Fiquei magoado que até em um momento como este, ela pensasse que eu fosse fazer mal a ela.
— Tenho certeza Harlow. Eu não sou um monstro sabia? — Vi-a relaxar no banco, em seguida levar o polegar a boca para morder a unha. Já tinha passado muito tempo com ela, para saber que esse gesto era motivo de nervosismo, assim como quando coçava o nariz; isso queria dizer que estava mentindo.
Cogitei perguntar como ela estava, mas a pergunta não saia, talvez porque eu sabia como ela estava sofrendo, porém ela apenas não queria demonstrar. Chegamos a uma rua bastante movimentada, repleta de restaurantes e bares. Harlow rolou os olhos pela calçada assim que parei em frente de uma lanchonete.
Depois de achar um espaço para a van, abri a porta e esperei por Harlow, que segurava a alça da mochila com força enquanto roía sua unha.
— Uma lanchonete? — sorri.
— Tem coisa melhor de se fazer do que comer quando está na pior? — Ela tirou o dedo da boca e mordeu o lábio, e eu quase gemi de frustração com a cena. Ela ficava tão fofa fazendo aquilo. Com seus azuis brilhando, os cabelos soltos sobre os ombros, vestindo aquele jeans largo e a regata preta coberta por uma blusa xadrez. Harlow parecia uma garotinha de onze anos vindo da escola. Sua aparência era tão doce, que meu consciente se bagunçava em uma mistura de atração e carinho.
Droga. Eu estava fazendo de novo. Prestando atenção nela. Porra Jimmy!
— Vamos entrar.
A lanchonete era grande, minha favorita desde que conheci... —Bem, podemos deixar de lado o porquê de eu ter vindo aqui. — mesas haviam sido colocadas do lado de fora do lugar, mas eu sempre preferia entrar e me assentar em uma das mesas ao lado do balcão. Um garçom passou por mim com uma bandeja repleta de fritas. Ouvi o estômago de Harlow roncar alto com nossa curta distancia. Eu tive de sorrir para isso.
Sentamos em um longo sofá fixo na parede com uma mesa quadrada em frente a ele. Um de frente para o outro.
— O que vai querer? — perguntei depois que eu me sentei e o garçom trouxe o cardápio.
— Humm... — Ela murmurou enquanto olhava. Fiz o mesmo e dei uma olhada rápida— Sei lá. O mesmo que você. — Sorri maliciosamente.
— Tem certeza? Você já sabe que eu não brinco com comida. — Arqueei uma sobrancelha, num desafio descarado. Ela fechou o cardápio e o deixou sobre a mesa.
— É, mas eu tô azul de fome. Não tinha percebido que estava tão faminta assim.
Aquele sorriso de canto em sua boca deu as caras e eu comemorei mentalmente por vê-lo.
— Tudo bem. — Chamei o garçom e pedi dois sucos de laranja. — Vamos querer também dois x-burguer com batatas Uppercut. Capricha no bacon!
Depois de anotar o pedido, o garçom se retirou. Então aquele silêncio esquisito pairou sobre a nossa mesa.
— Então... — comecei.
— O que você... — ela disse ao mesmo tempo.
Acabamos rindo. As bebidas chegaram, para meu alívio. Não sabia o que acontecia quando estava com essa garota. Sempre tinha sido um ótimo cara para manter uma conversa, mas com ela. Com Harlow tudo era mais difícil e complicado, incluindo começar uma conversa.
— O que você ia falar? — ela quis saber.
Tentei arranjar uma forma de tocar no assunto da tia dela, porém achei que era uma coisa errada a se fazer. Havia conseguido que ela sorrisse de novo depois de muito esforço, não tocaria no assunto quando ela parecia mais a vontade.
— Como está indo o colégio sem nós? — perguntei então. Harlow fez uma careta engraçada.
— Como se fosse os primeiros dias de aula em uma escola nova — resmungou ela e depois tomou seu suco — Aqueles imbecis do terceiro ano pegaram nossa mesa! — Sorri.
— Mas com certeza fica com alguém, não é? Não é possível que nós fossemos seus únicos amigos naquele colégio.
Ela se inclinou, apoiando os cotovelos na mesa enquanto rolava os olhos desinteressadamente e lambia a gotinha de suco que escapou de seus lábios. Fiquei congelado, totalmente sem rumo e encarei por três ou quatro segundos, depois chacoalhei a cabeça e peguei meu copo de suco. Daquele momento em diante, ele seria o único lugar onde eu poria os olhos. Pronto.
— Não tenho interesse em conhecer ninguém, assim como ninguém quer me conhecer. Meu lugar agora é novamente em baixo daquela árvore. Não me importo.
— Mas eu sim — retruquei. Arrependi-me, pois ela franziu o cenho.
— E por que se importaria? Aliás, se me lembro bem, você era um dos garotos que viviam para me irritar. — Saber que ela estava certa me deixou um pouco constrangido.
— Eu sei e... Sinto muito — sussurrei. Harlow arregalou os olhos ligeiramente, depois se inclinou na mesa com mais empenho.
— Desculpe. Eu acho que não ouvi direito — Um sorriso zombador apareceu em seu rosto — Acabou de dizer que sente muito? — Por mais incrível que parecesse, eu sorri também, não por sua provocação, mas sim do fato que a pequena e rude Harlow estava de volta, e estava disposta a me fazer passar vergonha.
— Sim. Eu disse — falei normalmente — Desculpe por tratá-la mal durante o colégio. — Seu sorriso desapareceu.
— Está passando mal? — indagou. Eu gargalhei.
— Claro que não. Acha que não posso ser gentil com você sem estar passando mal?
— Na verdade sim. — Me olhou de canto — Isso está estranho. Vamos, me diga o que está tramando. — Bufei de forma exasperada.
— Não estou tramando nada. Não pode confiar na minha palavra uma só vez?
— Isso depende — Seus lindos olhos azuis me prenderam sem nenhuma piedade — Você vai se cansar de “Sentir muito” depois? — foi como um tapa na cara. Harlow tinha essa capacidade de me deixar sem chão, machucado com suas palavras. E o pior é que eu não podia retrucar, pois elas eram as mais puras verdades.
Pensei em como tinha sido idiota ao longo da minha adolescência. Tantas garotas, tantas desculpas e dispensas sem que eu sequer pensasse nos sentimentos delas. Deus. E Dana. Com certeza ela havia sido a pior de todas as prejudicadas.
A garota era linda, e quando finalmente a conheci, ela havia ido buscar a irmã no colégio. Foi algo que me puxou, não podia negar que tudo que passou pela minha cabeça foi como seria beijar e tocar aquela linda menina. E foi que eu fiz.
Ganhei sua confiança, disse coisas erradas, fiz com que gostasse de mim para conseguir o que queria, e eu achava que eu poderia seguir com Dana. Ela era perfeita, se preocupava comigo, dava-me presentes e claro, amava loucamente os irmãos.
Quando falava de Harlow, eu conseguia ver uma garota completamente diferente daquela que eu via na escola, uma que aos poucos, eu desejei conhecer mesmo que por um instante. E foi exatamente por esse desejo, que terminei com Dana. Olhá-la me fazia sentir culpado, pois quando olhava em seus olhos azuis, tudo que eu via era os de Harlow. Era errado? Absolutamente. Mas minha mente não se importava. Quando beijava Dana, pensava na irmã dela, e isso começou a me deixar horrorizado, pois no final das contas, Harlow era — é — nova demais. Portanto acebei com meu pesadelo da pior forma. No entanto não esperava que Harlow fosse se esconder no armário da irmã enquanto a dispensava.
— Perdeu a língua?
— Hã? — Uma fina névoa de confusão embotava meus olhos.
Um sorriso largo se abriu em seu rosto, e isso me deixou ainda mais atordoado. Ela parecia ter me pego na mentira, mas não era isso. Não era.
— Nunca quis magoar sua irmã — falei logo de uma vez. Seu sorriso sumiu e uma expressão nervosa apareceu.
— Se não quisesse teria ficado longe dela como mandei — Enfatizou zangada — Sabe como ela chorou depois que você foi embora com aquele seu maldito ego? E ela ainda teve de enfrentar a briga do Jared por ter confiado em você. Dana sofreu Jimmy, e você foi o culpado.
Mais uma vez, achei que perderia aquela coisa que pulsava dentro do meu peito, e Harlow que estava atirando nele sem parar. Se ela soubesse o porquê de eu ter terminado com Dana.
— Não poderia continuar com ela — murmurei — Seria errado.
— E por que? Minha irmã é perfeita, estava sempre sendo maravilhosa com você. O que parecia errado na forma que estavam juntos? Ela chegou até me perguntar se achava que meu pai aprovaria você. — Seu suspiro triste me dilacerou mais — Ela estava apaixonada, Jimmy.
— Eu sei — Abaixei a cabeça — Eu sei, e não sabe como me sinto quando olho para ela. De todas as mulheres que fiquei, Dana foi a melhor. Cheguei a pensar em assumir namoro ou até pedir para Jared.
— Você pensou? — Ela se espantou. Sorri tristemente e assenti — E por que não o fez? — Por sua causa. Pensei ao encontrar seus olhos, me afogando naquele azul o mais fundo possível. Harlow piscou, me observando atentamente e por um instante, pensei que ela tentasse ler meus pensamentos.
Tive vontade de esfregar o peito quando uma dor alfinetou meu coração. E olhando aquele rosto, eu me xinguei, eu me amaldiçoei ao perceber o que todos do grupo já sabiam. Estava me apaixonando cada vez mais por Harlow. Por aquela garota ignorante e impulsiva, essa menina insuportável que eu sempre quis longe. Depois de tanto esforço para me afastar, acabei por me encontrar mais perto, mais apegado que nunca.
— Jimmy? — Ela balançou a mão em frente ao meu rosto. — Me fale. Por que não pediu Dana em namoro?
Pisquei, fiquei mudo e então falei:
— Porque não podia.
Não tinha outra maneira de expressar isso, e Harlow entendeu minha dificuldade em algum momento, pois apertou os olhos para mim, obviamente notando que eu escondia muito mais do que estava falando. Ah. Se ela soubesse.
~*~
De volta ao carro, o silencio entre nós era um incomodo. Harlow parecia bem pensativa, e fiquei com medo que ela tivesse cogitando alguma coisa sobre minha desculpa sobre o término com Dana. Se ela tivesse entendido apenas com o olhar enquanto a observava comer quando estávamos na lanchonete. Estava completamente perdido.
Finalmente tinha admitido estar apaixonado pela garota, e agora tinha uma confusão para me preocupar. Uma chamada “Tia Amélia.”
— Não quero voltar para casa ainda — Ela me disse enquanto cruzávamos a rodoviária para seguir para sua casa.
— Me diga para onde então. — Pedi, ela apertou os lábios então se virou, uma expressão que achei ser decidida, em seu rosto.
— Quero andar de moto — Ergui uma sobrancelha, surpreso por sua resposta.
— Não sabia que sabia dirigir uma. — Ela deu de ombros.
— Eu não sei. Por isso que você vai comigo — Sorri para ela.
— Okay. Podemos pedir a moto de Jackson emprestada. — sugeri. Eu malditamente derreti com o sorriso que ela deu.
Com uma nova empolgação sob as veias, estiquei o braço para pegar o celular no painel, mas meus dedos pareciam moles. O aparelho caiu no assoalho do carro.
— Cacete! — Tentei manter o carro estável usando o cotovelo enquanto me inclinava e tateava.
— Deixa que eu pego.
Não entendi muito bem o que ela disse ou como ela faria isso, mas não demorei em entender. A maluca literalmente começou a se inclinar sobre minhas pernas, soltando a trava do cinto quando esse a impediu de ir mais a fundo.
Praguejei. A visão de sua cabeça sumindo entre minhas pernas enquanto seu quadril empurrava sua bunda para cima me deixou tenso, ou melhor dizendo, me deixou a beira da sanidade enquanto tentava manter o controle do maldito carro.
Senti quando ela apoiou as mãos em minha coxa e prendi um gemido de frustração. Droga. Não faça isso. Oh, merda.
— Ai Droga...
— Harlow...
— Peraí, ele escorregou para longe.
Ela se ajoelhou no banco e se contorceu entre meus braços e o volante do jeito que deu. Fechei os olhos, não acreditando que aquilo estava mesmo acontecendo comigo. Não, eu não podia olhar para o traseiro de ela e... Ai droga. Caralho. Olha só ele... NÃO! Pare com isso!
— Porra — Apertei o volante, movendo uma das pernas querendo esconder a ereção que crescia. O movimento fez com que Harlow gemesse baixo enquanto suas costelas se comprimiam de um jeito doloroso em alguma alavanca. Deus. Não ia aguentar...
— Estou quase lá. Quase lá! — Ela murmurou. Engoli em seco.
— Se continuar fazendo isso, eu também — disse com os dentes cerrados.
— O que? — Ela virou a cabeça, e acho que conseguiu uma imagem não muito calma do meu quadril, pois deu um pulo rápido demais e bateu a cabeça no volante. — Ai! — Ela se levantou de pressa e ajeitou-se novamente em seu banco, esfregando a cabeça com uma careta.
— Você está bem? Eu te machuquei? — perguntei ainda tenso. Ela me olhou, e a coisa mais linda aconteceu. Seu rosto tornou-se uma mancha vermelha enquanto os olhos iam para meu quadril e depois novamente para meus olhos, sua boca abrindo e fechando timidamente.
— Eu não tive intenção — me apressei a garantir também constrangido e evitando olhá-la — Mas você não pode enfiar a cabeça no meu colo e não esperar uma reação.
— Eu sei — Ela engolia saliva e tinha o rosto corado escondido pelos cabelos. — E-eu... Eu não percebi o que estava fazendo. Desculpa. — Assenti, sem jeito. A pressão em meus jeans aliviou e eu pude me mover no banco para recuperar o celular que ela não tinha conseguido pegar. Um pouco de humor me apanhou, e olhei para ela com um sorriso, adorando a forma que ela se encolhia e tentava esconder o rosto de mim, era uma linda imagem.
— Harlow? — Chamei quando paramos em um sinal vermelho, ela virou o rosto e eu aproveitei a deixa. Cliquei uma foto na mesma hora.
— Hey! — Ela arregalou os olhos. Eu ri, tirando mais delas — Jimmy pare com isso! O que...
— Você está muito fofa agora. Não posso me conter — Seu rosto ficou ainda mais vermelho, e acho que dessa vez era de raiva.
— Eu não sou fofa! — retrucou.
— Não. Você é realmente muito fofa.
— Eu vou te bater — Ameaçou. Sorri, tirando mais uma foto — Jimmy!
—Está parecendo um tomate, pequena. — Provoquei. Ela grunhiu e se lançou em mim, tentando pegar o celular.
—Pare de me chamar assim e me dá isso! Você vai apagar!
— Hahaha. Nem pensar. Uuuuh. Harlow olha o passarinho— Segurei-a bem perto de mim e sorri largo, tirando uma de nós dois. Ela grunhiu.
— Jimmy seu idiota. Para com isso!
— Vamos lá, olha para a câmera, pequena — Gargalhei quando ela se encolheu no banco, abraçando as pernas e abaixando a cabeça.
— Para com isso! — gritou, mas a voz saiu abafada. Sorrindo, me livrei do cinto e afastei seu cabelo. Ela levantou levemente a cabeça e foi o que eu precisava. Lambi seu rosto e também tirei a foto.
—Erg!! Que nojo! — Ela me empurrou esfregou o rosto, mostrando a língua com uma careta — Seu imbecil. Por que fez isso?!
— Uma foto espontânea. Não tenho uma assim com você — falei e ela me fuzilou, porém permaneceu no lugar emburrada.
— Eu odeio você — murmurou. Eu sorri, voltando a ligar a van.
— Não esquenta. Eu também te odeio — Mas não tanto assim.
~*~
Uma hora depois estávamos parados em frente à casa de Jack, onde o encontramos com os braços cruzados e apoiado em sua moto Yamaha; Tinha detalhes em azul e cinza e era realmente muito linda, o que me fazia querer bater em Jack por ele não usar.
— Valeu pelo empréstimo cara — falei, batendo levemente em seu ombro. Ele sorriu, olhando para Harlow, que circulava a moto como se avaliasse.
— Fiquem o quanto quiserem — falou, e me passou a chave — O que houve com ela? Parece triste — falou abaixando a voz, eu senti as cordas da minha fúria tremerem.
— Para resumir a história; Jared mentiu para ela ao dizer que era seu verdadeiro tutor. Uma tia chamada Amélia apareceu, e ela tem a guarda de Harlow — Olhei para a garota com pesar — Pelo que entendi, Amélia quer que Harlow passe as férias em sua casa, mas Jared e Dana não querem.
— Que merda — Ele fez careta — Ela está bem?
— Está fingindo bem isso sim — murmurei desgostoso — Não confia e nunca vai confiar em mim para desabafa. Desde que saímos da casa ela não tocou no assunto uma só vez. — Jack me olhou de forma amigável e apertou meu ombro.
— Vá com calma. Sabe que com Harlow tudo é complicado. Uma hora ela vai quebrar, pode apostar. — Mas eu não queria isso, esse era o problema. Não desejava que minha pequena e implicante Harlow quebrasse.
Esfreguei os olhos, balançando a cabeça.
— É o aniversário dela.
— O que? — Jack franziu o cenho, confuso. Apontei para Harlow.
— O aniversário dela está chegando Jack. É daqui a quatro dias — Balancei a cabeça, um pouco desesperado de repente — Não sei como não pensei nisso. Só notei quando ouvi Jared falando com a tia.
— E o que aconteceu?
— Ele mencionou a chegada do aniversário dela e Harlow simplesmente tremeu. Eu senti sua tensão — Voltei a observar a garota distraída e balancei a cabeça — Ela está sofrendo. Nunca parei para pensar que desprezasse o aniversário por causa da morte da mãe.
Jackson pareceu triste.
— Isso infelizmente faz sentido. Nunca tinha percebido, mas agora que comentou, ela nunca saía de casa nos aniversários — suspirou e alisou o cabelo — Isso foi insensível da nossa parte, não perceber que ela odiava a data e ainda dar presentes para ela. Aliás, ela nunca usou nenhum deles, não é? Nunca a vi com aquela corrente com sua inicial que dei no ano passado. — Ele tinha razão, ela não usará.
— Não sei como ajudar Jack — soei sem rumo, pois era como estava — Sei que brigamos, mas agora... Ela parece tão frágil. Queria saber ajudá-la, mas não sei como, e mesmo que soubesse, ela não me deixaria. Harlow me odeia, e a culpa é minha.
— Ela podia confiar em você, se contasse a verdade — Apontou Jackson, e eu sabia ao que ele se referia. Ele era uma das pessoas que sabiam sobre o real motivo de eu ter terminado com Dana, e isso me fez bufar.
— Eu não posso fazer isso.
— Você pode! — Insistiu ele com uma careta — Só não quer. Tudo por causa dessa maldita idade. Quer saber o que eu acha sobre isso? Uma merda de desculpa. E dai que você tem vinte e ela dezesseis? Ou Dezessete em breve. Você é afim dela, só está com medo que ela dê um pé na sua bunda, pois vamos combinar, Harlow é diferente daquelas vadias com quem você ficava. Ela sim sabe dizer não.
— Você não está ajudando — resmunguei.
— Eu não entendo, Jimmy. Tá na cara que você é louco por ela. — Ele chacoalhou a cabeça de um lado para o outro. — Por que seria idiota o bastante para perdê-la de propósito?
— Eu tenho meus motivos.
— Eu não sei quais são os seus motivos — Jack disse —, mas não acredito que exista um convincente o bastante para explicar uma burrada como essa que você tá fazendo. Agora se manda com ela e tenta fazê-la se sentir melhor, eu levo a van para o Jonah. Aproveita e tenta organizar as ideias, antes que seja tarde — Então se afastou e foi até Harlow, ela sorriu de lado e assentiu quando ele falou algo, depois eles se abraçaram e Jack entrou na van, partindo logo depois.
— Está tudo bem com você? — Ela perguntou, me olhando como uma sobrancelha erguida. Suspirei, tentando não entrar em colapso nervoso ao pensar que sentaria na moto junto de Harlow, e não poderia colocar distancia o suficiente para respirar.
Dei um sorriso amarelo e subi na moto.
— Estou ótimo. Está pronta? — Ela me olhou, como se percebesse também só agora o que tinha de fazer. Quis beijá-la quando suas bochechas assumiram um tom vermelho.
— Claro. — E assim, ela subiu atrás de mim lentamente.
Congelei o corpo o máximo possível, mas ainda pude sentir quando ela deslizou as mãos hesitantes por de baixo dos meus braços e agarrou meu quadril. Fechei os olhos, indo à loucura quando ela se apertou contra mim e seus seios pequenos encostaram-se a minhas costas. Eu estava perdido. Ferrado. Completamente fodido. Porra!
Que Deus me ajudasse a não enfiar a moto em uma árvore.
~*~
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