Rude Girl
35 Capitulo 35 — De baixo das estrelas
Notas iniciais
(Pov’s Harlow)
O dia no colégio não começou bem no dia seguinte. Meu humor tinha estado ótimo depois da visita aos meus avós, mas assim que coloquei o pé naquele inferno, tudo desandou e eu já estava querendo acertar alguém no olho. Quarta-feira. Terceiro dia de aula da primeira semana de aula e já estava implorando por algumas férias. Eu simplesmente não aguentava mais os murmurinhos sobre a maldita serenata de Jimmy ou meu envolvimento com Damien. A cada cinco minutos da aula, era um comentário.
O pior de tudo era sobre a porcaria da votação que Lizze havia erguido. Pelo que entendi, havia dado um empate. Empate porra! Eu não conseguia encarar isso sozinha ou aguentar a raiva que estava sentindo, e foi exatamente naquele mesma tarde que o mundo pareceu cair sobre mim ao mesmo tempo.
— E ai Harlow. Por que não deixa um para nós? — Nora Bradley da turma B me parou enquanto eu passava pelo corredor. Era um das lideres de torcidas e vestia aquela saia minúscula que não cobria porra nenhuma. Atrás dela, duas meninas sorriam maliciosamente para seus celulares e murmuravam juntas.
— Do que está falando? — resmunguei nervosa.
Elas riram.
— Como se não soubesse — sorriu e então virou a tela de seu celular — Já que está com o Jimmy, poderia deixar aquela delicia do Damien para mim. Pode nos apresentar que tal? É melhor para ele, assim não fica com um chifre na testa.
Meu mundo rodou drasticamente quando meus olhos capturaram a foto que vazava no twiter, facebook e instagram. Havia sido tirada no dia em que Jimmy me buscou de moto para ir até o asilo ver meus avós. E não era apenas uma, e sim milhares! Jimmy atrás de mim, sua mão modestamente tocando meu braço quase como se fosse meu próprio namorado ao me tocar, a próxima era dele a minha frente. Tocava meu rosto e os lábios estavam muito próximos dos meus. Eu senti meu sangue queimar em raiva, pois eu sabia exatamente quem tinha feito isso. E estava indo tirara satisfação agora.
Rosnando como uma cadela louca, tirei meu celular da bolsa e tentei o numero de Liam, mas ele não atendeu em nenhuma das tentativas, portanto teria que recorrer à uma outra pessoa.
— Alô?
— Ta a fim de quebrar a cara de alguém hoje? — perguntei. Logo gritinhos eufóricos foram ouvidos do outro lado.
— Sim! — Jodie parecia mais animada que nunca — Onde você está?
— Colégio. Meia hora.
— Estou nessa. — E desligou.
Eu caminhei fervendo de raiva até o campus e sabia que estava sendo seguida por aquelas patricinhas mimadas, mas eu pouco me importava. Eu só queria trucidar e cortar todos os pedacinhos do corpo daquele maldito infeliz. Eu não conseguia pensar em nada a não ser nisso e em como Damien iria ficar ao ver aquelas fotos. Não podia permitir isso, não podia magoá-lo dessa forma.
— Harlow! — Parei em meio ao caminho e me virei.
Jodie correu até mim com um sorriso largo no rosto e vestida em jeans e regata, porém o que mais chamava atenção era o fato dela ter trazido luvas de boxer.
— Quem é a vitima? — perguntou animada. Eu olhei de suas luvas para seus olhos.
— Onde estava?
— Voltando da faculdade — Deu de ombros, como se o fato dela levar luvas de Boxer para faculdade fosse a coisa mais normal que podia existir.
Eu balancei a cabeça, e com os olhos furiosos, procurei por ele entre os adolescentes. Tive que fechar as mãos em punho quando o encontrei em meio ao se grupinho habitual, justamente naquela mesa. Isso só se serviu para atiçar mais da minha cólera.
— Venha — falei, largando minha mochila ali e indo até a merda daquela mesa.
Bryan me viu primeiro e sorriu zombeteiro, Connor a seu enlaçou e com o celular na mão.
— Veio compartilhar a fama conosco Harlow?
— Ah não. Provavelmente ela veio pedir um carinho de amigo — Riu Connor e me olhou — Desculpe querida, mas eu não gosto de ter que compartilhar. Chifre não é para mim, ao contrario desse Damien.
Meu peito se apertou e achei que fosse explodir como uma supernova ali mesmo, mas eu tive de me conter. Por Damien. Somente por ele.
— Sabe — Jodie se moveu logo atrás de mim com um tom de ameaça na voz — Acho melhor você tomar cuidado com o que fala, amigo. Ou vou ser obrigada a ensinar pessoalmente.
Vi como os garotos erguiam sobrancelha e olhavam desdenhosamente para Jodie, que eu tentava manter — por enquanto — longe deles. Eles pareciam despreocupados, mas notei suas expressões mudarem ao abaixarem a vista e realmente notarem as marcas nos braços da garota juntamente com as luvas que ela usava. Incredulidade marcava o rosto de cada um, mas nenhum demonstrou medo... ainda.
— Eu deveria estar tremendo, querida? — Connor questionou se levantando e parecendo mais alto do que realmente era — Porque eu não estou.
— Vou chutar sua bunda e veremos se não estará — Minha doce amiga ameaçou, mas eu voltei a segurá-la. Ela me olhou feio — Me solte, não foi para isso que me chamou? — sussurrou indignada, eu balancei a cabeça. Não era Connor que eu queria.
Colocando ela para trás, me direcionei para Bryan. Ele nos observava com um humor que eu quis tirar a base de tapas. Pisei até ele, as mãos em punho, mas Connor logo me barrou, colocando uma mão em meu ombro.
— Não tão longe gatinha — falou. Eu olhei de sua mão para Bryan, que me observava com curiosidade.
— Tem guarda costas agora, Bryan? — questionei com um sorriso gozador — Gosta de usar pessoas para proteger a si mesmo?
Ele gargalhou alto.
— E do que acha que tenho de me proteger, Harlow? — perguntou ao se levantar. Ele pulou do banco e me alcançou, abaixando-se até estar do meu tamanho — De você?
Sua expressão não demonstrava nada a não ser rancor e zombaria. Ele não estava levando a sério a fúria em meus olhos, e isso me deixou mais nervosa que nunca. Quem ele pensava que era, para se achar superior a mim? O deboche em seu rosto fazia meu sangue ferver.
— Você postou as fotos — Afirmei, surpreendendo-me por meu tom ter saído suave e ameno. Bryan sorriu, mas seus olhos estreitaram como se desconfiasse do meu tom tranquilo e calmo.
— Estava apenas ajudando na votação — respondeu ele e abriu os braços em descrença — É terrível que tenha dado empate, por isso estou indo a concertar isso. Fotos ajudam o publico a escolher. Não é pessoal? — Saltei minimente quando uma multidão de “Sim” e gritos cercou-nos em um circulo. Fiz careta, olhando aquele povo fuxiqueiro com desgosto e descrença.
Jodie estava atrás de mim, e seus olhos passavam em volta dos trouxas com o que parecia ser tédio e impaciência. Quando me olhou, o pedido silencioso para acabar com aquilo brilhava em sua íris. Ela queria me ajudar, mas não poderia fazer isso antes de conseguir o que queria.
— Você vai apagar — Me direcionei a Bryan. Ele ergueu uma sobrancelha — Vai vir comigo até a sala de informática, e apagar cada fotografia e comentário. Vai deixar a porra da minha vida em paz.
E foi então que ele explodiu em gargalhadas. O idiota até mesmo segurou-se em um de seus colegas e secou uma lágrima, os dentes brancos aparecendo e o deixando mais bonito que já era. Uma beleza que me dava asco.
— Oh, você está brincando, certo?
Apenas o olhei. Bryan sorriu e chacoalhou a cabeça.
— Você não pode achar que vou fazer o que quer. — Ele se endireitou e seu sorriso mudou para cheio de malicia provocante — Eu pouco me importo com o que você quer. Muito menos me importo com seu amigo Jimmy e suas ameaças. Se Liam realmente se importasse com você, ele estaria aqui tentando quebrar a fuça de todo mundo. Mas ele não está, não veio. E talvez você seja o motivo — Eu não permiti que suas palavras mudassem minha expressão, mesmo que aquilo tivesse ferido como o inferno.
Atrás de mim, Jodie vaiou e tentou chegar até ele, mas Connor e seu colega de mesa Scott, a seguraram.
— O que... Me larguem seus imbecis! — Ela grunhiu e se chacoalhou inquieta. Depois tombou os olhos em Bryan — Se você magoá-la, vou arrancar a porra do seu pinto.
Bryan ergueu uma sobrancelha e balançou a cabeça ao me olhar.
— Suas amizades estão decaindo para um nível ordinário, Harlow. Da onde tirou essa garota que mais parece um animal? — questionou, e então voltou-se para Jodie — O que é isso nos seus braços menina? Andou brincando com laminas afiadas demais? — A menção aos cortes fez Jodie se refrear e então olhá-lo fixamente, os lábios flexionados em uma linha dura, suas íris brilhavam e eu podia ver que o idiota tinha tocado em um ponto fraco dela. Ninguém falava sobre suas cicatrizes. Ninguém. E Bryan notou a ferida, pois abriu um sorriso satisfeito e maldoso.
— Não... Quer dizer que se corta mesmo? — Ele gargalhou e rodopiou onde estava — Veja pessoal. Temos uma maluca que se corta aqui!
Jodie hipeventilou, sua face ficando vermelha enquanto os murmúrios circulavam em volta, tornando-se alto a cada instante.
— Cala essa maldita boca, Bryan! — rugi nervosa. Ele me olhou.
— Por que? Porque sua amiga é uma problemática sem noção? — indagou, e então se aproximou — Me fale... você também se corta? Foi ela que lhe ensinou? — Novamente, se voltou para Jodie e deu um uma espiada em seus braços, e como se fosse o fodão, ele chegou nela e agarrou sua mão, virando-a mesmo quando essa puxou o braço — Marissa? Uau... jogou água com sal aqui ou o que?
— Me larga — Jodie rosnou, ainda sendo segurada pelos meninos.
Eu só senti meu sangue correr por minhas veias mais depressa quando Jodie abaixou a cabeça e puxou fôlego, como se quisesse deixar para trás as más lembranças, depois eu bufei e me voltei para Bryan com o corpo fervendo em raiva.
Eu suportava que me maltratasse, que me xingassem, mas prejudicar um de meus amigos não era aceitável.
— Você está fodido Bryan — murmurei, e antes que ele sequer pudesse pensar, eu corri para ele e atirei meu joelho para cima um pouco a esquerda. O imbecil uivou de dor e segurou o que havia de precioso no meio daquelas pernas, em seguida caiu ao chão gemendo e grunhindo maldições. — Isso foi por ter se metido com Damien e Jodie.
— Des-desgraçada... — Ele gemia na grama, em volta as pessoas tiravam foto e gravam a situação nada adorável que Bryan estava. — Voc-cê me paga.
— Sinto dizer que ficarei devendo — resmunguei, e me preparei para ir embora e sair dali o mais rápido possível. Mas não era como se aquilo tivesse acabado.
— Pe-guem... ela! — Bryan gritou entre grunhidos aos seus amigos. Esses mesmos deixaram de segurara Jodie e largaram-na na grama para vir até mim. Eu arregalei os olhos, olhando para os três idiotas que me cercavam com sorrisos grotescos e olhares maliciosos.
— É uma pena... — Conor me olhou de cima a baixo e molhou os lábios com língua — Você é uma coisinha tão linda. Não queria ter que estragá-la — Eu fiquei enjoada. Quis vomitar aos seus pés, mas estava ocupada demais pensando em como fugiria daquilo.
— Vai se ferrar — rosnei para ele. Não foi uma boa ideia, porque no momento seguinte ele estava dando passos até mim e estendendo sua mão para minha garganta... E então chutada por um pé que veio do nada e depois foi em direção ao seu rosto, quase pegando em mim, que estava há pouquíssimos metros de distância.
Jodie pulou para ficar na minha frente quando Connor cambaleou para trás segurando o nariz ensanguentado, seus amigos tinham olhos chocados quando minha doce e perigosa amiga, juntou as mãos com luvas em frente ao rosto e sorriu.
— Vamos dançar garotos? — E assim começou a grande festa.
Scott e Ryan vieram para nós como se fossem dois touros furiosos e soltando fumaças pelos narizes. Senti minhas pernas tremerem ao lembrar que não tinha nenhum pouco de treinamento de luta e obviamente estava prestes a ser quebrada e pisada como se fosse um ratinho indefeso, pensei que talvez aquilo de enfrentamento tenha sido uma má ideia mesmo, mas parei de pensar quando Jodie grunhiu e apenas saltou contra Scott, agarrando-se no seu pescoço enquanto o usava com apoio para poder chutar o rosto de Ryan, que cambaleou para trás como uma marionete sem cordas.
Ofeguei quando Scott agarrou-a pelos ombros e atirou-a no chão, rugindo como um maldito animal. Eu estava pronta para ir ao seu auxilio quando mãos prenderam-se em meus braços e me ergueram do chão. Os gritos dos estudantes foram à garantia que estava sendo levantada por mãos nada gentis.
— Agora vamos nos acertar — Bryan havia se levantando e estava a minha frente, enquanto seu outro amigo tinha seus braços a minha volta. Balancei-me querendo liberdade.
— Não seja idiota! Largue-me agora — gritei, ele riu e balançou a cabeça.
— Nem pensar. — falou, e acho que estava se preparando para me dar um soco fenomenal, mas eu não estava a fim de ver. Então tratei de me balançar até que finalmente consegui pisar no pé de quem quer tivesse me segurando, e em seguida enfiando o cotovelo em seu estômago. Pelo gemido, percebi que era Connor — Cadelinha irritante — Dei passos para trás fugindo das mãos de Bryan, olhando com alerta. — Você já era Harlow.
— Eu acho que não companheiro. — A voz veio de trás dele, e em seguida um braço grosso e forte circulou a garganta de Bryan, o apertando até que seu rosto tornou da cor de um tomate. Sorri largo para Liam, que tinha os olhos cheios de uma raiva muito bem vinda — Eu não disse para ficar longe dela? — questionou furioso, mas Bryan nem podia falar por estar sendo sufocado pelo braço de ferro. Apenas ruídos esganiçados saiam de sua garanta — É, foi o que pensei. Que tal eu mostrar que não se deve bater em uma mulher? Principalmente quando são minha amiga e minha namorada. — Como um raio, ele soltou Bryan e o acertou no olho, para em seguida pegar Connor bem na mandíbula E ele não parou por ai. Continuou com seus punhos acertando o estômago de ambos como se fosse dois bonecos de treino, levando-os ao chão sem um menor esforço. Liam virou os olhos como se desdenhasse a fraqueza de Bryan e Connor, e em seguida os arrastou até o meio do campus.
Eu os segui, mas me refreie no lugar quando ruídos da luta de Jodie chegaram aos meus ouvidos. Virei-me, e tive minha boca caída no chão ao ver que ela sozinha já tinha derrubado um homem, que parecia preso com sua própria blusa na mesa enquanto ela cuidava do outro com seus punhos vestidos com luvas.
— Doçura, será que pode acabar com isso logo? — Liam perguntou atrás de mim, soltando os dois idiotas no chão como se fosse lixo. Eu olhei para ambos, que se encolhiam na grama e tentavam fugir do agarre do lutador, mas Liam o mantinha forte sobre seus ombros.
Do outro lado, Jodie bufou e acertou um joelho no estômago de Ryan, que despencou para frente gemendo. Ela olhou o namorado com uma expressão nervosa.
— Por que você tem sempre que estragar minha diversão? — Resmungou; Liam sorriu.
— Eu deixei que cuidasse de dois. Não foi o suficiente?
— Grande coisa, eu dava conta de todos eles. — resmungou, Liam assentiu, rindo um pouco.
— Claro que sim, amor. — falou, e seus olhos cintilavam com orgulho não escondido. Eu já não estava entendendo mais nada quando Jodie e Liam se juntaram em amarrar os quatro imbecis na mesa junto do outro amigo Scott. Liam não tirava os olhos de nenhum, e a todo instante era o olhar mais amedrontador que eu já pude um dia ver.
— Como sabia? — perguntei quando ele voltou da secretaria depois de alertar o diretor da confusão. Ele sorriu para mim.
— Percebeu que metade desses idiotas estavam com um celular na mão? Claro que não demorou para alguém postar na rede social. Assim que vi minha namorada acertando o pé em alguém, eu tive que vir. Sabia que tinha algo envolvido com você. Aliás, você está bem? — Ele se aproximou com uma expressão preocupada — Não cheguei tarde, certo?
— Estou bem, tô mais preocupada com Jodie, Bryan provocou ela com as cicatrizes. — O olhar de Liam foi tão maligno que tive de engoli em seco, mas nesse instante um grito masculino veio até nós. Quando olhamos na direção em que estava Jodie e pegamos ela segurando uma lamina contra a orelha de Bryan, e ela passava por todo seu rosto com um sorriso psicótico enquanto ele tentava livrar o rosto da ponta afiada.
— Acho que ela vai ficar bem — Liam agora sorria largamente, cruzando os braços quando Bryan gritou por socorro. Eu virei os olhos, e então finalmente parei para pensar o que ele havia dito há meia hora — Espera... Você acabou de falar que postaram na internet? — indaguei com horror. Liam piscou de volta para mim e assentiu.
— Sim. Eu sinto muito — falou. E eu não conseguia me concentrar. Tudo que eu pensava era em como iria explicar essa merda toda para Dana e Jared, eles iam ficar enlouquecidos por saber que me envolvi em uma briga de garotos.
— Os idiotas estão sendo soltos — Jodie chegou ao nosso lado com uma careta e guardando sua lamina. As luvas estavam penduradas em seu pescoço — Aquele Charles é realmente um imbecil. Disse que só vão ser suspensos. Isso não é justo! Ele nem mesmo me deixou assustá-los por mais tempo.
Fiz careta, olhando na direção dos garotos que eram soltos pelos monitores e ouviam os gritos exaltados de Charles.
— A vida não é justa Jodie. — resmunguei.
De repente o som de pinéus nos fez virar para rua, onde um Porsche panamera preto estacionou e foi motivo de atenção dos alunos e até mesmo do diretor. Eu engoli em seco, temendo e sabendo quem era.
— Eu tô muito ferrada. — sussurrei. Liam e Jodie me olharam, e em seguida viraram-se para o carrão quando esse abriu a porta e Amélia saiu de lá com uma expressão cheia de raiva e completamente ameaçadora. Eu fiquei chocada por vê-la parecer tão cruel quando seus olhos azuis pousaram em cima dos garotos que agora estavam desamarrados da mesa.
Sua expressão de desgosto confirmou meus pensamentos. Ela havia visto as novidades na internet e agora queria respostas.
— Amélia eu posso explicar — comecei, mas nem tive tempo de terminar, pois outro carro parou em frente à escola, um taxi. Dana saltou de lá com o rosto vermelho e ameaçador, crueldade marcando cada traço e mascarando a preocupação quando me viu.
— Isso não pode ficar pior — reclamei, jogando as mãos para alto com indignação.
— Se eu fosse você, não teria tanta certeza — murmurou Jodie em meu ouvido, e apontou para os próximos carros que estacionava ali. Um era um SUV escuro e outro um Volkswagen vermelho. Dele, Linnea e Carter saltaram com expressões afogadas em preocupação e logo alcançaram Jodie, e do SUV, saiu quem eu mais temia encontrar. Jared, e ao seu lado estava Ethan, com uma expressão cheia de desgosto.
— Harlow! — Jared correu para mim, ainda usava seu jaleco, o que denunciava que tinha acabado de sair do hospital totalmente desesperado. Ele e Dana saltaram para mim, mas antes que esses chegassem a me tocar, Amélia colocou-se no caminho, fazendo-me arregalar os olhos com surpresa.
— Saia da frente — Jared grunhiu a ela.
Amélia nem sequer vacilou.
— Estou levando Harlow comigo — anunciou suavemente, porém havia algo que em sua voz, que denunciava sua fúria.
Dana empalideceu, Jared se enfureceu.
— Só por cima do meu cadáver — rosnou, tentando o ultrapassar a tia, mas sendo impedido por Ethan, que colocou o braço a sua frente — Me solte!
— Espere — Ordenou ele, e tomou à frente — Você não pode levá-la. O juiz decretou que ela ficasse com o irmão até que o julgamento chegasse. Não tem o direito.
— Eu tenho todo o direito — Amélia retrucou com o lábio superior torcendo, ela enfiou a mão dentro de seu blazer azul e retirou uma folha de lá. Passou para Ethan e o encarou — Estou levando minha sobrinha agora mesmo. Ela estará mais protegida comigo até que o dia do julgamento chegue.
— Você não vai levar minha irmã para a merda de lugar algum! — Reforçou Jared com um rosto vermelho, e os olhos tão escurecidos que achei que iriam se tornar completamente pretos — Eu não vou permitir.
— Não pode fazer nada. Está decidido. — Amélia cruzou os braços e o encarou — Desde que chegamos Harlow passou por episódios perigosos. Primeiro você se descuidou da saúde dela ao ponto que passou mal no colégio, agora isso... Garotos tentando bater na minha sobrinha! Não vou permitir que se repita. O que Ethan tem em mãos é um pedido judiciário para ter a menina comigo até o dia do julgamento, é a lei, e você não pode passar por cima dela.
— Você não pode fazer isso! — Dana gritou, tentando passar por Jared, mas ele a segurou, mesmo que minha irmã tentasse liberdade. — Por que está arruinando nossas vidas? Nunca se importou conosco e nem com Harlow. Por que quer levá-la para longe de nós?
Eu tentei ver a expressão de minha tia, e por mais incrível que parecesse, Amélia não demonstrava qualquer emoção ou sentimento, pelo contrario. Ela estava fria e encarava apenas os olhos de Jared, como se o desafiasse vir para ela quando a justiça já tinha decidido seu destino.
— Nunca quis destruir sua família Dana. Estou apenas tentando proteger alguém que estimo. — Falou, mas não surtiu efeito, pois Dan continuou tentando ir para cima dela.
— Está acabando com tudo! Levando nossa irmã por puro egoísmo só porque não pode permanecer sozinha. Mas isso é tudo culpa sua tia! Você afastou sua família, se quisesse mesmo ter uma, teria permanecido conosco, teria ficado e cuidado de todos nós, escolheu a si mesma e agora não pode arcar com suas próprias decisões. E eu te odeio por isso, odeio tudo em relação a você... Odeio o que está fazendo-nos passar. ODEIO! EU ODEIO VOCÊ!
O silêncio que se passou a nossa volta me fez sentir envergonhada, totalmente ridicularizada. Olhando em volta, apertei as mãos com as pessoas que pareciam chocadas e horrorizadas com a explosão da minha irmã, que agora ofegava no peito de Jad enquanto esse mantinha um aperto firme a sua volta. Senti minha garganta fechar e meus olhos encontraram com os de Jodie e Liam a alguns passos afastados de mim.
Eles tinham expressões cheias de lamentações, e o mais incrível foi ver que Jodie tinha os olhos brilhando, como se prendessem lágrimas. Nós nos olhamos, compreendendo uma outra, e ela pareceu saber o que se passava por minha cabeça, pois assentiu, e deu um sorriso de encorajamento. Meus olhos arderam, mas eu não chorei e quando dei mais uma olhada na minha... Eu poderia dizer que aquilo era uma família? Tudo que faziam e repetiam todo santo dia, era brigar, brigar, e brigar. Estava farta de permanecer naquele meio. Estava casada de olhar nos olhos dos meus irmãos e da minha tia e ver a disputa que sentiam ter que ganhar. Uma disputa que me incluía.
Fechando os olhos, dei passos para trás, abaixando-me somente para recuperar minha mochila no chão. Sem nenhum deles perceber, e somente tendo o olhar de Jodie e Liam sobre mim, eu me afastei daquela confusão, virei as costas e corri para o taxi que Dana havia vindo, e rapidamente falei ao motorista.
— Me leve embora daqui — Assim que fechei a porta, a algazarra recomeçou. Tinham percebido minha saída.
— Harlow! — Dana tentou alcançar o taxi, ela bateu na porta, tentando abri-la enquanto olhava-me pela janela — Harlow, abra... querida por favor...
— Desculpe. Eu não posso encarar isso — Lamentei sentindo as lágrimas descer. Jared apareceu ali e parecia amedrontado.
— Vamos te ajudar... venha, vamos conversar e resolver isso. — Suplicou ela, e eu funguei, levando a mão ao vidro da janela, moldando sua mão com a minha.
— Eu amo vocês... Muito. Eu volto logo.
— Harlow...
— Pode ir — disse ao motorista. Meus irmãos gritaram, tentando abrir a porta, mas foi em vão. O carro já estava andando e eu me distanciando. Indo para um lugar onde nenhum da minha família, podia me encontrar.
~*~
Quando o taxi me deixou ao meu destino, eu finalmente pude respirar normalmente. Liberei-o e subi a colina até o topo, me concentrando naquele céu lindo que era riscado por raios solares na cor laranja e vermelho, se cruzando naquela imensidão enquanto o sol descia. Suavemente, toquei a tatuagem em meu pulso, sentindo falta do abraço reconfortante de Damien. Ele saberia me consolar agora, no entanto não poderia encarar seu rosto depois de saber que ele com certeza sabia da fama que eu o fiz passar nas redes sociais. Ele devia estar me odiando agora, e eu não tinha convicção de que podia suportar isso.
Tentando refrear os pensamentos ruins, caminhei até a cerca de aço que barrava o precipício, com um pouco de dificuldade agarrei-me nele e subi, sentando-me ali para que pudesse ver o por do sol. Suspirei quando olhei para o tamanho daquela queda, mas em seguida ergui os olhos para aquele céu magnifico, esquecendo tudo mais uma vez. Puxando a mochila das costas, abri e retirei minha caixinha de música, olhando-a de todos os ângulos antes de abri-la. O som suave e harmonioso acariciou meus ouvidos por horas, ele acalentou meu coração machucado e secou as lágrimas que tinha derramado horas atrás, observei o sol partir junto com minha dor até sobrar apenas um vazio enorme, até que não existisse nada que pudesse me fazer abaixar a cabeça.
Comecei a pensar como iria encarar aquela situação. Quando saísse daqui, para onde eu iria ir? Para a casa de Amélia ou a dos meus irmãos? Será que tanto em uma como em outra eu seria presa até o maldito julgamento? O que aconteceria comigo até lá? Eram tantas perguntas sem respostas e estava tão cansada de que cassar por elas.
— Queria que estivesse aqui mãe — sussurrei, acariciando os desenhos da caixinha de música. Apertei os lábios quando tremeram e me deixei escutar o som doce dela — Seria tão mais fácil se eu apenas corresse para você... Iria me ajudar certo? Diria o que eu deveria fazer. Eu queria que isso fosse uma opção, porque agora... — abaixei a cabeça e suspirei pesadamente — Eu não sei o que fazer.
Uma lágrima escorregou minha bochecha, porém não foi por causa dela que eu fiquei rígida como pedra a seguir. O motivo foi quanto o vento soprou meus cabelos e trouxe aquele perfume viciante, aquela essência forte e ao mesmo tempo apimentada. Fechando os olhos, abaixei a cabeça quando duas pernas foram ultrapassadas para o outro lado da barreira, onde ficaram balançando quando o dono delas se sentou ao meu lado.
Respirei fundo.
— Como adivinhou que estaria aqui? — indaguei. Pude sentir quando ele me olhou. Ultimamente conseguia sentir tudo que ele fazia.
— Quando Liam e Jodie nos explicaram o que aconteceu, eu soube que precisava estar em um lugar longe deles. — Sua voz era amigável, simpática e compreensiva. — Ninguém sabe daqui além de nós, então...
Assenti, compreendendo seu ponto. Lentamente, virei o rosto para ele. Jimmy não usava agasalho sobre a camiseta preta, mas tinha uma toca sobre a cabeça que fazia seus cabelos ficarem escondidos. Seus olhos estavam em mim, e a preocupação ali me fez querer que ele fosse embora, pois estava farta da aflição dos outros.
— Por que veio aqui? — questionei e voltei-me para o céu. — Não vou voltar para casa... Aliás, eu nem sei se tenho uma casa fixa agora. — Dei de ombros.
Ele permaneceu em silêncio, mas em seguida se ajeitou ao meu lado, colocando uma mão sobre o joelho enquanto observava céu escurecer.
— Eu não vim levá-la. Na verdade eu vim ser um pouco egoísta e convidá-la para um piquenique na montanha — falou. Eu franzi a testa e o olhei.
— O que? — Fiquei confusa.
Ele sorriu amplamente e se virou, saltando para o outro lado e então erguendo o que parecia ser uma cesta muito grande.
— Será minha quarta tentativa de cortejo. Venha, vamos até aquele canto. Trouxe um bolo de chocolate que está absolutamente maravilho. — E estendeu a mão. Olhei para ele ainda sem reação, em seguida para seu sorriso brilhante e grande.
Eu sabia o que ele estava fazendo. E pela primeira vez, eu nunca fiquei tão agradecida por Jimmy estar tentando tirar os problemas de meus pensamentos. Logo ele, que não se cansava de me dar problemas antigamente.
Mordendo o lábio, agarrei sua mão e desci de onde estava, olhando em seus olhos satisfeitos.
— Isso não quer dizer que te perdoei.
Ele parecia completamente feliz.
— Ainda. — murmurou, e me puxou para um canto longe de todo aquele mato, onde ele deixou a cesta no chão e tirou uma toalha vermelha. Ele cobriu o chão e acenou para que sentasse. Sem fechar a caixinha de música, coloquei ao meu lado junto com a mochila, em seguida me ajeitei e cruzei as pernas, observando enquanto ele tirava uma tonelada de comida de dentro daquele cesto.
— Onde arranjou tudo isso? — perguntei, olhando para o pote de uvas que ele descansava sobre a toalha. Ele sorriu.
— Achei que estava precisando de uma boa rodada de lamentação, então que forma melhor de se lamentar do que comendo? — Sorriu e tirou duas taças de vidro e estendeu uma para mim — Pedi ajuda de Stef, e organizamos tudo antes de vir aqui. Oh, Linnea também mandou isso e disse que sente muito por tudo isso.
Peguei a pequena vasilha e sorri quando o cheiro de torna de amora chegou ao meu nariz. Voltei-me para Jimmy quando ele ergueu uma garrafa de vidro e me sorriu sem graça.
— Desculpe, eu teria trazido um vinho, mas estava totalmente desprevenido então peguei essa gloriosa e magnifica garrafa de refrigerante. — Sorri quando ele despejou uma boa quantidade em minha taça, e em seguida me empurrou um prato pequeno com um pedaço de bolo de chocolate.
— E isso, quem fez? — perguntei, ele estufou o peito.
— Eu mesmo. Aceito elogios e bajulações — falou, e eu tive de me segurar para não rir daquela sua pose ridícula, mas absolutamente adorável.
— Acho que devo me preocupar. Desde quando sabe cozinhar? — Zombei, ele cruzou os braços com um olhar desafiador,
— Ora. Eu posso muito bem fazer algo sem queimar. O bolo é uma prova. Experimente.
— Não acho uma boa ideia...
— Cala boca e come logo — falou, e quando eu não esperava enfiou uma colher com o bolo em minha boca. Inesperadamente o gosto doce e divino me fez arregalar os olhos e então realmente gemer com prazer. Olhei para o prato totalmente chocada.
— Uau. Acho que já pode ganhar um Oscar de melhor cozinheiro— brinquei, e arranquei a colher de sua mão para atacar mais do doce. Jimmy sorriu orgulhoso.
— Se isso existisse, concordaria com você. Mas obrigado mesmo assim — Riu, e se inclinou para pegar a torta de Linnea. — Estive de olho nisso desde que sai da casa de Linnea.
— Não me surpreende. Você sempre teve olhos para comida — Falei, e ele virou para mim erguendo a sobrancelha.
— Quer dizer que andava me observando até quanto comia? — indagou, eu senti minhas bochechas corar, mas em seguida bufei e empurrei seu ombro.
— Não seja idiota. — resmunguei. Ele riu alto e mastigou um pedaço da torna. Eu paralisei quando ele fechou os olhos e gemeu longamente, apreciando o sabor. Estremeci um pouco quando sua língua saiu e contornou o caminho de seus lábios, fazendo uma caminhada lenta e me tornando uma tremendo invejosa naquele mesmo instante.
— Humm. Linnea eu te adoro! — suspirou e então capturou outro pedaço com a colher e virou para mim — Aqui, prove isso. Está maravilhoso. — Eu hesitei, olhando em seus olhos, mas aos poucos me inclinei para frente e abri a boca, permitindo que ele pousasse o metal frio que tinha acabado de passar por seus lábios, em minha boca. Gosto doce de amoras me fez maravilhada por um momento, e eu tive que fechar os olhos e saborear aquela belezura com o máximo de lentidão possível, mas quando voltei a abri-los, eu paralisei.
Jimmy tinha os olhos pregados em minha boca, a expressão totalmente mudada e séria, mas um olhar carregado com desejos e segredos enquanto dividia a vista entre meus olhos e minha boca. Meu coração pareceu saltar para batimentos anormais enquanto notava como nossos rostos estavam a curta distancia e como ele parecia bonito tão de perto, eu só precisava me aproximar mais um pouquinho e...
— Espere — Me afastei, olhando para seus olhos com repreensão — Eu não vou deixar você me beijar.
A luxuria em seus olhos nunca foi embora e ele se ajeitou, liberando um sorriso malicioso.
— Sempre tenho esperança do contrario. — falou, e eu virei os olhos, tomando do refrigerante na taça.
— Você é muito metido — Apontei, ele riu e inclinou-se em suas mãos, os olhos me observando com lasciva.
— Não. Acho que confiante se encaixa melhor — Corrigiu ele e eu bufei.
— Ok, sr. Confiante, você pode tirar seu cavalinho da chuva por que nada vai acontecer — Insisti, tentando não somente convencê-lo, mas também a mim mesma. Jimmy ainda sorria como se soubesse tudo que pensava. — Você é insuportável. — Resmunguei. Ele gargalhou.
— Que bom que compreendeu. Podemos brindar agora? — Ele pegou sua taça e se aproximou de mim.
— O que estamos brindando afinal?
— Ao desastre que é a sua família e por ela ter conseguido trazê-la até aqui para que eu pudesse ter um encontro digno à luz da lua. Tim. Tim. — E encostou sua taça na minha com um som baixo. Eu olhei para ele pasma, e não aguentando mais, deixei que o riso partisse para fora na minha garganta alto e claro, sentindo minha barriga doer enquanto me inclinava para trás até estar deitada na toalha de piquenique. Senti quando minha taça foi tirada da minha mão e olhei para Jimmy.
Ele me observava sorrindo e tinha tirado sua toca ridícula, o que era maravilhoso, pois agora seu cabelo estava livre para dançar quando o vento soprava.
— Você é impossível.
— Mas fiz você rir. É um ponto para mim, certo? — E se virou e esticou-se ao meu lado, levando os olhos para o céu que agora estava completamente hipnotizante. Hoje ele estava banhado com estrelas e a lua estava crescendo, mostrando uma de suas fazes mais sensíveis ao seu próprio brilho intenso. Olhando para ela, recordei-me do dia do luau, quando Mohana contou sobre a bonita paixão proibida do sol e da lua.
Melancolia me acertou quando também recordei que aquela história fazia-me sempre pensar do garoto que estava deitado ao meu lado nesse mesmo instante, e isso chegava ser um tanto desconfortável, pois estar admirando a lua com ele quando essa presenciou os momentos que chorei por estar distante do cara que eu gostava, me fazia absurdamente estranha. Eu não queria ter que recordar como senti a falta daquele idiota, mas deitada ali com ele, eu não podia impedir minha mente de trabalhar e correr para o passado, e automaticamente, acabar se tornando um sentimento futuro avassalador e quente. Um sentimento que me fazia querer contar todos meus problemas e pensamentos para ele, um sentimento que fazia-me louca e agoniada por um contato, mas tal esse eu não teria, pois eu além de ter namorado, eu não podia permitir que tudo recomeçasse... Mesmo que algo me alertasse que já era tarde para isso.
Apesar das minhas recusas silenciosas, tudo que conseguir fazer foi suspirar e falar baixinho.
— Quando estava na Califórnia — Me sentindo mal por estar realmente contando como sentia, deixei que meus ouvidos continuassem a serem acariciados pelo som da caixinha de musica. Sabia que Jimmy me olhava, mas continuei falando — eu pensei muito em como Amélia era solitária e como sua vida ia ser depois que eu partisse. Percebi que talvez ela não possa ficar sem alguém, tive medo que se afundasse na tristeza. Mas... existe meus irmãos, os nossos amigos — Meus olhos arderam com a indecisão, mas nunca desviei o olhar da lua, que parecia cada vez mais cheia com os minutos se passando. — Eu não quero deixar ninguém... não quero machucar ninguém, mas sempre acaba acontecendo algo que me leva a ter que escolher um lado. Eu não consigo parar de pensar que talvez eu não devesse ficar com nenhum deles. Provavelmente devesse ficar sozinha, longe de todo mundo.
Esperei que ele falasse alguma coisa ou que brigasse comigo por sequer cogitar partir para longe de toda aquela loucura, mas passaram segundos, minutos, e depois horas, e ele não disse nada, e quando finalmente olhei para ele, Jimmy estava me observando, o rosto sério e os olhos em uma escuridão castanha impactante.
— Li algo em um livro uma vez, dizia para nunca declaramos algo que podemos nos arrepender — falou e então se aproximou até estar bem perto do meu rosto, mas ele não tentou me beijar como pensei que faria, pelo contrario, ele apenas virou o rosto e apontou para o céu ao falar suavemente — Vê as estrelas? Elas estão sempre brilhando, cintilando como pedrinhas preciosas. Portanto Harlow, toda vez que se sentir no escuro, elas vão brilhar. E assim você vai saber o seu lugar. Não posso lhe dizer que é com seus irmãos ou até mesmo com sua tia, pois a única que decide onde deve morar, é você mesma. Não é difícil ter pensamentos agradáveis quando as estrelas estão por perto. Acredite. — Sorri um pouco, seguindo a direção de seu dedo e então o olhando nos olhos.
— Será que elas me guiariam até um lugar tranquilo? Estou cansada de problemas ao meu redor. — O sorriso dele foi doce e prometia coisas que eu não estava preparada para saber, porém tinha curiosidade o bastante para querer me aproximar.
— Elas levaram você na direção que seu coração deseja. — disse, e olhou o céu com aquele sorriso, e por mais que as estrelas estivessem lindas essa noite, eu não pude tirar os olhos de seu rosto bonito. — Só espero que não seja para muito longe. Seria difícil arranjar passaporte para o outro lado do mundo.
Eu franzi a testa em confusão, mas logo compreendi que ele queria dizer sobre como ele iria me seguir se eu decidisse partir e deixa-lo aqui. Sem poder conter, um sorriso esticou em meus lábios e eu suspirei, pensando em como eu estava completamente ferrada ao lado desse idiota galanteador.
— Eu amo esse sorriso — Ele falou, e quando encontrei seu olhar, senti meu peito aquecer com a ligação que sempre nos envolvia — Eu daria tudo para que nunca voltasse a chorar. É linda demais para fazê-lo.
Eu tentei fechar o sorriso, mas a forma como ele falava e me encarava, fazia-me majestosamente melhor que antes. Eu não estava triste, pelo contrario, estava feliz e relaxada. E não queria ir embora nunca dali, mesmo que isso significasse estar ao lado de Jimmy, o garoto que partiu meu coração, mas que agora estava fazendo-o voltar a bater orgulhosamente forte.
— Como consegue fazer isso? — sussurrei a ele, sentindo a brisa soprar em nós dois. — Isso não pode ser normal, a forma como consegue ser tão encantador e em seguida tão idiota. Qual realmente é você, Jimmy? Porque está me deixando tão confusa.?
O som da caixinha de música nos envolveu quando ele nada disse, e aos poucos meu sorriso se foi somente pelo fato de encarar aquelas íris escuras e hipnotizantes. Prendi a respiração quando ele se levantou, temi que ele fosse sugerir para partimos, eu não queria ir, estava me sentindo tão bem naquele instante e não queria ter que voltar para casa de Jad e nem a de Amélia, queria continuar ali, com ele.
— Me daria a honra dessa dança? — perguntou, estendendo a mão para mim em uma reverencia. Quando percebeu que não tinha entendido, ele sorriu e segurou minha mão — Deixe-me mostrar quem sou, Harlow. Apenas agora, essa noite, me permita mostrar quem sou para você. — Encarei sua mão mais uma vez naquele dia e percebi que se aceitasse, estaria concordando em muito mais que uma simples chance, estaria dando uma esperança tola ao meu coração. Eu não podia fazer isso. Mas não é como se pudesse recusar algo que ele queria e desejava.
Tremendo, peguei a mão dele e deixei que ele me puxasse para perto dele.
— Eu não sei dançar — argumentei quando estava de pé. Ele sorriu, e ainda segurando minha mão, falou.
— Apenas confie em mim.
Nervosa, assenti levemente. Jimmy pareceu se iluminar e levou minhas mãos para seus ombros, descansando-as lá enquanto suas próprias agarravam minha cintura fina. Ofeguei quando fui puxada abruptamente para seu peito até estar completamente grudada nele. Ele encostou o queixo em meu rosto e se inclinou um pouco para baixo, puxando-me então para cima até que estava em cima de seus pés. Apesar da música da caixinha ser baixa, eu podia sentir ela nos percorrer alta e clara quando Jimmy começou a ser mover suavemente, levando-me com ele no gingado lento e suave.
— Viu. Está dançando — sussurrou em meu ouvido.
Sorri de olhos fechados. Nunca havia sido chamada para dançar assim, em baixo das estralas e da lua. Institivamente me agarrei mais a ele, deitando a cabeça em seu peito.
— Ok. Você tem um ponto — falei, e o senti rir contra mim.
— Finalmente — soprou ele, e então serpenteou com mais força os braços a minha volta. Ele continuou dançando comigo em seus pés, seu perfume me inebriando e me fazendo suspirar, mas depois de um tempo no silencio, ele enfim começou a falar. — Eu sei que fiz idiotices e que elas levaram você a ser tão hesitante sobre mim Harlow. Mas eu não sei mais o que fazer para mostrar como estou arrependido. Por tudo entende?
Abri os olhos, e engolindo em seco, levantei o rosto para olhá-lo.
— E se for só um momento? E se for apenas atração? — Senti meu peito apertar — Eu não sei se posso suportar se você decidir que é isso, depois de tudo. Não quero mais recusas Jimmy. Quero decisões.
— E eu me decidi — garantiu com firmeza, as íris queimando com convicção. — Eu a amo, Harlow. Não tenho mais que escolher nada — e sorriu um meio sorriso — Mas acho que você deixou bem claro que me odeia. — seu rosto ficou brincalhão, mas eu vi a duvida em seus olhos.
— Eu não te odeio — falei, e quase pude sorrir quando ele se iluminou — Mas isso não quer dizer que de perdoei... ainda. — Seus ombros caíram um pouco, mas ele assentiu e tentou sorrir.
— É um começo... espere, você disse ainda? — Ele parou de dançar e me encarou com os olhos arregalados.
— Me dê dois dias para pensar. — pedi sinceramente. — Existem coisas que preciso resolver, pessoas que tenho de falar... Não estou com cabeça para isso agora.
— Quando você diz que existem pessoas com que deve falar, você quer dizer Damien, certo? — indagou, eu permaneci quieta, os olhos presos nos dele. Vendo que não teria outra escolha, ele suspirou, e assentiu, sorrindo logo depois — Tenha seus dias... Pense bastante. Mas hoje... hoje a noite é minha. — E me surpreendendo totalmente, ele tomou meu braço e fez-me girar e depois cair sobre seu braço direito. Eu ri, olhando em seu rosto quando fui endireitada.
— Você é o cara mais galanteador que já conheci — falei sem me conter. Ele riu e voltou a me colocar sobre os pés, assim podíamos dançar sem que meus passos desastrosos acabassem com aquela noite esplendida.
— Acho que isso foi um elogio — murmurou. Eu sorri, abraçando-o mais forte.
— Com certeza não foi.
E nós dançamos. Permanecemos juntos e colados durante toda noite, sem toques maliciosos ou com outras intensões, sem problemas familiares ou intrigas de namorados. Nós apenas dançamos na presença da lua e das estrelas, comemos muito e conversamos até que o cansaço nos fez retornar a tolha, onde nos deitamos e observamos a estrelas até o sono fazer-nos fechar os olhos. E enquanto sentia a mão de Jimmy abraçando a minha, eu entendi, que pelo menos naquela hora, minha casa estava bem ali, dentro dos braços de Jaime. O garoto que nunca cogitou dizer que me amava, mas que agora, parecia não se cansar de dizer isso durante a cada dia, hora e minuto. E o mais estranho era que eu estava começando a gostar demais disso.
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