Rude Girl
30 Capitulo 30 — Sentimentos fortes
Notas iniciais
E assim passaram-se sábado e domingo. O tempo pareceu voar, e em todos os instantes eu tentei inutilmente, falar com Jared sobre Amélia e minha ideia, mas ele não me dava chance alguma. Se não estava no hospital, ele se trancava no quarto ou chegava tarde da noite. Isso estava começando a me irritar profundamente, por isso na segunda de manhã, no meu primeiro dia de volta as aulas, acordei adiantadamente só para pegá-lo de surpresa, porém ele que me pegou ao sair de madrugada para o hospital sem nem mesmo avisar e só deixando um bilhete para Dana como explicação.
Essa já havia notado como nervosa eu estava ficando, mas não era como se ela pudesse fazer alguma coisa. Eu deviria encarar os fatos sozinha: Meus irmãos meu odiavam.
E foi pensando nisso que eu comecei a me arrumar para o colégio, sem nunca cessar nas minhas murmurações.
Damien encontrava-se sorridente e esparramado na cama com meu notebook, me ouvindo resmungar.
— Ele não pode fazer isso para sempre.
— Eu acho que pode — Ele falou enquanto brincava com Slash em minha cama e deslizava o mouse na cama — Ele conseguiu virar o rosto por dois dias inteiros. O cara tem um controle admirável.
— Minha bunda — bufei nervosa — Ele só está me evitando para não ter que ouvir sobre Amélia. Oh, e falando nela. Desde que falei minha resposta ela tem estado toda atarefada. Ontem nem nos falamos direito por telefone. Parece que todos estão fugindo de mim, droga! — Peguei minha mochila brutalmente — Isso não vai ficar assim.
A porta do quarto abriu bem na hora em que cogitei quebrar o zíper da bolsa por essa não abrir.
— Quem está fugindo de você? — Eloise passou por ela com um sorriso estreito.
Dei uma olhada nela e quase pude esquecer meus problemas para sorrir. Lizze estava no seu estilo princesinha mimada, mas aquele jeans preto era novo para mim, tanto que ergui uma sobrancelha questionadora.
Ela bufou.
— Não me olhe com essa cara. É meu primeiro dia na faculdade, tenho que explorar novas coisas — Olhou para baixo e sorriu largo — Usar jeans é uma das minhas experiências.
— Aposto que seus vestidos estão com inveja — brinquei e ela virou os olhos e olhou para Damie — Olá Damien. O que está fazendo?
— E ai Lizze — Ele acenou e então a apontou para a tela do notebook, um sorriso malicioso para mim — Viu as postagens da Jodie e Stefany? O vídeo está com mais de cinquenta visualizações.
Fiz careta e lhe atirei minha camiseta preta. Estava cansada dele comentando sobre aquilo. Jodie e Stef havia armado a pior merda para mim. Elas gravaram a porcaria da serenata toda do Jimmy e postaram no twiter, onde uma porrada de pessoas do colégio havia visto e comentado, e compartilhado.
— Oh, é eu sei! Não é um máximo? — Lizze correu até ele e espiou a tela toda sorridente. Eu virei os olhos, sabendo que ela devia estar focando nos comentários melosos de suas antigas amigas de colégio, como: Eles são tão fofos ♥ ou #Harmmy. Casal do ano.
— Eu ainda não acredito que Stef fez um shipper para mim e Jimmy — resmunguei nervosa. Eles riram.
— Admita... É fofo. Oh, Jodie fez um de vocês também. — Ela apontou de mim para o Damien — Que eu me lembre é Harmie. Vamos erguer uma votação.
— Votação? — Eu e Damien falamos em uníssono franzindo a testa. Ela assentiu.
— Sim. Sim. Colocamos fotos de você com os dois meninos no twiter e facebook para ver com quem você combina mais — Ela sorriu quando minha boca caiu e Damien apertou os lábios impedindo-se de rir. Como ele podia fazer isso?
— Vo-você...
— O resultado virá amanhã. Então Jodie mostrará a você já que não estarei aqui.
Eu queria morrer. Morrer e me enterrar no fundo da terra.
— Eu estou muito fodida. — resmunguei esfregando o rosto. Isso renderia tanto comentários no colégio. Logo no primeiro dia.
Ok. Eu tinha que respirar fundo e apenas me acalmar, sim. Era isso. Apenas mudar de assunto e me acalmar.
— Certo... O que faz aqui? — indaguei balançando a cabeça — Pensei que já tinha ido.
— Estou de saída, mas vim me despedir por todos do grupo — Ele fez um bico adorável e que, com certeza, só fica bonito nela — Eu não queria que minha faculdade fosse tão longe, mas infelizmente é. Queria também lhe desejar sorte para o seu primeiro dia.
— Ah, sim. — ri sarcasticamente — Com certeza vou precisar. Onde está Jonah? Ele não está na mesma faculdade que você?
— Sim! — Ela bateu palmas animadas — Ainda não acredito que conseguimos isso. Acho que ele já deve estar subindo para... — A porta abriu e Jonah apareceu com sua cabeleira azul.
Sorriu.
— Pronta para voltar para o trampo pirralha? — perguntou se aproximando.
Eu gemi ao pensar no que corria solto pela rede social.
— Não. — Os olhei com tristeza — Por que vocês tinham que se formar? Por que não repetir uma vezinha? — Eles riram e Jonah me pegou em um abraço.
— Vamos sentir saudades garota.
— Então eu acho bom me visitarem aos finais de semana — falei ameaçadoramente e olhei para Lizze por cima do ombro — Os dois. Deixem os gênios de Havard para depois.
Ambos sorriram grande e assentiram, Jonah então olhou para Damien.
— Como você ainda está aqui? Não tem uma faculdade para ir também? — Perguntou, e foi ai que eu me toquei que ele tinha razão. Voltei-me para Damie com os olhos arregalados, mas ele não parecia preocupado.
— Eu fiz uma ligação e consegui uns dias a mais. Voltarei no dia cinco de outubro, será tempo o suficiente para que Jared resolva as coisas com a tutela de Harlow — Fiquei gelada no mesmo lugar encarando Damien, com medo que ele falasse mais do que devia, pois ainda não havia contado a nenhum dos meus amigos sobre a decisão de ir com Amélia. Graças a Deus ele deve ter percebido minha reação, pois juntou as sobrancelhas e então mudou de assunto.
— Caroline fez o mesmo e ligou para sua faculdade. Teremos a mesma quantidade de dias, então será um tempo para ficarmos juntos até que chegue a hora da despedida — Ele suspirou. Era óbvio que ele odiava a ideia de dizer adeus a sua irmã, mas era necessário, por isso ele nunca implicava.
— É uma pena que não possa ficar. — Lizze falou — Harlow parece melhor com você por perto. Sei que vai ser difícil se afastarem, saibam que estou aqui okay? — Ela sorriu docemente e me abraçou. — Vou sentir saudade.
— Eu também Lizze. — A apertei — Boa sorte.
— Obrigada. — falou, e se afastou.
Quando ambos partiram do meu quarto eu desabei na cama me xingando de nomes mais monstruosos que podia conhecer, porque eu definitivamente merecia.
— Devia contar para eles — disse Damien, eu engoli em seco.
— Eu vou — falei, mas acrescentei — Mas não agora. Primeiro tenho que me acertar com Jared.
Meu celular tocou em meu bolso. O retirei e sorri para as mensagens. Jackson me mandava “Boa sorte” para o primeiro dia de aula e Stef um foto com uma flor dizendo: VOCÊ VAI ARRAZAR. Nas outras mensagens era Jodie, e eu gargalhei quando abrir sua mensagem acompanhada de uma fotografia.
COMEÇOU A TORTURA! PESSOAS EM VOLTA. ALERTA PERIGO! ALERTA PERIGO!
E embaixo tinha uma fotografia de Jodie fazendo careta para uma pequena multidão atrás dela, e se não fosse maluca, podia jurar que Helen — ex-namorada de Liam e inimiga eterna de Jodie — estava bem atrás dela fazendo uma careta de poucos amigos.
— Essa garota é louca — murmurou Damien, mas sorria.
A mensagem de Liam era um áudio, esse eu escutei com aquele sorriso espichado e emocionado.
— Ei garota. Volte lá para o colégio e coloque a boca daqueles mauricinhos no chão. Faça seu melhor e seja você, e não esqueça que ainda estou aqui para cuidar daqueles idiotas. Basta uma ligação, okay? Abraços pirralha.
Emocionada, limpei por de baixo dos olhos e suspirei quando Damien riu.
— Eles parecem bem preocupados com seu primeiro dia de aula — falou olhando meu celular. Eu assenti.
— Vamos se dizer que não sou muito social — disse ainda olhando o celular em busca de mais mensagens, mas não havia nenhuma outra. Tentei me convencer de que não estava procurando por palavras de conforto de certo louro exibido e absurdamente bonito.
— Acho melhor irmos — falei me levantando. Ajeitei meu uniforme e me olhei no espelho.
Era certo que eu estava mudada. Meus cabelos estavam enormes e realmente bonitos, adorava penteá-los, e meu uniforme havia mudado. Antes eu apenas usava uma camisa maior que eu e um jeans rasgado, mas agora eu tinha mudado meu guarda-roupa e meu uniforme era de acordo com meu tamanho, e ele marcava as curvas que um dia eu não tive, os seios que tanto desejei. Eu me sentia bonita. Pela primeira vez me sentia bonita, e isso era maravilhoso.
— Vamos? — Damien carregava minha mochila quando respirei fundo.
— Vamos — peguei sua mão e o segui para baixo.
Dana estava terminando de se arrumar para o trabalho e segurava os cabelos em cima da cabeça enquanto procurava algo nos sofás.
— Mesinha à sua frente — falei, ela me olhou e depois virou. Sorriu e pegou seus grampos para prender seu coque.
— Obrigada — disse, e depois veio parar mim — Boa aula, querida — Fiz careta quando ela segurou meu rosto e beijou minha bochecha.
— Erg... Dana — reclamei. Damien riu.
— Apenas para dar sorte — Ela falou e sorriu para Damien — Agradeço por acompanha-la, eu mesmo faria, mas John está no meu pé para passar mais alguns Fax.
— O Jonh é um fodi... — Damien me puxou e apertou a mão em minha boca me impedindo de falar.
— Tudo bem. — Ele sorriu para minha irmã. Virei os olhos — Eu cuido da espertinha aqui — Mordi sua mão — Hey! — Ele pulou longe a chacoalhando.
Sorri — Tem mais de onde essa veio — ameacei. Ele gargalhou.
— Estou ansioso para experimentar todas suas mordidas, caramelo — provocou. Acertei seu ombro.
— Beija minha bunda. — bufei. Ele piscou.
— Adoraria. — Minhas bochechas queimaram e Dana começou a rir.
— Oh Deus, eu queria muito continuar vendo essa conversa, mas tenho que ir e você também. Vá, ou irá se atrasar.
Ela me empurrou para fora de casa junto de Damien, e quando finalmente estávamos lá, começamos a caminhar juntos. Damien manteve a mão na minha em todos os instantes até que chegamos a frente ao colégio. Eu fiz careta só de perceber que estava de volta há àquele pequeno inferno onde pessoas falavam e fofocavam demais.
A primeira coisa que eu percebi ao chegar a o campos era que a minha antiga mesa estava ocupada pelos mesmos idiotas de sempre. Connor e Bryan era um deles, o que me fez querer sair correndo para vomitar.
— Me leve embora daqui — implorei olhando para os lados.
Damien riu. — Não deve ser tão ruim.
— Ah é — falei olhando os retardados rirem como hienas — É terrível.
— Vamos, você vai conseguir. Venha, vou te acompanhar até lá dentro — Fiquei mais do que aliviada em ouvir isso, tanto que me agarrei a ele e deixei que me guiasse.
Aos poucos eu notei umas pessoas franzirem a testa para mim e então arregalarem os olhos com se notassem somente agora quem era. Depois eles olhavam Damien e tudo parecia ser uma miragem. Sussurros sobre as postagens no twiter chegaram aos meus ouvidos, mas fiz o possível para ignorar, assim como Damien. Houve um alvoroço na mesa que antes era minha e dos meus amigos, e quando olhei, Connor, Bryan, e seu outros amigos, estavam me encarando com que parecia ser malicia. Senti minha pele arrepiar com nojo.
Eles haviam me tratado com um lixo humano quando vestia roupas diferentes e era uma tábua, mas agora que eu tinha curvas e uma nova aparência, eles me olhavam com interesse. Eu quis tanto socá-los.
— Esta entregue — Não percebi que havíamos chegado a minha sala, mas quando paramos em frente à porta do famoso professor Collin, aquele que eu acidentalmente derramei café, eu tive tomar coragem.
— Queria poder apenas estudar em casa até me formar — resmunguei. Ele riu e segurou meu rosto suavemente.
— Vai dar tudo certo. — Ele acariciou meu rosto — Estarei aqui quando sair, certo?
Balancei a cabeça.
— Não precisa. Estou indo ao hospital depois que sair daqui — Ele ergueu uma sobrancelha e eu dei de ombros — Se Jared não vai me encarar por bem, vai ser por mal. Vou atrás dele e tenho que fazer isso logo. Mas obrigada mesmo assim. — Olhei para dentro da sala e depois para ele de novo — Um beijo de boa sorte?
Ele sorriu.
— Claro — falou, e apanhou meus lábios com delicadeza enquanto eu tentava me manter nas pontas dos pés. Foi um beijo calmo e de incentivo, e quando me afastei eu pude me senti mais forte — Até mais tarde.
— Até — sussurrei, e observei ele sair com as mãos nos bolsos de seu jeans depois de dar-me minha mochila. Percebi também que umas garotas o olhavam como se fosse um pedaço de chocolate, e quando viravam-se para mim, pareciam estar absurdamente nervosas por ele ter me escolhido para beijar.
Aguentem vadias. Pensei com um sorriso ao entrar na sala.
O sorriso se desfez assim que dei de cara com o sr. Collin e seu mal humor. Ele continuava o mesmo. Uma barriga redonda escondida por um terno totalmente desnecessário ali, seu bigode continuava no lugar e sua cabeça calva ainda tinha uns cabelos escuros. E seus olhos estavam em mim cheios de desgosto.
— Ah, é você — Murmurou, e sabia que estava se lembrando do café queimando sobre seu terno recém passado no ano retrasado. Ele me avaliou — Um tanto diferente.
Contive a vontade de virar os olhos e apenas sorri amarelo.
— Pois é. — Apontei para a sala — Posso me sentar? — Ele fez um gesto qualquer com a mão e me deu as costas. Quase lhe mostrei o dedo do meio, mas me contive e apenas fui para minha mesa no lado esquerdo da sala, onde estava a janela. Eu podia sentir os olhares de todos em cima de mim, mas ignorei e passei a tirar o material da bolsa, e foi enquanto fazia isso, que Bryan entrou na sala.
Eu quase gemi em frustração. Como assim ele estava na mesma turma que eu novamente? Por que diabos eu não conseguia me livrar dele?
— E ai Collin. — O professor nem se dignou olhá-lo, apenas apontou para as mesas.
Abaixei a cabeça quando o idiota passou por mim e sentou logo atrás. Sabia que ele tinha escolhido aquele lugar apenas para me provocar, pois considerando que seus amigos estavam do outro lado da sala, eu já sabia que ele estava tramando algo.
— Parece que alguém cresceu — Seu sussurro me fez apertar o lápis de lição ao ponto de senti-lo fraquejar.
— Não posso dizer o mesmo de você — falei sem olhá-lo. Sua risada me deu calafrios.
— A mesma respondona de sempre — constatou ele — Não importa, eu adoro as difíceis — Eu rangi os dentes com desgosto e fechando os olhos contei até dez e fiz um mantra.
Apenas mais oito horas. Só mais oito horas.
E eu passei por essas torturantes oito horas pulando de sala em sala com Bryan e seus amigos no meu pé. Eu tentei, mas tentei muito não acertar o rosto de nenhum, repeti para mim mesma que não podia me envolver em uma briga para não prejudicar Jared e nem Dana. Não era só porque eu disse que iria com Amélia, que isso fosse um motivo para jogar sujo. Não. Eu o deixaria laçar tudo que tinha, e se ele ganhasse, eu não ficaria triste por estar com ele, apenas infeliz por ter que deixar minha tia.
As 12h00 eu já estava me sentindo sufocada por estar sendo observada por tanta gente, por isso quando o sinal para o intervalo bateu eu praticamente corri para fora querendo um ar, mas não esperava a parede que se colocou no meu caminho.
— Com pressa? — Bryan me olhou curioso.
Engoli em seco.
— Sai da minha frente — falei e tentei passar. Eu precisava... — Bryan...
— Qual é? Apenas conversa comigo. Diga-me como de repente ficou tão... — Ele me olhou sugestivamente — gostosa.
Eu engasguei. E aquilo não era um bom sinal. Na verdade era péssimo sinal.
Sentindo meu coração acelerar tão rápido quanto um carro, eu cambaleei na escada escorregando a mão pela mochila atrás do bolso onde tinha guardado minha bombinha, mas quando estava alcançando Bryan se aproximou.
— Hey, não me ignore assim bonita. Sei que tivemos momentos chatos, mas eu não sou um cara horrível, certo? — Ele segurou meus braços e eu me chacoalhei, arregalando olhos quando minha bolsa caiu. Bryan franziu a testa com minha reação — O que é isso? Está maluca?
Eu tossi, ou pelo menos tentei, não restava ar para isso e não restava força também. Senti meus joelhos dobrarem e fui apanhada por Bryan, que agora mantia-me firme pelos cotovelos enquanto um grupo fechava ao nosso redor. Isso era mal. Muito mal. Eu precisava de ar... precisava...
— Saiam da frente! — ouvi alguém gritar, mas não sabia quem era realmente, eu só estava sentindo a escuridão mais perto.
Eu fui arrancada dos braços de Bryan e então abaixada até o chão, onde um braço me inclinou para trás e colocou algo sobre meus lábios. Foi como um sopro de vida a mais, um sopro que me salvou no último momento. Me agarrei a bombinha desesperadamente e apertei umas vezes até que achei estar melhor, quando meu coração acalmou pude respirar fundo e deitar contra a pessoa que me segurava.
— Tudo bem — Uma mão acariciou minha cabeça — Vai ficar tudo bem.
Uma parte consciente da minha mente entendeu o que ele disse, mas outra se preocupou em compreender outra coisa.
— Jimmy? — Abri os olhos com confusão.
Ele me olhou e sorriu, mas havia preocupação nadando ali.
— Logo no primeiro dia e você faz uma confusão? — Balançou a cabeça e sua mão alisou meu rosto — O que faço com você pequena? — murmurou. Eu molhei os lábios, surpreendida demais por ele estar ali e também por ter aparecido na hora certa.
— Jared... — respirei fundo — Eu preciso ir para o Jared — falei. Ele fez careta e olhou em volta.
— Não tomou sua injeção? — Ele sussurrou a pergunta, e eu fiquei grata por isso.
— Eu me esqueci... Estava com tanta coisa... acontecendo e... — tomei fôlego — Jad está bravo comigo.
Ele não questionou sobre isso, apenas assentiu e olhou novamente em volta. Depois voltou-se para mim e disse.
— Pode levantar ou prefere que chamemos a ambulância? — Ele parecia mesmo aflito, por isso eu neguei e disse.
— Não... eu consigo... só vamos devagar. — Ele concordou, e com cuidado me levantou e continuou com um braço a minha volta. Me senti ridícula quando encontrei uma multidão assistindo aquilo, e quando virei procurando por Bryan, o vi sentado na escada segurando sua mandíbula. Eu fiz careta e olhei Jimmy.
— Bateu nele? — Indaguei. O louro não se importou em esconder a satisfação.
— Ele estava a segurando quando disse que precisava sair... E se eu não tivesse observando? Ele ficaria ali olhando você passar mal — Ele murmurou um xingamento e mirou feio ao Bryan. — Imbecil.
Devagar ele me levou até a diretoria, onde me sentou em um dos sofás enquanto falava com o diretor. Depois de minutos ele reapareceu com uma expressão preocupada.
— Jared está uma cirurgia. — disse, eu olhei para teto.
— Certo... Mas preciso de um medico de qualquer forma — virei o rosto quando o diretor saiu de sua sala. Ele me olhou — E ai Charles. Quanto tempo.
— Como vai srta. Cooper — Ele se abaixou a minha frente e tocou minha testa — Se sente melhor?
— Por enquanto. Hoje foi apenas uma crise de asma, tive sorte que Jimmy apareceu ou ia acabar ficando muito ansiosa e... — tomei fôlego — Eu precisaria da injeção na mesma hora. O que seria muito difícil de conseguir.
— Entendo — Ele se ergueu e olhou para Jimmy antes de falar — Vou liberar meu motorista para levá-los para o hospital onde o irmão dela trabalha. Talvez eu ligue para sua irmã avisando...
— Não — Tentei me levantar, mas Jimmy já estava ao meu lado me olhando feio e negando — Não diga nada a ela. Vai se preocupar atoa. Por favor.
O diretor ficou indeciso e me olhou por um longo tempo, mas em seguida bufou e assentiu.
— Tudo bem. — Relaxei no sofá — Vou providenciar o carro. Um minuto.
Nós concordamos, e quando ficamos sozinhos finalmente eu fechei os olhos e tentei manter minha respiração calma. Quando achei que o silencio estava grande demais os abri encontrei o olhar aflito de Jimmy em eu rosto, sua mão estava entrelaçada com a minha e os lábios torcidos em uma curva severa.
— Estou bem — falei. Ele me olhou.
— Está pálida — Seus dedos roçaram minha testa e desceram minha bochecha — Detesto vê-la assim.
— Eu estou bem, — eu assegurei a ele, novamente — O que está fazendo aqui afinal? Pensei que tinha ido para faculdade.
Algo então brilhou em seus olhos e quase pude ver o que era, mas não tive sucesso, pois ele mascarou suas emoções ao suspirar e sorrir para mim.
— Precisava vê-la no seu primeiro dia de aula — O sorriso se foi e os dedos pararam — Graças a Deus que eu vim. Já pensou se eu não...
— Para — Segurei sua mão e apertei, sentindo meus olhos ficarem questionadores — Não pense nisso. Acabou.
Ele respirou e se abaixou em minha direção. Eu prendi a respiração e arregalei os olhos quando segurou as mãos em meus braços. Eu vi a batalha em seus olhos pelo medo guerreando com fúria, a realidade com preocupação. Quis tanto tocá-lo, mas aquela proximidade era perigosa demais, e tudo piorou quando ele continuou a me encarar com chamas nos olhos, uma intensidade que nunca tinha visto se apossar de suas íris antes. Um sentimento quente de desejo.
Seu rosto moveu para mais baixo, para muito perto — Harlow...
Meu coração voltou a acelerar e eu não podia me mover, minha boca de repente estava seca e avida por algo para acabar com a sede. Mas não era sede de água, não mesmo.
— Jimmy — sussurrei quase rendida. Quase. — Jimmy você não pode... — Comecei a falar, mas não me dei o trabalho de terminar, porque ele parou e me olhou, um sorriso se formando aos poucos.
— Eu sei pequena — falou suavemente — Eu sei. Eu prometi que não iria beijá-la até você pedir. E eu farei isso — disse, e eu senti que meu rosto mudava para um escarlate profundo.
— Você vai esperar muito — garanti, mas não estava muito segura disso enquanto tentava não guiar minha visão para aquela boca deliciosa.
Jimmy sorriu como se soubesse exatamente o que eu estava pensando.
— Eu aposto que não vai aguentar uma semana — provocou. Ergui uma sobrancelha.
— Aposto que está enganado — Ele nunca fechou o sorriso.
— Se eu ganhar ficará me devendo um encontro. — Franzi o cenho em desgosto, mas ele não mudou de ideia, portanto bufei e disse.
— E se eu ganhar quero a verdade sobre sua faculdade. — Ele congelou. Eu sorri.
— O que? — Seu rosto estava um pouco pálido.
— Eu não sou burra, Jimmy, sei que está escondendo alguma coisa da gente e sei que tem haver com a faculdade. Portanto terá que me contar — Ele me encarou com duvidas e seus ombros caíram ao olhar para minha boca, parecendo pensar se um dia eu ia mesmo pedir para ele me beijar, ainda mais essa semana.
Ele deixou o ar escapar pesadamente.
— Tudo bem.
Satisfação encheu meu peito juntamente a curiosidade enquanto o observava se afastar lentamente, quase como se ao fazer isso, alguém estivesse lhe sussurrando para parar e permanecer perto. E eu o queria perto. Por mais que tentasse negar, eu o queria perto. Nós ficamos em silencio esperando o diretor voltar com seu motorista, a mão de Jimmy nunca largou a minha, e quando chegou a hora de ir até o carro, Jimmy me surpreendeu ao me erguer no ar com seus braços.
Contra o seu peito, eu tentei me soltar, mas ele negou e apenas me levou confortavelmente até o Chevrolet cinza do diretor. Pensei que ele fosse me ajeitar no banco, mas ele simplesmente entrou e me apertou em seus braços enquanto sentava no seu colo. Algo naquela posição fez-me consciente de um flashback, mas era um flash de escuridão, onde eu apenas ouvia a voz de meus irmãos conversando e o coração de Jimmy batendo contra meu ouvido. Depois de minutos procurando em minha mente quando aquilo aconteceu, recordei-me do dia em que sofri o ataque de asma e ansiedade na casa de Liam. Ele estava lá e tinha me abraçado e segurado a minha mão... Ele tinha me pegado no colo como se fosse uma criança até que eu apaguei. E lá estava ele novamente me segurando depois de mais uns dos meus ataques idiotas.
Jimmy, não Damien.
Concluir isso me fez encolher e suspirar, a conversa de sábado passado com Damie sobrevoando em minha cabeça. Ele tinha razão ao dizer que Jaime estava se esforçando, que ele parecia sincero, mas o medo de que aquilo fosse apenas passageiro fazia-me querer sair de perto dele, pois eu se não dar passagem, não haveria maneira de ele me quebrar por dentro... Não de novo.
Sua mão esquerda deslizou por meu braço em carinho e tirou-me dos pensamentos só para poder focar naquele toque quente. Era tão bom.
— Está quieta — Ele murmurou me acariciando. Levou a outra mão ao meu rosto e tirou fios do meu cabelo para que pudesse me olhar — Tudo bem?
Eu balancei a cabeça positivamente, tentando banir os pensamentos sórdidos que seu toque me trazia, ou até mesmo seu olhar. O silêncio se esticou, o silêncio perfurado pela respiração de nossas respirações tão perto uma da outra e seu cheiro enrolado em torno de mim, me fazendo perceber como havia sentido falta daquele perfume. Sem pensar, me movi em seu enlaço e ergui o rosto, arrastando o nariz pela curva de seu pescoço e me embriagando com mais daquele cheiro viciante.
O corpo de Jimmy ficou tenso e enrijeceu, e sob minha palma em seu peito, eu pude sentir a mudança acelerada de sua pulsação. Ele me puxou mais perto do que antes e aqueles dedos continuaram a acariciar-me como se fosse um animal de estimação. Eu agiria como um animal de estimação se significasse seu toque continuado. Felizmente.
Parei meus pensamentos ao notar por onde estava seguindo. Me afastei de seu pescoço com um susto e abri os olhos com espantando. Oh Deus, isso não podia acontecer... não podia...
— Harlow? — Jimmy encarou surpreso pelo afastamento repentino. Amostras do que ele sentiu ao me ter tão próximo ainda brilhando em seu olhar.
Não podia expressar em palavras como fiquei aliviada quando o carro parou justo nesse instante, e minutos depois, o motorista estava abrindo a porta para que saíssemos. Sentindo-me uma grande idiota, escorreguei de seu colo para fora do carro, mas meu desespero para ficar longe dele causou em uma tontura ao me firmar de pé, porém o motorista estava lá antes que caísse dura no chão.
— Senhorita? — Ele franzia a testa com preocupação ao segurar. Jimmy correu para meu lado rapidamente.
— Hey, vamos pequena. — Ele segurou um de meus braços e passou por cima de seu ombro, e quando ele me pegou nos braços não pude negar, apenas agarrei-me na minha mochila e senti enquanto ele andava para dentro do hospital comigo nos braços.
Olhei em volta. Eu conhecia alguns cantinhos daquele hospital, desdás salas de cirurgia até o esconderijo dos amassos. Jared sempre me trazia quando Dana precisava sair e ele não queria me deixar sozinha. Já havia me perdido aqui também e quase feito meu irmão louco de preocupação, mas o mais importante, eu conhecia meu irmão quando andava por esses corredores com sua prancheta e avental branco. Ele se sentia bem aqui, e de certo modo, eu também.
Às vezes, quando era mais nova, gostava de espiar a ala do berçário, onde ficava vendo aqueles bebes chorarem e resmungarem em seus pequenos berços. Também gostava de ir até as crianças de câncer que ficava no 9° andar. Por mais triste que fosse vê-las naquela situação, eu sempre ia tocar violão para elas, pois ver o sorriso que me davam era reconfortante, o que a todo o momento me fazia pensar que quando fosse escolher uma profissão, não seria de música como todos sempre pensavam, mas sim pediatria. Meus irmãos se surpreenderam quando disse do meu gosto por crianças, mas Jared não cessou no sorriso e orgulho ao me olhar, e aquilo, naquele momento, foi o suficiente para mim.
Eu era boa naquilo. Era feliz com aquilo. Então por que não tentar?
— Coloque-a aqui, querido — Uma enfermeira se aproximou com uma cadeira de rodas, e quando olhei abri um sorriso de lado ao reconhecer uma das internas de Jared.
— Olá Ashaley — Saudei-a quando Jimmy me colocou na cadeira. Ela me olhou e arregalou os olhos.
— Oh, Harlow. Como vai meu bem? Quase não reconheci, está diferente — Ela espichou um sorriso para mim e deu uma olhada em Jimmy, ao constatar que eu estava mesmo ali, fechou a expressão — Você está doente querida? O que aconteceu? — Ela se aproximou e me avaliou com cuidado, ao meu lado, Jimmy foi quem falou antes de eu começar.
— Ela sofreu uma crise de asma hoje no colégio e precisa tomar um medicamento para ansiedade. Geralmente é Jared quem dá, mas parece que Harlow esqueceu de pedir — Ele me olhou feio.
Eu bufei e virei os olhos quando Ashy levantou com um sorriso.
— Vamos levá-la até o laboratório pra que tome o medicamento. Deseja que avise seu irmão? — perguntou enquanto andava. Jimmy passou a empurrar minha cadeira — Ele está quase no fim da cirurgia.
— Eu agradeceria — confirmei. Ela assentiu e nos guiou entre os corredores até chegarmos na sala de medicação. Havia outras pessoas lá tomando soro e tirando sangue. Jimmy estacionou minha cadeira em um canto quando Ashy apontou e começou a colocar luvas.
— Vou tirar sua pressão, okay? — Assenti, e devagar retirei minha jaqueta com a ajuda de Jimmy, dando lugar para que ela pudesse encaixar o aparelho no meu braço. Enquanto ela bombeava eu tentava não fechar os olhos por causa dos dedos suaves de Jimmy alisando meu ombro esquerdo. Quando Ashy acabou, me olhou com advertência.
— Sua pressão está bastante baixa. Precisa tomar cuidado Harlow — Fiz careta.
— Sempre acontece quando sofro as crises asmas, por isso a injeção. Tenho problemas com ansiedade, e quando está muito forte, minha pressão abaixa e acabo desmaiando. Mas eu tenho me mantido no controle, apenas esqueci-me de tomar a injeção desse mês.
— Certo — falou enquanto escrevia em sua prancheta. — Vou preparar seus medicamentos e avisar ao seu irmão. — Ela olhou Jimmy — Fique de olho nela por uns instantes, qualquer sinal de náuseas e fraqueza, mande me chamar imediatamente.
— Pode deixar — Jimmy responda sem hesitar. Quando Ashaley saiu, ele circulou minha cadeira e sentou-se de frente para mim, sua expressão severa — Você não pode mais esquecer isso Harlow. — falou seriamente. Era quase engraçado como seu lábio inferior torcia em desgosto.
— Claro que sim pai — Zombei impedindo-me de sorrir.
Ele grunhiu — Estou falando sério!
Assenti positivamente — Com certeza. Muito sério. — Olhei em seus olhos.
Ele cerrou os dele e me encarou carrancudo, mas depois de horas assim sua expressão suavizou e logo estávamos rindo e abaixando a cabeça.
— Você é meu caso perdido. — murmurou sorridente.
Eu dei de ombros.
— Sou uma garota difícil.
— Ah sim — concordou com um humor — Completamente difícil. Mas não a faria diferente — falou, e eu senti meu sorriso murchar com o tamanho de intimidade que havia nessa frase. Ele percebeu a mudança em minha reação, porém não retirou as palavras ou desviou o olhar do meu, ele só me enfrentou.
— Você vai mesmo insistir nisso? — questionei. Ele ergueu uma sobrancelha.
— Se “Nisso” você estiver se referindo sobre cortejá-la, sim. — Me encarou — Eu vou continuar.
Por dentro eu pude ouvir meus protestos eternos.
— Até quando? — Me frustrei — Quando vai encerrar com isso?
— Harlow, me escute — Eu tremi, a voz de Jaime rolando sobre mim em uma única onda. — E eu quero que me escute muito bem. Eu preciso de você — Suas palavras a acariciaram, tanto calmantes como excitantes com aquelas poucas silabas. — Nada é mais importante do que você. Então não irei parar... Não enquanto não fazê-la entender que digo a verdade — Sua voz era dura, palavras inexpressíveis.
Respirei profundamente e tentei classificar meus sentimentos. Lutei para separá-los da confusão em minha mente para entender o laço metafisico que com toda certeza existia entre nós. Ele estava brilhando agora Jimmy por perto e achava que estava querendo nos envolver cada vez mais, pois tudo que mais quis naquele momento, com seus olhos grudados nos meus, foi me aproximar e apenas beijá-lo.
Droga. Eu não posso beijá-lo!
Eu olhei fixamente para ele.
— Jimmy...
— Harlow... — Eu não estava segura do que tinha em sua voz, mas algo havia dando-lhe toda a minha atenção. Ele olhou para mim com uma expressão séria por horas até que eu me sentia agonizando por me aproximar, até que o pensamento de pedir para que se aproximasse viesse à tona. Mas quando ia mover meus lábios e forma a frase, alguém cruzou a porta da sala de medicamentos como um furacão diretamente na minha direção.
Jared ainda estava vestindo uma toca e uma mascara azul esverdeada da cirurgia, mas quando seus olhos preocupados pousaram em mim, ele a arrancou e caiu de joelhos a minha frente, ignorando a presença de Jimmy.
— Deus, Harlow... Você está pálida — Ele segurou meu rosto e o virou em todas as direções depois agarrou meu pulso, onde ficou uns minutos enquanto olhava para o relógio. Ele fez careta — Está rápido. O que aconteceu?
Eu não entendi porque eu não conseguir mover minha boca para falar com ele, só sabia que tudo que conseguia fazer, era olhar para seus olhos escuros e lembrar que durante esses dois dias, ele esteve me evitando.
Ele me chacoalhou levemente.
— Harlow. Pelo amor de Deus, o que foi?
— Ela teve um ataque de asma no colégio — Jimmy me olhou curiosamente por causa de minha reação — Eu cheguei a tempo de dar-lhe a bombinha, mas ela disse que não tomou a injeção do mês ainda. Então a trouxe aqui.
— Como assim não tomou? — Mau humor mudou suas feições quando me olhou — Harlow, por que não me falou sobre isso? Sabe o que poderia ter acontecido se Jimmy não chegasse há tempo?
Dessa vez eu tive que torcer meu nariz com desgosto enquanto olhava, e sem poder impedir minha petulância, falei com uma voz rude.
— Ah, claro. Eu poderia muito falar isso a você enquanto tem me ignorado ficando de plantão até tarde, ou chegando de madrugada apenas para não me encontrar. Eu com certeza consigo que atenda uma das minhas ligações ou me ouça falar. E com toda certeza isso aqui é culpa minha. Obrigada por me informar. — Minha respiração acelerou gradativamente e Jimmy agarrou minha mão como se pedisse para ter calma, mas o olhar que Jared me mandou depois de minhas palavras queimou em meu peito.
Remorso e culpa o assolavam. Uma linha de preocupação entre os seus olhos, Jared moveu-se para um armário, de onde tirou luvas de látex e as vestiu. Eu não falei, eu pensava que queria, mas não pensei que fosse tão difícil fazê-lo compreender meu lado, e agora com Jimmy aqui... Não poderia falar sobre Amélia. Não agora.
— Dr. Cooper? — Ashy apareceu com uma bandeja prateada, onde havia uma seringa e um copinho com comprimidos.
Jared virou-se para ela e recolheu com um aceno — Obrigada Ashaley. Cuide do paciente da sala quatro. Bipe Bruce — Falou, e assim fez sua interna sem se queixar.
Meu irmão preparou meu medicamente em silencio, e quando olhei Jimmy ele parecia mais do que confuso, parecia curioso enquanto olhava de mim para Jared. Quando esse colocou o suporte para que eu apoiasse o braço, eu o fiz sem o olhar.
— Feche a mão — pediu. Eu o fiz e senti-o procurar minha veia. Ao encontrá-la espetou a agulha com aquela doçura que somente ele tinha comigo. Foi a partir dai que percebi que lágrimas estavam começando a rolar solta, e por isso abaixei o rosto para que nenhum deles visse minha fraqueza boba.
Eu havia sentindo saudades de Jared, mais do que podia explicar, e estar brigado com ele agora enquanto compartilhávamos um momento tão delicado da minha vida me fez querer fugir, me afastar dele.
— Pronto — Ele sussurrou e retirou o elástico do meu braço. Depois virou e então voltou com um copo de água e os comprimidos. — Tome. — hesitei, com medo de erguer a cabeça e mostrar minhas lágrimas, por isso virei o rosto — Harlow.
Mordi os lábios, impedindo que os soluços emergissem, e quando Jared se aproximou mais e se abaixou, tentei de tudo para não olhar para ele, mas sua mão capturou meu queixo e me obrigou a virar o rosto para ele.
— Ah Harlow — Ele suspirou ruidosamente. Tentei abaixar o rosto novamente. — Pare com isso, não tem que se esconder de mim. — falou, sua voz não mais brava, porém continha tanta tristeza que funguei.
— Você tem se escondido de mim... Por que não posso fazer o mesmo? — resmunguei e esfreguei o rosto, secando as bochechas.
Jared apertou os lábios em uma linha, e respirando fundo, olhou para Jimmy.
— Nos deixe por um minuto, ok? — pediu. Ele não gostou da ideia e me olhou como se confirmasse comigo se queria que ele fosse.
Lentamente, assenti.
— Certo — Ele falou e ficou de pé — Me chamem quando acabarem.
Ele se afastou e sumiu para fora da sala. Voltei-me para Jad e ele me olhava fixamente, magoa, tristeza, raiva, tudo misturado enquanto me encarava.
— Eu sei que não tenho sido muito compreensivo — falou devagar, as mãos segurando o copinho com os comprimidos — O que conversamos... eu ainda não engoli, Harlow. Eu precisava de um tempo, precisava e preciso pensar, mas isso não quer dizer que quero seu mal. Nunca isso querida.
Meus olhos voltaram a arder com lágrimas e aos poucos, eu pude sentir o efeito da injeção. Meu corpo amolecendo e o sono chegando.
— Você acha que eu não sei disso? — perguntei em prantos — Você é meu irmão Jared e sei que te machuquei. Mas eu tentei te explicar, eu queria falar com você, estar perto de você, mas você fugiu de mim por dois dias... Como eu poderia fazê-lo entender o meu lado dessa forma?
— Eu sei. Eu sei — Acenou com as mãos e engoliu em seco — Mas é que eu não posso aguentar o fato de que deseja ir embora depois de tudo que passamos juntos. Depois de tudo que vivemos. Ver você me pedir para desistir da sua guardar foi como pedir que me apunhalasse no coração. Doeu entende?
Secando o rosto, assenti e o mirei.
— Me desculpe — As palavras explodiram em uma bolha de som, e até mesmo eu pude ouvir a tensão de culpa na minha voz — Não era minha intenção magoar, eu só... Queria fazê-lo entender que não é questão de te amar menos e querer mais a Amélia. Não. O que queria te dizer é que quando estou com ela, é como se estivesse encontrado uma mãe, e eu nunca na vida um dia quis fazê-lo pensar que estava a comparando com Hope, pelo contrário. Queria que visse a Amélia de verdade.
— Eu já a conheço bem o bastante — disse com uma careta. Eu neguei.
— Não. Não conhece. Ela passou por muita coisa sozinha Jad, e quando eu cheguei ela pareceu florescer a cada dia mais. Houve um dia no meio da viagem, que depois de semanas nos dando bem ela simplesmente mudou, ficou calada e não sorria como antes... Eu perguntei o que havia de errado e ela me disse que sua mãe havia morrido naquele dia. Disse que não tinha mais ninguém e toda sua família partirá, e ela me viu como uma última chance de família, e foi isso que me tocou. Ela me ama, eu sei que sim. E agora ela precisa de mim.
A expressão dele decaiu e ele me olhou com cuidado, e então suspirou.
— Eu entendo que pense assim, mas... Você entende que se ela ter sua guarda, ela poderá leva-la para longe de todos nós? Entende isso Harlow? — Medo cobriu suas íris quando me olhou profundamente — Eu não quero que isso aconteça. Não posso vê-la partir de novo... Não posso. Sei que está preocupada com nossa tia e admiro, não sabe como me orgulho por ter conseguido restaurar um amor tão grande dentro dela, entretanto essa ação está levando você para longe de mim. E essa é uma coisa que eu não posso tolerar. Eu prometi para ele que cuidaria de você — Lágrimas brilharam em seus olhos escuros — Prometi ao nosso pai que estaria sempre comigo e não posso quebrar essa promessa. Entenda que não posso — E parecendo cansado de mais, eu vi com olhos arregalados meu irmão abaixar a cabeça e chorar a minha, suas mão direita trabalhando rapidamente em apaga-las de seu rosto, mas não ia funcionar, porque eu já as tinha visto, e preocupada demais, esqueci-me que estava franca e me joguei contra ele, abraçando seu pescoço com força enquanto ele me firmava em seu abraço, circulando minha cintura e me erguendo para que deitasse em seu peito enquanto pegava uma cadeira.
De olhos fechados, eu fuguei em seu uniforme e apertei as unha ali, sentindo a satisfação de ser abraçada por ele.
— Não vai quebrar a promessa dele Jad... Não vai. — Levantei o suficiente para olhá-lo e segurei seu rosto, sorri e beijei suas bochechas, secando suas lágrimas — Fui injusta ao pedir isso a você, por isso mudei de ideia. Eu quero que lute por mim, faça o que tiver de ser feito para me ter ao seu lado, e se caso Amélia perder, eu ficarei com vocês e não irei culpa-lo ou cobra-lhe nada... Apenas peço que permita que Amélia faça o mesmo. Ela vai insistir na minha guarda, e se ela ganhar, irei com ela, porém, não os deixarei. Eu juro.
— Não vou aguentar que vá — murmurou acariciando minha cabeça — Não vou querida.
— Vai sim, e não será por muito tempo. — disse o acariciando — Garanto isso.
— O que quer dizer? — indagou. Eu sorri de lado.
— Se Amélia ganhar, tentarei convencê-la a mudar-se para cá, assim não estaria tão longe de vocês e meus amigos. — A surpresa em seus olhos me fez sorrir — Eu disse que você apenas precisava me escutar. Eu não quero deixar você e Dana, Jad, e por isso vou fazer o que for preciso para juntar nossa família.
— Acha que ela aceitaria? — perguntou. Fiz careta.
— Ainda não sei, teria que ir mais a fundo com isso, mas até lá... Temos que ter fé — falei, e ele assentiu. Quando o silencio caiu sobre nós, ele finalmente me fez tomar os comprimidos e eu me aconcheguei em seu colo, senti os olhos pesarem enquanto ouvia sua respiração. — Jad? — chamei.
— Sim? — Ele alisou meus cabelos. Eu bocejei.
— Me prometa que se você ganhar, você me deixará ver Amélia novamente — Senti seu corpo enrijecer e suspirei — Por favor. Não me obrigue ter que dizer adeus a ela. Por favor. — implorei. Ele relaxou e seus braços me apertaram, como se me ouvir implorar fosse uma das piores coisas que ele já ouviu.
— Shhh. Tudo bem, querida — Ele beijou minha testa e respirou fundo — Eu prometo. Não vou fazer você se afastar dela. Agora durma, estarei aqui quando acordar.
Sorri, e satisfeita, me enrolei contra ele e cai no sono, sentindo a serenidade que era meu alívio. Ele não me odiava. Não me odiava.
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