Rude Girl
3 Capitulo 3 — Silencio preocupante
Notas iniciais
(Pov’s Jimmy)
No dia seguinte eu me sentia uma merda. Durante toda noite tinha olhando para o teto procurando uma resposta a todas minhas perguntas. E em todas elas o nome Harlow brilhava como uma das estrelas do céu. Eu tentava deixar de lado, mas o maldito coração que tinha dentro do peito ainda se encontrava acelerado do beijo de ontem. Fechar os olhos não era uma boa ideia, pois lá era onde eu podia ver seu rosto e alucinar que ela tinha permanecido em meus braços. Nele, ela me sorria, me olhava com aqueles lindos olhos curvados cheios de carinho... E era nesse momento que eu percebia como me encontrava totalmente fodido. Estava desejando que ela me pedisse para ficar perto, e eu não podia mesmo desejar isso.
Minhas lembranças não concordavam, pois elas pipocavam em frente aos meus olhos como se para dar um tapa em minha cara por ser tão idiota.
— Droga, Harlow!
Levantei-me da cama e fui até janela, mas isso não impediu que as imagens de se ampliassem enquanto recordava daquele dia. Do nosso primeiro beijo. Meu Deus. Tudo havia começando com ele, se e eu não tivesse concordado com aquela aposta idiota da Jodie, não estaria dessa forma.
O problema era, que inesperadamente, pensar em nunca beijar Harlow, fazia-me zangado e quase me parabenizava por tê-la tirado no dia do jogo de futebol perdido.
Confesso que em certo momento eu torci pelas garotas, assim Jodie poderia bater em Liam e eu me livraria de beijar seja lá quem fosse das meninas. Na época, Jack e Stefany não estavam juntos, e Eloise ainda tentava se manter afastada de Jonah. Foi uma bagunça quando os nomes foram sorteados.
Jack ficou com a Jodie, o que deixou nosso amigo Liam, muito puto. E como se para completar a festa, ele tirou a Stef, deixando Jackson também muito furioso. Acho que quem levou a melhor foi Jonah, que agarrou Lizze com aquela felicidade maliciosa que só ele podia ter para o lado de Eloise. No entanto, agora eu pensava que não tinha sido tão ruim beijar Harlow.
Ainda me divertia lembrando do seu rosto espantado quando eu tirei seu nome. Ela tinha me recusado tanto, me xingado tanto, que os garotos tiveram de segurá-la.
— Por que não tenta aquela sugestão? — Jodie falara para mim. Foi apenas uma dica que ela havia me dado. Uma forma de fazer Harlow calar a boca.
Descobri no final que era uma sugestão infalível, e muito saborosa.
Eu realmente cheguei nela e a puxei para mim. Fiquei confuso ao pensar naquele momento que ela era tão pequena, que cabia perfeitamente dentro de meus braços. Aquela cintura fina quase dava para contornar e fechar com as mãos em volta, foi um momento de confusão, e tudo piorou quando senti o toque de seus lábios e a urgência de seu beijo. Foi desastroso. Para minha cabeça e também para minha sanidade.
Mesmo com ela congelada, eu aprofundei aquele beijo, buscando sua língua, e Deus. Quando ela se juntou a minha, achei ter chegado ao céu, pois quando mais me enrolava a ela, mais absorto eu ficava. Não fez sentido algum. Afastar-me foi malditamente difícil, e quando notei que ela também parecia chocada com o reestudado, fiquei mais curioso. Principalmente por causa daquele olhar afobado que ela me mandou no final, me deixou louco, e tudo que quis pensar na manhã seguinte foi em seu beijo e em sua boca.
No colégio tinha sido um inferno, pois ela nem mesmo olhara nos meus olhos, só me dava patadas. Quis prendê-la na parede para que pudesse encerrar com sua petulância novamente. No começo achei que aquela agonia era por causa de Dana, achei que fosse a semelhança das duas, mas notei então dias depois no meio de uma brincadeira com meus amigos, que minha atração não era por ela ser parecida com Dana, — Elas sequer eram parecidas assim — e sim por ela ser Harlow; A pirralha que tirava meus pensamentos dos eixos.
No dia da brincadeira, aconteceu mais um beijo, e esse não só me deixou mais atraído, como também me deixou com uma sofreguidão dentro das calças. O que me fez culpado, pois a garota era uma criança. Ela tinha 16 e eu tinha 19. Perguntava-me que droga estava acontecendo comigo na época.
E minha insatisfação era notada por todos, principalmente quando Harlow uma vez teve a ideia de ser boneca de Lizze e Stef. As meninas a deixaram irreconhecível, e pela primeira vez eu notei como Harlow estava crescida. Aquilo me afetou, e eu percebi o ciúme se formando, e ele estava li até agora. Tinha vinte anos nas costas e estava atraído por uma garota com quase dezessete. Como podia ser tão tarado? Como podia sequer pensar na possibilidade de ter Harlow ao meu lado?
Aquele querer todo dentro de meu peito não podia ser normal. Eu não devia estar pensando em uma criança sendo minha.
Minha. Harlow... Apenas minha.
— Caralho, Jimmy. Pare com isso! — Me repreendi.
Estava prestes a meter a cabeça na parede quando uma batida na porta impediu-me de cometer suicídio por causa de um traumatismo craniano. Respirando fundo, esfreguei a mão contra o cabelo e abri a porta. Suspirei, olhando para a baixinha que estava a minha frente, com o nariz enfiado em um livro.
Pela primeira vez no dia, eu consegui achar um sorriso para dar, olhando para os cabelos ondulados da minha irmã mais nova, admirado como a coloração dele era tão parecida da minha. Dolly era uma garotinha de quinze anos bem reservada, porém possuía uma beleza que ela nem mesmo sabia. Usava jeans azul e uma camiseta lilás. Parecia bem concentrada no que lia, pois permaneci ali, olhando-a durante uns cinco minutos antes de limpar a garganta.
Ah! E lá estava à herança da nossa querida mãe, Erin. Grandes e redondos olhos castanhos, como os meus. Na maior parte, nos parecíamos muito com nosso pai; O cabelo louro, o porte, a forma como sorrimos... No entanto, os olhos eram da nossa Erin. E parecia que em Dolly eles continham a mesma suavidade que mamãe tinha ao nos mimar.
— Ah! Até que fim! — Exclamou ela. Ergui uma sobrancelha quando ela dividiu o olhar entre mim e o livro — Estava com falando com Mitchie e...
— Você sempre está falando com Mitchie — Apontei, sorrindo ao vê-la franzi o cenho. Mas eu realmente queria dizer isso, pois Dolly e Michelle desde que se conheceram no colégio, se tornaram inseparáveis, mesmo Dolly. Minha irmã era um ano mais velha que Mitchie, mas ainda sim elas pareciam melhores amigas. Eu gostava disso, e achava que Liam também, pois frequentemente trazia a irmã aqui quando essa queria passar a noite com Dolly.
— Ela é minha amiga. Eu preciso falar sempre com ela — falou com amarguram, mas em seguida espiou o livro. Uma coisa que eu admirava na minha irmã, era sua paixão por romances, ou livros de todos os tipos. Enquanto ela era uma nerd com eles, eu era nerd com a matéria de história e fanático com desenhos, acabávamos por nos entender em todos os assuntos nerd em certo ponto. — E continuando o que me impediu de dizer. Antes de ser rudemente interrompida — Virei os olhos — Liam pediu para avisar que passara na garagem de Jonah depois que dar uma ultima olhada nos preparativos da reinauguração... Quer todos lá, porque Jodie vai ter um tempo para...
— Ela vai ir ver nosso ensaio? —Estremeci ao pensar no desastre que seria assim que Harlow colocasse os olhos na garota — Esses dois tem algum neurônio, ou são somente suicidas mesmo? — Foi mais uma pergunta para mim, mas Dolly me olhava levemente confusa.
— Ok. Eu não vou perguntar, mas ele disse que Jodie está “Colocando o plano em pratica.” — Ela fez uma careta engraçada — Ele pareceu meio amedrontado ao falar isso. — Ri, sabendo muito bem que Liam conhecia a namorada que tinha, e que se Harlow ou ela perdessem a paciência, a garagem de Jonah não serviria mais para ensaiar, pois elas destruiriam tudo começando a terceira guerra mundial.
— Aposto que ele estava. Obrigada por avisar nerd — Ia bagunçar o cabelo dela, mas ela já esperava, pois deu passos para trás e mostrou a língua.
— Idiota.
— Também te amo — dei uma piscadela e sorri. Ela bufou, e pisando duro, correu escada a baixo enquanto gritava — Mamãe fez o café! Desce!
Sem mais sorrir, voltei ao quarto, perdido mais uma vez. Estava com um mau pressentimento para o que aconteceria hoje na garagem, e o pior é que eu odiava meus pressentimentos, por que na maioria das vezes eles queriam dizer desastres. Desastres absurdos e loucos.
Que Deus nos ajudasse com aquelas garotas.
~*~
Quando cheguei à casa de Jonah, logo de longe eu pude ouvir os berros que vinham da garagem, aquilo me fez sorrir, pensando como aquele som era familiar e absolutamente bem-vindo. Ficava feliz que ninguém tinha perdido a vontade de se encontrar depois que o colégio se encerrou, apenas ficava aflito ao lembrar que uma, apenas uma, havia ficado para trás. E pior, ela não era muito adorada no colégio como nós éramos.
E lá estava eu novamente pensando nela.
Xinguei-me mentalmente, ajeitando a mochila no ombro enquanto entrava na garagem. A primeira coisa que notei foi que os gritos eram de Eloise, e ela tentava escapar do agarre de Jonah, circulando pela garagem. Ninguém havia chegado, portanto me contentei em observar um pouco.
— Pare com isso! Alguém pode chegar e...
— Que isso gatinha, até parece que eles não sabem que nos pegamos a cada cinco minutos. Agora venha aqui minha loura linda — Lizze riu, parecendo se divertir com as frustrações do meu amigo, e depois deu um desvio nele para ficar atrás de suas costas.
— Bem, eles não descobririam se você não me cantasse a cada dois segundos — ironizou ela. Jonah alisou seu cabelo azul e sorriu, parecendo brilhar diante dela.
— Isso é um pouco difícil quando você sempre aparece na minha frente com esses olhos escuros que me fascinam e esse sorriso de tirar o fôlego... Ah, e sem falar no conjunto — Me encostei a parede, vendo como meu amigo mirava “O conjunto” de Eloise por inteiro. A garota corou, e finalmente, quando Jonah se aproximou, cedeu e deixou ser puxada.
— Eu não gosto de não conseguir ficar com raiva de você — resmungou, aquilo pareceu à deixa para Jonah. Ele a puxou e então estavam trabalhando naquele beijo fora de controle. Por um momento, eu olhei, admirando a forma como Lizze amolecia nos braços de Jonah e como meu amigo parecia se empolgar com apenas um toque da menina que tinha nos braços. Era assim que acontecia quando estava com Harlow.
Merda! De novo não. Maldito idiota possessivo eu estava me tornando.
— Olha só, eles estão aproveitando o tempo, sozinhos. Que fofos! — Olhei para o lado quando ouvi a risada do casal. Sorri.
— Oi Stef. Jack. — Eles acenaram, e com certeza não esconderam os dedos entrelaçados ao meio dos corpos. Ao contrario de Lizze e Jonah, esse casal estava bem firme, e Jackson parecia mais do que satisfeito com isso.
— Quanto tempo eles estão assim? — Perguntou Jack, assistindo a cena. Ri de lado.
— Não muito. Lizze estava fugindo.
— Pobre Jonah — Murmurou Stef, ria como se estivesse divertindo-se — Minha prima às vezes é tão tolinha. — suspirou.
— Ah! Isso eu tenho que concordar — E então todos nós viramos. Não podemos evitar sorrir para forma loira e rabugenta que se aproximava. Logo atrás dela vinha Liam, segurando uma mochila grande. Sorrindo sobre o ombro da namorada ao pegar a visão de Jonah e Lizze.
— Vamos interferir? — perguntou. Jodie, sendo Jodie, bufou jogando as mãos para o alto.
— Claro! Tem coisa mais divertida do que ver vocês envergonhados? — Ela riu, e nos deixando com sorriso de lado, saiu pisando o pé para dentro da garagem. Só pudemos ouvir o grito de Jodie e em seguida o de Lizze, que saltava para longe de Jonah com as bochechas rubras.
Liam chegou ao meu lado cautelosamente, as botas militares e o jeans escuro o fazia amedrontador. Eu ainda não tinha me acostumado com seu novo tamanho. O cara estava enorme, até mais que eu. Na verdade eu era o mais magrela dos garotos ali, no entanto não me importava de ser o diferente, e percebia que varias outras garotas concordavam comigo. Quem resistiria a mim?
— Está com aquele sorriso. Pare — Ergui uma sobrancelha para Liam, sem apagar o sorriso.
— Que sorriso?
— Esse ai. O que mostra quando está pensando bosta.
— Não sei do que está falando — falei, piscando inocentemente. Ele virou os olhos enquanto eu olhava mais atentamente para o seu rosto, que era ainda estranho de se fazer considerando como sua face estava.
Há um ano, Liam fizera escolhas, tais essas envolviam Jodie e sua irmãzinha adotiva Michelle. Fora logo no meio do ano, quando Edgar voltou e achou que estava na hora de se vingar de Marissa, mãe das garotas que eram suas filhas. Ambas foram sequestradas pelo pai, e quando Liam percebeu que Jodie estava novamente nas mãos do homem que a feriu, ele escolheu ir atrás das meninas sem a ajuda da policia.
O garoto foi forte, se colocou no perigo para salvar as pessoas que amava, no entanto sofreu consequência. Por mais que Edgar tenha morrido, antes ele havia brigado com Liam, partido para socos, pois nosso lutador estava furioso... Edgar levara as filhas para um parque, para ser mais especifico: Um túnel do amor. Que era onde levava sua esposa quando mais jovens para namorar. Uma brincadeira sombria e sem coração da sua parte.
Nas palavras de Edgar, a culpa por Marissa querer deixa-lo, fora toda de Jodie e Michelle e como vingança queria torturá-las no mesmo lugar em que Marissa já havia dito a ele que o amava. Foi cruel, foi baixo. Machucou de mais Michelle e principalmente Jodie. E como se fosse para dar mais um peso para nossa marretinha, Liam e Edgar saíram na pancada; O que levou a uma garrafa de pinga quebrada, fios molhos, e BOM! Uma explosão que não só afetou Jodie no quadril, mas também machucou Liam gravemente no rosto.
Agora, enquanto olhava para meu amigo, fiquei aliviado que ele não se importasse. Com certeza nem sequer lembrava que tinha aquelas cicatrizes. Elas deformavam o lado direito de sua bochecha e rachava seu lábio superior, deixando-o ainda mais assustador aos olhos de pessoas que mereciam temê-lo.
Mas aos meus olhos, aquela marca só fazia com que aquele cara, quase chegasse à altura do que seria um herói.
— Ora! Vamos. Lizze, esta na hora! — Ouvi a voz de Jodie gargalhar do lado de dentro. Liam olhou naquela direção, como se a voz dela o atraísse mesmo que estivesse a três passos de distância. E ele se inclinou, continuando a olhar para Jodie. Percebi a expressão em seus olhos quando olhou para ela. O amor que nunca diminuía.
Curioso, toquei seu ombro, acompanhando-o para dentro enquanto Jack e Stef entravam na conversa com o casal não assumido.
— Como estão as coisas? — perguntei. Liam me olhou, depois novamente a Jodie, e sorriu.
— Ela está mais forte que um touro — contou com felicidade em cada palavra — Devia ver ontem Jimmy. Ela voltou com as aulas de Box, acha que ajudara ela pra caramba quando começar a trabalhar sério — Seu rosto se iluminou, olhando para a namorada — Jodie conseguiu derrubar Lilah! Ninguém nunca consegue derrubá-la! —Eu sorri também um pouco maravilhado.
Liliah era cunhada de Liam, e desde que começou a namorar Michael, ela começou a treinar alguns movimentos no Box, tornando-a fatal para quem não sabia lutar. Mick se orgulhava tanto da namorada, que sugeriu ela ajudar Ethan — Seu pai — Nos treinos de Jodie. E se a marrenta tinha a derrubado finalmente, isso merecia um premeio.
— Ela correu para me contar, eu estava na academia vendo como vai a reforma... O sorriso dela Jimmy, parece iluminar cada lugar que vou. Não me lembro de vê-la sorrido assim antes de partir para Phoexis. — Ele tinha razão. Bastava olhar para Jodie, e todos percebiam que aquela garota não era a mesma menina que foi presa pelo pai e sofreu depressão. Nem pensar. Essa Jodie era segura de si e estava feliz, além de fazer os outros felizes também.
— Isso é ótimo. Quer dizer que ela está de bom humor? — balancei a sobrancelhas e mirei Jodie. Ela estava vestida com um vestido preto e jaqueta cinza de couro. Ficava nas pontas dos pés para tentar ficar na mesma altura que Jonah. Não conseguiu — Será que hoje terá uma guerra? — Liam torceu a mandíbula, largando a mochila pesada no chão, em seguida caiu no sofá.
— Não faço ideia, mas... Se não houver, será o milagre dos céus.
— Amém! — Eles riram.
— Hey gente. Alguém avisou a Harlow? —Lizze de repente se esticou até nós, com olhos atentos — Ela nunca se atrasa.
— Provavelmente já deve estar chegando— Jack murmurou e beijou sua namorada. Stef sorriu, e como se sentisse sendo observada, me olhou diretamente e sorriu. Eu fiz o mesmo, era impossível não fazer.
Stefany sempre foi a única garota que conversava comigo seriamente, era uma das poucas, que eu confiava plenamente para falar sobre problemas em casa e até mesmo sobre Harlow. Com ela podia ser sincero sem medo, e o estranho é que nunca na minha vida eu a vi como uma chance de pegar. Lizze até foi, mas Stefany? Não. Ela sempre foi e sempre será a minha segunda irmãzinha. Minha melhor amiga.
Distanciando o olhar dela por um instante, voltei a prestar atenção no que Jack falava.
— Quando liguei tentei manter conversa com ela, no entanto ela parecia não querer papo. Admito. Ela estava estranha — Me endireitei no mesmo lugar, inquieto. Olhei o rosto de Jack sentindo minha língua coçar para fazer perguntas. No final nem precisei, porque Stef já estava franzindo o cenho e o olhando dele para mim.
— Estranha como? Brava? Ela sempre está assim ultimamente.
— Não — Jackson ficou pensativo — Na verdade ela parecia calma até demais. E é isso que me preocupa — Todos olharam-se curiosos, e como se soubesse onde achar uma resposta, viraram o rosto para Jodie, que tinhas as sobrancelhas unidas como se pensando em algo muito importante. Ao notar olhares presos nela, ergueu as mãos.
— O que? Eu não bati em ninguém dessa vez! — jurou. No sofá, Liam gargalhou.
— Estamos falando de Harlow, doçura. Onde está sua cabeça? — Jodie fez careta, obviamente por causa do apelido que Liam cismava em chamá-la, mas cruzou os braços e suspirou.
— Fui tentar falar com ela quando sai da faculdade ontem — Percebi seus ombros fraquejarem levemente antes de voltarem a ficar firmes. Aquilo era sinal de que não cederia fácil — Ela é teimosa. Não me escuta... Ou na verdade escuta... Quer dizer. Ela sabe tudo sobre mim, e ainda entende e... Estou confusa — Esfreguei os olhos, agora tão confuso quando Jodie. Ela bateu o pé no chão, da mesma forma que eu sabia, Michelle fazia ao se sentir frustrada. — Parece que existe algo mais. Ela não pode estar com raiva só de mim.
— Estava pensando a mesma coisa — As palavras saíram antes que pudesse impedir. Todos eles olharam, e eu quase me encolhi com arrependimento. Limpei a garganta e continuei — Conversei com ela uns minutos ontem, aqui... Ela parecia triste. Mas não passou nada pela minha cabeça sobre o que estivesse a perturbando a ponto de jogar a culpa para cima de Jodie.
— Você tem certeza disso? — Jodie parecia insegura — Que ela pode estar com raiva de outra coisa, e por isso não consegue me perdoar? — Algo em sua frase a fez parecer, de repente, bem infantil. Como uma garotinha com medo de perder sua melhor amiga. Todos perceberam, pois sorriram de lado enquanto Lizze a tocava no ombro.
— É possível Jodie. Harlow pode ser arrogante, mas sabe quando está sendo injusta — falou, e nos olhou seriamente — Deve ter realmente algo acontecendo.
— Podemos falar com Jared — Sugeriu Jonah, indo até sua bateria — Ele está sempre se preocupando com as irmãs, é quase impossível não saber de nada. — Agora eu tive de bufar impaciente, ao dizer.
— Serio Jonah? Acha mesmo que Harlow contaria alguma coisa para o irmão caso fosse grave? — Fiz careta, indo até minha guitarra — Ela não é de admitir que esta mal.
— Concordo com o loirinho — Jodie falou, jogando-se ao lado de Liam, que no exato momento a circulou com os braços — Eu não falaria se estivesse passando por alguma merda. Na verdade tentaria esconder para não ter chance de ninguém me perturbar.
— Nem mesmo para Dana? — Jack sugeriu ao deixar Stef em um banquinho. Veio ficar ao meu lado para pegar o Baixo enquanto Lizze mexia nos microfones — Ela é bem próxima de Harlow.
— Não sei — Jodie estava pensativa, mexendo em uma mexa de seu cabelo enquanto cogitava o que Jack falara — Pode até ser, mas duvido que ela já tenha se consolado a irmã. Mesmo assim, acho que é uma boa ir perguntar para ela.
— E quem faria isso? — Stefany perguntou de seu cantinho — Se não se lembram, Dana está sempre trabalhando durante a manhã. Esse é o horário que todos aqui vão para faculdade ou estão ocupados. — Meu estômago começou a contorcer assim que percebi o que aconteceria ali, tentei ao máximo não chamar atenção, mas percebi os olhos cruéis de Jodie já em cima de mim.
Ela sorriu. Droga.
— Bom. Vamos usar o único que ainda não está trampando e nem na faculdade — Balançou a sobrancelhas para mim quando os outros riram — Boa sorte, Jimmy. — Abri a boca em pânico.
— Vocês não podem estar falando sério! É Dana!
— E o que tem isso de mais? — Jodie deu de ombros. Senti meu rosto queimar além do imaginável. Os garotos claramente não perderam a chance de curtir com minha cara.
— Ele já pegou a irmã de Harlow — Jonah ria, apontando para mim com a baqueta da bateria.
Jodie ergueu uma sobrancelha.
— E isso é mal? — questionou. Eu gemi.
Liam gargalhou.
— Ele terminou com Dana há três anos, e agora Dana o odeia por ser, nas palavras dela “Um galinha sem sentimento” — Fechei minha cara, querendo muito torcer o pescoço do meu caro amigo sem morrer no processo.
— Não era necessário lembrar-se disso — reclamei, mas já era tarde. Jodie já estava gargalhando escandalosamente.
— Puxa! Então você precisa ir com uma armadura para falar com ela — Cruzei os braços insatisfeitos e a mirei, raiva passando por minhas veias.
— Ela não vai me dizer nada. — garanti. Jodie acenou com a mão desinteressadamente.
— Mas é claro que vai. É só usar seu charme com ela de novo. — Ergui uma sobrancelha — Você já a seduziu antes não é? Faça de novo — Agora, eu não pude deixar de sorrir. A garota não tinha nenhuma noção do que estava sugerindo.
— Você é muito doida.
Ela deu de ombros, como se o fato dela ser doida fosse uma coisa ótima. Liam sorria, olhando de escanteio para sua garota com que achei que seria orgulho. Ele estava satisfeito com o que via, e parecia ainda mais apaixonado por isso. O que me fazia pensar em como seria sentir tanto por uma só pessoa.
Estava divagando sobre isso quando passos adentraram a garagem. Na mesma hora senti minha nuca arrepiar, sabendo quem era a pessoa que se a próximava. Olhando em volta, vi todos ficarem tensos enquanto Jodie se ajeitava no sofá, olhando para além da porta da garagem. Aos poucos eu me virei e acho que meu rosto se fechou assim que dei de cara com Harlow, caminhando para ficar ao lado de Lizze.
— Desculpe a demora — falou ela, mas parecia estranhamente aérea, pois nem notar que Jodie estava no local ela o fez. Troquei olhares com os outros, começando a notar a forma que os ombros da garota estavam baixos. Percebi também, quando essa soltou a bolça e se virou para pegar um violão, que havia manchas por de baixo de seus olhos. Aquilo não era normal.
— Tudo bem — Lizze falava olhando a amiga como se estivesse a avaliando. — Não vai cantar? — Harlow franziu o cenho, como se pensasse, em seguida virou para Lizze e negou, indo se sentar ao lado da bateria de Jonah, no chão.
— Prefiro ficar aqui hoje. Estou com a voz meio rouca — disse, e tinha sido uma mentira terrivelmente ruim, pois nós estávamos a ouvindo e sua voz estava bem até demais. A vontade de ir até ela me pegou com tanta força que quase deixei a guitarra cair no chão. Não gostava de vê-la tão acuada, afastada do grupo enquanto tinha a cabeça baixa. Ela não parecia a nossa Harlow.
— Ok — Jack olhava a amiga com o cenho franzindo — Vamos começar com “Best Day” e depois seguimos com a lista posta da última vez no ensaio. Harlow, será que você pode passar o vilão para Jimmy e pegar o violino?
— Claro — Assentiu ela sem nos olhar. Engoli em seco, me afastando da guitarra para ir até ela. Era a melhor coisa que fazia desde que acordei.
Ela se levantou, e eu desejei que ela erguesse o olhar apenas uma vez, só para que eu pudesse encontrar a fonte de sua tristeza no fundo de suas íris. Mas ela não o fez, apenas me passou o violão e se virou para pegar o violino de Jonah, que estava logo ao lado do sofá.
Ela parou e assim fez todos nós, congelando enquanto a menina pegava a visão de Liam e Jodie sentados no sofá. Eu assisti sua face contorcer de tristeza para irritação quando cruzou o olhar com Jodie, eu até fiquei aliviado por ela abrir a boca para brigar, no entanto ela surpreendeu mais uma vez ao respirar fundo e estender a mão para a mesa em que estava o violino.
Tudo que ela fez foi pegá-lo, fechar a bolsa em que estava guardado, e depois voltar ao seu lugar. Quando olhei para Liam e Jodie, ambos apreciam chocados, principalmente Jodie, que a olhava com uma careta cheia de confusão.
— Prontos? — Ela perguntou. Por um instante ninguém respondeu, até que Jack me mandou um olhar e assentiu.
Suspirando, comecei a tocar, puxando os outros a fazer o mesmo. Estava começando a ficar desconfortável, e quando ela começou a tocar, foi como se derramasse um diluvio de problemas para cima do grupo, apostava que meus olhos estavam arregalados, olhando-a mover o braço contra as cordas do violino enquanto Lizze cantava. Eu sempre admirei a forma como sua voz era linda, mas naquele instante, fiquei pasmo com a forma que ela tinha os olhos fechados e deslizava o arco sobre as cordas, tornando a música um tipo de segredo, uma harmonia confortante e misteriosa. E a cada minuto, sua música se tornava mais alta que a voz de Eloise, mais assombrosa que a bateria de Jonah, e mais doce que o Baixo de Jack e o meu violão.
Ela ultrapassou qualquer um sem ao menos abrir os olhos, balançava-se no mesmo lugar como se estivesse dançando. Melodia suave preenchendo os ouvidos de todos, dando a certeza de que algo estava muito errado em sua vida e que ela estava sofrendo. Sofrendo a um nível preocupante. Aos pouco não havia como não parar de tocar só para poder assisti-la, estava hipnotizado, todos estavam.
— Que lindo— Ouvi Eloise sussurrar a Jack, tinha doçura em seu sorriso enquanto olhava Harlow, que sem se dar conta, continuava a tocar sozinha, seguindo uma música que nada tinha haver com aquele ensaio, talvez estivesse seguindo as notas de seu coração. E eu compreendi o que elas pediam.
O Mi maior era um desejo de amparo, o Do menor era algo como se dissesse que não desistiria. Cada nota, cada movimento de seu arco marcou um sentimento, marcou um Não. E tudo que eu mais quis naquele momento, era saber o porquê dela precisar recusar alguma coisa.
Não estava ciente de quanto tempo ela passou tocando só sei que quando ela finalmente percebeu que ninguém a acompanhava, ela parou e nos olhou com confusão, para em seguida ter as bochechas coradas adoravelmente. O desejo de beijá-la ficou mais forte, e tive de dar um passo para trás querendo usar a parede como algo para me segurar no lugar.
Harlow limpou a garganta.
— Foi mau gente. Não percebi que...
— Está de brincadeira? — Jonah se levantava de seu banquinho para envolvê-la em um abração — Você arrasou pirralha!
— Jonah está certo — Stef havia se levantado para chegar a Harlow. Sorria para amiga com admiração — Quando foi que compôs essa música? É linda.
Sorri para forma como ela estava embaraçada, algo raro de se acontecer com aquela garota.
— Eu... comecei a compor na semana passada — murmurou ela timidamente — Essa é a primeira que consegui fazer em um violino e... Acho que até prefiro ele a o violão. Ele é mais...
— Suave — Estremeci quando ela olhou diretamente para mim, pensando em minha escolha de palavra. Estava pronto para ganhar um xingamento como resposta, típico dela e sua implicância comigo, mas ela assentiu, alisando o violino.
— Sim. Ele é mais suave. O som dele me acalma. — Por instante senti algo latejar dentro de mim enquanto a olhava acenar com a cabeça para algo que Jack sussurrara com um sorriso. Estava ciente que todos notavam como Harlow estava silenciosa, e era exatamente por isso, que minhas mãos coçavam para tocá-la.
Ela também parecia diferente. Minha mente não conseguia assimilar.
— Pensei que o ensaio tivesse sido adiado para amanhã de manhã, já que é domingo — comentou Harlow, olhando todos, mas sempre evitando o sofá.
E claro, eu vi como Jodie se inclinou para frente pronta para falar algo, mas Liam chegou a sua frente e descansou uma mão em seu ombro. A voz dele foi suave e calma para a amiga.
— Eu terei que estar na academia amanhã — Harlow o mirou duvidosa — Tenho que ajudar os homens arrumarem a sala de troféus. Por isso pedi para nos encontrarmos hoje à tarde. Foi sorte Jodie estar livre também e...
— E o que ela tem haver com isso? — Juro que senti o meu corpo estremecer quando Jodie olhou para Harlow com aqueles olhos azuis cerrados. Liam suspirou como se achasse a atitude da amiga desnecessária.
— Harlow, será que podemos acabar com isso? — Liam soou cansado, olhando para as duas meninas — Vocês são amigas, e Jodie estava em um mau momento. Não pode condená-la para sempre.
— Oh, mas eu não vou — Negou a mais nova, sem nunca olhar para Jodie — Condená-la e ignorá-la são palavras bem diferente.
Vi Jodie abrir a boca, mas nada saiu, sugou o ar, e achei que estava se preparando para pular em Harlow. Isso estranhamente me incomodou. Por isso me aprecei em soltar o violão e chegar mais perto de onde Harlow se encontrava.
— Você está agindo como uma criança de novo — Jodie rebateu nervosa.
Harlow bufou, jogando a cabeça para trás como se pedisse paciência a Deus.
— Chega de me chamarem de criança! Eu não sou porra! — Ela largou o violino no chão e mirou Jodie, o desgosto óbvio torcia seu lábio bonito. — Isso não vai funcionar comigo. Não quero saber de suas desculpas Jodie, então vê se me deixa em paz!
— Não! — Jodie se levantou, e Liam fez o mesmo, ganhando uma expressão aflita ao segurar o pulso de sua namorada — Você vai escutar tudo que eu tenho a dizer nem que eu tenha de amarrá-la em uma cadeira — Harlow sorriu, mas era o tipo de sorriso que eu não gostaria que ela direcionasse para mim.
— Ora. Eu estou louca para ver você tentar.
— Gente. Vamos nos acalmar — Jonah colocou-se no meio das garotas enquanto Lizze e Stef segurava Harlow. Jonah olhou para elas sério como nunca vi antes — Nada de brigas nada minha garagem.
— Isso não é briga — Contrabateu Jodie, encarando Harlow — Está mais para aulinha infantil.
— Eu posso mostrar o quão infantil eu sou. Só me deixa chegar perto do seu rosto — Arregalei os olhos quando ambas pularam para frente querendo se pegar. Liam segurou a namorada, enquanto as meninas e os meninos tentavam acalmar Harlow.
Com medo que aquilo acabasse mal, me enfiei ao meio dalas também.
— Parem com isso!
— Sai da minha frente Jimmy. Essa pirralha precisa de umas palmadas bem dadas —Rosnou Jodie, tentando se desvencilhar de Liam. Ela grunhiu quando não conseguiu — Caralho novato. Me larga!
— Não vai dar doçura. Por que não vamos para casa e...
— Isso. Vai embora e me livra da sua presença irritante — gritou Harlow. Eu gemi em frustração, olhando-a em repreensão.
— Você não está ajudando.
— E eu não pedi sua opinião — Seu olhar domado pela raiva deslocou-se do olhar de Jodie para me encarar. Ele parecia que estava pronta para rasgar minha garganta com seus dentes, e eu não pude deixar de notar que vê-la tão selvagem e nervosa, fazia com que eu mesmo ficasse nervoso, e ao mesmo tempo curioso para ver como seria poder acalmá-la.
Choquei-me com a merda que estava pensando e afastei o olhar da garota, chacoalhando a cabeça. Tentei me lembrar se tinha batido a cabeça no caminho de casa até aqui, mas nenhuma lembrança me veio, o que me fez entender que estava mesmo enlouquecendo.
Respirei fundo, pronto para tentar outra coisa na esperança de as duas não se atracarem, mas nem mesmo tinha aberto a boca, e um som, uma música animada de celular começou a tocar. Vinha de Harlow.
— Ta certo. Larguem-me — Ela soou pelo menos um pouco mais calma. Olhou Lizze e os outros — Não vou fazer nada. Preciso atender — Ninguém acreditou muito no que ela dizia, mas se afastou lentamente, dando-a espaço para se mover e pegar o celular no bolso de trás de seu jeans. Ela franziu a testa ao olhar a tela em seguida atendeu. — Jared? Não devia estar no hospital? — Silencio. Seu rosto se contorceu, como se o que o irmão dizia a confundisse. — Mas agora? Eu disse que viria... O que? Jared, eu estou meio ocupada aqui e... Não tem como chamar a Dana? Ah... Ela também está ai? — franziu a testa, olhando o relógio que tinha no pulso. — São apenas três horas, porque estão... Ei! Nada disso, me explica agora! Não. Jared... Mas que droga! — Ela afastou o celular da orelha e praguejando, se abaixou para pegar a mochila apressadamente.
— O que houve? — Jonah questionou. Harlow bufou.
— Eu lá sei. Jad estava estranho e exigiu que eu fosse para casa. Deve ter acontecido alguma coisa, ele nem mesmo lembrou que estou na merda da sua casa. Como chegarei em cinco minutos lá? — Ela continuou xingando, esquecendo completamente da briga que estava tendo com Jodie. Até a marretinha parecia preocupada.
— Eu a levaria com a van, mas preciso ficar aqui esperando uma pessoa para meu pai — Jonah disse, mas então de repente sorriu e me olhou de escanteio. — Jimmy! Por que não leva ela?
— Não! — Harlow gritou, ficando de pé na mesma hora. Sua recusa foi uma punhalada em um peito, porém fiz o possível para olhá-la e sorrir de lado.
— Não seja chata garota. Você precisa ir rápido não é?
— Não com você! — grunhiu ela. Eu sorri mais e virei para Jonah. Ele me entregou a chave da van e me deu dois tapinhas no ombro, como se dissesse boa sorte.
Olhei de escanteio para a garota emburrada.
— O tempo está passando pirralha — murmurei. Ela rosnou e xingou novamente, mas de qualquer forma ela passou a andar, segurando a mochila no ombro com uma força que quase me fez sorrir.
Estávamos ao lado da van quando ela virou-se para mim e apontou seu dedo para minha cara. Seu olhar escuro e perigoso me encarando com intensidade.
— Se tentar fazer o que fez ontem de novo, te jogo para fora da maldita van. — E então se virou e entrou sem me dirigir um olhar. Foi estranho, mas sua ameaça só me fez querer fazer exatamente o contrário, por isso o sorriso rasgando em meus lábios não diminuiu durante todo o caminho até a casa da minha menina rude.
Apertei o volante com força. Merda. Harlow não era minha!
— Droga de celular — Ela resmungou ao meu lado. Olhei, e senti meu mundo derreter e o corpo esquentar com a forma adorável que Harlow se encontrava. Em sua boca havia um biquinho mal humorado enquanto tentava ligar para Jared, e seu rosto cheio de raiva fazia seu nariz pequeno contorcer de um jeito engraçado. Harlow era toda meiga e fofa, mas a aspereza de seu olhar fazia-a de certa forma, uma mulher completa. Mulher atraente, e uma cuja aparência bagunçava com minha mente. Era tão bonita que poderia ficar a admirando durante todos os dias e noites sem nunca enjoar.
Harlow me enlouquecia. Harlow me excitava. Mas Harlow não era minha. Harlow era tudo, menos minha. E isso me fazia furioso.
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