Rude Girl
26 Capitulo 26 — Rosas Brancas
Notas iniciais
(Pov’Jimmy)
Meus pulmões apertaram dentro do peito quando exigiu oxigênio, mas tomou o controle da situação enquanto erguia o tronco para fora da água e tomava impulso contra o batente na piscina. Nadei com mais vontade do que qualquer outra coisa que tinha feito em muito, muito tempo. Natação era uma de minhas grandes paixões. Quando meu pai ensinou-me a nadar em uma viagem até a praia, não consegui parar mais e sempre ia à parte funda, sem boias. Aquilo era mais um robe, mas hoje com certeza era algo pessoal.
Sentia todo meu corpo tenso enquanto dava braçadas contra a água, nadava com brutalidade para conseguir gastar um pouco daquela energia que fazia meu corpo tremer em raiva. Assim que o dia amanheceu, eu tinha finalmente chegado em casa, onde estava Erin e Kane sentados no sofá, esperando-me com os olhos grudados na porta. Assim que os olhei entendi que sabiam o que haviam acontecido, o que disse-me que Stefany ligará contando tudo, provavelmente com medo que eu fizesse a mesma burrada que um tempo atrás, e enchesse a cara de cachaça. Agradecia por sua preocupação, mas olhar para o olhar de pena dos meus pais fez-me ficar mais irritado.
— Não me olhem dessa forma — Eu falei em plena madrugada — Isso não acabou. Pelo menos não para mim.
Eu os deixei sem olhar para trás, na verdade eu subi as escadas até meu quarto e peguei minha bolsa com as minhas coisas de natação. Fui até a academia que eu praticava e peguei a chave com meu treinador, sabendo que estava cedo demais para que todos os outros chegassem para as aulas. Aproveitaria a piscina sozinho, e assim o fiz desde as quatro da manhã até as dez, sem nunca parar para descansar.
Estava chegando ao final da minha decima sexta volta quando minha cabeça ficou fora da água por tempo o suficiente para ver um vulto entrar no local. Colocando o pé no funda piscina tirei os óculos e esfreguei os olhos.
— Vai perder os braços e as pernas se continuar nesse ritmo.
Stef sorriu ao tirar suas sapatilhas e sentar-se na beirada na piscina, os pés mergulhando na água. Me aproximei dela esfregando o rosto.
— Como me encontrou?
— Sua mãe me ligou dizendo que você parecia muito nervoso — Piscou os olhos para mim — Eu teria que ser muito burra para não entender que você precisava espairecer toda essa raiva. Que modo melhor que nadando?
Chegando ao seu lado, evitei olhar em seus olhos enquanto usava a força dos braços para sair da água. Pingando, fiquei sentado ao seu lado, sentindo meu coração desacelerar e meu sangue esfriar.
Stef passou uma toalha.
— Como se sente? — perguntou.
Fiz uma careta, colocando a toalha sobre os ombros.
— Uma merda — Bufei — Mas não era como se não esperasse isso. Estava claro como a neve que ela me rejeitaria.
E ainda sim, ela correspondeu meu beijo. Se fechasse os olhos ainda poderia sentir o fogo crescendo em meu peito, podia sentir teus lábios nos meus enquanto tentava desesperadamente trazê-la para perto de mim, eu não conseguia parar de pensar em como ela era boa, em como sua pele macia fazia-me enlouquecer e endurecer entre suas belíssimas pernas. E Deus, aqueles cabelos, seu cheiro. Não havia se dissipado de mim ainda, estava guardado em um cantinho precioso em minha mente, onde podia deleitar a cada segundo mais.
Eu quis fazê-la minha naquele instante, em cima daquela moto, minha imaginação migrou para algo indecente enquanto a tinha dentro dos meus braços e ofegando por causa dos meus beijos. Eu quis terminar com aquilo e mostrar ao tal Damien, que ninguém além de mim poderia tocar Harlow, pois ela era minha. Somente minha. Sabia que se ela não tivesse se afastado, as loucuras que faria naquela montanha ficariam gravadas tanto em mim como nela, e uma parte de mim estava aliviado por ter parado. Não queria que a primeira vez dela fosse dessa forma bruta e...
E se ela já teve essa experiência?
A fúria retornou e ofegando, eu tirei a toalha dos ombros e saltei de volta para água, ouvido Stefany chamar, mas ignorando seus apelos para parar. Depois de oito voltas, a imagem de Damien pegando Harlow na cama fez-me engasgar com a água, levando meu controle e coordenação. Uma câimbra no ombro esquerdo fez-me ofegar e afundar, quase na mesma hora ouvi Stef gritar antes de saltar na água mesmo em seus shorts e camiseta.
Ela chegou a mim quando me segurei no batente, tentando firmar-me na superfície, a garganta e o nariz ardendo como inferno.
— Jimmy — Suas mãos seguraram meu rosto, preocupação em seus olhos — Está tentando se matar, seu idiota?
Respirando fundo, sorri para ela com amargura.
— Quem sabe — murmurei rouco — Talvez isso me impeça de quebrar a fuça daquele imbecil.
Seus belos olhos escuros olharam para mim com compaixão.
— Precisa se controlar — disse suavemente — Como vai reconquistá-la se acabar se afogando? Pense um pouco Jimmy.
Suspirando, puxei minha amiga para um abraço, levantando-a na água enquanto fechava os olhos.
— Eu espero que ela me perdoe — sussurrei quase sem voz.
Stefany acariciou meus cabelos e eu sorri quando beijou minha bochecha.
— Ela vai. — falou — Vamos acreditar que ela vai.
Acreditar. Era a única coisa que estava fazendo naquele instante.
Depois de finalmente ceder ao pedido de Stef para sair da piscina, a levei para o vestiário e lhe emprestei uma camisa, assim ela podia colocar por cima da roupa molhada apenas para irmos embora. Porém ao chegar em frente a casa dela tivemos dois olhos super insatisfeitos nos mirando, os braços cruzados em seu peito ao ver sua garota pular da garupa.
— Será que eu devo me preocupar da minha namorada estar vestindo uma de suas camisas, Jaime? — indagou sério e estudando o corpo de Stef.
Eu sorri de lado e Stefany riu.
— Não seja besta, ele apenas me emprestou porque me molhei quando cai na piscina. — falou suavemente. O olhar do meu amigo mudou para preocupado e ele se juntou ao lado da namorada.
— Você caiu? — Ele segurou seu rosto e o virou para os dois lados, obviamente procurando ferimentos — Está machucada baby?
Stefany afastou gentilmente suas mãos.
— Não. Você não entendeu... Eu na verdade pulei, queria ajudar o Jimmy. — Jack ergueu uma sobrancelha e me olhou.
— Com o que? — Sorri.
— Uma câimbra involuntária quando estava nadando. Stef pensou que eu estava me afogando. Nada demais.
Ele franziu o cenho, mas depois de minutos suspirou e disse mais amigável.
— Como está? — Seu olhar ficou simpático — Saiu da casa de Harlow batendo a porta ontem e não voltou mais.
Despercebidamente, dei de ombros, sentindo a sobrecarga de sentimentos mais uma vez.
— É apenas algo que colhi Jack — Sabia que meu rosto era inexpressivo — Demorei demais para ver o que estava na minha frente, agora preciso correr atrás.
Surpreendentemente, Jackson sorriu de lado.
— Então não desistiu dela?
Eu estiquei as costas, muito ciente que agora olhava-o com um tipo de determinação de ferro.
Esticando um sorriso nos lábios, voltei a ligar a moto.
— Sabe que não desisto fácil — falei e empurrei o cabelo quase seco para trás — Estou indo a concertar essa merda, portanto não espere que devolva sua moto tão cedo. Ok?
Ele riu, e se aproximando fez um toque com a mão.
— Vai na fé, meu garoto. Tenho certeza que vai conseguir.
E esperava que ele estivesse certo.
Querendo começar o dia impressionando, guie-me até uma floricultura. A pele formigando com expectativa para o que estava começando a fazer, Isso séria apenas o início dos dias da Harlow, séria algo para ela perceber que estava falando sério ao dizer que usaria todas minhas armas para reconquistá-la, mesmo que Damien atrapalhasse meu maldito caminho.
— Bom dia, querido. No que posso ajudar? — Uma vendedora com bonitos olhos verdes e cabelos louros veio até mim quando entrei na loja.
Mostrei-lhe meu melhor sorriso.
— Quero o buque mais bonito de rosas brancas. E por favor, pode arranjar-me um envelope, um papel e uma caneta?
— Basta me seguir — disse educadamente, e me levou para os fundos da sua colorida loja.
O lugar era lindo, as flores eram uma mais linda que a outra, porém nada comparada a que eu queria. Havia uma razão por ter escolhido aquelas, e esperava que Harlow apreciasse assim que batesse os olhos nelas.
— Deseja enviá-las para alguém? — A mulher perguntou.
— Quase isso — falei ao alisar as rosas e pousar o envelope entre elas — Estou tentando mostrar a uma pessoas que quero recomeçar.
A florista abriu um sorriso estreito e ajeitou o buquê para que eu pudesse levar.
— Espero que tenha sucesso nisso, querido.
Lhe passei o dinheiro e dei um olhar agradecido.
— Eu também. Obrigada.
Saindo com o grande buquê da loja, fiz o possível para prendê-lo corretamente entre meus braços na moto, em seguida tomei uma dura respiração e segui para onde todo meu corpo desejava ir. Era cedo e provavelmente ela estaria dormindo, mas não me importava, eu somente precisava dizer que estava levando isso muito a sério.
Não desistiria da minha pequena.
Tentando não me encontrar maluco, estacionei em frente à casa dela e caminhei para a varanda junto com meu presente. Tremulo, hesitei vários instantes antes de apertar a campainha, suor começou a descer da minha nuca e também da testa, e quando mais a porta se demorava a abrir mais eu tinha vontade de fugir.
O pensamento se foi assim que a porta foi escancarada e eu pude ouvir, mesmo que com dificuldades, ela praguejar.
— Mas que porra... — Eu sorri.
Eu não consegui vê-la por causa do buquê em frente ao meu rosto, mas quando o abaixei, sua expressão perplexa foi meu premio. Ela olhava para as rosas com um misto de espantando e admiração, mas ao ver meu rosto, suas emoções se enegreceram e ela apertou os lábios juntos.
— O que isso significa? — questionou nervosa.
Eu sorri, mostrando todos meus dentes para ela e deixei o buquê aos seus pés.
— Significa, que eu não esqueci do que prometi ontem — Me ergui e olhei no fundo daqueles olhos azuis, apreciando os traços em verde e sua pele corada. Os cabelos pareciam uma bagunça, denunciando que tinha saído da cama agora, assim como aquela camiseta enorme que quase batia em seus joelhos, e considerei sendo de Jared, pois se pensasse que era de Damien eu surtaria só de imanar suas roupas roçando o corpo suave dela.
Harlow olhou para as flores e depois se voltou para mim.
— Você não pode fazer isso... Jared, ele...
— Sabe o que sinto por você — Apressei-me a falar — Quando disse que queria me redimir, eu me referi a tudo, Harlow. — Me aproximei dela até que podia sentir seu perfume delicioso, sendo impedido apenas pelas flores ao nosso meio. A garota arregalou os olhos quando toquei seu queixo, erguendo seu rosto para mim. — Conseguirei seu perdão, eu juro que vou.
Queria poder chegar mais perto para sentir aqueles lábios contra os meus, eles me chamavam tanto entreabertos daquele jeito. Tudo nela pedia para que eu me aproximasse, mas seus olhos negavam a atração entre nós.
Ela balançou a cabeça.
— Jimmy, não faça isso. — Implorou. Eu senti meu peito torcer por seu pedido, por isso soltei seu queixo e suspirei.
— Tudo bem, não irei beijá-la mais — falei suavemente — Esperarei que peça. E acredite pequena, você o fará.
Eu assisti quando a irritação tomou o lugar da surpresa e quase gemi em prazer quando ela levantou aquele nariz e olhou-me daquela forma pomposa.
— Eu nunca farei algo tão estupido, Rory
Eu sorri. E sorri muito, pois eu olhá-la estar irritada comigo fazia-me perceber como eu estava com saudades de brigar com aquela garota marrenta.
— Eu te desafio — Mostrei-lhe um sorriso brincalhão e tentei desfazer mais daquelas distancia, mas Harlow parecia irritada demais para isso, pois grunhiu com os olhos pegando fogo.
— Foda-se, Jimmy.
Eu achei que ela fosse atirar seu punho em meu rosto, sim, ela com certeza iria acertar meu rosto, no entanto ela não teve lá muito tempo para isso, pois alguém não desejado veio atrapalhar o que estava tentando conseguir.
— Ei, caramelo, olha o que consegui do outro lado da rua. Ele não parou de me seguir até aqui e... — A voz de Damien se foi quando ele parou em frente à varanda e notou quem estava em sua frente. Aquele olhar tipo que de desdém o fez erguer uma sobrancelha ao me mirar, e da mesma forma cética, eu o encarei com desgosto. — Ora, parece que cheguei na hora certa. — E sorriu. Eu quis quebrar cada maldito dente de sua boca e quase o fiz, mas Harlow já estava passando por para alcançá-lo, tinha um sorriso animado no rosto enquanto olhava para o braços do louro imbecil.
Foi então que eu entendi o motivo da admiração de Harlow. O merdinha carregava um cachorro pequeno, parecia um Pug zangado que se remexia muito em seu braço, sua pelagem escura estava suja, mas Harlow não se importou quando o tocou.
— Oh, olha só que lindo! — Me impedi de rosnar quando ela acolheu o cachorro e riu ao ser lambida, era o tipo de sorriso que eu queria ter ganhado quando lhe entreguei as flores, mas a única coisa que consegui foi seu olhar nervoso. Porém Damien ganhou sua satisfação e nem mesmo se esforçou. Porra.
— Hey, o que é isso? — Dana apareceu na porta e olhava para as minhas rosas com curiosidade. Ela estava vestida para trabalhar, sua saia azul batia nas coxas e o blazer e o cabelo preso a deixava mais séria que nunca.
Ninguém disse nada, e ela ficou ainda mais confusa ao virar para sua irmã.
— Espera, isso é um cachorro? — questionou. Seus olhos olhavam das flores para o animal, esse não conseguia parar em um lugar só e latia.
— Dan, será que podemos falar depois? — Indagou a irmã com uma careta quando o cachorrinho lambeu seu rosto — Eu só estou com um pequeno problema.
Dana ergueu uma sobrancelha cética, e bufando, se abaixou para pegar minhas rosas e sorriu.
— Oh, elas são lindas! — Exclamou, e com aquele sorriso grande virou-se, olhando de sorrateiro para mim. Eu quase pude sorrir para ela quando a vi dar uma piscadela em admiração. — Vou colocá-las em um lugar bonito.
— O que? — Harlow tinha as bochechas adoravelmente pintadas de vermelho — Não... Espera Dana, eu não... — Mas a irmã já tinha entrado, e talvez o pequeno pug tenha ficado curioso quanto ao que tem na casa, pois ele se contorceu nos braços de Harlow até que conseguiu sua liberdade para o chão. O animal que mais parecia uma pulga preta, saiu em disparada para dentro da casa, fazendo com que Harlow praguejasse algo feio.
— Oh não, isso não é bom. — gemeu para si e se adiantou atrás da pulga — Cachorrinho, vem aqui, Jared não pode te ver ai dentro!
Sorrindo de lado, assisti ela ir atrás do cachorro e não resisti, segui-a até a varanda para dentro da casa. Mas minha curiosidade virou outra coisa totalmente diferente quando meu ombro esbarrou contra o de Damien, que também a seguia com um sorriso presunçoso que me dava asco. Ele piscou, como se estivesse despreocupado com meu aborrecimento e simplesmente passou por mim, indo atrás de Harlow com aquela cara que eu só desejava acertar.
Respirando fundo, empurrei aquela raiva para dentro e tentei relaxar. Não poderia quebrar a fuça dele, Harlow ficaria chateada. Sim. Ela chutaria minha bunda e depois que me esquartejasse, queimaria os pedaços, era totalmente sensato permanecer ali, calmo, e fora de confusão...
— Harlow! — O grito de Dana refreou meus pensamentos e puxou meu olhar.
Arregalando os olhos, vi como a mulher tentava se equilibrar em uma cadeira com as rosas nas mãos, ela tentava colocar em cima da estante, mas o pequeno diabinho do cachorro latia e rodava envolta dela, empurrando seu banquinho e o fazendo tremular. As coisas aconteceram mais rápido que poderíamos pensar.
Primeiro o pug saltou no banco, segundo, Dana soltou as rosas, e terceiro, ela ia parar cima da cabeça de Harlow. Seguindo meus estintos eu corri e segurei no pulso de Harlow, puxando-a para mim no momento em que o vaso com as rosas ia acertar sua cabeça. Ele se espatifou no chão junto com o grito de Dana, que antes estava caindo do banco, mas agora estava amparada pelos braços de Damien, ofegando e de olhos fechados.
Em meio o silencio que se seguiu, o pug demoníaco correu até minhas rosas. Eu me senti estremecer só de entender o que o cachorro infeliz ia fazer, tentei segurá-lo, mas ele passou por debaixo das minhas pernas latindo como um demônio de quatro patas. Levando as mãos ao cabelo eu impedi um xingamento de emergir quando a criatura do mal saltou em cima das flores e começou a rosnar e destruir cada pétala delicada, os dentes que pareciam tão pequenos fazendo um trabalho vindo do inferno para destruir minha vida. Eu senti as cordas da minha paciência partirem quando o cachorro percebeu que não tinha mais nada para destruir, e como se nada tivesse acontecendo, ele bocejou e deitou sobre suas quatro patas em cima do meu buquê completamente acabado.
Eu comecei a contar até dez de trás para frente, os olhos fechados tentando manter minha sanidade, mas no momento em que ouvi o ruído da risada de Damien, todo meu controle se foi, e eu apenas virei para acabar com o filho da puta pretensioso.
~*~
(Pov’s Harlow)
Eu não sei como diabos eu entendi o que estava prestes a acontecer, talvez pela forma como Jimmy cerrou os punhos e como seus ombros endureceram ao ponto de quase parecer mais alto que o normal. Tudo que sei é que em uma hora eu estava atrás dele, e na outra eu estava me metendo no meio de dois grandes homens com olhares malignos e assassinos.
— Jimmy, não. — Ordenei espalmando as mãos em seu peito, eu notei que meu toque atiçou algo em seus olhos, mas ainda sim, isso não foi o suficiente para fazê-lo desviar a atenção de Damien, que lentamente soltou Dana e a fez se afastar, nunca desviando os olhos de Jaime.
— Isso é tudo culpa sua! — Ele rosnou tentando se aproximar novamente, eu ofeguei, empurrando-o para trás.
Quis acertar a bunda de Damien quando ele gargalhou e cruzou os braços despreocupadamente.
— Minha culpa? — Ele olhou Jimmy com escasso, sem nunca desmanchar o sorriso zombeteiro — Foi você que a afastou, não eu. O cachorro só foi uma grande e absurda sorte. Como eu ia saber que estaria aqui? Se arrastando para minha namorada.
— Oh Deus. — Dana murmurou com os olhos arregalados quando Jimmy deu um passo para frente, me empurrando junto como se não pesasse nada mais que um quilo.
Eu gemi contra ele em frustração.
— Ah não, parem com isso... Não estão brigando na minha casa! — Gritei tentando o levar para trás, mas os imbecis nem sequer me olharam.
— Ela nunca foi, e nunca vai ser sua.
— Será mesmo garoto? — Desafiou Damien, eu bufei, lhe mandando um olhar afiado.
— Ei, parem de decidir quem me tem! — Retruquei nervosa. — Eu sou de mim mesma.
— Eu vou quebrar a merda de seu corpo inteiro. — grunhiu Jimmy enlouquecido — Cada maldita parte dele. E depois, eu vou mostrar quem é o homem certo para Harlow.
Damien bufou, jogando as mãos para o alto.
— Homem certo. Besteira — Olhou para seu adversário — Se fosse um homem de verdade, teria estado com ela apesar de tudo. Se fosse homem ela teria escolhido você, e não a mim.
— Será que não tem ninguém me ouvindo aqui? — gritei em frustração.
Jimmy grunhiu, de repente muito mais vermelho que antes. Foi ai que a luta para segurá-lo realmente começou, pois Damien também achou sensato se aproximar.
Arregalando os olhos, abri os braços para impedi-los de se matarem na sala de estar da minha casa.
— Não! — Berrei quase sendo espremida entre o peito de ambos — Vocês não podem se matar aqui! Jared vai encher meu saco por ter sangue no tapete, mais tarde.
— Harlow! — Dana suspirou do outro lado da sala — Você não está ajudando.
Olhei-a indignada.
— Olha quem fala, eu que estou sendo esmagada entre esses idiotas — resmunguei.
Os garotos se aproximaram mais.
— Sabe cara, já parou para perceber como ela sorri timidamente quando a beijam? Eu acho realmente muito adorável, e você? — Damie piscou para ele com provocação, enquanto eu sentia minhas bochechas corarem. — Ah, e quando ela suspira. Deus. Eu amo isso!
— Isso não é bom — Sussurrou Dana. Como se eu não soubesse
— Damien! — berrei ultrajada.
— Eu vou matar você — rosnou Jimmy, chacoalhando-se de meu aperto — Quebrar cada maldito osso.
— Ora, está chateado que ela me escolheu ao invés de você? — Damien riu. — Supere.
— Não perecia que ela tinha te escolhido quando retribuiu o meu beijo, ontem. — Jimmy assumiu um sorriso perigoso — Na verdade ela nem parecia estar pensando em você quando a coloquei sentada na minha moto enquanto ofegava por minha causa...
Ai merda!
— Vocês se beijaram? — Dana ergueu uma sobrancelha. Eu corei ainda mais.
— Eu...
— Vamos pequena, diga para ele como foi que retribuiu o meu beijo. Fale para ele como suspirou para mim e... — Ele não terminou seja lá o que estava tentando dizer, pois do nada uma mão circulou meu pulso e no segundo seguinte eu estava sendo lançada na direção de Dana.
Ela me segurou antes que caísse no chão, no entanto não era com isso que estava preocupada, e sim com o fato de que Damien tinha acabado de lançar Jimmy contra a velha poltrona de Jared com tanta força que a madeira dos pés cedeu levando o louro ao chão. Damie não perdeu tempo, e sem aquele sorriso zombeteiro de antes, ele segurou-o pelo pulso, levando-o com força ao chão só para torcer seu braço para trás. Eu estremeci, sabendo que Jimmy nunca na vida ganharia de Damien considerando o quão grande aquele surfista era, e por mais que ambos os loiros estivessem em boa forma, Jimmy não era um lutador, não tinha massa o suficiente para vencer um cara com os mesmo braços que Damien, portanto eu tinha que fazer algo antes que alguém fosse para o céu e... Ah, poderia ser eu, se Jared descobrisse isso. Será que era melhor eu ir atrás do cachorro?
— Sente isso companheiro? — Damien forçou o braço de Jimmy — É seu braço prestes a ser quebrado, porra! Então, se não respeitá-la...
— Eu respeito ela mais do que você possa pensar. — Gemeu Jimmy com seu rosto prensado no chão. — Você só é a merda de uma distração para ela.
— Já se perguntou se não é ao contrário? — questionou Damie, em seguida riu, balançando a cabeça — Cara, você é um imbecil.
— Eu posso dizer o mesmo de você.
— Certo — falei, me chacoalhando nos braços de Dana. Conseguindo ser liberta, fui para Damien mesmo que ela gritasse para eu me afastar da briga, abracei-o pelo quadril e o puxei para longe — Damien, já chega. Não foi nada. Ele só está querendo pegar no seu pé. Pare com isso, por favor. Nada aconteceu.
— Nada aconteceu — disse Jimmy, com a voz cheia de diversão enquanto ficava de pé. Sangue pingava de sua testa em toda a frente da camisa, mas ele não parecia notar. — Diga uma coisa, Damien. Ela morde você quando a beija, também?
Eu queria me matar. Como aquilo tudo começou? Por que merda eu tinha que estar envolvida?
Mas na verdade a pergunta exata era: como eu podia? Como eu podia ter sido tão estúpida a ponto de deixar que ele me beijasse assim? Porque eu tinha deixado – tinha até retribuído o beijo. Nada disso teria acontecido se eu tivesse tido um pouco mais de controle.
— Já chega! — falei novamente, e empurrando Damien quando esse preparou mais um soco — Os dois, parem de agir como idiotas. Eu não sou uma mercadoria para que briguem e discutam quem é mais homem para ficar comigo. — Depois de encarar Jimmy, virei-me para meu surfista, ele respirava pela boca, e parecia tão sério que me assustei — Damien, eu sei que fiz besteira, mas não escute o que ele diz, lembre sobre o que falamos ontem, ele só quer te deixar maluco porque você tentou o mesmo. Por favor, pare. — Acariciei seu rosto devagar, atrás de mim, senti meu corpo estremecer quando Jimmy riu ironicamente.
— Deixá-lo louco? — indagou risonho — Não é isso que eu quero, pequena. Só estou mostrando a ele, que não vou desistir de você mesmo que sua carcaça esteja no meu caminho. Sou inteligente o bastante para admitir que fiz uma idiotice no passado, mas agora... Eu não estou indo a deixar isso acontecer novamente. Não vou permitir que você vá embora sem me perdoar. E quanto a você Damien — Ele olhou para Damie ameaçadoramente e limpou o sangue escorrendo em seu rosto — Pode ter estragado isso, mas pode apostar que não vai acontecer de novo. Eu prometo a você.
— Espero que tenha em mente que não vou ficar sentado apenas olhando — disse Damien — Vou fazer de tudo para que seus planos deem errado, pode apostar que não vou deixar Harlow sofrer por alguém que ela não merece.
Jimmy franziu a testa um pouco, e respirando fundo, olhou para as rosas destruídas no chão. Apertando os lábios juntos, ele voltou-se para mim.
— Sei... — Seu olhar queimou no meu — Então estamos lutando mesmo. Porque não vou dar para trás.
Uma mão de Damien pousou em meu ombro, onde apertou e me puxou.
— Ótimo. — falou — Porque nem eu.
Senti meu corpo dar uma sacudida. Eu, parada em entre esses dois homens que disputavam para me ter, fez com que algo dentro de mim despertasse e meio que se bajulasse, essa parte estava nadando em deleite, mas havia outra que apenas queria dar as costas e se esconder. Era a parte que mais estivera frequentemente ao meu lado e que eu nunca permitir ir embora. E naquele instante eu entendi que estava na hora de permitir ter mais horizontes, de ver o que poderia conseguir, e se esse dois caras lindos queriam me bajular, por que não aproveitar? Eu sabia que era uma grande e perigosa armadilha se tratando de quem eram. Damien, apesar do titulo namorado de agora, sempre será meu melhor amigo, e Jimmy... Existia uma magoa dentro de mim que me impedia de perdoa-lo, mas eu sabia que essa magoa era o único motivo para eu não me aproximar dele novamente, e se caso ele conseguisse quebrar esse sentimento tão forte... Tudo ia mudar.
Absolutamente tudo.
— Eu... acho melhor você ir embora — falei hesitante, tentando não encarar seus olhos, mas apesar disso, sabia que ele parecia estar triste por minha tentativa de afastamento.
— Certo — falou. Ouvi seus passos, e inesperadamente, enquanto encarava o chão, senti sua mão tocar meu rosto e subi-lo. Eu fechei os olhos, só para sentir seus lábios deixar um beijo em minha testa — Desculpe por isso pequena. — E suspirando, ele saiu da casa pisando duro.
Ninguém falou até que o ruído da moto dele desapareceu. Cansada demais, cai sentada no sofá, esfregando o rosto e respirando fundo.
— Me desculpe, caramelo — Damien abaixou-se a minha frente, seu rosto marcando com arrependimento. — Não queria chateá-la. Eu só...
— Não — acenei para ele — Apenas pare. Não quero mais falar disso, mas quero que me prometa que nunca mais vai brigar com ele. — Sua feição contorceu.
— Harlow, mas se ele magoá-la...
— Damien, estou falando sério! — Agarrei seu ombro — Não vai mais brigar com ele. Me prometa — pedi com mais firmeza, sentindo os olhos arderem — Não vou suportar se ambos se machucarem por minha causa.
A expressão dele suavizou então, e suspirando ele segurou minha mão esquerda, e suavemente tocou a tatuagem que compartilhávamos.
— Tudo bem querida, eu prometo — falou. Eu respirei fundo, mais aliviada, e sorrindo me inclinei para abraça-lo.
Nós não podemos ficar por muitos minutos daquela forma, pois ouvimos passos vir da entrada da casa. Automaticamente, como se pressentisse perigo, o pug começou a latir.
— Dana? Harlow? O que é isso... — Jared entrou na sala franzindo o cenho, mas depois seus olhos alargaram ao ver sua confortável poltrona esmagada e quebrada no chão. Em seguida o pug saiu latindo até seus pés, onde ficou tentando morder seu lustroso sapato. — Isso... isso é um... um...
Engoli um sorriso.
— Um cachorro. — Ajudei amistosamente.
Seus olhos caíram em mim em chamas, depois no meu buquê recém-destruído.
— Certo — Ele olhou para seus pés e se abaixou, pegou o cãozinho com uma mão, olhou e respirou fundo — Eu vou subir até meu quarto, tomar um banho. Trocar-me, descansar, e quando eu voltar, irei esperar uma explicação muito coerente para o fato da minha poltrona está em frangalhos no chão, e porque tem um cão em minha casa. E espero que juntem essas rosas e que não encontre meus sapatos mordidos por esse... — Piscou para o cão — Animal. — Ele virou-se, deixou o cachorro nas mãos de Dana, e partiu para cima, sem olhar uma só vez para trás.
Dan deu uma risadinha.
— Vocês estão muito mortos — murmurou.
Damien riu, e eu balancei a cabeça, indo em direção ao que antes tinha sido um lindo buquê de rosas brancas. Me ajoelhei, e passando os dedos pelas pétalas macias eu suspirei, sentindo pena pela primeira vez de Jimmy, que tinha gastado seu dinheiro apenas para me impressionar, mas no final acabou se envolvendo em uma disputa.
— Eu sinto muito por isso — Damien se abaixou ao meu lado parecendo realmente sincero. — Era um lindo presente, apesar de tudo.
— Sim — sussurrei — Era. Mas por que brancas e não vermelhas?
Remexendo entre as pétalas, algo tocou a ponta dos meus dedos. Tirando do meio de todo o desastre, franzi o cenho para o envelope vermelho.
— O que é isso? — Dana perguntou;
Eu dei de ombros.
— Parece uma carta. — falei.
— Então abra — Disse Damien para minha surpresa. Ele sorriu— Ele se esforçou e acabou tendo seu presente destruído por minha culpa. Talvez esse envelope tire um pouco da minha culpa.
Sorrindo para ele, virei os olhos e abri o envelope. No mesmo instante, eu reconheci a letra curvada de Jimmy. De alguma forma eu sempre pude distinguir o que ele pensava ao escrever, assim como estava fazendo naquele instante, ao notar umas letras ligeiramente mais escuras que as outras, denunciando como ele parecia ansioso ao escrever aquele pequeno bilhete. Também notei como ele suavizava a caneta como se estivesse relaxando nas últimas palavras.
Sua letra era tão graciosa de se olhar que quase me esqueci de ler o que estava escrito. Então, rolando os olhos pela ortografia, eu li.
Olá minha pequena,
Sei que não suporta que a chame de “Minha” mas é algo mais forte que eu, portanto não posso me desculpar por isso, pois a cada dia e a cada instante eu tenho mais certeza que essa simples palavra é verdadeira.
Eu sei que agora você deve estar se perguntando o por que da minha escolha ser rosas brancas, portanto vou explicar: Elas representam paz, pureza e inocência e sempre são associadas às grandes uniões e novos começos.
Eu quero um novo começo com você Harlow, eu quero ser seu recomeço. Portanto achei apropriado dar como inicio das minhas investidas, esse lindo buquê, para lhe fazer entender que eu quero que sejamos o começo um do outro.
Para sempre. Então espero que aceite-as de coração.
Com amor. Seu Jaime.
Meu Jaime?
Meu coração saltou batidas mais fortes.
— Por mais que eu odeie admitir — Damien falou sobre meu ombro e com os olhos na carta — O idiota tem charme. — Ele tocou meu ombro em solidariedade — Está em uma encruzilhada, caramelo.
Sim. E como estava.
Merda!
~*~

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