Rude Girl

27 Capitulo 27 — Muita pressão


Notas iniciais
E hoje eu sei que você vão querer arrancar o couro da Harlow, e o meu também, mas o final desse cap com certeza vai agradar a muitos. Aproveitem e boa leitura. ♥

(Pov’s Harlow)

— Você não parece bem — Amélia falou com um sorriso, mas não tirava os olhos do laptop em cima de sua mesa trabalho.

Fazendo careta, cai na cadeira logo sua frente.

— Não sorria para mim dessa forma, sei que Damie fez fofoca para você sobre as rosas — resmunguei, ela riu e finalmente olhou-me nos olhos.

— Damien é um ótimo informante.

— Ele é mesmo um fofoqueiro — bufei, e logo em seguida corri até o sofá que estava do outro lado do escritório e afundei meu rosto na almofada fofa — Eu não posso com isso. Faz apenas dois dias que voltamos e só tenho conseguido confusão entre Jimmy e Damie. Não sei se aguento mais problemas.

Amélia me observou afundar o rosto na almofada com uma sobrancelha erguida, seu sorriso se esvaindo aos poucos até que não havia nenhum em seu rosto. Entendi aquilo como “Reação a uma má noticia.”

Gemendo de frustração, acenei.

— Ok. Pode falar — disse — O que tá rolando?

Ela abaixou os olhos, em seguida se levantou da grande cadeira e foi até a mesinha que sustentava vários copos e jarrinhas de cristais. Ela derramou o que pareceu ser um pouco de burbom em seu copo, em seguida o ergueu e tomou. Fiquei impressionada, pois ela quase nunca bebia nada alcoólico, pelo menos não na minha frente.

Arregalando os olhos, fui até ela.

— Se você está bebendo deve ser algo sério — Toquei seu braço — O que foi tia?

Ela apertou os lábios, e deixando o copo na mesa, ela afastou seu blazer do peito e retirou um envelope de dentro. Ela ficou olhando para ele antes de estender para mim.

— Chegou ontem à tarde. — falou brandamente — Parece que Jared esteve trabalhando sobre isso enquanto estávamos fora.

Sem entender o que ela queria dizer, abri o envelope e rolei os olhos pela inscrição. Não precisei de muito para entender que aquilo era uma intimação do juiz para um julgamento no dia 10 de outubro.

Jared estava pedindo minha guarda definitiva.

— Oh, merda — Sim. Era uma merda colossal.

Amélia suspirou.

— Nós sabíamos que isso acontecer em algum momento, fico feliz que ele esperou eu ter meu tempo com você enquanto estávamos na Califórnia — Caminhou para sua cadeira, mas não se sentou, ela apenas se apoiou e olhou em minha direção — Sabe que esse julgamento pode estar a meu favor se você quiser, não sabe?

Congelei. Fiquei ali parada, olhando-a com boca seca enquanto pensava no que falar e no que tudo aquilo queria dizer.

— Co-como assim?

Seu olhar aguçou quando apertou as mãos juntas.

— Quero dizer que se você decidir ficar comigo, eu posso lutar para continuar com sua guarda, e acredite quando digo que Jared não poderia ganhar de mim — Ela explicou com firmeza — Mas se deseja permanecer sobre os cuidados do seu irmão, eu ficaria feliz em entregar a sua guarda para ele. Não estarei obrigando você a ficar comigo depois de tudo que passamos juntas durante esses dois meses. Eu me apaguei muito a você Harlow, e confesso que ficaria mais do que feliz se viesse morar comigo, mas isso não serve de nada se for a fazer infeliz... Portanto é sua escolha. — Apontou para o envelope em minhas mãos — Quer ficar comigo, ou continuar com Jared e Dana?

Tremula, eu cambaleei para trás até estar sentada novamente no sofá. Meu coração batendo como um maldito condenado enquanto tinha que encarar os olhos azuis de Amélia. Estava em um mundo de merda agora. Fato um: A tia que apareceu de repente na minha vida tinha se tornado quase uma mãe para mim. Fato dois: Jared era meu irmão, e eu o amava incondicionalmente assim como Dana, e deixa-los partiria não só meu coração, como o deles. E fato três: Eu tinha que decidir entre ficar com meus irmãos e minha tia, e ambos eu amava mais que tudo. Por que todas as coisas loucas aconteciam comigo?

— Querida — Amélia se aproximou e abaixou-se a minha frente, pegando minhas mãos e as beijando — Não quero deixa-la em uma batalha, mas não posso ir adiante com isso sem saber o que você quer. Então pense direito, vá para casa e converse com seus irmãos. Quando achar que pode me responder, venha. Estarei aqui esperando ok?

Não podia falar, portando apenas assenti e assisti ela saindo do escritório. Meus ombros caíram em exaustão e eu bufei, esfregando o rosto enquanto olhava para aquela carta judiciaria. Eu não poderia acusar Jared por tentar, era mais que óbvio que ele nunca permitiria que Amélia me levasse, mas de alguma forma eu sentia raiva por ele ter se movido tão rapidamente e sem me avisar.

Duas vezes, merda.

Deixando a carta na mesa de trabalho de Amélia, me virei e sai do escritório. Pude ouvir sua voz amena, como se estivesse falando no telefone, não querendo incomodar caminhei pela grande e bem mobilhada sala e sai de seu loft. Precisava limpar a cabeça antes de ir para casa falar com que realmente estava envolvido nisso, e o melhor lugar era a garagem de Jonah.

Sorrindo com familiaridade, me encontrei indo em direção à casa de Jonah, na esperança de encontra-lo lá para me liberar o espaço. Estava precisando da música para limpar minha mente, porque agora tudo que conseguia ver era uma bagunça descomunal, então era de se esperar que o restante do caminho tenha sido totalmente despercebido por mim, e só entendido que estava na porta de casa quando subi sua calçada. Por sorte eu não iria precisar bater na porta, pois assim que cheguei encontrei dois homens realmente lindos esfregando um Chevrolet picape preto. Em suas mãos tinha buchas e seus cabelos muitos diferentes estavam molhados.

Reconheci Luccas, o irmão mais novo de Jonah, no mesmo momento, apenas estava impressionada com o fato que ele parecia mudado desde a última vez que o vi no aniversário de vinte anos de Jonah. A cabeleira loira dele estava mais curta e aqueles braços definitivamente estavam mais fortes, com certeza ele havia encorpado em seus dezenove gloriosos anos.

— Muito trabalho garotos? — chamei sua atenção.

Ambos deixaram de esfregar a picape e me olharam, Jonah sorriu largo.

— Pirralha — Ele jogou a bucha no balde e se virou para mim enquanto colocava o cabelo azul para trás. — O que a trás aqui?

— Coisas, meu amigo de cabelo azul. Coisas — suspirei e fui até eles. Dei uma olhada em Luccas, que também me mirava com as sobrancelhas erguidas — Parece que você cresceu Luccas.

Ele piscou seus olhos azuis idênticos aos do irmão para mim, em seguida sorriu sedutoramente.

— Não foi somente eu pelo visto — Rolou os olhos por minha regada do Gans que Caroline me deu e os shorts que batia na coxa. Eu quase pude corar com a admiração que apareceu ali — Está mudada Harlow.

— Sim — Jonah interrompeu, e acertou um pano molhado no rosto do irmão mais novo — Mas não é para seu bico, idiota. Já tem dono.

Fiz careta para ele, e Luccas riu.

— Ah, quer dizer que o Jimmy tomou coragem? — Zombou. Eu me encolhi.

Jaime tecnicamente tinha tomado coragem, mas eu apenas não queria aceita-lo agora. Mesmo que ele estivesse sendo um adorável pé no saco.

— Não — Limpei a garganta quando notei Jonah abrir a boca para concordar — Estou com outra pessoa... Seu nome é Damien.

Luccas ergueu uma sobrancelha e trocou olhares com o irmão.

— Hum. Certo.

— Tudo bem, já chega — Jonah bufou — Vá lá na garagem e traga a mangueira. Se não terminarmos isso antes do pai chegar estamos ferrados.

— Agora mesmo — Acenou, e se virou para correr para a garagem. Jonah se voltou para mim novamente.

— Bem, agora me conte o que está acontecendo, garota.

— O que te faz pensar que tem algo acontecendo? — Me abaixei ao lado do balde e peguei uma das buchinhas, passei a esfregar as janelas enquanto Jonah sorria para mim com aquela inteligência que às vezes me irritava.

— Você só vem aqui, quando acontece uma merda e você precisa de um tempo sozinha para tocar. — Ele se inclinou sobre o teto e passou um pano úmido. — Pelo menos isso não mudou desde que você foi para Califórnia.

Com o cenho franzido fiquei na ponta dos pés para olhá-lo.

— Como assim, “Pelo menos isso não mudou”? — Indaguei confusa — Eu sou a mesma de sempre. Não mudei tanto assim.

Ele me olhou com simpatia.

— Desculpe, mas isso é uma grande mentira, marrenta — falou e alisou o capô da picape — Você está mais dura, mais confiante de si desde que nos vimos antes da viagem.

Apertei os lábios juntos, olhando ele fixamente.

— Bem, eu me sinto confiante — confessei, mas acrescentei — No entanto ainda sou a mesma Harlow.

Jonah deixou o pano e estreitou os ombros, fazendo seus braços tencionarem em uma visão muito boa para ver aquela tatuagem que tomava todo seu braço esquerdo. Uma cobra se arrastando até o pescoço.

— Não estou dizendo que isso a fez diferente de você mesma, Harlow. — disse suavemente — Pelo contrário, eu estou muito feliz que finalmente esteja segura de si e confiante por isso. É só que essa parte sua é nova para todos aqui. E nós meio que achávamos conhecer todas as suas faces, mas você tem mostrado que não é esse caso, principalmente com Jaime.

Mais uma vez, eu senti que meu rosto contorcia em uma careta.

— Por que estamos falando dele?

— Porque... — Ele se aproximou — Ele é nosso amigo. Por mais que você bata, xingue, e negue, ele sempre fez parte do grupo. Eu me preocupo com ele assim como me preocupo com você. O cara tem pagado pelo que fez, mas parece que isso não importa no momento não é?

Meus ombros caíram por um momento, mas eu me recusei sentir culpa por algo que não tinha papel.

— Ele pediu por isso — retruquei — Não sei por que todos de repente estão do lado dele. Será que você não se lembra de como ele me deixava e depois ia pegar outras garotas? Ou como ele quis me provocar namorando com Dana?

— É exatamente isso Harlow — Apontou ele — Ele namorou com Dana porque era o único meio de ter sua atenção. Você não respondia a ele como as outras mulheres e isso o irritava. Pare pensar um pouco, querida. Acha que alguém que tenta de tudo para irritar uma garota que supostamente odeia, apenas para tê-la prestando atenção nele é alguém que não se importa?

Larguei a bucha, sentindo a confusão de sentimento mais uma vez, e bufando eu balancei a cabeça.

— Esse é o problema Jonah — gemi contra frustração — Em todos os instantes, em todos os momentos, em todas as brigas e provocações, eu sabia que tinha algo mais. Eu sabia o que ele sentia, assim como ele próprio. E mesmo assim Jimmy nunca se deu o trabalho de me falar, de chegar a mim e dizer a verdade, ele preferiu jogar esse sentimento para de baixo do tapete e apenas colocar mulheres de diferentes rostos em cima dele como se fosse um troféu. Por mais que ele gostasse de mim, eu não importava. Assim como ele não me importa agora. Então me desculpa se vou magoá-lo, me perdoe se fazer isso vai preocupar o grupo e desculpe por ter me fechado tanto ao ponto que vocês não conseguiram conhecer todas minhas faces, mas eu não posso perdoá-lo apenas porque todos querem, é o meu coração, e agora ele está defensiva entende? — Minha voz falhou, e respirando fundo, eu esfreguei o rosto — Não posso fazer isso. É o que sobrou do meu coração que está em jogo, e não vou dá-lo de bandeja a quem não merece. Se ele quiser meu perdão, terá que fazer por merecer. E terá que fazer muito.

Jonah assentiu, e suspirando, voltou a esfregar a picape.

— Bem, então espero que ele saiba como quebrar uma rocha, pois é o que vejo quando olho em seus olhos — disse e sorriu — Parece que ele terá um trabalho complicado, não é marrenta?

Por mais chateada que estivesse eu sorri, e me inclinando na picape, assenti, ajudando-o a esfregar.

— Acho que sim — concordei — Um trabalho muito complicado.

~*~

Deixei a calçada de Jonah depois daquela conversa perturbadora. A vontade de tocar havia partido e agora tudo que eu mais queria era encarar Jared e resolver o fato da tutela. Já tinha pensado e repensado o que eu devia fazer, e em todos os momentos os rostos dos meus irmãos apareciam em minha frente como se para me lembrar que ambos fizeram de tudo e deram seu suor para cuidar de mim por todos aqueles anos depois que o papai morreu. Eles não mereciam serem deixados, mas ainda existia aquele desconforto em abandonar Amélia, que há muito estivera sozinha e solitária, nunca tendo alguém para fazer-lhe um carinho ou lhe dizer bom dia. O que séria dela se escolhesse ficar com Jared e Dana? Como ela suportaria a solidão naquela casa enorme?

Enquanto andava de volta para casa, senti o vento se agitar e soprar meus cabelos, agradecendo por pelo menos uma coisa na tarde ser realmente agradável de sentir. Ao chegar, eu lamentei que Damien tivesse saído com Caroline, pois encarar meus irmãos, sozinha, seria uma coisa extremamente difícil e que necessitava apoio.

Pelo menos quando entrei eu fui recebida com a alegria de uma pequena criatura preta, que vinha correndo da cozinha latindo e com sua língua para fora. Sorrindo, abaixei-me para pegar meu mais novo bebê, que a custo, tinha sido aceito por Jared dentro de casa.

— Vem querido. — Ele lambeu meus dedos e se aconchegou em meus braços quando levantei, sem nunca cessar na felicidade — É bom ver você também. Como foi que trataram você?

— Melhor do que ele me tratou — Jared saiu da cozinha em calça jeans e camiseta azul. Ele tinha uma careta profunda e quando olhei seu pé, entendi o porquê de seu mal humor.

Alguém parecia ter mordido seus sapatos.

— Tenho certeza que Slash adorou você — sorri de lado — Assim como seus sapatos.

Jad bufou e balançou a cabeça.

— Ainda não acredito que colocou o nome dele de Slash. E não acredito que aceitei isso dentro de casa — murmurou. Eu ri e fui até ele.

— Eu tinha que representar minha banda favorita, e o Slash é tudo de bom — Um sorriso pequeno estreitou em seu rosto quando beijei seu rosto — Dana não chegou para o almoço?

— Estará aqui em breve — falou voltando a cozinha — Então por que não me ajuda com a mesa?

— Claro — Deixei Slash no chão e o segui tentando permanecer com uma expressão despreocupada — Quando será que Dan vai conseguir um horário definitivo? Uma hora ela está trabalhando durante a manhã e depois à tarde e noite. Ela parece cansada Jad.

Meu irmão tomou aquela expressão cheia de preocupação enquanto desligava o fogo e abria as panelas de comida.

— Eu sei querida, mas parece que o escritório está passando por uma revisão de funcionários. Dana é uma das secretarias mais competentes e acho que eles estão testando o tamanho da disponibilidade dela — Fui até o armário e peguei três pratos para colocar sobre a mesa — Sabe como Dana é, ela não vai desistir do lugar dela.

— Ela é uma competidora obsessiva — falei e sorri de lado — Igual há você.

Ele riu alto.

— Você quer dizer igual a todos nós, certo? — Me olhou divertido enquanto organizava os talheres. — Somos todos muitos parecidos na questão de querer mais. — Sorri de volta, totalmente de acordo.

— De quem você acha que puxamos isso? — questionei, mas não o olhei nos olhos com medo de ele se sentir mal por mencionar algo sobre nossos pais, mas isso não aconteceu, pelo contrário. Ele sorriu e abriu a geladeira ao falar.

— Do nosso pai, claro. — Colocou a jarra de suco na mesa — Ele sempre queria ser melhor em tudo, e não suportava erros. Era interessante vê-lo perder a cabeça quando via você brincando com seus arquivos e planilhas, ele não sabia se admirava a doçura que era sua alegria ou se recolhia suas pastas de trabalho.

Ri de lado, me sentindo muito bem por vê-lo falar do nosso pai pela primeira vez, sem aquele olhar de tristeza. Em seguida o silencio se instalou aos poucos, mas não um desconfortável, pelo contrario. Quando nos sentamos para esperar Dan, eu sabia que aquele momento era apreciado por ele também.

Aos poucos, eu fui tomando coragem para perguntar algo.

— Jad? — chamei. Ele me olhou. — Acha... Que devo tentar ver nossos avós novamente?

Seus olhos estreitaram com surpresa e ele se inclinou para frente, colocando os braços na mesa.

— O que a fez pensar em ir? — perguntou sem responder.

Apertando as mãos, eu suspirei.

— É que quando estava na Califórnia, teve uns momentos com Amélia que me fizeram ver que estou sendo um pouco cruel com eles — Abaixei os olhos — Apesar do vô Mason ser parecido com papai, ele ainda é minha família... Amélia perdeu todos que amava e lamenta, enquanto eu me afastei dos que tenho só por causa da minha própria dor. É meio... Insensível. — Puxei a respiração — Você acha que eles aceitariam me ver de novo depois de tanto tempo?

A expressão dele foi tão intensa que eu não consegui me impedir de corar. Ele tinha um sorriso largo nos lábios e nos olhos um brilho de orgulho quase gritante. Ele se inclinou e arrastou a mão por cima da mesa, indicando para que eu colocasse a minha sobre a dele. Assim o fiz.

— Não sabe como sua decisão me faz feliz, querida. — Ele beijou minha palma — É claro que eles iriam gostar de vê-la. Em nenhum momento eles a esqueceram. Amanhã mesmo posso marcar uma visita no asilo, assim nós três podemos ir vê-los. Eu, você e Dana, que tal?

Sorri, apertando sua mão com ansiedade.

— Eu vou adorar. — Ele apertou minha mão. Nesse momento o som de saltos batendo no piso adentrou a cozinha e Dana apareceu ali, olhando-nos curiosamente.

— O que você vai adorar? —indagou.

Jared sorriu largo para ela.

— Harlow quer ver Mason e Adele — disse animado.

Os olhos cansados de Dana arregalaram e em seguida, ela estava ao meu lado, agarrando meu rosto e beijando minhas bochechas.

— Oh Deus. Isso é ótimo, meu bem! — Ela choramingou e eu ri, tentando afastá-la — Estou tão orgulhosa de você por querer tentar novamente.

— Acho que pode valer a pena — falei e fiz ela se sentar — Eles não tem culpa dos meus surtos, certo? — Ambos sorriram radiante, em seguida Jared se levantou para servir o almoço.

— Como está hoje, Dana? — Ele perguntou enquanto nos servia. Minha irmã suspirou.

— Cansativo. — lamentou enquanto remexia em sua comida, como se não estivesse com nem um pingo de fome — John tem sido mais exigente que nunca ultimamente.

— Mas não estão lhe tratando mal, certo? — Jared se empertigou quando finalmente sentou. — Dana...

— Está tudo bem Jad, é apenas parte do progresso dos funcionários. — Ela alisou a testa e suspirou, e eu não pude comer ao ver que ela parecia mesmo preocupada — Eles estão despedindo funcionários, nessas duas semanas três dos meus colegas se foram... Estou ficando preocupada.

— Fique tranquila, querida — Jared pegou sua mão suavemente — Nada vai acontecer. Você é boa no que faz.

— Mas não tenho um certificado. — lamentou — Eu percebi. Eles confiam mais naqueles que tem uma faculdade no histórico. Eu apenas fiz cursos de administração e estive por empresas de baixo porte, e se isso não contar para eles? John não reclama, mas... Estou com medo de ser a próxima ser mandada embora. E isso não pode acontecer justo agora Jared, complicaria nossa situação ainda mais com a tutela. — Congelei no lugar.

A menção da tutela me fez engolir em seco enquanto Jared apenas tentava tranquilizar nossa irmã.

— Nós vamos dar um jeito se isso vier à tona — falou e sorriu amistosamente — Não se sobrecarregue, não quero vê-la doente. E quanto à tutela de Harlow, nós ainda temos outros meios de ganhar. — Como é?

Olhei Jared fixamente.

— Que meios são esses? — Perguntei. Eles me olharam.

— Não posso falar querida, sinto muito, mas irá saber no tribunal — garantiu ansioso — Assim que ganharmos sua guarda farei de tudo para que Amélia não tente leva-la de novo. Acredite nisso.

Foram exatamente essas palavras que me fizeram enrijecer em minha cadeira e olhar Jared com uma camada grossa de desgosto. Ele não pareceu notar como o que ele disse me afetou, mas de qualquer forma não poderia guardar somente para mim, era sobre Amélia que estávamos falando.

— Mas e se eu quiser ir com ela? — questionei um minuto depois.

Os talheres dos meus irmãos foram soltos nos pratos e ambos me olharam com olhos arregalados.

— O que? — Dana engasgou, um pouco branca demais. — Harlow, o que está dizendo?

Tive vontade de me encolher pelo medo que veio da voz de Dana, mas não hesitei ao dizer.

— Eu... não queria ter que me afastar de Amélia — Molhei os lábios secos — E-eu aprendi a gostar dela, então... queria que ela ficasse ao meu lado e...

— Não — Jared empurrou a cadeira ao me interromper, se colocando de pé com uma expressão dura — Essa mulher não fará parte de nossas vidas. Ela nunca quis fazer, e assim que eu conseguir sua guarda, ela terá que se afastar.

— Mas Jare...

— Está encerrado Harlow — insistiu ele me cortando — Vamos deixar esse assunto enterrado, certo? — Ele não esperou resposta, só se virou e levou o prato com sua comida quase intocada para a pia.

Queimando por dentro, olhei Dana, e ela me encarava com olhos vermelhos e cheios de lágrimas, a preocupação a deixando tão frágil. Eu senti meus próprios olhos arderem quando minha língua coçou e meu peito apertou ao pensar em nunca mais ver Amélia ou sequer ver seu sorriso suave. Também me senti um pouco morta ao lembra do dia em que pulamos de paraquedas juntas, quando tivemos um tempo apenas nosso e que ali, eu pude ver como aquela mulher precisava de amparo.

Jared queria me separar dela. Mas eu não podia deixar isso acontecer, por mais que eu o amasse, por mais que eu não quisesse de forma alguma magoa-lo ou deixar aquela casa... Eu só não conseguia ver Amélia sobrevivendo àquela solidão. E eu não estava pronta para perder mais alguém. Talvez nunca estivesse.

Todos esses motivos só me incentivaram em levantar da cadeira e enfrentar meu irmão. Dana, que assistia cada um dos meus movimentos, finalmente deixou aquelas lágrimas caírem, se levantando também.

— Harlow, não faça isso — implorou para mim. Compreendi que ela já havia entendido, e como se pressentisse isso também, Jared virou-se, sua expressão carregada e contorcida quando falou meu nome.

— Harlow — Ele me olhou — Termine seu almoço.

Ergui o queixo.

— Não. — respondi.

Jared perdeu a cor do rosto.

— Você está dizendo não, para mim? — indagou mais surpreso que furioso — Harlow, o que está acontecendo?

— Não quero deixar Amélia, Jared — repeti — Ela precisa de mim.

Ele se tornou sombrio.

— Ela nunca se importou com você — rebateu nervoso. Eu engoli em seco, sentindo a punhalada dessas palavras.

— Isso não é verdade — falei com calma — Se você a ouvisse saberia que ela quer apenas uma companhia, uma família.

— Se ela quisesse uma família, teria ficado quando precisávamos dela — rosnou ele já mais irritadiço — Eu não posso acreditar que justo você, está cogitando nos deixar para ir morar com ela. Somos nós, Harlow, sempre fomos só nós!

— Sim, mas enquanto tínhamos um ao outro ela teve que enfrentar as coisas, sozinha— tentei fazê-lo entender — Ela estava completamente sozinha, Jared.

— Estava, porque ela quis assim — Sua voz aumentou uma polegada e Dana tremeu aonde estava, os olhos pulando de um lado para o outro — Não venha tentar me fazer sentir pena dela, porque não vai funcionar!

Balancei minha cabeça freneticamente e coloquei as mãos para frente.

— Não é pena Jared, quero fazê-lo entender que não é uma despedida. — Dei um passo mais até ele — Eu vivi tanto com vocês e amo os dois. São meus irmãos e nunca vou esquecê-los, fazem parte de mim para sempre. Mas Amélia... Nós começamos a conviver agora, e queria continuar a conhecê-la mais, pois me sinto bem ao lado dela, é como se... — Hesitei.

Dana fungou.

— Como se o que? — indagou. Eu a olhei.

— É como se tivesse encontrado uma mãe nela. — Completei. — A mãe que eu não tive...

— Pare — Jared sussurrou de cabeça baixa e inclinado contra a pia, seus ombros caídos como se algo os forçasse para baixo. — Apenas pare de falar.

Isso machucou, e eu tentei tocá-lo.

— Jared... — Ele saiu do meu alcance, e quando seus olhos encontraram os meus, meu coração se partiu ao ver que estavam nublados com lágrimas, seus lábios duros formava uma linha reta.

— Nunca mais... Compare ela com nossa mãe — falou com a voz tremula — Amélia em nada se parece com ela. Amélia nunca foi alguém que eu pudesse me apoiar, ela não foi à tia que eu gostaria de ter, e ela não foi a pessoa que eu quis um dia voltar a ver... Então não faça isso. Não fale que ela pode substitui-la, porque não pode. Mesmo que não tenha a conhecido.

— Isso não é questão de comparação Jared — disse o olhando firmemente — É questão de carinho e afeição. Amélia errou antes, mas todos nós o fazemos, e como você ressaltou, eu não pude conhecer minha mãe, aquela com o nome Hope. A única imagem materna que eu tinha como mãe era o rosto de Amélia... E agora ela tem sido boa o suficiente para eu dizer que sim, ela é quase minha mãe. — Virei-me para minha irmã — Sei que me criou como filha, e agradeço, mas você ainda é minha irmã. Meu melhor exemplo de irmã mais velha.

Ela abaixou a cabeça e suspirou.

— Mas não um bom exemplo de mãe? — Indagou ferida.

Eu fui até ela, pegando suas mãos com força.

— Não é nada disso, Dan. — disse sinceramente — Você apenas não tinha uma idade enorme para realmente ser minha mãe. Eu lhe considero muito, não sabe o quanto, eu te amo. Mas sua parte materna não foi feita para mim, e sim para quando seus filhos e filhas nascerem. Então não fique chateada, não te coloco a um patamar abaixo de Amélia, pelo contrário, ambas estão no mesmo, mas exercendo lacunas diferentes. Significados diferentes.

Seu rosto se levantou e ela fungou mais uma vez, esfregando os olhos quase como uma criancinha.

— Não quero que vá embora — choramingou — Não pode ir embora Harlow.

— Hey — Alisei seu rosto e em seguida a abracei, agarrando sua cintura e deitando em seu peito — Nada vai mudar. Posso fazer visitas durante todos os meses.

— Visitas?! — Eu tive que fechar os olhos com o tom cru que veio da voz de meu irmão — Você quer nos fazer visitas? Depois de tudo que tentamos... Está pedindo que eu desista de sua guarda. Que desista de você?

Lentamente, me soltei de Dana, e ao virar, eu tomei fôlego e coragem, em seguida o mirei.

— Sim Jared. — disse — Eu quero que faça isso.

A boca de Jared caiu. Eu pude ver que eu estava o ferindo mais do que em qualquer momento que passamos juntos, mas eu não conseguia voltar atrás, alguma coisa na ideia de deixar Amélia me fazia temer por sua vida. Então apenas esperei por suas falas, e quando essa não veio, eu fiquei tensa, e tudo piorou quando ele caminhou até mim e então parou.

Sua mão se encaixou em minha mandíbula, me deixando absurdamente surpresa, em seguida seu polegar acariciou a bochecha, um carinho tão familiar, mas que carregava uma magoa tão grande.

Ele ergueu meu rosto, para que olhasse nos seus olhos.

— Escute o que eu vou falar agora — disse suavemente, nunca deixando meu olhar — Eu nunca vou desistir de você. Mesmo que me implore, eu continuarei com esse pedido sobre a sua guarda, lutarei com Amélia porque você é minha irmã — Seus olhos brilharam com lágrimas, essas escorreram por suas bochechas, fazendo com que as minhas próprias escorressem quando arrependimento torceu meu coração — Eu peguei você no colo, eu troquei suas roupas e dei banho, eu levantei na noite para fazê-la dormir, eu a levei para escola e fui às suas reuniões. E somente eu dei suas injeções e cuidei quando estava doente. Não ela. Você não é dela, é minha. Minha filha, minha família... Somente minha entendeu?

E assim eu já me encontrava soluçando, olhando com nada mais que satisfação, mas quando eu pretendia abraçá-lo, ele se afastou e fechou os olhos, dor marcando suas feições quando se virou e partiu para fora da cozinha. Apertando os lábios eu olhei Dana, que tinha uma boca aberta e bochechas rosadas, e em seguida rapidamente corri atrás dele pelas escadas, no entanto não cheguei a tempo. Ele se trancou no quarto antes que eu o alcançasse.

— Jared, abra a porta! — gritei, batendo na madeira — Por favor, Jad.

— Saia Harlow — Ele falou de dentro, e como sua voz não estava alta distingui que estava encostado na porta. — Só me deixe pensar.

— Mas...

— Eu disse saia — Foi mais duro — Por favor... Por favor.

Eu me afastei da porta, apertando as mãos em punho e controlando minhas emoções. Não dei muitos passos sem bater com Dana novamente, que estava encostada contra a porta do meu quarto, seu nariz vermelho e os olhos profundos escurecidos.

— Então é isso que quer? — questionou — Vai embora com ela?

Me encostei ao seu lado, olhando para o teto.

— Tente me entender.

— Eu estou tentando — confessou acabada — Mas está tão difícil Harlow. Está muito difícil mesmo. — falou, e se afastou, indo em direção as escadas — Estou voltando ao trabalho, deixe Jared descansar. Ele precisa depois de tudo. — E sumiu.

Finalmente, eu me permitir liberar as correntes que me mantinham em pé, e lentamente eu deslizei contra minha porta até o chão, sentindo as lágrimas caírem de acordo com os soluços que passavam por minha boca. Era bobo, na verdade eu nem devia estar chorando, não merecia me aliviar depois da dor que fiz meus irmãos passar, não merecia soltar aqueles soluços em busca de um conforto, eu tinha feito aquilo acontecer. A culpa era todo e completamente minha.

Abraçando as pernas, eu permaneci ali, olhando para porta do quarto do meu irmão, desejando que ele saísse para falar comigo, mas ele não o fez. As horas se passaram e nada, o corredor ficou escuro e nada, Dana chegou em casa novamente, e nada. Nem uma pista sequer.

— Não pode ficar ai para sempre — Dan falou quando chegou e me encontrou sentada no chão. Slash veio aos seus pés, mas depois trotou até mim com seu nariz farejando-me com avidez. Apertando os lábios, o puxei para dentro de meus braços.

— Ele não comeu nada ainda — disse com preocupação me referindo a Jared — Ele não vai sair para fazê-lo.

Dana suspirou, e deixando sua pasta de trabalho no quarto, ela se abaixou em minha frente e me olhou.

— Eu vou tentar falar com ele, mas precisa se levantar — Estendeu uma mão para mim, eu hesitei — Vamos querida, não adiantará você ficar aqui esperando ele sair. Pode resolver isso depois, mas agora, vá dormir.

Eu sabia que ela estava certa, mas estava tão preocupada que quase cogitei arrombar a porta do quarto de Jared, e se não funcionasse poderia ligar para Jodie perguntando sobre alguns explosivos... Fiz careta sobre o pensamento. Estava começando a ficar desesperada demais.

— Promete me chamar se ele precisar? — Perguntei. Ela assentiu.

— Eu prometo — garantiu.

Encarei mais a porta dele, começando a cogitar mesmo a ligar para Jodie, mas o pensamento se foi ao lembrar como ele implorou que eu fosse embora. Por favor, ele havia dito. Por favor.

— Tudo bem — agarrei sua mão e permiti que ela me levantasse — Mas irei entrar lá amanhã, mesmo que tenha de colocar a porta a baixo.

Dan tentou sorrir, mas não foi um grande sucesso.

— Ok. Agora vá dormir, Damien ligou dizendo que passará a noite com Car na casa de Linnea, então não se preocupe. — suspirei.

— Claro — Dei uma última olhada na porta de Jad e então nela — Boa noite, Dana.

— Boa noite, Harlow

Entrei no quarto com os olhos baixos e com Slash aos meus pés, ele se remexia, mas quando fechei a porta começou a latir de repente, o nariz para cima como se sentisse o cheiro de alguém não muito querido. Fiz careta.

— Quieto Slash! Não quero brincar agora — falei, e em meio à escuridão do quarto, eu ergui os olhos.

Acho que eu tomei o susto do século quando tive a consciência de uma luz piscando sem parar em meu rosto. Olhei a parede em que minha cama era encostada, e quase perdi a maldita língua.

Havia pétalas de rosas brancas por toda parte na minha cama, e elas se destacavam perfeitamente bem no lençol preto. Na parede lisa, pequenas luzinhas brilhavam em sincronia e formando a palavra SINTO MUITO. Meu coração saltou, e quando me aproximei da cama e liguei o abajur, encontrei um envelope idêntico ao que tinha no buquê que Slash destruirá ontem, o que quase me fez tombar para trás.

— Oh Deus, ele não fez isso — murmurei pasma.

Peguei o pequeno envelope e abri, sentando-me na cama para ler.

A primeira tentativa foi um desastre, mas a segunda com certeza não será.

Uma boa noite minha pequena.

Bons sonhos. Seu Jimmy.

— Cacete — Minha voz temeu.

Todo meu corpo vacilou quando voltei os olhos para as luzes verdes e amarelas, um sentimento diferente de dor se apossando do meu peito quando alisei os dedos sobre as cobertas da minha cama, balançando a cabeça para a merda que esse garoto estava fazendo.

— Não posso acreditar.

Mordendo os lábios, impedi que um sorriso viesse a emergir em minha face. Se eu sorrisse queria dizer que ele ganhou, certo? Mas ele não ganhou. Nada é tão fácil assim, nem mesmo para ele.

Virando os olhos, me deixei cair na cama de costa, pensando se aquilo era ou não um sonho muito louco. Foi nesse momento, que eu tive mais uma surpresa.

— Ai, meu Deus! — Meus se arregalaram, e inesperadamente senti o riso borbulhar para fora da minha boca enquanto olhava para o teto.

Não pude conter. O maldito infeliz havia invadido meu quarto, espalhado pétalas de rosas na cama e plantado luzes pisca-pisca na minha parede, e, além disso, colado uma foto gigante em meu teto.

Olhei com humor para a fotografia que ele havia tirado no dia em que Amélia apareceu em nossas vidas, ele estava tentando me distrair e por isso havia lambido meu rosto e tirado a foto ao mesmo tempo. Agora, mordendo a unha loucamente, encarei o grande cartaz, completamente desacreditada.

Jimmy com certeza era louco. Tolamente pirado.

Quase como pressentindo minha surpresa, meu celular tocou e seu nome brilhou na tela.

— Eu não posso acreditar que fez isso — falei assim que atendi.

Sua risada suave fez coisas estranhas com meu estômago,

— Espero que tenha gostado, deu um pouco de trabalho arrumar uma escada para subir sua janela. — Prendi a unha entre os dentes com mais força, olhando para o rosto dele na foto e para minha careta, começando a perceber que eu realmente quase sorri por causa daquele ato nojento.

— Você é um idiota. — falei me levantando — Eu ainda não te perdoei. — ressaltei, apenas não sabia se falava para ele ou para mim mesma.

— Isso quer dizer que ainda tenho muito trabalho a fazer — disse, e fiquei intrigada por ele parecer até ansioso — Será um prazer cortejá-la, minha pequena garota.

— Eu vou te acertar quando te ver — ameacei, ele gargalhou.

— Não vejo a hora, querida. — Me aproximei da janela e afastei a cortina; Apertando os olhos, eu pude ver a cabeleira loira dele do outro lado da rua, seu rosto se sobressaindo por causa daquele sorriso que mandava em minha direção — Boa noite, Harlow.

Cansada demais de implicar, suspirei, e olhando-o acenar uma mão, sussurrei de volta.

— Boa noite, Jimmy — E desligando o celular, dei uma última olhada nele e seu sorriso sedutor e fechei as cortinas, para em seguida me encostar na parede e bufar.

Slash latiu.

— Por que ele precisa fazer isso comigo? — perguntei ao filhote — Por que ele consegue ser tão fodidamente bom em tudo? Isso não é justo!

Não, não era... E isso só me irritava mais. Ou... Divertia.

~*~

Notas finais
Estou louca para saber a reação de vocês, sério. E esperem, pois próximo cap renderá mais emoções kkk Próximo cap tem foto dos gêmeos Levesque (Damien e Caroline).