Rude Girl

25 Capitulo 25 — Reencontro


Notas iniciais
E hoje eu tenho uma surpresinha no final kkkk Vcs vão surtar quando acabarem de ler. Aposto. Vão lá e divirtão-se.

(Pov’ Harlow)

A viagem de avião havia sido cansativa, mas apesar do sono pesando em minhas pálpebras eu não pude fechar os olhos uma só vez. Ansiedade fazia-me olhar para o celular sem parar, e meu dedo sempre vagava até a galeria para encontrar aquela imagem. Aquele rosto.

Não tinha visto o rosto de Jimmy desde que brigamos pelo telefone quando mudei para Califórnia, e fazê-lo agora fazia que uma sensação de pesar e ódio revirasse meu estômago. Durante dia desejei que ele me ligasse antes que voltasse para Princenton, desejei que ele tomasse uma atitude e dissesse que sentia muito. Isso não aconteceu, e agora, depois de dois longos meses, eu estava de volta à minha antiga casa, olhando para meus amigos e para uma faixa de “Seja bem-vinda de volta” na cor branca com notas de músicas de todas as cores possíveis.

Sabia que meus olhos marejavam quando olhei os rostos sorridentes um por um e sabia que todos me olhavam com choque, mas não importava. Nada importava enquanto olhava tudo aquilo, e eu quis que continuasse assim, porém nada é perfeito na vida de alguém. Reconheci no mesmo instante a mão que se circulou a minha e sorri, olhando Damien com gratidão.

Não pude me separar dele assim tão de repente, então pedi que viesse comigo depois de conversar com Amélia sobre comprar sua passagem. Ela não negou e até ofereceu o apartamento que ela alugou aqui por perto para que ele dormisse, porém eu recusei, alegando que ele dormiria na minha casa. Algo que Jared não gostou de imediato.

Franzi o cenho quando um movimento inusitado chamou-me atenção, e quando rolei os olhos por cima do ombro de Jonah e Lizze, eu pude vê-lo novamente. E bom Deus. Ele não havia mudado em nada, seu cabelo continuava a mesma confusão tentadoramente suave, seus braços descobertos sua camisa regata parecia mais em forma, mas fora isso, Jimmy estava lindo e... Bravo?

Seus olhos pareciam queimar em cima de mim, eram como duas tochas em chamas enrijeceu todo meu corpo.

— Harlow! — Fui impedida de continuar olhando sua expressão furiosa ao ser atacada por braços e beijos distribuído no rosto — Oh, Deus, como senti sua falta.

Eu ri, tentando afastá-la do meu rosto.

— Dan, por favor, vá com calma — Disse, mas em seguida puxei a morena para meus braços novamente — Também senti sua falta mana.

Ela me apertou tanto que quase fiquei sem fôlego.

— Dana, quero apresentar-lhe meu... — hesitei, decidindo o que iria falar enquanto fitava os olhos de Damie, ele encarou de volta, como se sabendo o porquê da minha dificuldade.

Ele se adiantou com seu lindo sorriso e pegou a mão da minha irmã.

— Sou Damien, talvez queira me ver como namorado de Harlow — falou. E foi como se alguém tivesse puxado o fúsil da caixa de força, pois de repente tudo ficou quieto como se tivesse acabado a força de todo o quarteirão.

Dana encarava-nos com os olhos arregalados.

— Na-namorados? — Me fitou de escanteio — Não me disse que estavam namorando.

Senti que ela queria dizer. “Que porra de história é essa de namorado?”

— É uma coisa complicada. — murmurei, incomodada por saber que os olhos de Jimmy assistiam tudo que eu falava e fazia, sua atenção em mim era impossível de não ser notada.

— Mas... Jared! — Dan gaguejou em incredulidade ao meu irmão. Esse bufou enquanto passava com minhas malas até a escada.

— Eu não sei nada sobre isso ainda, prefiro pensar nisso amanhã ou pegarei a espingarda do nosso pai agora mesmo — E resmungando para si mesmo sumiu nas escadas. Eu ri, começando a me recordar como estava com saudades daquele meu irmão rabugento e resmungão. Revê-lo assim que sai do avião pareceu uma das melhorares coisas desde que pousamos.

Eu caminhava com o braço de Damien em meus ombros a minha esquerda, enquanto Amélia olhava para seu passaporte a minha direita. Eu passeava com os olhos avidamente pela multidão, mas eu apenas o encontrei quando capturamos nossas malas da esteira. Primeiro eu vi um punhado de cabelos escuros como a noite, depois o dono desses cabelos se virou, arrastando pela mão uma mulher com cabelos louros soltos.

Ao meu lado, Damien se refreou, os olhos capturando a imagem de sua irmã em imediato.

— Caroline — suspirou. Eu já não conseguia fazer o mesmo.

Sorrindo, soltei-me dele e corri para meu irmão, aquilo nunca pareceu tão certo na minha vida.

— Jared! Jad! — Eu gritei empolgada e circulando as pessoas a minha volta. Ele me encontrou e abriu aquele sorriso que somente ele podia dar, os olhos suavizando quando abriu os braços para me apanhar.

— Harlow. Ah, querida, que saudades — Suas mãos espalmaram em meu cabelo e acariciaram os braços, me tirando do chão enquanto me apertava — Deus, eu nunca fiquei tão aliviado por abraça-la.

— Eu senti falta de ser abraçada por você — murmurei em seu ombro. Ele riu suavemente.

— Não lhe soltarei mais. — Beijou minha testa — Prometo querida.

Eu suspirei, olhando no fundo de seus olhos e vendo a verdade de suas palavras. Eu não sabia se era algo bom ou ruim, no entanto não pude decidir, pois Amélia se aproximou de nós cautelosamente.

— Olá Jared — falou. A expressão feliz do meu irmão murchou até virar uma carranca, o que me fez muito incomodada.

— Como vai Amélia — Ergui a sobrancelha por conta de seu tom duro, acho que até mesmo Amélia notou que havia um algo mais quando Jad a olhou.

— Vou bem meu sobrinho — Estreitou os olhos — Algum problema?

Jared nada disse, ao invés disso balançou a cabeça e voltou a beijar minha cabeça,

— Vamos para casa — falou, mas quando nos viramos, encontramos outra cena.

Caroline era cercada pelos braços musculosos de Damien enquanto ele a apertava por inteira. O sorriso estreito de Car era de pura surpresa e felicidade ao passar as mãos pelo o rosto do irmão, que olhando agora, era tão parecido com o seu.

— Me deixa adivinhar — Jad sorriu de lado — Esse é seu irmão.

Caroline olhou Jad prendendo as lágrimas, e fungou.

— Sim. É ele — Olhou para Damien e suspirou — Por que não me avisou que vinha? Podia me preparar para isso.

Damien piscou para ela, agarrando sua cintura ao falar.

— Que graça teria maninha? Sabe que gosto de impressionar — falou, e ela riu, permitindo que ele a abraçasse. Damie me olhou e depois voltou-se para meu irmão novamente — Antes de mais nada, queria me apresentar como o namorado de Harlow. É um prazer conhece-lo Jared.

Ele estendeu a mão. Acho que meu irmão nunca ficou tão branco quanto naquela hora, com certeza eu vi seu sangue se esvaindo do seu rosto até ele estar totalmente pálido.

— Namorado? — Questionou rouco.

Eu sorri, já esperando essa reação e contei a até dez para que ele explodisse, mas quando minha contagem encerrou, Car estava ao lado dele e descansava uma mão em seu ombro gentilmente.

— Que tal resolvermos isso depois? — sugeriu lentamente e olhou fixamente para meu irmão — Vamos Jared, podemos conversar sobre isso depois certo?

A careta do meu maninho se desmanchou e no instante seguinte ele estava assentindo e segurando a mão de Car. Eu fiquei chocada quando ele apenas pediu para segui-los e arrastou as malas. Eles passaram por nós enquanto Damien sorria para minha cara de espanto.

— Isso não é normal. Não mesmo — murmurei incrédula.

Damien riu.

— É o poder dos Levesque, todos se apaixonam por nós — Zombou empinando o nariz. Acertei seu peito — Hey!

— Não seja idiota.

— E você não seja bruta, caramelo — resmungou.

Virando os olhos, eu segui meu irmão e sua nova namorada para o carro, pois vamos combinar que se não existe uma confirmação para eles em breve iria existir. No caminho para casa eu comecei a estranhar o fato de Dana não estar com eles, porém compreendi tudo ao entrar em casa. Uma surpresa. Eles não podiam ser mais perfeitos.

— Eu não acredito que fizeram tudo isso — falei tentando desviar a atenção deles de Damien, que tinha uma sobrancelha erguida. Soltei sua mão e caminhei até a mesa, ignorando o fato que Jimmy estava recostado na parede ali perto — Está tudo lindo!

— É tudo para você. Nós sentimos saudades! — Lizze se aproximou com um sorriso esticado, e abriu os braços — Vizinha!

Gargalhei e fui para dentro dos braços da loura metida. Como se tivessem planejado, todos circularam a mim dentro de uma roda, tirando minha toca e bagunçando meu cabelo, me vi em uma confusão eterna e estava feliz por isso.

— Meu Deus, estou mesmo vendo a Jodie de vestido? — perguntei meio rindo.

A garota resmungou e apontou para Caroline, que estava observando tudo ao lado do irmão.

— É culpa dela! — Jodie grunhiu — Eu nunca mais deixo você escolher minhas roupas.

Car sorriu suavemente.

— Mas você está linda.

— Foda-se Caroline — resmungou, e nós rimos. Seus olhos então encontraram Damien. — Então você está aqui.

Ele sorriu para Jodie e a mirou cautelosamente, eu sabia que estava mais focado nas cicatrizes do que no corpo dela, pois ainda me lembrava como ele reagiu quando contei sobre Edgar. Claro que Liam também notou, pois fechou o rosto e puxou sua garota para perto.

— Eu vim deixar a vida de Harlow um pouco mais feliz — Damien falou estudando o rosto marcado de Liam, depois virou para Car — Ver minha irmã foi um bônus.

— Vocês são mesmo muito parecidos — Stefany olhava deslumbrada.

Os gêmeos se olharam e sorriram.

— Somos mesmo — falaram.

— Pessoal! — Dana entrou a nosso meio batento palmas — Eu sei que todos estão super curiosos com o novo namorado da minha irmãzinha, mas vamos fazer as coisas da maneira certa, sim? Não haverá cadeira o suficiente na mesa, então Liam e Jonah, tragam meu sofá para baixo de novo e Stefany e Lizze, venham me ajudar com a comida. Os outros fiquem a vontade. — Damien deu uma risadinha atrás de mim, e quando o olhei ele observava minha irmã com curiosidade.

— Ela é sempre assim tão... Brilhante? — perguntou. Ergui uma sobrancelha.

— Se com brilhante você querer dizer, mandona, acho que a resposta é sim.

Enquanto os garotos faziam a mudança, eu franzi o cenho ao perceber que Amélia estava afastada de todos apenas olhando nossa interação, e percebi que ninguém parecia querer puxar assunto com ela. Uma tristeza intensa fez-me suspirar enquanto ia até ela, essa sorriu de lado ao finalmente ser notada.

— Não quer ficar comigo para se enturmar? — ofereci — Posso apresenta-la aos meus amigos.

Gratidão brilhou em seus olhos e ela pegou minha mão.

— Não a necessidade disso, querida, vou indo para o motel que vou me hospedar por esse tempo — Espiou por cima do meu ombro e sorriu — Você tem uma festa para cuidar e amigos para conversar. Não tenho muito o que fazer aqui.

— Mas... nós acabamos de chegar. — lamentei — Não quer dormir aqui?

— Talvez em outro dia meu anjo, hoje você precisa estar entre amigos e família — disse. Eu suspirei.

— Você também faz parte da família — objetei. Ela riu, e acho até que continha lágrimas nos olhos.

— Agradeço pelo carinho, você também é minha família — Se aproximou e me abraçou, acariciando meu cabelo como sempre fazia — A mais preciosa. — Sussurrou. Sorri e fechei os olhos, e devagar a acompanhei até a porta.

— Já vai? — Jared apareceu atrás de mim com uma expressão seria.

Amélia se virou.

— Não acho que seja bem-vinda aqui — disse com tristeza, esperei que meu irmão negasse, mas ele apenas olhou-a, como se esperasse que saísse e fosse embora.

Olhei-o com ressentimento e depois virei para Amélia, mas ela já caminhava até um taxi, que obviamente tinha chamado antes de conversarmos.

— Tia! — chamei, ela virou e sorriu.

— Tudo bem querida, fique com seu irmão. Nos veremos amanhã — E com um aceno, ela entrou no taxi e partiu.

Me virei para Jared com uma careta, uma que ele com certeza entendeu, pois bufou.

— Harlow...

— Não seja tão cruel com ela — cortei-o com insatisfação — Ela é nossa tia, Jared, e ela sofre por ser rejeitada dessa forma por vocês. — O cenho dele franziu com os lábios apertando.

— Ela levou você de mim.

— Não! — retruquei — Eu fui porque você pediu! Então não coloque a culpa toda nela, pois agora ela tem quem a proteja.

E tomando nota mais uma vez de sua expressão chocada e pálida, eu suspirei e voltei para dentro da casa. Não gostava de brigar com nenhum dos meus irmãos, mas não estava indo a deixa-los maltratar Amélia, pelo menos não mais.

Colocando um novo rosto eu voltei à sala, e sorri para gritaria que me envolvia. Dana e Lizze colocavam a mesa, enquanto Jack era atingido pelo pano de prato de Stefany por tentar pegá-la por trás. Liam e Jonah estavam sentados no sofá com um prato de comida enquanto Jodie falava algo com Damien e Caroline. Todos trabalhavam em se enturmar, menos ele.

Não. Jimmy tinha se isolado ao lado da janela e olhava fixamente para fora, as mãos juntas e a testa franzida. Os cabelos estavam tão bagunçados, o que me fez pensar que ele tinha alisado por muitas vezes no dia, entregando seu nervosismo ou insatisfação. Aproveitando sua falta de atenção, permiti que meus olhos explorassem além dele e se deliciasse com o que me foi negado antes de partir. Jimmy estava tão bom como sempre.

Sua estrutura magra estava apoiada contra a janela e o rosto distraído se encontrava tenso, aquelas linhas irregulares em sua testa podiam ser consideradas bonitas. Como ultimamente tentava impedir, meu coração deu um salto quando corri a vista por seus braços de nadador, depois pela linda e perfeita bunda que era coberta pelo jeans. Poderia olhá-lo para sempre, mas era orgulhosa demais para admitir até para mim mesmo que ainda era atraída por aquele cara, por aquele corpo.

Como se sentisse minha recusa mental, Jimmy virou o rosto e seus olhos encontraram os meus ao mesmo tempo, eles pareciam suaves, mas tristes. Uma corda dentro de mim se partiu e quase fui até ele, mas aquela parte segura e totalmente dura não permitiu que eu movesse as pernas em sua direção, apenas fiquei ali, olhando-o sem um pingo de medo ou compaixão. Seus ombros encolheram, mas no mesmo momento em que ele entendeu que eu não cederia, algo mais cintilou em suas íris, e se não fosse burra, podia jurar que era uma mistura de convicção e desafio.

Desafio. Por que ele estava se sentindo desafiado?

— Hey, Harlow! Conte para nós como você de repente, voltou uma gostosona — falou Lizze me puxando a atenção que tinha em Jimmy.

Sorri amarelo para eles enquanto me aproximava.

— Estou fazendo dieta e Amélia me ajudou com a academia — Tentei ignorar os olhares de desgosto deles ao falar da minha tia e acrescentei — Damien também me ajudou bastante.

— Pois fez um ótimo trabalho — Minha irmã me circulou e tocou duas veze minha barriga. Eu ri me afastando — Está durinha mana.

— Não seja idiota Dan.

— Estou falando serio! — protestou. Stefany e Lizze pularam ao lado dela com copos de refrigerante.

— Ela está corada — Stef apontou com um sorriso ao afastar a blusa do meu ombro — E seu cabelo cresceu muito.

— Nossa Harlow parece ter crescido pessoal — Jonah zombou do sofá — Como será que é cuidar disso tudo em uma praia?

Damien gargalhou ao lado, me olhando de escanteio.

— Muito difícil, mas não acho que eu trabalhei muito. Ela espanta os garotos que nem espanta moscas — brincou e eu tive que acertá-lo com a almofada.

— Não seja assim tão cruel.

Ele piscou e jogou um beijo para mim.

— Apenas a verdade, caramelo — murmurou. Eu virei os olhos, mas achei ter ouvido um ruído atrás de mim.

Jimmy havia finalmente saído da janela, mas fuzilava Damien com olhos de fogo.

— Do que você a chamou? — Questionou, e eu arregalei os olhos por nunca ter visto Jimmy ficar vermelho de raiva. A sala voltou ao silencio enquanto Damien direcionava seu olhar tranquilo para Jimmy como se ele fosse apenas uma formiga tentando subir seu braço. Entendi que aquela altura ele já tinha sacado quem era o homem que o mirava como se quisesse arrancar-lhe a pele.

— Isso importa para você? — Damie perguntou com sobrancelha erguida. Eu e todos ali prendemos a respiração.

— Dan, que tal nós irmos dar uma volta? — Caroline perguntou olhando de um para outro, pela primeira vez eu vi aflição em seu rosto — Gostaria de falar com você.

— Podemos falar mais tarde mana — Damie sorriu docemente para ela e tocou sua mão — Quero continuar contando a todos como eu e Harlow nos aproximamos. Não é caramelo? — Foi minha vez fuzilar meu “namorado” idiota. Não compreendia o que ele tramava, mas sabia que nada de bom sairia daquela conversa. E considerando a forma como Jimmy fechou as mãos em punho quando Damien simplesmente me puxou para seu colo, poderia dizer que em breve teríamos uma luta livre em meio a sala de casa.

Acho que nunca fiquei tão feliz por Jared aparecer justo nesse instante. Ele parou, olhou para todos e franziu o cenho pelo silencio, depois de uns instantes entendeu a troca de olhares dos garotos e fez careta.

— O que está acontecendo?

Ninguém respondeu. Eu também não poderia.

Percebendo que ninguém abriria a boca, ele olhou para o que parecia mais alterado.

— Jaime? Pode me dizer o que está havendo?

Jimmy pressionou os lábios e respirou fundo. Balançou a cabeça e deu um passo para trás.

— Nada. — respondeu duro — Nada.

E com os olhos baixos ele virou e saiu da sala. A porta se fechando foi à única coisa que ouvi depois. Stefany se afastou de Jackson sem graça.

— Eu... Vou falar com...

— Não — Dana a interrompeu e jogou o pano para a mesa — Deixa que eu vou. Não irei demorar — Ela olhou Jared nos olhos — Cuide de tudo. — E saiu.

Senti-me fria por dentro quando percebi que minha irmã tinha ido atrás de Jimmy. Claro que ela iria. O chão parecia o melhor lugar para eu olhar em seguida, e depois de um segundo o braço de Damien serpenteou em minha cintura ele sussurrou algo como: Tudo bem? Eu assenti com a cabeça e nada mais disse.

Como Dana pediu, Jared tratou de recomeçar uma conversa envolvendo a minha estadia na Califórnia, a partir dai todos recomeçaram a falar deixando aquele clima chato para trás. Duas horas depois todos comiam e eu quase não pude disfarçar como eu estava curiosa para saber o que minha irmã fazia com Jimmy e o porquê de sua demora. Ninguém comentou sobre esse fato e continuaram alegres até que chegou o momento em que Eloise me puxou para a velha poltrona de Jared e me fez sentar para abrir presentes.

Eu não conseguia acreditar que até mesmo isso eles ousaram fazer. Era uma montanha só deles em um canto da sala e cada um aberto eu ria mais.

— Esse dai é meu! — Jonah ergueu o braço orgulhoso.

Eu sorri e desembrulhei o pequeno pacote quadricular, dentro tinha uma caixa com listras rosa e quando a abrir comecei a rir.

— Oh, Deus. Jonah — Tirei a caneca de café de dentro e li o que havia escrito — Existem dois tipos de mulheres. As que me amam e as que não me conhecem. — Uma porção de vaias veio dos outros e Jack deu um tapa na cabeça de Jonah, eu sorri e peguei seu bilhetinho — Seja bem-vinda de volta a banda garota, em breve estarei lhe mostrando o que é comemorar de verdade. Espere completar a maior idade primeiro.

— Eu ouvi isso — Jared resmungou do sofá com Caroline. Eu gargalhei e Jonah se escondeu.

— Nada disso foi real mano, está ouvindo coisas — Ele falou.

O próximo presente era maior e com o embrulho decorado com flores, erguendo uma sobrancelha olhei para Lizze.

— Esse deve ser seu— A louia sorriu largo.

— Com certeza. É algo que eu notei que você precisa, como toda mulher normal.

Curiosa, resguei o embrulho e olhei para o que tinha dentro da caixa. Eu quase me afoguei em risadas.

— Oh Deus, Lizze, é perfeito! — Tirei o pequeno baú trabalhado em madeira e virei para que os outros lessem a plaquinha.

A SALVAÇÃO!

TPM: TREINADA PARA MATAR.

E quando abri a caixa estava cheia de chocolates e balinhas doces. As meninas bateram palmas enquanto os garotos gargalhavam.

— Eu preciso de uma dessas — Jodie olhava com interesse para meu presente.

— Comprarei um milhão delas se for lhe fazer calma em sua TPM meu amor — Murmurou Liam fazendo a namorada lhe mostrar língua.

O próximo presente estava mais que óbvio o que era, e eu já estava com os olhos arregalados antes de tirar o violão de dentro do grande embrulho.

— É um Gibson original? — perguntei frustrada. Eles sorriram — Quem foi?

— Culpado — Jack ergueu a mão e acenou — Eu estava ciente do seu desejo em ter um desses e dei meu jeito para fazer sua vida mais feliz — disse divertido. Eu só podia olhá-lo.

— Mas... custa uma grana alta. — Ainda em choquem eu me levantei e fui abraça-lo. — Obrigada Jack. — Ele me apertou.

— Tudo por você Harlow — Sorri.

Voltando a minha poltrona peguei o próximo presente, mas nesse instante Dana entrou na sala. Todos se viraram e ela se apressou em mostrar um sorriso, um que considerei meio forçado, mas deixei passar não querendo pensar no que ela tinha feito antes de voltar.

— Esse é meu e de Jared — Ela falou olhando para meu colo.

Ergui uma sobrancelha, em seguida peguei a pequena sacolinha e tirei o que me pareceu uma caixinha de veludo. Toda minha raiva por ela ter ido atrás de Jimmy se foi e eu suspirei, permitindo que um sorriso tomasse meus lábios, e ao abri senti meus olhos arderem com lágrimas.

— Oh! — Passei os dedos pelo pingente em forma de coração no colar que eu sabia, sempre esteve no pescoço da nossa mãe quando ela estava viva. Respirando fundo alcancei o fecho pequeno. Ele abriu e dentro havia a fotografia de Hope e Martin, sorrindo para mim com olhos brilhantes. — Como encontraram...

— Eu o guardava — Jared disse com um sorriso — Nosso pai sempre guardou depois que ela morreu e depois pediu para que eu o fizesse. Eu e Dana pensamos que ele ficaria lindo em você.

Apertei os lábios juntos para impedir um soluço e os olhei profundamente.

— Obrigada.

— Me deixe por em você. — Dana pediu se aproximando.

Permiti que ela o fechasse no meu pescoço enquanto segurava o cabelo, quando ele descansou sobre minha clavícula sorri para meus irmãos.

— É lindo mesmo — Lizze disse sorrindo. Eu assenti, e controlando minha própria emoção voltei a abrir os presentes. Esse era de Jodie, e claro que eu esperava algo como aquilo, pois era sobre a garota mais violenta que tínhamos no grupo.

— Use-as quando Damien lhe perturbar — falou sorrindo largo — Eu faço isso com Liam.

— Diariamente. — Murmurou o pobre lutador. Eu ri e coloquei as luvas vermelhas de boxer com os presentes já abertos.

O presente de Liam tinha uma doçura que eu não esperava, e quando tirei a pequena miniatura do pacotinho, eu o olhei com um sorriso torto.

— Sério? — indaguei.

Ele riu suavemente, fazendo com que sua cicatriz ficasse mais perceptível.

— Eu não fazia ideia do que lhe dar, então pensei no dia em que vimos você com o violino. Tocou com o coração Harlow, portanto queria lhe presentear com algo que lembrasse esse dia.

Sorri sem graça e descansei a miniatura de um violino na mesinha, depois pisquei para ele em agradecimento. Os últimos presentes eram de Stefany e Car, e ambos pareciam ser mais de uma coisa.

Peguei o de Stefany primeiro. Fiquei paralisada quando tive um pequeno vislumbre da caixa dentro do embrulho.

— Isso não é o que acho que é — Murmurei com os olhos arregalados.

Minha bela amiga sorriu.

— Será que não? — brincou.

Rindo arranquei o resto do papel e quase surtei totalmente apaixonada. Não consegui ficar no sofá enquanto mostrava para os outros.

— São bonecos dos Guns’N Rose!!! Olhem o Axl que lindo, e o Slash! — Risos circularam-me enquanto eu tratava de pegar Stef em um abraço — Obrigada. Eu estava louca por eles há muito tempo.

— Ah, eu sei. Tive uma conversa com Dana — falou sorrindo.

— Bom, se você gostou do dela — Car se aproximou com seu pacote — Acho que o meu vai ser aprovado também. Nós meio que combinamos.

Mordendo os lábios eu abri, e quase perdi o coração. Era uma roupa do meu tamanho exatamente igual à de Axl e até tinha os óculos escuros. Acho que quase comecei a chorar de novo quando também encontrei um pôster enorme com a banda toda reunida. Eu nunca pensei que pudesse entrar em choque tantas vezes no mesmo dia, mas descobri que ao lado dos meus amigos eu podia me surpreender e ainda sorrir no final, e nunca estive tão agradecida.

Porém no final daquilo eu percebi que todos havia me dando um presente, menos Jimmy. No final das contas meus pensamentos sempre voltavam para ele. Entendi que ele não se dignou em comparar nada e talvez estivesse batendo em seu próprio ombro em reconhecimento agora. Provavelmente estava amaldiçoando meu nome e o de Damien, porém eu não devia me importar, ele há muito me recusou e agora estava dando de uma cachorrinho querendo marcar território? Isso com certeza não iria acontecer, mas não consegui parar de me preocupar com o que se passava em sua cabeça para querer enfrentar Damien na frente de todos os nossos amigos e principalmente na frente de Jared.

Ok. Era um erro, mas durante o restante do dia eu tentei me concentrar nos meus amigos e em meus irmãos, era meio impossível, cada nova onda de informação tremia através de mim, enviando fragmentos de dor ao longo de meus nervos. E tudo que eu conseguia saber era que aquilo não se encerraria enquanto não falasse com ele.

Horas mais tarde todos foram embora, sobrando somente Car e Damien. Dana e Jared se encararam quando olharam para os irmãos, percebendo só agora que Damien tinha chegado de viagem comigo e provavelmente não tinha um teto para ficar, já que Amélia foi embora. Eu me apressei em falar.

— Damien fica.

Jared fez careta, mas antes dele falar Caroline se levantou, ajeitando seu terninho preto.

— Não há necessidade, levarei meu irmão até a casa de Linnea. Posso convencê-la a deixa-lo lá até eu conseguir um loft para ele. — A face de Damien contorceu em insatisfação.

— Eu não vim aqui para que gaste dinheiro comigo Caroline — reclamou também se levantando. Os olhando juntos, eu pude entender porque Damie sempre dizia que eles eram parecidos apenas de rosto, pois de resto nada se igualava.

Damien usava um jeans surrado e rasgado no joelho, sua camiseta clara fazia seu ar de rebeldia saltar. Já Car estava toda arrumadinha dentro de um terninho engomado e elegante, seus cabelos presos em um rabo de cavalo que destaca sua seriedade. Nada parecidos.

— Muito bem — Jad suspirou — Você pode ficar. Mas não se atreva colocar o pé no quarto de Harlow. — disse seriamente, eu tentei, mas não pude ficar quieta diante disso.

— Ora Jared, por que você pode e eu não? — resmunguei.

Meu irmãozinho arregalou os olhos e no mesmo instante virou para Dana. Essa apertou as mãos sobre a boca impedindo um sorriso.

— O que? Como assim? — Damien indagou com curiosidade, mas olhava sua irmã sorrindo, pois ela também parecia em choque. — Não posso crer. Caroline Levesque está corando? — Provocou. A irmã ficou ainda mais vermelha e encarou Damien de forma mortal.

— Fique quieto Damein.

— Vamos deixar isso de lado? — Jared parecia querer fugir — Nada de ir para o quarto dela. Você fica na sala.

— Então a Car também vai ficar aqui? — perguntei novamente. Jared abriu a boca para responder, mas hesitou. Eu não aguentei e gargalhei com sua indecisão, Damie e Dana se juntaram a mim.

— Ah mano, você esta tão perdido — disse Dana sem fôlego — Venha Damien, vamos pegar umas coisas para fazer sua cama no sofá.

Ambos deixaram a sala rindo enquanto eu olhava para o casal sem graça, eles piscaram um para o outro e depois para mim.

— Vamos fazer assim — falei sorrindo — Se vocês virarem e subirem agora, eu fingirei que não vi nada e fecharei a boca.

Jared aceitou isso rapidinho e pegou a mão de Car, se aproximou e beijou minha testa antes de subir arrastando-a atrás de si. Era impossível não se perder com risos vendo uma cena dessas. Aos poucos eu fui deixando de rir para olhar em volta da sala decorada, começando a sentir aquele sentimento de que algo estava faltando, de que o dia não poderia acabar enquanto eu não falasse com ele.

Damien retornou sozinho com travesseiro e cobertores, e sorria largo quando caiu ao meu lado.

— Então eles subiram? — Eu ri.

— Como um raio — respondi, depois suspirei. — O que achou de tudo?

— Todos seus amigos são legais e não permitiram que eu ficasse de fora da conversa. Seus irmãos, bem... Jared eu notei ser bem sério e protetor quando se trata de você, mas sua irmã — Ele deitou a cabeça contra o encosto do sofá — Ela parece uma mãe preocupada quando você está por perto. É algo muito bonito.

— Dana é assim — sorri de lado — Foi minha mãe quando não tinha uma. Devo muito a ela, e também a Jared.

— Percebi que Amélia foi embora. — comentou. Eu bufei.

— Ela não ficaria mesmo que eu pedisse. Ninguém aqui está feliz em vê-la — lamentei e deitei a cabeça em seu ombro — Sinto pena dela. Queria que meus irmãos a aceitassem. Seria tudo tão mais fácil.

Sua mão alcançou a minha e ele alisou meu pulso, onde estava minha tatuagem. Sorri.

— Tudo vai se resolver caramelo, vai ver — Beijou minha cabeça — Mas percebi que está meio inquieta. Devo considerar que isso é por causa daquele garoto? O tal Jimmy que eu não estava nem um pouco ansioso para conhecer.

Fiz careta e olhei seriamente.

— Não devia ter provocado ele.

— Foi mais forte que eu — sorriu, mas depois me olhou fixamente — Sabe que ele ainda gosta de você certo? — Indagou. Eu me afastei de seu olhar penetrante.

— Não importa.

— Não é o que seu rosto está dizendo — provocou-me. Eu bufei.

— Meu rosto diz que não sou idiota, Damien. — falei e me levantei bruscamente. — Não posso deixar ele brincar comigo de novo.

— Isso é bom — Ele se inclinou para frente — Quer dizer que está inteligente. Não vai cair na mesma armadilha se apenas conversar com ele.

— Ele não quer conversar — resmunguei de braços cruzados. — Ele foi embora e Dana atrás dele, não se preocupou em voltar ou de me presentear como os outros. Ele não se importa Damien.

— Mas você sim pelo visto.

Fiquei calada. Se pega desprevenida por suas palavras eu não sabia, porém entendia que não podia retrucar, pois era exatamente isso. Damien veio até mim.

— Entendo sua resistência para ir até ele e apoio, mas nunca vai acertar as coisas se não tomar iniciativa — Gentilmente, ele tocou meu rosto e sorriu — Não quero vê-la machucada Harlow, portanto tente fazer isso agora, e se não valer a pena, lhe deixarei em paz. Mas faça, para que não se arrependa mais tarde. Vá falar com ele. — Hesitei.

— Damien...

— Vá caramelo — beijou uma bochecha minha — Uma das coisas que te ensinei sobre homens, é que eles são orgulhosos demais para dar o primeiro passo quando estão com ciúmes. Vá logo. Eu já chamei um taxi para você — E como se para confirmar aquilo, uma buzina veio de fora.

Cerrei os olhos para ele.

— Sorrateiro. — Ele riu.

— Apenas o melhor. Vai. — E eu fui. Que Deus me ajudasse a partir dali.

~*~

Eu não fazia ideia se minha intuição estava certa quando pedi para que o taxista me levasse para a pista da montanha. Mas tudo em mim fazia pensar que Jimmy estaria somente naquele lugar para poder esfriar a cabeça. Roendo o que sobrava das minhas unhas, eu olhei pela janela enquanto subíamos a ladeira, o céu escuro ficando mais visível sem os prédios e casas para impedir a vista tão deslumbrando.

Acho que prendi o fôlego quando ao longe, a silhueta de uma figura esguia encontrava-se apoiada contra uma moto no meio do nada. O taxista estacionou logo atrás dele, fazendo com que seu rosto virasse com uma careta, obviamente para ver quem havia interrompido seu momento sozinho.

Com a bile subindo e descendo, paguei o moço e respirei fundo. Vamos Harlow. Seja corajosa. Você pode fazer isso.

Balbuciei em minha mente por uns segundos até que finalmente abri a porta. Seus olhos nervosos suavizaram quando a surpresa o fez soltar os braços que estavam cruzados no peito. O veículo atrás de mim se foi, fazendo-me pensar em como diabos eu iria voltar para casa, pois eu absolutamente não iria subir na moto de Jimmy, nem que a lembrança de nossa última volta tenha sido bem proveitosa e que eu com certeza gostaria de fazê-lo novamente...

Merda. O que eu estava dizendo? Eu estava aqui para chutar sua bunda, não pedir uma carona em sua garupa.

— Harlow — Ele veio em minha direção.

Meu estômago atou, mas permaneci onde estava observando cautelosamente seus passos até mim, e enquanto eu olhava, começava a perceber o quão irônico era tudo aquilo. Antes de ir embora eu teria dado um passo para trás caso ele se aproximasse de mim, teria medo que seu toque causasse coisas que me levariam a outras merdas grandes, e que essas fodessem com minha vida inteira. Eu teria raiva por senti-las justamente por ele, mas naquele instante, dois meses e três dias depois, eu me encontrava somente curiosa sobre o que se passava na cabeça de Jimmy. O medo não estava em mim quando permaneci onde estava. Na verdade tudo que eu sentia era um vazio enorme, oco. Tão frio que fazia minha expressão ser ilegível.

Então, no fim das contas a viagem para Califórnia foi uma dadiva. Esse tempo afastada dele me ajudou a esquecê-lo. Pelo menos o suficiente para não me aproximar dele e ficar a ponto de torcer seu pescoço por estar machucando terrivelmente meu coração. Era óbvio que ele tinha um efeito em mim, mas não como antes, e isso me satisfez maravilhosamente.

— Pensei que não poderia falar com você essa noite — Sua voz macia e leve acariciou meus ouvidos.

Eu o encarei. Sua aparência coincidia a que eu me lembrava, mas aqueles olhos — Agora castanhos durante a noite — brilhavam com um novo fogo ao me olhar.

— Você não parecia querer falar comigo — estreitei os olhos para ele — Saiu batendo a porta atrás de si e não voltou mais. Se quisesse mesmo teria ficado e me enfrentado independente de quem estava lhe provocando.

Jaime torceu o nariz com desgosto e abaixou a cabeça, os cabelos caindo para frente quando falou.

— Então é verdade? — Indagou quase sussurrando — Você e ele estão... — A pergunta não foi completa, mas não era necessária, eu sabia o que estava o corroendo por dentro e sabia que sua garganta provavelmente estava sendo forçada a trabalhar para falar.

Erguendo o rosto, cruzei os braços enquanto o olhava.

— Por que se importa Jimmy? — questionei nervosa — Se me lembro bem nós não devemos nada um para o outro. Muito menos explicações sobre meu relacionamento com Damien.

Ele pareceu de ter levado um tapa, os olhos entristeceram tanto que quase recuei em minha postura dura, no entanto continuei onde estava, fitando-o com nada mais que curiosidade. Seus lábios se contraíram, apertados em uma pálida linha fina. Seus olhos percorreram uma lenta caminhada até a ponta dos meus pés, algo se ascendendo como uma lâmpada extremamente brilhante. Senti meu próprio corpo corresponder aquele olhar obtuso, os pelos se arrepiando e a tensão em mim prolongou quando suspirei desgostosa. Aquela reação era totalmente inaceitável!

— Você está diferente — disse ainda me olhando. — O que levou essa mudança? — Eu franzi a testa.

Ninguém havia me perguntado por que eu tinha escolhido cuidar do meu corpo. Todos elogiaram, olharam, mas ninguém realmente quis saber o motivo. Jimmy me impressionou por perguntar com tanta suavidade.

— Achei que estava na hora de ser alguém que eu aprecie — respondi, e o que recebi em troca foi o fantasma de um sorriso, seus lábios esticados para os lados trazendo-me lembranças que um dia tentei esquecer.

— O resultado foi ótimo — Mais uma vez, ele me conferiu — Apesar de que eu ainda posso ver a minha pequena e implicante Harlow de baixo de toda essa maquiagem. E eu estou feliz por isso.

Congelei. Sua pequena Harlow? Ele havia batido a cabeça em algum lugar?

— Não me chame assim! — Resmunguei para ele. Sua sobrancelha ergueu.

— Como?

— Sua pequena — Abanei a mão em sua direção nervosamente — Eu não sou sua. Nunca fui.

Jimmy se agitou, e eu quase me assustei quando ele se aproximou ainda mais e parou em minha frente. Seus olhos brilhavam como as estrelas espalhadas pelo céu.

— Isso não é verdade — protestou em sussurro e chegando mais perto.

A brisa dançou a nossa volta, balançando levemente meu cabelo e causando arrepios em minha pele subitamente febril.

— O que está dizendo? — murmurei confusa, erguendo os olhos para poder fitá-lo. — Jimmy...

— A cada instante. A cada momento. A cada dia e hora. Você foi minha, sempre minha Harlow — A cadencia de sua voz foi macia, ela chegava aos meus ouvidos e estremecia minha estrutura. — Eu sei que não dei valor a isso, sei que fui um idiota durante todos esses anos, mas eu não posso aguentar mais, não depois de vê-la sendo tocada por Damien, não depois que confessei para eu mesmo que quero cada parte de você — Sua mão descansou em minha bochecha, e sabia que ele via choque apossar dos meus olhos e rosto ao ponto de não saber o que falar. Ele encurtou ainda mais a distância, até seu tórax ficar a meros centímetros do meu.

Sua expressão era uma que eu nunca tinha visto. Uma espécie de cólera, porém mais suave e ternamente doce, o quentura deslizando por entre as íris enquanto olhava-me tão fixamente. Era certo que eu não o temia. Mas seu olhar despertou algo perigoso dentro de mim. Algo que eu tinha certeza, me prejudicaria muito no futuro.

Ergui o rosto para ele. A brisa soprou os fios do meu cabelo.

— Você não pode estar falando sério — sussurrei, sentindo o pouco do meu rancor pingando das palavras. — Espero mesmo que esteja brincando.

Convicção estreitou seus traços bonitos, e suas mãos seguraram meu rosto mais firmemente.

— Nunca falei tão sério em minha vida Harlow — Ele afastou minhas mechas com a ponta dos dedos. — Foi exatamente aqui que um dia eu disse estar atraído por você, e será aqui que falarei que estou e sempre estive apaixonado por você. Eu apenas... fui idiota por confessar somente agora, então por favor. Por favor — Sua testa encostou-se à minha — Me perdoe, deixe-me mostrar que digo a verdade? Permita-me tentar ser melhor para você. Por favor.

O seu aroma masculino inundou meu nariz e sem perceber o ato, meus olhos caíram quando realmente senti a quentura de suas mãos em meu rosto. As palavras dele fazendo um efeito que eu não esperava dentro de mim, abalando um pouco da minha armadura de durona e me deixando de guarda baixa. Lentamente, senti seu nariz deslizar por minha mandíbula, brincando com meu coração já rápido e atiçando meus lábios trêmulos. Abrindo olhos, eu tinha intenção de me afastar, mas encontrar seu olhar foi minha total perdição.

As chamas em seu olhar se transformaram em labaredas e se espalharam rapidamente por seu rosto. Sem qualquer hesitação, seu braço contornou minha cintura e sua boca encontrou a minha. Foi mais um choque ao qual meu corpo tremeu e balançou para trás, só para ser segurado pelos braços daquele cara que esteve desde sempre em meus pensamentos, para o cara que em muitas ocasiões eu odiei por gostar ao ponto de sentir as lágrimas escorrerem meus olhos toda vez que ele me recusava. Eu lutei contra ele, empurrando seu peito e chacoalhando os pés, mas a quem eu queria enganar? Luxuria me percorreu e me senti quente. Sua boca foi impetuosa, selvagem e furiosa, a língua abrindo passagem para que pudesse se enrolar ainda mais comigo, suas mãos empurrando-me para seu corpo, fazendo-nos pressionar pernas, quadris e peito, encaixados perfeitamente como se fizéssemos parte do mesmo quebra-cabeças. Como poderia meu corpo e minha mente me trair assim? Eu o queria. Queria e muito. E seu desespero em me ter perto ligou meu fogo, fazendo-me agir da mesma forma igualmente desesperada, eu peguei o que tanto quis em tanto tempo.

Arrastei meus braços por seus ombros e enrolei os dedos em seus cabelos, me afogando no melhor beijo que um dia ganhei. Usei minha loucura interior para me empurrar para cima, querendo alcançar mais de sua boca enquanto ele me puxava para trás. Não sei como, mas de algum modo eu fui parar sentada em cima da garupa de sua moto, as pernas fechadas em volta do seu quadril enquanto tentava desesperadamente arranjar um pouco de ar quando seus lábios percorreram uma caminhada de fogo por meu pescoço.

Eu tremi em seus braços, torcendo os dedos em seus fios, completamente ofegante. Jimmy levantou o rosto o suficiente para me olhar nos olhos, desejo marcando seus traços e os lábios avermelhados me tentando a voltar para os beijos. Mas aquilo não era certo. Não era!

— Você é tão linda — Seus dedos correram meu rosto até meus lábios. — Tão linda.

Eu estremeci, acho que seus atos estavam sendo mais surpreendendo do que o fato de eu estar com ele em meio a minhas pernas e sentada em sua moto. As mãos curiosas dele desceram até minha perna, e eu tive que fechar os olhos para suspirar com sua caricia em minhas coxas. Eu teria ficado ali para sempre, sentindo ele me beijar e acariciar minha pele, mas quanto mais o sentia, mais as lembranças de suas recusas faziam meu consciente rodar, e junto a ele meu coração batia dolorosamente. Foram tantas recusas, tantos xingamentos e virar de olhos. Tantas humilhações seguidas de “Nãos” duros.

Jimmy procurou minha boca, mas dessa vez eu me forcei a parar, pousei as mãos em seu peito e o empurrei, os olhos ardendo com lágrimas e raiva, pura e fervente raiva.

— Jimmy... Pare! — falei, minha voz rouca enquanto tentava afastá-lo.

Ele se afastou, mas sua feição indicava que ele queria muito mais. Eu pulei da moto, me afastando dele em busca de um ar quando as gotículas salgadas pingaram.

— Harlow — Ele tentou se aproximar quando viu minhas lágrimas, mas eu apontei em sua direção.

— Fique ai! — Exigi sem ar. — Não toque em mim.

O fogo em seus olhos se foi e deu lugar a magoa, uma magoa grande e amarga.

— Por favor, Harlow...

— Como você pôde... — O cortei com incredulidade — Se quer pensar que eu viraria a cabeça para tudo o que fez comigo? Como pode cogitar pensar que eu esqueceria de todas as vezes em quem você me rebaixou como uma criança só para que ninguém pensasse que gostava de mim? Quantas mulheres Jimmy? Quantas delas você precisou ter para esconder o que sentia por mim? Uma. Duas. Três. A minha irmã! — Dei um passo para trás, a respiração entrecortada. Ele desdenhava de minhas lembranças mais bonitas. Jaime não teria me ferido mais profundamente nem se tivesse tentado. — Eu fui tão ruim assim? Uma merda ao ponto de querer as outras, e só ter coragem de admitir agora que fiquei “Bonita” como disse. Ou porque estou namorando? Faça-me um favor, Jimmy. Você não tem o direito!— gritei.

Seu rosto antes triste agora estava pálido quando tentou alcançar-me.

— Eu sei que errei com você Harlow, mas nunca foi por aparência. Nunca foi por você não ser boa o bastante. O fato de ver sua mudança é irrelevante, tenho confessado a mim mesmo sobre meus sentimentos por você no momento em que desligamos o celular no seu primeiro dia na Califórnia. Eu tenho vivido um inferno e na maioria das vezes eu tenho tido vontade de me socar por machucá-la, mas ponha algo em sua cabeça — Mais uma vez, ele agarrou meu rosto, mas eu fechei os olhos não querendo olhá-lo — Nunca foi você. Jamais, minha pequena, era eu. Somente eu. Você é perfeita para mim. Perfeita entendeu?

— Pare — Apesar da ira, minha voz falhou.— Eu não sou sua pequena.

— Harlow — Sua testa encostou-se mais forte a minha — Não me odeie. Sinta raiva, mas não me odeie. Não suportaria tal coisa.

Levantei o rosto.

— Não tenho que agradá-lo — Olhei em seus olhos. Minha voz saiu mais alta e forte — Você praticamente fez-me de piada a cada momento em que me beijava e depois rejeitava. Como se fosse um brinquedinho para horas vagas. Eu não sou isso, Jimmy! E não vou permitir que me faça de idiota novamente. Você quer meu perdão? Faça por merecer, porque não o lhe darei de graça. — E me afastando, eu lhe dei as costas para começar a andar pela pista, poderia ligar para um taxi e ter a sorte de convencê-lo a receber o dinheiro quando chegasse ao destino. Não podia mais permanecer ali. Não mais.

No entanto sua mão me deteve pelo braço tão forte, que fui de encontro com seu peito. Seus olhos agora estavam bem abertos, e aquela mesma chama de antes brilhava nas imensidões escuras. Ela beirava a convicção e desafio, algo que me fez arregalar os olhos.

— Eu o terei então — falou com firmeza — Correrei atrás do meu perdão e não desistirei até ter certeza de que ele é sincero. E lhe prometo, que se no final você não me quiser da mesma forma como queria quando eu disse não — Ele ergueu o queixo, e parecendo relutante disse — Eu irei embora. Não olharei para trás, apenas permitirei que viva o que construiu com Damien, porém até lá — Esticando um pequeno sorriso nos lábios, ele segurou meu queixo entre o polegar e o indicador, os olhos em minha boca — Ele terá que se cuidar, pois não deixarei o seu caminho tão fácil para ele levá-la de mim. Eu vou lutar, e garanto que com todas as minhas armas — E ainda sorrindo, ele acariciou meu rosto e beijou minha testa suavemente. Depois me olhou nos olhos e segurou minha mão — Espero que goste. Boa noite, pequena. — E se afastou, indo até a moto e ligando-a. Quando ela sumiu na curva da montanha, sem fôlego olhei para baixo.

Em minha mão havia uma pulseira de pingentes, porém um em especial atraiu minha atenção, e olhando de perto não consegui impedir o sorriso cortando os lábios. Gravado em um pequeno violão, as palavras “Minha garota rude” brilhava em dourado.

Percebi tarde que estava mais do que curiosa sobre quais seriam as arma de Jimmy, e estava ainda mais agoniada para saber se elas funcionariam, e me fariam perdoa-lo de verdade depois de tantas humilhações.

A vida era uma maldita palhaça. Sempre pregando peças. Mas uma coisa eu sabia, isso renderia muita merda para me atormentar. Ah se ia.

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Notas finais
Hey pessoal, primeiramente eu queria explicar a foto ai em cima. Essa garota seria a menina que eu me espelhei para fazer a Harlow, portanto quando uma das minhas leitoras pediu, achei que seria legal dividir a imagem da nossa garota rude. Espero que tenham gostado da minha escolha, e se no caso alguém quiser ver os outros personagens, basta me falar que postarei a fotografia de cada um. Espero que tenham surtado muuuuito e que fiquem ansiosos para o próximo cap. Um beijão e até a próxima garotada.