Rude Girl
21 Capitulo 21 — Meados de julho
Notas iniciais
O som estridente da buzina fez com que eu corresse mais depressa para o outro lado da rua. Chegando a calçada, marchei em direção ao gramado aparado, sorrindo ao passar por cima dos vários brinquedos espalhados até mesmo nas escadas da varanda. Ao chegar à porta apertei a campainha duas vezes.
O grito que veio de dentro da casa fez com que um riso escapasse de meus lábios, e quando a porta da casa se abriu eu não pude segurar a gargalhada.
— Oh Deus, eu não pensei que fosse algo tão urgente como isso — Zombei com eterna alegria.
Jodie, que estava na minha frente com os cabelos cheio de tranças e um olho pintado de rosa e outro azul, fez uma careta e grunhiu, apertando as mãos ao lado dos quadris.
— Você sumiu durante dias, e aparece só para rir de mim? Seu idiota insensível! — Pulei para trás quando ela tentou me acertar.
Sorrindo, falei.
— Eu já pedi desculpas marrentinha.
— Foda-se Jimmy! Estou farta de tudo! Eu estou agora com maquiagem colorida na cara e essas merdas de pompons no cabelo, não posso me estressar mais. Ela é pior que Caroline fazendo compras, um pequeno demônio colorido. Eu não aguento mais! — gritou ensandecida. Nesse exato momento a van de Jonah estacionou em frente o gramado, e quando todos pularam para fora e viram o desastre da nossa doce marrenta, fizeram a coisa mais sensata, começaram a rir.
— Parem com isso! — Berrou a garota.
Eu não conseguia ver uma forma de fazê-los não rolar de tanto rir na grama, Jodie estava realmente muito engraçada de tranças.
— Doçura, eu não sabia que optou pela maquiagem rosa — Liam subiu as escadas com aquele sorriso presunçoso.
Jodie bufou, e batendo o pé, nos deixou sozinhos na varanda. Liam gargalhou.
— Eu devia ter tirado uma foto — Jack apareceu com um sorriso satisfeito — Foi a melhor coisa que já vi.
— Talvez ainda dê tempo — Jonah falou — Onde será que estão as outras?
— Vamos descobrir — falei, e entrei na casa sendo seguido por todos os outros.
Seguimos pelo corredor, pulando por cima de brinquedos e roupas da Ivy jogadas pela casa. Olhando aquilo Pensei em como Linnea e Carter tinham sido capazes de deixar a filha deles nas mãos de Jodie, Eloise, Stefany e Caroline. A curiosidade para ver o desastre me fez correr até a sala e... Encontrar o verdadeiro significado do inferno.
Parecia que um furacão havia passado pela casa. Os sofás estavam juntos e uma manta amarela estava os cobrindo, obviamente alguém tentou fazer uma cabana ali. Olhando para o outro canto, DVD e CDs estavam espalhados pela estante enquanto Caroline, Stefany e Eloise, embolavam-se com Ivy no meio da sala, jogando super twister.
— Meu... Deus — Jonah arregalou os olhos.
Na verdade acho que até mesmo eu estava o fazendo, pois a situação em que as garotas se encontravam mexia com as cordas do meu prazer. E eu entendia que cada um de meus amigos estava nadando em meio a sua diversão, pois seus olhos não o negavam.
— Ai tia, é eu! — A garotinha gritou enquanto esquiva-se até a bola azul do tapete. Eu quase não consegui conter meu riso, pois Eloise quase correu quando a menina gritou, obviamente com medo de machucá-la.
— Ai querida, eu acho que isso não está certo.
— O que não está certo é minha posição! — Stefany soou desesperada, a cabeça em baixo do braço de Caroline — Isso dói gente.
— Eu sou boa com roupas; Modas. Arquivos. Casos de assassinato. Mas nisso eu absolutamente não sou boa — choramingou Caroline — Lizze, oh. O meu pé está ai!
— Desculpe. Meu dedo está coçando.
— Espera, esse vez não devia ser minha? — Senti meu estômago torcer em agonia contida.
Como foi que eu deixei de ver isso? Como pude me trancar por tanto tempo quando tinha isso para ver?
Pisquei, olhando como Ivy sorria sorrateiramente enquanto passava pelos buracos pequenos para chegar aos círculos, a pequenina tinha um sorriso sapeca que dizia a todos que nunca desistiria de ganhar, mesmo que aquelas garotas parecessem nem saber o que estavam fazendo.
Sem poderem se conter, os garotos tiraram os celulares dos bolsos e passaram a clicar fotos, risos borbulhando de suas gargantas enquanto gritavam.
— Vai meu amor, você é forte! — Jack apoiou entre o riso.
Stefany, que estava esticando um pé até um canto quase impossível, tremeu sobre o tapete.
— Cala a boca, Jack! — gritou ao namorado. Esse caiu no sofá se afogando em risos com Jonah.
— Oh meu Deus, eu não devia mesmo fazer isso. — Ouvi Caroline gemer.
— Vocês vão cair! — Garantiu Ivy toda feliz — Vão sim.
— Nem na nossa morte — Urrou Eloise — Nós não vamos!
— Isso mesmo bebê, mostre para ela — Jonah aplaudiu.
Ivy escondeu o rosto no pescoço de Lizze sorrindo e depois reapareceu, os cabelos caíram para frente, o que os fez notar que todas a meninas, incluído a criança, estavam maquiadas e com tranças nos cabelos.
Era um desastre.
Passos pesados vieram então das escadas, seguidos por um grito sempre familiar.
— Ivy! — Jodie entrou na sala com uma careta, e ao olhar a situação das amigas, olhou para o teto — Meu Deus Ivy, eu já disse para não dar torcicolo nas minhas amigas, como vou fazê-las arrumar isso depois?
A garotinha gargalhou de onde estava, e piscando com alegria, esticou-se toda para esquerda, onde estava o pé de Car e... ouviu-se um estrelar estranho, como de um osso quebrando.
— Ah! Ai! — Ivy berrou, assustando a todos. Imediatamente todas as meninas soltaram o peso dos braços e pernas para acudir a menina. — Hah! Eu Ganhei! Ganhei uhuh! — Ela começou a dançar enquanto as meninas deixavam a boca cair olhando embasbacada para a garrafa na mão da menina.
A espertinha tinha amaçado para fazer o som.
— Sua... diabinha! — Eloise grunhiu. Stefany soou frustrada.
— Isso... É injusto.
— Eu não posso acreditar que fui enganada por uma criança; — Car balançou a cabeça cheia de presilhas e pompons. — Isso é um absurdo.
— Oh! Foda — O resto dos homens estavam sem ar.
— Eu disse que ela era trapaceira — Jodie apontou e cruzou os braços enquanto ia até a menina esperta. — Venha, está na hora do seu banho.
— Vamos brinca mais! — Ela saltitou até nós, e dei cinco segundo para virar e... — Jimmy! Jimmy!!
Sorrindo, abaixei-me para pegar a garotinha de sete anos cheia de maquiagem e rabinhos no cabelo. Ivy era uma das crianças mais doces que já conheci, e ela tinha um amor platônico por mim, o que fazia as coisas muito mais interessantes.
— Olá anjo. Que tal um acordo? Você toma um banho, e vou comprar o que você quiser de sobremesa depois do jantar durante uma semana inteira.
Ivy parou de pular nos meus braços e levantou dois dedos.
Eu ri.
— Duas semanas, hein? Você conduz uma negociação difícil, mas você tem um negócio.
A menina se remexeu nos meus braços e correu para as escadas, sem olhar para trás uma só vez.
Jodie balançou a cabeça.
— Não entendo como consegue essa merda. Eu tentei suborná-la durante duas horas e olha o que ganhei — Puxou uma mexa de cabelo colorida com tinta — Ivy é um terremoto ambulante.
— Ela somente me ama — sorri largo. — Ela fez um trabalho e tanto em vocês hum?
Olhei para as outras, que tinham se largado no chão enquanto respiravam.
— Eu nunca, nunca vou ser uma boa mãe — Sussurrou Car.
— Sinto minhas costas latejarem. — Stefany gemeu — Dor por toda parte.
— Acho que desloquei uma costela. Talvez um ombro — Lizze murmurou. Eu ri, sentando em um dos sofás depois de tirar o lençol que o cobria.
— Vocês estão lindas sabe. Essa nova moda pega? — questionou Jack, apontando para os vestidos e pijamas que elas usavam.
Jodie não perdeu tempo e acertou sua cara com almofada.
— Cala a merda da boca.
— Porra... —Jack ofegou — Não seja agressiva marretinha, você está tão bonitinha de tranças.
Liam desmoronou contra Jonah, rindo descargas. Já Jodie preparava-se para um assassinato.
— Você está tão morto — Ela sibilou com raiva.
— Acho melhor correr Jack — Anunciou Liam totalmente feliz.
Jack deu um sorriso largo indo até ela.
— Querida, eu sei que você me ama...
Ele não tinha completado a frase quando Jodie pulou no pescoço do cara e puxou os cabelos castanhos, arranhando seu rosto com raiva. Arregalando os olhos assisti como Jackson corria a casa toda gritando com Jodie em suas costas, e ela somente parou, quando resolvemos dar uma chance para o homem.
Liam segurou sua namorada enquanto Stef ia verificar os ferimentos do namorado, mesmo que essa estivesse sorrindo com diversão.
— Sua... Maldosa! — Gritou Jack.
Jodie sorriu.
— Muito mais que isso meu bem.
— Não abuse doçura.
— Não se mete novato!
Engoli uma risada, apoiando-me contra a parede da cozinha.
— Isso virou uma guerra sem nem percebemos, e tudo por causa de uma garotinha de cinco anos.
— Como vocês acabaram virando babá afinal? — perguntou Jonah, ficando ao meu lado enquanto as garotas passavam por nós para chegar a pia. Jodie fez careta para os pratos sujos.
— Hoje é aniversário de casamento de Linnea e Carter, mas Hannah acabou por pegar folga no mesmo dia — Ela suspirou e abriu o lava louças para enfiar todos os pratos, copos e talheres — Linnea falou tanto nessa noite com Carter que tive a grande ideia de cuida da menina para que eles não tivessem problemas, mas isso foi antes de saber que ela era uma pestinha.
— Acabamos sendo incluídas no pacote quando elas — Stefany apontou de Jodie para Caroline — Não conseguiram botar a garota para dormir.
— Como se você tivesse tido sucesso — Resmungou Jodie — Ivy não liga para musiquinha de ninar.
— E como eu ia saber? Você que mora com ela e não teve a melhor das ideias ao deixa-la brincar com a maquiagem de Linnea. — Retrucou a morena com uma careta. Suspirou quando tocou os cabelos cheio de presilhas — Aliás, acho que Linnea não vai gostar disso.
— Ora, pelo menos não fui eu que tive a grande ideia de deixá-la assistir enquanto comia uma tonelada de biscoito com leite — Todas olharam para Caroline. Essa ficou com as bochechas coradas e os ombros caídos.
— Eu não pensei que o açúcar a deixaria mais acordada. — falou parecendo envergonhada. Eu não conseguia acreditar que elas estavam mesmo discutindo como cuidar de uma criança.
— Você é uma advogada! Como não pôde pensar em um meio de abaixar o fogo dessa menina? — Questionou Eloise com rancor enquanto jogava fora dois potes de sorvete no lixo.
Caroline se frustrou.
— Cuido de casos criminais! Não investigo crianças agitadas antes da hora de dormir. Eu mal compreendia meu irmão nessa idade — Bufou exaurida — E acredite, eu tinha duas personalidades como a dele para cuidar.
— Como se isso tivesse ajudado aqui.
Senti meu controle começar a quebrar com a interessante discussão delas, e por mim eu as assistia assim para sempre, mas achava que se não interrompesse, alguns socos e cabelos iriam ser dispensados ali. Liam pareceu pensar o mesmo, pois se colocou atrás de Jodie, abraçando-a por trás.
— Ok. Pelo menos uma coisa nós aprendemos com essa experiência — Ele sorriu quando conseguiu a atenção das garotas, beijou o rosto de Jodie — Nunca vamos deixar nossos filhos com vocês.
E isso desencadeou o meu riso e de todos os garotos, porém as meninas continuaram com a cara fechada e nos olhando com desgosto. Pelo menos só até que Jack puxou Stefany para si e Jonah fez o mesmo com Eloise, que não fugia mais dele depois da última vez em que pegamos-os juntos na garagem. Observei como Jonah beijou o pescoço de Eloise e depois deu um jeito de tirar seu mau humor com um simples e rápido selinho. O sorriso dela foi um dos mais bonitos que a já vi dar.
Vire-me então para Stefany e Jack. Não pude evitar rir para como minha amiga parecia se derreter apenas com o olhar que seu namorado a dava, ou como o próprio Jack fechava os olhos sorrindo quando ela o tocava no rosto. A palavra amor em cada gesto.
E o próximo casal só rendia mais carinho bruto. Um tão forte que fazia-me querer abaixar os olhos envergonhado por presenciar algo tão intimo. Liam e Jodie pareciam se perderem quando se olhavam, e ver Jodie fraquejar na sua pose de machona apenas com o lutador, fazia com que eu tivesse esperanças para conseguir fazer o mesmo com Harlow.
Harlow.
Sentia falta da minha pequena implicante. E naquele instante eu poderia estar da mesma forma que meus amigos, mas fui burro demais para dar o primeiro passo.
— Eles são lindos né? — Me assustei quando Car inclinou-se sobre o batente da porta da cozinha. Os olhos presos nos outros enquanto sorria — Eu não tinha visto casais assim enquanto estava no colégio.
— Eles são únicos — disse sinceramente. Pisquei para ela.
Já tinha notado que Caroline era uma mulher linda. Com seu cabelo louro e os olhos castanhos claros, ela poderia conquistar um homem apenas com um piscar, mas existia uma barreira que parecia impedi-la de ir adiante. E não deixei de notar como ela, ultimamente, andou inquieta por conta de Jared.
Ontem mesmo, depois que comprei meu novo material para a faculdade, resolvi passar na casa de Dana para saber de Harlow e para podermos conversar com Jared sobre eu e Harlow, porém desisti ao notar que o homem parecia meio perturbado. Dana também o notou, e preocupada pediu que adiasse essa pequena conversa. Não que estivesse ansioso para isso.
— Então... — Comecei — Você e Jared estão...
O rosto da mulher virou uma mancha em vermelho, eu quase não resisti em sorrir.
— Estamos apenas... — Hesitou — Conversando.
Não entendi bem o que ”Conversando” significava, mas pelo seu rosto confuso, achei que nem mesmo ela sabia.
— Ele ainda continua ignorando você? — A pergunta não veio de mim, mas sim Lizze, que tinha deixado de beijar Jonah para prestar atenção em nossa conversa.
Caroline franziu o cenho, e eu podia ter feito a mesma coisa ao olhar para a loura do outro lado da cozinha.
— Por que ele estaria ignorando ela? — Indaguei.
Car abaixou os olhos ao meu lado.
— Ele não está me ignorando — sussurrou — Pelo contrario, nós realmente falamos muito depois que nos encontramos naquele Café. — Ela mordeu o lábio inferior, mostrando-nos sua insegurança — O problema é que estou preocupada. Ele tem estado muito agitado, me liga apenas quando arranja tempo no hospital ou quando está indo encontrar com seu advogado. Mas... faz pelo menos dois dias que não nos falamos, e acho que está acontecendo alguma coisa com a tutela da Harlow. Ele parece... Cansado.
Meu estômago torceu covardemente ao pensar que alguma coisa poderia dar errado no processo de tutela. E com toda certeza isso estava estampado no meu rosto, pois meus amigos olhavam-me surpresos, avaliando minha expressão para saber o que significava. Eu ainda não tinha contado a eles sobre como meus sentimentos e opiniões em relação à Harlow, mudaram, estava esperando aparecer um momento apropriado. Mas estava claro que minha própria agitação estava entregando-me.
— O seu pai disse algo? — Perguntei diretamente ao Liam — Ele encontrou alguma coisa sobre Amélia?
O lutador me olhou, os olhos inteligentes cerrados enquanto pensava no que dizer. Depois de um tempo, ele disse com um balançar de cabeça.
— Ele não permite que eu interfira nos seus assuntos. É contra a lei me aprofundar sobre um caso que esta se seguindo para ser aberto diante do juiz.
— Isso é uma grande merda — Jodie pigarreou — Ninguém irá saber que estamos investigando.
— Não é bem assim Jodie. — Caroline se opôs com gentileza — Se você mexer em um caso que está sendo visto pela justiça e eles a pegarem, as consequência podem ser severas. Pode até mesmo considerarem entregar Harlow para a tia alegando uma ação ilegal da nossa parte.
— Bem, é uma pena que eu já me intrometi — A marrenta virou os olhos. Todos nós viramos para ela assustados.
— O que você fez Jodie? — questionei com medo.
A garota me olhou com seriedade.
— Eu disse que pesquisaria sobre Amélia e foi o que fiz Venham comigo — Ela se virou, acenando para que a seguíssemos até a sala novamente.
Com o coração na mão, corremos para ver o que a doida tinha feito. Jodie pegou um laptop que estava em uma escrivaninha e sentou-se no sofá. Ficamos todos logo atrás dela enquanto as garotas sentavam ao seu lado.
— Depois da nossa última conversa sobre Amélia, fiquei intrigada por ela não ter nenhum indicio de vida na internet. E sendo alguém tão rica, ela deveria estar.
— Nem sempre Jodie — Caroline parecia calma e nem um pouco incomodada em explicar as coisas para a amiga — Relatórios de internet nem sempre são confiáveis.
— Mas é o único que temos no momento. — retrucou a outra — Por isso digitei mais uma vez, o nome da Amélia no google. Nada apareceu novamente, e foi quando tive a ideia.
— Tenho até medo de perguntar qual — Liam murmurou sobre seu ombro. Ela o ignorou.
— Resolvi usar o nome materno dela — Seus olhos então dançaram com alegria — Eloise me disse que o nome materno da mãe da Harlow é Lopez. — Ela digitou rapidamente no laptop e sorriu. Colocou-o sobre a mesinha e apontou para que olhássemos — E consegui isso.
Adolescente de dezoito anos morre de overdose em Manhattan.
— Hum. Uma reportagem — Jack murmurou parecendo perdido. Jodie virou os olhos.
— Não seja burro Jackson — Jodie fez careta e apontou para a tela novamente — Escute isso: Um adolescente de dezoito anos sofreu uma overdose no meio de Manhatta. Nova York.
O garoto foi socorrido e levado pelos paramédicos, no entanto morreu às três da manhã de uma quarta-feira durante o caminho até o hospital. Testemunhas alegam que o menino estava acompanhado de uma garota com nada mais que quinze anos. “Ela gritava por ajuda” disse uma moradora que assistiu o desastre.
A polícia local não cedeu muitas informações, porém foi conformada a presença de uma garota com o nome de Amélia Lopez. Seu envolvimento com o adolescente é relativamente escondido, mas existem suspeitas de que era uma namorada ao qual também era viciada. Para todos os efeitos, Amélia Lopez era dada como desaparecida após ter fugido de casa. Seus pais recusaram-se a dar uma entrevista ou uma oportunidade de conversar com a requerida menina, porém afirmaram que Amélia estaria sendo tratada com cuidado e atenção pela sua família.
Dado antes como indigente, o garoto que morreu de overdose foi confirmado com o nome de Logan Galen, um ladrão procurado já algum tempo. A menina, por ser um caso delicado e incapaz de responder perguntas, foi absolvida pelo juiz e internada pelos pais em uma clinica para viciados.
O silencio que se seguiu entre nós foi aterrador. Eu olhava para tela do laptop com horror e surpresa, enquanto os outros pareciam estar começando a digerir uma bomba.
— Puta que pariu — Jonah desabafou.
Sim. Concordava com ele.
— Jojo — A voz infantil que veio da escada os fez tirar a atenção do laptop.
Jodie suspirou, e levantando-se foi para a garota, pegando-a no colo enquanto Caroline tomava seu lugar em frente ao laptop. Ivy tinha mudado de roupa e colocado seu pijama rosa, mas seu rosto ainda tinha maquiagem e os cabelos estavam bagunçados.
— Pensei ter dito para ir tomar banho — falou quando a menina bocejou alto.
— Bano não. Eu tô com sono — Coçou os olhos e deitou a cabeça no ombro da irmã adotiva — Quero dormir Jojo.
Em outras ocasiões, eu teria sorrido, mas agora, eu não conseguia tirar os olhos da reportagem.
— Nós vamos cuidar disso, só espere um pouco — Jodie alisou os cabelos da menina e sentou-se na poltrona de Carter, deixando que a criança deitasse aconchegada nela. Depois de um tempo, nos olhou séria — Então? Digam se eu não sou demais.
— Isso pode ser falso — Caroline opinou com os olhos no laptop. — Aconteceu em 1996. São vinte anos atrás.
— Que glória alguém teria para inventar uma reportagem dessas? — indagou Jodie impaciente. — Se Amélia escondeu isso dos sobrinhos, imaginem o que ela pode esconder do juiz.
A tensão aumentou entre nós com suas palavras.
— Nós não temos certeza Jodie — Alisei o cabelo em derrota — Ok. Encontramos uma entrevista na qual nos diz que Amélia tinha um namorado viciado e que ela também tinha se tornado uma. Porém ela me parece muito bem agora.
— Aqui diz que ela foi internada pelos pais — Car nunca pareceu tão concentrada para mim — Ela pode ter conseguido se tratar.
— Espera um pouco, voltando à fita — Eloise acenou com a mão enquanto se inclinava contra Car e o laptop — Isso aconteceu há vinte anos atrás, ou seja, Jared já havia nascido e Dana...
— Estava prestes a nascer — Conclui seu pensamento — Será que Jared lembra de alguma coisa sobre isso?
— 1996 — Stef piscou — Ele estava com nove anos. É possível.
— Mas se ele sabe, por que não contar ao meu pai? — Liam questionou — Seria um ponto em sua tabela para conseguir a tutela de Harlow.
Era verdade. No entanto.
— Amélia estava na clinica — Pensei alto. Eles me olharam — Provavelmente Amélia ainda estava internada quando Dana nasceu, então Jared podia não ter conhecido ela ainda já que ela fugiu de casa. Eles não têm uma diferença enorme de idade.
— Ok. Ok. — Caroline olhou fixamente para nós— Então com 15 anos Amélia entrou para clinica e provavelmente ficou um bom tempo se tratando. Isso requer cuidados... Talvez se conseguirmos saber em qual clinica ela foi internada, poderíamos ter mais informações de como ela seguiu os anos depois que saiu dela.
— Não existe nenhuma referencia no site? — Jonah perguntou — Nenhum endereço?
— Nada. — Car fez careta — Os pais queriam sigilo total sobre o tratamento dela, mas...
Fitei a loura, ansioso.
— O que quer dizer esse mas?
Caroline parecia concentrada demais, como se pensando em algo bem ruim.
— Nós não temos nada em relação à Amélia, mas ela passou pela policia também.
— E o que isso quer dizer? — Jack parecia confuso — Ela não foi presa.
— Não, mas ela passou por um julgamento por ser cumplice de Logan Galen, e provavelmente passou por um interrogatório. Então tenho 100% de certeza que existe uma fixa dos dois com todos os seus dados na polícia local de Manhattan.
— O que quer dizer que poderíamos conseguir o nome da clinica se olhássemos a fixa dela — Jodie sorria largamente — Por isso que você é minha amiga. Adoro quando pensa como uma advogada.
Caroline sorriu, mas depois sua expressão ficou sombria.
— Bem, isso não é tão simples.
Eu pude ouvir como Jodie ficou insatisfeita.
— Por que? Que merda nos impede? — Reclamou.
Caroline suspirou.
— Foi como Liam disse Jodie. Não podemos mexer demais sem sermos descobertos. Precisaríamos de um mandato ou uma ordem do juiz para conseguir a fixa.
— Então nós não podemos mexer nos arquivos? — Ela não parecia feliz.
— Não. Mas existe alguém que pode — Car virou-se para Liam — Ethan é advogado de Jared, e se ele requerer um pedido judicial para uma investigação a seu favor ele poderá pegar a fixa, pois estaria ali com uma autorização para remexer no caso.
— Mas para que meu pai faça isso, teríamos que contar o que estamos fazendo — O lábio de Liam cerrou, fazendo com que sua cicatriz ficasse mais perceptível — Ele não vai gostar de saber que nos intrometemos.
— É isso ou desistir dessa ideia — Car disse com tom serio — Não existe hipótese nenhuma de conseguimos essa informação sem uma autorização. Temos que deixar nas mãos do seu pai.
— Brilhante! — Jodie bufou no sofá — Vamos morrer antes de mostra-lhe a reportagem.
Ninguém nem sequer ousou negar desse fato.
— Meninas? — Todos nós paralisamos quando a voz de Linnea veio da porta seguida por passos pesados. Eu vi como as garotas empalideceram e olharam para Ivy, que agora dormia nos braços de Jodie sem toda aquela energia de antes.
Carter e Linnea entraram na sala no mesmo momento em que Caroline fechou laptop e mudou sua expressão para ilegível. Quem a visse nem saberia que estava fazendo algo contra a lei.
Quando vire-me na direção dos donos da casa, não pude deixar de sorrir de lado para o olhar horrorizado que ele mandava para a bagunça que tinha por toda parte. Linnea usava um longo vestido presto brilhante e tinha os cabelos escuros presos em um penteado que a deixou deslumbrante. Carter usava um terno cinza e elegante, tinha os cabelos para trás com gel e os olhos cheios de terror na filha.
— Então... — Jodie estreitou um sorriso amarelo. — Como foi o jantar de vocês?
~*~
Depois da longa faxina que Linnea e Carter nos obrigaram a fazer na casa enquanto tratava de se certificar que a filha deles não tinha uma unha faltando, nós finalmente nos deitamos nas camas improvisadas que Jodie e Caroline arrumaram para todos nós. Carter e Linnea permitiram que dormíssemos na casa, pois estava tarde demais para sairmos, portanto ligamos cada um para nossos pais e avisamos.
Ás meia noite já com todas as meninas limpas, Eloise e Jack estavam na cozinha lutando com uma panela de pipoca enquanto Jodie e Stefany discutiam sobre o filme que íamos assistir. Liam estava estirado no colchão ao lado, falando com Jonah, enquanto Car continuava sentada em um dos degraus da escada que dava para os quartos com os olhos no laptop, encarando a entrevista desde que decidimos contar para Ethan e Jared sobre o que estávamos fazendo.
Fiquei observando como ela franzia a testa para tela e depois alisava o dedo contra o queixo, obviamente pensando e repensando em coisas que poderiam ajudar a família de Jared. Era parecia tão focada, que achava possível nem ouvir o que todos em volta falavam.
— Está perdendo a diversão sentada ai — falei. Ela levantou o rosto e sorriu quando sentei ao seu lado.
— Estou só checando se não existem mais coisas que eu possa ter deixado passar — Seu suspiro foi algo decepcionante — Mas estou meio sem sorte. Todas as entrevistas dizem a mesma coisa. Amélia desorientada. Logan morto. Amélia internada. Nada mais concreto — Seus ombros caíram — Eu odeio não saber uma solução.
— Não fique se torturando — Voltei-me para todos na sala e sorri quando Jodie gargalhou por ter pisado em Jonah — Você não pode resolver tudo.
— Eu queria poder — Confessou ela, fechando o laptop — Seria mais fácil.
Mordi o lábio inferior, olhando fixamente para minhas mãos.
— Sei que quer ajudar Jared — falei suavemente — E sei que Jodie também quer, mas acho que ela apenas está com uma consciência pesada por ter partido sem falar com Harlow. Provavelmente quer se redimir ajudando-a permanecer com irmão. Mas você — Olhei para ela, percebendo o medo que ela tentava cobrir ao virar o rosto — Tenho notado como presta atenção em Jared. Então sei que está gostando dele e que quer mostrar isso para ele.
Ela não pareceu gostar da sua dedução, pois desviou os olhos.
— Eu só quero ajudar.
— Acredito em você — disse sincero — Mas não precisa dobrar-se em duas para chamar atenção dele. Jared não é cego, Caroline. Fique ao lado dele apenas, ele vai notar.
Suas mãos apertaram-se juntas entre as pernas.
— Desculpe, mas não acho que devia me dizer algo sobre relacionamentos, quando não segue os próprios concelhos. — Eu evitei me encolher com seu comentário.
— Então já sabe...
— Que gosta da Harlow? — Me olhou interrogativa — As meninas sempre estão comentando. E dizem também que está com raiva por ela ter conhecido Damien — Ela estreitou a vista para mim — É verdade?
Apertei os lábios. Senti como se meu coração estivesse sendo espremido em torno.
— Não é raiva, eu só...
— Sente ciúmes? — Um sorriso brincou em seus lábios, eu quase sorri de volta.
— Eu apenas estou com medo por ela. — Caroline rolou os olhos, eu ri — Ok. Estou com um pouco de ciúmes.
— Não que eu não fosse tirar essa conclusão se não tivesse confessado — Sorriu largo e então suspirou. — Escute. Damien não é uma má pessoa. Ele nunca iria machucá-la.
Ainda sim não gostava da ideia dele perto da minha Harlow a todo instante. Só os pensamentos me faziam insano.
— Eu não posso me impedir de querer que ele se afaste dela Car — disse devagar — Não quero que me entenda mal, mas a imagem deles juntos, me trás fúria. Sei que é seu irmão, mas é mais forte que eu.
Caroline me olhou horas, sem saber o que dizer com certeza. Talvez estivesse começando a cogitar não falar mais comigo, pois estávamos falando de seu irmão, não de um cara qualquer. Seu dever era estar sempre do lado da família. Pelo menos era isso que eu pensava quando ela falou.
— Não quero obrigá-lo a aceitar o fato de que Harlow e Damien podem estar juntos, apenas... Tome cuidado. Conheço meu irmão e se ele a considerar tanto quanto imagino, ele nunca deixará Harlow desamparada. E se algo ou alguém a magoar, ele vai se intrometer, e eu não quero isso porque apesar de tudo, ele ainda é meu irmão. Não permitiria que ele se machucasse — Seu olhar se tornou realmente maligno, e eu senti uma pontada de familiaridade, um respeito enorme enquanto olhava aquela mulher me ameaçar. — Damien é doce, e é bom, não faria mal a ninguém injustamente. E se o fizesse eu seria a primeira a fazê-lo abaixar a cabeça. Portanto peço que leve as coisas com calma para que essa relação entre vocês não ocorra nenhum desastre. Eu iria detestar ter que me intrometer, e acredite Jimmy. Ninguém mexe com minha família e sai impune. Ninguém.
~*~
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