Rude Girl

22 Capitulo 22 — Imprevistos


Notas iniciais
É, eu dei uma demorada gigantesca para postar, mas espero que o capitulo de hoje venha acalmar seus corações e que o aviso que tenho para hoje, venha lhes deixar animadinhos. Um beijos grande e boa leitura pessoal. Conheçam um pouco mais do nosso Jared.

(Pov’s Jared)

O cansaço fazia com meus ossos reclamassem, a cada passo que dava em volta da UTI depois de confirmar os sinais vitais da pequena Lauren. A garotinha de sete anos tinha dado entrada na semana passada por desmaios e febre alta, seguindo depois por hemorragias nasais frequentes, sangramento nas gengivas e sangramento excessivo em pequenos cortes.

Com o resultado do exame feito, foi confirmada a minha suspeita de que Lauren Morgan tinha leucemia. A pior parte era sempre contar aos familiares e aprendi a guardar minhas próprias reações para que o resultado não fosse um completo desastre. Era duro ter que olhar para o rostinho de crianças como a doce Lauren, e dizer que seus dias iriam mudar completamente. Era difícil não nos envolvermos quando uma paciente nos oferecia um sorriso simpático ou nos fazia prometer algo que no final, não era capaz de cumprir.

No hospital, minha vida se resumia entre atender cinquenta pessoas por dia e trabalhar por doze horas corridas. Isso sem contar com os plantões. Havia aprendido com muito custo a ser o que sou, porém não conseguia deixar de pensar que essa fase era a mais aguda em minha carreira como residente. Foram tantas emoções marcantes, desde o primeiro ataque cardíaco, até o bêbado que dá escândalo no PS, a cirurgia que termina em morte.

Lembrava-me de um dia em que meu superior me colocou em uma cirurgia de um homem de origem árabe com seus 76 anos. Ainda podia sentir como minhas pernas tremeram e meu coração vacilou. Tinha pensado em negar a oportunidade, mas no mesmo pensei na razão de querer me tornar um cirurgião. Estava ali por meu pai. E continuaria por ele.

Martin sempre foi o grande motivo para me aprofundar no mundo da medicina. Queria saber como e porque ele teve que ceder por causa de uma doença. Um homem que parecia tão saudável e que tão de repente não conseguia mais se aguentar em pé. Não saber o motivo de sua partida repentina me deixar agitado, e quando finalmente entendi que o câncer não poderia ter sido impedido, pois já estava alastrado por todo seu coração e pulmões, senti que o saber, de nada adiantava. Eu ainda sentia uma parte de mim faltando.

Mas ela se tornava menor quando estava ali, naquele hospital e ajudando pessoas que tiveram o mesmo câncer dele ou até mesmo que sofresse de causas diferentes. Ver um olhar de agradecimento quando podia os ajuda-los fazia todo o esforço uma boa conquista. Então eu segui com a cirurgia do homem árabe. O paciente tinha câncer de intestino e precisava ser operado com urgência. O outro problema no coração, no entanto, tornava a cirurgia muito arriscada. Coube a mim a tarefa de convencer um médico a realizar a operação e de explicar à família que havia 80% de risco de tudo dar errado.

Para minha satisfação, a cirurgia correu muito bem e o paciente conseguiu viver mais dois anos. Mesmo que meu desejo fosse curá-lo da doença, senti-me feliz por conseguir dar a ele tempo o suficiente para dizer o que precisava a aqueles que ele amava, e então finalmente partir. Foi um momento no qual tive que passar com uma força elevada.

A vida de um cirurgião não era fácil, mas era apenas minha primeira experiência como residente. O ano já estava no fim, porém parecia nunca acabar. E com a partida de Harlow e o seguimento com as papeladas da tutela, tudo estava fazendo-me louco.

Como disse Ethan, eu tinha tudo para ganhar, porém o que me feria gravemente eram as horas que passava no hospital quando deveria estar cuidando de Harlow. E por mais que eu tentasse eu nunca conseguiria mudar minha tabela. Minha profissão e aprendizado requeriam àquelas horas e todos os plantões possíveis, não poderia simplesmente virar as costas e dizer que não podia comparecer em uma cirurgia. Ter que escolher entre a profissão que eu batalhei para ter e a minha irmã, era a mesma coisa que enfiar uma faca contra meu peito e a lamina estivesse prestes a alcançar meu coração. Por mais que eu fosse um médico, eu não poderia fazer uma cirurgia em mim mesmo, portanto estava quase dando o caso como perdido. Não era como se fosse permitir que levassem Harlow para longe de mim independente o que estava me sendo tirado, minhas irmãs viriam sempre em primeiro lugar.

Enquanto pensava exatamente nisso, senti quando Meu bip preso no cinto vibrou e criou vida. Suspirando olhei e me apressou para a os fundos do hospital. No meio do caminho o corpo de uma das internas foi diretamente contra mim, nos fazendo cambalear.

— Ashaley — grunhi irritado.

A moça arregalou os olhos enquanto ajeitava os cabelos escuros e depois alisava seu jaleco. Logo atrás dela Bruce apareceu, seu rosto pálido agora estava corado dando-me a certeza que os dois não estavam atendendo os pacientes como ordenei duas horas atrás. Senti as cordas da paciência esticar e quase partir ao meio, mas ignorei o fato que meus internos não podiam deixar de se envolverem mesmo quando existia uma ordem prescrita.

— Desculpe doutor Cooper — Ela disse apreçada.

Bufei, e virando-me acenei para que ambos me seguissem. Uma das obrigações de um residente era ter seus próprios iniciantes, ou seja: eles fazem teste, anotam ordens e trabalham todas as noites até desmaiarem, e se dependesse dele, não reclamavam. Naturalmente, a honra para fazer a primeira cirurgia é reservada para interno mais promissor, por isso a cada cansativo dia, tinha bajuladores em seu pé e exibicionistas.

Quando chegamos aos fundos mais um interno estava à espera da ambulância, tomei nota sobre ele e de como acelerou o passo assim que o bip soou.

Tirando as lupas do bolso e as colocando assisti enquanto a ambulância se posicionava. Quando essa estava parada foi que o show começou.

— O que temos? — perguntei apressadamente para a paramédica.

— Hilary Menezes. Vitima de espancamento. Não temos movimentos torácicos. — Com rapidez fiz pressão sobre seu peito.

— Bruce, me ajude com o tubo. Ashley segure-o assim e bombeie duas vezes quando eu disser. Dylan mantenha os batimentos na linha. — Instrui com enquanto controlava minha própria ansiedade. Era normal que o coração de um cirurgião acelerasse muito em minutos em uma situação dessas, portanto sabia que sua reação era aceitável, e enquanto trabalhava em fazer com que a mulher voltasse a ter um pouco de ar. Os olhos azuis da paciente estavam focados, arregalados, arranhados marcavam seu rosto.

Subindo a mascara para frente do rosto, senti o peito dela até encontra uma inchação sobre as costelas.

— Temos um pneumotórax. Bisturi! — falei. Quando tive o queria na mão procurei pela válvula na abertura dos pulmões que provavelmente não estava fechada acabando por comprimir os pulmões e os outros órgãos. Descei os dedos logo a baixo das costelas até encontrar o ponto certo entre as duas. Pegando o bisturi apliquei uma suave pressão contra a pele até perfurar.

Assim que o furo foi feito o peito da mulher subiu, dando passagem para que o ar passasse.

— Bombeie Ash. Dylan e Bruce, empurre a maca — disse. Sua interna o fez e em seguida colocou uma mascara na mulher quando essa começou a tossir.

— Hilary. Ei, vamos, respire para nós. Precisamos que respire — falei em seu ouvido enquanto andavam.

— O tubo está inserido — Bruce disse sem diminuir os passos, seus olhos na maquina — Oh merda, o oxigênio está subindo!

Xingando, peguei a caneta com a lanterna e passei sobre os olhos da paciente.

— Hilary, vamos. Você precisa nos ajudar aqui. — Nenhum sinal. Praguejando toquei sobre sua cabeça quando pararam dentro da sala. — Não há sinal de lesão cerebral traumática. Dylan, o que acha?

Meu interno engoliu em seco enquanto conferia o paciente, podia ver o suor descer a testa do pobre homem.

— Ligue o tubo em uma bomba de aspiração, o ar vai continuar a escapar através de uma conexão entre uma via respiratória e a cavidade pleural. — Era nessas horas que sentia-se grato por ter pelos uns internos de rápido pensamento.

— Bom. — falou somente.

Dylan sorriu, o peito inflando quando Ashley inseriu a bomba. Depois de cinco minutos tentando manter a mulher, seus batimentos coincidiram e o oxigênio bateu com a mesma meta. Respirando fundo, passou novamente a caneta sobre os olhos dela.

— Pode me ouvir Hilary? — Ela apenas piscou — Ok. Se a resposta for sim pisque duas vezes.

Ela piscou duas. Eu sorri.

— Ótimo. Sente muita dor? — Sim.

— Pode me dizer onde? — Não.

— Muito bem, estarei tocando em você, assim saberei o que está errado. Me entende? — Sim. — Ok.

Gentilmente, toquei sua cabeça e procurei por danos. Ela não mostrou nenhum sinal de dor, nem nos braços ou pernas, mas quando chegou ao peito, pôde sentir seu arquejar.

— É aqui Hilary? — pressionei devagar os pulmões. Ela piscou duas vezes, lágrimas caindo em seguida, fazendo-me notar que seu rosto não era nada velho. Talvez tivesse vinte anos. A mesma idade que Dana.

Senti a simpatia fluir, mas não deixei-me abalar, toquei os cabelos ruivos da moça e sorri.

— Não há o que temer. Vamos cuidar disso ok? — Acho que ela tentou assentir, mas não conseguiu muito sucesso.

Virando-me para meus internos peguei a fixa de Hilary e tirei as luvas.

— Dylan, se prepare para uma cirurgia. Encontre-me na sala em meia hora — Caminhou até a porta retirando a mascara, mas parou ao ouvir o protesto dos outros dois.

— Espere, mas e nós? — Ashley perguntou.

Eu os olhei por um instante, então não consegui conter o sorriso malicioso que estreitou em meus lábios.

— Vocês cuidam dos exames anais do paciente que atribui durante amanhã — respondi, e com aquela pequena satisfação, sai da sala com a fixa em mãos.

Era uma das coisas que eu gostava. Deixar que meus internos se acertassem para ver quem tinha mais chance com cirurgias. Suas indignações era a minha felicidade. Só de pensar que tinha sido exatamente igual comigo, fazia as coisas mais divertidas.

Seguindo para o corredor alcancei o quadro de cirurgia que o hospital tinha. Escrevi o horário da minha cirurgia e o nome do interno que faria parte da grande experiência. Segui então para meu momento tão precioso, o qual teria que me preparar para a grande ação.

Mais uma cirurgia, e não conseguia me sentir feliz por isso. Tudo que conseguia pensar era em Harlow e... Oh Droga. De novo não. Eu não devia mesmo fazer isso.

Entrando em minha sala, apoie-me contra a porta enquanto conseguia respirar depois de um longo dia, apreciei o único instante sozinho. Não havia voltado para casa ou ligado para ver se Dana estava bem, não tivera nem tempo de atender quando Harlow ligou, ou entrou em contato com... Droga. Ela devia achar que estava a ignorado novamente. Ela. A mulher que não saia de meus pensamentos nem quando estava prestes a entrar em cirurgia.

Caroline.

A merda começou novamente. O arrepio passou desde a nuca até abaixo do estomago, fiquei envergonhado que apenas a menção de seu nome me fizesse ter uma reação dessas. Mas como podia evitar? Desde o minuto que a conheci, não esqueci mais seu rosto. Aqueles olhos me fascinavam, a elegância e leveza que usava para caminhar fazia meu sangue esquentar, e toda vez que ouvia a entonação da sua voz minha mente parecia confundi-la com o mais doce som que já ouvira.

Não entendia porque estava agindo assim, já tivera mulheres por quais me interessei, mas não como essa. Caroline tinha um jeito contido que acabava por torna-la absolutamente tentadora, e o pior era que ela não se dava conta. Assim como não se deu conta de como quase me enlouqueceu ao aparecer naquele Café, depois que sutilmente me neguei a aceitar aquele sentimento estranho que se espalhou enquanto conversava com ela durante seu exame.

Os breves momentos que consegui tocá-la foi uma benção, sua pele era tão macia e clara que desejei poder fazer mais, no entanto, quanto mais escutava sobre ela, mais notava como aquelas palavras faziam-na tão parecida comigo. Era uma merda sentir-se inseguro, e naquele instante, quando percebi que ela estava no Café e que sorria em minha direção mesmo depois que abaixei a cabeça como um adolescente indeciso, algo dançou em meu peito. E eu sabia naquele instante, que era alívio e satisfação.

Alívio por ela não estar magoada. E satisfação por ser a pessoa a ver aquele sorriso.

— Dr. Cooper? — A batida na porta fez-me sair dos devaneios.

Esfreguei os olhos.

— Sim?

— A sala está preparada. — Respirando fundo, encostei a cabeça na porta.

— Levem a paciente. — falei — Estarei lá em alguns segundos.

— Pode deixar doutor — E ouvi-a se afastar.

Esfregando o rosto, obriguei-me a tirar os problemas da cabeça e qualquer coisa em relação à Caroline. Não estava indo brincar, tinha uma vida em jogo e se falhasse essa seria perdida.

Desligando-me totalmente, comecei a me preparar. Já virará um habito para mim, vestir o avental, lavar as mãos, seguir para sala e calçar as lupas para dar inicio a cirurgia. Um processo que acabou se tornando um momento precioso, assim como aquele pequeno instante quando estava ao lado da maca do paciente e podia fechar os olhos e pensar somente nas pessoas da minha vida. Pensava no sorriso e no abraço acolhedor de Dana, na impaciência rabugenta de Harlow, na voz esplendida e sonora da minha mãe enquanto cantava, e do aperto forte e quente da palma de meu pai quando ele estava a me consolar.

As imagens ajudavam-me a controlar a ansiedade, porém dessa vez, enquanto preparava-me na cirurgia, mais um rosto apareceu para me dar conforto. E era estranho, mas ele tirou-me um suspiro cansado dos lábios até que esse se tornou uma palavra. Um nome. Caroline. Sempre Caroline.

E mesmo que esse fato me perturbasse, eu comecei e terminei a cirurgia, e quando finalmente pude sair do hospital, já era dia e o sol me deu as boas vindas, lembrando-me de algo extraordinário.

Era primeiro de agosto. Ou seja, faltavam exatamente 33 dias para a volta de Harlow. Porém isso exigia algo ruim também. Olhei sobre o ombro para o hospital, engolindo em seco quando mais uma vez, pensei em como seria minha vida se desistisse de ser cirurgião. O que poderia fazer depois? O que?

Com o coração apertado, apressei-me para o metrô, querendo chegar em casa o mais depressa possível. Estava preocupado com Dana, ela não ligou nenhuma vez, o que era muito estranho se tratando dela. Andei pela linha quatro do metro com mau humor, pensando seriamente em finalmente comprar um carro. Quem sabe quando conseguir a tutela de Harlow e também um novo emprego? Com certeza poderia pagar as parcelas com o dinheiro que tinha juntado. E ainda sobraria para a faculdade de Harlow.

Depois de duas voltas longas de trem, consegui chegar a casa, os ossos clamando por uma cama e o estômago por uma boa refeição. Tentei manobrar entre as mãos a pasta e os arquivos de alguns pacientes que tinha de estudar, enquanto procurava a fechadura da porta, porém tudo que estava conseguindo era uma bagunça com meus exames.

Sentindo-me culpado por ter de acordar Dana, desisti e ergui o dedo para tocar a campainha, mas não havia apertado quando uma mão cobriu a minha suavemente.

— Precisa de ajuda?

Desorientado, puxei a mão rapidamente e recuei até que bati na porta. Como um grande idiota, deixei todos os exames caírem no chão junto com a pasta, e a minha frente, Caroline arregalou os olhos com as bochechas coradas.

— Oh, me perdoe! — Ela se abaixou e começou a juntar minhas coisas, o que me fez acordar, já que não podia deixar que nenhum arquivo se misturasse.

— Não, espera... Esta tudo bem eu... — Minha frase ficou no ar quando peguei as papeladas, e fiquei intrigado que ela tivesse tomado cuidado em não misturar nada. Ninguém pensaria nisso tão rápido.

— Eu só queria ajudar, você parecia estar com dificuldades com a porta — falou parecendo envergonhada. Pegou minha pasta e se levantou comigo — Desculpe.

Novamente, aquele estranho fascínio por ela me fez olhá-la fixamente, tomando nota de seu cabelo amarrado alto por um elástico e o rosto bonito coberto por uma fraca e clara maquiagem. Os lábios tentadores brilhando com gloss enquanto competia com o vestido preto que moldava perfeitamente as suas lindas e suntuosas curvas.

Senti aquela quentura se apossar do meu corpo como sempre acontecia, e tive que limpar a garganta para poder falar.

— Não precisa se desculpar — tentei soar gentil — aprecio sua ajuda.

Seu sorriso me fez querer gemer de frustração.

— Se é assim deixe-me ajuda-lo com a porta. — Ela olhou para o chão, e somente fui notar o que ela procurava quando a vi se abaixar para pegar a chave que também tinha deixado cair. — Posso, é... — Apontou para a porta.

Eu engoli novamente, mas dei passagem para que ela chegasse até a fechadura. Fechei os olhos quando o cheiro de girassóis alcançou meu nariz, o aroma brincando com meu controle enquanto observa-a abrir a casa.

— Prontinho. — Ela sorriu para mim.

— Obrigado.

— Não por isso. — Entrei em casa enquanto ela pisava de volta no degrau da varanda, porém percebi que não sabia o motivo de ela estar aqui ás sete da manhã. Com a testa franzida, voltei-me para ela, esperando que tivesse partido, mas a mulher ainda estava ali, olhando para os lados enquanto os pés com saltos enormes pareciam inquietos.

Ergui uma sobrancelha.

— O que faz aqui Caroline? — perguntei curioso.

Ela abriu a boca, mas nada saiu. Isso me deixou ainda mais curioso.

— Veio ver Eloise e se perdeu? — Voltei a perguntar e apontei para casa a esquerda — Ela mora bem ali.

— Não vim ver a Lizze — disse lentamente, como se estivesse confirmando de que não falou besteira. — Na verdade vim ver você.

Porra. Não estava preparado para a comoção que se agitou por dentro de mim quando ouvi-a dizer cada uma daquelas cinco palavras. Culpa me encheu ao perceber que mesmo depois de dias sem ligar, ela ainda estava ali, me olhando com suavidade e dizendo que estava ali para me ver. Essa mulher realmente existia?

— Me ver? — Não sabia se podia ser mais idiota que isso — Por que?

O olhar dela se aguçou, e os lábios cerraram quando o rubor retornou, mas ela não desviou os olhos.

— Um. Eu estou... — Ela hesitou, então suspirou e disse — Eu ia dizer que estava aqui só porque Jodie e os outros pediram, mas isso não seria verdade. Só precisava saber se estava tudo bem com você.

Iria ataca-la, pensou sobre pressão. Se ela continuasse sendo tão adorável iria tomá-la nos braços.

— Por que eu não estaria bem? — Não compreendia o motivo de fazer-lhe tantas perguntas, mas algo na forma como ela nunca recuava mesmo estando desconfortável fazia-me muito tentado.

— Você prometeu ligar — Sua voz abaixou um pouco, os olhos ficando tristes — Sei que não devo cobrar alguma coisa, mas eu fiquei preocupada desde a última vez que nos falamos por telefone. Sua voz parecia cansada e aérea. Quando não telefonou achei que pudesse ter encontrado um problema sério.

Lentamente, deixei minhas pastas e arquivos sobre a mesa recostada contra a parede. Em seguida voltei-me para a mulher, chocado que se importasse tanto com meu bem-estar quando nem mesmo convivemos para ter algo a mais que um momento juntos como conhecidos ou uma conversa rápida.

Com o coração martelando, parei em sua frente, tão próximo quanto no dia em que tirei seu exame de sangue, tão próximo que podia sentir o cheiro de girassóis novamente e também sua respiração. Ela não esperava pela forma abrupta que caminhei para ela, então desceu os degraus cambaleando nos saltos, porém eu a segui, atraído por seu olhar. Caroline era uma mulher alta, porém ainda faltava uma parte para que me alcançasse, no entanto eram exatamente esses dois centímetros que a fez estar com os olhos na direção da minha boca. Notar que ela não desviou olhar me fez quente e ansioso, entretanto não entendia porque estava assim.

— Não precisava se incomodar — falei com uma voz áspera — Peço perdão por não ter retornado a ligação ou dado uma noticia. Ando muito atarefado e quase não tenho tempo para respirar. — Suspirei quando ela encontrou com meus olhos, e a preocupação nadando ali me fez quase feliz. Feliz por ela se importar comigo — Eu que estou bem. Juro.

— Tem manchas ao redor dos olhos — Acusou afiada de repente — Seu cansaço é visível a quilômetros. Precisa de um tempo para você.

Senti meus lábios curvarem em um sorriso.

— Não sou tão sortudo para ter algo como isso. — disse com diversão, no entanto também um desejo escondido — Você não entende como preciso continuar trabalhando. O sono e o tempo livre terão que esperar.

Caroline piscou, e um olhar de saber que já tinha visto passar em seu rosto, fez-me encará-la com cuidado.

— Acha que não entendo, mas o faço — falou gentilmente — É como se o mundo estivesse querendo desabar nas suas costas apenas para confirmar de que não vai cair. Eu sei como é cansativo virar a noite por causa da sua profissão e sei como é perturbador ter que pensar na sua família, que está sozinha em casa enquanto você tenta dar tudo de si para mantê-los. E eu sei como é querer um futuro tranquilo, quando sua felicidade está em um totalmente agitado. — Suas íris brilharam para mim — Eu sei de tudo isso Jared. E por isso estou aqui. Apenas para dizer que entendo, mas que às vezes até um irmão dedicado, precisa de uma pausa. Como acha que vai suportar os problemas sem pegar forças antes?

Caroline me deixou sem fôlego, prendi a respiração até que tive de forçar meus pulmões a funcionar novamente. Estava sendo necessário toda minha maldita força para manter-me longe dela e longe daquela boca que se movia para falar palavras tão bonitas e que mexiam com meu emocional. Ver que ela entendia e que não me julgaria ou me atiraria pedras por não estar cuidando-me, como minhas irmãs faziam, quase trouxe lágrimas aos meus olhos.

Era tolo, mas ter alguém tão semelhante a mim em todos os sentidos trazia uma paz que a muito não sentia por dentro.

Queria ter conseguido dizer alguma coisa para ela ou até agradecer, mas não me achava capaz, por isso não soube se fiquei mesmo feliz quando Dana apareceu na porta logo atrás de mim.

— Ah! Até que fim você chegou — Não conseguia tirar os olhos de Caroline, e ela parecia estar enraizada no mesmo lugar também, pois não se moveu — Ei, o que foi? Está tudo bem aqui?

— Sim — Foi duro ter que expulsar as palavras por entre os lábios antes colados — Me desculpe à demora, tivemos muitos casos e não pude voltar para casa. — Virei na direção da minha irmã e forcei um sorriso quando me aproximei da varanda novamente, me afastando de Caroline enquanto essa apenas observava — Como foi sua noite querida? — Como sempre, beijei sua testa e olhei em seus olhos.

Não gostei quando esses desviaram.

— Dana? Aconteceu alguma coisa? — Olhei-a por inteira, já com o olhar aguçado e com minha percepção de medico para o caso dela estar doente.

Suas mãos me impediram de tocá-la para ver se tinha febre.

— Temos visitas — falou apenas. Percebi então que ela não usava seu pijama habitual, e sim um short jeans e uma regata. Os cabelos estavam soltos nos ombros.

Parei para entender o que ela disse e fiz careta.

— Quem? — Questionei em alerta.

Minha irmã suspirou.

— Acho melhor entrarem. Será uma longa conversa — Ergui uma sobrancelha, em seguida olhei para Caroline, que ainda tinha os olhos em mim, atenta a tudo como uma águia.

— Como assim? Ela...

— Estávamos esperando-a chegar também. Agora ambos estão aqui, podemos acabar com o suspense.

— Suspense? — Balançei a cabeça — Do que está falando Dana?

— Vamos entrar — Caroline finalmente se mexeu, seu tom não mais brando agora estava profissional, centrado. — Agora.

~*~

Minha sala estava lotada de adolescentes emburrados e terrivelmente falantes. Olhei para aquilo com completo horror, assim como me assustei quando notei meu advogado, Ethan Corey, andar de um lado para o outro com as mãos nos quadris enquanto tinha uma expressão nada feliz na face. Seja lá o que estava acontecendo, ele parecia furioso.

— O que é isso? — questionei.

Rostos viraram-se para mim com o famoso olhar “ Sou culpado”. Estava sempre o vendo no rosto de uma das minhas irmãs, portanto apertei os olhos com desconfiança.

— Eu devo me sentar? — indagou logo de cara.

Ethan, que antes andava de um lado para o outro, grunhiu insatisfeito.

— Absolutamente. Sente.

Assim como sugeri, fiz o que foi dito. O homem olhou para o sofá onde estava seu filho Liam com Jodie.

— Comecem — ordenou. — Falem tudo o que me disseram.

Estava começando a não gostar da forma como Ethan parecia zangado, assim como não gostei que quem tomou inciativa para falar, foi a amiga encrenqueira de Harlow, Jodie, que se levantou bufando e com um laptop nas mãos.

— Ok. Mas antes de falar, queria só deixar claro que fiz isso porque quero Harlow conosco. — Senti meu corpo congelar.

— O que ela tem haver com isso? — Senti meu controle tremular.

Ethan grunhiu ruidosamente.

— Não enrole Jodie.

— Aff. Ok — Ela virou os olhos e abriu o laptop. — Bem, para começar. Nós... — Indicou todos dentro da sala — não confiamos na tia de vocês.

Sutilmente, senti a mão de Dana sobre meu ombro enquanto olhava a menina.

— Não é como se eu confiasse — murmurei sincero.

Jodie sorriu satisfeita.

— Isso é ótimo, assim não irá se importar se dissermos que investigamos sobre Amélia desde que Harlow foi embora para Malibu.

Não soube se tive uma expressão assustadora ou se só uma camada de gelo fez-me parecer cruel, mas sei que senti tudo dentro de mim remexer-se com pavor quando uma conversa que tive com Ethan, sobrevoou no exato momento para minha cabeça.

— Temos que ser cuidadosos e não envolver ninguém. Se o juiz sequer suspeitar de que estamos saindo da linha, Harlow sofrerá as consequências, portanto nada de comentar nossas reuniões com os amigos de Harlow ou até mesmo a própria Harlow. — O olhar verde de Ethan caiu sobre mim — Isso fica entra nós e só falaremos o que for liberado. Fui claro?

Prontamente, eu ergui a cabeça.

— Com certeza.

Uma camada de pura confusão e raiva fez-me permanecer parado olhando para o rosto —agora aflito — de Jodie. Lentamente, eu me levantei e caminhei para perto dela, olhando entre os rostos naquela sala. Decorando cada expressão de culpa escondida. Jonathon, o garoto que eu sempre confiei deixar minha irmã nos momentos em que sabia, ela poderia precisar de ajuda, estava me olhando acuado, vestia um jeans escuro e a camiseta azul como seu cabelo bagunçado. Ao seu lado Eloise mordia a unha do polegar nervosamente, e quando sentiu-me olhando-a, ela suspirou, sabendo bem o que poderia estar pensando.

— Jared olha...

— Vocês — Minha voz foi dura — Por acaso são tolos?

O silêncio deles me irritou. Haviam feito a burrada do século no meio da minha família, e agora não sabiam o que falar? Senti a amargura subir minha garganta enquanto pulava os olhos pelo rosto de Stefany e Jackson.

— Como ousam mexer em algo tão importante? — Questionei enfurecido. Guiei os olhos para o garoto atrás de Ethan e torci os lábios com insatisfação quando apontei — Você! Eu disse para não fazer droga nenhuma contra a minha irmã!

Eu pude ver a cor escapar do rosto de Jimmy instantaneamente, como se não esperasse que ele pudesse levar a culpa em suas costas. O garoto se aproximou com os olhos arregalados e afogados em um desespero que eu não esperava ver vindo dele.

— Não estávamos fazendo isso para prejudicá-la — Retrucou apressado — Eu não estava tentando isso. Eu prometi que não a machucaria. Eu prometi Jared!

— Então que merda é essa Rory?! — gritei exaltado. Não conseguia lembrar quando fiz tal coisa dentro da minha própria casa. — Como puderam pensar em fazer algo tão malditamente insano? Vocês não fazem ideia o que aconteceria com a tutela que estou tentando obter do juiz. Não sabem como isso prejudica o meu nome!

— Isso não é verdade! — Jodie se colocou entre mim e o garoto com uma expressão desafiadora. Olhei para o lado e Liam havia se levantado para ficar perto da namorada maluca. — Nós sabíamos. Caroline nos alertou.

Mais esse fato foi como uma punhalada no peito. Virei-me para a mulher atrás de mim com um olhar afiado.

— Ajudou eles mesmo sabendo do perigo? — indaguei fora de controle. Ferido — Ajudou eles sabendo que poderia perder minha irmã!

— Jared...

— Quieta Dana — Ordenei. Seus olhos ficaram pasmos com meu tom, mas não podia ser gentil agora. Nem mesmo com ela.

Voltei-me para Caroline, esperando que essa estivesse com o mesmo ar culpado dos outros amigos, mas ela nem mesmo abaixava a cabeça. Tinha os olhos presos em mim, a boca cerrada em uma linha reta e o rosto sem nenhuma expressão. Se não fosse a veia com a pulsação acelerada em seu pescoço, eu pensaria que ela poderia estar debochando da minha preocupação.

— Se você sentasse e ouvisse — falou calma — Poderíamos explicar o que foi feito.

— Ouvir? — Soei incrédulo — Eu não quero ouvir. Eu quero que parem de fazer seja lá o que estão planejando. Quero que parem agora.

— Nós nem começamos — Jodie bufou batendo o pé. — Será que pode deixar de ser o irmão protetor por um instante e me escutar? Não acuse meus amigos dessa forma de uma coisa que foi minha ideia. Jimmy tentou me fazer mudar de ideia, então pare de apontar antes que ele tenha um ataque.

— Hey!

— Fica quieto louro — Jodie ergueu a mão com impaciência e depois apontou para mim. — Caroline também não merece sua arrogância. Agora, sente a bunda no sofá e escute. Nós não fizemos nada ainda, mas estamos aqui para que vocês façam!

Fiquei em silêncio, primeiro porque não conseguia pensar em nada para dizer para aquela garota de apenas vinte anos, e segundo porque estava tentando controlar meu temperamento, que nunca havia explodido como naquele instante. Engolindo em seco com a respiração dura, olhei Caroline novamente, e ela tinha desviado os olhos, porém se mantinha afastada e com a mesma expressão ilegível. Entendi com rapidez que aquela era a expressão que a mulher usava quando se sentia magoada, ou quando era obrigada a permanecer quieta quando não queria. Era uma fachada de mulher forte para aqueles que poderiam achar que ela era fraca.

Era a expressão de uma advogada.

— Muito bem — Me sentei no sofá novamente. O alívio deles foi até mesmo cômico — Digam-me de uma vez o que isso se trata.

Jodie suspirou satisfeita e trocou olhares com Liam, depois se ajoelhou no chão e puxou a mesinha de centro. Colocou o laptop lá e o abriu.

— Quando conheci Amélia, eu no exato momento achei que ela escondia algo. — Começou. Dana veio se sentar ao meu lado, os olhos na garota — Por isso depois que Harlow foi embora, eu reuni o pessoal para dizer que íamos investigar sobre ela.

— Vocês não são detetives para isso — Dana acusou com o semblante sério — Jared tem razão, não deviam mexer com o que não sabem lidar.

— Você está falando com Elizabeth Jodie, Dana — Ethan olhava a nora com ressentimento — Ela não faz o que mandão. Se fizesse facilitaria minha vida e a de muitos.

Jodie virou os olhos para Ethan e fez uma careta.

— Não finja que não é uma boa coisa. Sei que está bravo e tudo mais, mas eu ter feito isso lhe deu uma chance maior. Admita. — Meu advogado torceu os lábios e continuou quieto, e obviamente não diria nada, pois deu as costas para a menina.

Eu já não entendia nada.

— Será que podem continuar a falar? — Esfreguei o rosto totalmente exausto — O que você fez Jodie?

— No começo, eu estava meio que curiosa com o fato de Amélia ser tão rica e não ter nenhuma pista falando como ela conseguiu esse dinheiro. Eu cogitei ser uma herança de família, mas então vocês também teriam parte dela, certo?

Franzi o cenho, pensando sobre o assunto enquanto olhava para Dana. Ela também ficou confusa, notando que nunca havíamos refletido sobre esse assunto.

— Sim. É verdade — falei relutante — Mas provavelmente ela é empresaria.

— Pensávamos isso também — Jimmy colocou-se atrás de Jodie e sentou no sofá — Mas se ela fosse, teria pelo menos um arquivo na internet falando sobre qual empresa é de sua incumbência. Mas não existe nada.

— Desculpe Jimmy, mas confiar na internet não é a melhor coisa que podem fazer se tratando de um assunto desses — Apontou Dana — Não é todos o empresários que saem nas redes sociais.

— Sabemos disso Dan. Mas o fato aqui é Amélia Santino não tem absolutamente nada prescrito sobre sua carreira. Em nenhum lugar — Ele me olhou com seriedade — E é isso que estamos tentando mostrar. Ela esconde algo sobre isso. E Jodie encontrou uma parte do seu segredo.

Olhamos novamente para a garota, ela sorriu e empurrou o laptop.

— Eu estava agoniada por nada aparecer no google então cogitei escrever o nome materno da sua tia. E apareceu isso.

Eu e Dana nos inclinamos para ler o que estava escrito, porém não compreendi o que aquilo queria dizer. Isso até lermos o conteúdo até o final. Minha garganta pareceu fechar e senti quando a mão da minha irmã agarrou meu braço. Meu coração saltou batidas aceleradas.

Com assombro, nós olhamos para Ethan

— Isso é verdade? — Meu advogado suspirou pesadamente.

— Eu me preocupei em olhar mais afundo sobre o assunto antes de vir falar com vocês. Questionei aos meus colegas de trabalho sobre Logan Galen. Existe mais entrevistas com o mesmo conteúdo e todas, citam o nome de Amélia. — Seu olhar recaiu sobre a nora — É um episodio verídico e ocorreu no ano de 1996.

Dana estremeceu ao meu lado e quase pude fazer o mesmo.

— Eu nasci esse ano. Existe uma data?

— Nós pesquisamos por isso também — Jodie se adiantou — Aconteceu no dia 28 de outubro. Exatamente vinte sete dias antes do seu nascimento. Amélia estava com quinze anos, no entanto isso não é o importante. O que realmente importa, é se você se lembra de algo dessa época Jared. — Os olhos questionadores da menina me fizeram tenso. — Você estava com nove anos, tem que se lembrar de alguma coisa.

Pisquei, abrindo meus olhos para um longo e distante passado, onde minha mãe caminhava descalça pela casa com uma grande e arredonda barriga enquanto meu pai limpava o chão por onde ela passava. O amor entre eles era visível, mas eu me recordava de breves instantes quando Hope sentava-se na balança em nossa varanda, e ficava aérea e absolutamente inalcançável.

Era nesses momentos em que eu a via chorar em silêncio, era quando eu me sentia confuso e preocupado por não poder fazer coisa alguma a não ser ir para meu pai e dizer que minha mãe precisava dele.

— Eu não a conhecia ainda — falei com a voz baixa, distante e percorrendo entre meus pensamentos — Sabia que minha mãe tinha uma irmã, mas nunca tinha chegado a vê-la. Amélia apareceu no ano seguinte, entretanto. Dana estava com três meses. Lembro-me que meu pai levou-a para nossa casa e que isso deixou minha mãe agitada. Ela chorou.

— Você nunca me disse isso — Dana tinha um olhar reprovador.

Eu balancei a cabeça.

— Isso não era importante para ninguém. Não existia motivo para falar.

— Nossa irmã pode estar morando como uma drogada, Jared! — Ela soou desesperada, e eu podia ver a sua agonia em seus olhos — Era importante para mim!

— Como eu ia saber que Amélia se envolveu com drogas? — Indaguei incrédulo que ela fosse mesmo me punir por algo assim. — Sou eu Dana. Acha mesmo que permitiria que Harlow fosse com ela se soubesse sobre isso?

Os olhos da minha irmã se encheram de água. Coloquei-me de pé e voltei-me para Jodie e todos seus amigos.

— O que mais encontraram?

— Eu encontrei o jornalista que publicou essa coluna — disse Jodie — Foi difícil, já que ele não esta mais aqui em Princeton, tive ajuda de um colega do meu trabalho, consegui seu telefone e tivemos uma conversa rápida. Ele confirmou sobre tudo, e durante a conversa eu novamente foquei sobre o fato de Amélia ter sido internada pelos pais em uma clinica para viciados.

— Mas o que isso tem de importante? — Apertei os olhos fechados e alisei o cabelo em frustração. — Isso só confirma que eu deixei Harlow com uma mulher viciada e... Oh Deus. Se acontecer alguma coisa com ela — O órgão em meu peito se apertou. Caminhei até a parede onde encostei minhas mãos e depois a testa, respirando com dificuldade enquanto continha minha preocupação.

— Não vamos nos exaltar Jared — Ethan falou — Nós vamos chegar a uma saída.

— Que saída? — Perguntei de olhos fechados — Digam-me antes que eu compre uma passagem para ir buscar minha irmã e sumir com ela para um lugar onde aquela mulher não nos encontre. Fale,m.

A tensão fez todos olharem uns para os outros, e quando voltei-me para Jodie, ela olhava para Caroline. Essa permanecia em seu lugar com os braços cruzados e assistindo sem acrescentar palavras.

Ela olhou para a amiga e suspirou antes de me encarar, parecendo não querer tomar a palavra para si.

— Nós achamos que você não a conhecia por ela estar na clinica. Na reportagem diz que Amélia estava sendo procurada por ter fugido de casa, e quando foi encontrada com um namorado foragido, estava viciada. Ela foi para a clínica, porém a policia local de Manhattan foi envolvida.

Senti faíscas piscarem em minha mente para o que a mulher estava falando, no entanto estava tão atordoado, que não conseguia juntar suas informações.

— O que isso quer dizer? — Dana perguntou por mim.

Caroline não tirou os olhos de mim, mas quem respondeu foi Ethan.

— Isso quer dizer que tanto Amélia, quanto Logan Galen, tem uma fixa guardada na polícia de Manhattan. E se conseguirmos acesso a essa fixa, podemos descobrir para que clínica ela foi enviada.

— E assim, poderíamos saber como ela seguiu de viciada para uma ricaça morando em uma casa em Malibu — Jodie continuou. — Eu e os outros teríamos ido pegá-la, mas Caroline nos impediu e deu uma ideia melhor. Mesmo que essa não tenha nos livrado da bronca.

Seus amigos deram risadinhas, mas não pude fazer o mesmo, estava encarando Caroline em busca de resposta.

— Que ideia é essa? — Ela desviou os olhos pela primeira vez e resolveu fitar a parede atrás de mim, a expressão em branco.

— Você precisa da fixa da sua tia. Se obtê-la, será uma acusação que o juiz não deixará de lado, portanto consiga uma autorização judicial para revirar os arquivos. Você ser um parente pode ajudar, e o fato de estar envolvendo uma menor anula as chances de sua tia conseguir a tutela. Se isso estiver na vida passada de Amélia, seu advogado pode alegar que ela é uma mulher altamente impropria para cuidar de uma menor.

A esperança que se espalhou por dentro de mim fez-me ofegar em direção a Ethan.

— É possível?

O homem trocou um olhar com Caroline.

— Ela está certa. Os garotos nunca conseguiriam entrar sem uma autorização, mas eu posso consegui-la. — Coçou o queixo distraidamente — Sim. O juiz não poderia se negar a uma investigação antes do julgamento de quem vai ficar com a guarda da menina.

Eu não entendia se me sentia aliviado ou completamente perdido. Talvez um pouco dos dois sendo que quando cai sentado no sofá, não conseguia pensar em outra coisa a não ser em como eu contaria aquela história toda para Harlow. Logo agora que ela parecia tão animada com morar ao lado de Amélia. Agora que elas pareciam estar se dando bem.

— Meu Deus — soprei.

Estava completamente ferrado. Tanto com Amélia quanto com Harlow. E aquilo só me fazia mais aflito. Fechar os olhos me fazia pensar em como tinha sequer cogitado deixa-la partir. Nesse momento poderia estar acontecendo as piores coisas com minha irmã e ela nem mesmo suspeitava. Ela podia estar em apuros por minha culpa.

— Ela me pediu para ficar — Murmurei sob culpa — Me pediu tantas vezes para ficar e eu decidi que era o melhor... Disse que Amélia cuidaria dela quando eu nem sabia o que essa mulher passou.

Dana veio na minha direção no mesmo instante em que deixei minha cabeça cair nas mãos, ela pulsava de dor, todo meu corpo o fazia. Percebi que naquele instante ser medico não iria me ajudar afinal, eu poderia até cuidar dos outros, mas fazer o mesmo comigo era algo que eu desconhecia.

— Jad. Nós vamos trazê-la de volta — Ela se abaixou em minha frente, e como sempre fazia quando olhava-me perder as estribeiras, ela sorriu e tocou meu rosto — Eu sei que você não é culpado ok. Desculpe se passei essa impressão, mas eu estou tão preocupada com Harlow como você está. Porém eu sei que podemos mudar o jogo.

— Mas...

— Nada de mais irmão — Ele apertou meu rosto entre as mãos — Nós temos algo a nosso favor e vamos usá-lo. E você, vai descansar e parar de pensar.

Balancei a cabeça.

— Eu não estou cansado — menti. Voltei-me para Ethan — Quando pode conseguir essa autorização?

Meu advogado se aproximou com as mãos nos quadris.

— Irei hoje mesmo telefonar para meu escritório e providenciar uma reunião com o juiz Thompson. É provável que tenha o que precisamos até o cair da tarde de amanhã.

— Isso é ótimo! — Jodie os surpreendeu com um sorriso — Assim podemos ir no dia seguinte até a delegacia.

Ethan se virou no mesmo momento com uma carranca.

— Vocês não vão. — falou duro.

Jodie cerrou as mãos em punho.

— O que? Mas eu fiz tudo isso e...

— Não podem — Entrecortou Ethan — Pelo amor de Deus Jodie, tenha senso por um instante. Você já burlou leis o suficiente por um dia. E agora Liam, vamos com sua namorada maluca para casa — Ele voltou-se então para os outros — E os outros façam o mesmo. Eu admito, fizeram uma coisa que facilitou meu trabalho, mas agora eu preciso cuidar disso sozinho junto com os irmãos de Harlow. E por favor, não mexam em mais nada sem minha permissão. Jared, estarei entrando em contato assim que puder. Então agradeceria se não comentasse nada com Harlow e muito menos com Amélia. — Fiz careta.

Ethan suspirou.

— Sei que é difícil ter que deixar sua irmã com ela agora, mas precisamos agir com calma agora. Tirar Harlow de Amélia só a alertaria que estamos suspeitando de algo. Então por favor, espere um pouco.

Era tão difícil ter que concordar com ele em uma situação daquela.

— Tudo bem — falei relutante — Mas não demore com isso e me contate no mesmo momento em que conseguir a autorização.

— O farei. E sinto por tudo isso — Olhou para Dana — Pelo os dois.

Minha irmã se abraçou e encolheu.

— Obrigada. — disse e o advogado se foi.

Apertando as mãos observei como ele acompanhava seis adolescentes para fora da minha casa. Levantei-me de onde estava com Dana ao meu lado e seguimos todos eles até a porta.

Ficamos olhando os adolescentes entrarem no carro de Ethan em um silencio cheio de perguntas, Dana abraçava a si mesma e quando a olhei, estava bocejando e coçando os olhos.

— Vá se deitar querida. — falei pegando sua mão.

Ela piscou e chacoalhou a cabeça.

— Está maluco. Não vou deixa-lo sozinho depois de tudo isso, e ainda temos que ligar para Harlow para saber se está tudo bem... E pera, é você que precisa ir dormir. Passou a noite fora de casa e...

— Dana. — toquei seu rosto gentilmente e sorri. — Você irá trabalha em poucas horas. Vá para cama e durma. Irei em seguida. — Ela apertou os olhos.

— Você promete ir dormir? — Ri suavemente.

— Eu prometo. — Garanti. — Agora vá.

— Ok — Ela se inclinou toda e ficou na ponta dos pés, sorri quando beijou minha bochecha — Não demore aqui em baixo ou virei buscá-lo.

— Pode deixar — sorri mais uma vez e observei-a indo para as escadas, mas no mesmo instante que eu pude ouvir a porta do quarto dela fechar, todo meu corpo vacilou até o batente da parede. Sentia meu rosto frio assim como todo o resto da minha estrutura, permiti que todo o horror sobre aquele momento, todo medo e preocupação, viesse a toda quando estava completamente sozinho.

A respiração se tornou escassa e tive de tirar o jaleco que ainda usava e afrouxar a gola da blusa de botões. Tudo dentro de mim se remexeu e achei que iria vomitar ali mesmo, e tudo piorou quando meus olhos recaíram sobre laptop que Jodie havia esquecido em cima da mesa de centro. A pagina que marcava Amélia como um perigo para minha irmãzinha.

— Ah Deus — O mundo girou quando puxei as pernas para perto do peito, sabendo que estava tendo uma crise de ansiedade no momento em que o suor começou a descer. Fechei os olhos para me concentrar no que era real, e não no meu desespero eminente. Repassei em minha mente várias vezes o rosto da minha família e sem perceber, comecei a falar seus nomes como um mantra, como se eles fossem uma corda que me puxavam da insanidade.

Martin. Hope. Dana. Harlow.

Martin. Hope. Dana. Harlow.

Martin. Hope. Dana. Harlow.

Não sei por quantas horas eu pensei em seus nomes, mas sabia que haviam sido muitas, e quando finalmente abri os olhos, estava respirando normalmente de novo. Engoli em seco e olhei em volta, checando se Dana não havia me pegado assim. Satisfeito, usei a parede para me erguer, porém grunhi quando a tontura fez-me cambalear.

Brilhante. Estava com fraqueza. Merda.

Sabendo que só conseguira ficar de pé se comesse algo, caminhei para cozinha lentamente, os olhos no chão enquanto contava minha respiração, e quando finalmente cheguei ao meu destino tive uma grande surpresa.

— Caroline?

Ela estava sentada na cadeira com as pernas e os braços cruzados. Os olhos em mim com seriedade.

— Então. Já passou? — Ergui uma sobrancelha.

— O que? — Olhei sobre o ombro — Pensei que tivesse ido com os outros.

Ela ignorou meu comentário e disse.

— O seu tempo. — Se levantou e piscou para mim inquisitiva — Teve-o ali fora. Pode comer sem vomitar?

Eu estava confuso, surpreso por encontrá-la ali e que ela tivesse me visto daquela forma. Pressionei os lábios juntos, envergonhado, pensei que se ficasse calado ela partiria, mas ela não o fez. Não seria Caroline se fizesse.

— Sente — Apontou a cadeira — Por favor.

Estranhamente, eu fiz o que ela mandou, puxei a cadeira que ela estava antes e me sentei. Ela não me olhou, apenas foi até minha geladeira e abriu. Apertei os olhos, curioso com seus passos contidos dentro da minha cozinha. Depois me surpreendi quando ela pegou uma panela quente de cima do fogão e um dos pratos no lava-louça. Ela despejou uma sopa ali e colocou a minha frente.

Deu o suco também, junto a uma colher.

— Coma — Ordenou. Eu apenas olhei-a, sem saber como agir.

Pela primeira vez eu pude ver o brilho de irritação brilhar em seus olhos quando se sentou na outra cadeira e tomou minha colher.

— Vamos Jared — disse afiada — Coma. Você está pálido, fraco e completamente cansado. Sei que sou a última pessoa que quer interagir, mas tome pelo menos essa sopa. Não me faça ter que implorar.

Fiquei com a boca seca; adrenalina de repente subindo por minhas veias quando peguei a colher de sua mão. Tudo que tinha acabado acontecer rolando como um filme de terror em minha mente, os acontecimentos e a forma como agi com ela me atormentando. Ela devia ter ido embora. Devia ter me deixado, mas estava aqui e ainda me fez comida. Ela estava aqui.

Sem pensar no que estava fazendo, eu deixei que a colher caísse da minha mão e me levantei daquela cadeira, terminando com aquela distancia que me fazia louco, pegando o que eu realmente queria desde que ouvi sua voz dizer meu nome. Eu agarrei sua cintura e puxei-a para mim, pressionando boca, peito e pernas tudo junto, me entrelaçando por completo com Caroline como nunca estive.

O ruído surpreso dela foi inútil e não me parou ou impediu-me de apertar meus dedos em sua cintura quando a puxei. Não me impediu de saborear sua boca e enrolar nossas línguas. Quase me perdi por completo quando ela fechou os punhos em minha blusa, levando-me para ela com mais força. Satisfação me fez gemer e segurar seus lábios com os dentes, atraindo aquela carne deliciosa para mais perto enquanto envolvia meus braços entorno de seu corpo perfeito; tropeçando para trás até a pia.

Caroline fazia sons adoráveis em sua garganta, suas mãos lutando com os botões da minha camisa eram desajeitados, e seu coração contra meu peito batia descontroladamente. Eu podia sentir o calor de seu corpo contra mim enquanto explorava a boca dela: pele suave e doce. Ela adentrou com os dedos na minha camisa e sentiu meus braços, eu suspirei, afastando-me de sua boca quando um sentimento de alívio fez-me querer apenas ser tocado por ela.

— Jared — Seu sussurro contra minha boca foi o suficiente para me fazer abrir os olhos, ainda ciente de suas palmas abertas em meu peito.

A visão do seu rosto corado e de sua boca avermelhada mexeu com meu emocional e ativou uma parte de mim que a muito não usava para coisas que envolvesse mais toques que o necessário, tal essa se ergueu e alongou em uma dureza anormal. Engoli um gemido.

— Caroline — Seu cheiro estava por toda parte — Deus, Caroline... O que você faz comigo?

— Eu? — Ela tinha os olhos tão claros em mim, tão brilhantes — Não estou fazendo nada. — E piscou. A sua sinceridade ao falar arrancou-me um sorriso cheio de humor. Ela realmente não sabia o que estava fazendo comigo, e isso só me atiçava.

— Sabe o que quero fazer agora com você? — questionei alisando seu rosto, sentindo o máximo possível de sua pele. Ela fechou os olhos, sua cabeça indo para trás para expor a linda curva em seu pescoço — É tão bonita. — murmurei, não resistindo em passear com os lábios ali, me embriagando com seu cheiro tão maravilhoso.

Seus olhos voltaram a abrir.

— Você também é. — Sussurrou. Engoli em seco estremecendo.

— Caroline — Respirei fundo. Ela se atentou a mim.

— Sim?

— Se não quiser isso... Saia agora daqui — falei sobre relutância. — Se não quer que eu a toque vire e saia sem me olhar. Não vou impedi-la. Mas se ficar... — Apertei os lábios juntos e pude sentir como a mulher estremeceu contra mim, os olhos se arregalando enquanto eu lhe dava liberdade para sair fora. Eu esperei, mas ela não recuou. Ela permaneceu me olhando, as mãos agora caídas ao lado da cintura enquanto me encarava.

— Por que eu sairia? — Foi sua pergunta. E também minha resposta.

Em um segundo ela estava me olhando e no próximo e eu a tinha em cima da mesa contra mim. Quanto mais eu sugava mais ela se apertava em mim e puxava minha camisa. As unhas cravando-se dolorosamente em minha pele, trazendo-me a doce satisfação de pensar que ficaria com marcas depois.

— Não existe mais chance de saída — Sussurrei para ela.

Caroline me olhou e surpreendentemente sorriu, as mãos em minha nuca enquanto suas belíssimas pernas fechavam em volta de meu quadril.

— Nada de saída. — Confirmou. Eu sorri de volta, e com o coração saltando em ansiedade, ergui-a da mesa e levei-a através das escadas para meu quarto, sentindo quando ela distribuía beijos por toda a extensão do meu pescoço e ombro. Era a merda de uma distração perturbadoramente boa, no entanto estaria indo puni-la, e nunca estive tão feliz por ter essa oportunidade.

~*~

Notas finais
E então pessoal, o que acharam do Jared? Pessoalmente, eu descobri que adoro escrever sobre ele. Alguém já conseguiu um shipper para Caroline e ele? kkk To esperando. Agora sobre meu aviso: As sequencias de postagens podem vir a diminuir, pois estou passando por um bloqueio terrível, eu tenho a cena em si pronta em minha mente, mas o que me falta são as palavras. No entanto, apesar dessa má noticia, quero dizer que próximo cap será da nossa Harlow, e que nos próximos a seguir, finalmente estaremos vendo um passagem de tempo realmente grande. Ou seja. Alguém vai estar retornando para casa com muitas mudanças. Estou falando sobre isso, pois queria animá-los para o que estar por vir. Sem falar que quando a fanfic estiver realmente se encerrando, estarei liberando uma surpresinha. Espero de verdade que quando souberem, acabem por gostar. Muito obrigada pela atenção e pelo comentários lindos. Vocês são meus amores. Bjs e até próxima postagem ♥