Rude Girl

20 Capitulo 20 — Meu sol


Notas iniciais
Atrasada, mas cheguei. Perdão gente. Fiquem agora com mais um pouquinho de Harmien (Shipp engraçadinho que deram para Harlow e Damien. kkk)

— É disso que eu estava falando! — disse Damien olhando para o céu e sorrindo.

Estavamos na praia novamente depois de correr por duas horas em volta do quarteirão. Assisti como ele se livrava da camisa regata e os tênis e suspirei. A ligação de Dana não saia de minha cabeça, e por mais que eu tentasse me distrair e aproveitar o tempo com Damie, eu me via pensando como ela tinha adivinhado que algo existia entre mim e o irmão de Caroline.

— Você está calada demais, caramelo — Me observou com atenção enquanto eu retirava meus tênis e a camiseta — O que sua irmã disse no telefonema?

— Nada de importante — Menti — Ela só ficou chateada por eu estar me dando bem com Amélia.

Andamos juntos para a areia. Damien franzia o cenho.

— Mas isso não é algo bom?

— Eu acho que sim — disse, mas suspirei — Mas meus irmãos tem medo de eu gostar até demais dela. Eu entendo, mas estou começando a achar um tanto errado.

— Não se torture com isso, caramelo. — Passou um braço por cima dos meus ombros e beijou minha testa — Problemas familiares são sempre complicados. E agora, eu vou mostrar um dos meus. — Sorriu largamente e apertou os olhos para o mar como se procurasse por alguém.

— Vai me mostrar um problema familiar?

— Não é bem um problema — Refletiu ainda procurando algo pela praia — Car gosta de se referir a ele como um pequeno, mas doce, erro de cálculos. — E riu.

Eu não entendi.

— Como assim? E quem é ele?

Damien pareceu brilhar ao me olhar, e quando se virou novamente, o sorriso dele pareceu aumentar.

— Harlow, quero lhe apresentar meu pai — E apontou adiante.

Eu segui seu dedo e garanto que nem mesmo me esforcei para encontrar a pessoa certa. O salva-vidas, que estivera sentado em sua torre branca a alguns metros de umas moças deitadas em toalhas, pulou de repente da cadeira, segurando numa das mãos uma boia laranja. Pousou na areia com uma graça felina e de repente partiu para as ondas, com os músculos ondulando por baixo da pele bronzeada, o cabelo louro e realmente lindo batendo na nuca.

As pessoas ficaram afoitas ao procurar as máquinas fotográficas enquanto as que tomavam banho de sol se sentavam para ver melhor. Gaivotas saltaram num voo espantado e as crianças rapidamente saíram do caminho do salva-vidas.

Então, com o corpo magro e musculoso fazendo um arco perfeito no ar, ele mergulhou nas ondas e surgiu metros adiante, nadando rápido e com força na direção de um garoto que fora apanhado numa correnteza.

Chocada, olhei para Damien. Ele sorria largo enquanto me puxava para se aproximar quando o incrível salva-vidas saiu do mar com o menino nos braços. Os pais da vitima apareceram e já apanharam o filho, agradecendo ao louro magnifico por salvá-lo, e quando esse teve certeza que a criança estava bem, se levantou e apertou a mão do pai, acenando um positivamente com aquele sorriso que... Era absolutamente igual ao de Damien. Porra.

— Você... — Olhei-o sem falas — Aquele é seu pai? — Damie sorriu.

— Sim.

Eu não podia acreditar. Quantos anos esse cara tinha? Uns quarenta? Como era possível alguém estar chegando aos cinquenta, e ainda parecer um deus?

— Você pode querer fechar a boca, caramelo — Avisou Damien — Ele está vindo até aqui.

Era verdade. A personificação do deus do sol estava vindo em nossa direção com aquela sunga vermelha e apertada e o cabelo louro arrepiado e pingando de água salgada. Era sexy só de olhar.

Tentei procurar fôlego, mas assim que o achei o perdi novamente, pois ele parou em minha frente e sorriu para o garoto, que aparentemente era seu filho.

— Nova amiga?

— Essa é Harlow — Damien me indicou com notável diversão. Os olhos do homem aumentaram com interesse e ele sorriu para mim. Para mim!

— Ah! Então essa é a mocinha que Carol falou. — Ele se aproximou e eu arregalei os olhos quando do nada, ele abriu os braços e me apanhou em um abraço.

Ai meu Deus! Pele. Muita pele quente em contato!

— Seja bem-vinda! Eu estou feliz que tenha vindo me conhecer — Se afastou, mas eu continuei parada, absorvendo aquela situação — Eu sou Apolo Levesque. Pai de Damien e Caroline.

— A-Apolo? — Ah. Claro que o nome dele era relacionado a um deus. Com certeza era muito apropriado.

Damien e ele riram.

— Minha mãe tinha uma queda por Apolo — Explicou o salva-vidas. Eu engoli em seco, olhando dele para o filho.

— Vocês são parecidos. — conclui tentando voltar ao meu normal.

Ambos se olharam e Damien cruzou os braços, como se aguardasse um momento em que...

— Eu sei! — O tal Apolo quase me matou do coração, e enlaçou o pescoço no filho enquanto ria — Ele é meu clone completo. Não é um orgulho? — Ele bagunçou o cabelo de Damien, esse exalou um xingamento e se afastou, soltando uma risada depois.

— Nós somos únicos — concordou ele tão exibido quanto o pai. Mas esse gargalhou negando.

— Não vamos tão longe garoto — disse empurrando o cabelo molhado para trás — Ainda temos uma garotinha.

Fiquei feliz que eles sorriram com afeto ao citar Car na conversa, mas percebi que Damien adorava implicar quando ela era mencionada, por isso falou com superioridade.

— Ela tem meu rosto, mas não os mesmos gostos.

— E mesmo assim ela cuidou de nós — Apontou Apolo com um olhar pensativo — Como será que ela nos aguenta?

— Gostaria de saber também — Damien também ficou perdido. Eu pulei meus olhos de um para outro sentindo meus lábios curvar para cima. Tão parecidos. — Bom. Pai, nós estamos pegando sua prancha emprestada, não tive como trazer a minha.

— Você surfa? — Apolo parecia mais iluminado ainda.

Eu dei um sorriso em lamento.

— Não. Desculpe.

— Vou dar uma aproveitada — Damien correu para a grande cadeira que seu pai antes estava sentado e pegou a prancha que estava escorada ali — Venha caramelo. Pode relaxar os músculos na água. — disse, e com um aceno para o pai, ele correu para o mar.

Eu bufei.

— Ele nunca se cansa de nadar? — perguntei ao pai. Ele riu.

— Eu espero que não — murmurou e eu não consegui segurar o sorriso ao ouvir sua animação — Ele é minha companhia nos dias de folga.

— Isso deve ser bom — falei. Apolo assentiu e caminhou. O acompanhei e parei quando esse subiu em sua cadeira elevada, falou brevemente pelo rádio — na certa emitindo um boletim “F.A.” sobre o garoto salvo. — e em seguida me olhou de cima.

— É ótimo. Caroline naturalmente não tem tempo para vir me visitar por causa da faculdade — Ele se recostou e observou o mar — Ter Damie ao meu lado é como entender a mim mesmo, e ao mesmo tempo em que me vejo nele, ele também me faz sentir menos falta da minha garota. Carol faz uma grande falta por aqui.

Eu sabia que era verdade só pela forma como seus ombros fortes caíram relativamente. Voltei-me para onde Damie havia sumido e o avistei bem longe, sumindo atrás de uma onda enorme.

— Saudade às vezes é difícil de carregar — murmurei, pensando em meus irmãos e amigos. Pensando até em Jimmy, que por mais que não quisesse mais saber de mim, meu coração ainda precisava saber dele. — Você se importa com Car morar em outro lugar? — questionei de repente, não sabendo o porquê exatamente da minha pergunta.

Apolo se inclinou para frente, apoiando os cotovelos nos joelhos e me mandando um olhar que pareceu cheio de diversão infantil, no entanto por trás daquela animação, estava a grande camada de tristeza.

— Obviamente me importo, ela é minha única menina e minha filha — disse com carinho — Mas não é só porque a quero por perto, que vou impedi-la de seguir seu sonho. Car, ao contrario do irmão, é muito reservada, gosta de organização e de ser preparada. Desde criança eu sabia que seu lugar não era aqui, mas junto de sua mãe — Ele suspirou e apertou os olhos na direção em que Damie surfava — Ela nunca quis nos deixar apesar disso, e quando finalmente pode fazer, quase desistiu. Devo muito a Caroline. Até mais do que possa pagar.

Eu fiquei meio confusa quanto a isso. Por que ele falava com tanta tristeza e ao mesmo tempo com tanto amor sobre Caroline? E por que ele acha que o lugar dela era com sua mãe? E claro. Onde estava a mãe dos gêmeos?

Curiosidade me apanhou e olhei para onde estava Damien. Ele com certeza me escondia mais do que estava dizendo. O mesmo era sobre Caroline, e claro que eu não me pararia agora. Queria descobrir e dar um jeito de ajudar, pois Damien agora fazia parte da minha vida, e deixa-lo com problemas não era uma opção.

~*~

Horas mais tarde e mais molhada que um peixe dentro d’água, segui Damien para fora do mar com um sorriso. Ele parecia um cara magnifico saindo do mar com aquela prancha de surf e jogando o cabelo para trás, e naquele momento uma coisa se destacava... Damien teve a quem puxar.

Dei uma olhada em Apolo, que estava sentado em sua cadeira elevada e olhando para todos os lados com atenção redobrada e sem perder aquela pose de modelo da capa play boy. Com certeza via algo como: Salva-vidas sexy, para o mundo. Escrito em negrito.

Eu tive que rir desse pensamento e corri para alcançar o carinha sexy mais novo. Quando nos sentamos na areia Damien não perdeu tempo e enlaçou minha cintura, levando-me para dentro de seus braços e peito molhado.

Sorri para ele por cima do ombro.

— Isso foi meio possessivo.

— Eu posso ser possessivo enquanto beijar você — sorriu de volta, e como para provar o que dizia, puxou meus lábios para perto. Eu não consegui evitar suspirar ao retribuir.

Acho que ficamos um bom tempo daquela forma, pois quando voltei a olhar o mar, o sol estava se pondo, os raios solares vermelhos e amarelos riscando o céu como no dia do nosso primeiro beijo. A paz que bateu em meu peito foi tranquila e bem vinda, e deitada contra o ombro de Damie, eu me permitir pensar em como seria a vida sendo namorada de Damien Levesque.

Ele me mimava e provocava, sorria para mim daquela forma intimidante e perigosa, e fora dos termos de malicia, ele me levava para praia e fazia-me jogar vídeo-game por horas a fio. Até que estivesse cansada demais para pensar em qualquer coisa que não fosse meu sono. Tinha que admitir que estar com ele tinha seus lados bons, porém por mais fascinada que estivesse com ele, ainda não podia considerar o que tínhamos como namoro, e ficava grata por ele nunca tocar nesse assunto.

Pensando bem, Damien não tocava em muitos assuntos que requeria namorar uma garota. Talvez por causa da garota que ele disse ter o traído com seu melhor amigo. Era uma puta sacanagem e se cruzasse com a vadia, arrancaria seus cabelos e a faria engolir. Podia sentir como tal ato feriu Damie, tanto que ele era tão reservado sobre seus problemas pessoais.

E falando problemas pessoais.

— Por que disse que seu pai era um erro de cálculos? — quebrei o silencio entre nós. Damie riu.

— Eu não acho que ele seja um erro, é só que eu concordo com minha irmã quando ela diz que nosso pai é mais uma criança do que um completo adulto — Ele apertou os braços a minha volta — O erro de cálculos é o fato de ele ser um homem feito.

Sorri, compreendendo o que ele queria dizer. E olhando Apolo de longe, voltei a falar.

— Por que ele parece tão triste quando fala de Caroline? — O senti encolher logo atrás, e o ato era tão Não-Damien que eu me virei para encará-lo.

Seu rosto marcava, pela primeira vez, desconforto.

— Car é um assunto delicado para ele. — pausou — Para nós.

— E por que? — Ele hesitou — Se não quiser falar eu...

— Não. É só que... — Mordeu o lábio inferior e esfregou os olhos — Eu não falo com frequência sobre isso. Car não gosta.

— Hmm, — Murmurei ainda mais curiosa.

Damien sorriu.

— Ok. Caramelo. — Ele suspirou e ajeitou-se atrás de mim. — As coisas entre nós três sempre foram meio difícil para se encarar. Principalmente para Caroline.

— E por qual motivo?

— Como dizia sobre meu pai. Em certos momentos ele acaba por se parecer demais com um filho mais novo do que um homem de quarenta anos. — Seus olhos se arrastaram para o lado, pousando-os em cima do salva-vidas afastado de nós — Eu e ele temos muito em comum, por isso nunca me importei com o que fazia, na verdade ele sempre acabava por me levar junto para suas pequenas loucuras. O problema é que Car não tem nada haver conosco, entende? — Seus ombros caíram relativamente — Nós somos impulsivos, gostamos de praia e pegar onda. Eu amo jogar. Mas ela... Não. Car não se encaixava e nem se encaixaria em uma vida conosco. Depois que completamos onze anos, a garota já era mais responsável que eu e nosso pai juntos. Quando estávamos em brigas, ela era quem nos tirava da mira dos idiotas, e fazia tudo isso com simples palavras.

— Isso é algo bem bonito — falei sinceramente. Damie assentiu.

— Car sempre foi uma pessoa bonita. Não pela a aparência sabe, mas por seu interior — Seu sorriso agora parecia carregado com amor e seus olhos estavam vivendo lembranças do passado — Ela é tão suave e calma para tudo. Cuidava dos nossos machucados, corria atrás do pai quando esse estava precisando de ajuda, se dobrava em duas para me dar um presente de aniversário, quando eu quase não lembrava que ela também estava fazendo aniversário comigo. Caroline viveu aqui por nós. Ela sorriu e cuido de tudo por nós — Seus lábios cerraram em uma linha rija — Mas eu e o pai sabíamos que não era seu desejo permanecer aqui. Ela sonhava em viajar, fazer faculdade e ser bem sucedida. Ela queria ser tudo o que não somos. Ela queria ser como nossa mãe.

Eu me empertiguei. Lá estava a menção da mãe novamente, e como aconteceu com Apolo, tristeza e magoa deixavam sua voz rouca.

Preocupada, alcancei sua mão e apertei.

— E isso é ruim? — perguntei suavemente — Ela ser como a mãe?

Damie deu um sorriso frio, mas correspondeu o aperto da minha mão.

— Não é questão de ser ruim. — murmurou — Mas é que ser como ela, acabou por levar Caroline para longe. Assim como aconteceu com nossa mãe — Uma onda de compreensão se espalhou por meu peito e senti a dor que Damie fazia questão de esconder. Senti a verdade na ponta da língua, e mesmo que não quisesse continuar a falar para não magoá-lo, minha boca grande não concordou.

— Então... Sua mãe foi embora? — Ele não olhou em meus olhos, pelo contrario, ele continuou a fitar o sol partir, franzindo a testa ante o brilho.

— Eu e Car tínhamos oito anos. — Começou — Já fazia um tempo que nossos pais começavam brigas dentro de casa e fazia com que meu pai ficasse mal e com que minha mãe saísse de casa. Caroline sempre foi melhor em desvendar as discussões deles, então desde o começo sabíamos que a mãe estava insatisfeita com o modo que o marido agia. — Seus olhos ficaram ainda mais cheios de tristeza — Muitas vezes meu pai chorando, e por mais que ele tentasse esconder sua magoa, era evidente que o pior ia acontecer.

— Como se chama sua mãe? — perguntei. Ele apertou nossas mãos.

— Katherine — respondeu baixo.

— O que aconteceu com Katherine e seu pai?

— Minha mãe estava entrando com um processo de divorcio. — respondeu com pesar, toda a alegria de antes havia sido sugada para fora de suas veias — Ela não queria mais ficar aqui. Não aguentava os problemas que nosso pai colocava a família. Porém o problema maior é que ela também queria nos levar com ela.

— Oh Damien — Me cheguei mais perto dele, deitado a cabeça em seu ombro. Ele apreciou minha forma de consolo, pois apertou os braços minha volta. — O seu pai fez?

— Ficou desesperado. O que mais ele poderia fazer quando soube? Olhe para ele Harlow — Apontou na direção do pai com exasperação — Ele é somente um salva-vidas, enquanto minha mãe é uma advogada importante. Não existia chance para que ganhasse nossa guarda, e minha sabia disso. — Ressentimento bruto misturado com magoa contundiu sua face — Assim que o divorcio saiu, o processo de adoção começou. Eu e Car tivemos de falar com pessoas, meu pai conseguiu uma advogada, mas ela não era muito conhecida, pois o salário dele era uma mixaria... No entanto ele não desistiu de nós em nenhum instante. E mesmo que estivesse sofrendo e cansado, quando chegava em casa tinha um sorriso no rosto e agia como a criança que sempre víamos nele. A primeira coisa que fazia era jogar vídeo game comigo e depois ceder duas horas da noite para ver como Caroline guardava suas roupas e depois, ler uma história antes de dormir para ela. Nunca exigindo nada de nós — Seus lábios apertaram firmemente — Quanto a Katherine, ela só veio nos ver no decorrer do processo para dizer que íamos gostar da nova casa e que teríamos de tudo do melhor. Ela trazia presentes as vezes, e isso deixava meu pai inquieto.

— Por que?

— Porque ele percebeu, assim como eu, que ela estava nos comprando. Eu já não estava amigável com ela, pois a opção de sair daqui nunca me agradou. Eu gosto de Malibu, gosto do sol e gosto das loucuras do meu pai. Não trocaria nada disso nem mesmo por um presente caro — Suspirando, comecei a entender o que ele queria dizer.

— Você gostava daqui, mas Caroline não. Certo? — Damien balançou a cabeça afirmativamente, como se isso machucasse em dobro.

— Devia ter visto como ficou o rosto dela quando viu os presentes que ganhou. Ela quase chorou quando ganhou uma pasta igual a que nossa mãe tinha e usava para trabalhar. Também ganhou um mini terninho preto — Um sorriso com humor curvou seus lábios — Com seus nove anos, ela já usava roupas como as de Katherine e vivia olhando-se no espelho quando colocava aquele terninho. Nós dois costumávamos levantar a noite depois que o pai nos deixava e dava boa noite. Conversávamos sobre como seria morar longe daqui. E por mais que fosse difícil, eu entendia o desejo da minha irmã de seguir o sonho dela... E não sabe como eu adorava ver os olhinhos dela brilharem ao pensar em um futuro dedicado e organiza. Ela até mesmo fez uma lista chamada: Lista de sonhos. — Seu queixo encostou-se a minha cabeça quando suspirou — A primeira coisa da lista dela era ir acabar o colegial. A segunda. Cursar na faculdade de Phoenix advocacia criminal... Ela sempre quis sair daqui, mas nunca contou ao nosso pai, e não estava planejado contar para ninguém, até que ele encontrou seu caderninho no quarto. — Damie respirou fundo. Sabia que essas lembranças queimavam em sua mente constantemente. — Ele ficou tão desolado, e quando questionou a Car sobre ir com nossa mãe, minha irmã não soube o que dizer, eu entendi desde o começo que ela estava focando na dor do nosso pai. Eu assisti naquele dia, como ela pegava o caderno das mãos dele e arrancou a folha. Ela simples fez picadinho daquilo na frente dele. Somente isso, e em seguida o abraçou. — Me olhou — Foi a primeira vez que nosso pai chorou em nossa frente, parecendo que nunca acabaria. Ele realmente parecia uma criança.

— Pobre Apolo — Sussurrei olhando seu pai de longe. — Ele estava mesmo sofrendo.

— Sim. E pior foi que no dia seguinte tivemos o julgamento para o processo com a tutela. — Em minhas costas, fiquei surpresa quando seu coração passou a bater forte, como se aquela lembrança acelerasse seu sangue — Eu estava ciente de que aquele seria o começo do meu inferno, porém me enganei, pois o que aconteceu naquele tribunal, fez com que todos ficassem inquietos.

— O que houve? — indaguei ansiosa. Damien sorriu.

— Quando a juíza chamou a mim e a Car para falar, eu sentia que Caroline estava aprontando. Durante todo momento ela permaneceu calada, e nem mesmo se dirigiu a nossa mãe quando essa veio nos abraçar. Ela estava agindo arisca e diferente do normal. — Ele engoliu em seco — Car sempre foi muito quieta e sincera. Nunca precisou de ninguém para se cuidar ou abaixou a cabeça para chorar a perda de alguma coisa, então você vai entender como foi um choque ver ela fazer exatamente isso no meio da conversa com a juíza.

Arregalei os olhos.

— Ela chorou?

Assentiu.

— Ela não só chorou, mas implorou que a deixasse ficar com nosso pai. Disse que se nós fossemos embora, o pai ficaria sozinho pra sempre. Disse que não suportaria ficar longe dele, falou sobre todas as noites em que ele cuidou e brincou conosco mesmo quando estava triste, disse que se fosse para ela escolher com quem ficar, sempre escolheria ele, pois a nossa mãe, por mais que fosse a mulher a qual ela desejava se tornar um dia, nunca seria boa o bastante para criá-la como filha, acabaria por si só, transformando-a em uma colega de negócios.

Eu não tinha palavras depois disso, encarei Damien com a boca aberta e com os olhos muito arregalados. Ao imaginar a cena de uma garotinha loira em seus nove anos chorando, implorando para ficar com o pai e mais ninguém, eu senti meus próprios olhos arderem em simpatia e compaixão. Caroline havia desistido de uma vida boa, uma que a levaria para o topo sem duvidas nenhuma, apenas pelo fato de querer o melhor para seu pai e irmão, ela virou as costas para a mãe dela somente para cuidar desses homens que pareciam ser mais complicados que sua lição de casa. E ela fez isso sem nem pensar duas vezes.

Era uma atitude a se admirar, e mais uma vez, eu vi como ela era parecia e se encaixava com Jared. Meu sério e responsável irmão, que sempre estava ali para quando eu precisava e fazendo o inferno de qualquer um que me magoasse. Ele que sempre secou minhas lágrimas.

Caroline era perfeita para ele. Caroline era o seu novo caminho.

— Aposto que depois disso seu pai conseguiu a guarda.

Damien riu, abaixando a cabeça.

— Aquela altura ele nem se importava com ela. Tudo que ele quis naquele tribunal, foi acalentar Caroline, que em nenhum momento parou de chorar. — Seus olhos estavam suaves — Ele ficou abraçando ela, sussurrando e dando colo enquanto todos observavam. Acho que o fato de vê-lo chorando com ela sensibilizou a todos, até mesmo minha mãe — Seu sorriso estreitou largo — Ela simplesmente se abaixou ao nosso lado e olhou para a filha. Eu vi que ela estava mesmo orgulhosa da menina, mesmo que chateada, ela disse com todas as palavras, que nos amava apesar de tudo. Entendi naquele instante que ela não iria nos forçar a ir, e fiquei muito feliz por isso. Por causa disso a audiência foi adiada, mas no dia seguinte, chegou uma carta... Minha mãe havia desistido de nos tirar do nosso pai.

Sorri, acariciando seu peito.

— Isso é bom.

— Sim — sorriu de volta. — Mas aquela carta custou muito. — Seu sorriso diminuiu relativamente — A partir daquele momento meu pai tentou ser menos problemático, tomou jeito no emprego e fez de tudo para nos dar as melhores coisas. Porém com Caroline é diferente, ele sabia que por mais que ele lutasse por nós, nada faria nossa garota seguir em frente com seu sonho. A não ser que nós a empurrássemos para ele.

— Como assim?

Damie apertou os lábios.

— Ele começou a trabalhar em dois empregos. A metade de seu salário ia para o banco e a outra metade para as despesas de casa. Quando completei dezoito anos, comecei a trabalhar com ele como polidor de pranchas de sarf. Ajudávamo-nos para conseguir um bom dinheiro... Colocávamos tudo no banco sem ela perceber. Quando eu e ela finalmente completamos o colegial, tínhamos uma grande quantia.

— Me digam que fizeram o que estou pensando — disse com um sorriso largo. Ele riu.

— Pode apostar. Nós compramos a passagem de avião e entregamos todo o dinheiro para ela no dia do nosso aniversário. — Um riso borbulhou da garganta de Damien — Eu nunca tinha visto ela tão congelada enquanto olhava a passagem e o talão de cheque.

— E ela aceitou?

— Obviamente ela recusou durante dois dias, alegando que não podia nos deixar, que era feliz aqui, mas estava na cara como ela estava ansiosa para ir fazer a prova na faculdade. Depois de muito pulso firme, ela aceitou, e de quebra chorou por um dia inteiro, mas no dia da viagem, juro que foi a coisa mais linda que já vi. Car nunca brilhou tanto, quanto naquele dia. E depois de tanto esforço para conseguir aquela grana, aquilo foi a melhor recompensa — Sorriu para mim, o vento soprando seus cabelos — Foi difícil e ainda é me acostumar com sua partida, mas não podíamos prendê-la aqui para sempre. Estava na hora de deixa-la ir.

— Foi a melhor coisa — Concordei, afastando seus cabelos para trás da orelha — Hoje ela está indo no caminho que tanto sonhava, e parece feliz.

— Eu sei, mas ainda sim — Franziu a testa — Quando fui visitá-la a achei um tanto sozinha demais. Fiquei até aliviado de ver Jodie por lá, mesmo que tenha achado essa garota um tanto estranha.

Ri um pouco.

— Jodie tem uma essência única.

— Tenho certeza que quer dizer essência matadora — provocou. Eu gargalhei.

— Pode ser, mas é algo que gosto nela. — confessei a ele — Depois de tudo, ela está bem melhor agora.

— O que quer dizer? — fez careta.

— Jodie tinha uns problemas no passado. — falei fechando a cara — O pai dela era um louco. Prendia-a dentro de casa e batia nela, Jodie não podia fugir, pois ele tinha sua irmã mais nova na mira. Acabou por ser muito maltratada.

Pena passou por sua feição instantaneamente.

— Eu achei que ela tinha uns problemas quando a vi, mas não a esse ponto — Murmurou, e então pausou — Eu vi uns cortes nela uma vez, mas quando perguntei como conseguiu ela ficou muito brava e se trancou no quarto. Perguntei a Car, mas ela apenas disse que não podia dizer nada a respeito.

— Jodie tinha medos naquele tempo e ela acabava por se cortar quando sentia dor emocional demais — Sua expressão foi de espanto — Ela estava em Phoenix para se encontrar, ela tinha nos deixado para conseguir encontra algo bom dentro dela mesma — Mexi na areia distraidamente — Eu me magoei muito com ela por ter partido sem se despedir, mas depois do meu aniversário eu consegui ver coisas que não entendia antes.

— Por que só depois seu aniversário? — sorri de lado.

— Minha mãe morreu durante meu parto — contei sem olhá-lo. — Descobri isso quando tinha sete anos. Depois disso nunca mais comemorei essa data... ficava deprimida e até chegava a me trancar em casa. Quando Jodie voltou, eu estava prestes a fazer aniversário, e juntar toda minha dor com a perda da minha mãe e o fato de estar magoada com ela, fez-me ignorá-la mesmo sabendo que ela precisava partir... Quando o dia chegou, eles me surpreenderam com uma festa. — Damien começou um carinho em minha nuca.

— O que aconteceu?

— Eu destruí tudo. Rasguei as fotos e acabei com o bolo... Entrei desespero sabe. No final percebi que esse era o intuito deles. Me fazer liberar toda a raiva ali. Jimmy e Dana cuidaram de mim, me deram banho e me trocaram, Jared me abraçou quando finalmente cedi, e depois eu notei que a pessoa mais ferida do grupo era única capaz de compreender que eu precisava apenas quebrar e rasgar algumas coisas. — Ri, sentindo minha garanta fechar por um momento — Jodie planejou aquilo mesmo com minhas recusas. Foi o que me fez abrir os olhos e ver que estava sendo uma idiota.

— Você tem bons amigos — Murmurou ainda me acariciando. Eu sorri de lado, balançando a cabeça.

— Sim eu tenho.

O silêncio que se seguiu depois não foi um incomodo, ficamos ali até estar completamente escuro. Quando a lua deu as caras, Damien me ajudou a levantar e seguimos para seu carro. A quietude era tão bem-vinda, não fazia-nos envergonhados pelo contrario, às vezes virávamos e sorriamos um para o outro, como se tivéssemos compartilhado segredos por toda a vida.

Quando chegamos à casa de Amélia, ficamos uns minutos sentados, até que finalmente suspirei e virei para ele sorrindo.

— Dorme aqui hoje? — perguntei. Damie ergueu uma sobrancelha.

— Sua tia vai permitir?

— Ela já deve estar dormindo. — Falei, pensando se estava ficando maluca — Não queria ficar sozinha essa noite. — sussurrei.

Damien continuou me olhando, depois suspiro e virou a chave no volante.

— Vamos colocara esse carro atrás da casa então, assim não corremos o risco dela ver.

Sorrindo, assenti satisfeita. Depois de esconder seu carro segui com ele até a porta da frente, mas antes que eu sequer fosse abrir, vi pelo vidro Amélia e três caras mau encarados se aproximar da saída. Arregalando os olhos, empurrei Damien para trás da parede, prendendo a respiração.

— O que? — Ele parecia confuso.

— Shhh! — Tapei sua boa e espiei.

Amélia e os caras haviam saído e ela os acompanhava até um carro enorme e com vidros pretos. Os homens usavam terno e gravata preta, e enquanto olhava com curiosidade, notei que a postura de Amélia parecia gélida e totalmente dura, como se ela não fosse a tia que me sorria todas as manhãs e beijava minha testa.

— Quem são eles? — Damien sussurrou a pergunta.

Eu engoli em seco.

— Eu não sei.

Amélia continuou falando com eles, suas mãos atrás das costas reta e o terninho cinza impecável. Ela parecia pronta para ir trabalhar.

— Acho melhor irmos — Damien me cutucou. Mas eu não queria ir, precisava saber o que aquilo significava. Quem era aqueles homens e por que Amélia parecia tão diferente ao lado deles? — Harlow.

— Ok — bufei. Peguei sua mão — Vamos pelos fundos.

E mesmo que relutante, virei e corri com o Damien para dentro da casa, porém minha cabeça não ousou a esquecer o que viu essa noite. Não mesmo.

~*~

Eu dormi assim que cai na cama ao lado de Damien, minha cabeça parecia girar com suposições sobre os homens que Amélia conversava antes, portanto tudo que mais queria era fechar os olhos e descansar. Damie não me impediu, pelo contrario, ele se juntou ao meu lado e puxou-me para deitar em seu peito já desprovido de uma camiseta. Esperava apenas trevas, mas o prazer mais requintado eu recebi em meus sonhos.

Dedos ásperos deslizavam de baixo para cima em meus braços, descendo em seguida para minha nuca e pescoço, percorrendo com tanta precisão e cuidado que podia me sentir possuída. Meu peito se encheu de algo que nunca senti na vida, e me curvando até os dedos eu suspirei, pensando no que estava acontecendo.

Depois de intermináveis momentos, os dedos pararam suas carícias, e senti um calor úmido sobre meu ombro. Meu amante de sonho estava transferindo suaves beijos na curva do meu pescoço, bem lentamente.

— Harlow — A voz. Não fiquei surpresa por reconhecê-la sendo como de Damien. Ela parecia tão doce e sensual, que peguei-me ficando quente enquanto as mãos dele apertava meu quadril.

Respirando com rapidez, emaranhei os dedos nos cabelos sedosos que cascateavam para o lado.

A cabeça dele levantou e olhos de céu noturno encontraram os meus.

O choque que se espalhou por meu corpo quase desencadeou um grito. Aquele não era Damien!

— Jaime? — Estava assustada. Confusa.

Jimmy sorriu para mim, seus lábios curvando e se sobressaindo sobre meus lábios. Arrepios percorreram por todo meu corpo e fechei os olhos, sentindo-o tão perto e tão quente contra mim.

Ele se ergueu e seus olhos percorreram por meu rosto, uma fome escondida dando as caras e fazendo-me prender a respiração. Nunca na vida tinha visto ele com aquele olhar, ainda mais quando estava me olhando. Era um olhar sedento, furioso e possessivo, um que fez loucuras com meu estômago.

— Você sempre será minha, pequena — Ele sussurrou, abaixando-se contra meu ouvido e mordiscando a área.

Ofeguei, e sobre uma excitação repentina, agarrei-me em seus braços e levei as unhas até suas costas, curvando-me com ele na cama. O ruído masculino a seguir foi diferente, mas tão excitante quanto seu corpo. Ele acariciou a mão para a curva de minha nádega, o que fez-me dar conta que ainda estava usando o biquíni de ontem, também percebi que meu shorts havia desaparecido e que de repente estava sendo prensada contra pernas grossas e um peito alto. Ele também estava sem sua roupa, e me dar conta disso fez o calor espalhar e aumentar a cada instante.

Jaime estava me tocando e me beijando. Estava dizendo que eu era dele e não havia negações em seus olhos. Como eu podia não reagir aquilo?

Sem mais barreiras para me impedir de ir até ele, agarrei seu cabelo e levei minha boca para dele, juntando nossos lábios com um desespero que eu não sabia estar guardando durante tanto tempo. Arrastei minhas mãos por suas costas, mas de alguma forma eu achei que sua estrutura estava um tanto diferente, porém continuei acariciando, abrindo minha boca e permitindo que ele me devorasse com aquela ansiedade furiosa. Ele inclinou-se, e se aninhou em meu pescoço, tomando meu perfume em sua corrente sanguínea.

— Isso é um ótimo jeito de acordar.

Demorei muito para perceber que aquele carinho e atenção era nada mais que realidade. Eu sentia o toque dele, a palma inteira contra minha pele. Era bom. Muito bom. Mas a voz não era mais de Jimmy e a quentura muito menos.

Damien estava por cima de mim, respirando em minha nuca enquanto eu abria os olhos e encontrava a verdadeira realidade. Me sentindo uma tola, apertei os lábios com força..

Merda. Como deixei aquilo acontecer? Sonhar com aquele imbecil enquanto Damie me tocava com tanta doçura e admiração. Fiquei com ódio ao sentir que meus olhos se encheram com lágrimas ao constatar que aquele que eu abraçava, não era o homem que havia imaginado horas antes. Fiquei com raiva por até mesmo cogitar Jimmy me aceitando daquela forma intima.

— Harlow? — Aperteis os olhos para afastar as lágrimas e respirei fundo quando Damie tentou se afastar, mas eu não estava para deixar isso acontecer.

Sonhar com Jimmy só me tornaria mais idiota do que antes. Tinha que enfrentar e me afastar de vez desse garoto. Ele não gostava de mim, mas Damien sim! Ele podia ser algo para mim. Podia estar sempre ao meu lado e me acordar com beijos assim como estava fazendo. Ele podia fazê-lo sem se sentir arrependido.

Então pensando exatamente assim, virei-me na cama e alcancei sua nunca, alisando a pele antes de prensar meus lábios contra os dele. No começo a sua surpresa o impediu de retribuir o beijo, sua boca estava dura, inflexível: depois ele colocou o dois baraços em volta dela e a puxou mais perto. Os lábios suavizando. Senti seu batimento cardíaco e a quentura de seu corpo perto, senti tudo enquanto enfiava os dedos nos cabelos revoltos e finos, apertei os olhos e tentei a todo custo esquecer o rosto de Jimmy, pois ele não merecia estar em minha mente. Porque ele não queria estar em minha mente. Eu virei-me em cima dele e obriguei-me a aceitar seu toque, ouvindo o ruído de sua garganta quando as mãos subiram por minhas coxas e adentraram minha camiseta.

Seu toque era enlouquecedor, mas mesmo que forçasse meus pensamentos a desligar e esquecer aqueles olhos, não conseguia. Era como se aquilo fosse de alguma forma, muito errado, e prensando-me contra Damien, eu senti minha garganta fechar e o estômago torcer quando raiva espalhou-se por minhas veias, junto da tristeza e desgosto. Minha mente estava explodindo com perguntas quando Damie assumiu um controle e me deitou novamente na cama, descendo beijos por meu pescoço, enviando pequenas correntes elétricas pelas veias e por todos os lugares onde tocava: a clavícula, o inicio do busto, e a boca.

A vontade de chorar retornou ao mesmo tempo que quis chutar-me por ser tão insensível com Damie. Estar usando-o dessa forma tão impropria e injusta. Fechei os olhos apertados quando senti sua mão fazer uma subida para dentro da camisa, alisando minha barriga plana até alcançar nos...

— Pare!

Puxei-me para longe com o corpo tremulo, arrastando-me pelo colchão ofegante e com a mente rodando e o estômago revirando como se tivesse acabado de sair da montanha-russa. Em meu desespero para afastar-me dele, não percebi que estava indo para fora da cama, portanto cai dela diretamente para o chão.

— Meu Deus, Harlow! — Damie pulou atrás de mim com as mãos afoitas e preocupadas — Venha caramelo, está machucada?

Balançou a cabeça, indo para trás até encostar as costas na escrivaninha.

— Não. Apenas... deixe-me respirar — pedi um pouco em pânico.

Ele nada disse, só continuou me olhando enquanto sentava no chão logo a minha frente. Ele cruzou as pernas em baixo de si e ficou escorado na cama, me observando com perturbáveis olhos castanhos mel. Minha garganta atou e encolhi-me, enjoada que realmente estava fazendo aquilo com ele.

— O aconteceu Harlow? — indagou, mas não parecia bravo, só curioso.

Não conseguia olhá-lo, então e mirei os pés, era melhor que passar por essa humilhação.

— Desculpe eu... eu... — Fechei os olhos mais apertados, odiando aquela insegurança, aquele medo... e aquela saudade.

Saudades dele.

— Eu só... não posso — sussurrei perdida — Não posso Damien.

Continuei em meu canto, esperando que ele se levantasse e fosse embora, pois era óbvio que o motivo para minha recusa a ele estivesse escrito em minha testa. Mas passaram segundos, minutos, horas, e ele não se afastou, pelo contrário, ele deslizou em sua graça para mais perto e passou os dois braços a minha volta, e quando o empurrei, ele se negou a soltar e me apertou contra seu peito, forte e decidido, sem julgamentos ou chateações. Apenas me abraçou.

A afeição fez com que o restinho da minha força quebrasse, e aos poucos as lágrimas surgiram, indo diretamente para seu peito nu e criando uma linha até sua barriga definida. Ele não se importou. Eu agarrei seus braços, minhas unhas às vezes machucando sua pele. Mas mesmo assim ele não se importou. Ele só aceitou e me acolheu.

— Damie...

— Shhh. Tudo bem querida — Ele beijou meus cabelos, a mão deslizando para cima e para baixo — Tudo bem.

— Eu não queria... Eu não...

— Eu sei. Eu sei — murmurou suave. Calmo — Não precisa fazer isso. Sabe que não obrigaria você a nada.

Ressentida, eu funguei.

— Mas... Por que é tão difícil? — Não conseguia compreender — Vo-você já esqueceu sua última namora?... Se já, como... como fez para fazê-lo? Eu queria aprender, porque eu simplesmente não aguento mais sentir tanto por uma pessoa quando ela não quer fazer o mesmo por mim. Eu pareço tão tuim assim? Eu não sou perfeita para ele sou?

— Hey — Ele me virou e sua expressão era de extrema irritação — Eu não gosto de ouvir você falando assim. Então pare com isso agora!

— Mas é a verdade — Garantiu cansada — Bem-vindo a minha vidinha idiota, Damien. A da garota rude e revoltada. Aquela que é sempre a criança.

Agora Damien parecia mesmo muito irritado, e quando ele segurou meu rosto, achei que brigaria comigo, mas seu tom foi nada mais que sério.

— Escute o que eu vou lhe dizer agora Harlow — falou lentamente, os dedos dos lados de meu rosto — Eu te peço que nunca, jamais pense isso de novo. Não é só porque os outros lhe veem de uma forma que não lhe agrada, que isso significa que não é boa o suficiente. E me olhe agora caramelo — Fixei em seus olhos, o lábio inferior tremendo — Você é perfeita para mim, caralho. Do seu jeito, da sua forma você é perfeita para mim. E eu aposto, que quando o cara se der conta disso, ele irá perceber o quão burro foi por deixar uma garota tão magnifica partir. — Sorriu, e com os dedos afastou uma mexa do meu cabelo para trás da minha orelha. — Não importa que não consiga me ver dessa forma ok? Eu ainda estou aqui. E vou estar mesmo quando tiver de ir embora. Estamos entendidos?

Sorri de volta.

— Obrigada por me intender Damien — Me arrastei para mais perto dele e deitei contra seu ombro — Obrigada por não me julgar.

— O único que pode julgar alguém aqui é Deus. E como eu não sou ele, que se foda — Ri.

— Você está sempre me ajudando. — Uma melancolia então me fez suspirar — Não sei o que vou fazer sem você quando voltar.

Damien ficou em silencio, como se pensando nisso também. Ele deve ter se dado conta que isso em breve aconteceria, pois do nada se colocou de pé e disse.

— Coloque uma roupa. — Fiz careta.

— O que? Por que?

— Quero leva-la a um lugar. — Sorriu grandemente. Eu rolei os olhos.

— É mais um de seus lugares malucos? — Ele riu e foi até meu closet, da onde tirou um jeans e uma camiseta. Ele jogou em meu rosto.

— Você vai ver. Vista-se — falou e sumiu no banheiro para que ele próprio pudesse se arrumar.

Suspirando, fiz como ordenado e penteei os cabelos, quando ele saiu do banheiro vestia a mesma roupa de ontem e seu e o rosto estava molhado. Ele esperou que eu escovasse os dentes e depois saímos os dois de fininho, olhando para os lados para ter certeza de que nem Amélia ou Adelaide estava pela casa. Ou aqueles caras mal encarados.

No carro de Damien, eu tentei fazê-lo falar para onde estávamos indo, mas ele apenas virava o rosto e ria da minha agonia. Quando finalmente paramos em frente de uma longe, minha mente quase deu curto. Olhei para ele como se ele fosse um insano que acabou de fugir do hospício.

— Uma loja de tatuagem? Está de brincadeira comigo? —Ele gargalhou, e sem importar-se com minha surpresa, puxou-me com ele para dentro. — Damien, o que pensa que vai fazer? Eu não posso fazer uma tatuagem, sou menor de idade lembra?

— Mas existe um detalhe querida — sorriu amplamente para mim— Eu sou maior, portanto posso assinar minha responsabilidade por você.

Não estava acreditando que ele realmente falava sério.

— Jared vai me matar — Murmurei. Damie sorriu.

— Não será algo grande Harlow, apenas algo para nós dois saber o significado. Olhe isso — Ele ergueu o pulso e mostrou uma pequena tatuagem. Marcava a diferença de quatro minutos entre ele e a irmã.

Sorriu.

— Caroline mostrou a dela para nós também— Tocou sobre as veias dele e riu — Foi algo bonito de se fazer com sua irmã.

— E ela enlouqueceu igual você — sorriu — Mas eu sabia que ela ia embora um dia, por isso queria algo que me lembrasse que sempre vamos estar juntos. Intendente da distância, minha garotinha está comigo e eu com ela. E eu quero estar com você Harlow, independente da distância, me entende?

Suspirei, sentindo minha recusa escorregar para o ralo enquanto o olhava. Apertei os lábios e olhei para todos aqueles desenhos da loja, pisquei para um especial. Era a imagem de um sol. As chamas dele eram tão suaves que puxou a lembrança da tarde do nosso primeiro beijo.

Sorrindo, apontei para o desenho.

— Aquele — disse com convicção — Quero aquele.

Damien olhou, e como se fossemos um, ele puxou um sorriso nos lábios, os olhos brilhando em reconhecimento.

— O nosso por do sol — sussurrou. Eu concordei.

Esperei ele falar com o homem e em seguida fomos para a sala onde íamos tatuar. Damie sentou-se na cadeira ao meu lado enquanto a mulher o homem que iam fazer o desenho vestiam lupas.

— Onde vão querer? — perguntou o homem.

Olhei Damien e ele apontou para mim, cedendo a escolha. Mordendo o lábio, olhei para seu pulso esquerdo, o que estava limpo. Ergui o meu.

— Aqui — disse.

Damien sorriu satisfeito e assentiu. Ficamos em silencio enquanto os tatuadores trabalhavam, a ponta da agulha incomodava um pouco, mas não era tão ruim. Quando eles encerraram o trabalho e nos levantamos, eu não pude impedir o sorriso cheio de satisfação que apareceu no meu rosto.

O sol era perfeito, dando contraste na minha pele pálida, e quando olhei para o pulso de Damien, havia um idêntico ao meu, um que poderia fazer o par perfeito.

— Ficou ótimo — admiti.

Ele assentiu e se inclinou, juntando nossas mãos esquerdas.

— Agora estamos juntos para sempre caramelo. — sorriu — Somos o sol um do outro.

Eu ri, e apertando seus dedos, concordei.

— Sim — falei. — Nós somos.

~*~

Notas finais
Muitas perguntas? Aposto que sim, espero seus comentários gente boa ♥ :) Amo vocês.