Rude Girl
19 Capitulo 19 — Esperança
Notas iniciais
Não sabia se podia me sentir mais miserável que aquilo. Havia terminado o mês e eu não conseguia colocar o pé fora do meu quarto por causa da última ligação de Harlow. O que estava acontecendo comigo porra? Eu não devia remoer algo que não tinha valor, e talvez isso servisse como incentivo para me fazer abrir os olhos. Só não sabia o que eu devia tanto olhar, para estar deprimido dessa forma.
Ouvi quando a porta do quarto foi aberta. Eu sabia quem era, então não me incomodei em olhar, pois minha querida mãe nunca pedia permissão para entrar no meu quarto.
— Você precisa aprender a bater na porta mãe — murmurei irritado e com os olhos fechado.
— Na verdade ela não precisa, já que a casa é dela — Eu quase soltei um gemido de pura insatisfação quando reconheci a voz do meu pai. Ele nunca vinha me perturbar, só quando achava que estava prestes a cometer uma loucura... Ou quando eu estava agindo como um grande idiota.
— Ela foi pedir ajuda a você? — questionei desgostoso — Eu não quero falar.
— Dane-se. Se não fizesse algo sua mãe iria me por para fora — resmungou ele, e eu quase pude rir — Sente-se garoto.
Homem. Se estivesse um pouquinho mais de juízo, teria feito o que ele mandou, mas como hoje estava em sinal de falta de neurônios, eu apenas virei os olhos e o encarei. Eu sempre me surpreendia quando olhava para meu pai, pois a nossa semelhança era sem igual, fazia qualquer um ficar impressionado.
Dele, eu e Dolly tínhamos puxado o cabelo loiro, eu tinha até mesmo a estrutura austera de seu rosto quadrado. Os olhos eram da mamãe, e o formato desses, novamente, era algo paterno. Kane tinha também aquele corpo em forma, braços fortes que eu pensava ter conseguido nos treinamentos de policiais. Como eu só treinava natação tinha bons braços, mas nada como meu pai, que se duvidasse, poderia alcançar a altura do pai de Liam se nem ao menos se esforçar. Tinha também o mesmo gingado para andar que eu possuía. Éramos como copias, e isso eram até meio engraçado.
— Você não devia estar trabalhando? — perguntei desinteressado — São oito da noite.
— Peguei um tempo para ver o que meu filho anda fazendo trancado nesse quarto depois de dias — Ele olhou em volta e o rosto contorceu em desgosto. Retirou umas roupas que estava em cima da cadeira do computador e a puxou, virando-a para sentar e apoiar os braços. Ao fazer isso, notei mesmo na escuridão do quarto, que ele vestia o uniforme policial — O que está acontecendo Nick? — Meu pai era o único que me chamava por Nicholas ou Nick, meu segundo nome, era uma coisa que eu gostava, já que o primeiro só me fazia lembrar de uma pessoa: Harlow.
— Nada.
— Nós dois sabemos que isso é uma mentira — Ergueu uma sobrancelha e deu um sorrisinho de lado — Eu tive um bom papo com sua amiga...
— Que? — Me levantei da cama no pulo, olhando-o nem um pouco feliz — Que amiga?
— Quem mais estaria ligando a cada cinco segundos para saber como está? — indagou de forma óbvia. Suspirei, apoiando os cotovelos nos joelhos enquanto esfregava o rosto.
— Como Stefany está?
— Preocupada — respondeu — Assim como sua mãe e irmã. Assim como todos seus outros amigos. Jack veio ontem com Jonah e Liam, mas sua mãe disse que você sequer abriu a porta do quarto para eles.
— Eu não queria conversar — Amargura tocou a ponta da minha língua quando me levantei. Fiquei de frente para o espelho grudado em minha parede e que me refletiu mesmo no escuro.
Cabelo desgrenhado, marcas ao redor dos olhos, e apenas uma calça de moletom cinza para cobrir meu corpo.
— O que falou com Stef?
— Exatamente o que precisava saber — Ele se manteve na cadeira, me olhando pelo espelho — Me diga filho. Como vai nossa pequena Harlow?
Eu senti vontade de xingar. A simples pergunta dele desencadeou todas as merdas que disse e fiz para Harlow, fez-me ficar pra lá de furioso por ter sido um imbecil covarde quando ela mesma deu opções para que eu escolhesse ficar ao seu lado. Realmente estraguei tudo com Harlow. Ela tinha me rejeitado e desligado o celular. Não sabia como fazer isto direito.
— Bem — Meu pai murmurou — Sua expressão diz tudo.
— Eu sou o homem mais burro que já conheceu — decidi ao me virar para encará-lo — Diz para mim que tipo de cara escolhe se afastar da garota que gosta por um motivo tão bobo? Me diz qual retardado escolhe ir pela maldita idade ao vez de ir pelos sentimentos? Que merda eu fiz esse tempo todo pai?
Kane continuou me olhando, como se quisesse que eu desabafasse, mas eu não tinha nada para falar. Tudo que sentia estava estampado em minha cara, e dessa vez não tinha como esconder de ninguém.
Ele suspirou.
— Se castigar não vai trazê-la de volta.
— Assim como não posso pedir para que ela me ligue — disse insatisfeito — Desde nossa última ligação, ela tem falado somente com a banda. Até mesmo com a Jodie, pai. Harlow fala com ela depois de uma briga, mas não dá sinal de vida para mim só por causa de uma discussão por telefone. Só por causa do... — Me interrompi, fechando a mão em punho quando a vontade de sair quebrando tudo apareceu.
Meu pai estreitou os olhos.
— Como pode ter certeza que ela está envolvida com esse... Como é mesmo o nome que Stefany disse?
— Damien — O nome foi como fogo em minha língua. — E eu sei. Ela só fala dele pai, e olha isso — Fui para meu laptop e tirei da tela de descanso.
Kane caminhou para mim e leu, olhando depois para mim com atenção redobrada.
— Está vigiando as redes sociais dela Nicholas? — Rolei os olhos.
— Eu não estou estaqueando-a se é isso que quer saber — falei, tentando convencer a mim mesmo de que não estava fazendo isso, sendo que era absolutamente verdade — Eu só entrei para ver suas últimas postagens. E olha para isso. Eles foram para um Luau! Olha como ela ta sorrindo e abraçando ele — Apontei para as fotos com ressentimento — Foram tiradas depois que brigamos. Ela não postou mais fotos depois, a não ser essas frases idiotas: “Maravilhoso é aproveitar a praia com alguém especial” — Foquei em outra e quase perdi o chão — “Damien: Sedutor, surfista, e ainda massagista. És um homem real?” E essa porra foi postada agora! — Eu quis jogar o laptop na parede — Ele estava fazendo massagem nela! Mas que caralho é...
— Opa. Vai com calma, garoto — Ele segurou meus ombros quando comecei ficar sem fôlego algum.
— Calma? — Me afastei dele brutalmente — Como vou ter calma quando aquele canalha está tocando em Harlow?!
— Mas pelo que leio aqui. Ela não parece infeliz por isso — Essa resposta foi como um tapa em minha cara. Eu senti lá no fundo da alma, e meu pai notou, pois suspirou e alisou o cabelo nervosamente, me fazendo notar mais um costume semelhante ao meu. — Filho, eu não estou aqui para deixa-lo mais magoado, eu só quero que enxergue o que está óbvio. — Ele se aproximou, ficando perto para agarrar meu ombro — Se afundar ou quebrar as coisas não vai adiantar. Você precisa pensar e depois agir.
— Mas isso não vai ajudar pai — lamentei — Harlow está lá com ele e nem posso ir atrás dela sem estragar tudo sobre a tutela. E quando eu penso no que ela pode estar fazendo com Damien, eu fico louco. O que posso fazer quando ela mesma está brava comigo?
— Você pode se sentar — Ele me empurrou para cama e sentou ao meu lado — E pensar em alguma coisa que esteja a seu favor. Vamos, você é meu filho, o garoto que nunca se cansou de correr atrás das mulheres que queria. Harlow não pode ser tão difícil.
— Você não sabe o que está dizendo — Uma pitada de humor tomou minha voz — Ela pode ser uma garota, mas tem a personalidade de um ogro.
Kane abriu um largo sorriso. Pareceu satisfeito.
— É sempre bom ter um desafio — garantiu e me olhou — Agora me diga, porque ela estava brava com você quando desligou?
Bufei, sentindo a insatisfação aparecer novamente, junto com a vergonha.
— Eu me estressei quando ela falou sobre ir conhecer Damein — Foi duro dizer que tinha ficado louco de ciúmes na hora, mas o olhar de meu pai deixou-me saber que tinha entendido.
— É estranho. Harlow não sabia sobre sua indiferença com Damien?
— É claro que sabia — grunhi com raiva — Aquela pequena diabinha apenas disse para me provocar.
— Desculpe Nick, mas eu conheci Harlow — falou — Eu lembro a forma como ela tentou evitar uma briga entre você e Jared em seu aniversário. Se me lembro bem, ela disse: Não toque nele ou corto suas mãos enquanto estiver dormindo.
Eu congelei no lugar. No meu aniversário?
— Não me lembro disso — falei sincero e ao mesmo tempo chocado — Isso foi quando?
— Seu aniversário de vinte anos. Sua mãe fez um bolo e chamou a sua turma e até cantou parabéns. — pisquei confuso, só então me recordei do dia, pois realmente tinha sido importante.
— Ela estava triste naquele dia — disse com pesar — Foi quando notei que a ida de Jodie a deixou mais esquiva. Me lembro agora... Jared estava na festa e não gostou que eu tivesse muito próximo da irmã.
— Exatamente. — Assentiu satisfeito — Ela enfrentou o irmão para proteger você de levar uma surra, então acho que ela só contaria a você sobre Damien, se estivesse tentando rebater algo que você fez, pois ela saberia que teria uma briga e que você sairia o mais machucado. — Fazia sentindo, mas o que será que tinha a feito nervosa?
Quietamente, passei toda a nossa conversa mentalmente, e foi fazendo isso por horas, que percebi a gafe que deixei passar.
— Ai droga — Cobri o rosto com as mãos e bati em minha testa — Deus! Eu sou uma anta.
— Qual o motivo disso? — Meu pai ria. Eu olhei em angustia.
— A Dana. Ela foi o motivo da raiva de Harlow — Ele estreitou os olhos.
— Sua última namorada?
— E irmã dela — destaquei para lembra-lo — Naquele dia eu tinha ligado para ela querendo saber como estava. Também iria contar sobre a faculdade. De alguma forma, eu contei para Harlow que me encontrei com Dana.
Meu pai tomou um tempo antes de falar, e o que disse me surpreendeu.
— Você mereceria uma surra agora Nicholas — O olhei boquiaberto.
— Pai!
— Por que saiu com sua ex e porque, em nome de Deus, contou para a irmã mais nova?
— Eu não fiz de propósito! — Exclamei sinceramente — Eu e Dana não temos mais nada, eu juro! Mas eu precisava saber de Harlow, por isso no encontramos para conversar. Harlow perguntou como eu sabia sobre a casa de Amélia ter piscina e eu simplesmente falei. Não achei que ela fosse pensar que eu estava...
— Voltando com a irmã mais velha dela? — Seu olhar foi zombeteiro — Até mesmo eu pensaria filho. É sua ex.
— Eu sei! — Estava me sentindo mais burro ainda — Mas o que faço agora? Ela pensa que eu e Dana voltamos, mas não é verdade. Nós nem nos vimos mais depois daquela conversa.
— Ligue e conte para ela.
— Harlow é rancorosa, não vai acreditar em mim— sabia que era verdade — Eu estou entre a cruz e o precipício. O que devo fazer?
O sorriso divertindo dele me deu nos nervos.
— Ora. Faça o que á de mais inteligente filho. Pegue a cruz, deite-a, e use-a para atravessar o precipício — Ele se levantou, e ainda sorrindo, bagunçou meu cabelo — Você é esperto garoto, vai pensar em algo que possa reverter o pensamento de Harlow, portanto, enquanto pensa, sugiro que ponha uma camisa e vá jantar com sua mãe e irmã. Não quero ter que subir para chutar-lhe da cama. E acredite, se sua mãe me expulsar da minha, eu te expulso da sua. Fique com isso em mente. — E saiu, me deixando sem nenhuma solução para acabar com meu problema.
No entanto uma coisa rendeu dessa conversa. Percebi que Harlow ainda tinha ciúmes de mim, e isso sim era um conforto. Pois me dava esperanças para concertar o erro que cometi quando a deixei ir embora sem acabar com a merda desse sentimento de proibição. Mas agora chega de esperar. Harlow queria uma decisão minha e agora teria.
Estava indo para pegar minha garota, e não desistiria nem que 10 Damien’s aparecessem para tirá-la de mim.
Harlow não era minha realmente. Mas estou convencido que em breve ela será.
~*~
Na manhã seguinte eu estava ainda mais agitado que ontem à noite. Tinha feito como meu pai disse, tomei um banho e desci para o jantar, e ao fazer isso percebi como tinha deixado minha mãe preocupada, pois o alívio em seu rosto ao me ver foi óbvio. Não disse nada no entanto, talvez com medo que eu virasse e subisse de novo. Por isso circulei o balcão e a peguei em um abraço por trás.
Beijei seu rosto.
— Me desculpe — sussurrei para ela.
Erin sorriu durante o resto da noite depois, tanto que meu pai hoje acordou bem satisfeito. Ele parecia uma criança que tinha acabado de ganhar a melhor das recompensas. O que foi no mínimo muito engraçado e muito desconcertante. Não gostava de saber que meus pais estavam fazendo outras coisas além de dormir no quarto ao lado do meu.
Enfim, logo depois do café, resolvi sair para resolver metade do meu problema, e agora, olhando para o prédio em que Dana trabalhava, eu me senti ainda mais confiante. Por isso esperei dar o horário de seu almoço encostado na moto, e quando essa finalmente apareceu, mexendo na bolsa e ao lado de duas mulheres, eu sorri.
— Boa tarde, moças. — falei para chamar-lhe sua atenção.
As três me olharam e Dana franziu o cenho em confusão.
— Jimmy? O que está fazendo aqui? — Questionou ela, enquanto eu percebia bem como as mulheres ao lado conferiam o que estava logo à frente.
Não resisti em dar meu melhor sorriso.
— Preciso de um papo com você — Olhei para as mulheres — Será que posso sequestrá-la um minuto?
— Mas é claro que pode! — A loira a direita de Dana exclamou toda sorridente — Nós nos vemos daqui a pouco, pode ser?
— Hmm. Não sei — Me olhou de escanteio. Pisquei.
— Vamos bonita, eu preciso só de uns minutinhos
Dana virou os olhos, notando meu joguinho e ignorou os suspiros das amigas.
— Ok. Mas preciso voltar antes das duas.
Endireitei-me e estiquei o capacete que naturalmente, sempre dava a Harlow.
— Pode deixar. Vou ser pontual.
Ela se despediu das colegas e veio até mim, colocou o capacete e me olhou ainda cheia de duvidas.
— Para onde vamos?
— A lanchonete — respondi montando na moto e a ajudando subir atrás de mim— Lá você pode comer e conversar comigo.
— Eu devo ficar preocupada? — perguntou. Eu suspirei.
— Infelizmente sim — disse, e deixando por isso mesmo, liguei a moto e segui para a lanchonete em frente à casa dela.
Ao chegar eu esperei ela fazer seu pedido e apenas peguei um suco, no qual nem sequer encostei, pois estava ansioso demais com o que ia falar com Dana. Ela parecia perceber, pois enquanto comia olhava-me toda desconfiada e curiosa.
— Pronto. Já estou alimentada — falou limpando os lábios e me mandando um olhar avaliativo — O que você quer?
Engoli em seco, tentando achar palavras para aquilo.
— Eu... Sei que isso pode deixa-la com raiva de mim e até... — Alisei o cabelo — Ódio. Mas agora eu não estou me importando muito, e preciso da sua ajuda.
Mais perguntas cintilaram no olhar de Dana, e a maioria delas parecia estar cheia de medo e aflição.
— Por que eu acho que tem haver com a Harlow? — indagou me deixando mais tenso.
Peguei fôlego.
— Talvez por que você já suspeite de algo? — sugeri sem olhá-la.
A expressão foi exatamente a que eu esperava. Ela ficou ali parada, me olhando com aquela calma perturbadora que sempre emanava quando estava querendo matar ou decepar a cabeça de alguém. O fato de eu ser a pessoa que ela queria decepar fazia-me apertar as mãos ao pensar se realmente tinha sido uma boa ideia contar a verdade para minha ex-namorada.
— O que é que eu suspeito Jimmy? — Se inclinou para a mesa, apertando os olhos para mim — Diga cada coisa que está passando por minha cabeça.
Fechei os olhos e senti o suor pingar e descer minha nuca. Eu esperava essa tensão quando fosse falar com Jared, não com Dana.
— Dan, olhe — Voltei-me para ela — Eu não esperava isso. Eu juro!
— Jimmy...
— Eu queria ter sentindo isso por você assim que lhe conheci. Eu tentei sentir, mas...
— Mas — Ela insistiu. Eu me encolhi.
— Eu não consegui. Você me perguntou qual era o outro motivo para terminar com você e é esse — Tentei continuar olhando-a, mas sua seriedade fez-me olhar para as mãos novamente. — Harlow ela... ela...
— Ela o que Jimmy? — Raiva apareceu pela primeira vez em sua voz — Será que nem isso você tem coragem de admitir? Será que é homem o suficiente para dizer em voz alta, ou é aquele que é chamado por J?
A humilhação me fez encarar seus olhos com convicção. Eu encontrei ali um desafio, um teste que eu não queria reprovar. Por isso me apoiei na mesa e também me aproximei, olhando-a nos olhos ao falar.
— Não sou mais esse J desde que Harlow entrou minha vida Dana — confessei — Eu sei que foi errado estar com você, mas eu precisava me convencer que minha atração por Harlow era apenas por sua causa, mas estava errado. Sempre estive.
— Então era ao contrario — Sua voz soou baixa — Estava comigo porque gostava da minha irmã.
— Não — Peguei suas mãos e apertei — Eu estava com você porque era magnifico. Em todos os sentidos eu lhe via como uma namorada incrível, mas meu coração não estava nesse sonho entende? — Suspirei, abaixando a testa até encosta-la na mesa — Eu sentia raiva por Harlow sempre me ver diferente. Todas as mulheres me miravam inteiro, mas ela só se preocupava em me infernizar, tanto que comecei implicar de volta até conseguir uma reação. Isso me fazia satisfeito, pois se eu não conseguia o olhar dela como homem, o seu desprezo seria pelo menos alguma coisa.
— Então nós começamos a namorar. — Ela suspirou — Harlow se irritou comigo quando eu disse que você me fazia feliz. Nós brigamos tanto tantas vezes.
— E ela tinha razão por não lhe querer ao meu lado — disse com pesar — Mas a forma como ela me desafiava. Deus, como eu gostava. Eu entendo que parece idiota, mas foi quando comecei a namorar você, que ela prestou mais atenção em mim. Não entendia que era isso que eu queria, mas notei depois que você começou a contar sobre sua família, sobre Harlow e seus momentos suaves. — fiz careta, ainda deitado na mesa — Eu comecei a ficar com inveja das pessoas que conseguiam tirar-lhe um sorriso e eu não. Percebi que estava sendo um completo idiota com você, e não queria isso, pois realmente gostava de você.
— Gostava? — perguntou baixo.
Ergui a cabeça no salto e prendi seus olhos, afoito por tirar a insegurança de sua voz.
— Eu gosto de você Dana — Fortifiquei. Ela deu um sorriso de lado. Quase triste.
— Mas ama Harlow. — Concluiu ela. Eu fiquei em silencio, assustado que em todo esse tempo, eu ainda não tinha dito que eu realmente amava Harlow. Confessar estar apaixonada era uma coisa, agora concluir o fato de amá-la como um homem deve amar uma mulher intimamente, era uma coisa totalmente diferente.
E era justamente por não me desesperar com a opção, que eu fiquei quieto, apenas absorvendo mais uma descoberta. Eu amava a Harlow. Sim. Amava Harlow.
— Eu sou tão imbecil — gemi e bati a testa contra a mesa — Eu sou definitivamente um idiota. Caralho!
Dana me olhou surpresa, e ainda o fazendo, falou.
— Não que eu discorde disso — Ela me fitou — Mas por que está se menosprezando? É tão ruim assim amar minha irmã? — Quando ela pareceu ofendida, eu no exato momento tomei postura na cadeira.
— Não. Não é nada disso Dana. Harlow é mais que digna do que sinto — Melancolia então caiu em meus ombros — Eu é que não mereço que ela me ame.
A forma como ela estreitou os olhos me fazia pensar que ela sabia que algo tinha acontecido.
— Por que exatamente está me confessando isso Jimmy? — Quis saber de uma vez, eu hesitei. Ela bufou — Fale de uma vez garoto!
— Eu posso ter dito algo para Harlow que a fez ficar um tanto... Nervosa — disse. Dana suspirou,
— O que você disse?
— Eu estava falando com ela no celular. E sem querer, disse que me encontrei com você para conversar. — Sua testa franziu.
— E o que isso tem de mais? — Indagou confusa. Ela me olhou por uns minutos antes de a fixa cair — Ai droga, ela acha que nós voltamos?
— Possivelmente. — disse com pesar — E acho que é por isso que ela está tão próxima do irmão da Caroline.
A reação dela foi mais uma vez confusa.
— Damien? O que ele tem haver com isso?
— Dana, pense comigo, por favor. — supliquei cansado — Eu sempre rejeitei Harlow. E sei que todos a minha volta sabem da minha droga de opinião sobre sua idade. Não acha que isso deixa Harlow nervosa demais? Eu sei que você sacou primeiro que todos desde que terminamos. Você mora com ela!
Ela mordeu o lábio e brincou com o canudo do copo vazio. Em seguida gemeu jogando a cabeça para trás, totalmente frustrada.
— Eu não acredito que a fez pensar que estamos juntos. A essa altura, minha irmãzinha pode estar me odiando por pegar de novo o cara que ela gosta. — Dei um sorriso de lado, me inclinando para ela.
— Quer dizer que ela gosta de mim de verdade?
— Cala a boca, Jimmy — Socou meu ombro fortemente — Isso era visível até para o papa. Você dois que ficavam de manha um com o outro a todo instante.
Esfreguei meu ombro, não realmente me importando em apanhar, mas apenas estava impressionado com Dana.
— Isso não lhe importa? — perguntei curioso. — O fato de ela gostar de mim e eu gostar dela?
Ela me olhou como se fosse a pergunta mais patética que já fizera.
— Sem querer ofendê-lo Jimmy, mas eu já sabia desde que enfrentou Jared a pegar Harlow de seus braços quando saímos da casa de Liam. — Mexeu em sua bolsa e tirou celular — E se acha que me importo, está enganado. A única coisa que me importa agora, é o fato de Harlow estar achando que eu estou novamente namorando você.
— Desculpe. Eu sei — falei arrependido — Por isso vim até você. Precisava de ajuda para concertar isso. Explicar o que aconteceu. Mas ela nunca acreditaria em mim, acharia que estou tentando reverter à situação. Agora se você falar com ela...
— Ela acreditaria — Concluiu me olhando seria — Acreditaria, pois já sofri por amar você e nunca mentiria para ela sobre um dia voltar a ser sua namorada. — Assenti quietamente.
Dana balançou a cabeça, olhando para o celular.
— Você devia ter me dito há muito tempo. — Murmurou insatisfeita — Eu bem percebi ela estranha comigo em umas ligações, mas como seu comportamento voltou ao normal depois, achei que fosse apenas confusão por ter que morar em uma casa completamente desconhecida.
— Ela ainda liga para vocês? — Magoa encheu meu peito.
— É claro que sim. Todas as noites falamos — Me olhou de escanteio — Ela não fala com você?
— Não — Até podia ouvir o ciúmes em minha voz — Ela está ocupada com Damien. E o pior é que a culpa é minha. Se não tivesse falado sobre ter saído com você, ela...
— Estaria pensando besteira da mesma forma — concluiu ela tranquilamente e pousou o celular no ouvido, depois o afastou e colocou sobre a mesa. Estava chamando no viva-voz.
Arregalei os olhos para Dana.
— Eu conheço minha irmã, ela sempre é insegura quando o assunto é garotos. Então vamos fazer isso com calma. E você, fique quieto até eu dizer que pode falar, e se isso não acontecer, permaneça calado. — Eu assenti. Aquela altura fazia qualquer coisa para ouvir a voz da minha pequena, mesmo que não fosse para dizer que me perdoava.
Olhei atentamente para o celular, esperando ela atender. Depois de três toques fiquei apreensivo, no quarto comecei a pensar em uma lista de coisas que ela podia fazer com Damien nessa tarde, e na quinta eu quis comprar uma passagem de vôo e correr atrás dela.
Assustei-me quando sua voz trouxe-me a lucidez de volta.
— Alô? Dan? — Acho que minhas mãos fecharam em punho quando detectei como sua voz estava ofegante e acelerada. Dana também notou, pois estreitou o olhar para mim com curiosidade, obviamente se divertindo com minha cara, que com certeza estava se avermelhando ao pensar no motivo de sua respiração estar assim.
Damien. Minha mente rosnou o nome.
— Olá querida. O que está fazendo? — Dana perguntou com um sorriso presunçoso, eu não me importava, apenas queria quebrar cada maldita parte do corpo desse homem.
— Oh... Eu estou correndo. Damien me expulsou da cama para acompanhá-lo— Ela parou para respirar. Eu tive que fazer o mesmo ou faria uma loucura. Estava aliviado com o fato de os dois não estarem na cama, mas saber que ele estava ali, vendo-a suada e correndo ao seu lado fez meu sangue ferver.
— Correndo Harlow! — Parei de sentir raiva quando Dana se exaltou — Mas e sua asma?
Preocupação então me fez abrir a boca para falar também, Dana fez gestos para que eu mantivesse a boa fechada.
— Não precisa surtar Dana, eu fui ao médico e ele disse que minha asma está controlada. Estou até com a bombinha. Tia Amélia não me deixa sair sem ela — Ela riu. Eu vi como o corpo de Dana enrijeceu e fiquei preocupado.
— Chamou-a de tia? — Ela estava chocada— Você nunca a chama assim! — Sua preocupação contrabateu em mim e olhei tenso para o celular quando Harlow suspirou.
— Dan, por favor. Eu estou me dando bem com Amélia... Ela tem me ajudado em muita coisa sabe, então não é difícil gostar dela. Você devia tentar — Agora eu com certeza estava aflito, e Dana parecia da mesma forma, pois até hiperventilava.
— Mas querida... — Dana tentou ser suave — Ela nos abandonou. Está tentando tirar você de nós.
— Na verdade não — Rebateu Harlow — Ela está, na verdade, tentando ser minha amiga. Amélia não é tão má quanto pensa Dan. Ela é uma ótima pessoa, e se dessem uma chance para que ela se aproximasse, acho que viveríamos bem todos juntos. Sem brigas.
Dana ficou sem palavras olhando para o aparelho, e eu conseguia ver o medo que também aparecia nos olhos de Jared. O medo de Harlow escolher a tia e não eles, o que consequentemente seria me esquecer e escolher a Califórnia, Malibu, e Damien.
O medo quase me deixou sem ar.
— Dana, fale comigo — Harlow suplicou ante nosso silêncio — Será que não posso me divertir nessas férias sem que fiquem chateados comigo por gostar de uma coisa? Ou me acharem louca por gostar de Amélia?
— Ah meu bem, não é isso — Dana suspirou entristecida — Eu só tenho medo.
— Pois não devia. Ainda sou sua irmã Dan... Eu ainda estou indo morar com vocês. Nada do que sinto por Amélia vai mudar o quanto amo vocês ok? — Eu assisti como o peso deixava os ombros de Dana e como um sorriso curvava em seus lábios. Era tão lindo ver como as irmãs se tratavam que minha própria aflição diminuiu.
— Eu amo você também Harlow — disse, e em seguida me olhou — E por amá-la muito, quero saber o que está rolando entre você e Damien.
Opa! Essa não era a ideia.
Olhei para essa mulher como se estivesse ficado louca, mas quando ouvi Harlow engasgar do outro lado da linha, eu percebi que precisava saber o que estava acontecendo entre eles. Precisava muito.
— Do que está falando? — Eu percebi como sua voz mudou e ficou tremula. Dana também.
— Querida, lembre-se que além de sua irmã, eu também fui sua mãe — Dana estreitou os olhos — Você vai me dizer o que está havendo? Mesmo Jared já percebeu.
— O que?! — Ela abaixou o tom, como se sussurrasse para que ninguém ouvisse. — O que ele percebeu?
— O que mais Harlow? Seu envolvimento com o irmão da Caroline. Está mais que na cara que estão ficando— Minha garganta travou eu supliquei que Harlow começasse a negar até o infinito, mas isso não aconteceu, ela apenas ficou quieta. Muito quieta — Harlow? Ainda está ai?
Dana me olhava com pena, e isso me fez abaixar olhos, odiando aquilo mais que tudo.
— Oi eu... Dan, será que essa conversar é mesmo necessária?
— Sim.
— Danaaaa — gemeu — Ele está aqui do lado me observando, não posso falar agora.
— Apenas confirme ou negue. — Pediu a irmã mais velha — Está ou não envolvida com ele?
Harlow demorou, mas respondeu, mesmo que relutante.
— Um pouco — E então toda a merda de sentimento caiu sobre mim, e acho até que meus olhos marejaram, porém sobre a tristeza, a fúria também me apanhou. Silenciosamente, Dana me pediu calma.
— Como assim um pouco Harlow? É uma questão simples.
— Errr... Não para mim acredite — disse inquieta — É sério Dan. Eu só estou curtindo com ele. Nada demais, juro.
— E o Jimmy? — Eu não estava entendendo onde Dana queria chegar, e acho que nem mesmo ela sabia, mas fiquei quieto e esperei para ver o que acontecia.
Harlow exalou do outro lado.
— O que tem ele? — Ela tentou parecer indiferente, mas obviamente não conseguiu, sendo que limpou a garganta e refez a pergunta.
— Você vai me fazer explicar mesmo amor?
— Não existe nada para explicar — disse seca. Dana não desistiu.
— E se existisse?
— Ele com certeza pegaria um esfregão e apagaria tudo — falou com rancor. Eu pude sentir sua raiva por mim. — Não existe Jimmy mais Dana... Ou melhor, ele nunca existiu. E você devia saber disso.
Dana esfregou os olhos quando notou a magoa de sua irmã, e eu tive que me segurar para não começar a soltar um monte de palavras que significasse perdão.
— Eu não tenho nada com ele Harlow — A irmã disse com calma —Você sabe disso.
— Ora, eu não sei por que está me dizendo isso. E não me importo Dan, mas mesmo não me importando nem um pouco eu faço questão de dizer que Jimmy já me contou sobre o encontro de vocês. Não precisa mentir para mim — Dana me fuzilou com o olhar, me culpando pela reação da irmã mais nova, eu suspirei.
— Pare com essa manha Harlow. Nós só fomos tomar um café para falar sobre você e como andava o progresso com sua tutela.
— Eu não estou pedindo explicação — cantarolou a outra. Teimosa como sempre.
Porém Dana era sua irmã, então tinha a mesma teimosia.
— Harlow Cooper! Eu sei que a senhorita está virando os olhos, e se não parar de fazê-lo vou pegar um avião agora mesmo para chutar sua bunda. — Sorri de lado.
— Oh, okay mamãe. Não desrespeitarei mais a senhora — Harlow bufou. Dana grunhiu.
— Pare com isso! Estou dizendo a verdade. Eu e o Jimmy não estamos juntos!
— Ok.
— O que posso fazer para acreditar em mim? — perguntou Dana com insatisfação — Se eu tenho que fazer, fale de uma vez. Sempre achei que minha palavra bastasse para você, mas pelo visto não é esse o caso.
Harlow pareceu atingida por isso, pois resmungou coisas e suspirou.
— Muito bem Dan... Não é que eu não acredite, é só que agora eu não quero pensar nisso. Jimmy provavelmente não está, já que não ligou mais para mim depois de nossa última conversa — Eu estava pronto para falar o porquê de não ter ligado quando ela voltou a falar — E eu também não quero falar com ele. Não depois de saber que ele está se escondendo do mundo e dizendo que não quer que nossos amigos me falem nada a seu respeito. Estou cheia da duvida dele, Dana, para mim chega de Jimmy, não quero ser idiota novamente.
Eu fiquei sem falas olhando para o celular sem reação, porém por dentro estava me desfazendo. Bem. Parabéns seu grande babaca. Acabou de perder a mulher que ama e a culpa é toda sua.
Olhando nos olhos de Dana, eu dei um sorriso e acenei com a cabeça, dizendo que estava bom. Ela pareceu dividida entre me ajudar e fazer Harlow mudar de ideia, mas eu sabia que ela não conseguiria, por isso me levantei e sai da lanchonete, indicando para ela que a esperaria do lado de fora.
Não podia dizer que não estava ferido com as palavras de Harlow, mas de qualquer forma, não era culpa dela que eu fosse imbecil o bastante para não dar noticia para ela ou enfrenta-la depois de nossa briga infantil. Ela não tinha culpa de eu ter a feito de “idiota” assim como ela mesma disse. Dava-lhe razão em cada um dos seus motivos. Mas isso só me fazia mais miserável.
Me virei quando Dana se aproximou sorrateiramente. O ventou aumentou. Enfiei os polegares nos bolsos da calça, e a olhei.
— Você a magoou mesmo quando fez aquelas merdas de afastamento e xingamentos para todos os lados. Ela sempre foi gentil com quem merecia, mas você nunca deu chance para que ela lhe mostrasse que é muito mais que uma criança. Eu e Jared estivemos na vida dela desde que nasceu e ela só sai com a gente quando não está ensaiando com a banda ou brigando com você. Eu sabia que ela estava triste por sua causa, mas não sabia por que até hoje. — Ela fez uma pausa. — Você não devia tê-la rejeitado do jeito que fez. Por que motivo faria isso? Ela é incrível.
Minutos se passaram.
— Eu temia que estar comigo fosse assustá-la — Apoiei-me na moto, baixando a cabeça ao falar — Sempre disse aos outros que era por causa da idade, mas tenho notado que era por eu nunca ter lidado com uma garota como ela. Harlow é diferente. É dura, confiante e me enfrenta como nenhuma outra... E o que me deixa mais maluco, é que ela pode ser fofa, carinhosa e atenciosa ao mesmo tempo. Ela faz tudo isso sem nunca ter tido uma experiência, e isso me assusta. Não a idade, mas sua inteligência. Sua percepção para com os outros. — Minha voz ficou mais suave. — Eu também queria lhe dar tempo para que tivesse certeza do que sentia por mim, mas eu também precisava disso.
— Sabe que agora ela guardou rancor não é? — Apontou me deixando mais angustiado ao assentir.
— Eu sei. E lamento por isso. — falei sinceramente — Lamento muito.
— Ótimo que lamente — Dana se aproximou com os braços cruzados — Pois agora está na hora de você concertar a porcaria que fez no coração da minha irmã.
Ergui a cabeça para olhar a outra com confusão.
— O que?
— Isso mesmo que ouviu — Apontou para meu peito — Você vai levantar essa cabeça, sair dessa fossa que está estampada na sua cara, e se preparar para reconquistar Harlow.
Eu estava chocado.
— Você quer que eu reconquiste Harlow?
— Sim, Jimmy. — Balançou a cabeça — Eu quero que você traga minha irmã de volta. Estou com medo do que pode acontecer quando ela voltar, e por isso quero que se prepare para usar todas as suas seduções, pois você precisa fazer ela ficar.
— Quer dizer que apoia eu tentar tê-la para mim? — Alegria floresceu em meu peito.
Dana virou os olhos.
— Não fique alegrinho. Ninguém tem a Harlow. Ela não é uma mercadoria Jimmy — Me firmou um olhar — Mas apoio você namorá-la. Eu conheço minha garota e sei que ela apenas está magoada, muito magoada. Deixe que ela se acalme e que aproveite o tempo dela com Damien, quando ela voltar, será sua vez de agir. Terá que lutar contra suas recusas, pois uma coisa é obvio... Harlow não quer te ver nem pintado de ouro. Isso vai ser complicado.
— Eu aguento — garanti com convicção, sentindo novamente uma esperança subir por todos meus poros — Farei o que for necessário para ela me perdoar.
Dana me olhou penetrante.
— Precisará ser bem insistente. — Apontou.
Eu sorri largo.
— É o que eu nasci sabendo.
O sorriso dela foi um eterno incentivo.
— Muito bem. Então temos que começar a bolar um plano. — fiquei surpreso.
— Você vai me ajudar?
— É claro que vou — Pegou o capacete — Farei qualquer coisa para fazer Harlow continuar aqui comigo. Até ajudar o meu ex a conquistar minha irmã caçula. — Eu ri, e me aproximando dela, a envolvi em um abraço forte.
— Obrigado.
— Não seja melodramático loiro, ainda estou com raiva por não ter me contado essa história antes — Se afastou com o mesmo olhar que Harlow dava quando tinha raiva — Você vai ralar demais companheiro.
— Eu vou — concordei — Vou fazer isso e muito mais para conseguir ter minha pequena de volta.
Até mesmo me humilhar.
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