Rude Girl

18 Capitulo 18 — Novas experiencias


Notas iniciais
Gente, eu sei que eu estou super atrasada com a postagem, mas o motivo era que eu estava sem internet todos esses dias e só vieram consertar hoje. Perdão a demora, tentarei agilizar nos caps apesar disso, e como desculpas está ai um mimo. Espero que não me odeiem pelo que aprontei com Damie e Harlow. Bjs e uma boa leitura povo!

— Você só pode estar brincando. — Sim, eu realmente pensei que Damien estivesse zoando com minha cara assim que me puxou por uma ponte que deu em um tipo de Cais, e enfrente a ele tinha vários jet skis.

Damien me olhou sorrindo, e como se para me deixar mais surpresa, ele agarrou a barra da minha camiseta e puxou para cima. — Damien!

Ele riu quando gritei e jogou minha blusa para uma mesa qualquer, depois tirou a dele própria e também jogou em algum lugar.

— Já falei que você é muito maluco? — perguntei quando comecei a olhar demais para seu peito. Ainda sim, ele não fechava aquele sorriso.

— Eu sei que sou. — E ele pulou para sentar-se no banco. Em seguida estendeu a mão para me ajudar subir no jet ski. — Vamos caramelo.

Mordendo os lábios, aceitei sua ajuda e saltei atrás dele, segurando em seguida em seus ombros muito firmemente.

— Eu não acredito que vou fazer isso — falei nervosamente, mas estranhamente muito feliz. Damien me olhou por cima do ombro. — Se me deixar cair será um homem castrado.

Ele riu alto jogando a cabeça para trás.

— Segure-se firme querida Harlow — falou e no momento seguinte o jet estava voando para frente.

Eu sei que gritei alto pra caramba quanto mais ele acelerava, mas isso não era importante. Importante mesmo era como aquilo estava sendo a experiência mais maneira que já tive em toda a minha vida. A água espirrava contra meu rosto e molhava-nos por completos, Damien ria quando pulávamos as ondas, e eu absolutamente não podia fazer nada mais do que a mesma coisa que ele. Tudo aquilo era impressionante, a praia, a companhia e a diversão, eu não queria parar nunca mais, por isso me agarrei em Damie e pedi para ir mais rápido.

Aos poucos me soltei dele, erguendo as mãos para o céu enquanto ele acelerava sobre as águas como se estivéssemos em cima de uma moto, ele curvava e saltava, nos deixando ensopados. Eu ri alto e me abracei a ele, maravilhada com o sol e as várias outras pessoas que corriam em jet skis ou pranchas de surfe.

— Isso é incrível, Damien! — exclamei. Ele sorriu.

— Ainda não viu nada — disse, eu não compreendi, e ele notou, pois riu e levou-nos mais ao fundo do mar.

Nós ficamos rodando com o jet ski por horas até que ele finalmente parou perto de uma rocha enorme e me ajudou pular para ela. Prendeu o jet com acorda na rocha e me fez sentar ao seu lado. Em seguida apontou para um lugar no céu.

— Veja Harlow.

O sol estava grande somente para nós e sumindo ao longe, os raios solares amarelos riscavam o céu azulado e os pitavam em cores vivas. Vermelho e laranja por toda parte, formando reflexo na água e brilhando como uma linda e grande estrela. Ele tinha razão, aquilo era maravilhoso, uma imagem que qualquer pintor adoraria retratar e algo que qualquer cineasta adoraria colocar em um filme. Meu coração, aquele que antes estava tenso com preocupação sobre Jimmy e aflito por Amélia e Jared, agora estava mais feliz que nunca, assim como ele disse que estaria ao cair da noite.

Suspirando, deixei-me deitar contra o ombro de Damien, apreciando o que ele estava me oferecendo.

— É tão lindo.

— Eu fico feliz que gostou — disse passando um braço a minha volta — Aprendi que não gosto de ver você sem sorrir, caramelo. Preciso ter muitas ideias para nós dois então. — Eu ri, e deslumbrada com sua capacidade em me fazer sorrir tão de pressa, levantei meu rosto para olhá-lo.

— Quer dizer que vai se encarregar de me fazer sorrir? — perguntei divertida, ele sorriu de volta, me olhando tão fixamente que me esqueci do porque estávamos ali.

— Farei isso até me mandar embora — falou com seu dedo girando em cima da minha mão — Quero seu bem Harlow.

— E eu agradeço por isso Damien — sussurrei. Ele piscou e sua testa ficou um tanto franzida quando seus olhos, hesitantes, foram para meus lábios. Só aquele ato indiscreto fez coisas passarem por mim, algo como aconteceu uma vez com Jimmy, porém estava confusa do porque estar sentindo isso aqui e agora, com Damien. Isso era errado. Não era?

— Não pense tanto Harlow — Ele murmurou ao ver a confusão em meu rosto, sua mão foi para meu pescoço, onde ficou e seu polegar mexeu contra minha bochecha — Apenas um teste ok?

Um teste? Como assim teste? Que teste era esse?

— O que você....

Seus lábios estavam cobrindo os meus antes que terminasse a frase. Eu me assustei, olhando como ele fechava os olhos e prendia as mãos em meu rosto, levando-me para mais perto. Quando ele notou que eu não me mexia abriu os olhos e me encarou, sem desgrudar nossas bocas. O contato visual acendeu algo em mim e eu tive de abrir a boca para respirar, Damien tomou a chance como uma deixa para passear a língua ali, me fazendo tremer com o toque quente.

Ele tentou me puxar novamente, e dessa vez eu permiti e finalmente fechei os olhos. Damien fez um som que pareceu de vitória, e logo tratou de aprofundar o beijo mais estranhamente sexy que já tive. Os que ganhei com Jimmy era ousado e com um ar de eterna proibição, pois nós dois pensávamos que era assim. Jimmy tomava cuidado em cada gesto e toque, mas Damien não, ele me segurou com força, me levou para seu colo cheio de uma necessidade que Jimmy fazia tanta questão de esconder. Ele agarrou meu cabelo e mordeu meus lábios, abrindo passagem para sua língua explorar a minha. E Deus, era bom.

Ser desejada por alguém que não tinha medo do que estava fazendo. Por alguém que não hesitava ao levar a mão até meu quadril e depois para meu traseiro. Era bom aprender o que era ficar quente por alguém, que não fosse Jimmy. Por isso levei minha mão além, para seus ombros e depois o peito, sentindo a pele corada e a dureza do homem que me apertava com tanto afinco. Eu me agarrei ao que ele tinha e dei o que ele queria, mesmo que meu coração estivesse pesado pelo fato de que o homem a me querer assim de repente, não fosse o que eu era apaixonada desde a oitava serie.

Não foi Jimmy que me levou para perto e não foi Jimmy que deu-me a melhor tarde de todas, ele apenas se afastou. Foi Damien a se aproximar, e isso só me fez puxá-lo para mais perto até não ter mais ar algum.

Quando nos separei eu não entendia o que diabos estávamos fazendo, mas não me importava. Foda-se as duvidas. Por hoje eu só queria aquilo.

— Isso foi surpreendente caramelo — disse Damien, alisando minha boca com o polegar. Eu ri, obviamente corada.

— Você também me impressionou. — confessei. Ele me olhou divertido e voltou-se novamente para minha boca.

— Será que posso lhe impressionar novamente? — Borboletas pareceram voar para todos os lados em meu estômago, e mesmo assim, eu o olhei e me aproximei.

— Você pode — respondi, e assim ele fez o que eu pedi.

~*~

Eu não entrei mais em contato com Jimmy desde nossa última ligação. Não tive coragem de ligar e muito menos encarar a barra que seria quando ele me perguntasse a pergunta que todos andam me fazendo: Você e Damien estão namorando?

Já não aguentava mais tantas pessoas no meu pé. Três dias depois de eu ter beijado Damien, eu não conseguia encarar meus amigos e muito menos meu irmão, que a cada cinco minutos me ligava querendo saber como eu estava e o que o irmão da Caroline andava fazendo comigo. Eu mentia claro, pois não sabia exatamente o eu estava rolando entre mim e Damien, nós apenas nos curtíamos, e desde o dia do beijo nós estávamos cada vez mais próximos.

Era justamente por esse motivo que hoje acordei cedo. Não suportava mais olhar para minha janela como se fosse aparecer alguém ali trazendo uma resposta para minhas duvidas. Desci as escadas em silêncio, sabendo que Adelaide e Amélia ainda dormiam, mas quando cheguei à cozinha, um pensamento muito louco veio a minha cabeça. Não. Na verdade era uma lembrança.

Amélia disse que gostaria de ter alguém para acordá-la de manhã com o barulho das panelas. Eu poderia realizar esse sonho dela agora, já que o da piscina já se concretizou na manhã em que ela contou-me sobre Logan.

Sorrindo de lado, olhei dentro do armário arrumadinho de panelas e peguei uma frigideira, peguei também uma colher de pau e subi em cima do balcão. Cruzei as pernas e comecei a batucar na frigideira enquanto cantarolava. Não demorou nem 5 minutos e ouvi os passos vindos das escadas e dos fundos da casa.

— Mas o que é isso?! — Amélia gritou sob o barulho que eu fazia, Adelaide apareceu logo atrás ofegando e com olhos arregalados. — Harlow o que é isso?

— Estou fazendo barulho ué — disse sorrindo largo — Você disse que queria alguém para acordá-la durante a manhã com as panelas na cozinha. Eu até cogitei derrubar todas no chão, mas senti dó de Adelaide, já que ela que arruma as coisas aqui.

Ambas as mulheres ficaram mudas, me olhando incrédulas, mas depois Amélia se deu conta o que eu estava fazendo e começou a ir alto e claro, do jeito que eu imaginava que ela fosse fazer.

— Oh Deus... Harlow... você me matou de susto! — Ela riu mais, andando até mim. — Isso foi uma ideia esplendida. Obrigada.

— Não tem dê que — dei de ombro e olhei para a empregada — Foi mal acordá-la Adelaide.

— Não por isso querida. É bom ver a patroa sorrindo um pouco — falou, ajeitando os cabelos que estavam em um coque bagunçado. Com certeza não teve nem tempo de se arrumar. — A senhora deseja o café agora dona Amélia?

— Pode ir descansar mais um pouco Adelaide. Acho que eu e Harlow podemos nos virar — falou gentilmente.

— Como quiser senhora. Um bom dia para as duas. — E saiu.

— Ela é tão adorável — murmurei sincera — Posso levá-la comigo quando for embora? — perguntei de brincadeira, Amélia soltou um sorriso pequeno.

— Desculpe, mas Adelaide já me pertence — riu e em seguida caminhou para a geladeira. Mirei sua camisola vermelha por um instante e fiquei chocada que ela também tivesse um corpo magnifico. Ela tinha curvas a desejar, um bom par de peitos e uma bunda que qualquer homem gostaria de apalpar. Era até legal ter uma tia gostosona beirando aos trinta. — Harlow?

— Oi? O que? — percebi que tinha me perdido e nem escutado o que ela disse. Amélia ergueu a sobrancelha. — Desculpe, estava distraída. O que dizia?

— Que você pode ter Adelaide de outro jeito — falou e sentou-se em um banquinho de frente para mim. Deu-me uma colher e colocou um bolo de chocolate no balcão.

Lambi os lábios.

— Como então? — questionei de boca cheia. Amélia hesitou antes de falar.

— Ficando comigo.

Meu rosto saltou e a colher que eu levava para boca deixou o bolo cair de volta no prato.

— Amélia...

— Por que não me chama mais de tia como naquela tarde? — Ela parecia magoada — Só vai me chamar assim quando sentir pena de mim?

— Não é bem assim...

— Pois está parecendo — Ela soltou a colher — Eu tenho que admitir Harlow. Desde que você chegou eu tenho estado muito alegre. Você me faz sentir bem, e às vezes penso que faço o mesmo por você. Mas em outros penso que ainda me odeia e que me quer longe assim como Jared e Dana.

— Não é que eu queira você longe ou te odeie — tentei soar gentil — Mas é que eles são meus irmãos, Amélia, entende que ter de escolher seria a coisa mais difícil que faria na vida? Principalmente agora que eu estou começando a gostar de você.

Esperança então brilhou em seus olhos instantaneamente.

— Está gostando de mim? — sorri, virando os olhos quando empurrei de leve seu ombro.

— É claro que sim tia — Ela sorriu ainda mais largo com as íris emocionadas. — Mas eu não posso ter essa conversa ok? Pelo menos não agora.

— Eu entendo — suspirou — Mas entender não impede de querer que fique. Tenho estado sozinha por tanto tempo, que agora, ao ter você aqui e me acordando com colheres de pau e frigideiras de alumínio, me faz ficar temerosa com o dia que for embora. — Eu entendia o que era sentir isso, tanto que permaneci quieta comendo o nosso bolo, pois por mais que soubesse, eu não fazia ideia de como ajuda-la.

Amélia entendeu, pois suspirou e tomando a coragem da mulher dura que eu sabia que ela era, sorriu para mim.

— Que tal esquecermos esse assunto? Quero lhe mostra uma coisa. — Ela se levantou e acenou para que eu a seguisse. O fiz, e quando a vi subir as escadas, acelerei o ritmo.

— Aonde vamos?

— Meu escritório.

Eu já havia entrado lá, e como antes as fotografias da minha mãe e dela rondava o lugar, igualmente era suas plantas na janela, que pareciam terem sido regadas há poucos minutos.

— Gosta de plantas?

— Depois que Logan morreu eu tive que me apegar a algo para seguir com o tratamento para as drogas — disse sentando-se de frente para sua mesa e laptop — Plantar me acalma, então sim. Eu as amo.

— Quantos anos ele tinha quando aconteceu?

— Dezoito. — Ela mexeu em algo no laptop e sorriu — Aqui, venha ver ele.

Corri para ficar atrás de sua cadeira e encarei o homem que ela indicava. A foto era deles dois juntos, e fiquei triste ao constatar que ambos estavam bem sujos e com uns machucados no rosto, porém sorriam para câmera como se estivessem em uma sessão de fotos.

Logan era moreno, uma pele cor de chocolate e tinha incríveis olhos verdes.

— Como tirou essa foto?

— Era do meu antigo celular. Antes de ele descarregar de vez, eu consegui convencê-lo a tirar pelo menos uma foto comigo — Amélia encostou-se na cadeira, olhando a imagem fixamente. — Minha mãe só me permitiu ter o celular de volta quando o tratamento acabou. Recuperei a foto e guardei em um pen drive.

— Bem, ele era lindo — falei sinceramente — E ficaria ainda mais depois de um ótimo banho. — Ela riu, assentindo em concordância.

— Sim. Ele era maravilhoso — falou e depois suspirou— Enfim, não era bem isso que iria lhe mostrar.

— O que é? — Ela mexeu novamente no laptop, e segundos depois, uma pagina estava aberta a minha frente e quando li, não compreendi muito.

— Academia? — Olhei para ela — Por que queria me mostrar isso?

— Porque não sou burra, meu anjo — Sorriu de lado — Eu vejo como seus olhos ficam quando passo. E vejo como se olha totalmente desanimada depois — Desviei os olhos — Não estou dizendo isso para envergonhá-la Harlow, mas para dizer que isso não é necessário. Você é uma garota linda desse jeitinho, porém você não vê isso como os outros a sua volta. E eu entendo o que sente, pois já passei por essa vontade de ter um corpo bonito, eu desejei horas que um cara me olhasse com desejo, mas eu lhe garanto que depois a noticia se acaba... Você se acostuma, entende? — Desanimada, eu assenti. — Isso é ótimo, porque agora eu quero fazer uma proposta.

— Proposta? — fiquei confusa.

— Sim. O que você acha de eu ajudá-la com uma dieta saudável e também apresentá-la a uma academia? — Me olhou avaliativa — Você quer ter um corpo bonito? Quer se sentir bonita para si mesma? Se for sim, maravilhoso, eu ajudarei com o maior prazer. Mas se for para chamar a atenção das pessoas. Querida, eu lhe garanto que não vale a pena. Decida agora. Quer mudar por você, ou por causa dos outros que não a veem como quer?

Eu debati. Pensei se aquilo era o que eu queria, e me impressionei com a resposta imediata.

Sim. Era o que eu queria. E não por causa dos outros, mas sim porque estava cansada dessa Harlow sem sal, estava cansada de olhar no espelho e não ver o reflexo de uma menina com uma essência completamente diferente da que eu tanto desejava ter. Aquilo não era sobre ser bonita aos olhos dos outros, e sim ser desejável para mim mesma. Eu sempre me escolhi antes dos outros, e não seria agora que faria algo para agradar alguém.

— Eu quero fazer isso — assenti empolgada — Por favor, tia, me ajude a ficar bonita.

Ela riu, e balançando a cabeça, se levantou. Alisou meu rosto e beijou minha testa.

— Primeira lição. — Olhou em meus olhos — Nunca se esqueça de amar a si mesma minha sobrinha. Você já é linda, e precisa lembrar-se disso todos os dias. Estamos entendidas?

Sorri.

— Absolutamente!

E assim nós começamos minha dura tarefa de ter um corpo. Naquele mesmo dia eu corri para a loja de Damien, querendo contar minha decisão. Ele me apoiou, mas jogou o mesmo ultimato de Amélia: Não fazer isso só porque os outros não me viam como queria.

As palavras dele na verdade foram mais especificas que isso. Ele realmente disse para eu não fazer isso só por que o Jimmy não queria assumir o que sentia por mim. Eu tive de garantir várias e várias vezes que não era por causa dele, só assim ele concordou em me ajudar no que fosse necessário.

Amélia me levou ao médico na semana seguinte, pois tinha medo que o exercício físico fosse me prejudicar, já que tinha ataques de asma e tomava uma injeção contra ataques de pânico. Depois de uma consulta, o doutor me receitou os tratamentos certos e no caso de algo de estranho acontecer, cedeu o nome de um remédio e recomendou que Amélia me levasse no mesmo minuto para o hospital.

Se minha asma estivesse atacando frequentemente, eu não poderia fazer isso, mas como esse não é caso, ele liberou e ainda recomendou um personal trainer.

No dia seguinte eu já estava indo ao meu primeiro dia na academia nova. Tudo foi mais fácil que eu esperava, tenho que admitir, e pensava que encararia numa boa durante o resto dos dois meses, mas me enganei assim que acordei essa manhã. As dores estavam por todo o corpo, meu pescoço latejava e minhas coxas eu nem mexia direito.

Estava deitada em minha cama e Amélia ria da porta com os braços cruzados.

— Pare zombar de mim! — briguei irritada. Ela riu mais.

— Eu disse que era complicado — falou e eu bufei, mas até isso me fez dor.

— Pior que a dieta que estou levando? — perguntei com ironia — Não pensei que fosse pior que isso. Na verdade cogitava que essa era a parte fácil.

— Foi só o primeiro dia. — disse sorrindo — Vai ver como isso vai piorar — Eu virei os olhos.

— Isso sim é incentivo. — falei com falsa gratidão — Muito obrigada tia.

Ela voltou a rir. Adelaide apareceu então com meu comprimido para dor e para completar, tinha um chaveirinho no pé.

— E ai caramelo. Vamos desistir agora? — Ele entrou no quarto sorrindo para Amélia e para mim— Ela vai parar?

— Não! — gritei quando Amélia ia falar — Eu vou encarar isso.

— Quanta coragem nessa toquinha de gente — Ele sorriu gigante, e de propósito, saltou na cama depois que tomei o remédio que Adelaide oferecia junto com o copo de água.

— Damien! — berrei de novo quando colidi dolorosamente contra ele — Maldito seja aquele que te colocou no mundo — gemi. Ele gargalhou.

— É apenas o começo querida, que tal corrermos amanhã de manhã? Para esquentar o corpo. — Olhei para ele totalmente pasma.

— Eu nem consigo levantar o pé, do que dirá correr o quarteirão. Está querendo me matar?

— Mas é exatamente por isso. Você precisa se acostumar com a dor até que ela pare se não todos os dias vai ser assim. — Fiz careta.

— Ele tem razão Harlow — Amélia falou concordou — Vai ser bom você correr, e poderia ir mais tarde à praia também. Quando comecei minha academia, a dor era parecida com a sua, porém melhorava quando estava de baixo da água. Acho que estar com o corpo submerso ajuda a tirar o peso dos pés e alivia a dor física.

— É uma boa dica — Elogiou Damien, minha tia acenou em agradecimento — Vamos gatinha. Não pode desistir logo no primeiro dia.

— E eu não vou só... É difícil me mover — falei. Ele me olhou, em seguida olhou Adelaide, que também já tinha conquistado seu coração quando fez uma lasanha magnifica em um dos dias em que veio me ver — Por acaso tem um creme? Queria massagear os ombros dela.

— No meu quarto têm vários — disse Amélia — Pegarei e mandarei por Adelaide. Harlow, vou precisar sair uns minutos, coisas do trabalho. Pode ficar aqui com ela Damien?

— Com certeza. — Ele ficou ansioso de repente. Virei os olhos.

— Está tudo bem? — perguntei para minha tia, ela sorriu.

— Está querida, só uns probleminhas bobos. Não sei que horas vou retornar, então não saia de casa, ok?

— Ok.

— Venha Adelaide. — As mulheres saíram do quarto juntas e fecharam a porta.

Damien me puxou gentilmente para perto, me fazendo deitar em seu peito. Consegui relaxar um pouco daquela forma.

— Quer dizer que vai fazer massagem em mim? — Eu sabia que sorria e que a malicia estava em minha voz, mas a muito tinha percebido que Damien gostava desse meu lado, e ele ainda entrava na brincadeira, o que me fazia ficar quente às vezes.

— Acha que não vou me aproveitar de você enquanto está toda frágilzinha? — riu ele, também em um tom ousado — Onde está doendo mais caramelo? Aqui? — Ele apertou meu ombro levemente, meus ossos reclamaram, mas o modo que ele apertou me fez estremecer de prazer — Ah, será que é mais para baixo? — Prendi a respiração quando a mão alcançou meu quadril e em seguida foi para minha coxa, que estava descoberta, pois estava apenas com minha camiseta velha de dormir.

Quando comecei a ficar apreensiva sobre essa massagem, Adelaide retornou ao quarto com o creme.

— Aqui está senhor.

— Que isso Ade, eu falei que esse senhor está no céu — reclamou Damie. A pobre empregada corou antes de fugir.

Eu ri, olhando-o se levantar.

— Você enfeitiça todas as mulheres. — reclamei lembrando de alguém em especial, que também tinha o costume de encantar mulheres inocentes e desajuizadas — Como consegue isso?

— É o meu charme natural — disse alisando o cabelo. Em seguida me ajudou a ficar sentada lentamente — Venha, tire essa blusa e deite de costas.

— Err... Não vai rolar.

— Por que?

— Porque eu só estou com minha calcinha por baixo e não vou deixar você me olhar dessa forma. Nem se me der mil beijos — garanti. Damien não tirava o sorriso sem vergonha do rosto nem uma vez.

— Vai me poupar de distribuir tantos beijos querida Harlow? Estou desolado — ri.

— Não seja idiota.

— Então tire.

— Mas Damie...

— Eu vou me virar coração. Prometo nem espiar — beijou os dedos. Eu apertei os olhos cheia de duvidas, mas em seguida suspirei e assenti.

— Ok. Feche os olhos e vire-se.

Eu tirei bem rápido e deitei na cama de costas como ele disse, eu não estava nem um pouco a vontade com aquilo, mas ideia de uma massagem me fazia até mesmo virar os olhos.

— Pronto — disse. Ele se virou, e no mesmo instante começou a rir — O que foi? — Ele apontou para minha calcinha.

— Eu sou mesmo muito fã do Mickey. — falou. Eu gemi, me esquecendo completamente que vestia justamente essa calcinha. Afundei meu rosto no travesseiro.

— Estou começando a desistir disso — murmurei contra ele. Senti quando Damie subiu na cama e ficou de joelhos,

— Nem pensar garotinha. Agora você vai ver o que é ter mãos de ouro.

Senti quando ele apertou o creme em cima da minha pele e me sobressaltei um pouco por estar gelado, mas quando as mãos dele se espalharam em minhas costas... Deus. Eu pensei que tinha ido para o céu. Seus dedos com calos por causa dos controles de vídeo game pressionaram as tensões em meus ombros, eu fechei os olhos, choramingando em deleite.

— Oh porcaria.... Isso é tão fodidamente bom. — falei absorta. Damie riu logo acima.

— Então aproveite caramelo.

Ele desceu as mãos para meus braços, onde ele apertou e alisou até que estava com a cabeça rodando com prazer. Minha consciência voltou quando as mãos desceram para minhas pernas. Abri os olhos e o olhei.

— Não acha que desceu de mais? — indaguei. Ele me olhou de forma inocente.

— Não sei o do que está falando — Sorri e assisti como ele vinha dos pés até as minhas coxas apertando e deslizando, sempre erguendo e dobrando minha perna, como se quisesse mantê-la sob exercícios. Era tão bom que eu não conseguia conter os ruídos que saiam da minha boca, era surreal.

Acho que ele ficou horas só fazendo isso e eu nem me importei quando ele realmente me virou na cama para ficar de barriga. Fui me dar conta no que ele estava fazendo tarde de mais.

— Damie o que... — relaxei ao perceber que ele mantinha os olhos fechados e me cobria com um lençol. Esse gesto trouxe lágrimas aos meus olhos, pois o único a fazer exatamente isso quando estava nua fora Jimmy, e como ele, Damien fazia para me dar privacidade e conforto, não porque não queria ver.

Isso me fez ver como eu eles eram parecidos e ao mesmo tempo tão diferentes. Ambos lindos, com uma maldita lábia para garotas e sempre sorriam quando faziam algo que gostavam. No caso de Damien era jogar e ir à praia, no de Jimmy era desenhar ou se aventurar em um livro de história como um incrível nerd.

Porém a diferencia entre eles para mim era gritante. Damie me beijava sem sentir culpa. Mas Jimmy não fazia isso. Nunca o fez na verdade.

— Hey — O toque de Damien me fez notar que não havia segurado forte o suficiente às lágrimas — Por que está chorando, bonita?

— Eu... estou confusa. — O olhei fixamente — Estou muito confusa Damie.

A expressão dele foi uma das que já tinha visto. Algo misturado com ternura e carinho. Ele esfregou minhas bochechas e deitou ao meu lado, olhos castanhos prendendo os meus com uma seriedade e profundamente hipnotizante.

— Eu sei que é difícil... Então se quiser se afastar de mim eu...

— O que? — Agarrei o lençol e levantei, pressionando-o contra mim bem apertado — Por que eu me afastaria de você Damie?

Ele suspirou, sentando-se de frente para mim.

— Eu sei que é apaixonada por outro e sei como tudo ai dentro... — Apontou para meu peito — Deve estar bagunçado por minha causa. Talvez se eu me afastar um pouco...

— Não pense nisso — disse com firmeza — Não pode ir embora agora que mais preciso de você. Meus sentimentos por Jimmy realmente são confusos, mas o que estou sentido agora não tem nada haver com ele, Damie. — Levei a unha até a boca e comecei a mordê-la, um tanto agitada — Eu sei que é egoísmo, mas não posso descobrir as coisas sem ter você por perto, então, por favor. Não vai embora assim.

Acho que ele demorou horas para se mover, mas de qualquer forma não me importei menos quando ele finalmente decidiu e apanhou meu rosto com as mãos. Olhou para mim, e sorriu de lado.

— Ok caramelo. Eu fico, mas não quero deixá-la mais confusa do que já está. Por isso serei apenas seu professor por enquanto — Ergui uma sobrancelha.

— Meu professor? — Não entendi.

Ele riu.

— Eu vou lhe ensinar como compreender seus próprios sentimentos. Ensinarei você a ser uma mulher muito melhor do que já é — Uma luz estranha cruzou sobre sua face — Está na hora de você mostrar para esse Jimmy a mulher que ele insiste dizer que você não é. E nossa primeira tarefa será como beijar alguém.

Um riso alto e louco borbulhou do funda minha alma para fora.

— Beijar alguém? — Mudei minha expressão então para nervosa — Quer dizer que não gosta da forma como beijo?

Damie sorriu e balançou a cabeça.

— Claro que não, você beija muito. Mas não foi você que iniciou o nosso beijo — falou todo convencido. Eu virei os olhos.

— O que isso quer dizer afinal?

— Quero dizer que existem muitas formas de começar um beijo, e pelo que senti quando te beijei, entendi que você esperava pelo ato. Você nunca iniciou um, certo? — Fiquei olhando para ele enquanto pensava nos beijos em que eu e Jimmy trocamos. Era verdade, todos sempre foi Jimmy a tomar atitude, eu apenas consenti. Até naquela vez no jogo de futebol, foi ele que me surpreendeu e me pegou como nunca imaginei que pudesse.

Fiquei chocada por perder meu BVL tão rapidamente.

— Seu silencio me responde — Damie estava se divertindo. Bufei.

— Ok. Eu nunca iniciei um beijo. Mas isso é mesmo importante? — indaguei frustrada — Não é como se precisasse disso.

— Ai é que se engana. — Apontou de forma relaxada — Você saber como pegar um homem em um beijo faz de você uma mulher experiente. Mostra que tem atitude.

— Hmm— Ele bem tinha razão — E como eu faço isso?

— Depende do momento. — Ele deu de ombro e então parou um momento para pensar. Foi quando notou que ainda estava sem blusa e sorriu largo — Já sei. Vamos começar sobre como ser ousada. Ser ousada é querer ser sexy sem parecer vulgar.

— Ok. Professor — zombei rindo. Ele mostrou-me língua.

— Pare com isso. É uma lição séria.

— Muito séria. — sorri grande.

Ele se levantou e me puxou junto. Ele pediu para colocar a camiseta de volta, e quando o fiz, ele se virou.

— Ok. Você vai me beijar. Como faria? — Eu não estava acreditando em sua pergunta, mas quando ele continuou me olhando, percebi que era muito sério mesmo.

— Err. Sei lá. Como vou explicar uma coisa dessas? — questionei. Ele rolou os olhos.

— Faça agora garota.

— Agora? — Arregalei os olhos.

— Isso. Estou esperando.

— Mas...

— Harlow — Ele cruzou os braços — Me beija logo.

Dessa vez eu tive que sorrir, olhando bem sua pose de deus grego.

— Muito bem meu senhorio. — fiz uma reverencia — Sua serva vai beijá-lo agora.

Damie começou a rir alto e com gosto, tropeçando para trás.

— Vo-cê não está colaborando — gemeu seu fôlego.

— Estou indo fazer o que disse — Andei para ele, que ainda ria sentado na ponta da cama — Pare quieto ou não consigo.

— Você não está sendo sexy.

— Vai para merda — disse. Segurei em sua nunca e o aproximei. Damie logo me afastou — O que foi agora?

— Olhe para isso — Apontou para a minha mão em seu pescoço — Nunca puxe um homem assim logo de cara, como se fosse dona dele. Isso não é sexy quando se está com roupas ainda no corpo.

— Damien — Fitei seus olhos — Você não está fazendo sentindo.

— Olha só — Ele se levantou de novo e me colocou de frente para ele. Ficou assim, me observando por horas, e quando pensei que fosse falar algo, ele simplesmente passou um braço em volta da minha cintura e agarrou meu cabelo.

Eu senti todo meu corpo arrepiar e tremer.

— Isso — Ele sussurrou em meu ouvido, esfregando o nariz em meu rosto — É sexy. E isso... — Mordeu minha orelha e respirou ali, fazendo meus seios saltarem para dar um “Alo” — é atitude. — Sim. Muita atitude.

— Vai ser... um pouco difícil fazer isso em um homem — falei um tanto fraca quando ele se afastou.

Damie sorriu satisfeito com minha reação.

— Por isso venha para mim como se fosse uma gata prestes dar o bote. Uma mulher, além de ser sexy, tem princípios. E um deles é nunca ser fácil demais ou ser uma presa. Venha para mim como se dissesse que pode ser meu sonho durante noites e dias a fio... Venha para se apossar. Use seu ar feminino para atrair o homem.

— E se ele não gostar do que ver? — perguntei, começando a me animar com isso.

— O convença do contrário com caricias e insinuações — Ele deu a volta em mim, levando apenas o dedo indicador aos meus braços. — Um toque indiscreto na mão. — Ele rodou a minha volta, aproximando o rosto do meu quando roçou nossos ombros — Um deixar de aroma em sua roupa. — Voltou a ficar atrás de mim, as mãos estreitando-se por meus quadris — Palavras com outras intensões, aquelas que tem dois significados. Charadas para fazê-lo entender que o lugar dele, naquela noite, é em sua cama.

— E então eu o beijo? — perguntei quase sem fôlego.

— E então você beija. — concordou — Vamos tentar de novo?

Assenti, mesmo que isso fosse uma grande loucura. Damien se afastou me olhado onde estava. Seu sorriso zombeteiro tinha partido e agora era como se encarasse um de seus vídeos games. Pura atenção.

— Não se esqueça da leveza — sugeriu quando continuei a olhá-lo, imitando o que ele fizera mais cedo — Relaxe a face, demonstre que está nem um pouco nervosa. Deixe os lábios soltos... Isso. Muito bem Harlow — Ele sorriu.

Eu queria fazer o mesmo, mas continuei onde estava cogitando mentalmente o que era para eu fazer agora. Depois de dois minutos, percebi por que o contato visual era tão importante e por que olhá-lo por horas ajudava. Eu consegui ver a mandíbula dele tencionando e com minha visão periférica, notei as mãos apertarem. Eu sabia que ele fazia de propósito, dando-me opções para aprender como chegar perto para seduzi-lo.

Decidi por ir até ele lentamente, sem quebrar nosso contato com os olhos, soltando um sorrisinho de lado como se estivesse blefando minha esperteza — o que tecnicamente estava. Damie aprovou, pois vi orgulho em seus olhos e um sorriso querendo curvar, mas ele não permitiu, me deixando a vontade para ir até ele.

Toquei seu rosto suavemente, tendo que ficar nas pontas dos pés para alcançá-lo.

— Sabe o que está fazendo Harlow? — Ele ergueu uma sobrancelha. Desafiando-me.

Eu ri verdadeiramente, mas até para mim, achei a risada mais sensual que já dei.

— Eu não sei — Arrastei meu dedo pela mandíbula tencionada — Me diz você.

A surpresa em seu olhar foi arrasadora, e eu me segurei para não gargalhar e estragar tudo.

— Você parece bem convencida de que sabe.

— O problema aqui não sou eu — sussurrei sorridente — Não é mesmo querido Damien? — Acariciei sua nuca, brincando com os cabelos loiros que tinha ali e os enrolando nos dedos.

Mais uma aprovação, pois senti como as mãos de Damien deslizaram por minha cintura.

— Acho que está indo bem — disse sorridente e aproximou seu rosto do meu. Eu o parei, colocando a mão sobre sua boca.

— Não senhor — Sorri maliciosa — Essa agora é minha tarefa.

E agindo totalmente fora do meu normal, eu empurrei meus pés para cima e sequestrei seus lábios para mim. Fechando os olhos e agarrando o rosto dele, lambendo-o antes de conseguir uma entrada. Damien fez um som tão masculino que reverberou por todo meu corpo, assim como fizeram suas mãos ao me pegarem e me erguerem para cima.

Eu ri, enlaçando minhas pernas em suas costas e o beijando novamente, sentindo que estava indo muito bem.

— E ai professor — Me afastei um pouco e empurrei as mexas do cabelo louro — Aprendi direitinho?

Damien gargalhou, e segurando-me firme. Caiu na cama ficando sobre mim.

— Merece um 10 minha cara aluna. Mas agora quero que aprenda mais uma lição.

— E qual seria?— descansei os braços em seus ombros. Damien piscou para mim.

— Nunca mais fale assim comigo novamente se não quiser acabar sem suas roupas — E me deixando totalmente chocada, ele voltou a me beijar. Como dois grandes e alegres amigos.

O que? Ok. Amigos com benefícios.

~*~

Notas finais
E ai pessoal? Querem me matar ou já estão criando shippers para Harlow e Damie? Kkkk Espero a resposta de vocês e também suas frustrações, não me deixem no vaco, estava com saudades dos comentários de vocês. Pode apostar. Espero vcs. Um beijo e até segunda ♥