Rude Girl
17 Capitulo 17 — Paixões
Notas iniciais
Ok. Eu não podia mais dizer que essa viagem fora de toda ruim. Apesar da forma como aconteceu, eu agora estava realmente me divertindo com Damie e até apreciando a presença de Amélia e Adelaide. Depois de duas semanas em Mailbu, eu já conhecia muita coisa depois de sair com Damien para todos os lados: Lugares como loja de discos, o aquário do centro e o mais interessante, a praça com pista de skate, onde ele passou a tarde inteira em cima de uma prancha enquanto eu apenas assistia de longe.
Na semana passada, depois que Amélia me levou ao médico para receber minha famosa injeção, Jared me chamou via-scape para saber como foi à ida ao hospital. Dana tinha ido trabalhar e ele estava de plantão, mas eu não me aguentei e mandei todas as fotos que Damie e eu tiramos no Luau.
— Você devia ter visto Jad! Era tudo tão lindo e animado. E tinha a Mohana, ela nos contou uma história linda. Tinha fogueira e tudo, foi muito legal — Não me lembrava de quando foi a última vez em que fiquei tão animada com alguma coisa.
Acho que Jared estava pensando a mesma coisa, pois sua testa estava franzida e os olhos uma confusão sentimental, como se estivesse vendo seu pior pesadelo.
— Então está gostando dai? — perguntou quase em um tom baixo. Me senti mau por estar jogando isso nele quando esse estava se matando com documentos jurídicos e etc, só por que me queira por perto.
— Eu estou... mas isso não quer dizer que quero você triste. Por favor, não fique chateado comigo só porque estou me divertindo um pouco — Jared então mudou a expressão para culpa e esfregou os olhos, inclinando-se para perto da mesa.
— Desculpe querida. Eu não estou chateado com você — disse e mostrou um sorriso, mas eu sabia que era forçado — Aproveite o tempo que quiser ai meu anjo. Você merece um pouco de distração antes de voltar para casa. — Sorri satisfeita e voltei a mostrar as fotos e a contar sobre Damien, Jad realmente se interessou por ele.
— Ele parece mesmo muito com a irmã — murmurou olhando a fotografia que tinha mandado em seu celular. Olhou para mim avaliativo — Ele não tentou nada com você, certo Harlow?
Eu comecei a rir muito alto e me jogando na cama.
— Claro que não Jad. Não seja lunático.
— Apenas checando.
— Claro que sim.
Naquela mesma tarde, depois que encerei a conversa com Jared, Lizze me contatou pelo celular. Sorrindo, atendi e aceitei a ligação por vídeo. Ganhei o lindo sorriso da minha amiga loira e a morena tímida do grupo.
— Como é por ai? — Quiseram saber. Eu sorri.
— É maravilhoso. Eu participei de um Luau com Damien — falei ansiosa. Lizze arregalou os olhos e bateu palmas, animada.
— Minha nossa! Comece a contar tudoooo! — Gritou assim como eu sabia que faria. Stef riu na mesma hora que outra mulher com cabelos loiros aparecia na imagem.
Ela sorriu largo para mim e acenou, era o mesmo sorriso de Damie, porém mais educado e contido.
— Olá Harlow. O que achou do Dan? — perguntou Caroline, eu sorri.
— Oi Car. E eu gostei da companhia dele — confessei — Já saímos para tantos lugares divertidos. Eu só não sou muito boa em games, e isso me faz ficar como piada perto dele.
Caroline gargalhou como se não tivesse aquelas barreiras de elegância a sua volta, como se falar do irmão a livrasse de qualquer porte bem comportado e sério.
— Dan é muito cruel com os adversários dele. Sinta na pele o que eu tive de aguentar desde que nasci. — sorriu amável e ergueu dois cabides para olhar. Assisti enquanto ela mirava as roupas por dois segundos até correr para colocá-las na cama. Ergui a sobrancelha quando ela alisou uma blusinha de ceda azul e a calça social branca.
— O que ela tá fazendo encarando as roupas? — perguntei confusa. Stef e Lizze riram.
— Ela disse que precisava pensar sobre coisas, então viemos para casa de Linnea organizar seu armário. — Ergui uma sobrancelha.
— Ela arruma as roupas para poder pensar?
— Sim. Ela está fazendo isso faz duas horas — Stef sorriu — Ela separa por cores, estilos, tamanhos e tecidos. Você não faz ideia de como ela estava agitada essa manhã, mas agora está mais mansa que um gatinho.
— E por que ela estava assim?
— Como por quê? — A voz que conheço muito bem apareceu, era impossível não reconhecer. Jodie pulou atrás das garotas com um sorriso malicioso e olhos cheios de diversão. Ela também usava uma jaqueta de couro muito maneira e que parecia muito cara — Ela está assim desde que voltou do hospital naquele dia em que praticamente a expulsamos da sua casa. Precisa de mais dicas?
Sorri, realmente já adivinhando isso.
— Aconteceu algo entre eles? — perguntei. Jodie deu de ombros colocando um chapéu na cabeça, ele também parecia muito caro.
— Ela disse que não rolou nada — sussurrou Lizze — Porém fica muito elétrica quando Jared aparece ou quando falamos seu nome. Acho que ai tem coisa.
— Absolutamente tem — Jodie concordou, olhando sobre o ombro quando Caroline passou para o outro lado do quarto sem ao menos olhá-las — Aposto que foram para os fundos do hospital — murmurou. Nós rimos.
— Meu irmão é certinho demais — disse, mas ainda tinha minhas duvidas — Não sei se permitiria que ela fosse lá.
— Seu irmão é homem, Harlow — Stefany riu virando olhos — Aprendi que até os mais certinhos tem seus fetiches.
Sorri maliciosamente para a morena.
— Isso quer dizer que Jackson já lhe mostrou um de seus fetiches? — brinquei, mas as bochechas dela ficaram coradas e seus olhos arregalaram. Eu gargalhei — Ai meu Deus! Ele fez isso mesmo?
Jodie e Lizze começaram a rir também, balançando a morena querendo explicações, mas foi nessa hora que Caroline voltou para nós e olhou diretamente para Jodie. Seus olhos arregalaram em pavor.
— Jodie! Essa é minha jaqueta preferida e o meu chapéu! — Ela parecia desesperada quando tentou pegar Jodie. Essa mesma correu longe, rindo do desespero da amiga.
— Eu só estou experimentando — provocou.
— É couro legitimo e você está passando as unhas. — Caroline era a coisa mais cômica enquanto olhava amedrontada para as mãos da Jodie — É preciso tomar cuidado! Devolva.
— Ok. Mas será que não quer que eu lave para...
— NÃO! — gritou mais apavorada. Jodie gargalhou novamente, como se já tivesse passado por isso muitas vezes e nunca se cansasse.
Eu virei os olhos, mas não me esquecendo de Stefany, perguntei.
— Fale logo. Qual foi o fetiche do Jack? — Stef gemeu, enterrando o rosto nas mãos querendo se esconder.
— Eu devia ter ficado quieta.
— Não seja chata Stef — Jodie se aproximou da cadeira da amiga. Ela tinha devolvido os pertences de Caroline e essa já tinha o pendurado como devia ser e guardado o chapéu. Ela veio para nosso lado já sorrindo de novo. — Liam também tinha um fetiche comigo — sorriu daquela forma sem vergonha.
— Isso todos nós sabemos Jodie — Lizze murmurou rindo. Foi acertada com uma almofada — Hey!
— Vocês vão querer saber ou não? — As garotas se olharam, e em sincronia mudaram para a cama de Caroline, que era grande e espaçosa. Rapidamente Lizze logou no scape e me encontrou, ficando mais fácil para todos me verem através da webecam. Com todos de frente para mim, Jodie começou a falar.
— Bem, vocês estão cansadas de saber que Liam é meio bruto quando Jack me abraça né. Sabe, por causa do tempo em que nós ficamos — Assentimos, assim como Stef — Bom, ele odeia o fato de eu ter um dia beijado seu melhor amigo, e eu ter falado da bunda de Jimmy naquele dia acabou por deixa-lo incrivelmente irritado.
Estreitei os olhos para Jodie quando o nome que tanto tentava esquecer foi pronunciado.
— O que a bunda de Jimmy tem haver com isso? — indaguei confusa. Elas riram.
— Logo depois que você foi embora, marcamos uma ida à lanchonete em frente da nossa casa — Lizze sorria como se lembrar fosse cômico — Jodie disse que Jimmy tem uma bunda grande e Liam ficou puto... Bem, isso antes de tirar a camisa no meio de todos lá dentro.
Eu sorri. Até podia imaginar como o boxeador ficou irado e como Jimmy aproveitou a deixa para provocá-lo.
— Liam é possessivo, e quem acabou por se ferrar foi o Jack — Jodie olhava as unhas pintadas de preta e mordia o lábio — O novato fez a maior loucura de todas. Eu sinto pena do Jack a essa altura, mas tenho que admitir que foi bem engraçado.
— O que aconteceu? — Stefany já estava amedrontada por seu namorado. Tinha de ficar mesmo, pois Liam era um monstro quando se tratava de Jodie.
— Ele me chamou para ir para a academia há uns dias a trás, querendo me mostrar à sala dos troféus. E vocês sabem como o novato tem uma lábia infeliz e que na maioria delas, eu caio como um patinho — fez careta e virou os olhos — Enfim. Ele me disse que sonhava em fazer sexo comigo no tatame da academia, e eu concordei — falou.
Arregalei os olhos, sentindo as bochechas coradas enquanto Caroline e Lizze se matavam de rir.
— E o que Jack tem haver com isso? — indagou Stef toda confusa. Jodie apertou os lábios em um sorriso.
— Liam tinha o chamado para a academia de propósito. Eu não sabia que o fetiche do novato era fazermos isso com uma testemunha — concluiu, e Stefany quase perdeu os olhos.
— Quer dizer que ele... — Jodie assentiu e começou a rir desesperadamente, e desculpe, mas eu tive que acompanhá-la. Só de imaginar a reação do Jackson, eu tinha vontade de fazer xixi nas calças. — Oh. Meu pobre Jack — Stefy gemeu balançando a cabeça — Quando foi isso?
— Nessa segunda-feira passada — Jodie ainda ria.
Stefany piscou e então arregalou os olhos novamente.
— Oh! — disse.
Todos nós paramos o que estávamos fazendo.
— O que foi esse. “Oh.”? — perguntou Lizze. Stefany abaixou o rosto parecendo envergonhada, mas sorria.
— Bem, é que foi nessa segunda que ele foi à minha casa e... — Suas bochechas coraram. — Melhor deixar para lá.
— Ah nem pensar. — Jodie segurou seus ombros — Começou termina garotinha.
— Agora até mesmo eu fiquei curiosa — Caroline sorria radiante — Tinha me esquecido em como é bom viver no meio de adolescentes.
— Você fala como se fosse uma velha de cinquenta anos — falei virando os olhos, Caroline riu.
— Eu sei, é só que eu me distanciei de tantas coisas durante esses três anos estudando para conseguir ter aparência de uma boa advogada, que me esqueci de que é muito mais interessante ser uma criança ou... — Ela olhou Jodie e Lizze chacoalhando Stef — Uma adolescente com hormônios a flor da pele. Sinto falta disso.
— Você poderia tentar se enturmar agora que está ai de férias — murmurei pensando em alguém em especial. — Vá conhecer e sair com alguém — Ela sorriu de lado, me mirando com os olhos cerrados. Ela tinha sacado o que eu queria dizer.
— Vocês estão mesmo querendo me empurrar para seu irmão? — questionou divertida. Isso chamou a atenção das meninas, pois viraram-se como flash.
— Isso é obvio bobinha — Eloise abriu aquele sorriso cheio de intensões — Quem não quer um médico como namorado? Ainda mais se tratando de Jared, que é quente mesmo suado. Com todo respeito Harlow — Ri de lado.
— Como se eu não escutasse isso de você sempre Eloise — disse para ela, que deu de ombros.
— É apenas a verdade.
— Vocês estão engadanhas meninas — Caroline falou sem animação alguma — Jared não esta interessado em mim. — Franzi o cenho, trocando olhares com as garotas.
— O que te faz pensar assim? — perguntei. Car deu ombros.
— Ele mau me olhou quando fomos para hospital. E só veio me tocar para fazer meu exame — suspirou, empurrando uma mexa de cabelo para trás — Acho que ele percebeu o quão seria eu sou e preferiu manter distância. É sempre assim com os homens que acabam me conhecendo um pouquinho. — Seus olhos tristes fizeram-me amaldiçoar meu irmão. Como ele não tocou nela? E como assim nem sequer a olhou sendo que em casa ele não tirava os olhos dela? Esse cara ta com algum problema de aproximação ou só é lerdo?
— O que quer dizer com “É sempre assim”? — perguntou Stefany, parecendo feliz de ser deixada de lado no quesito atenção — Você é bonita, tem um ótimo corpo e é legal. Por que homens se afastariam de você?
Caroline apertou as mãos e voltou a mexer em uma mexa de cabelo, me fazendo compreender que esse era um habito para quando estava nervosa ou ansiosa.
— Tive poucos encontros depois que entrei para a faculdade. Os homens me admiram por ser bonita, mas quando conversamos e eles percebem que eu sou contida e prefiro focar em um relacionamento sério, eles apenas fogem. Mas eu não posso me dar ao luxo de me “Divertir” com homens agora. — Seus olhos rolaram por todo o quarto menos por nós — Venho me preocupando com os estudos durante toda minha vida, e ao contrário do meu irmão, eu não consigo virar o rosto um instante e ir curtir uma praia ou jogar vídeos game. Eu tenho que terminar primeiro o que estava fazendo e só ai, focar em descansar. Por isso eu não tenho namorado, pois ninguém quer saber de ser ele. Homens querem mulheres livres e desimpedidas, querem que elas sejam sensuais para eles a todo instante e nunca séria e focada na própria carreira. Eles querem uma mulher para lhe dar atenção, não para lhe virar o rosto. — Mais desanimação tomou sua face — O problema é que eu não sei ser o que eles querem, e mesmo querendo aprender, eu não teria um bom professor que possa me ensinar. Vocês entendem?
Sim. Eu entendia até demais, pois era quase a mesma coisa entre mim em Jimmy. Ele queria que eu fosse uma mulher que não era, uma que tenha mais idade e mais experiência. Uma que não o faça se sentir culpado por me beijar ou tocar. Uma que não lhe traga problemas.
— Não fique triste com ele Car — Eu disse depois de um tempo — Jared também não teve muitas namoradas. Toda sua vida ele se dedicou a dar uma vida melhor para mim e Dana, nunca pensou em si mesmo, e acho que foi por isso que ele agiu daquela forma distante no hospital.
Sua careta queria dizer que não entendeu.
— O que o fato dele cuidar de vocês tem haver com ele não ter gostado de mim?
Sorri amigável.
— É exatamente ao contrario Caroline. — falei — Jad é o homem mais sério que já vi, e assim que vi você, tive essa mesma impressão. Não entende o que quero dizer? — Ela negou totalmente confusa. As meninas bufaram, já sacando o que eu queria dizer.
— Acho que Harlow está dizendo que Jared viu seu próprio reflexo em você — Jodie tentou explicar — Talvez ele tenha ficado impressionado demais com as semelhas entre vocês, e pode ter ficado assustando por ser exatamente essas tais semelhanças, que o fizeram ficar atraído por você.
— E a questão é que ele também não tem experiência nenhuma com isso — Lizze concluiu — Jared se dedicou somente em crescer por suas irmãs, e quando viu que poderia ter alguém como ele e que poderia mudar isso, algo o fez dar para trás. Assim como está acontecendo com você Car. Estão remoendo seus relacionamentos passados, porque esse não parece ser de todo certo.
Caroline ficou em um silencio aterrador, olhando para nós como se tivesse sido idiota por ter deixado passar algo tão importante. Justo ela, que era estudada em descobrir a mentira em um tribunal em frente ao juíz. Eu ri.
— Sabe, todas as tardes Jared sai do hospital para comprar café do outro lado da rua — Olhei no relógio pendurado na minha parede e voltei-me para o laptop — Você ainda tem 2 horinhas para chegar lá e fingir que apenas passou ali para tomar um café.
Os olhos arregalaram para mim.
— Você não acha que vai dar na cara?
— Uma ova! — Jodie empurrou levemente seu ombro — Vá lá e mostre para aquele doutor o que é ser uma boa paciente. — Segurei o riso e observei Caroline levantar com uma expressão cheia de esperanças. Ela me olhou parecendo grata.
— Obrigada Harlow. Muito obrigada. — E pegando a chave da escrivaninha, ela correu para fora do quarto.
As três garotas começaram a rir e jogar o punho para cima, como se tivessem ganhado uma guerra.
— Teremos um novo casal! — Stefany cantarolou.
— Pois é, e enquanto eles estão se formando — Olhei diretamente para a morena e chacoalhei a cabeça — Você não vai escapar mocinha. Diga sobre Jack. — Stef começou a choramingar no seu lugar.
— Vamos Stef. — Lizze acenou com a mão toda animada — Fale de uma vez.
— Deus! Vocês são tão chatas.
— Somos amigas e amigas precisam saber das coisas — falei também curiosa — Conta logo Stefany.
— Ok! — desistiu — Jackson chegou em minha casa enlouquecido. Parecia com raiva de ter visto algo, mas nunca me contou o que era e também nunca me passou pela cabeça que os xingamentos que ele dizia era contra Liam — Ela encolheu os ombros — Eu não tive muito trabalho em acalmá-lo, já que quando ele me viu, já foi me beijando.
— Ai caramba — Eloise cantarolou — Isso é melhor que filme pornô — Eu gargalhei alto, balançando a cabeça.
— Não seja indiscreta Lizze — Censurou Stef — Enfim, nós nunca tínhamos, vocês sabem... Ido até o final. Mas naquela tarde Jack estava tão perturbado que eu me envolvi com ele e acabei relaxando — O rosto da morena derreteu instantaneamente — Ele foi tão gentil. Eu não quis parar e segui em frente. Na manhã seguinte ele acordou sentindo-se culpado e achando que tinha me violado, mas eu o acalmei.
— Isso é tão lindo — Lizze suspirou — Mas e depois? Ele fez o tal fetiche?
Pela primeira vez, a expressão de Stefany pareceu um tanto ousada, e ela mesma teve que rir.
— Eu juro que foi a coisa mais pervertida que já fiz na minha vida — falou toda vermelha. Nós nos empolgamos, pois Stef agindo pervertidamente era uma novidade. — Na noite seguinte ele veio me buscar para ir à sua casa nova, já que agora está morando sozinho eu nunca me atrevi ir lá, pois sabia no que ia dar.
— Corpos suados se encontrando no meio da noite... — Jodie começou com um suspiro. Gargalhei enquanto Stefany enterrava uma almofada no rosto da amiga.
— Pare com isso ou não conto mais nada — Jodie sorriu e fez um zíper sobre os lábios — Ótimo. Enfim. Quando eu cheguei lá ele foi diretamente para a garagem... E quando saímos parecia tudo deserto assim como na escada — falou envergonhada — Jack aproveitou isso.
— O que quer dizer? — fiquei confusa. Ela sorriu.
— Eu e Jackson nos conhecemos na escada da casa de Lizze. Estava me preparando para ir para o colégio com ela, já que tinha acabado de mudar para escola dela. — Mordeu o lábio — Naquela noite eu estava usando meu uniforme velho, porque adoro o estilo da saia e a blusa. E quando chegamos na escada, ele me disse que assim que me viu naquele dia, pensou em coisas que não devia fazer, mas que agora podia.
— Ai meu Deus! — Lizze praguejou — Ele estava pensando em tirar sua roupa na minha casa?! Eu vou matá-lo! — Ela estava incrédula, enquanto Stefany sorria largo para a prima.
— Você não sabe nem metade das coisas que ele queria fazer Lizze — murmurou. Eu e Jodie rimos quando a boca de Eloise caiu.
— Ele te pegou naquela escada né? — Jodie adivinhou. Stef apertou os lábios, como se quisesse rir e ao mesmo tempo fugir. Ela demorou, mas assentiu quase parando.
Nós gargalhamos, e eu tentei parar de imaginar Jack pegando Stefany contra a parede onde poderia haver câmeras e aparecer pessoas.
— Nós começamos a dormir juntos depois disso. E pelo que vejo, Liam ajudou para isso acontecer.
Nós rimos novamente, e naquele instante, eu percebi o quão morta de saudades e eu já tinha de casa. E olhando como Stef, Lizze e Jodie interagiam bem com Caroline, que tinha saído não há muito tempo, percebi que era quase como eu no meio de Damien e seus amigos. Car ocupava meu lugar lá, eu ocupava o lugar dela aqui, nada mais justo.
Depois daquele momento com as meninas, no dia seguinte quem deu as caras foi Jonah e os meninos, eu quase enfartei quando olhei para tela do notebook esperando ver Jimmy, mas ele não estava lá.
— Como você está garota? Aproveitando a praia de Malibu? — Jonah sorria jogado no sofá, enquanto Liam e Jack estavam sentados no chão. Eu sorri.
— Sabe como é. Não gosto muito de praia, mas Damien tem me feito ir de vez enquanto.
— Está bem coladinha nesse Damien — Zombou Jack — Diz ai pirralha. Já pegou?
— Não seja idiota, Jackson. Ele é apenas um amigo.
— Não foi isso que Jimmy disse — Liam apontou com um sorriso malicioso. Eu congelei.
— O que você quer dizer? — questionei. Eles desviaram os olhos, principalmente Liam, que tinha tocado no assunto. — Estou perguntando! O que Jimmy disse sobre mim e Damien?
— Ele acha que você gosta dele — Jonah arriscou, sem me olhar diretamente e tomando cuidado com o que falava, como se não quisesse dizer alguma merda. — Ele colocou na cabeça que Damien vai se aproveitar de você.
— Mas isso é uma idiotice! — berrei jogando as mãos para o alto. Como ele podia pensar isso quando há uns dias passados, nós estávamos no beijando na minha varanda? — Damien é meu amigo. Só isso!
— Mas você só tem falado dele — Apontou Jack — Disse para as garotas, mostrou fotos para Jared e desligou na cara de Jimmy só para ir ver o irmão da Caroline.
— O que? — fiquei inconformada — Vocês estão me espionando por acaso?
— Não é isso Harlow — Liam disse suavemente — Só estamos preocupados com você e ao mesmo tempo com Jimmy. O cara está diferente. Nem está animado para a faculdade.
Mais uma vez, fui pega de surpresa. Jimmy vai para faculdade? E ele não me contou?
— Como assim faculdade?
— Ele foi aceito naquela em Nova Jersey — Liam olhou diretamente para mim — E Dolly disse que ele pretendia contar para você, mas acabou ficando com raiva de repente. Provavelmente foi no dia em que desligou na cara dele.
A culpa me corroeu por dentro depois de saber disso. Jimmy iria me contar que foi aceito na faculdade, e tudo que fiz foi desligar em sua cara depois de jogar uma bomba? Eu quis saber mais coisas, mas eles estavam irredutíveis a me dizer onde estava Jimmy e por que ele não estava ali com eles.
— O que estão escondendo de mim? — exigi saber. Eles suspiraram.
— Desculpe Harlow, mas Jimmy pediu para ficar sozinho — Jack balançou a cabeça — Ele nem sequer aparece para os treinos da banda. E disse que não devemos falar coisa alguma para você.
— Mas... — Por que ele não queria que eles me falassem nada? Com certeza era uma coisa séria então. — Ele está bem pelo menos?
— Fique tranquila que ele vai melhorar — Jonah sorriu — Ele provavelmente se deu conta que é apaixonado por você. — Senti meu rosto virar uma mancha em vermelho, e acho que o computador não mudava as reações do meu rosto, pois os garotos riram.
— Ele não é apaixonado por mim! — retruquei envergonhada e irritada por estar assim. Eles riram.
— Você devia parar de pensar dessa forma tampinha — Liam aconselhou — Porque quando Jimmy entender de uma vez por todas o que sente, ele vai ir atrás de você, e espero que esteja preparada, pois uma coisa eu sei sobre meu amigo: Ele nunca desiste de uma garota. Ainda mais quando essa garota está em seu coração.
Foi mais uma conversa que eu tive de repensar durante vários dias. E agora aqui estou eu, olhando para o teto do meu quarto, dias depois, sem saber o que fazer quanto tudo aquilo. Era difícil de me convencer que Jimmy um dia iria correr atrás de mim, porém eu sabia que Liam estava certo. Jaime era insistente com mulheres, e se caso isso acontecer — o que eu duvido muito — eu estaria completamente perdida.
Cansada de ficar enfurnada no quarto, vesti meu biquíni e coloquei meu short. Desci com uma toalha no ombro e descalça na intenção de usar aquela piscina pela primeira vez, mas me surpreendi ao encontrar com Amélia, deita em uma das espreguiçadeiras tomando banho de sol.
Ela usava um maiô preto com corte em V no decote. A deixava sensual, assim como aqueles óculos escuros que usava. Ela ergueu a cabeça ao me ver e sorriu largo, parecendo interminavelmente feliz em me ver.
— Harlow! Eu pensei que nunca mais teria um tempo com você — disse.
Caminhei para a espreguiçadeira ao seu lado e larguei a tolha na mesa. Amarrei os cabelos e olhei-a.
— Desculpe, eu tenho me divertido bastante com Damie.
— Eu percebi, por isso não interferi — falou suave — Parece que ele chama bastante a sua atenção.
Fechando os olhos, suspirei derrotada.
— Como todo mundo percebe isso? — perguntei frustrada — Até meus amigos, quase do outro lado do mundo, sabem que tenho um interesse nele.
Amélia riu e tirou os óculos, ajeitando-se sentada.
— Ora querida, se queria esconder, por que fala tanto dele?
— Eu não percebo que faço isso — Confessei deitando-me e sentindo o sol em meu corpo — Só queria contar aos meus amigos que me divirto, mas acho que causei um desastre.
— Por que diz isso? — indagou curiosa. Eu bufei.
— Você já gostou de alguém muito idiota, ao ponto de fazer com que deixe você louca? — perguntei de volta. Amélia ficou em silêncio, e quando abri os olhos, ela tinha uma expressão triste e desolada, uma que me intrigou — Você já?
— Sim, eu já — Ela suspirou, levando os olhos para piscina — O nome dele era Logan. Logan Galen. — Fiquei preocupada com como sua voz saiu triste e desamparada, como se falar sobre o seu antigo amor, fosse duro e muito doloroso.
— Não precisa dizer nada se for lhe deixar mal — disse, mesmo querendo muito saber o motivo de sua desanimação.
Ela negou, dando um sorriso amarelo.
— Não. Tudo bem, só não é uma história agradável — falou e tomou um fôlego longo — Eu tinha quinze anos. Não estava em uma faze muito boa da minha adolescência, queria apenas sair e me envolver com pessoas que meus pais não aprovavam — franziu o cenho, meio incomodada — Creio que essa parte você não vai gostar, pois envolve Hope.
— O que tem minha mãe? — Me inclinei para frente. Amélia apertou os lábios.
— Quando eu era nova, sempre senti um pouco de inveja de como Hope era sempre envolvida de carinho e atenção e como ela se desenvolvia muito mais rápido que eu. Ela era a favorita de todos, enquanto eu ficava de lado. Nós brigamos muitas vezes por isso. E meu pai acabou por ficar irritado, ele queria me levar para morar com meus avós mesmo minha mãe intervindo por mim. Ele não mudou de ideia no entanto.
— Então você foi morar com seus avós? — questionei a observando. Amélia parecia um mistério a todo instante.
— Não — disse hesitante.
— Então ele deixou você ficar.
— Nem uma coisa nem outra — respondeu me deixando confusa — Eu fugi de casa, Harlow.
Eu arregalei os olhos.
— Você fugiu?! — minha voz aumentou uma polegada.
— Sim. Peguei uma mochila com novas roupas e roubei um dinheiro que meu pai guardava. Nem mesmo olhei para trás.
Caralho. Isso sim era uma revelação. E eu absolutamente não sabia o que fazer com ela.
— Isso é...
— Algo muito drástico. — concluiu ela para mim, mas sorria — Eu sei. Olhando agora, não me parabenizo por tal ato impensado, porém naquela época eu não estava me importando muito.
— Eu não posso discordar sabe — disse como se pedisse desculpas e mirando seu rosto bonito e triste.
Amélia não me culpou.
— Não lamente por não concordar com minha burrice, querida. Eu mereço ser julgada, até porque — Ela se ajeitou e pegou um fôlego que com certeza pareceu muito longe para agarrar — Acabei me prejudicando terrivelmente ao pensar que poderia cuidar de mim mesma na rua.
— O que aconteceu com você?
— Eu passei fome e fiquei suja, pois ninguém queria me dar um emprego por me acharem muito nova e pequena demais para um trabalho duro. Eu estava perdida e sem nenhuma cama para dormir ou suprimento para comer. Acabei adoecendo. Em um momento de desespero, quando estava quase desmaiando de gripe e febre, eu sai nas ruas chorando e pedindo ajuda, acho que se aparecesse Hope, ali naquele momento, mesmo depois todas as brigas, eu agradeceria e a abraçaria como minha única salvação. Eu pensei estar morrendo, pois só podia ser esse o motivo de tanta dor no corpo e o frio que estava sentindo — Ela piscou e ficou um minuto em silêncio. — Foi assim que conheci Logan — Ela apertou as mãos juntas, a tensão em seus ombros a fazendo menos elegante — Ele nem me conhecia, mas me levou para o beco em que dormia e cuidou de mim. Cobriu-me com seu único cobertor e me deu sua jaqueta para passar o frio. Eu passei dias sem acordar ou saber o que ele fazia comigo, e quando finalmente acordei, ele estava lá, me observando com atenção e curiosidade.
— Mas por que ele não lhe levou ao médico? Como ele cuidou de você sem remédios? — Os olhos dela ficaram ainda mais tristes.
— Ele tinha fixa na policia, querida, não podia aparecer em publico sem ir preso. Então cuidou de mim, com medo que se aparecesse no hospital, alguém tentasse o levar e acabasse por me acusar dos crimes que ele cometeu — Apertou os lábios — Então ele roubou uma farmácia para pegar remédios e ameaçou o vendedor, querendo que ele explicasse como usar o medicamente.
— Deus! — arquejei.
— Eu sei, é algo ruim e errado, mas ele tinha feito para me salvar — suspirou — Eu não me desesperei ou sequer me importei. Só agradeci, e ele achou isso mais do que estranho, perguntou-me se eu tinha algum problema na cabeça, pois não o estava chutando por ter roubado os remédios. Lembro-me de ter sorriso e dito que já tinha feito o mesmo, mas com meu pai — Ela mordeu o lábio nervosamente. — Logan passou a me ajudar nas ruas, ele sabia mais e me ajudava escapar de enrascadas.
— E foi por isso que se apaixonou — concluí. Ela deixou os ombros cair em derrota.
— Sim. Foi — sussurrou — E o incrível aconteceu. Logan também gostava de mim, e isso parecia um paraíso comparado com o que passei com minhas primeiras paixonites, pois essas nunca foram retribuídas para mim. Eu o amava de verdade e ele também o fazia por mim. Nós ficamos juntos por um ano inteiro, sempre nos ajudando, contudo em um momento Logan passou a ficar um tanto deprimido com nossa vida, queria algo melhor para mim. Ele queria que eu voltasse para casa e o deixasse para trás, mas eu me neguei e nós brigamos. Eu o deixei sozinho para pensar, mas eu garanto que foi a pior coisa que fiz naquele dia. Devia ter ficado com ele e feito o que ele queria, queria tê-lo impedido.
— Impedido de que? — Eu já não sabia o que pensar a respeito, e pela forma como o olhar vago de Amélia se tornava sombrio, eu entendi que era uma coisa horrível.
— Quando voltei, ele estava usando uma droga. Eu sabia que ele fumava, mas nunca aquela droga — Sua expressão foi de dor — Ele quase não estava lúcido, apenas bem alegre e sob um efeito estranho. Tentei fazê-lo parar, mas não aconteceu, pois era metafetamina e ela é uma droga muito potente e altamente viciante, cujos efeitos se manifestam no sistema nervoso central e periférico. Eu fiquei desesperada quando percebi que ele não era o mesmo sem a droga, ele tinha lapsos nervosos e às vezes até chorava querendo que eu fosse embora — Novamente ela puxou o ar, pegando coragem de um lugar, que eu pensei, fosse bem fundo — Em seu decimo pedido eu desabei e o desafiei. Falei que se não parasse com aquilo... Eu faria também.
— Como é que é? — Eu quase gritei.
— Eu o desafiei a parar, e se ele não o fizesse, eu entraria no barco com ele. Mostraria que se eu conseguia parar, ele também poderia.
— E você conseguiu né? — perguntei um tanto desesperada — Me diz que Logan aceitou a se tratar.
Amélia me olhou por horas, querendo que eu chegasse a minha própria resposta.
— Então você...
— Eu fumei a droga, convicta que pararia no dia seguinte — falou com a voz monótona — Mas no final estava errada. Eu devia ter escutado Logan quando ele chorou para que eu não fizesse, mas fui burra e me joguei no mesmo mar que ele. Me tornando uma viciada assim como o homem que amava.
— Meu Jesus, Amélia — soprei espantada — Como conseguiu sair dessa e virar essa mulher de agora? E Logan? Onde ele está?
Juro que achei ter visto lágrimas nos olhos da minha tia, mas acho que ela as conteve antes de falar sem se quer fraquejar.
— Em uma noite, Logan e eu estávamos desesperados por mais um pouco da droga, mas o fornecedor não queria mais nos dar, pois tínhamos criado uma divida enorme e Logan ainda devia muito antes de eu começar a fumar também — Seus olhos baixaram Nós não podíamos esperar, então procuramos por outro fornecedor, mas não achamos. Enquanto andávamos juntos discutindo um com outro, Logan viu um cara dou outro lado da rua fumando, o cheiro era diferente da droga que provávamos, mas Logan não se importou, nem sequer pensou e atacou o desconhecido. Eu fiquei ali, olhando como enquanto ele lutava pela droga, como ele apenas aspirou depressa... Foi quando começou meu pesadelo de verdade.
— O que quer dizer? — Amélia com certeza não conseguiu segurar as lágrimas dessa vez, pois caíram pesadas, porém silenciosas.
Ela as esfregou e molhou os lábios.
— Logan começou sofrer uma overdose — Meu coração se apertou no peito com sua resposta, e agindo totalmente com compaixão, corri para me sentar ao seu lado. Segurei sua mão.
— O que aconteceu tia? — perguntei, Amélia arregalou os olhos surpresa e fitou nossas mãos juntas, depois olhou para meu rosto.
— Tia? — As lágrimas caíram lentas. Eu nem tinha percebido o deslize, mas não deixei que isso a magoasse.
— Isso. Minha tia. — Sorri para ela — Diga o que aconteceu.
Ela sorriu de volta, e emocionada, voltou a contar a história.
— Eu comecei a gritar pedindo ajuda. — Esfregou as bochechas — Alguém deve ter ligado para ambulância, porque ela chegou horas depois. Eu fui com ele, desesperada... Mas foi tarde mais. Ele morreu às três da manhã de uma quarta-feira.
— Eu sinto muito — disse verdadeiramente — Como você ficou depois disso?
— Os médicos ligaram para meus pais, mas eu não me importava menos naquela altura, pois eu estava tão viciada, e ao mesmo tempo querendo Logan tanto, que não me mexia. E o fato de que ele jamais voltaria me fazia querer morrer também.
— Não diga isso! — exclamei exasperada. Amélia sorriu carinhosamente e cobriu minha mão.
— Eu estou bem agora querida — falou, e sua sinceridade me acalmou — Estou bem, e grande parte da razão é porque meus pais e... Principalmente Hope, ajudaram-me recuperar. Fui internada em uma clinica por meus pais, mas quando fiz dezesseis anos eu não aguentei ficar sem a droga e sem o Logan... Consegui fugir.
— Ah tia...
— Eu sei que fui idiota — falou me cortando — Mas não estava pensando normalmente, e a falta do Logan fazia-a me louca. Sumi por mais três meses, e quem me encontrou dessa vez foi Martin.
— Como ele conseguiu? — indaguei surpresa.
— Ele tinha entrado para ser policial. Estava casado com Hope e Jared já era nascido e estava prestes há fazer aniversário, mas eu não o conhecia. Martin estava rondando a área e me encontrou no mesmo beco que Logan e eu ficávamos. Eu só saia de lá quando amanhecia, pois passava muitas pessoas. Não consegui droga, mas fiquei lá, remoendo minha depressão. — Vergonha se passou pelo seu rosto, eu fingi que não notei, querendo poupá-la dessa experiência — Seu pai foi doce e carinhoso comigo, me levou para Hope, e Deus. Como minha irmã chorou ao me ver daquela forma. Ela me abraçou tão forte, pediu tantas desculpas quando nada daquilo foi realmente por sua causa. E acho que eu precisava daquela dose de realidade sabe, pois a partir daquele momento, não me deixei cair novamente e fiquei na clinica que meus pais queriam... Por longos dois anos e três meses — Ela me olhou nos olhos — Sai justo no ano de 1999. Estava com dezoito anos.
Gelei no lugar, arregalando os olhos.
— Mas esse é...
— O ano em que você nasceu. — confirmou — Hope ainda estava gravida de você quando fui vê-la. Mas parecia tão cansada. Fiquei uns dias em sua casa para cuidar dela, já que Martin tinha mudado de emprego e virou segurança de banco. Ele precisava trabalhar durante à tarde e não havia ninguém para ficar com Jared, ela e Dana, que tinha acabado de conhecer. Jared estava com doze e Dana com cinco anos.
— Quer dizer que estava lá quando eu nasci e quando minha mãe morreu? — concluí incrédula — Por que Jared não me disse?
— Provavelmente porque eu fui embora logo depois do enterro de Hope. Fui para meus pais, que já estavam velhos e precisavam de mim, enquanto vocês já tinham Martin. Você sabe como Jared é — disse com pesar — Ele guarda rancor das menores às piores coisas. E quando se convence de algo, acredita naquilo até outro provar o contrario.
— Ele realmente faz isso. — murmurei pensativa, mas cheia de um carinho que tinha aprendido dar ao meu irmão e seus defeitos. Amélia notou, pois sorriu.
Depois voltou para história.
— Comecei a me organizar financeiramente, terminei a escola que tinha travado e progredi. Mas demorou dois anos para conseguir convencer meu chefe de que eu era... Capaz de fazer o que ele queria— Ela não entrou em detalhes, e quando ia perguntar o que era, ela disse — Mas então meu pai faleceu. Eu tinha vinte e um ano. Foi mais um enterro para eu cuidar e foi a primeira vez que encontrei com você depois de ter nascido. Você tinha dois anos e já era a coisa mais linda. Sabia que me apaixonaria se ficasse perto demais, mas meu coração não podia se apegar a ninguém quando ainda não tinha esquecido Logan mesmo depois de anos. O enterro passou e vocês se foram. Com vinte e três anos consegui minha casa aqui em Malibu, trazendo minha mãe para morar comigo. Acho que Deus estava me punindo por ter feito tantas burradas, entretanto, pois nem mesmo passou o luto do meu pai, e eu descobri sobre minha esterilidade, o que causou uma agitação na minha mãe. Não sei ao certo. Ela disse sobre o fato do papai ter sido estéreo na juventude, mas que se curará com um longo tratamento. Depois disso ela nunca mais foi à mesma. — Mais dor foi transparente ao contorcer sua face — Penso que talvez ela tenha se preocupado demais comigo, e acho que foi por isso que ela teve um infarto naquele mesmo ano em 2004 e morreu.
— Isso não é verdade — Eu realmente queria que não fosse — Minha avó poderia estar somente cansada. Poderia ter sido finalmente sua hora — tentei consolá-la. Amélia me olhou.
— Eu espero que sim. Mas de qualquer forma, eu estava tão fragilizada, que a próxima morte matou o que me tinha de esperança para uma nova família.
— Meu pai — sussurrei com tristeza — Foi ele o próximo. Em 2006. — Assentiu.
— Foi difícil encarar isso e o fato de que eu era a nova tutora de vocês, quase impossível na verdade. E como os seus avós por parte pai moravam e moram até hoje, em um asilo para idosos, eles também não poderiam cuidar de vocês. Tinha que ser eu — Respirou fundo — Eu fiquei um bom tempo em sua casa, mas eu tinha que voltar, e foi como Jared disse. Dei uma quantia em dinheiro para ele e voltei para Califórnia. Contudo nunca me esqueço o que aconteceu com minha família e principalmente com Logan. Pois é verdade quando digo que ele foi meu único amor, pois acho que nenhuma outra paixão que senti por alguém, vai alcançar o que senti um dia por Logan Galen.
~*~
Minutos depois dessa conversa com Amélia, eu estava sentada na calçada de casa, pensando em como Amélia passou por tanta coisa, e ainda sim estava linda e com uma casa enorme em Malibu. Pensei em como meus avós por parte de mãe — que descansem em paz — estariam orgulhosos de ver a filha tentando seguir em frente. Pensei em como minha mãe estaria ao ver a irmã tentando se aproximar dos seus filhos. Com certeza isso era alguma coisa, e queria poder contar tudo para Dana e Jared, porém não faria, pois o que minha tia contou, parecia algo pessoal e profundo, um segredo que guardava a sete chaves. Talvez ela não quisesse que ninguém soubesse, então não seria eu a contar para meus irmãos, por mais que isso me fizesse sentir agoniada e culpada.
— Ei caramelo! — Eu já conhecia esse apelido então sabia logo de cara quem era, portanto sorri, continuando a mexer na grama.
— Oi Damie. — Ele se sentou na calçada ao meu lado — O que faz aqui?
— Vim pegar você para fazer algo louco — sorriu animado, alisando os cabelos para trás, mas ficou sério quando não esbocei animação — Essa sua carinha não é de quem esteja bem.
— Vamos se dizer que tive muitas revelações loucas para ficar animada — falei, sem querer, um pouco rude. Damie fez careta.
Suspirei.
— Olha, me desculpe, é que não estou no meu melhor dia.
— Mais um motivo para vir comigo — Seu sorriso voltou a ser radiante — Eu prometo que vai valer a pena e que você se sentira muito melhor ao cair da noite. — O encarei seriamente de lado.
—Você nunca se cansa de ser tão feliz? — Damien gargalhou, e ficando de pé, me puxou com ele.
— Ser feliz é minha meta para eternidade.
— É uma meta bem difícil — Apontei, mas um sorriso divertido cortou meus lábios — Para onde vamos?
— Para praia, tem algo lá que está nos esperando, e é ótimo que já esteja de biquíni, vai nos poupar o tempo — falou e começou a me levar para seu Mustang amarelo.
— Vai me levar para outro luau?
— Nada disso. É algo muito mais maneiro — sorriu arteiro e abriu a porta para mim.
— Você está parecendo um garotinho que vai arranjar problemas. — murmurei, mas entrei e permiti que ele fechasse a porta. Ele passou a cabeça pela janela e beijou minha bochecha.
— Criar problemas é comigo mesmo gatinha. — falou, eu ri, pronta para ser arrastada mais uma vez até o campo de Damie.
Por que será que fazendo isso, eu conseguia pensar cada vez menos em Jimmy?
~*~
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