Rude Girl

16 Capitulo 16 — Sol e lua


Notas iniciais
O cap de hoje é um do meus favoritos, espero que curtam nosso Damien. Boa leitura gente!

Bom. O que dizer sobre o tão famoso Damien? Um fato que Jodie falou que é absolutamente verídico; O homem era a personificação do deus Apolo; Aquele cabelo loiro e o sorriso fácil com toda certeza enfeitiçaria até as mais santinhas das mulheres. Damien podia ser considerado um colírio para os olhos de todos, incluindo homens se duvidarem. No entanto por mais que ele tenha toda aquela lábia e beleza, não consegui ver-me “ficando” com ele, e o motivo disso só me fazia sentir a raiva retornar aos pouquinhos.

Entretanto naquele instante, depois que Damien garantiu a Amélia que me levaria para casa segura e sem nenhum arranhão, eu consegui rir e me divertir de verdade desde que chegou. Damien acabou por me desafiar a jogar Gold of war. E esse maldito jogo eletrônico fazia com que seu consciente pegasse fogo, aqueles bichos bizarros apareciam de repente e eu não sabia como nem mesmo acertar um soco bem dado nos monstrengos de cara feia.

Ao meu lado. Damien gargalhava segurando o estômago e limpando as lágrimas dos olhos, completamente divertido com minha falta de experiência com o jogo.

— Eu vou acertar o controle na sua cabeça! — rugi incomodada, mas sem tirar os olhos da tela da TV. Gritei quando do nada, a ponte que meu personagem estava foi demolida por um gigante. COM CHIFRES EM BAIXO DA MANDIBULA! — Mas que porra é essa?!

Damein hiperventilou, se abanando e tremendo no sofá.

— Pare. Está me mantando. Pare — ria ele.

—Eu bem que queria... Ai caralho! Ele pegou uma metade da ponte e... Ah, ele quer jogar em mim. Porra. Como faço para correr? — Chacoalhei as mãos para ele, toda ansiosa. Damie sorriu, olhando para as pessoas da loja que riram com ele por me ver aqui quase morrendo para ganhar uma etapa de jogo.

Me assustei quando o gigante horrendo soltou um grito, e como a TV estava no máximo, soou por toda loja como se essa coisa estivesse aqui. Arregalei os olhos.

— Ele vai me acerte e... pronto. Como foi que eu não morri? — Estava surpresa por não ter virado pastel quando o gigante acertou a pedra gigante no homem que era meu personagem, porém não perdi tempo. Cliquei em todos os botões daquele controle até encontrar o lugar que fazia ele socar o desgraçado.

— Pule para o lado! — Damien gritou apontando para a TV. Fiz o que ele disse bem a tempo de me livrar da pedra caindo na minha direção.

— Caramba!

— Decepa o pé dele — Um garotinho atrás do nosso sofá ajudou, apontando para o botão certo — Clique três vezes e em seguida pressione S.

Nem discuti, pois ali só tinha nerd, ou seja, eles sabiam o que faziam nessas porcarias. Com atenção redobrada, pressionei três vezes o botão e gemi quando falhei terrivelmente, dando-me como resultado uma vigem voando até uma árvore. O pessoal a volta seguiu meu ato, e isso me fez ficar cansada de ser a perdedora.

Esse gigante ia ver o que é bom para tosse.

Voltei com meu homem para cima da coisa e refiz o movimento, apertando o controle com desespero enquanto quase pulava do sofá. Deu certo, o ficando rugiu alto e perdeu a perna, mas o que eu não esperava, era que ela crescesse de novo.

— Como assim?! — berrei inconformada. Encarei o moleque ruivinho que deu a ideia — Você disse para cortar! — Risos. O que esse povo tinha, porra?

Voltei ao jogo, e mesmo que penando, descobri o que fazer quando meu parceiro de luta jogou um raio azul contra o peito do gigante. Damien entrou em cena e me tirou o controle, começando a fazer seu show. Vi chocada quando ele clicava e fazia o personagem pular, liberando uma energia azul no chão com seu machado enorme. Acho que isso irritou o adversário, pois ele começou a atirar a pedra contra o chão, como se estivesse tentando quebrá-la.

Damien gargalhou.

— Sinta meu poder, filho da puta — E com uma ótima experiência, ele pulou contra o gigante, acertando-o no rosto e depois tentou arrancar os chifres grotescos de sua mandíbula, e pior que o cara conseguiu e ainda o levou para o chão, para em seguida em acertar o machado em sua cabeça.

Fiquei ali, chocada e encarando a TV. Damien pausou e virou para mim, sorrindo largo e completamente feliz, animação remexendo por trás de suas íris.

— Gostou? — Eu pretendia jogar a merda de um “Vai se foder”, mas percebi enquanto olhava as pessoas se dissiparem para outros computadores, que realmente tinha me divertido. A empolgação do jogo ainda estava dentro do meu peito e o suor pingava da minha nuca, era uma sensação ótima.

— Foi legal — concluí. Indiquei a loja com o dedo — É isso que faz todos os dias? Vende jogos e cede computadores?

— Basicamente. — respondeu, levantando-se para ir até grande estante com os DVD’s de milhares jogos. Ele desligou a TV e vídeo, em seguida começou organizar os CD’s — Tenho somente à tarde de trabalho, porque à noite faço faculdade. Estou aproveitando as férias para dar uma acelerada na loja. Tive que mantê-la fechada por uma semana por causa das provas.

Assenti, e fiquei observando enquanto ele seguia organizando tudo, depois pulando para trás da recepção e digitando coisas mais rápido que eu quando estou andando. Notei também naquele instante que ele não era o único a trabalhar aqui, havia atendentes por todo lado vestindo uma camiseta verde e sendo prestativo com os clientes. Era um bom lugar para se passar o tempo. Comecei de repente a ficar agoniada ao pensar em que Jimmy estaria pensando sobre eu e Damien.

Afastei o pensamento rapidamente não querendo passar nervoso, e continuei a olhar o movimento do lugar. O tempo passou bem rápido, e como não tinha nada para fazer, segui Damien para os fundos depois que ele fechou a loja.

— Já foi em um Luau? — Ele perguntou de repente quando saímos da loja. Ergui a sobrancelha.

— Não. Mas já vi algo semelhante na TV — disse o seguindo até o outro lado da rua, que era onde ele tinha estacionado seu carro — É um tipo de festa né?

— Sim. Todos os domingos tem um Luau na praia — Ele pendurou sua mochila no ombro e deu uma olhada no relógio que tinha no pulso. Sorriu de lado — Faltam duas horas para a partida do pôr do sol, portanto, se quisermos ir, teremos que nos apressar para chegar à sua casa e você vestir um biquíni.

Arregalei os olhos quando ele voltou a andar. O que? Por do sol? Luau? Praia? Biquíni?

— Ai não — gemi. Corri atrás dele — Damie! Será que... não podemos deixar para outro dia?

— Bobagem. Teríamos que esperar toda a semana passar. — disse dando de ombros — Não seja chata. Quero apresentar meus amigos.

— Mas...

— Vai ser legal. Promessa de escoteiro — disse erguendo a mão.

Eu não podia recusar o convite assim, ele estava sendo legal comigo, mas mesmo assim, não podia deixar de lado a tensão enorme que fiquei quando entrei em seu Mustang amarelo. Eu não consegui nem ficar interessada no carro ao pensar que em cinco minutos, estaria indo a praia de biquíni! Eu não ficava bem com eles. Na verdade eu só mostrava ossos, e isso me incomodava drasticamente. Contudo eu não iria falar isso para Damien nem ferrando, poderia vestir uma blusinha por cima da roupa de banho e pronto.

— Show de bola sua casa — Ele disse assim que estacionou na frente da mansão. Suspirei.

— Não é minha. — disse sem animo — É da Amélia.

Saímos do carro juntos, e com Damie olhando em volta, caminhei até a porta.

— Chama sua tia pelo nome? — fiz careta.

— Como sabe que ela é minha tia? — Ele sorriu de forma sapeca.

— Eu dei uma entrevistada na minha irmã, mas não se preocupe, ela não invadiu sua privacidade ou contou algo que não devia. — O cenho dele franziu — Na verdade Caroline falou muito de como seus amigos são legais e coisa e tal... E hum. Você sabe quem é Jared?

Ergui uma sobrancelha questionadora.

— É meu irmão. — Ele assentiu, coçando o queixo — Por quê?

— Car falou muito a respeito desse cara. Disse que ele é um médico incrível e... — Voltou a franzir o cenho — Eles estão se pegando?

O modo como ele foi logo ao ponto me surpreendeu, mas depois o choque passou e a graça chegou. Joguei a cabeça para trás e ri alto, indicando as escadas para meu quarto.

— Quando saí de Princenton eles estavam apenas nos olhares — sorri de lado, vendo que o mesmo ria suavemente ao chacoalhar a cabeça — Dan e eu pensamos que eles vão em breve tomar iniciativa.

— Dan? — Seus olhos ficaram confusos, mesmo que o apelido fosse familiar para ele. Sorri de volta.

— É minha irmã mais velha. Dana. — Olhei para ele — Caroline me disse que também chama você assim.

Ele sorriu afetuosamente, mas virou os olhos.

— Eu sempre odiei esse apelido, mas quando Car era pequena, não conseguia dizer o nome Damien, só Dan. Por isso acabou acostumando — Suspirou — Caroline tem gosto grande em me provocar.

Ri, mas parei ao dar de cara com porta do meu quarto. Lembrei o que iria fazer aqui, e praguejei. Biquínis.

— Isso que é vista — Ele elogiou quando entrou indo diretamente para as portas da janela aberta. Já eu afastei as sacolas que tinha na cama, que obviamente tinha sido Amélia a deixar aqui. Sorri por encontrar meu novo violino ali. — Você toca? — Ele sorria grande.

— Sim. Tenho uma banda com meus amigos — disse com a saudade. — Ganhei esse de Amélia.

— Você pode ler hoje e tocar com o pessoal — sugeriu animadamente — Vai ter muita música.

Só opção de tocar me animou, sorri. Mas parei quando ele disse.

— Se troque. — disse — Vou ficar na varanda — Ele se virou e começou a ir, mas eu já estava tremendo.

— Espera! — gritei. Ele se virou, surpreso.

— O que?

— Posso vestir outra coisa? — Estava muito agoniada — Não gosto de biquínis.

— Por que? — Ergueu uma sobrancelha. Senti a queimação vir para minhas bochechas imediatamente. —Ei. Está com vergonha? — Ele pareceu divertido, mas ainda foi suave ao perguntar.

Mordi os lábios.

— Eu nunca fui à praia — disse sem graça. — Não gosto de pouca roupa. Não gosto mesmo. — Ele riu.

— Deixa de bobagem Harlow. Você é uma menina linda e não fará mal algum se divertir. — Pisquei para ele quando esse foi até meu closet como se fosse dono de tudo ali dentro.

— O que está fazendo? — perguntei ainda pensando no “linda” que ele tinha dito antes.

— Procurando seus biquínis. — disse normalmente e apareceu meio decepcionado — Mas você não tem nenhum. Acertei?

Eu nem me mexi, não querendo que ele olhasse naquelas sacolas em cima da cama, porém como se lesse minha mente, seus olhos cerraram e ele olhou para o que minha tia tinha deixado ali. Um sorriso malicioso cresceu em seus lábios e ele soltou a mochila das costas, e quando deu a entender que ia mexer nas sacolas, eu saltei nele.

— Damie não!

— Vamos Harlow. Só uma olhadinha — Ele riu quando agarrei seu quadril, puxando para longe da maldita cama. Não tinha nem um pouquinho de chance contra ele, e como uma boneca fraquinha, ele me arrastou sem ao menos fazer força.

Caiu na cama e no meio das sacolas, levando-me junto sem se dar conta. Ele gargalhou, passando as mãos para dentro das sacolas, e quando percebi que ele pegava uma calcinha minha, gritei, completamente constrangida. Tentei arrancar da mão dele, mas o infeliz se virou em baixo de mim, rindo e olhando a minha peça intima com divertimento.

— Mickey? — Ele tinha uma felicidade de criança nos olhos — É absolutamente adorável.

— Para com isso! Não pode mexer nas minhas calcinhas e sutiãs assim. — grunhi ao me esticar sobre e tentar pegar a peça. Ele deixou, mas me derrubou no chão para poder ver o que mais tinha nas sacolas — Mas que droga Damien!

— Isso sim é algo que não esperava — Ele puxou uma lingerie preta que Amélia tinha pegado para combinar com aquele vestido todo indecente. Engoli em seco, mais envergonhada ainda.

— Me devolve — Pulei em pé para pegar, ele sorriu, saltando para o outro lado da cama e continuou a encarar a renda preta do sutiã e calcinha. — Foi uma ótima escolha. Sejá lá para o que você vai usar.

— Eu não vou! — gritei frustrada — Amélia que me deu, merda!

Damie sorriu de lado e voltou a xeretar. O que pegou a seguir pareceu interessa-lo muito, e quando tirou eu suspirei derrotada. Era o biquíni de caveira que eu havia escolhido mais cedo, também havia um todo preto bem comportadinho e uma saía larguinha.

— Vista esse — Ele jogou o de caveira para mim. Fiquei surpresa por não pegar o preto, mas de qualquer forma continuei parada — Vá logo Harlow, ou vou tirar sua roupa e vesti-la eu mesmo. — Arregalei os olhos para ameaça, e sem esperar ele mudar de ideia corri para meu banheiro escutando sua risada.

Olhando para o espelho, continuei a praguejar sem ter coragem de aparecer assim na frente de ninguém. Mesmo que as batidas de Damie estivessem mais insistentes a cada instante.

— Eu vou derrubar essa porta — Ele ameaçou e eu gemi pela sei lá que vez de pura frustração.

Agarrei a toalha do gancho e abri a porta. Ele riu quando me viu embrulhada na toalha.

— Deixa eu ver — pediu. Eu neguei. — Vamos querida Harlow. O tempo está passando — disse tocando no relógio. — Tira logo essa toalha.

— Eu não posso fazer isso Damie! — soei realmente desesperada agora — Eu sou a droga de uma tabua reta e sem graça. Não quero que as pessoas me vejam assim — Me encostei na parede em frente do espelho empurrei os cabelos para trás. O silêncio de Damien me matando ainda mais de vergonha. — Sai, por favor. Quero me trocar.

A porta não fechou em nenhum momento, e eu tinha medo levantar a cabeça e encontra-lo ali me olhando com pena. Eu esperava isso e talvez um pouco de decepção, mas nunca esperava que ele fosse aparecer atrás de mim e fizesse-me erguer o rosto para ver-nos atrás vez do espelho.

Nosso reflexo era tão engraçado. Eu era miúda comparada aos seus ombros largos, e o sorriso que ele me oferecia não tinha pena e muito menos decepção, pelo contrário, ele parecia muito satisfeito ao colocar as mãos em meu ombro e dizer.

— Ninguém é perfeito, Harlow. O seu corpo é do jeito que devia ser e nenhuma pessoa deve opinar sobre ele — Sua mão passou por meus cabelos, os olhos tão castanhos quanto os da irmã me olhando atentamente — Existe beleza em você caramelo, e ela é única. — Pisquei ainda meio hesitante

— Caramelo? — Foi a única coisa que consegui dizer. Ele sorriu e juntou meus cabelos sobre um ombro.

— Eles são como caramelo. Claros e lindos — Agora minhas bochechas coraram para valer, mas eu sorri, olhando seu reflexo com gratidão.

— Obrigada.

— Me agradeça mostrando esse biquíni. Aposto que se sentiria melhor em colocar isso também — Ele tirou um short branco de atrás das costas e eu sorri, realmente agradecida.

— Valeu. — Estiquei a mão para pegar, e meu descuido foi não ter segurado a toalha com a outra mão, portanto ela escorregou para baixo, mostrando finalmente o que tinha por baixo.

Acho que fiquei congelada no mesmo lugar sem ter coragem de olhar de volta para Damien, mas como da primeira vez, ele apenas ergueu meu queixo e sorriu para mim pelo espelho.

— Viu só? — sussurrou — Linda.

A sua voz suave acabou completamente com meu medo.

~*~

Nós saímos de casa depois de falar com Amélia e garantir sua permissão. Prometi que não voltaria tarde e segui Damien para praia. Eu tinha prendido meu cabelo e colocado uma blusinha para cobrir o biquíni só até chegarmos ao bendito luau. Nós chegamos bem na hora, e mesmo de longe eu conseguia ver que tinha muitas pessoas e muitas luzes.

Comecei a ficar ansiosa, fazendo-me morder as unhas ao sair do carro com Damie ao meu lado. Ele levava minha bolça com o violino e tinha tirado sua regata para ficar apenas com o jeans. Era difícil não olhar fixamente, mas consegui, mesmo que tenha dado uma boa conferida na tatuagem em suas costas. Parecia um leão, mas quando cerrei bem os olhos entendi que se tratava de um tigre. Era grande linda e meus dedos coçaram por tocá-la, mas me segurei onde estava quando ele sorriu para mim e estendeu a mão.

— Está na hora garota — disse desafiante. Eu tive que rir e chacoalhar a cabeça.

— Você vai me tornar mais rebelde que já sou — murmurei, e quando ele riu eu tirei a camiseta logo de uma vez, antes que mudasse. Ele adorou atitude e pegou minha blusa para enfiá-la na bolça do violino.

— Agora vamos. — falou segurando minha mão e puxando para o grupinho em frente ao mar.

Meus pés afundando na areia foi a melhor coisa que já senti desde que cheguei aqui, olhei em volta totalmente deslumbrada com o pôr do sol e a decoração da praia. Havia uma fogueira logo à frente, mesinhas circuladas por almofadas e muita comida. Passamos pelo que achei serem duas tochas, já que saía fogo delas. O som que batia vinha dos músicos que cantavam e se remexiam ao lado da fogueira. O ritmo cheio de molejo e um suingue que entrava na veia.

Todos estavam dançando, as mulheres em seus biquínis, maiôs e vestidos floridos. Os homens em sungas de varias cores ou shorts. Era animado e envolvente, e quando uma moça de cabelo liso sorriu para nós e colocou um colar de flores em nossos pescoços, Damien me olhou.

— E então? — Indicou tudo — Gostou?

O riso partiu sem que eu esperasse.

— Isso é incrível! — disse. Ele sorriu e assentiu.

— Vai ficar melhor. Vem! — Ele me levou até a fogueira onde sete caras tocavam e três garotas cantavam e dançavam. Eles pareciam tão à vontade que me senti em casa. Damien deixou meu violino ao lado de um dos troncos que havia em volta da fogueira e me levou para onde todas as pessoas dançavam e se remexiam juntos.

Olhei para Damie confusa e só quando encontrei seus olhos arteiros eu entendi o que ele queria.

— Eu não sei dançar — disse sem graça. Ele balançou a cabeça, e em um movimento rápido e ágio, puxou-me para perto e colou meu corpo ao dele.

— É só me seguir caramelo. — falou divertido — Mexa os quadris e se solte.

— Isso não vai funcionar — Avisei. Ele riu.

— Apenas tente.

Com medo de fazer besteira, comecei a fazer o que ele dizia, olhando para seus pés e segurando seus ombros. Mordi o lábio nervosamente, mexendo o quadril quando as mãos pousaram ali.

— Isso mesmo. — Ele falou orgulhoso — Agora solte-se mais e seja espontânea.

Ri e me soltei dele um pouco, querendo liberdade para mover o corpo. Ele aprovou e passou para ficar atrás de mim, curvando seu corpo quando tentei subir os braços para cima do jeito que vi Dana fazer ao dançar comigo uma vez. Um pé para trás e outro para frente e já estava solta e gostando daquele ritmo cheio de sensualidade e batuque africano. Com certeza era algo como o tão famoso samba do Brasil. Envolvente e com tantos toques.

Eu podia sentir Damien tão perto que me faltava ar ao mesmo tempo em que me enlouquecia. Eu gostava daquilo, tanto que me aproximava e ria quando ele me olhava profundamente, agradado com minha mais nova empolgação. Pulei e me agarrei a ele, rodando e aproveitando aquela tarde já no fim, era um momento que guardaria para sempre e desejava que meus amigos estivessem ali para compartilhar da minha alegria. Eu poderia ficar ali para sempre, mas na quinta música eu já estava suada e ofegando.

Damie me levou uma das mesas e pegou um copo com algo azul. Cheirei.

— O que é isso?

— Soda Havaiana. — Olhei-o duvidosa — Relaxa que não vou lhe deixar bêbada. É apenas um pouquinho de diversão.

Ainda hesitante, pequei o canudo e tomei um pouco. Não era tão forte, mas muito refrescante. Muito bom.

— Uau! Posso ter mais desse? — disse sugando avidamente. Damie riu e negou.

— Não vamos abusar caramelo. A noite só começou.

E ele estava certo. Depois de tomar mais duas soda e comer uns petiscos do mar muito bom, ele voltou a me puxar para o meio das pessoas. Nós dançamos mais até cansarmos, e quando estávamos pingando de suor, Damien saiu correndo para o mar gritando como um louco idiota. Gargalhei quando o infeliz jogou a bermuda longe e saltou na água. As pessoas á volta seguiram ele gargalhando e tirando as roupas que cobria sua roupa de banho.

Da onde estava, pude ver quando ele voltou à superfície e acenou para mim, chamando-me para água. Fiquei insegura, mas depois desabotoei o short e andei para água. Estremeci quando a onda gelada quase me levou. Estava já voltando quando braços me circularam erguendo-me bem no alto.

Gritei.

— Ai meu Deus! Damie, não!

— Onde pensa que vai?

— Para a areia. — me segurei forte em seu pescoço e levando os pés — Água está gelada.

— Eu sei! Não é ótimo? —gargalhou, e como eu temia, afundou junto comigo.

Por um instante água salgada entrou em meu nariz, mas depois Damie me soltou e eu pude voltar a superfície esfregando os olhos.

— Seu maluco! — berrei jogando água em seu rosto quando ele apareceu chacoalhando os cabelos.

— Fica tão linda molhada caramelo — zombou o babaca. Virei os olhos e mostrei-lhe a língua.

— Você é um idiota.

— E esse idiota vai pegar você novamente — Avisou. Eu soltei um berro e virei querendo nadar para longe dele. Não funcionou, ele agarrou minha cintura e me levantou sem ao menos grunhir. Eu gargalhei quando senti seus dedos contra minhas costelas, me chacoalhei até conseguir liberdade. Segurei em sua cabeça e tentei afundá-la, mas o feitiço saiu pela culatra. Damie puxou minhas pernas e me derrubou.

— Tente de novo gata — gargalhava ele e nadou para longe.

Ficamos brincando até escurecer e estrelas brilharem no céu, mesmo assim eu não me cansava. Olhei para areia apertei os olhos quando notei as pessoas indo para a fogueira, fazendo uma roda enquanto os músicos tocavam algo suave. Damie chegou perto esfregando o rosto.

— Vamos lá? Daqui a pouco vai ser a hora da história — disse ele. Eu não entendi, mas nadei atrás dele até a praia, e quando tocamos a areia eu torci o cabelo, rindo quando o braço de Damie descansou em cima dos meus ombros.

Chegamos ao grupo e sentamos ao lado do meu violino, ouvindo o som suave que vinha do violão do homem e o do tambor. A menina de cabelos ruivos e molhados começou a cantar uma música que eu já tinha escutado. Era somebody to you da Demi Lovato. Sorrindo sozinha comecei a cantarolar junto com todos eles, minha mão alisando o violino aos meus pés até que a música acabou e uma salva de palmas soou de todos.

— E parece que temos mais um integrante na noite — Todos olharam para mim e tive de me encolher.

Damien passou um braço a minha volta.

— Pessoal essa é Harlow, uma amiga da minha irmã e agora minha acompanhante para diversão. Harlow, esse é meu pessoal — Ele indicou todas as pessoas a volta, que sorriram e acenaram em comprimento.

— Como vai Harlow? Eu sou Derek — Um cara bem loiro disse, em seguida apontou para a ruiva — Sandrinha. — Apontou para as garotas do lado — Kylie e Chandy. — Indicou então os seis homens que seguravam violões e o que estava no tambor. — Lucas. Ed. Thomas. Harry e Quinn. Somos uma banda.

Arregalei os olhos.

— Vocês são nove. — disse impressionada. Eles riram.

— Pois é. Mas numero não é nada quando nos faz feliz. Certo? — suspirei, querendo que Jimmy ouvisse isso para ver se entendia de uma vez por todas o que era coerência.

— Sim. É verdade — concordei.

— Você toca? — A ruiva, nomeada como Sandrinha, apontou para o violino. Eu sorri.

— Toco. — disse — Sou melhor no violão, mas estou pegando o jeito. Também tenho uma banda onde mora, mas nós somos cinco.

— Você apenas toca na banda? — perguntou o baterista com um cabelo black power. Eu neguei.

— Eu canto também.

— Olha só a menina de ouro que conseguiu Damie — A loira de cabelo curto provocou balançando as sobrancelhas — Sabe cantar, tocar, e pelo que vi de longe, ainda dança pacas. Ganhou na loteria em homem — Tantos elogios me fizeram ficar mais sem graça ali, e quando olhei Damien, ele tinha um sorriso satisfeito no rosto.

— É Kylie. Tirei a sorte grande. — Corei mais ainda.

— Okay. Ante de começar a história, que tal uma música conosco Harlow? — perguntou Derek sorridente. Eu o retribui, animada.

— Claro. — falei, e trabalhei em tirar o violino novo da capa. Verifiquei as cordas e peguei o arco. Olhei-os — Qual música?

— Conhece The Scientist do Coldplay? — sorri assentindo — Muito bem. Acompanhe-nos quando puder. — Assenti e esperei que eles começassem. Fechei os olhos para que pudesse sentir melhor a música, e quando Sandra e as garotas começaram a cantar, eu passei a deslizar o arco sobre as cordas do meu novo violino.

O som divino juntou-se ao grupo e todos gritaram em admiração, cantando junto e apreciando a noite e o tempo maravilhoso. Sorrindo, abri os olhos e troquei olhares com Damien, que olhava para mim admirado e muito concentrado, voltei-me para fogo e quase como se fosse natural, comecei a cantar também. Eu nunca cantava ao mesmo tempo em que estava tocando um instrumento, nem mesmo o violão, e quando tal coisa aconteceu, senti o gosto da liberdade em minha língua que se divertia com as palavras. As pessoas acompanharam junto, batendo palmas e sentando-se na areia, uns até mesmo estavam deitados, e quando acabamos mais palmas vieram.

— Você foi brilhante — sussurrou Damie. Eu estremeci e acenei com a cabeça em agradecimento.

— Agora chegou a hora que todos esperavam — Derek sorria animadamente para todos — Onde será que está a mãe da noite? Dona Mohana, venha tomar seu posto — Ele se levantou de onde estava quando uma senhora linda, com o cabelo liso tocando o quadril e o rosto já com marcas de expressões, apareceu. Derek beijou sua mão e caiu sentado na areia.

Mohana sorriu para nós, e olhando bem, percebi que ela parecia de descendência havaiana. O nome já dava uma dica legal, assim como aquele rebolado típico das garotas de hula. Ela sentou onde Derek estava antes e olhou para a fogueira como se estivesse contemplando as chamas que dançavam e queimavam a madeira.

— A história de hoje é bem conhecida, porém existem várias versões. — Seu sotaque diferente me fez ficar ainda mais ansiosa para ouvir, portando guardei o violino e me inclinei mais para frente. — A minha é um tanto longa, mas carrega o mesmo significado. História essa fala sobre quando o Sol e a Lua se encontraram pela primeira vez, e como eles se apaixonaram perdidamente um pelo outro. Começando a partir dai a viver uma grande história de amor. — Apertei as mãos juntas um pouco incomodada com o rumo disso, mas continuei ali, em baixo do braço de Damien e com os olhos na senhora que falava.

— O mundo ainda não existia e no dia em que Deus resolveu criá-lo, ele deu ao Sol e a Lua o toque final: O BRILHO! — Os olhos escuros dela cintilaram sob a luz das chamas — Ficou também decidido que o Sol iluminaria o dia e que a Lua iluminaria a noite. Sendo assim, o Sol e a Lua seriam obrigados a viverem separados para sempre. Abateu-se sobre eles uma grande tristeza quando tomaram conhecimento de que nunca mais se encontrariam. A Lua foi ficando cada vez mais amargurada mesmo com o brilho que Deus lhe havia dado, tornando-se cada vez mais solitária.

— O Sol, por sua vez ganhou um titulo de nobreza: "Astro-Rei." Porém isso também não o fazia feliz. — Mohana olhou em volta, prendendo cada um com uma penetrante expressão — Deus então os chamou e explicou-lhes que eles não deviam ficar tristes, pois ambos ganharam um brilho próprio.

— A Lua iluminaria as noites frias e quentes, encantaria os namorados e seria diversas vezes motivo de poesias. — Um sorriso triste cresceu em seu rosto — Quanto ao Sol, ele sustentaria o titulo de "Astro-Rei" porque seria o mais importante dos astros iluminando a terra durante o dia e fornecendo calor para o ser humano. E a tua simples presença faria com que as pessoas fossem mais felizes.

— A Lua entristeceu-se muito com o seu terrível destino e chorou dias a fio... Já o Sol ao vê-la sofrer tanto, decidiu que não poderia deixar-se abater, pois teria que dar forças a Lua, e ajudá-la a aceitar o que havia sido decidido por Deus. —Suspirei, sentindo-me de repente como a Lua, que fora separada do seu amor, mas quando notei a direção dos meus pensamentos, esfreguei o rosto e neguei. Não! Eu não podia pensar nele!

Mohana continuou:

— No entanto a preocupação do Sol era tão grande que este resolveu fazer um pedido a Deus: Que ele ajudasse a Lua, pois ela era mais frágil do que ele e não suportaria tanta solidão.

— Deus na sua imensa bondade resolveu criar as estrelas para fazerem companhia a Lua. — Mohana apontou para cada estrela que tinha no céu ao lado da lua, sorrindo largo. — A Lua sempre que está muito triste recorre às estrelas, que tudo fazem para à consolar, mas quase nunca conseguem... Hoje Sol e Lua vivem assim... — Afastou as mãos uma da outra e suspirou, concluindo a fala — Separados. O Sol finge que é feliz... A Lua não consegue esconder a sua tristeza... O Sol ainda arde de paixão pela Lua... A Lua ainda vive na escuridão da saudade.

— Dizem que a ordem de Deus era que a Lua deveria ser sempre cheia e luminosa, mas ela não consegue isso... Porque ela é mulher, e uma mulher tem fases. Não estou certa meninas? — As garotas riram eu virei os olhos, não deixando de concordar. —Quando feliz consegue ser cheia... Mas quando infeliz é minguante, e quanto é minguante nem sequer é possível ver o seu brilho.

— Sol e Lua seguem seu destino. Ele solitário, mas forte... Ela é acompanhada pelas estrelas, mas fraca. Entretanto Deus decidiu que nenhum amor neste mundo não seria de todo impossível. Nem mesmo o da Lua e o do Sol. — Sorrisos espalharam-se nos rostos dos jovens, e percebi que até eu sorria largo. — E foi então que Deus criou o eclipse.

— Hoje em dia o Sol e a Lua vivem a esperar esses instantes tão raros, o momento que lhes foram concedidos e que custa tanto a acontecer. Então escutem queridos — Mohana sorriu amável para nós — Quando alguém a partir de agora, olhar para o céu e vir que o Sol encobriu a Lua, é porque ele se deitou sobre ela e eles começaram a se amar. E esse ato de amor se chama eclipse, que é tão importante lembrar, pois o brilho do êxtase deles nesse ato é tão grande e intenso, que se aconselha a não olhar para o céu nesses momentos, porque os olhos podem cegar de ver tanto amor entre dois astros tão diferentes.

Horas mais tarde naquela noite, eu caminhava pela praia com Damien, a mão presa na dele e novamente vestida em meu short, assim como ele. Estávamos cansados, mas era um casado muito bom, e depois da grande história de Mohana, eu não conseguia pregar o olho por causa do quão fundo o significado dela me pegou. Caminhei ao lado do meu novo amigo e suspirei, finalmente liberando um espaço para que o rosto de Jimmy viesse à tona, e não acreditei quando olhei para ondas quebrando-se no mar, que meus olhos tivessem se enchendo de lágrimas.

— Harlow? — Damien parou em minha frente, virei o rosto, impedindo-o de ver as lágrimas idiotas. Ele insistiu, deixando o violino no chão para me fazer olhá-lo — O que está acontecendo caramelo?

— Nada.

— Essas gotinhas salgadas não podem ser por nada — Secou minha bochecha com o polegar — Me diga o que está acontecendo gatinha.

Suspirei, e cansada de verdade, sentei-me na areia e abracei as pernas, pousando o queixo em cima do joelho.

— O que Mohana contou me fez lembrar de alguém — falei baixo. Damie me observou atento.

— Alguém bem importante pelo que vejo — deduziu. Não disse nada. — Por que a carinha triste?

— Eu sou mesmo bonita como diz? — questionei antes que me arrependesse. — Eu pareço uma criança ou ajo como uma sem perceber? Eu sou uma horrível companhia ou a merda de uma virgem sem graça?

Damien só olhou, analisando minhas palavras com cuidado. Tocou meu rosto gentilmente e afastou meu cabelo já seco para trás da orelha.

— Não pense isso de você querida. — murmurou, e parecia sincero — Você é uma mulher linda.

As lágrimas retornaram, dessa vez com mais força.

— Mulher — funguei não mais me reconhecendo — Por que você pode me ver como uma mulher, mas o Jimmy não pode? Por que ele não pode simplesmente gostar e ficar comigo como eu sou? — A expressão de Damien foi de calma para completamente preocupada, então não demorou muito para eu estar choramingando em seu peito como uma menininha frágil. Coisa que eu absolutamente não era!

— Calminha meu caramelo. Se esse cara realmente não lhe vê como uma mulher, é porque está sendo um grande idiota — Damie acariciou meu cabelo e beijou minha testa — Não ache que é menos só por que ele não lhe dá atenção. Você é magnifica Harlow.

— Ele me chama de criança — retruquei com rancor. — Diz que não quer se aproveitar de mim quando não sei nada sobre garotos. Mas eu me pergunto como ele pensa que vou aprender, se sempre quer me afastar... Eu estou cansada disso. Queria que ele me ensinasse tudo, mas Jimmy é tão imbecil que se preocupa em somente ver-me como “amiga.” Isso doí demais Damie.

— Eu sei como é — suspirou devagar— Não imagina como.

Olhei para cima, querendo encontrar seus olhos.

— Uma garota te rejeitou também?

— Quase isso. — fez careta e em seguida balançou a cabeça — Lara achou que eu era menos do que ela esperava e foi procurar amparo em outro — Os ombro caíram relativamente — No meu melhor amigo. — Eu podia sentir a mesma dor.

— Eu sinto muito — Alisei seus braços e dei um sorrisinho — Se lhe fizer sentir melhor. O cara que eu gosto namorava com a minha irmã mais velha. E pior, eles estão muito amigáveis um com o outro ultimamente. — Meu sorriso desapareceu — E agora não estou perto para saber o que eles estão fazendo.

Sua mão caiu para meu braço, onde esfregou como se quisesse me tranquilizar.

— Não pense em besteiras Harlow. Se esse Jimmy gostar de você, ele vai espera-la o tempo que for preciso — Olhou para mim — Lembre-se sempre o que Mohana disse. O amor à distancia existe e ele é forte. Mais forte que qualquer influencia negativa. Só relaxe e aproveite a sua viagem, pois quando você voltar, será obrigação sua saber o fazer.

~*~

Notas finais
Então gente, o que estão achando da interação desses dois? Não me deixem no branco o? Não tive tempo de betar o cap, então se tiver erros me perdoe, reparei outro dia. Um enorme beijo e espero por sua opiniões. Até segunda ♥