Rude Girl
15 Capitulo 15 — Ciúmes
Notas iniciais
Fiquei olhando para o celular com os dentes cerrados e o punho fechado. Se pudesse me ver agora, saberia que tinha o rosto vermelho e os olhos com um misto de dor e fúria. Sentado no sofá de casa eu olhei para baixo, para o papel que tinha em mãos e senti tudo a minha volta tremer e ficar vermelho como sangue. Meus olhos pegaram as letras em negrito mais uma vez, porém a alegria se fora por conta dessa maldita ideia da Harlow estar, nesse momento, prestes a entrar na loja do tal Damien. Comecei a sentir uma falta de ar imensurável e me levantou, olhando o papel com amargura.
Senhor Jaime Nicholas Rory. Você foi aceito na faculdade Fairleigh Dickinson. Nova Jersey.
Não existiam mais motivos para estar alegre com aquela noticia, e muito menos pensar que Harlow se importava menos com isso. Eu realmente pensei que ela ficaria feliz por mim quando está se divertindo indo para a loja do tal Damien? Idiota. Era isso que eu era.
— Jimmy? — Nem o toque da minha irmã tirou-me o pior que um dia já senti. Era como se eu fosse nada para Harlow, como se ela tivesse me esquecido de vez e ido seguir sua vida com outra pessoa. Esse fato fez com que a fúria fosse avassaladora.
Amassei a folha desleixadamente e atirei longe, me afastando das mãos de Dolly para ir até a saída casa.
— Hey! Jimmy! — Ela gritou, mas eu não deixei que me parasse. Precisava de ar, e algo para tirar Harlow da minha cabeça, ou quem sabe talvez, a imagem dela com outro homem, das mãos deles tocando sua pele.
— Porra — grunhi. Agarrei as chaves do bolso e passei voando por minha mãe, que no mesmo momento arregalou seus incríveis olhos castanhos e segurou meus braços.
— Aonde você vai assim?
— Sair — Puxei meu braço de volta, não me importando de ser rude no momento, mas não era como se ela fosse me deixar sair. Erin se colocou na frente da porta com uma expressão preocupada e os cabelos escuros soltando-se do coque mal feito. — Dá licença mãe.
— Nem pensar. Olhe para você! Está a ponto de enfiar o punho na parede. — Retrucou desesperada. Eu não fingi que não estava realmente cogitando fazer isso.
— Ótimo. Então acho melhor me deixar ir antes que estrague as paredes — resmunguei. Minha mãe piscou, pasma, e com seu breve momento de distração, empurrei-a gentilmente para ao lado e abri a porta para sair. Corri até a moto de Jack, dispensando o capacete que esquecera dentro de casa. Precisava sair dali.
— Jaime! Pare com isso! — Minha mãe gritou — Seja lá o que aconteceu, você não pode dirigir assim!
— Vamos ver se não — murmurei e simplesmente dei partida.
O vento que acertou meu rosto ajudou a trazer um pouco de lucidez de volta, porém a raiva contínua percorrendo por minhas veias e queimando em minha garganta. Tudo que mais queria naquele instante era pegar um avião e partir a procura de Harlow na Califórnia. Ainda não entendia por que merda pareceu ficar sarcástica tão de repente, no entanto isso é o que menos importa agora, porque ela estava lá, com o carinha gêmeo da Car e eu não podia fazer absolutamente nada para impedir.
Segui olhando somente para frente, mesmo que diante dos meus olhos cenas nada bonitas explodissem em minha mente como pontinhos infelizes de magica. Acelerando, saí da pista oratória e dirigi adiante, chacoalhando a cabeça em frustração, correndo tanto que meu coração batia no mesmo ritmo acelerado do motor, ficando incondicionalmente zangado ao constar que o meu batimento estava assim também por causa da moleca infeliz. Como podia uma garota ter tanta influência sobre mim? Logo eu, que nunca me portei com permanecer apenas com uma mulher. Isso não podia ficar assim! Se aquela fedelha podia se divertir, eu devia fazer o mesmo. Por que tinha que me preocupar com o que ela fazia ou deixava de fazer? Sim. Estava na hora de por um ponto final naquilo de uma vez por todas.
Com isso na cabeça, dei a volta e acelerei para o bar mais perto que tinha. Já havia frequentado muitos dele, portanto logo achei um pub agitado realmente lotado, e mesmo durante à tarde do dia, ele parecia bem barulhento. Não me importando com o celular vibrando em meu bolso, estacionei a moto e fui logo até o segurança, que era um conhecido meu há muito tempo.
— Eu não acredito! É o rei das moças que finalmente aparece — O grande careca linguarudo abriu os braços e o sorriso para mim, que infelizmente não pude retribuir. — Como vai homem?
— Não muito bem, Chan — Apertei sua mão — Pode me aliviar hoje? — questionei apontando para porta, e como esperado ele deu um sorriso e dois tapinhas em seu ombro.
— Fique a vontade cara. Só lembre-se de guardar uma para mim como nos velhos tempos. Hum? — Inesperadamente, uma melancolia abateu-me imediatamente e tive de me apressar para entrar, antes que desistisse.
Chan era mais velho que eu, se lembrava bem, tinha vinte quatro anos. Mas mesmo com a grande diferença de idade, nós nos “ajudávamos” antigamente. Não gostei como a vergonha acumulou em meu peito quando olhei em volta do pub escuro e com luzes piscando. Lembranças de uma vida nada digna pipocaram em minha mente com dureza. Eu tinha sido como aqueles garotos que estava se esfregando nas meninas contra a porta do banheiro, também já fora um daqueles com uma garrafa de vodca na mão e na outra uma bituca de cigarro. E caminhando entre as pessoas bêbadas e que dançavam sem ao menos saber que estava lhe tocando, percebi que aquela vida era quase desconhecida para mim agora.
Quanto anos fazia que não vinha em um pub desse? Quantos meses faziam que não beijava uma garota ou tirava o atraso do sexo? Eu realmente queria estar ali? Não tinha nem mesmo ideia. E mesmo assim eu continuei ali e ainda me sentei em um banco perto do bar, sentindo a sobrecarga em cima dos ombros, aumentar.
— J? — Logo reconheci a bar girl que estava atrás do balcão. Seus cabelos encaracolados e a pele morena continuavam a mesma, e forma como falava meu apelido de balada era cheio de sensualidade que já provará um dia — Voltou à ativa, garotão?
— Pois é... — Saiu uma voz hesitante, e percebi que Maia havia capitado — Apenas tentando seguir com uma coisa — tentei novamente.
Ela sorriu, secando um copo e depois o enchendo com bebida. Passou para mim.
— Comece por aqui. Está com uma cara horrível!
— Muito obrigada — disse com sarcasmo — O dia não tá muito bom.
— Posso imaginar — murmurou em seguida foi até um homem que pedia um martini.
Observei-a com atenção, recordando do tempo em que nos conhecemos. Ela era bar girl há muito tempo, mas não deixava ninguém chegar perto. Nem mesmo mulheres tiveram chance com a morena arredia. Naquela época eu tinha acabado de descobrir o que era fazer um bom e prazeroso sexo, tanto que isso fez-me sair com todas que encontrava, e Maia não foi uma exceção. Me aproximei dela em uma noite, sem colocar um pingo de álcool na boca, querendo impressioná-la logo de primeira. Foi uma tentativa falha, mas isso só aguçou meu interesse por ela, tanto que no dia seguinte, eu mandei flores para seu apartamento, que era logo ao lado da pub.
Ela se impressionou, mas não cedeu. Maia foi a coisa mais difícil da minha vida, mas no final e com muita insistência, eu consegui driblá-la e finalmente levá-la para cama. Como esperava, a garota era incrível, porém eu tinha algo na cabeça que me impedia de pensar corretamente, e logo depois da terceira transa, percebi que ela estava apegada demais. Era vergonhoso olhá-la agora, mesmo que essa tenha me perdoado quando me viu largado em um beco, bêbado, depois de ser assaltado.
Mesmo me odiando, ela me ajudou, e no final ainda me perdoou. Talvez tenha sido depois daquilo que comecei a criar um pouco de juízo, pois com as outras meninas eu tomava mais cuidado. Ficando com elas apenas uma noite e logo dispensando. Isso até Dana aparecer junto com sua irmã de boca grande que nunca saia da minha cabeça.
— Você está distraído — Me espantei e me dei conta que Maia estava apoiada no balcão me olhando fixamente com olhos castanhos. Parecia curiosa — O que rolou, companheiro?
— Nada. — Tomei a bebida, mas fiz careta para o quão forte era. Voltei a tomar.
— Essa cara definitivamente é alguma coisa — Apontou sorridente — Nunca mais te vi aqui. Pensei que tinha tomado juízo. — Virei os olhos.
— Eu também pensava — murmurei sem pensar. Maia ergueu uma sobrancelha.
Tentei ignorá-la e somente olhei o movimento, olhando as pessoas se remexerem e jogarem as mãos para cima no ritmo da música. Não sei quantas horas fiquei nessa forma, mas sei que foi tempo o suficiente para que minha mãe ou Dolly ligasse para meus amigos e contasse sobre meu surto psicótico. Stefany estava telefonando.
Não queria ter que explicar onde estava, e sabia que contaria a verdade para ela, pois mentir para Stef era a mesma coisa que pedir para fazer dinheiro cair do céu. Impossível.
— Namorada? — Olhei Maia rapidamente.
— Não. Amiga — Esfreguei o rosto me sentindo exausto e bufando, recusei a ligação. Coloquei na tela de descanso, mas essa foi a pior coisa a se fazer, pois tinha esquecido qual foto tinha posto ali.
Estávamos no carro, era o dia em que a tia dela apareceu e Harlow estava péssima. Nós tínhamos acabado de passar por um momento constrangedor e as bochechas da garota estavam coradas. Eu tinha a pegado de surpresa e lambido seu rosto, sua expressão ficou tão espontânea que coloquei-a como capa de descanso. Gostava de olhá-la durante a noite e sorrir por ver aquela curvinha pequena em seu lábio enquanto fechava os olhos bem apertados e mostrava língua em sinal de nojo. Estava tão adorável.
— Não sei que droga tô fazendo — disse inconformado.
— Pensei que fosse se divertir.
— Esse era o intuito.
— E então?
— E então? — franzi o cenho, engolindo em seco e continuando a olhar a fotografia — Eu não sei o que fazer. — confessei derrotado.
Maia se inclinou sobre o balcão e conseguiu ter um pouco da imagem no celular. Abriu um sorriso estreito.
— Ela é linda e uma graça. — Eu concordava, porém achei engraçada a forma como ela se referiu a Harlow como “Uma graça” — Ficante ou namorada?
— Nenhum e nem outra — disse tenso além do limite. Maia notou e riu.
— E isso está te incomodando — concluiu.
— Não! — falei, mas sobre seu olhar duro, me encolhi — Sim. Eu acho.
— Meu Deus. Então o rei das garotas está finalmente apaixonado? — Ela estava se divertindo. Constatei incomodado.
— Não é bem assim...
— Que tal pularmos as negações e partimos para o que interessa? — Ela se apoiou nos cotovelos novamente — Por que não chama ela para sair?
— É complicado — falei somente. Ela virou os olhos.
— Não. É apenas os apaixonados que complicam tudo — Soltei um bufado cheio de desgosto e ela riu — Tudo bem, eu paro. Mas vamos, o que está acontecendo para não ter ido até ela ainda?
— Ela é menor de idade — respondi de uma vez. Ela franziu o cenho.
— Quão nova?
— Três — respondi novamente. Maia não demonstrou expressão.
— Está falando sério? — indagou incrédula. Eu assenti. A resposta dela não foi a que esperava — Você está implicando com três números Jimmy?! Se isso for verdade, terei que chamar os garotos para lhe dar uma lição — Fechei a cara para ela totalmente insatisfeito.
— Ela é inexperiente, Maia. — falei — Não posso me aproveitar dela assim quando nunca namorou antes.
— Você está sendo idiota.
— Foda-se.
— Não. Você que devia fazer isso — Abriu um sorriso malicioso — Com ela na verdade. Seus olhos não mentem. Está louco por essa garota.
Não deixei que seu comentário indiscreto despertasse mais verdades em meus olhos, pois se começasse a explicar o quão eu queria — desesperadamente — a Harlow, eu perderia a cabeça e correria no próximo vôo para Malibu.
— Não está me ajudando com seus comentários.
— Na verdade estou. — Mexeu em uns copos e passou-me mais uma bebida — Você devia estar de baixo dos lençóis com essa garota, antes que outro esteja. — Esse comentário foi péssimo para esse mesmo instante, e não pude disfarçar quando fechei os olhos com força e grunhi, fechando a mão em punho prestes a socar algo ali perto. — Hey. Se acalme meninão. — Ela parecia surpresa com a reação.
Tomei o que ela me deu, mas percebi que nem a queimação fez a raiva e o ciúme amenizar.
— Me trás uísque. Puro — Ela arregalou os olhos.
— Oh Deus. Ela já arranjou outro não é? — adivinhou — Por isso está assim.
— Não — rosnei cheio de raiva — Ele não está com ela! Harlow não vai fazer isso com ele.
— Oh, Jimmy — Pena apareceu em seus olhos. — Qual o nome dele?
Respirei fundo, me concentrando na batida da música ao redor e também na voz de Maia. Quando estava mais tranquilo, cuspi o nome do infeliz com a língua pegando fogo.
— Damien — Pressionou os lábios com força — E o pior é que eu nem posso fazer nada. Tenho que ficar aqui, pensando no que esse imbecil pode fazer contra Harlow. Ela nunca na vida namorou, eu sei por que namorei a irmã dela e Dana sempre estava preocupada que sua irmã era reclusa... Saber que nesse momento ela está com ele me deixa tão...
— Enciumado? — testou ela. Eu gemi, deixando a cabeça cair no balcão.
— Eu não posso estar com ciúmes — A gargalhada dela foi quase cruel.
— Que pena gatinho, pois é exatamente que está sentindo — A mão dela se aprofundou em meu cabelo em um carinho. — Por que você não pode fazer nada?
— Ela está na Califórnia, Maia — disse desesperado — Está na casa da tia dela, e livre para fazer qualquer coisa com esse Damien. Estou ficando maluco!
— E acha que beber vai lhe ajudar? — questionou reprovadora — Olhe para você: um homem bonito e de boa lábia. Por que não está pegando um avião para ir atrás dela?
Mais frustração passou por minhas veias, e tive de segurar-me as laterais do banco para não fazer exatamente isso.
— Eu não posso — balancei a cabeça — Harlow não foi para lá por que quer. A tia dela quer um tempo com ela, e se eu aparecer lá, Amélia pode pensar que Jared me enviou para espiá-la... Se fizer isso Jared corre o risco de perder a guarda de Harlow, e se isso acontecer ela vai morar continuar morando em Malibu. E dessa vez definitivamente.
— Isso complica muito as coisas — Maia murmurou, fazendo aquela expressão cheia de lamento — Ligue para ela e conte o que sente loirinho.
— Ela acabou de desligar na minha cara dizendo que vai ver Damien eu querendo ou não — Apontei me afogando na agonia — Eu estou me conformando, Maia. Harlow não serve para mim... Eu já a rejeitei o suficiente. Agora, será que pode me passar a porcaria do uísque para que eu possa cair de tanto beber?
Ela não gostou nem um pouco de fazer isso, mas passou uma garrafa inteira para mim e ficou me observando passar aquele líquido todo em questão de minutos. Percebendo que a depressão ainda estava nas minhas costas, pedi mais uma garrafa, sentindo o mundo rodar enquanto a bebida não mais queimava ao passar pela garganta. Era como água. Talvez horas mais tarde, eu estava praticamente caindo do banco de tão embriagado, e quando resolvi levantar, um mão me empurrou de volta.
— Eu não acredito que está fazendo isso! — Abri os olhos quando a voz furiosa da minha amiga chegou.
Sorri nada lúcido, e puxei-a pelo braço.
— Stefany! Como estava precisando... — O soluço impediu minha fala —... De você.
— O que aconteceu com ele? — Ela falava com alguém no balcão. Deduzi que fosse Maia, e acertei quando ela apareceu ao lado de Stefany com seu vestidinho de bar girl.
— Ele está mal por causa dessa garota — Ela apontou para a tela do meu... Epa.
— Hey! É meu celu... lar — tentei pegá-lo, mas isso só fez-me cair do banco. Setafany e Maia me ampararam, gemendo ante o peso.
— Eu precisava ligar para alguém gatinho. Foi mal — Ela ajeitou o braço em volta da minha cintura — Você não está bem e precisava de ajuda.
— Eu posso... — Soluço — Me cuidar... — Soluço — Sozinho.
— Cale a boca Jimmy. — Stefany brigou — Olhe para você!
— Estou feliz! Absolutamente... — soluço — feliz.
— O que ele tem afinal? — Ambas carregaram-me grunhindo para fora do pub, mas ainda podia ouvi-las falando;
— Ela me contou sobre uma tal de Harlow e que ela estava o trocando por um cara chamando... Hmm. Daimon, Daime....
— Damien? — Stefany estava surpreendida. — Ele está com ciúmes de Harlow com Damien?
— Isso. Ele estava com muita raiva também.
— Daimen... — gemi, recordando desse nome muito bem. E, ai droga. Harlow estava com ele. Isso não podia ser verdade — Não... Ela não podia Stef... não podia fazer isso.
— Calminha Jimmy — Sua voz ficou carinhosa agora, e ela reforçou o braço entorno de mim — Nós vamos resolver isso sim? Que tal chamarmos seu pai? Ele está rondando a área toda a sua procura e...
— Não! — Tentei me afastar delas quando chegamos à saída, mas elas me puxaram mesmo assim — Não chame ele Stef... por favor, não quero que ele me veja assim.
Ela ficou em silêncio até acharem uma escadinha onde eu podia sentar. Elas me deixaram ali, meio largado, mas depois Stefany sentou-se ao meu lado e puxou minha cabeça para suas pernas, onde deixou para que pudesse acariciar meu cabelo. Era bom.
— Tudo bem, querido. Que tal o Jonah e Jack então? — Beijou minha testa carinhosamente — Precisamos ir, e você não pode dirigir aquela moto nessas condições. — Pensei um instante nisso, mas logo aceitei, pois nem sonhando subiria numa moto com Stefany quando estava quase caindo de tão bêbado.
— Jonah? — Ela falou no telefone por umas duas horas, passando as coordenadas do pub, mas assim que desligou, olhou para Maia e sorriu, sem deixar de me acariciar — Obrigada por me ligar. Estávamos loucos procurando por ele.
— Não faz mal. Essa não é primeira e nem será a segunda vez que ajudo esse marmanjo — Maia me olhou, e fiquei feliz por ver carinho em seus olhos — Se cuide homem. — E acenando, ela voltou ara dentro do pub.
Nós ficamos sem dizer nada por um bom tempo, e aos poucos a bebida parecia escapar de meu organismo, pois podia notar mais coisas agora. Como o céu escurecendo e o rosto preocupado da minha amiga, que não cessava as carícias em meu cabelo.
— Desculpe por isso — pedi envergonhado. Ela suspirou.
— O que aconteceu? Sua mãe me ligou desesperada, pedindo para ajudar em uma procura por você, pois saiu de moto totalmente enlouquecido. Ela até ligou para seu pai e a turma.
Abaixei os olhos, não querendo confessar as palavras que Maia tinha dito, e Harlow capitou meu incomodo, pois fez careta.
— O que Damien tem haver com isso, Jimmy? — indagou. Eu fechei os olhos, derrotado.
— Harlow está com ele — disse.
— Como?
— Ela foi vê-lo hoje Stef — demonstrei o mais puro ciúmes novamente, e por mais que não me orgulhasse disso, não podia evitar — Eu falei com ela hoje ela e disse que ia vê-lo mesmo que eu não quisesse. Desligou na minha cara.
Stefany sorriu suavemente e balançou a cabeça.
— E só por isso tirou conclusões erradas? — riu — Jimmy, ela pode estar fazendo qualquer coisa. Como pode garantir que os dois vão ficar juntos dessa forma que pensa?
— Eu não sei, eu só... Sinto. — Esfreguei os olhos, sentindo a raiva agora — Ela não sabe lidar com isso Stef. E se esse cara machucá-la?
Os olhos da minha amiga giraram e ela bufou exasperada.
— Jimmy. Você precisa parar de ver Harlow como uma criança sem experiência! Ela é muito mais que isso e escute — Ela segurou meu rosto com força, querendo que eu olhasse em seus olhos — Ela gostava e gosta de você. Mas você nunca deu valor... Sua desculpa para ficar longe dela já está velha.
— Mas...
— Chega de “Mas” Jimmy — Ela cortou — Você está bêbado por causa dela. Não é o suficiente para ver que é apaixonado pela Harlow?
Sim. Era. Mas isso só fazia tudo mais difícil.
— Ela não é para mim — disse em sussurro, somente para ela — Harlow nunca vai ser minha. Será que não percebeu que sempre tem uma barreira entre nós? E ela esta se erguendo de novo, dessa vez com um nome — Virei o rosto, respirando mais lentamente, com a melancolia retornando. — E seu nome é Damien.
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