Rude Girl

47 Capítulo 47 — O julgamento


Notas iniciais
Chegueiiiii. Hey queridos, espero que estejam com seus escudos, pois ai vem bomba. Preparados? Boa leitura para todos ♥

Meu corpo todo estava tremendo enquanto tentava, em vão, segurar um copo de água nas mãos. O suor se acumulava em minhas costas, e não me cansava de olhar em volta enquanto me remexia muito inquieta na cadeira. Meu estômago estava se retorcendo e apertando, trazendo um grande mal estar que qualquer um poderia ver. E sabia disso por causa dos olhares preocupados que Jared me mandava do outro sofá.

Enfim, o dia tão esperado havia chegado, mas não poderia estar com mais medo. O nosso julgamento começaria as uma da tarde, portando fomos encaminhados para um gabinete onde Ethan poderia conversar conosco a sós. A sala era grande, porém um pouco vazia. Os únicos moveis ali eram a mesa de carvalho a qual Ethan se encostava, e os dois sofás que Jared e eu ocupávamos. Ao redor tudo tinha um toque rustico, e mesmo que os detalhes nas paredes fossem bonitos, eu não conseguia me manter quieta para admirar nada quando minha vida poderia mudar completamente naquele mesmo dia.

Pela terceira vez, levei minha bombinha de asma a boca, pressionando o máximo possível para que aquela falta de ar constante parasse. Sabia que aquilo era por conta do meu nervosismo, mas não conseguia me conter. Por isso tentei pensar em outra coisa, como quando sai de casa, assim não corria o risco de sofrer uma crise de ansiedade também.

Todos meus amigos fizeram questão de assistir o julgamento, portanto todos eles estavam em minha casa quando saímos. Recebi palavras de animo e abraços de todo mundo com muito fervor. Eles sempre estavam com um sorriso no rosto, mas ainda sim, seus olhos marcavam a maior preocupação e medo. Medo de Jad perder minha guarda. Medo de eu ter que ir embora.

Quis chorar por causar lhes esse transtorno.

Sobre tudo quando Jimmy se aproximou e segurou minha mão durante todo o caminho até o tribunal. Ainda tinha em mente a conversa que tivemos no chuveiro na manhã passada. Ainda me lembrava de seus lábios em meus ombros e seus olhos devorando os meus ao dizer que continuaria comigo sempre. E talvez aquilo estivesse me firmando no momento, saber que tinha alguém lá fora esperando por e com uma esperança mais forte que os problemas ao meu redor. Eu devia muito a ele por isso.

Assim como para meus amigos, que seguiram o carro de Ethan apertados na van de Jonah.

Nós fomos em um silencio aterrador. Jad estava concentrado no que Ethan dizia e Dana, bem… Dana não se cansava de olhar para mim com aquele medo doloroso.

Ainda não estávamos nos falando, e por mais que pudesse ver sua insatisfação comigo de longe, Dana ainda era a pessoa que me viu crescer e cuidou de mim como se quisesse ser minha mãe, claro que ela estaria nervosa.

— Harlow — Minha cabeça saltou para cima com susto. Ethan me olhava fixamente e Jad apertava os lábios em uma linha de preocupação — Você precisa se acalmar.

— Estou calma — menti.

Um sorriso cresceu no rosto do advogado.

— Eu posso ver o suor acumulando em sua testa. — Apontou — Se acalme.

Suspirei profundamente.

— Por que Dana e meus amigos não estão aqui? — perguntei tentando me conter.

— Falta uma hora para nossa vez, portando eles estão se ajeitando em seus lugares no tribunal, assim como nossas testemunhas. Quanto a vocês — Ele tomou uma pasta nas mãos — Queria repassar umas coisas que poderão acontecer, e os quero ciente.

— Pensei que já tinha nos passado tudo — ressaltou Jared, e Ethan assentiu.

— Sim, mas queria pedir algo — Os olhos do advogado — O que vamos enfrentar agora vai ser complicado, pois sei que Amélia tem muitos argumentos contra a nós, talvez o suficiente parar conseguir fazer Jared um irresponsável aos olhos da juíza Meredith.

Os punhos de Jad fecharam fortes.

— Temos como virar o jogo?— perguntou. Eu não me atrevi a falar, pois não queria opinar por nenhuma decisão nisso, tanto no caso de Jad ou Amélia, que ainda não tinha visto.

— É exatamente isso que quero conversar — Seus olhos verdes nos prenderam — Quero que confiem mim durante todo o julgamento. Ok?

Fiz careta, e pude perceber que até mesmo Jad estava confuso agora.

— Por que não confiaríamos? — perguntei. Sua expressão era ilegível para mim.

— Apenas lembrem-se disso — Virou o rosto, ignorando minha pergunta — E Harlow. Eu vou saber o que fazer, então eu só peço que mantenha o controle.

Eu não estava gostando da forma que ele estava falando. Não estava mesmo. Por isso mesmo metade de toda sua explicação, eu não pude deixar de olhar seu rosto com um pouco de medo. Ele estava escondendo algo. Eu via isso. Mas o que?

Faltando seis minutos para uma da tarde, saímos do gabinete juntos, ou quase juntos. Jared e Ethan sugeriram na frente enquanto conversavam aos sussurros como se eu não precisasse saber do que falavam. Não me dei o trabalho de tentar ouvir, pois estava certa de que era sobre Amélia e seus ”planos maléficos”.

Meus nervosos foram se aflorando quando chegamos as portas do tribunal. Elas era grandes na cor de mogno, a madeira completamente brilhante como se tivesse sido polida. Atrás delas, eu podia o ouvir os ruídos das conversas que, provavelmente, meus amigos estavam falando. Engoli em seco. Era agora. Estava mesmo indo a um tribunal decidir onde e com quem iria morar.

Como tinha chegado nisso?

— Boa tarde.

Por um momento, eu senti minha espinha enrijecer, assim como vi a de meu irmão fazer o mesmo antes de virar-se com Ethan, e encarar a dona da voz atrás de mim. Suspirando, dei uma volta, e encontrei os olhos azuis da minha tia.

Ela estava em preto como sempre. Um terninho recatado que moldava bem seu corpo, seus cabelos presos em um rabo de cavalo e maquiagem suave. Estava seria, e ainda sim, linda.

— Amélia — Jared soou seco e quase amargo.

— Como vai Jared? Dr. Corey — Ela deu um acenou de cabeça para Ethan, que o retribuiu sem muito entusiasmo. Ela acenou para o homem que vinha logo atrás — Apresento a vocês meu advogado, Antony Gonzalez. Antony, esses são meus sobrinhos, Jared e Harlow. E claro, logo ao lado é o advogado de Jared, Ethan Corey.

— Muito prazer — O homem se aproximou, mas estendeu a mão a Ethan, seus olhos verdes disputando com os de Ethan, era cheio de um brilho intimidador, quase tão devorador quanto os de Ethan, que se cerravam enquanto apertava sua mão e o avaliava em silencio.

Conhecia bem o pai de Liam para dizer que estava conferindo seu adversário, quase como se estivesse dentro de uma luta e quisesse estudar tudo que seu oponente tinha contra seu favor. Antony era o tipo de homem magro, sem músculos, mas se movia com elegância de uma pantera, tinha cabelos negros e o rosto de um homem beirando aos trinta. Era bonito, sua pele clara destacava-se contra o terno escuro, mas sua frieza poderia acabar com qualquer interesse feminino.

— Bom conhecê-lo dr. Gonzalez — Ethan finalmente respondeu, mas havia um pequeno curvar em seus lábios que me fez inquieta. Aquele quase não visível ato, ainda escondia coisas. E percebi que Gonzalez não deixou o movimento despercebido, pois ergueu sua sobrancelha com curiosidade, para então se afastar com um mover de cabeça.

— Então — Amélia trocou olhares com Jad antes me encarar. Depois voltou-se para Jad — Acho que lhes desejo boa sorte.

O lábio de Jared torceu com desgosto.

— Está feliz que tenha nos feito chegar aqui? — resmungou, fazendo com que Ethan limpasse a garganta em um sinal de “contenha-se”.

Amélia não vacilou.

— Eu não queria que chegássemos a isso meu sobrinho. Mas falamos do melhor para Harlow — disse. Fogo pulou dos olhos de Jared com fervor.

— O melhor para ela é estar comigo.

— O melhor para ela é o que não compreende — retrucou minha tia, sua voz tão suave que quis parabenizá-la por seu controle. — Isso ira mudar aqui.

— Muitas coisas iram mudar. — ressaltou meu irmão — Assim como o fato de você participar das nossas vidas.

— Jared — falei pela primeira vez.

Ambos se calaram, mas nenhum me olhou. Isso feriu mais que o fato deles não perguntarem para mim o que eu achava melhora para minha vida.

Como se entendesse minha situação, Ethan se colocou ao meio dos dois.

— Não vamos nos exaltar — Olhou Jared — Passaremos por isso como demanda a lei. Nada de brigas aqui.

— Dr. Corey tem razão — Dr. Gonzalez concordou — Vamos manter a calma e, veja só. Devemos entrar. O julgamento se iniciara daqui a alguns minutos. Amélia? — Minha tia assentiu e deu passos a frente com seu advogado, mas antes de realmente segui-lo para as sala do tribunal, ela parou em minha frente, e para minha surpresa, tomou meu rosto nas mãos e beijou minha testa.

— Farei o que for preciso para mantê-la segura — sussurrou.

Eu não entendia ao que se referia, mas quem se importava? Eu não resistia ao abraço dela, por isso envolvi os braço ao seu redor, fechando os olhos e suspirando.

— Obrigada por querer cuidar de mim— murmurei de volta.

A senti sorrir, e acariciar meus cabelos.

— Sempre farei isso minha querida.

Ela se afastou lentamente, e com um último sorriso, se virou e foi para as portas do tribunal. Ethan e Jared, depois de olhar-me por um tempo, os seguiram, e inevitavelmente, as portas se abriram com um som alto.

A primeira coisa que notei ao entrarmos foi o silencio que se iniciou imediatamente. A segunda, foram os olhos de todos meus amigos grudados em nós enquanto caminhávamos pelo corredor forrado com um tapete escuro, até a frente do tribunal.

Eu olhei para os lados, para seus rostos preocupados, mas disfarçados por um sorriso de encorajamento. Haviam duas fileiras com bancos grandes. Meus amigos ocupavam o lado esquerdo, preenchendo duas fileiras.

Na primeira continha Liam, Jackson, Stef, e Jonah, Caroline e Apolo. Na segunda estavam somente Dana e Damien, e minha irmã tinha os olhos vidrados em minha tia, com muito mais que ressentimento.

Por um momento, me perguntei onde estavam os outros. Faltavam Jodie, Eloise, e sobre tudo, Jimmy. Não encontrá-lo ali me fez sentir com o peito apertado, pensando se ele ia mesmo cumprir a promessa de estar ali durante todos os instantes. Esse medo de ser enganada novamente por ele era tão grande, que me demorei para continuar caminhando.

— Harlow — A mão em meu ombro me fez saltar minimamente, mas me acalmei ao ver Jared. E dessa vez ele não tinha o olhar de tristeza no rosto, nem sua voz parecia carregar magoa, ele apenas me olhava com suavidade e calma — Vamos querida. Vai ficar tudo bem.

Eu pude sentir os olhos arderem. Depois de dias, Jared tinha falado normalmente comigo, sem ressentimento ou recusas, ele só falou.

— Ei.— Jad se aproximou, pegando em minha bochecha ao ver as lágrimas presas, me puxou para dentro de seus braços — Não faça isso. Já estou aflito demais com você, não chore por favor.

— Ah Jared — Abracei sua cintura, enterrando o rosto em seu terno — Estou com tanto medo.

Seus braços me apertaram, e se não estivesse louca, acharia que estavam tremendo.

— Não precisa ter. Nada vai acontecer.

— Eu não tenho tanta certeza — sussurrei, mas ele não deve ter ouvido, pois apenas me acompanhou até onde iria permanecer sentada.

Eu ficaria atrás do que parecia ser um balcão enorme, e assim como tudo naquela sala, compartilhava a cor mármore e era alto. Em meio ao tribunal havia o lugar onde a juíza ficaria, e podia ver de onde estava, duas portas atrás da mesa de mogno da juíza Meredith, com bandeiras da América e dos Estados Unidos. Em frente do lugar da juíza estavam as mesmas de Jared e Amélia, com duas cadeiras; Uma para o cliente e outra para o advogado.

Ethan e Jared pegaram a mais próxima de mim, e Amélia e Gonzalez a mais afastada. Agitada, observei os advogados pousarem suas pastas de couro da mesa. O silencio os perseguindo até que sons de vozes diferentes fizeram-se presentes e a porta da esquerda logo a frente se abriu e três homens vestidos como seguranças, entraram junto de um moça nova que se sentou de frente ao laptop, e logo atrás, uma mulher com pele negra e cabelo encaracolado preso para trás, caminhou para mesa de mogno na frente.

Não precisava de confirmação para saber que aquela era a juíza Meredith. Apenas pelo seu jeito de andar, e aquela beca preta a qual usava a indicava como a mestre da parada. Eu tive que engolir em seco quando Jared e Amélia se sentaram junto aos seus respectivos advogados, olhando fixamente para a mulher que tinha entrado.

Nervosa, procurei pelo olhos de Jimmy no grupo, mas não encontrei mais uma vez, me deixando ainda mais aflita. Por isso deslizei os olhos por cada rosto ali, recebendo dedos para cimas e piscadelas encorajadoras. Me refreei em Damien, que me sorriu largamente e soltou um beijo com a mão, fazendo-me sorrir pela primeira vez.

Foi só então que desviei o olhar para Dana. Ela segurou meus olhos dessa vez, e sabia que ela notava minha apreenssão, por isso fiquei agradecida que pelo menos agora, ela ia me olhar sem querer me matar.

— Muito bem — A voz da juíza chamou novamente minha atenção — Estamos aqui hoje reunidos para decidir a custodia definitiva de uma menor, entre o irmão mais velho e a tia materna. — Seus olhos passaram de um para o outro — Jared Cooper e Amélia Santino.

Apertei a bombinha nas mãos. Vai dar tudo certo. Vai dar tudo certo. Nada ruim vai acontecer. Nada.

— Antes de começarmos, aqui estão o que iram fazer — Meredith descansou as mãos na mesa — Cederei a vocês a oportunidade de testemunhas. Cada parte podera ter seu tempo de interrogação. Que fique claro que não estamos em um concurso de quem é o melhor, e sim sobre o que é mais saudável a vida da familiar de vocês. Sejam sinceros, e competentes, por assim dizer… Não façam nada que possam se arrepender. Senhora Santino — olhou minha tia — Senhor Cooper — Focou em meu irmão — Essa situação será de toda forma, muito difícil, sobre tudo para Harlow. As coisas ditas aqui serão desagradáveis, e não poderão ser desditas. Portanto vou pergunta apenas uma vez. Querem mesmo continuar com isso?

Eu pude ver como as palavras da juíza afetaram tanto Jared como Amélia, pois ambos me olharam com aflição, Jad com os lábios em uma linha de tensão, e Amélia muito parada, ambos pensativos. Mas ao se olharem, eu pude ver o que todos poderiam entender. Nenhum iria desistir.

Nem mesmo por mim.

— Sim excelência — responderam juntos.

Eu abaixei a cabeça, me perguntando se aquilo era mesmo questão de amor por mim, ou o orgulho deles feridos. Tentei não pensar nisso, ou me veria os odiando, e isso não era um opção no momento.

Meredith assentiu.

— Então estamos dando aberta a cessão para determinar a custodia de Harlow Penelope Lopez Cooper.

O som do martelinho da juíza pareceu reverberar por todos os meus ossos, e por um instante, tudo que mais quis naquele momento, era desaparecer.

~*~

— Harlow sempre foi uma aluna bem… difícil de lidar — disse Charles devagar, e eu quase quis me esconder dos olhos da juíza, e principalmente dele próprio, pois ouvir meu diretor da escola dizer que eu era uma garota complicada, era um dos piores pesadelos que podia viver. E eu não podia acreditar que Jared havia o trazido para depor. — Mas não posso julgá-la, escola é uma época para problema.

Obrigada!

— O senhor disse que a menina é difícil de cuidar, mas seus boletins são excelentes. A que exatamente se refere? — Ethan perguntou.

Charles sorriu de lado.

— Como qualquer adolescente, ela se mete em encrencas. Como derrubar café quente no professor. Apenas coisas que posso controlar — Senti minhas bochechas queimarem drasticamente.

Aquilo tinha sido sem querer.

— Mas o que o senhor diz sobre Jared? — Ethan estava recostado contra a mesa com os braços cruzados. — Seus cuidados com a irmã.

— Não tenho reclamações de Jared. É um bom irmão, se preocupa com a menina e se dedica o quanto pode para que tenha uma boa educação. Em todos os momentos que compartilhamos uma conversa, ele foi compreensivo e sempre aplicava castigo quando era necessário.

— Com licença — Enrijeci quando Gonzalez, sutilmente se levantou, ajeitando seu terno. Meredith lhe concedeu a palavra — O senhor, poderia, por favor, nos esclarecer sobre alguns acontecimento em seu colégio?

Charles franziu o cenho.

— Claro.

Devagar, o advogado de minha tia se aproximou com vários papeis em mãos e Ethan, assistindo, voltou para o lado de meu irmão.

— Em onze do nove em uma segunda-feira… Mais precisamente o primeiro dia de aula da menina. Harlow passou por um momento de mal estar. Poderia nos descrever como ela se encontrava quando foi levada a sua sala?

Fechando os olhos, segurei um xingamento na garganta, sabendo bem para onde isso iria. E percebi que Jad e Ethan também, pois tinha uma careta na face.

— Estava pálida, alegando falta de ar… Eu realmente me preocupei, porque afinal, a menina parecia prestes a desmaiar.

— Esta confirmando então que ela parecia, digamos… Muito doente? — Meu diretor assentiu.

— Como pode deduzir meritíssima, esse pequeno acontecimento levou a menina a um hospital — Gonzalez empurrou duas folhas na direção de Meredith — Harlow sofre de crises de asmas e ataque de ansiedades. Para aparar sua asma, ela usa frequentemente seu inalador, que contem Salbutamol. E para que seus ataques de ansiedade não sejam frequentes, toma uma droga chamada Ansiolítico inserida na veia uma vez no mês inteiro. Mas me foi relatado que o medicamento não foi dado a menina, e por isso a crise veio a tona…

— Não foi bem assim que aconteceu, eu… — Jared tentou falar, mas a juíza bateu seu martelo o cortando.

— Silencio. — falou dura — Tera sua vez de falar, senhor Cooper.

Meu irmão fechou as mãos em punho e Ethan lhe sussurrou algo. Meredith olhou Gonzalez.

— Prossiga, por favor.

— Pois bem — Antony colocou as mãos atrás das costas — Harlow não foi medicada corretamente e parou no hospital. Tal esse era o que Jared trabalhava, e esse mesmo tratou dela… No entanto, ao envés de voltar para casa para cuidar da irmã mais nova, recorreu a Amélia. Claro que minha cliente foi de bom grado, pois ama sua sobrinha e se preocupa, mas o fato dele ter escolhido seu emprego e não cuidar da menina quando essa necessitava, aponta uma grande irresponsabilidade. E isso se repete durante sua varias horas fora de casa. — Ele se aproximou da mesa e pegou outra anotação — Jared é residente no hospital publico da cidade e trabalha durante vinte quatro hora consecutivas. Isso quando não se encontra de plantão durante as noites. O que faz disso quarenta e oito horas fora de casa. Onde Harlow permanece sozinha. Sua irmã mais velha, Dana Cooper, é secretaria em uma empresa de software. Sua demanda é de trabalhar quando for requerida, ou seja, seu horário nunca é fixo. O que aponta, mais uma vez, a falta de um alguém para olhar Harlow. E agora, meritíssima, queria chamar uma das testemunhas escolhidas por Amélia. O chefe de trabalho de Jared, Richard Moore.

Eu pude sentir a tensão de Jad mesmo de onde estava, assim como de meus amigos, que passaram a cochichar quando meu diretor se foi e a porta a direita da meritíssima, se abriu e Richard saiu. Durante todos os momento que encontrei com o chefe dos residentes do hospital em que Jad trabalhava, eu havia achado o homem bem gentil, mas ainda sim, tinha medo sobre o que esse iria falar agora.

— Como vai Dr. Richard? — comprimentou Gonzalez.

Richard acenou.

— Muito bem.

— O senhor trabalha a muito tempo com Jared?

— Sim. O vi passar de interno para residente. É um bom cirurgião e um bom homem.

— Então vocês são mesmo amigos? — Perguntou o advogado. E notei Richard piscar com desconfiança para ele.

— Sim somos.— confirmou.

— Então pode nos confirmar que Jared, por muitas vezes, escolheu passar a noite em uma sala de cirurgia ao ir para casa ficar com as irmãs?

Tanto meu irmão quando o doutor Richard se enrijeceram e olharam-se nos olhos, um tanto aflitos, e eu vi a verdade mesmo sem antes o homem falar.

— Jared é um bom irmão…

— Basta confirmar. — ressaltou o Antony — Sim ou não?

O doutor respirou fundo, juntando as mãos.

— Sim. — respondeu.

— Quantas cirurgias tiveram desde que Harlow voltou da Califórnia com sua tia, dr. Richard?

— Não existe forma alguma de contarmos… São muitas para um dia e…

— Os plantões aumentaram desde que ela voltou? — refez sua pergunta. Richard engoliu.

— Sim, mas…

— Quantos ele pegou desde o dia um de setembro?

— Vinte e três — Gonzalez entregou outra folha tanto para a juíza como para Ethan e Amélia.

— Vinte três plantões em um mês inteiro. O que da no total de vinte e três dias no hospital e apenas dez em casa. Isso sem contar o dia de hoje. E durante todos esses períodos, ele não sabia o que acontecia na própria casa, pois não poderia atender um telefonema em uma sala de operação, certo doutor?

A amargurar na voz do chefe era constante.

— Certo.

— Então se juntarmos tudo, teremos vinte três dias e vinte e três noites que Jared Cooper não teve tempo para sua irmã devido suas demandas profissionais, sem ao menos ter um pouquinho de consideração quanto ao seu sentimento e...

— Protesto meritíssima — Ethan praticamente saltou da cadeira, o olhar quente no advogado — Ele está ofendendo meu cliente com especulações graves.

— Mantido — concedeu a juíza.

— Pedimos por favor, um pequeno recesso — requisitou Ethan.

Meredith acenou.

— Recesso aceito. Vocês tem dez minutos. — E bateu seu martelo.

Chocada, eu assisti meu irmão se levantar e marchar até a porta hiperventilando e espumando até as pontas contidas de seu cabelo. No mesmo instante vi minha irmã saltando do banco para segui-lo, ao contrario de Ethan, que totalmente tranquilo, veio até mim e tomou uma mão minha.

— Não se preocupe. Ele só precisa de um tempo. — garantiu.

— Posso ver ele?

— Acho melhor esperar aqui. Falarei com ele e retomaremos de onde começamos. Isso não é o fim.

— Tem certeza disso? — indaguei e espiei minha tia e seu advogado conversando entre si na mesa. — Ele fez Jared parecer um idiota para Meredith, como se o fato dele trabalhar fosse ruim por minha causa — Eu estava realmente nervosa por isso. Mesmo que Amélia estivesse envolvida, ela não tinha o direito de apontar isso na cara dele dessa forma — Jad deve estar arrasado.

— Arrasado não é bem a palavra — destacou, e olhou para onde estava meus amigos. —Tenha seu tempo tomando um ar. Irei liberar Jodie, Eloise e Jimmy para sentarem-se com vocês.

Meus olhos aumentaram.

— Eles vieram? Onde estão?

— Junto com as outras testemunhas — respondeu — Esqueceu-se que eles são nossos escolhidos?

Sim. Havia esquecido.

Mas aquilo queria dizer que Jimmy estava aqui. Que não tinha me abandonado.

— Vá com eles. Irei falar com Jared — disse, e se virou para sair.

Eu no entanto não pude me mover por um tempo, estava encarando minha tia, que se dirigia com seu advogado para fora, obviamente para tratar de outros assuntos, e quanto Amélia me olhou, não consegui conter a insatisfação apenas para mim, e ela viu isso, pois baixou os olhos e suspirou, ficando em silencio quando saiu.

Lentamente, me levantei do lugar e fui até meus amigos. Como esperava, fui coberta por braços e beijos, cada um tentando falar um pouco quando eu não podia ouvir nada. Sabia que me indicavam o banco para sentar e que Damien acariciava meu rosto, mas ouvir suas palavras era totalmente impossível. E por conta disso, o mal estar acumulou-se no peito até que se transformou em falta de ar. Sem realmente querer, levei a bombinha a boca e inalei, notando que agora ninguém mais tentava falar, apenas me acariciavam, ficando o mais junto possível.

Fiquei grata. Grata demais.

Mas não tão grata quanto fiquei quando a roda se partiu, e finalmente encontrei o rosto que necessitava ver desde o começo de tudo aquilo. Jimmy estava vestido formalmente, era primeira vez que o via de terno, e ele estava escandalosamente bonito. O cabelo ainda eram uma bagunça dourada, e mesmo que o terno fosse formal, os botoes estavam abertos e a gravata desfeita desleixadamente como se tivesse mexido ali por muitas vezes. E seu rosto confirmava isso, pois quando se abaixou, eu logo via o tanto de aflição que carregava.

— Harlow. — Tocou meu rosto.

Fechando os olhos, esfreguei minha bochecha em sua palma, sentindo a garganta fechar.

— Você está aqui — constatei. Ele sorriu largo, me aproximando de seu rosto.

— Não iria para nenhum lugar, minha Penélope charmosa — Inesperadamente, eu ri, e precisando estar mais perto dele, passei os braços por seu pescoço e deitei a cabeça em seu ombro. Respirando seu perfume e tomando a certeza de que estava ali. Ele me apertou, quase como se quisesse me acalmar e novamente me assegurar que tudo estava bem.

Em seus braços, eu conseguia acreditar nisso.

— O que rolou enquanto estávamos fora? — A voz de Jodie me fez afastar de Jimmy e ao olhar seu ombro, encontrei ela e Eloise nos olhando.

— Amélia tocou no calo de Jared, foi o que aconteceu — Dana reapareceu no meio da roda com uma carranca. Olhei para ela com aflição — Ele e Ethan estão conversando, mas por muito pouco que ele não acerta a parede com a própria mão.

— Ethan tem como reverter essa situação? — perguntou Caroline — Eu espero que sim, porque com apenas duas testemunhas, Amélia já tem total probabilidade de ganhar.

— Meu pai não desiste fácil — Ressaltou Liam com o cenho franzido. — Havia algo em seu rosto enquanto assistia, que me faz pensar que ele esta esperando apenas a oportunidade certa para agir.

— Seria legal ele começar então — Lizze sentou-se ao meu lado e tomou minha mão — Pois parece que aquele advogado é bom no que faz.

— Idiota — cuspiu Jodie.

— Ele tem boas historias, temos que admitir — Apontou Damien de braços cruzados e olhar penetrante. Não havia diversão ali dessa vez — Se Ethan conseguir usar elas a seu favor, teríamos uma chance.

Eles continuaram falando como se não estivesse ali. Não que eu me importasse, já que não fazia ideia de como me encaixaria na confusão, mas ainda sim, aquele sentimento irritante de que algo iria acontecer, não abria passagem para conforto.

— Odeio quando fica com essa carinha — Jimmy sussurrou.

Seus olhos me encaravam com tristeza.

— As coisas que eles falam… — Fechei os olhos e balancei a cabeça — É só uma questão de tempo para eles falarem algo que me afete. Fico me perguntando se irá me afetar muito.

— Não pense assim, pequena — Sua mão encaixou em minha bochecha — Pense que agora eu vou poder estar aqui dentro para olhar em seus olhos o tempo todo. Como eu sou a última testemunha, consegui convencer Ethan de me deixar ficar.

Assenti um pouco mais aliviada, mas então me dei conta sobre uma coisa.

— Sobre o que você vai testemunhar? — indaguei. Ele suspirou.

— Eu não faço a menor ideia, Ethan me deixou no escuro. Ele gosta muito de fazer isso.

Fiz careta. Estranho.

— E vocês? — Olhei Lizze e Jodie.

Jodie falou.

— Provavelmente falarei sobre os idiotas que tentaram nos bater no colégio.— disse.

Era compreensível Ethan a chamar para explicar isso.

— Eu vou falar sobre como é a vida de vocês — disse Lizze — Como vizinha e amiga, tenho uma convivência maior. Possivelmente, estarei falando sobre a confusão dos votos — Suas bochechas coraram e ela olhou Jimmy, eu e Damien com vergonha — Falarei que foi minha culpa.

— Lizze…

— Tudo bem Harlow — Ela sorriu — Eu sei que foi. Por isso nunca vou me cansar de pedir desculpas a vocês.

Senti por minha amiga. Ela era uma das pessoas mais importantes para mim. E vê-la sentir-se culpada por algo que foi sem nenhuma intenção, me fez querer sacudi-la. Só para ver se ela deixar de pensar daquela forma.

Eu fiquei ali com eles durante todos os dez minutos de recesso. Mas quando Ethan e meu irmão reapareceram, seguidamente de Amélia e seu advogado, eu tive de voltar ao meu lugar, mas não antes de receber toques de conforto de todos, e Jimmy me envolveu em seus braços por um tempo antes de me soltar.

Ao recomeçar a cessão, Meredith deu a chance para Ethan. Que no momento seguinte chamou sua segunda testemunha, sendo essa Eloise.

— Você poderia nos relatar com detalhes como é a convivência dos irmãos? — perguntou a Lizze. Minha amiga assentiu.

— Quando eu conheci Harlow, na hora gostei dela. E não foi diferente com Jared e Dana. Esses três conquistaram muito mais que uma amiga comigo. Eu vi de perto como eles se amam, e assisti o sacrifício de Jared para criar as irmãs. Não foi difícil me sentir da família com eles.

Ethan deu um sorriso.

— Compreendo. Você alguma vez presenciou algum mal trato na casa?

Eloise fez careta.

— Não. Nunca. Eles sempre foram muito unidos, ainda mais quando se tratava de Harlow. Dana e Jared presavam demais ela e sempre estavam cuidando para mantê-la em segurança e bem.

— Peço a palavra meritíssima — Gonzalez se levantou.

— Concedido.

Vi como o rosto de Eloise contorceu quando o advogado se aproximou dela e sorriu.

— Como vai Eloise? — Lizze assentiu em saudação — Agora pouco você ressaltou sobre Jared sempre estar preocupando-se com o bem estar de Harlow, e também em sua segurança. Mas eu queria que me confirmasse uma coisa. — Ele abriu sua pasta e percorreu os olhos ali — Ainda na primeira semana de aula, no dia treze do nove em uma quarta-feira, Harlow envolveu-se com uma confusão no colégio, novamente. E essa era bem publica, assim como o print que minha cliente tirou segundos depois que a publicação foi ao ar na internet. — Ele entregou uma folha para Lizze, Ethan, meu irmão e a juíza, e como se para não me deixar em branco, entregou uma para mim, e quando coloquei meus olhos senti meu sangue gelar.

Era uma publicação de um dos alunos da escola que assistiam minha briga com Bryan e seus amigos, e na folha havia a imagem nítidas de Connor me agarrando por trás enquanto Bryan preparava-se para acertar meu rosto.

Eu vi o rosto do meu irmão ficar branco como papel, assim como o de Lizze, mas Ethan ainda continuava quieto e quase sem nenhum nervosismo.

— Como podem ver, Jared nem sempre consegue cuidar de sua irmã. Tanto que em menos de uma semana, ela se viu em uma discussão com garotos dias depois do ocorrido no primeiro dia. Isso tudo depois de uma viagem tranquila com a tia.

— Isso não foi culpa do Jared — Eloise se atreveu interferir o advogado. — Isso foi um ocorrido inesperado por causa de algo que publiquei como uma brincadeira, nada demais.

— Uma brincadeira senhorita?— O advogado — Está se referindo as várias postagem sobre o relacionamento da menor com Damien Levesque e Jaime Rory?

Eu notei que Lizze não esperava que ele falasse tão diretamente, por isso se refreou antes de assentir.

— Sim. Eu fiz uma brincadeira que deu errado. Nada disso é culpa do irmão dela.

— E percebe que essa brincadeira quase causou um machucado na menina? — perguntou, e dessa vez, eu senti meu próprio limite começar a inflar quando notei o rostinho de Lizze ficar cheio de remorso, e vi que não foi somente eu. Jonah estava prestes a se levantar, mas foi impedido por Liam e Jack, que o seguraram onde estava.

— Sim. Percebo — Lizzze engoliu em seco.

— E percebe que por causa dessa brincadeira, isso levou a menina a fugir de todos e ficar uma noite fora de casa? E se posso ressaltar meritíssima, aquela não foi a primeira vez. Dois dias depois nesse equivoco minha cliente não recebeu noticias de sua sobrinha por quase dois dias, e quando foi tirar explicações com os irmãos da garota, foi agredida pela irmã do meio...

— Agredida?! Ora seu… Ela estava ofendendo meu irmão, seu idiota charlatão! — Dana saltou de onde estava com o rosto vermelho e os olhos em chamas, Damien e Caroline a seguraram e vi meu irmão se levantar, mas antes que falasse algo para acalmá-la, a juíza bateu seu martelo.

— Silencio no tribunal! — Os olhos de Meredith prenderam-se nela — Se a senhorita não se acalmar serei obrigada a levá-la para fora nesse instante.

Contrariada, minha irmã se sentou, mas ainda parecia exaltada. Voltando a Eloise, Ethan deu um passo.

— Senhora meritíssima, as acusações constantes do dr. Gonzalez estão afetando a testemunha. Então, por agora, estou a dispensando e a trocando por alguém que estava no dia da confusão com os garotos. Eu chamo agora para testemunhar, Elizabeth Jodie.

Me remexi na cadeiral, aliviada quando minha amiga caminhou para o abraço de Jonah e Jodie marchou, com toda sua coragem, para o lugar em que Lizze estivera antes, ela olhava com petulância para dr. Gonzalez, e fiquei aliviada que com ela, talvez ele não conseguisse ser cruel. Pelo menos não mais que ela era.

— Por favor Elizabeth, nos relate o que houve no dia da discussão — pediu a juíza.

—Eu estava voltando da faculdade quando Harlow me ligou — começou Jodie — Ela estava bem nervosa e me pediu ajuda para tratar de uns meninos que a perturbavam.

— Que tipo de ajuda? — perguntou Antony.

Jodie fechou a cara para ele.

— A ajuda mais óbvia. Eu ia quebrar a cara dele por mexer com minha amiga — Gemidos vieram de onde meus amigos estavam e até mesmo meu irmão fechou os olhos como se estivesse completamente perdido, mas antes que qualquer um julgasse Jodie, ela falou — Antes que gaste sua saliva dizendo o quão violento isso soa e que sou uma má influencia a Harlow, que fique claro uma coisa. — Ela virou-se para a juíza — Os garotos que mexiam com ela não eram boas pessoas e queriam bater nela. Portanto eu ia fazer alguma coisa, pois se trata de alguém que me importo. Acha mesmo que ficaria parada? A situação foi que Lizze cometeu um erro e outros se aproveitaram desse erro para subir nos ombros de Harlow. E o fato dela ter fugido foi completamente compreensível, meritíssima. Ela estava sendo sufocada por problemas, pela confusão com os irmãos e a tia. Eu mesmo faria a mesma coisa, porque o que mais odeio é ter olhos em cima de mim, que não me entendem. Então sim, nós nos metemos em uma briga, mas não intencionalmente… e sim, Harlow passou mal em seu primeiro dia de aula, mas isso foi completamente um acidente. Ou acham que o próprio irmão dela a deixaria passar mal, quando podia ajudar? Ele faz isso desde que ela era criança e nunca aconteceu algo parecido. É loucura! Eu nunca vi alguém mais protetor que Jared, e acreditem, eu convivo com uma casa cheia de lutadores com crises bestas de ciumes sobre minha irmã um dia ter um namorado. A verdade é que só quando Amélia apareceu, que tudo desandou na vida deles.

Pela primeira vez desde que acessão começou, o silencio se espalhou pelo lugar e eu quase não consegui segurar o sorriso. Essa era Jodie, sempre colocando um sentindo na merda que estava prestes a desabar.

— Obrigada por seu relado Elizabeth — Ethan com certeza parecia querer sorrir — Se o doutor não tiver mais nenhuma pergunta, gostaria de dispensar a testemunha.

Olhamos para Antony e ele encarava Jodie, essa mesmo não fugiu de seu olhar e encarou, cruzando os braços como se o desafiasse. Ao fundo, só podia ver Liam sorrindo com aquela expressão nauseante que indicava que ele a queria nua em algum lugar.

— Sem mais perguntas — disse por fim.

Jodie seguiu mais satisfeita que nunca até Liam e os outros, e eu não podia deixar de agradecer mentalmente, pois por mais que eu amasse Amélia, Jared não merecia ser rebaixado tanto durante todo esse problema. E talvez eu estivesse com medo que ele perdesse… Ir embora, deixar meus irmãos… Seria a coisa mais difícil que já fiz na vida.

A testemunha a seguir havia sido trazida por minha tia, e eu senti meu sangue esquentar por ser Bryan. Ele relatou sobre tudo o que aconteceu ao brigarmos e como se quisesse ferir Jodie — A garota que chutou sua bunda —ele comentou sobre o fato de ter visto marcas em seu corpo. Por muito pouco Liam não saltou de onde estava para trucidar o infeliz, e eu acharia pouco.

A audiência novamente teve um ponto. O fato das pessoas ao meu redor me levarem a fazer coisas importunas, Ethan alegou sobre isso, mas Gonzalez era bom, e conseguia fazer meu irmão a pior opção de todas diante a juíza.

Percebi tarde que aquela situação era completamente irreversivelmente. Amélia estava ganhando e sabia que Jad notava isso, pois o modo como me olhava com pavor fazia-me querer correr para seus braços. Eu queria realmente isso, e estava crente que aquela audiência estava acabada para ele, mas eu e ninguém ali, esperava que Ethan recorresse a sua última testemunha.

— Quero chamar agora minha ultima testemunha — Ethan virou-se para Jimmy — Jaime Rory.

Fiquei tensa. Havia algo de estranho no tom de Ethan, nos olhos deles. Pareciam… Conspiradores. Olhei para Jimmy com confusão, mas como disse antes, ele parecia completamente alheio ao que iria falar agora.

— Primeiramente eu queria ressaltar que o que direi aos presentes, poderá ser um grande choque, portanto queria que permitisse Dana estar ao lado da irmã mais nova — Franzi o cenho, olhando Ethan sem entender. Virei-me então para onde Dana estava e essa mesmo parecia um tanto surpresa, assim como Jad, que observava Ethan com curiosidade.

— Isso é mesmo necessário doutor? — Meredith não parecia confortável com o pedido, mas Ethan estava mais do que seguro.

— Sim. Temo que o que vou dizer vá deixar a menor um pouco… Emocionada — Meu coração saltou e eu engoli em seco, o medo me envolvendo em uma golfada.

Não esqueça de olhar para mim também…

As palavras que Jimmy me disse naquela manhã no chuveiro me fez levar os olhos aos seus, e o encontrei fixando em mim, como se estivesse esperando que eu fizesse tal coisa. Ele puxou o ar, parecendo me indicar o que devia fazer. Respire fundo. Ele parecia dizer. Eu o fiz.

— Muito bem. A irmã pode se aproximar — concedeu a juíza, e logo depois Dana caminhava as pressas para o meu lado, e dessa vez, não tinha magoas em seu olhar quando segurou meu ombro. Seus olhos brilhavam com preocupação pelo que estava para ser dito, e aquele olhar me fez mais aflita.

— Meritíssima — Dr. Gonzalez olhou Ethan — Esse suspense é desnecessário.

— Espere um pouco doutor — disse ela, e olhou Ethan — Prossiga com sua palavra.

Ethan agradeceu e foi até a mesa, e enquanto fazia isso, escorreguei os olhos para minha tia. Pela primeira vez, ela parecia tensa, os olhos frios e um tanto inseguros, mas ela não se moveu para falar coisa alguma.

— Bem… Quando fiquei sabendo dos problemas na casa de Harlow, eu imediatamente me ofereci para ser seu advogado. Meu intuito, desde o inicio, foi conseguir a guarda definitiva de Harlow, para Jared… Isso até que eu me deparei com uma pequena curiosidade no caminho — Rapidamente, ele entregou algumas folhas para a juíza e todos outros, e quando finalmente chegou em mim, eu não pude entender o que estava lendo até ver o nome dele

Um adolescente de dezoito anos sofreu uma overdose no meio de Manhatta. Nova York.

O garoto foi socorrido e levado pelos paramédicos, no entanto morreu às três da manhã de uma quarta-feira durante o caminho até o hospital. Testemunhas alegam que o menino estava acompanhado de uma garota com nada mais que quinze anos. “Ela gritava por ajuda” disse uma moradora que assistiu o desastre.

A polícia local não cedeu muitas informações, porém foi conformada a presença de uma garota com o nome de Amélia Lopez. Seu envolvimento com o adolescente é relativamente escondido, mas existem suspeitas de que era uma namorada ao qual também era viciada. Para todos os efeitos, Amélia Lopez era dada como desaparecida após ter fugido de casa. Seus pais recusaram-se a dar uma entrevista ou uma oportunidade de conversar com a requerida menina, porém afirmaram que Amélia estaria sendo tratada com cuidado e atenção pela sua família.

Dado antes como indigente, o garoto que morreu de overdose foi confirmado com o nome de Logan Galen, um ladrão procurado já algum tempo. A menina, por ser um caso delicado e incapaz de responder perguntas, foi absolvida pelo juiz e internada pelos pais em uma clinica para viciados.

Com os olhos arregalados, minha cabeça saltou na direção de Amélia, que encarava a folha como se estivesse segurando seu próprio pesadelo.

— O que significa isso? — Exigiu Antony.

Ethan prosseguiu.

— Isso, dr. Gonzalez, é uma reportagem publicada pelo jornal em 1996. Acontece, que desde o primeiro minuto, eu desconfiei de algumas coisas em relação a sua cliente, e quando meu filho e seus amigos se depararam com atitudes estranhas vindas dela, eu me aprofundei mais, querendo me certificar que ela era alguém que poderia cuidar de Harlow. E foi assim que descobri minha primeira pista — Ele caminhou com as mãos atrás das costas. — Amélia apareceu na vida dos irmãos de repente alegando querer se reaproximar da sobrinha, com certeza eu não duvido que ela queria uma reaproximação, mas assim tão depressa? Por que? E por que então ela estaria tão concentrada apenas na menina, e não nos outros irmãos, que também são seus sobrinhos? É de se estranhar. — Ele caminhou até onde Jimmy estava — Jaime, por favor, me conte o que viu no dia em que Harlow voltou do hospital, quando passou mal em seu primeiro dia de aula. O que houve enquanto ela dormia tranquilamente em sua cama?

Piscando muito, vi Jimmy encarar Ethan e depois virar-se para mim, e de repente eu vi o medo de me ferir passar por seus olhos, e isso me fez levantar um pouco da cadeira, mas Dana me segurou antes que fizesse algo impensado.

— Eu… Eu estava com ela em seu quarto — Ele hesitava ao falar e não olhava nenhuma vez para minha tia — Mas eu ouvi quando ela entrou. Ela não sabia que eu estava olhando.

— Olhando o que?— Ethan insistiu, todos fixaram os olhos nele, e quando espiei minha tia, ela parecia muito pálida.

— Ela estava no quarto de Jared… Procurava alguma coisa — falou. Eu gelei, e meu irmão pareceu mais do que chocado quando se levantou.

— O que? O que ela procurava? — perguntou indignado.

A juíza bateu seu martelo.

— Sente-se senhor Cooper.

Jimmy engoliu em seco, olhando para Ethan fixamente, esse mesmo assentiu como se lhe desse segurança, como se estivesse na hora de falar.

Ele respirou fundo.

— Ela mexia na caixinha que Hope deixou para Harlow… Uma que continha o diadema ao qual um dia me mostrou.

Sussurros começaram e eu tinha minha pele eriçada quando olhei para Amélia. Ela não mais olhava na direção da folha, e sim para mim, e eu vi ali em seus olhos o verdadeiro medo e pânico.

— Esta me dizendo que ela pretendia pegar a tiara? — perguntou Ethan.

— Sim. Acho que ela queria.

— Protesto meritíssima! — Antony se exaltou — Essa acusações contra minha cliente não tem nenhum cabimento. Nem mesmo foi apresentado uma prova.

Ethan se adiantou.

— As provas estão diante dos olhos de todos doutor. E tenho muitas delas aqui. — Novamente, Ethan nos apresentou novos papeis — Antes de encontrar a reportagem, eu tinha um grande problema com descobrir como ela era tão bem discreta. Mas então veio o óbvio. E se eu pesquisasse por seu nome materno? — Ele olhou para Amélia de canto — Foi quando encontrei o que precisava e vi a reportagem, eu tentei me inteirar sobre o que exatamente aconteceu naquela noite, mas não encontrei muitas coisas pelos pais do garoto Logan Galen, não queriam dar uma palavra, mas tomei a liberdade de ir a Nova York com um mandato para averiguar a fixa, que obviamente, Amélia havia deixado por lá. Na reportagem é deixado claro que Amélia foi internada em uma clinica psiquiatra, portanto era muito provável que haveria o nome da clinica que havia sido enviada. Isso aconteceu há vinte anos atrás, ou seja, Jared já havia nascido e Dana estava prestes a nascer. Jared estava em seus nove anos, mas me foi garantido que ele nunca viu sua tia antes de a irmã completar seus três meses de vida. O que me faz concluir que nesse meio tempo, Amélia estava internada… E vale ressaltar que meu cliente alega tê-la conhecido em um momento estranho, e que isso deixou sua mãe um tanto agitada. Quando finalmente encontrei a clinica em que fora internada, compreendi tudo — Ele nos apresentou um recibo, e ao ler, fiquei tremula — Amélia fugiu da clinica meses depois de ser internada, mais precisamente em 1997. Martir Cooper, a encontrou vagando pelas ruas e a levou para irmã, que de alguma forma, pode ter conseguido fazê-la retornar. Sua estadia la continuou por mais três anos. Saindo então justamente no ano de 1999.

— Oh Deus — Minha visão embaçou e senti a mão de Dana apertar meu ombro, como se quisesse me transmitir força.

— Em mil novecentos e noventa nove Harlow nasceu e Hope, infelizmente, veio a falecer. Mas isso não era o que me preocupava, e sim o fato de que, logo nos anos a seguir do luto, Amélia passou dois anos inteiros sem aparecer, ou dar uma noticia. Mas quando retorna, apenas porque seu pai faleceu em 2002, sua vida já esta um pouco mudada e percebemos isso na forma como passou a se vestir. Jared alega que desde o inicio, Amélia sempre foi “simples” e não exageradamente elegante. Isso muda depois desses anos, e ela fica diferente e com uma nova parecência, como se tivesse ganhado um bom dinheiro. Ela se muda para califórnia no ano seguinte, após a morte do pai, com sua mãe, e de repente meritíssima. Nós a vemos com uma casa enorme em Malibu quando nem herança seu pai deixou. Em 2004 a mãe dela morre, e seguidamente, em 2006, Martin vem a falecer com um câncer maligno, o que a faz voltar como guardiã dos sobrinhos. Mas ela não permanece com eles, desaparece de repente e deixa as meninas nas mãos de Jared, que com gosto, passou a ser tudo para elas. Então diga-me juíza Meredith, isso é algo que se espera de uma guardiã?

— Protesto! — Novamente, Antony estava mais do que exaltado — Ele está atacando minha cliente.

— Protesto negado. Prossiga dr. Corey — Ethan assentiu.

— Como dizia. Isso não é o que esperamos de uma tia, e por isso eu quis saber mais, e Jimmy me ajudou com isso. — Ethan se aproximou. — Eu descobri que Amélia Santino, é nada mais, que uma grande impostora e uma criminosa de mão cheia. Estarei agora, apresentando minhas provas a meritíssima se me for concedido a oportunidade de continuar a desmascará-la agora mesmo.

Meu ar se prendeu completamente na garganta, e enquanto a juíza olhava para Ethan, eu finalmente entendi por que me senti tão mal durante todo dia. O que aconteceria ali iria ferir, e deixaria uma cicatriz tão grande, que quase perdi a comando de todos meus sentidos.

Meredith ergueu seu queixo e o frio que me envolveu, foi quase sufocante quando ela disse.

— Oportunidade concedida dr. Corey.

~*~

Notas finais
POW! POW! É agora que vai ter treta de verdade. Quem acha que a Amélia vai se encrencar, comenta aqui. Por favor. Estava ansiosa para lançar esse cap, portanto não me deixem no escuro ok? A todos aqueles que comentaram no cap anterior, muito obrigada pela participação e empolgação, eu amo vocês. Estou ansiosa para saber o que acharam. Não demorem ok, Bjs meus caramelos ♥