Rude Girl
45 Capítulo 45 — Apolo
Notas iniciais
(Pov’s Harlow)
Não vou mentir que a primeira reação de todos ali, foi apenas olhar Caroline como se estivesse surtando. Mas, infelizmente, Caroline dizia a mais pura verdade. Apolo Levesque estava em princenton e pior, estava sendo barrado no aeroporto por algum motivo... Motivo esse que parecia ter sido excluído da conversa de Car, pois a mulher parecia prestes a explodir enquanto Jonah dirigia sua van e nos levava até o aeroporto. Jared estava a seu lado, com o olhar confuso, mas ainda sim, alisava sua mão enquanto a mesma não se cansava de olhar para o celular.
— Ele vai ficar bem Car — Damien murmurou, mas nem isso ajudou, pois ela parecia aflita demais.
— Só o fato de ele estar aqui já deixa as coisas ruins, Damien — resmungou ela, e o irmão virou os olhos como se soubesse exatamente o que ela dizia. E com certeza estava certa.
Na van, apenas alguns vieram para não criar nem um show no aeroporto. Jonah no colante, Lizze ao seu lado, Damien ao lado esquerdo de Jad, e Dana recostada perto de Jimmy. Ela ainda não tinha feito contato comigo, nem mesmo Jared, mas falava com todos ao redor. Não insisti de qualquer forma, e só me contentei em ajudar Damien e Caroline, que parecia a beira de um ataque de nervos enquanto fuçava em sua pasta atrás dos diretos de um cidadão, para o caso de Apolo precisar de amparo para seja lá o que ele fez.
Um pouco triste, dei um espiada em Lizze logo à frente. Nem mesmo haviamos aproveitado a festa, e ela ainda fez questão de vir ajudar. Assim como todos presentes, mas Car não queria uma multidão em volta quando fosse tratar do assunto com os policiais. Ainda sim, esse fato não impediu que todos meus amigos viessem. Até mesmo Liam nos seguia em seu carro logo atrás com Jodie, Jack e Stef.
— Falta muito? — Caroline estava agitada ao olhar para trás na direção de Jonah.
— Querida, você vai passar mal assim — Jared suspirou, acariciando seu ombro novamente — Deve ter sido apenas um mal entendido.
— Nada é um mal entendido com meu pai, Jared — Ela respirou fundo — Nada.
Vi o rosto de meu irmão ficar meio amedrontado, mas logo ele mudou sua expressão para ilegível, o que me fez sorrir sorrateiramente. Sabia que Jad estava morrendo de medo de encontrar o pai de Apolo, que agora, consequentemente, era seu mais novo sogro. Não lembrava do dia que Jared tinha ficado tão agitado por causa de uma pessoa.
O caminho até o aeroporto de LaGuarda foi longo e cansativo, ainda mais por que a cada cinco segundos, Car estava perguntando a Jonah se ainda estava longe. Quando finalmente chagamos, a mulher mal esperou que estacionasse, apenas abriu a porta e saiu com sua pasta e saltos de 15 cm até a entrada do aeroporto.
Damien suspirou.
— Isso vai ser interessante. — E balançando a cabeça, correu atrás da irmã enquanto descíamos da van. Liam e os outros estacionaram logo depois e pularam fora com uma Jodie mais do que animada.
— Onde ele está? Estava contrabadiando drogas? — perguntou com olhos arregalados de emoção. Liam bufou.
— Cala a boca, doçura.
— Ele não pode ter feito isso — Jared tinha uma testa franzida com desgosto, mas parecia realmente duvidoso.
— Ele pode apenas ter respondido mal a alguém — Stef tentou tranquilizá-lo, mas suas palavras não eram confiantes também. — Ou um passageiro fez uma reclamação, com certeza não é nada demais.
— Ele pode ter tentando pular do avião — divagou Jonah, e no mesmo instante todos nós o olhamos. Ele deu de ombros. — O que? Esqueceram que Car disse que ele é meio doido?
— Apolo não é doido — Contradisse, mas acrescentei — Acho que único é uma palavra melhor.
— Esse único quer dizer que ele é suicida? — Ergueu uma sobrancelha.
Sem esperar, Jimmy acertou em sua cabeça quando Jared passou a ter uma coloração um tanto pálida demais.
— Cala a boca, seu idiota.
— Jonah, isso não está ajudando — Resmungou Eloise, mas escondia um sorriso atrás da mão.
Jonah sorriu para ela.
— Não podemos excluir os fatos Jared — Ele foi até meu irmão e bateu em seu ombro. — Seu sogro pode ser um lunático psicopata. Por isso, meu companheiro, eu te desejo toda a sorte do mundo. E que Deus esteja olhando por você e sua família.
Jad ficou com os olhos um tanto arregalados para ele, e talvez fosse por esse motivo que Liam circulou seu pescoço e o puxou para longe.
— Não ligue para esse imbecil Jared, ele não sabe o que diz.
— Mas é claro que sei…
— JONAH! — O couro uníssono o fez fechar a boca finalmente..
Jared limpou a garganta desconfortavelmente.
— Bem… Eu vou… — Balançou a cabeça — Vou ir atrás deles.
Ele virou para a direção contraria esfregando o pescoço.
— O outro lado Jared! — Dana gritou rindo. Nosso irmão parou, olhou para onde ia, e corou fortemente ao notar que caminhava para a porta errada.
— Er, claro. Eu.. Merda — praguejou.
Sorrindo, assisti quando meu irmão praticamente correu atrás de Car para dentro do aeroporto.
— Ele esta surtando — Dana murmurou com humor.
Eu ri.
— Surtando é pouco... Espera só quando conhecer Apolo e ver que ele é mais difícil de cuidar do que a gente — falei, e ela me acompanhou com a risada.
Senti meu peito aquecer com essa pouca inteiração, e talvez ela tenha percebido, pois seu sorriso sumiu quando me olhou e ficou gélida novamente.
— Eu vou entrar — E se foi.
Encolhida, eu quis me virar e apenas ir embora, assim poderia evitar a sua ignorância. Ela doía. Doía demais.
— Hey. — Estremeci quando as mãos de Jimmy enlaçaram minha cintura e me puxaram para perto. — Não fique assim. Tudo vai se resolver , pequena.
— Eu espero que esteja certo.
— Todos nós esperamos — disse Jonah com um sorriso — Vocês são um saco brigados, sabia disso? — Fazendo careta, acertei seu ombro quando todos riram.
— Idiota.
— Também te amo — falou, e agarrou Lizze pela mão, virando-se em seguida para entrar no aeroporto. Sem outra opção, o seguimos e caminhamos juntos para a entrada.
O lugar estava cheio como sempre. Pessoas iam e vinham com malas e seus parentes aos calcanhares, havia crianças correndo e chorando. A voz da informante de voos era audível por todos os cantinhos do lugar, saindo do alto-falante — E os grandes telões no alto brilhavam com os horários marcados de cada voos adiado ou cancelado... Tudo muito normal, a não ser pela movimentação na porta em que as pessoas desembarcavam da Califórnia.
Quanto mais nos aproximávamos, mais notávamos pessoas resmungando e ficando alvoroçadas, algumas crianças até choravam como se estivessem com medo de alguma coisa, fazendo com que seus pais ficassem, de alguma forma, nervosos e preocupados enquanto discutiam com um segurança.
Encontramos meus irmãos parados atrás de Caroline e Damien, que ouviam atentamente o que o segurança falava. Os olhos de Caroline nunca saiam de cima dele e sua expressão era severa, ao contrario da de seu irmão, que parecia cheia de humor e, que a muito custo, tentava permanecer seria e sem nenhum indicio de que faltava muito pouco para que esse rolasse no chão de tanto rir.
Queria compreender o motivo de sua diversão excessiva e porque Car parecia tão chocada ao olhar o segurança. Seus atos não se coincidiam em nada.
— Onde está meu pai? — Ela perguntou ao guarda.
O homem falou.
— Venham comigo.
O guarda nos levou por entre os passageiros nervosos para um corredor fora de toda aquela confusão. Erguendo a sobrancelha, observei como Damie respirava profundamente, esfregando a nuca com o esforço que tentava para não rir.
Curiosa demais para permanecer quieta, soltei a mão de Jimmy e corri para seu lado, sabendo que meu ato acrescentou uma careta de desgosto no rosto do meu mais novo namorado.
— O que está acontecendo? — perguntei a Damie que estava começando a ficar vermelho — Qual é a graça da vez?
— Você já vai saber — Gaguejou ele e respirou fundo olhando para a irmã — Isso realmente, vai ser muito interessante.
Entender o que ele dizia, estava mais do que difícil, mas não era como se tivesse precisado esperar por muito tempo, pois o guarda finalmente nos fez parar de frente para um porta branca.
Ele olhou Caroline.
— Meu superior está com ele.
— Eu agradeço a ajuda — Acenou Car, e sem mais esperar, abriu a porta para que então, permanecesse congelada no lugar como uma estua.
Trocando olhares curiosos com meus amigos, assistimos o rosto da loura mudar de nervoso, para carinhoso, mas tão rápido quanto podia ser possível, dureza cobriu-lhe a face, esconde seus sentimentos. Jared a observava, conhecendo suas facetas, e podia deduzir aquele olhar cheio de brilho, significava admiração pura.
— Com licença — Car pediu batendo levemente na porta.
Um instante depois veio o grande susto. Um ruído que mais parecia um choramingo de emoção e ansiedade, veio da sala, e no momento seguinte, uma exclamação animada de um alguém que conhecia muito bem.
— Carol! — Caroline estava em volta de dois braços fortes e bronzeados horas depois, dando a passagem finalmente para que todos vissem, o tão famoso Apolo Levesque.
Eu não estava esperando que a reação de meus amigos fosse diferente da daquela que eu vi, mas ainda sim, foi mais do que divertido assistir.
— Esse, é o tal Apolo? — Jimmy mirou o homem dos pés a cabeça e os mudou na direção de Damien, fazendo careta. — Não é grande coisa — bufou. Eu ri.
— Oh, minha nossa — Dana foi a primeira das meninas a suspirar.
— Ah, meu Deus — Eloise foi adiante quase babando, assim como Jodie e Stef que ficaram paralisadas no lugar, com olhos arregalados e bocas abertas. O brilho da admiração nas íris de cada uma enquanto Liam, Jonah e Jack, se tornavam emburrados.
— Ei, eu não gosto disso — Jackson resmungou aos garotos.
Eu tive que rir. Afinal, eu não tirava a razão delas ficarem com vontade de babar no carpete do escritório do chefe da segurança. Pelo contrario, eu mesmo já tive meus momentos quando conheci o pai de Damie, e ainda sim, era impossível não olhá-lo.
Com seus um e oitenta e dois de altura, Apolo se sobressaia no meio daquela sala, a estrutura óssea de seu corpo impressionante era trabalhada com o tamanho certo de músculos. Seu sorriso era tão luminoso quanto os fios revoltos de seu cabelo dourada. Se pudesse apostar, diria que aquele homem era o maior dentro daquela sala, comparado a ele somente sua cherox, Damien, que tinha um e oitenta.
— Ele é magnifico — suspirou Lizze.
— Eloise — Jonah grunhiu.
— Olha esse sorriso — murmurou Stefany, encantada.
— Você não devia olhar para o sorriso dele, Stefany — reclamou Jackson, mas ela completamente ignorou e tentou empurrá-lo para o lado quando esse tentou lhe tampar a visão.
Jodie pigarreou, sem ouvir ninguém.
— Sorriso? Quem liga para o sorriso com todo aquele corpo — falou tombando a cabeça para o lado para tentar ver por trás de Apolo. Sua tentativa foi falha quando Liam rosnou, se colocando na frente.
— Pare com isso — reclamou. Não funcionou.
— Agora sei da onde Damien puxou — Soprou Eloise, e ao meu lado, Damien riu quando Jonah a puxou com eterno desgosto.
— Esse homem não pode, definitivamente, ser real — sussurrou minha irmã um pouco atordoada. Jared virou os olhos, encarando as garotas presentes quase completamente derretidas na sala.
As meninas estavam fascinadas e os garotos loucos da vida. E isso era absurdamente engraçado. Até mesmo Jimmy estava incomodado, e percebi isso quando ele chegou perto de mim e circulou minha cintura com os braços, olhos fixos no pai dos gêmeos.
— Pai, por favor... Está me sufocando — Car resmungava ao ser apertada pelos braços fortes e depois beijos estalados nas bochechas. Mais suspiros foram ouvidos seguidos de grunhidos de aviso dos meninos — Pai!
— Ah querida, você está tão bonita. Claro que sempre foi bonita, mas hoje está uma princesa... Não. Uma rainha! Minha garotinha — E beijou-a novamente.
Os risinhos à volta foram às únicas coisas que fizeram com que ele notasse as de mais pessoas na sala.
— Filho! — Ele soou tão alegre quanto antes quando Damien sorriu, e caminhou para ele, deixando-o que esse o abraçasse — Você me fez falta garoto. Sabe como foi difícil ter que concertar minha moto quando ela quebrou?
— O que?! — Os olhos de Car estavam arregalados.
Damie sorriu.
— Posso imaginar pai.
— O senhor mexeu com ferramentes em uma moto? — Ela estava horrorizada, mas Apolo não parecia perceber ao dizer.
— Sim. Sim. Mas acho que não deu muito certo — Seu rosto se tornou pensativo — Aposto que danifiquei o motor, pois ele simplesmente explodiu minutos depois de ser ligado.
— Oh céus! — Car oscilou.
Damien gargalhou.
— Com licença — O superior do guarda ao qual nos acompanhou, chamou nossa atenção. Pela sua expressão, algo muito seria devia ter ocorrido, do contrario a impaciência e o desgosto não estariam fixados em cada detalhe de sua expressão. — Você é parente desse... homem? — Olhou Apolo com tanta raiva que o pobrezinho se encolheu.
Foi à cena mais engraçada que já vi na vida. Um homem com aquela estrutura, encolhendo-se por causa do olhar de outro cara que era apenas metade do seu tamanho.
— Sou filha — Car se colocou na frente do pai, como se que quisesse protegê-lo do olhar duro do chefe — Caroline Levesque.
— Sou o capitão Rock. Desejam sentar? — Perguntou, Car ignorou.
— O que aconteceu? Por que meu pai está aqui?
— O que aconteceu? Meu segurança não lhe relatou nada? — O homem tinha dois olhos ardendo com nervosismo, tinha uma cabeça raspada e usava um uniforme estranho na cor branca e preta. Ele apontou para Apolo freneticamente — Esse homem causou um tumulto dentro do avião durante toda a viagem! Descumpriu as regras. Entrou na cabine dos condutores e amedrontou os passageiros! Ele causou mais discórdia do que nunca antes de sequer pousarmos.
O silencio que se seguiu foi intimidador. Mas não por causa do capitão, mas sim por que Caroline dirigia um olhar maligno ao homem que poderia ser capaz de queimar a qualquer um.
— Eu já disse que apenas queria a solzinho — resmungou Apolo.
Todos nós viramos para ele, que arregalou os olhos pela atenção.
— Solzinho? — Jared tinha uma sobrancelha erguida para ele.
Apolo assentiu e atrás da mesa, o capitão grunhiu com irritação.
— Fique calado! Você fez o suficiente aqui — ordenou, e mais uma vez Apolo pareceu uma criança magoada ao lado de Damien.
Os ombros de Caroline subiram e as costas ficaram rígidas. O olhos se tornando tudo que alguém podia temer. Lentamente, ela caminhou para mais próximo da mesa, sem nunca partir o olhar com o capitão.
— Primeiramente, capitão, eu quero que abaixe seu tom com meu pai, ou farei com que se arrependa profundamente de ter me conhecido. — Seus olhos brilharam — Segundo. Se você quer ter alguma voz aqui, aja com calma, e não como se fosse saltar sobre o homem a qualquer instante. E por favor, peça desculpas a ele, sinceramente.
O rosto do capitão estava tão vermelho, que achei que iria explodir.
— O que?! Eu, pedir desculpas a esse...
— Ah! — O dedo de Car ergueu e um sorriso se formou em seus lábios — Pense bem antes de falar capitão.
— Querida, está tudo bem — Apolo não mais parecia magoado, agora olhava a filha como se fosse sua heroína — Eu não me importo...
Car o interrompeu erguendo a mão.
— Então capitão. Creio que não ouvi suas desculpas — Ela falou — E acho que não irá querer uma denuncia ao seu nome sobre como ofendeu um passageiro. Independente se esse passageiro fez algo não... Autorizado.
Se olhares matassem, Caroline com certeza já estaria mortinha da silva. O capitão só falta saltar da onde estava para circular seu pescoço, e como se pensasse na mesma coisa, Jared, de cara fechada, colocou-se logo atrás dela, mandando um olhar frio de aviso ao capitão, que ao notá-lo, fechou a mão em punho.
Relutante, ele olhou para Apolo.
— Desculpe por... ofendê-lo...
— Senhor Levesque — Acrescentou Caroline, induzindo-o. O capitou comprimiu os lábios e meus amigos riram logo atrás.
— Desculpe por ofendê-lo... Senhor Levesque.
— Tudo bem cara — Apolo sorriu — Todos temos dias ruins.
Damien bufou uma risada.
Caroline sorriu satisfeita.
— Ótimo. Agora... — Ela olhou o pai — Me expliquem o que aconteceu.
Apolo começou a abrir a boca, mas não era como se tivesse chegado a dizer algo, pois o capitão se apressou, e falou:
— Ele soltou um rato dentro do avião! — disse indignado.
Car piscou.
O tempo passou.
Mas ninguém sequer falou até que Caroline murmurou.
— Desculpe. O que?
Tanto ela quanto todos encararam o capitão como se fosse louco, mas estamos falando de Apolo, então nada daquilo poderia ser uma loucura. Um acidente. Mas nunca loucura.
— Ela não é um rato! — Apolo, pela primeira vez, soou completamente indignado e nervoso, e fiquei impressionada com como ele pareceu ainda maior quando estreitou os ombros — Eu já disse um milhão de vezes!
— E aposto que foi dito um milhão de vezes que animais ficam presos no bagageiro, juntos aos outros. — O capitão rebateu.
Apolo fez uma careta.
— Eu não podia deixá-la lá sozinha, poderia ficar com medo dos bichanos. Ela é tão pequenina para enfrentar uma viagem sozinha.
— É. Um. Rato! — O capitão disse lentamente e jogou as mãos para o alto.
— Ela não é um rato!
— Já chega! — Caroline ficou em meio aos dois, os olhando com impaciência e então para Apolo — Do que ele está falando? Que rato é esse?
Apolo fez um biquinho adorável que só o deixou mais lindo e fez todas as meninas, incluindo a mim mesma, suspirar como bobinha apaixonada.
Jimmy me beliscou levemente no quadril.
Ops!
— Ela não é um rato, querida, veja — Ele se virou e caminhou até a mesa do capitão, ele se abaixou, e de lá ele tirou uma gaiola azul que continha uma bola felpuda no meio, os cabelinhos eram uma mistura das cores marrom, preta e branca, que prevalecia espetando por toda a volta. Fiquei chocada quando Apolo abriu a gaiola e pegou a bola de pelos — que não era realmente uma bola — e estendeu para Caroline, que olhava aquilo sem um reação que podia descrever.
— Essa é solzinho — disse alegremente Apolo — E ela é o meu presente para você, Carol.
Os olhos de Caroline aumentaram um pouco e ela encarou o rosto do pai com choque, ao meu lado, Damie com certeza não suportou mais segurar, pois escorregou pela parede até o chão, rindo e soluçando.
— O senhor me trouxe um rato? — Car estava parada.
Apolo suspirou.
— Querida, eu já disse, não é um rato. É um porquinho da índia — Ele sorriu lhe estendendo — Eu queria um presente para você, e achei ela a sua cara. Olha só os pelinhos dela, são tão revoltos que acabei lembrando de quando você acorda... Seus cabelos ficam exatamente da mesma forma adorável. Você gostou?
A essa altura, Damien não era o único a se afogar em risos. Jodie mergulhava nos braços de Liam enquanto os outros escondiam sorrisos atrás das mãos, tentando, a custo, serem discretos. Até mesmo Jared não estava escapando, e olhava Caroline com o humor de uma criança.
— Ele tem razão sabe — falou para a surpresa da namorada e encarou o porquinho da índia — São bem parecidas.
Car deixou a boca cair.
Damien soluçou.
— Oh Deus... pare... eu não aguento.
— Carol — Apolo abaixou o porquinho da índia e encarou — Eu conheço essa expressão. Você não gostou, não é? Eu sabia que devia ter trazido um cachorro.
— Um ca-cachorro — Car gaguejou.
— Desculpe querida. Eu só querida trazer algo para você depois de tanto tempo sem nos vermos e... Não podia imaginar que iriam querer colocá-la nos fundos do avião com animais que poderiam ser selvagens e atacá-la. Não pude permitir isso. Então eu a coloquei em minha bolsa escondida, mas acho que ela não gostou da ideia, porque esperou que me distraísse e saiu para dar uma volta no avião — Um sorriso infantil cresceu em seu rosto — Você precisava ver como ela corria por debaixo das cadeiras com essas patinhas pequeninas. Foi quase impossível pegá-la, se não fosse pela trilha de pão que fiz no corredor, nunca a encontraria.
— Viram! — O capitão apontou para Apolo — Ele é louco!
Caroline não disse nada sobre a ofensa dessa vez, pois olhava para os esbugalhados olhinhos do porquinho da índia. Em seguida mudou a visão para o pai, que acariciava o animal com tristeza, lamentando para si mesmo por ter escolhido um mal presente e por ter causado problemas novamente. Ele era tão completamente doce que quis apertá–lo. E com certeza não era a única.
Aos poucos, Car foi voltando a si, e respirando fundo, ela se aproximou do pai e franziu o cenho para o porquinho da índia.
— Qual o seu nome, mesmo? — Apenas essa pergunta fez com que o pai se iluminasse, e ele estava estendendo o bichinho para ela novamente.
— Solzinho, porque os pelinhos delas me lembram seu cabelo e o seu cabelo é dourado como o sol. Você gostou? — Caroline piscou, e então, ela riu, balançando a cabeça e alisando o braço do homem enorme.
— Claro pai. — Beijou seu rosto — Eu adorei. Muito obrigada.
Os olhos do homem ficaram alagados de lagrimas tão depressa que me preocupei que talvez estivesse sentindo alguma dor, mas Car não se afligiu, só sorriu com carinho.
— Por que não vai com Damien e meus amigos para a fora? Assim posso tratar desse mal intendido com o capitão. Aproveite e apresente solzinho a todos.
— Sim! Como quiser querida — Ele beijou sua testa e pegou gaiola de solzinho. Damien, ainda ofegante por conta da risada, se levantou e passou um braço em volta do pescoço do pai, sorrindo mais alegre que nunca.
— Vamos meu velho. Vou lhe apresentar o pessoal.
~*~
No final de toda a confusão no aeroporto, todos finalmente conseguimos levar Apolo para minha casa. Mas não posso dizer que foi relativamente fácil, pois na maior parte do tempo, as garotas discutiram quem sentaria ao lado de Apolo na van, mesmo as que vieram com Liam no carro, pareciam afoitas por uma palavra do pai de Damie. Era hilario. Ainda mais quando todos os meninos ficavam revoltados por todos nos estarmos centradas em apenas tratar do novo visitante.
Quando todos estavam em seus lugares — Lizze e Jodie agarradas nos braços de Apolo e Stef aos seus pés apoiando o queixo em seu joelho — seguimos apertadamente de volta. Car estava ao meu lado com Damien, enquanto, relutantemente, Jimmy e os outros garotos foram no carro com Liam, que eu esperava não cometer suicídio, pois conseguia ver pelo retrovisor da van o quão rápido ele dirigia.
Esperava que ele não matasse minha irmã e meu namorado que estava com ele, apenas por que Jodie estava, literalmente sendo doce com outro homem lindo e glorioso. Os gêmeos ali não pareciam incomodados com os gracejos que o pai recebia, pelo contraio; Damien parecia mais feliz que nunca desde que colocou o pé em Princeton, olhava para o pai com saudade e poderia arriscar dizer que ansiedade também. Meu amigo gostava da companhia do seu velho, e a alegria em seus olhos só me fazia ver como tinha estado desatenta com a forma que ele poderia estar sentindo falta de casa, mesmo que tenha passado apenas treze dias desde que chegamos aqui.
Caroline não era diferente de Damien, por mais que em seus olhos uma pontada de preocupação ainda estivesse brilhando por causa da forma que o pai apareceu, ela estava tão feliz quanto o irmão, porém uma coisa que já tinha aprendido ao observá-la, era que Car não demonstrava facilmente seus sentimentos, apenas mudava sua expressão seria e dedicada, quando realmente não conseguia se segurar, e talvez achasse essa parte um pouco semelhante a personalidade austera de Amélia. Elas eram figuras fortes, mas que só se mostravam quando se sentiam muito seguras e a vontade.
Como agora.
Caroline não parava de olhar a gaiola no colo do pai com emoção não contida, e essa mesma misturava-se com incredulidade e surpresa apreciativa. Car tinha gostado do esforço do pai para agradá-la, mesmo que essa coisa tenha criado uma confusão dentro de um avião com muitas pessoas. Acho que naquele instante, tudo que importava para ela, era que seu pai estava seguro e a salvo, sem nenhuma confusão ao seus pés.
E foi pensando nisso, que segui a viagem para casa, e ao chegar, as meninas já sabiam metade da vida de Apolo e até mesmo o fizeram dizer a cor de sua sunga quando ia trabalhar. Jonah e Jared engasgaram por horas logo a frente, e depois transferiram broncas por causa da nossa falta de educação com o pai de Car. Mas não era como se ele se importasse, pois respondeu todas as curiosidades das minhas amigas babonas, com um sorriso lindo no rosto.
Quando estacionamos não demorou para que cada uma de nós fossemos abordadas por garotos resmungões e grudentos. Jimmy me apertou tanto quando pulei da van, que tive de acertá-lo no peito.
— Pare de ser assim! — reclamei o empurrando.
Ele fez um bico nervoso e adorável.
— Você que devia parar de secá-lo como se fosse um pedaço de carne fresca — contradisse, e eu tive de me segurar para não rir.
Ao contrario de Damien, que passava por nós quando Jimmy falou. Ele gargalhou alto.
— Eu desistiria. — falou a Jimmy — As garotas nunca se cansam de olhar os belos rostinhos Levesque. Certo pai?
— O que? — Apolo levantou a cabeça distraidamente. Ele tinha se sentado na varanda com Solzinho e estava lhe paparicando.
Eu sorri. Jimmy bufou.
— Qualquer dia, eu irei danificar o sorriso bonito desse cara — sussurrou em meu ouvido. Resolvi que devia ignorar o arrepio que desceu minha espinha e o acertei no estomago com o cotovelo.
— Se comporte.
Ele riu perigosamente.
— Estou bem comportado. Por enquanto.
Damien apareceu entre nós de repente, sorriso de orelha a orelha ao se apoiar em nossos ombros.
— Ele é tão bruto. Caramelo, como foi encontrar alguém tão selvagem? — zombou, e eu não pude deixar de rir.
Jimmy rosnou em aviso e se afastou rudemente, fazendo careta ao meu amigo.
— Encosta em mim de novo, e perde seu braço.
— Rude. Tisq. Tisq. — Balançou a cabeça — Completamente rude e violento.
— Vai pra merda — Ladrou Jimmy.
E aquilo estava mesmo interessante, mas tive de encerrar a conversa para que pudéssemos recolher as malas de Apolo e levá-las para dentro de casa, pois assim que Caroline fez menção de alugar um apartamento para que ela ficasse com o pai, Jad se opôs e sugeriu que ele ficasse conosco, já que a metade do tempo Caroline também parecia passar em nossa casa desde que começou a se relacionar com meu irmão.
Demoramos umas horinhas para organizar as malas, ainda mais quando descobrimos que Apolo havia resolvido trazer algo que não iria usar por um tempo, e que nos fez ficar um pouco confusos.
— Pai… Por que você trouxe isso? — indagou Damien, olhando questionador para a grande prancha azul deitada no nosso sofá.
Apolo se aproximou com seus mais novos chaveiros. As meninas não se cansavam nunca de olhá-lo.
— Eu não podia deixá -la para trás filho. Não iria poder limpá-la todo dia de manhã como sempre faço — murmurou animado — Sem falar que eu pretendo pegar as manhãs na praia.
Nós paramos o que estávamos fazendo no mesmo instante. Delicadamente, me dirigi ao homem enorme.
— Er… Apolo… Co-como pretende ir a… praia? — Questionei. Ele se virou, e ao meu olhar seus olhos estreitaram e então ele sorria mais largo que nunca. Como se só agora ele tivesse me reconhecido durante toda a nossa viagem até qui.
— Harlow! Querida. É você! — Arregalando os olhos, me assustei quando de uma hora para outra, os braços fortes de Apolo estavam a minha volta e… Ah meu Deus. Ele era tão absurdamente quente e… Ooooh. Ele tinha músculos bem fortes.
— Ai meu Deus. Ai meu Deus.— Ao fundo, Eloise gritava e se abanava — Eu também quero ser abraçada!
— Nem pensar! — Jonah apareceu logo atrás da loira e a afastou rapidamente.
Aaaah. Aquele perfume…
— Ah. Minha nora querida, como não tinha a notado aqui? — Muito toque. Muita pele. Toque quente… ahhh. — Como você esta? Damien tem lhe tratado bem certo? Se não estiver é só me avisar…
Ele foi rudemente interrompido, assim como meus pensamentos sórdidos de querer me derreter dentro dos braços daquele homem.
Ainda muito confusa, fiz careta para pessoa que me afastava tão insistentemente daquele deus, pretendia chutá-lo até que me deixasse voltar para onde estava antes, mas perdi os pensamentos quando dei de cara com o rosto vermelho escarlate de Jimmy. A insatisfação e fúria ali me fez engolir em seco, mesmo que ele não estivesse olhando necessariamente para mim, e sim para Apolo.
— Ela malditamente não é sua nora — grunhiu. Apolo piscou.
— O que? Claro que é… Damien é seu namorado e…
— Não — Dessa vez Jimmy rosnou, e parecia prestes a explodir, e ter Damien sorrido do sofá como um idiota, só o enchia de mais raiva.
— Vamos deixar as coisas claras aqui — Ele falou perigosamente baixo — Harlow é a minha namorada, e Damien não tem nada com ela. Nunca mais fale algo parecido.
— Será mesmo Jimmy? — Damien provocou da onde estava, mas depois senti o meu coração dar um pulo quando os braços de meu doce, e implicante amigo, me cercou, abraçando-me forte contra ele. — Caramelo e eu formamos um belo par. Diga a ele, querida. — Eu nem sequer cheguei a responder, pois estava preocupada que Jimmy tivesse uma sincope, ou que se tornasse um assassino ali mesmo.
Eu não tive que contar até dez para ele cair na provocação de Damien.
— Seu… Tire as mãos dela! — Rugiu, e vinha para cima dele como um touro.
Rapidamente, me livrei das mãos de Damien e me apertei contra seu peito no meio do caminho, o empurrando para trás.
— Jimmy!
— Eu vou matá-lo.
— Não vai. Eu não o quero na cadeia.
— Adoro brigas de casais — Murmurou Jodie ansiosamente.
— CALA BOCA JODIE — Meus amigos gritaram.
Eu bufei, empurrando Jimmy com mais força para que ele tropeçasse desajeitadamente para trás. Eu não tinha tempo para isso. Havia uma audiência se aproximando, tinha que me preocupar em como faria as pazes com meus irmãos, fugir das ligações de Amélia e cuidar para não enlouquecer. Não estava indo tratar de crises de ciumes do meu namorado e provocações do meu amigo.
— CHEGA! — Exigi mais alto. Foi bom, os manteve quietos, mesmo que isso tenha chamado atenção de meus irmãos e Car — Muito bem — Respirei fundo e olhei para ambos os garotos com as mãos no quadril.— Vamos deixar as coisas claras aqui. Damien. Mantenha suas provocações para si. Jimmy, pare com esse maldito ciumes, e Apolo… Eu não estou mais namorando Damien.
— O que? Mas por que? Eu… vocês…— O pobrezinho parecia desolado.
Jimmy voltou a ficar ao meu lado, tinha uma cara feia, mas parecia controlado ao pegar minha mão e apertar.
— Por que agora ela é minha namorada — falou, enfatizando bem firmemente a palavra “minha”.
Apolo olhou de mim para o filho com olhinhos de cachorro.
— Mas… O que aconteceu? Vocês pareciam tão felizes juntos.
Da onde estava, pude notar como Damien acabou por dar um meio sorriso triste e então abaixou os olhos, isso me fez falar por ele.
— Nós somos felizes juntos — Seus olhos ergueram para mim e eu sorri de lado — Ele é meu amigo. Não existe chance de não ser feliz ao seu lado.
Devagar, seus sorriso estreitou, e aos poucos ele voltou a ser o cara alegre de antes. Ele riu e me deu uma piscadela.
Se aproximou do pai e o circulou com o braço para bater levemente em seu ombro.
— É verdade pai. Nós somos melhores assim.
— Mas e você …
— Não se preocupe comigo — Damien sorriu radiante — Afinal, eu não sou perfeito o suficiente para conseguir outra namorada? Eu sou perfeito, certo?
Com essa declaração, todos riram e claro, as garotas suspiraram em acordo, mas é claro que Jimmy apenas virou os olhos como se descordasse.
— Claro que é meu filho — Apolo olhou em volta — Talvez possamos ir a praia amanhã, assim pode ver mais garotas e…
O sorriso fugiu do rosto de todos e até mesmo Damie olhou o pai com confusão.
— Pai, não temos como ir a praia — falou suavemente.
Apolo franziu o cenho, se afastando um pouco.
— Como assim não temos? Eu preciso de praia! Como vou surfar? Como vamos nadar?— Seus olhos arregalaram — Não temos areia ou sol? Damien!
— Hei. Calma ai — O filho balançou seu pai como se quisesse que ele acordasse do seu momento desespero — Estamos em princenton Para irmos na praia mais próxima teríamos uma demorada viagem de carro a nova york. Não vale a pena.
— Mas… — Apolo estava nem um pouco conformado, na verdade ele estava arrasado.
Suspirando, me movi para ficar perto dele e o toquei no braço, sorrindo.
— Não fique triste Apolo. Pode encontrar outras coisas para se divertir, e tenho certeza que Damien pode lhe mostrar a maioria delas,
— Mas eu amo praia — choramingou, e eu ri por sua doçura não intencional.
Queria poder apertá-lo.
— O que está havendo? — Viramos.
Caroline estava de volta junto com meus irmãos e avaliava o pai, que agora resmungava sozinho como estava triste por não poder ir a praia.
— O que foi? — perguntou Jad o observando com curiosidade.
Eu sorri.
— Ele está triste por não temos praia por perto — falei.
Os lábios de Caroline torceram para cima com humor.
— Pai, se o senhor não queria ficar sem a praia, por que veio aqui tão de repente?
Apolo deu de ombros desanimado.
— Eu queria ver vocês e... — Ele se deteu, e como se isso fosse algo irrelevante de repente, ele encarou a filha — Damien falou que você está namorando.
Vermelhidão cobriu o rosto de Car e Jared, que ao seu lado, arregalou os olhos e engoliu em seco por todos os minutos que Caroline ficou calada, mandando um olhar matador ao irmão.
— Ele disse é? — Damie mandou beijos por cima da cabeça do pai, enquanto Car torcia os dedos.
Apolo assentiu e cerrou os olhos como nunca tinha visto antes. Pela primeira vez desde que o vi, ele parecia um homem adulto com um olhar negro percorrendo amedrontador, e que os percorria sobre todos os homens no recinto como se quisesse detectar o perigo próximo a sua querida filha.
— Qual deles é o escolhido? — perguntou pensativamente.
Jad parecia branco como papel. Car limpou a garganta,
— Pai eu… Sera que não podemos resolver esse assunto depois e…
— Quem é? — Apolo não mais sorria e encarava a filha com insistência que chocou todo mundo, menos os filhos claro, que com certeza conheciam todas a façanhas do pai. Seja o destra ido, o descuidado, carinhoso, ou o pai protetor. Todos em uma pessoa só.
Hesitante, meu irmão deu um passo a frente e pegou a mão de Car, que olhou-as como se tivesse sido pega de surpresa.
Jared tentou um sorriso amigável.
— Eu sou Jared, senhor Levesque. Irmão da Harlow, e nesse momento, eu sou o culpado — Ergueu uma mão para que Apolo apertasse. — Sou o namorado de Car.
Apolo o encarou, apertando os olhos ao alcansar sua mão.
— Humm. Jared — Ambos se encararam, e Apolo deitou a cabeça de lado, mas seu olhar não tinha nada de adorável agora, conseguia ver apenas zelo pela filha, e proteção. — Estava curioso para conhecê-lo.
Jad sorriu sem graça.
— Espero que não tenha feito má impressão.
— Ainda não o conheço para saber — Ele foi direto.
Caroline ofegou.
— Pai!
— Quantos anos tem? — Apolo a ignorou.
Jared respondeu rapidamente.
— Vinte e oito, senhor.
— Um pouco velho para minha garotinha — Ele resmungou fazendo careta, Caroline deixou o queixo cair.
— Pelo amor de Deus, pai. — gemeu escondendo o rosto corado com as mãos.
Jared, por mais incrível que parecesse, riu.
— Devo concordar. — Jad suspirou e flexionou os ombros — Estou começando a sentir as tensões da idade.
A risada que desprendeu da garganta de Apolo serviu como sinal de alivio para Caroline, e principalmente para Jad, que parecia bem nervoso sobre a opinião de Apolo sobre o namoro dele e sua filha.
Quando os risos acabaram, Apolo respirou fundo e disse a Car.
— Acho que ele serve por enquanto. — Voltou a sorrir largo e beijou a testa dela — Parabéns querida. Agora que tal comermos algo? Estou faminto.
Ele não precisou dizer duas vezes. Na primeira vez Jared já tinha oferecido ao novo sogro sua poltrona favorita para sentar, e no instante seguinte, estava puxando Dana para que o ajudasse no jantar. O tempo correu depressa enquanto conversávamos. Apolo relatou sobre sua aventuras quando mais jovem com ansiedade, e as vezes algumas eram recentes, como o fato dele ter quebrado a janela da sua própria casa, ao tentar concertar a fechadura emperrada. Mas quebrar a janela não foi o que nos deixou chocados, e sim a forma que ele fez isso.
Em suas palavras, ele estava completamente distraído, e isso fez com que sua famosa falta de equilíbrio o derrubasse contra a vidrassa, que se partiu assim que ele atravessou. Caroline quase teve seu coração para fora da boca enquanto procurava por algum ferimento grave. Quando Jad e Dan terminaram e serviram o almoço, todos nós nos sentamos nos chão aos pés de Apolo, que estava sentado na poltrona gloriosamente com um prato na mão enquanto nos contava como foi que acabou por escolher ser salvador de vidas quando era tão desajeitado.
Na hora ele deu um sorriso triste, mas então disse.
— Eu não poderia fazer outra coisa — Ele olhou para sua prancha de surf, que Jad havia colocado próximo a janela — O mar é meu lugar. Por mais desastrado que eu seja. Sei que posso acabar me matando qualquer dia desses, e acreditem, não faço de propósito. Mas eu me sinto bem ali, na praia, com o sol quente pulsando na minha cabeça e a água me envolvendo quando salto para ir fazer meu trabalho… — Um suspiro lhe escapou dos lábios — É estranho, mas eu acho que sou mil vezes melhor salvando alguém, do que salvando a mim mesmo.
E fazia o total sentido. Damien havia me falado como seu pai nunca perdeu uma pessoa no mar, contou como ele nunca se envolveu em nenhuma alga marinha enquanto nadava para poder salvar outra pessoa. Ele era bom nisso, mas apenas com os outros, e não consigo mesmo.
— Ora, mas você não precisa se preocupar — Car interrompeu os pensamentos sinceros do pai e o acariciou no ombro — Você salva as pessoas, que eu e Damien nos empanhamos em salvar você. Apenas… pegue leve conosco.
O pai riu, abraçando a loira, forte, e a puxou para que se recostasse no braço da poltrona. Damien logo atrás, sorria para a imagem.
— Eu tento querida — falou. E olhou em volta. — Não sei se decorei o nome de todos vocês. Você tem uma grande família Harlow.
Sorrisos foram transmitidos. Eu ri.
— É grande, louca, e perfeita para mim — falei, e uma porção de exclamações e mãos atrevidas vieram me apertar em provocação.
— Nós temos um cubinho de açúcar gente — brincou Jack, e eu lhe mostrei a língua.
— Vão pro inferno.
— Ah — Risos. — Essa é nossa verdadeira Harlow.
— Gosto dela dos dois modos — falou Jimmy sem se conter, e também foi bombardeados por comentários de curtição dos nossos amigos idiotas. Mas eu não me importava, tanto que não conseguia parar de sorrir ou afastar os braços de Jimmy que me prendiam.
Com mais duas horas de conversa, meu celular continuou tocando com o numero de Amélia brilhando. Isso até que a bateria caiu e não existia forma de ouvir ou atender ao seu toque insistente. Fiquei aliviada.
Um pouco mais tranquila, observei Apolo interagir com todos até que de onde estava, consegui pegar como Eloise bocejava e começava a se aconchegar no ombro de Jonah, fechando os olhos com cansaço. Preocupada e com medo que o excesso de esforço do dia a fizesse passar mal, sai do berço dos braços de Jimmy e engatinhei até ela. Jonah sorriu para mim.
Com suavidade, toquei o nariz dela. Ela abriu os olhos e sorriu.
— Hey — Bocejo — Acho que estou acabada por hoje.
Sorri um pouco.
— Com toda razão. Agora anda por dois, lembra? — Totalmente por impulso, levei a mão a sua barriga.
Lizze piscou e cobriu minha mão, mordendo o lábio nervosamente.
— Acha que vou conseguir? — perguntou baixinho.
Troquei um olhar com Jonah, que suspirou tristemente.
— Claro que vai — Olhei em seus olhos — Você é Eloise Phoenix. Você dá um jeito e não desiste. Entendeu?
Com lágrimas nos olhos, ela assentiu. Jonah beijou sua testa.
— Eu vou estar aqui, anjo. — falou e Lizze fungou com um sorriso — Eu não vou nunca, deixar você. Vamos conseguir juntos. Ok?
Ela balançou a cabeça positivamente.
— Ok.
Quando ela o abraçou, e permanecemo assim, mas depois pedi para que Stef e Jodie a acompanhasse para meu quarto, assim ela poderia descansar em minha cama enquanto eu preparava os lugares na sala para todos dormirem. Jonah fez menção de ir junto, mas ela negou, e permitiu que ele ficasse conosco só enquanto ela tomava banho e se arrumava para dormir. Assim que as meninas sumiram, o silencio reinou, tudo porque Jonah não conseguia se manter parado no lugar por causa da distancia entre ele e Lizze.
— Quer dizer que alguém vai ser pai? — Apolo perguntou de repente, e apenas isso fez Jonah travar quieto onde estava. Ele tinha dois olhos arregalados.
Apolo riu.
— Uau. Sua expressão é totalmente desesperada.
— Pai — Car tentou não ser grossa — Não seja indelicado. Jonah descobriu a pouco tempo.
— Ah — A luz nos olhos do surfista era enorme — Deixa-me adivinhar. Um acidente no meio do percurso?
Jonah engoliu em seco e alisou o cabeça nervosamente.
— Sim. Acho que se pode dizer isso.
— Assustado? — Ergueu uma sobrancelha.
Jonah ficou mudo, mas a resposta estava em cada gesto seu. Na forma como se encolhia, como alisava o cabelo repetidamente, e como desviava os olhos. Nosso amigo estava amedrontado. E Apolo o observava atentamente, como se soubesse de tudo.
— Deixa-me falar um coisa — Ele se inclinou para frente, colocando os braços nos joelhos — Aposto que já ouviu muito de varias pessoas que ser pai, é um grande compromisso.
Jonah assentiu. Apolo continuou.
— Bem, ok. Pelo menos você entendeu isso mais depressa que eu — sorriu. Jonah piscou.
— O que quer dizer? — perguntou.
O surfista olhou para os filhos.
— Acha que esses dois foram uma coisa planejada? — Ele riu. — Nem de longe. Eu não era, e acho que nunca vou ser, completamente responsável pelos meus atos. Eu tenho esta mania de me meter em encrenca e ter que recorrer a minha garotinha, aqui. — Abraçou Car, que sorriu devolvendo o afeto — O problema era que quando Katherine ficou gravida, eu tinha dezoito e ela dezessete. Foi um momento da minha vida que eu não entendia, ao certo, o que fazer a seguir… Na verdade, na maioria da vezes eu ainda não sei o que fazer. Mas quando Kat engravidou, eu… Nunca fiquei tão amedrontado na vida — Ele respirou lentamente com um olhar distante, e pude perceber que enquanto falava, os filhos estavam paralisados, olhando ele em choque. O que me deu a certeza que Apolo nunca compartilhou isso com eles.
— O que você fez? — Jonah estava hesitante ao perguntar — Co-como aceitou essa ideia de… — Ele engoliu. — De ser pai.
Apolo estreitou um sorriso.
— Bem. Eu não fiz nada — falou, e nós permanecemos quietos, tentando entender. Apolo deu um risadinha — Olhem para mim crianças. Mas olhem bem mesmo — Piscou. Seu sorriso sumiu — Em toda a minha vida eu só quis diversão, praia, mar… liberdade. Nada mais que isso. Eu não me importava nem que meus pais viviam brigando, só queria ser eu mesmo onde não seria julgado. Foi quando comecei a passar mais tempo na praia que em casa. Mas um sonho bom demais sempre é rachado — Seus dedos brincaram contra a mão de Caroline — Kat engravidou. Eu não a deixei, claro, eu a amava, mas não sabia como agir ou como preparar as coisas, e nada melhorou quando meus pais descobriram minha pequena “aventura”, e me mandaram pra rua. Foi difícil — confessou magoado — Ninguém quer ser expulso de casa quando mais precisa. Durante um tempo, eu vivi com Kat na casa dos pais dela, e acompanhei sua gestação e também sua evolução escolar. Kat não é uma mulher muito receptiva com brincadeira, no entanto… As vezes, quando percebia estar me tornando um estorvo para ela, eu tentava pelo menos arrumar um bom emprego, mas, eu sempre fazia algo de errado que a levava ter que me procurar e resolver tudo. Ela nunca reclamou, na verdade ela gostava de cuidar de mim no começo, eu sei que sim — Sua cabeça abaixou e ele apertou os lábios juntos — Mas então nossos bebês nasceram — O sorriso radiante voltou, e com ele, lágrimas cobriram seus olhos, que fez seus filhos se aproximarem.
— Ainda posso sentir meu próprio pânico quando entrei na sala de parto. Eu queria, mas que tudo, compreender o tamanho da importância que era estar ali, pois tudo que conseguia pensar no momento do parto, era que estava prestes a ser pai, mas que não me sentia como um — Suspirou — Foram horas dolorosa para Kat, mas quando finalmente aconteceu. Ah. — Devagar, me ajoelhei ao lado de Jonah vendo como Apolo fazia uma grande força para não chorar.
— O primeiro choro que fez minha cabeça de vento chacoalhar. O dono desse choro nasceu com 50cm e 3.300 kg. Um menino grande, forte, e muito escandaloso.
— Esse sou eu — Damien disse orgulhoso, e Apolo riu, batendo de leve na mão do filho que descansava em seu ombro.
— Sim. Meu garoto veio com tudo. Agora a próxima — Ele deu uma risadinha — Eu e Kat sabíamos que eram dois, mas pensávamos que eram ambos meninos, pois durante todas as ultrassom, Carol se escondia contra o irmão, emaculando a forma de descobrirmos se era menina ou menino. Três minutinhos depois de Damie nascer, nossa princesa veio, porém nasceu tão absurdamente quieta — Todos voltamos o olhar para Car, que agora corava muito.
— O que? Eu não sou de chorar — reclamou.
Nós rimos e Jared a envolveu em um abraço, sua expressão tão relaxada, que tive vontade de sorrir.
— Isso é verdade — Apolo concordou com a filha — Car nunca foi barulhenta ou escandalosa. Como disse, sempre foi uma princesinha guardada no seu próprio silencio, mas quando ela nasceu, eu me apavorei demais com seu silencio. E naquele instante, pela primeira vez desde que descobri da gravidez… Eu me senti um pai. Um pai completamente louco, preocupado e aterrorizado. Tudo que queria ver naquele momento, era minha filha bem. Então Jonah, o que quero te dizer é que tenha seu tempo… O meu foi longo o suficiente para somente entender a importância daquilo, quando eles nasceram, só então percebi que já amava minhas crianças mesmo antes de virem ao mundo Eu sei que dou trabalho, sei que sou desajeitado e que Carol e Damien são bem melhores do que eu um dia já fui. Ser pai, é não se importar com você e sim com seu filho. Se ele pode, você se sente ótimo. E por mais que eu seja, por muitos motivos, uma pequena pedrinha no pé deles, ambos ainda me amam, assim como eu os amo… Isso é o importante. Apesar dos medos que nós pais sentimos, das confusões que nos metemos, eles vão continuar sempre e por toda vida, nos amando.
Apolo deu um sorriso caloroso.
— Ter medo é normal, então não se preocupe. Quando chegar a hora, a paternidade vai desabrochar, e quando o fizer — Os olhos dele foram para seus gêmeos, e a coisa que vim neles me deixou emocionada — você se sentirá o homem mais abençoado de todos.
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