Rude Girl
46 Capítulo 46 — Tensão
Notas iniciais
Os concelhos de Apolo tocaram Jonah. Se podia ver isso assim que esse se ergueu para ir até Lizze. Seus olhos brilhavam, mas sabíamos que nosso amigo não iria chorar enquanto estivéssemos olhando, pois sua feição era de terna gratidão e convicção. Convicção de poderia e iria passar por aquela etapa, porque se um homem atrapalhado como Apolo conseguiu, obviamente ele também conseguiria.
As nove da noite, todos estavam vestidos e preparados para dormir, cada um em seu lugar. Damien continuava no seu, já tão próximo, sofá, e Apolo ocupava o que estava a sua esquerda, enquanto os outros meninos se aconchegavam nos colchões.
— Toma aqui sr. Levesque — Dana apareceu com duas cobertas e as entregou.
Apolo sorriu.
— Obrigada querida. Mas para que essa formalidade? Me chame de Apolo.
Dan sorriu.
— Claro. Apolo.
— Eu não entendo porque vocês não podem dormir conosco — Jackson entrou na sala segurando um travesseiro sobre o ombro, de forma emburrada. Stef sorria com graça ao se jogar no sofá ao lado de Damien — Por que não aqui?
Ergui uma sobrancelha para ele.
— Você achou mesmo que Jared ia permitir que eu dormisse um centímetro perto de Jimmy, agora? Era obvio que ele ia tramar um plano.
— Cacete Jimmy! — Liam jogou sua almofada sobre minha cabeça, e ao olhar para trás, Jaime estava rindo e a segurando. — Por sua causa Jodie vai dormir longe de mim.
— Não me condene. Eu também estou ficando sem meu aconchegar — falou, e me deu uma piscadela que fez minhas bochechas esquentarem.
— Vocês são dramáticos — Stef ria para si — É apenas uma noite.
— Sabe o que podíamos fazer em apenas uma noite? — Questionou Jack.
Stefany arregalou os olhos, e corou fortemente, enquanto a nossa volta, os meninos gargalharam e parabenizavam o amigo pela entrada certeira.
Eu bufei. Estava prestes a falar como eles eram imbecis, quando, as nove e quarenta e uma da noite, a campainha tocou. Franzi a testa e troquei um olhar curioso com Dana, que parecia também surpresa.
Novamente ela tocou, e passos vieram da escada. Jared estava ali com a face questionadora e Caroline logo atrás, vestida em um roupão de ceda azul. Slash seguia seus passos com empolgação, mas ao notar as pessoas na sala, fungou um rosnado de impaciência, e correu até onde estava Damie.
Jad limpou a garganta.
— Apenas eu estou com um mal pressentimento? — perguntou.
E não. Ele não era o único.
— Pode ser os pais de Lizze —sugeriu Stef do sofá — Tia Ellie ficou insegura de deixar Eloise dormir aqui, mesmo morando aqui do lado.
Era uma opção, mas por algum motivo, eu não concordava com suas palavras. E acho que Jared também não, pois tinha uma testa muito franzida.
— Vou ir ver quem é —falou ele, e sumiu da sala.
— Quem visita uma hora dessas? — murmurou Jack acariciando o pescoço do cachorro que a namorada segurava.
— Seja lá quem for — Damie me olhava estranho — Vamos descobrir em breve.
Eu tremi. Por alguma razão, de repente eu meio que já desconfiava de quem era a pessoa esperando na porta. Arregalando os olhos, me virei para onde Jimmy estava deitado e procurei por meu celular, o encontrei em baixo da almofada sem carga.
— O que foi? — perguntou Jimmy, mas eu já estava ferrada. Fechando os olhos, pude ouvir com mais clareza a voz que veio da entrada da casa, e pelo silencio, todos haviam reconhecido a voz clara e serena da minha preciosa tia.
— Porra — resmunguei.
Jimmy alisou meu rosto.
— Vai dar tudo certo. Só lembra que estou aqui — sussurrou, e beijou meus lábios antes de se levantar comigo.
Nesse mesmo instante, ela entrou na sala. Nesse meio tempo eu pude perceber três coisas. Dana enrijecendo no lugar e Damien se levantando para tocar sua mão, meus amigos engolindo em seco, e Apolo se ajeitando no sofá com dois olhos bem abertos, avaliando a mulher alta e dura que entrava na sala.
Amélia usava um vestido de mangas longas, que afinava sua cintura e que sobressaia os seios pelo fato do grande decote em v que fora cortado na frente. Sua cor, como a maioria de suas roupas, era de um preto profundo. Ela tinha o cabelo preso em um coque magnifico, e brincos prateados balançavam de suas orelhas, o rosto suave estava moldado com maquiagem em tons brancos e um batom vermelho. Minha tia estava linda e estonteante, o que me dava a certeza de que ela não veio de casa, e sim de um compromisso muito importante.
— Você ainda tem coragem de aparecer aqui? — Dana cortou o silencio massante do lugar.
Ela estava espumando sob o aperto de Damie. Amélia não tirou os olhos de mim.
— Eu vim para falar com Harlow. E não sairei enquanto não fizer isso.
— Ora, sua…
— Dana — Jared apareceu um sua expressão “Mandão” e olhou a irmã com olhos brilhantes — Chega de discussão.
— Mas…
— Eu não quero dar a ela mais uma história para apresentar contra nós no tribunal. Então por favor, se acalme.
Eu pude ver minha irmã cerrar as mãos empunho, contrariada a decisão de Jared, mas ao fim ela respirou fundo e apenas correu escadas a cima, talvez querendo trancar-se no quarto para que não saltasse sobre nossa tia.
Sem a presença dela, eu puxei o ar e encarei minha tia. Ela não tinha um reação a qual pudesse descrever, pois tudo que podia ver era um grande e doloroso vazio.
Dei um passo para frente.
— Olha, eu sei que está brava, mas…
— Estou brava? — Amélia piscou para mim, me observando — Por que eu estaria brava? — perguntou, e eu não compreendi o por que de ver verdadeira curiosidade em sua pergunta.
— Bem, eu… Eu te ignorei o dia inteiro e… Isso lhe dá o direito de estar brava. Então me desculpe. — Abaixei a cabeça e esperei por sua resposta.
Primeiramente eu pensei que ela fosse me esculachar. Mas a pessoa parada ali era Amélia, a mulher mais calma e não preocupada que já conheci. Claro que ela não faria um escândalo ou algo parecido com isso.
— Jared. — Ela falou — Estarei na cozinha conversando com Harlow. Não irei me demorar. — E sem oscilar em seu salto, ela virou-se e caminhou para cozinha, e mesmo que ela não tivesse dito nada para segui-la, eu sabia que devia fazê-lo.
Respirei fundo, olhando em volta para meus amigos.
— Eu volto logo — falei.
Me movi para ir, mas Jimmy me puxou, e segurou meu rosto. Deu um sorriso encorajador.
— Me chame se precisar.
Sem me conter, assenti, encostando a testa a dele.
— Obrigada.
Meu irmão não disse nada quando passei por ele e entrei na cozinha, apenas encarou o chão com o cenho franzido. Eu havia convivido com ele durante toda minha vida, então sabia que aquela expressão era de eterna preocupação. Pensei em dizer que tudo ficaria bem, mas minha boca não mexeu e nem as palavras vieram, portanto apenas continuei andando.
Amélia estava recostada na pia com seus braços cruzados, olhando diretamente para mim. Os olhos azuis água tão cristalinos, que peguei me perguntando de quem ela havia puxado aquela cor, pois naquele instante, não havia nada de Hope em seu rosto, na verdade não tinha nada de familiar herdado da família Lopez. Nem mesmo os traços esverdeados em volta das iris, que eu e Dana também compartilhávamos.
— Por que me evitou? — Peguei-me chacoalhando a cabeça, saindo da minha distração.
A encarei.
— Eu precisava de um tempo antes de conversarmos —expliquei — Tem muita coisa acontecendo e eu só queria estar com meus amigos. Desculpe.
Amélia assentiu, olhando para mim fixamente. E por um curto segundo de tempo, achei ter visto um vislumbre de tristeza cruzando seu rosto.
— Acho que tenho que confessar que estive insegura em relação a você — Seus lábios torceram em uma reação surpreendentemente nervosa — Pensei que estava me evitando… Que agora me culpava por seus irmãos estarem em discórdia com você. Pensei que não iria mais querer me ver, ou falar comigo… Pensei que voltaria a ficar sozinha para sempre.
E finalmente, lá estava Amélia que tinha conhecido e aprendido a gostar enquanto estava em sua casa Califórnia, lá estava o olhar cheio de solidão e medo, e a voz tremula, e lá estava uma mulher que precisa, mais do que tudo, de uma família para poder chamar de sua.
Senti os olhos arderem com essa visão, pois odiava que somente eu podia vê-la, odiava o fato que minha tia pudesse ficar sozinha, e odiava que meus irmãos não conseguiam ver como ela parecia refém da própria armadura. Amélia era brutal quando desejava, mas existia um motivo para isso, tinha que existir! E mesmo que não soubesse qual, eu podia ver como isso a destruía de dentro para fora, sabia que ela odiava tudo o que podia estar fazendo, mas apenas não tinha uma outra saída para usar.
— Tia — Me aproximei dela e segurei suas mãos. Seus olhos azuis brilharam — Por favor, me diga o que lhe machuca tanto. — pedi.
Como sabia que ia acontecer, ela enrijeceu.
— O que? — Eram poucas as vezes que podia deixá-la sem palavras, e percebi que essa era um delas.
— Me conte — Apertei seus dedos olhando em seus olhos — O que está acontecendo? O que lhe faz tão triste a todo tempo? O que traz essa solidão e esse afastamento de meus irmãos? Eu sei que você os ama tanto quanto me ama, são seus sobrinhos… Tem que ter algo que a impede ser o que é para mim, com eles também. Eu só preciso de uma pista para poder te ajudar. Me dê só uma.
Por um momento, eu pensei que iria conseguir uma resposta, pois eu vi cada emoção transpassar por ela. Uma mistura de surpresa, apreensão e principalmente, medo. E aquele parecia tão bem escondido atrás de uma cama forte de negação, que me senti frustrada, e ao mesmo tempo convicta. Havia algo, ou alguém, que estava incomodando minha tia, e isso estava fazendo com que sua vida desandasse, e ela ficasse como a vilã da história… Eu esperava que ela me explicasse, mas o medo dela acabou vencendo o desejo de me contar, pois momentos depois, sua expressão havia se fechado, as mãos haviam saído das minhas, e ela estava vazia novamente.
— Não existe nada me machucando — falou, e parecia tão verdadeiro, que poderia ter acreditado, se não tivesse visto a sua guarda baixa, minutos atrás — Tudo que eu tenho, é medo de perder minha única família — Ela tocou meu rosto, com carinho — Eu não quero perdê-la Harlow. Não posso, entende?
Não. Eu não entendia. Mas por agora, eu não tinha como forçar nada com ela.
Suspirando, me estiquei e abracei sua cintura, deitando a cabeça em seu peito para ouvir seu coração.
— Você não vai me perder — falei — Eu juro,
Senti suas mais me circularem hesitantes, e em seguida, minha cabeça estava sendo acariciada lentamente.
— Nunca me deixe. — pediu baixinho — Nunca.
Eu sorri, e apertando-a mais uma vez, prometi.
— Nunca.
Quando saímos novamente da cozinha, todos estavam sentados, espalhados pela sala, mas quando aparecemos, cada um deles se levantou e Jared se colocou em nossa frente, me avilando como se temesse que tivesse sido machucada na breve conversa com Amélia. Tive de evitar virar os olhos com isso.
— Obrigada por permitir nossa conversa — Minha tia disse, e olhou em volta pela primeira vez — E desculpe pelo transtorno tão tarde.
— Espero que seja a ultima vez — O murmuro do nervoso de meu irmão não passou despercebido por ela, mas percebi que ela achou melhor ignorar.
— Eu vou indo — disse, e me olhou — Nos vemos depois.
— Vai ficar bem sozinha? — perguntei preocupada.
Um sorriso triste cresceu em seus lábios.
— Eu já estou acostumada. Lembra?
Suas palavras quebraram partes de mim, e eu cogitei, enquanto ela se virava para ir, em me oferecer para dormir com ela hoje, mas então pensei em todos meus amigos ali em casa, e também nos meus irmãos. Seria apenas mais um motivo para que eles sentissem raiva de mim, e eu não podia deixar meus amigos aqui e partir com minha tia.
Estava em uma situação tão complicada para decidir, que não notei logo de primeira, quando Amélia, de repente, tropeçou para trás fazendo um ruido um tanto surpreso. Entendi então o que aconteceu quando sai detrás dela, e vi Apolo logo sua frente, vestindo a mesma camiseta colada que escolhe para dormir, e short cheios de flores que mais parecia roupa havaiana.
Ele barrava o caminho da minha tia, que o encarava com um misto de confusão e algo mais… Esse algo com certeza era bom, ou esperava, pois a forma como ela o olhou desde os pés até as pontas revoltas dos cabelos, foi cômico.
— Toma aqui — Apolo falou, estendendo um papelzinho rosa dobrado. Ele sorriu radiante para ela — É para que fique mais feliz. Uma mulher linda precisa sorrir sempre.
Choque sobrevoou por toda sala e ao fundo, conseguir ver Car gemendo com vergonha e Damien rindo da situação, é claro. Mas eu não me importava com eles, na verdade estava fascinada com o que vi no rosto da minha tia, quando ela ergueu a mão, e pegou o papel.
Ela tinha as duas bochechas muito coradas e choque nos olhos, e quando esses baixaram para o que tinha escrito no papelzinho, ela piscou, e encontrou o olhar suave de Apolo, parecendo um pouco perdida.
— Obrigada — falou então.
E assentindo uma vez, ela abaixou a cabeça e saiu da casa, tão rápido que quem visse acharia que ela fugia de um fantasma.
Ninguém falou um A depois. Mas mesmo assim, Apolo sorria ao voltar ao seu lugar e pegar a gaiola de Solzinho. Ele se distraiu facilmente, mas todos nós apenas o olhávamos, tentando enter como diabos Apolo Levesque havia feito Amélia Santino, corar no meio da minha sala.
— Ele é bom — Admitiu Jimmy com choque nos olhos.
E dessa vez, ninguém duvidou da grande beleza dos Levesque.
Nem ferrando.
~*~
Aquela noite não passou despercebida por ninguém. Todos estavam familiarizados com a breve e inesperada reação de Amélia, eu mesma pude ver um algo mais a fundo no momento em que estávamos sozinhas na cozinha. Ela precisava de ajuda, mas eu não sabia como lhe dar tal coisa sem ter uma pista sobre o que diabos ela estava enfrentando. Isso começou a me deixar aflita, ainda mais quando lembrava de seus olhos brilhantes com lágrimas ou de seu rosto corado quando recebeu um carinho de Apolo. Era aquela mulher a qual eu me importava, e precisava encontrar uma forma de ajudá-la.
E isso se tornou mais do que necessário. Durante todas as manhãs seguidas depois daquele dia, eu ia para o colégio e ao sair, seguia diretamente para sua, na esperança de ao ficar ao seu lado mais tempo, eu pudesse fazê-la me contar algo, mas nada acontecia. Amélia não era idiota, sabia que eu tentava tirar lhe respostas, por isso durante nossas horas juntas, sempre conseguia desviar um assunto realmente suspeito, para qualquer outra coisa menos importante; Era frustrante.
Me relacionamento com ela no entanto, continuava se expandindo, e por mais que não tivesse as respostas que queria, eu ainda podia me sentir segura ao seu lado. Amada. E eu gostava. Principalmente quando conseguia quebrar sua parede de gelo e fazê-la se divertir ao ponto de rir comigo. Amélia agora era realmente uma grande parte da minha família.
E falando em família.
A situação meus irmãos não estava muito favorável ainda. Não brigamos, mas também não nos falamos. Jared tinha seus encontros com Ethan e nunc ame dizia como estava o andamento para o julgamento, as vezes voltava do hospital tão cansado, que não conseguia chegar até seu quarto antes de desabar de sono, ficando no sofá mesmo. Caroline era uma grande ajuda nesses momentos, pois ela sempre era um grande calmante ao meu irmão. Claro que nem sempre ela se encontrava em casa agora, com o pai de visita, ela queria um tempo com Apolo e Damien, por isso durante as tarde os três saiam e voltavam apenas tarde da noite, felizes, e com um pai babão todo saltitante.
Dana. Bem, essa parecia um tanto solitária para preocupação. Ia para o emprego e a noite se matava nos estudos de seu curso. Mantinha-se longe de minhas vistas, e seguia trancada em seu quarto desde que melhorou da gripe forte. Era doloroso observá-la, pois eu notava como minha irmã estava triste, sozinha… Eu queria muito fazer lhe companhia, mas o medo de ir e ser mandada embora era mais forte. Por isso tinha que me contentar com o fato de que pelo menos, ela aceitava conversar com Damie, que estranhamente, ia todas as noites ao seu quarto, para ter pelo menos, uma horinha de conversa. Eu não conseguia expressar a ele como me sentia grata por isso.
A semana passou dolorosamente devagar, e com veio o dia do meu exame. Logo no sábado, Jimmy apareceu em minha casa e arrastou-me para o hospital, completamente ansioso e agitado para saber qual seria o resultado do teste. E por mais que eu soubesse qual seria a resposta, ainda observei o rosto nervoso dele durante todo o caminho e a coleta de sangue. Levou apenas umas horas para recebermos o envelope que poderia nos causar os maiores problemas. Jimmy estava a ponto de perder o coração quando o abri, mas acho que nunca iria esquecer de qual foi a sua reação quando finalmente li o que estava impresso.
NEGATIVO.
Eu não estava gravida. Não vou negar que me senti agradecida, mas assim que examinei a expressão aliviada, — mas ao mesmo tempo, decepcionada — de Jimmy, e me vi, por um momento, ao lado de Eloise com um barrigão parecendo uma bola de futebol. Estranhamente, isso não foi completamente terrível, ainda mais quando imaginava ter aquele loiro metido sorriso radiante ao meu lado. E o fato de ele ter apenas cogitado ser pai, fez querer, um dia, realizar seu sonho. No entanto, não era momento, e era grata que ele fosse compreensível.
Ao termos o resultado, logo no dia seguinte, eu parei meu irmão na porta quando saia para trabalhar, e lhe entreguei o exame. Eu o vi ler e então encolher-se como se tivesse levado um soco, mas ainda sim, seus olhos brilhavam com alivio. Eu nada disse, apenas virei e deixei que ele se confortasse com aquele papel idiota.
As coisas ficaram mais complicadas depois disso. Nós nem mesmo suportávamos olhar um para o outro sem que algum se encolhesse, aquela convivência começou a me sufocar. Por isso não me mantinha em casa depois do colégio. Meu lugar passou a ser, como sempre, a garagem de Jonah. Onde podia tocar o quanto quisesse, conversar com quem realmente queria, ou apenas ficar em silencio.
Claro que nossas horas de ensaio haviam sido encurtadas por contada de Lizze. Nossa amiga estava bem, na verdade estava ótima. Aos poucos, ela foi aceitando o fato de que estava gravida, e que precisava cuidar do que carregava, portanto com a ajuda de tia Ellie e Carey, a mãe de Jonah, ela começou seu pré-natal e regulou sua alimentação, sem nunca fazer esforços para que não ocorresse mais nenhum tipo de sangramento. Jared ainda a visitava com o todo o gosto. O que a fazia maravilhada e muito sentimental.
Jonah. Ah. Como eu bem previa, estava começando a perceber o que ganharam, e a cada tosse ou espirro de Eloise, ele tinha um pequeno infarto. Na verdade os dois pareciam estar aprendendo que os mal estares poderiam ser fatais a Lizze. Mas isso não impedia Eloise de xingá-lo toda vez que esse a obrigava deitar porque tinha que “descasar”. Essa era uma das melhores partes de assistir. E tudo parecia piorar, agora que ela estava entrando em seu terceiro mês de gestação.
E então finalmente o mês de setembro acabou, e outubro deu as caras, trazendo mais tensão entre os meus irmãos e Amélia. Audiência estava marcada para três de outubro. Resumindo. Amanhã mesmo. Meus nervosos estavam a flor da pele eu não conseguia me manter quieta em um lugar só. Ethan havia nos explicado o básico de um julgamento. Primeiro o juiz iria dar o caso como aberto, e em seguida ser ao advogado de Amélia a voz. Nesse instante, provavelmente iria colocar as cartas da minha tia na mesa, impondo suas reclamações e objeções. Em seguida seria vez de Ethan, dando suas provas. Não era difícil essa parte, mas em seguida seriam chamadas testemunhas, incluindo a mim e meus amigos… todos iriam depor a favor de meu irmão, o que me fazia pensar em como Amélia iria se livrar de tantas pessoas contra ela.
Estava preocupada. E não podia dizer que o medo estava longe de meu coração, pois ele era o que mais sondava por dentro enquanto pensava no que iria ser da minha família, depois dessa experiencia nem frente a um juiz.
— Harlow?
A voz que entrou no banheiro era cheia de preocupação, mas mesmo assim, levei um pequeno susto que me fez deixar o sabonete deslizar das minhas mãos. O bloquinho cor de rosa escorregou até dois pés descalços, e quando parou, foi apanhado do chão.
— Me assustou — resmunguei.
Jimmy deu um sorriso, caminhando até o box em sua boxer preta. Eu não pude deixar de observar seu movimento elegante, principalmente quando ele deixo o bloco de sabonete na pia, e tratou de ficar nu em minha frente. Sim. Jamie era glorioso para mim. Sua estrutura magra e os braços definidos era uma linda visão, ainda mais quando o tinha por cima de mim, como cinco minutos antes de vir tomar um banho.
— Eu bati na porta três vezes — disse, e sutilmente, entrou comigo no box, sorrindo quando deslisou um dos braços por minha cintura e me puxou — O que estava pensando que lhe fez tão distraída? — Seus dedos percorreram minha bochecha molhada e desceram por meu pescoço, dolorosamente lento.
Suspirei.
— O julgamento é amanhã — murmurei.
O dedo dele congelou em meu ombro e seus olhos encontraram os meus.
— Eu sei. — falou suave — Recebi a intimação.
Sorri com tristeza.
— Você não foi o único — falei, e virando as costas para ele, entrei em baixo da torrente de água, sentindo minha garganta fechar e tudo se apertar por dentro. Levei a mão ao coração, sentindo-o bater aceleradamente — Estou com medo, Jimmy.
As palavras que tanto impedia-me de falar, sairão muito facilmente. Era assim agora. Mesmo que não quisesse, conseguia compartilhar qualquer coisa com Jimmy, nossa intimidade estava se tornando maior, assim como minha confiança nele.
Senti suas mãos agarrarem meus braços, e seus lábios beijaram-me o ombro.
— Do que pequena? — Mais beijos — Me conte o que lhe aflige.
Mordi lábio inferior, me sentindo um pouco tremula.
— Eu não sei — minha voz falhou — Só sinto que algo vai acontecer. Sinto que isso vai me machucar muito, e estou com medo. Tenho muito medo.
Como se o fato de eu estar amedrontada o apavorassem, Jimmy me virou, segurando meu rosto com ambas as mãos fortes. Quando o olhei, seu cabelo estava pigando e os fios grudavam a sua testa, ele tinha suas iris preocupadas, mas ao mesmo tempo nervosas, assim como sempre ficava quando eu me via em uma situação perigosa.
— Ninguém vai machucar você. Eu não permitiria — garantiu.
Eu sorri, tocando sua mão em meu rosto.
— Não fisicamente. — falei, ele me olhou confuso — Seja lá o que me espera… Tenho medo de que esteja tão machucada, por dentro, que não possa suportar.
— Do que está falando — Agora ele parecia apavorado — O que poderia acontecer que a ferisse dessa maneira?
Balancei a cabeça
— Eu não sei. — lamentei —Não sei.
Transtornado, Jimmy encaixou as mãos em minha nuca, olhando profundamente em meus olhos, pavor e medo por mim, também nadando em suas iris.
— Vai tudo certo — disse firme, colocando pressão em meu pescoço — E se não der, eu vou estar lá, entendeu? Não se esqueça que vou estar lá lhe olhando. Sempre. Então, por favor, por favor, Harlow… Não esqueça de olhar para mim também. Eu te peço. Me prometa.
Lágrimas queimaram fora de meus olhos, e o sentimento avassalador de coragem se espalhou em meu peito quando assentindo, arranjando voz para dizer.
— Eu prometo.
E para selar aquela promessa, nós fomos um contra outro. Juntando lábios, línguas, e corpos. As mãos trombando-se no caminho complicado que fazíamos para tocar um ao outro, sentindo o gosto de minhas lágrimas se misturarem com o gosto da água do chuveiro, e o gosto da boca avida de Jimmy. Ele me tocou, me fez sentir amada, me fez esquecer do medo e daquele sentimento incomodo no meu peito. Me fez dele ali mesmo. E aquilo pareceu tão certo, que não temi mais o dia de amanhã pelo resto das horas com ele… Apenas pensei em estar em seu braços durante o resto do dia e da noite, acreditando que tudo, absolutamente tudo, iria dar certo amanhã.
Mas eu não sabia durante esse momento, que estava completamente errada.
~*~
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