Rude Girl

40 Capítulo 40 — Penélope charmosa


Notas iniciais
E mais um vez eu tô de volta. Demorei, mas voltei, e espero que goste de mais esse momento Harmy. Um beijo estalado e não pulem as notas finais.

(Pov’s Harlow)

O silêncio que me rondava era agradável, nada podia fazer com que minha mente sobrevoasse naqueles momentos impressionantes que havia acabado de ter o prazer de passar. Na verdade não conseguia abrir os olhos enquanto sentia a água percorrer por todo meu corpo absolutamente satisfeito e completamente degustado. A coisa mais intrigante era o fato de não conseguir fechar aquele maldito sorriso, ele teimava em aparecer toda vez que me refreava sob o chuveiro e meus olhos desciam por minha estrutura magrela e pequena.

Suavemente, percorri mais uma vez a trilha que os lábios deles haviam corrido há cinco minutos atrás, recordei-me do toque singelo de sua boca em meus ombros e da pressão de seus dentes em meu pescoço, puxei meu cabelo molhado para trás e ergui o rosto contra torrente de água que vinha do chuveiro, suspirando quando a sensação de ser preenchida por Jimmy me acertou. Segurando um gemido frustrado, apertei as pernas juntas, sentindo um desconforto leve meu centro, uma ardência que denunciava e lembrava do que tinha acabado de fazer.

Um riso nervoso saiu da minha boca e tive que tampá-la para que ele não escutasse do outro lado da porta. Cacete! Nós havíamos mesmo feito... Oh caramba.

— Jared vai me matar se souber — murmurei, mas não conseguia conter a vontade de rir dessa situação completamente embaraçosa.

Eu finalmente tinha feito! E porra se não era bom.

Damien estava certo, não poderia existir nada mais fascinante que esse tipo de contato. A forma como tudo parecia ser conectado ao Jimmy, como ele parecia ser a cada segundo mais, o centro de todo o meu prazer... Foi enlouquecedor. Durante todas as três vezes seguidas.

— Oh Deus — De repente, aquele frio na barriga fez-me curvar e respirar fundo, os olhos fechados enquanto tentava controlar aquela falta de ar e a calma ao mesmo tempo. Oh Jesus. Eu não poderia ter uma crise de histerismo logo agora. Não depois disso...

Desligando o chuveiro, dai de dentro do box, pingando e contando minha respiração, em seguida sentei-me no vaso, tentando o máximo possível, concentrar-me no ar entrando e saindo de meus pulmões. Quando pude finalmente encontrar um alívio, esfreguei os olhos, me dando conta que estava prestes a ter um ataque só porque eu... Errr... transei com Jimmy.

— Não. Pare de pensar assim! — censurei-me.

Levantando o rosto pensei no momento que ele havia me pego nos braços e colocado sobre a mesa, os olhos presos aos meus enquanto seus lábios moviam no que parecia ser a coisa mais sensual e quente, que já havia ouvido. Eu vou fazer amor com você cem cada cantinho desse quarto até estarmos exaustos e completamente suados.

Fazer amor... Sim. Essas palavras eram mais apropriadas para o que tínhamos feitos. E nós suamos e muito. Meu corpo inteiro sentia falta dele agora como se não quisesse afastar-se daquela fonte de energia depois de uma noite tão maravilhosa, eu o queria, e saber que ele sentia o mesmo fazia-me congelar por um tempo e suspirar com uma mistura de alívio e surpresa.

— O que está acontecendo comigo? — sussurrei com um pouco de pânico. Mas eu já sabia. Na verdade eu até mesmo havia confessado quando estava presa e a mercê dos beijos de Jimmy. Eu o amava. Eu amava aquele grande egocêntrico e metido, garoto. Aonde tinha me metido?

Duas batidas na porta me fez salta minimamente.

— Harlow? Está tudo bem? — Sua voz soou curiosa. Eu estremeci, puxando a toalha branca dele do gancho.

— Eu já vou sair — falei alto suficiente para ele ouvir. Enrolando-me na toalha, franzi o cenho ao perceber que não tinha pegado nada para vestir, e pensar em sair somente nesses trajes para o quarto fez-me corar e em seguida xingar por estar sendo tão abobalhada por causa de Jimmy.

Mas que merda. Eu tinha acabado de estar nua para ele, não existia nada que ele não tinha visto, então por que ainda me sentia como um peixe fora d’água toda vez que tinha seus olhos sobre mim? Por que?!

Eu pedi algo para comermos, pelo interfone — A voz dele voltou fora do banheiro — Venha antes que esfrie.

— Ok.

Quando ele não falou mais nada, levei a mão ao espelho e limpei o borrão feito pelo vapor da água quente, quando me olhei tive que segurar um xingamento. Se não fosse pelo vermelho em minhas bochechas acentuadas, eu pareceria alguém doente com aquele rosto pálido e os lábios de repente muito secos. Sabia que isso era devido a minha breve falta de ar e o fato de que não havia comido nada ainda desde ontem à noite, e provavelmente, a rodada de exercícios da noite anterior e mais o da madrugada acabou me tirando um pouco de energia.

Energia bem gasta.

Sorrindo, coloquei meu cabelo pingando para cima e puxei o ar, me preparando para do meu esconderijo.

— Ora vamos, ele já te viu, sua besta — resmunguei. E como se estivesse ajeitando minha melhor roupa, alisei a toalha que batia nos meus joelhos. Em seguida quis me chutar por um ato tão incoerente.

Balancei a cabeça e torci a maçaneta. Ele estava em pé em frente ao quadro novamente apenas naquele boxer que modelava perfeitamente sua bunda. Estava de costas para mim, portanto pude correr com os olhos pelas costas largas e pelos braços, o direito principalmente, que se movia com tanta agilidade sobre o quadro, que fiquei parada apenas assistindo ele dar vida a minha imagem em sua caricatura. Nunca pensei que um homem iria me desenhar enquanto dormia, ou sequer que tivesse me retratando desde o momento que nos conhecemos... Isso era um gesto tão adorável, e com aquela pontada terna de obsessão, que me arrepiei por inteira.

Mordi o lábio inferior, sabendo que estava o comendo com os olhos como qualquer garota faria se um homem seminu estivesse em sua frente. Aquelas costas, as pernas fortes e os braços com o tanto certo de músculos. Jimmy não era do tipo grande... na verdade a sua estrutura era totalmente amena de uma forma perfeita para ele, principalmente por ter aquele lindo e lisinho abdome. Não era tão corado quanto o de Damien, com certeza era quase meu tom, porém eu havia mudado desde a minha estadia na Califórnia, e o sol havia dado uma cor a minha pele, ao contrario de Jimmy.

Tudo nele era realmente bem normal, mas havia algo no modo como ele se inclinava como estava fazendo agora, havia um mistério na forma como apertava os olhos ao me encarar e como seus olhos devoravam os meus como nada mais que convicção. Era sedutor, exalava um charme que eu nunca poderia ter, um charme que só podia igualar a ele e a forma como sorria todos os dentes ou como quando alisava o cabelo para trás... Aquilo tudo me fazia derreter e querer babar como uma cachorrinha.

— Segura a onda garota — ordenei a mim mesma em sussurro, querendo me deter de ter mais pensamentos pervertido com imagens de Jimmy só com aquela cueca boxer preta.

Provavelmente não falei tão baixo quanto imaginava, pois os olhos dele se despregaram de seu trabalho para me devorar por inteira. Me segurei para não sair correndo querendo esconder-me atrás da porta novamente, odiava que a insegurança me fizesse ficar daquele modo sob aquele olhar faminto que Jimmy me lançava, mirando-me desde os pés descalços até a cabeça com os cabelos molhados.

Ele parecia muito interessado no que via, bem, isso até chegar ao meu rosto. Eu vi sua franzir enquanto me estudava e então largava seu pincel, sem se importar em deixar manchas na mesa ou nos seus desenhos incompletos, ele apenas parecia preocupado quando se aproximou.

— O que aconteceu? Você está bem?

Ergui uma sobrancelha.

— Estou. Por que não estaria? — questionei, ele me analisou novamente, suas mãos indo ao meu rosto e o alisando com um carinho que me era novo ainda.

— Está um pouco pálida, pequena. Está se sentindo bem?

Tomando suas mãos, assenti — Estou legal. Só foi um susto.

Seus olhos aumentaram um pouco e ele se aproximou mais.

— Susto? Que susto? Você passo mal? Quer que eu ligue para Jared? Espere, você precisa se deitar? — Antes que pudesse sequer responder seus braços passaram por minhas costas e pernas e ele me carregou pelo quarto, fazendo-me ofegar com surpresa.

— Jimmy, eu tô bem — protestei nervosa, mas ele não apareceu me ouvir, apenas me colocou na cama e sentou ao meu lado, tocando meu rosto como se estivesse com febre — Pare de surtar.

— Você disse que passou mal...

— Falei que foi um susto — O corrigi e ele fez careta — Sério, foi só uma falta de ar boba.

A expressão dele foi de completa angustia agora.

— Droga. Me diz que você trouxe sua bombinha — suplicou e só faltou juntar as mãos na frente do rosto. Senti meu lábio contrair ao tentar prender o riso. Ele não gostou disso — Harlow! Me responda isso! Você trouxe ou não?

— Oh, pare de ser tão... — Me interrompi no meio da frase, puxando o ar e arregalando os olhos. Jimmy perdeu a cor do rosto, pulando mais perto com as mãos tremendo.

— Oh porra, Harlow, cacete... Você precisa respirar — Ele me agarrou pelos ombros olhando-me apavorado, e por causa desse olhar eu não pude me conter e parei com a falsa crise.

Espalhei um sorriso no rosto o olhando com diversão.

— Ops! Desculpe. Alarme falso — Ele pareceu chocado com minha mudança de situação e isso me fez rir.

— Sua... Sua... Não posso acreditar que fez isso — Minha cabeça caiu para trás quando ele me chacoalhou. Eu não pude impedir a gargalhada que saiu, ele bufou — Eu gostaria de ter matar agora.

Olhei-o profundamente nos olhos, ainda sorrindo.

— Fique a vontade para tentar Jaime.

Eu vi quando a chama da irritação e a raiva abandonaram seu rosto e outra coisa apareceu. Excitação. Provocação.

— Você é a garota mais cruel que já conheci — falou, mas chegou perto do meu rosto lentamente — Precisa parar de me atentar por causa do meu nome.

— Pode esquecer — Alertei. Ele virou os olhos.

— Você é impossível. Eu nunca consigo pensar no meu nome sem nunca lembrar de você me provocando — Ele segurou meu queixo entre o polegar e o indicador, me encarando com aquela camada de sedução que me fazia cair dura.

— Que bom que você pensa em uma coisa tão inspiradora — falei petulante. Ele riu.

— Com certeza. Bem inspiradora. — Seus lábios pousaram no meu rapidamente — Agora me diga se está com a merda bombinha.

Fiz careta, mas sua preocupação me fez suspirar e apontar para minha bola de violino. — Lá. Não preciso dela agora, mas vou usá-la se vier o caso. Prometo.

Ele estreitou os olhos — Bom, se você não usasse, eu mesmo a colocaria em sua boca para fazê-la usar.

Virei os olhos.

— Você é tão romântico.

— Muito — Me beijou — Vou pegar nosso café. Precisa se alimentar.

Ele caminhou até sua cômoda com gavetas e pegou a bandeja que havia em cima. Sorrindo ele a trouxe para mim e abaixou, me olhando com diversão quando ergui uma sobrancelha curiosa.

— Isso por acaso é café da manhã? — indaguei, ele assentiu satisfeito.

— Uma coca geladinha, um x-burgue tamanho família preparado na chapa, bacon e para completar, nossa sobremesa. Um sunder de morango e chocolate.

Olhei para ele apensar um minuto antes começar a rir dolorosamente.

— Eu devia saber que escolheria algo parecido com isso — disse em convulsões. Ele deu de ombros, me ignorando completamente.

— Eu sou ótimo com comida. Agora comece a comer — Ordenou e eu não pude deixar de sorrir enquanto manobrava meu lanche e o levava a boca. Jimmy se juntou a mim, mas nunca deixou de me observar comer, era quase como se esperasse que eu engasgasse a qualquer momento.

Quando finalmente não suportava mais ser encarada, bufei.

— Já chega de me olhar e vamos falar de algo mais importante — disse, e capturei umas das fatias de bacon do prato — Me conte o que fez nesses dois dias.

Sua feição foi de pura angustia ao suspirar.

— Eu quase enlouqueci não sabe o quanto quis correr atrás de você e apenas tirar-lhe uma resposta.

— E por que não fez isso? — indaguei curiosamente.

Ele sorriu — Eu havia prometido um tempo, não iria passar por cima dele apenas por causa da minha própria agonia. Você era mais importante.

Eu tentei muito não sorrir como uma boboca apaixonada, mais o jeito que ele falava não ajudava, e não acostumada com todo esse seu afeto, fui obrigada a mudar de assunto.

— Você apenas ficou aqui... Remoendo em pensamentos? — perguntei, mas ele negou e algo em sua expressão me ficar em alertar — O que? Que cara é essa?

Sua testa franziu e os lábios foram pressionados com força, em seguida ele os molhou e me olhou.

— É Lizze — disse por fim, eu me remexi.

— O que tem ela?

Sua mão alcançou o rosto e o esfregou, parecendo um pouco aflito.

— Jimmy, o que foi? — perguntei novamente, já começando a me preocupar. Ele ficou sério.

— Eloise está gravida.

Se ele tivesse jogado uma bomba em cima em mim eu teria reagido da mesma forma pasma. Eloise gravida?

— O que? — Estava confusa, arregalando os olhos para ele — Você com certeza esta falando de outra garota, não nossa Lizze. A menina mais bem organizada e planejada de todas. Ela nunca faria algo tão...

— Inesperado? — Fechei a boca quando ele me interrompeu. Seus olhos emanavam o brilho da verdade — Bem, mas é nossa Lizze. Com todos os seus altos e baixos. E ela está bem gravida. Isso foi o que ela afirmou.

— Mas... Como... Isso é impossível! — Estava descrente demais para imagina Elosise, a minha patricinha metida, com um barrigão que tem uma criança para chama-la de mamãe.

Jimmy sorriu com doçura.

— Sabe que não é impossível. Apenas um descuido pode mudar tudo — falou e de repente estava sério novamente, olhando meu rosto com muita fixação.

— Como eu estou sabendo disso só agora? O que aconteceu e... Oh, Deus, o Jonah é o pai, não é? — Podia sentir meu rosto ficando mais branco que antes. Jimmy fez careta.

— Não se estresse — resmungou e eu o ignorei. Agarrei seu braço com certa força.

— Diga-me como esse assunto surgiu e porque eu só estou sabendo agora? — Suspirando, ele agarrou minha mão, prendendo dentro dele e então a beijou.

— Ok. Vou contar tudo do começo.

E assim ele o fez. Me senti uma merda ao saber que Eloise estava se mantando de culpa sobre a maldita votação que tinha sido erguida na internet. Em nenhum momento eu havia colocado ela como culpada, na verdade eu nem mesmo pensei sobre o assunto, saber que ela passou mal por isso foi um pesadelo. Jimmy me amparou e continuou seu relato, falando como nossa amiga parecia tão desesperando no telefonema de ontem, disse sobre a forma que ela estava desesperada só de pensar em contar para Jonah sobre isso.

Oh. Pobre Lizze. A coitadinha devia mesmo estar muito abalada, somente isso seria capaz de fazer sua mente parar de funcionar e não apenas planejar tudo o que devia fazer.

— É por isso que está me olhando assim — Constatei minutos depois. Jimmy ergueu uma sobrancelha.

— Olhando? O que quer dizer?

Senti meu rosto quente novamente, mas eu não ia escapar disso, portanto respirei fundo.

— Nós... Não usamos er... a camisinha. — Minha voz não passava de um sussurro — Está com medo de acontecer o mesmo comigo?

Mais uma vez, ele me encarou, duro, inexpressivo.

— Foi a primeira vez Jimmy, não acho que tenha me deixado gravida — Tentei confortá-lo, mas não pareceu ajudar.

— Não importa, pode ter acontecido e...

— Você está sendo paranoico. — Apontei — Não é só porque aconteceu com Lizze que vai acontecer a mesma coisa comigo.

— Estou apenas tentando cuidar de você e... — Ele alisou o cabelo para trás nervosamente e fechou os olhos, respirando fundo — Admito que a situação de Lizze não esta me ajudando a ficar confiante, mas... Eu apenas não estou pronto para... — Ele torceu os lábios.

Eu sorri com humor.

— Ser pai? — Ele pareceu ficar pálido só com a palavra “Pai” — Acha que quero ser mãe agora? Nós acabamos de nos acertar, eu estou no meio de uma luta judicial e ainda sou menor... Isso seria um trauma. Sem falar que não tenho um exemplo de mãe que possa me espelhar, pelo menos a Lizze tem. Tia Ellie é tão boa para ela.

— Hey, não pense assim — Ele se inclinou e alisou meu rosto — Tenho certeza que você seria uma ótima mãe, mas apenas não é hora. Agora, tanto você quanto eu, precisaremos de tempo, então eu acho que não irei ficar tranquilo enquanto não ter a certeza de que você vai mesmo ir ao médico fazer um exame. — Seus dedos acariciaram-me a nuca — Me garante que vai fazê-lo?

Não hesitei ao assentir. — Juro que vou. Darei um jeito nisso.

— Isso me deixa satisfeito — Assentiu, e então algo passou por seu rosto e ele voltou à aperta minha nuca — Olha, não pense que deixarei você sozinha caso isso aconteça. Não precisa ter medo ou insegurança igual à Lizze, se esse resultado for positivo, saiba que estarei ao seu lado. Certo?

Inesperadamente, eu sorri, aproximando-me mais do seu rosto quando aquele sentimento de proteção me circulou. A proteção dele sobre mim. Eu podia contar com ele, finalmente podia contar com ele para tudo.

Satisfeita, acariciei seu cabelo para trás, olhando seus olhos firmes.

— Você fica muito sexy quando está preocupado — falei sem pensar.

Ele ergueu suas sobrancelhas e seu lábio tremeu.

— Estou tentando ser responsável, mas você sempre estraga isso — resmungou, e me beijou profundamente — Eu a amo por ser tão atentada.

Eu ri, permitindo os beijos.

— Eu sabia que gostava.

— Shh. Não conte para ninguém — sussurrou, e antes de se afastar mordeu suavemente minha bochecha. Sorrindo, observei ele voltar a comer e fiz o mesmo, tentando me concentrar em outra coisa que não fosse gravidez e fraudas.

— Então, mudando de assunto, por que não conta agora sobre a sua faculdade?

Acho que se tivesse dito, “Eu sou um homem” ele talvez sofresse a mesma reação. Ele engasgou com a coca assim que toquei no assunto e começou a tossir, atiçando meu alarme de “Ai tem coisa”.

— Fa-faculdade? — Ele clareou a garganta.

Encarei seu rosto.

— Sim. Sua faculdade. — Terminando de mastigar, foquei-me somente nele, o estudando atentamente — Você prometeu me contar, agora desembucha.

Parecia que eu estava segurando uma faca contra seu pescoço, pois ele não cessava o piscar descontrolado de seus olhos ou parava de engolir em seco. Lentamente, vi ele ficar de pé, cravando os dedos entre os fios louros e andando de um lado para o outro como se o que devia dizer fosse acabar com tudo o que conseguiu ali. E por um momento de medo achei que era exatamente esse o caso.

— Jimmy?

Ele parou, pegando fôlego e colocando as mãos atrás da nuca, olhando-me com medo.

— Primeiro me prometa que não vai surtar — falou. Decidi que eu definitivamente iria surtar.

— Por que eu deveria surtar? — questionei me levantando da cama. Ele se afastou um pouco, evitando meus olhos — Se você não começar a falar, eu vou chutar sua bunda para o norte, Jaime.

— Porra — Ele gemeu, fechando os olhos com força enquanto olhava para o teto. — Okay. — Virou-se para mim e piscou, a luta aparecendo em suas íris quando me encarou. — Depois... Depois que brigamos naquela tarde logo em seguida de sua partida, eu... Na verdade queria contar sobre a faculdade, estava realmente feliz por terem me aceitado. Mas as coisas desandaram tão de pressa que não contei.

— Sim — falei, sentindo-me de repente péssima. Tentei mover os lábios em um pedido de desculpas, mas sua expressão me impediu, ela dizia que não era hora de falar, pelo menos não agora. — O que mais? — disse ao invés. Ele se encolheu.

— Eu vi suas fotos com Damien — respondeu, e isso me fez ficar ainda mais aflita com o que ele ia dizer — Você sabe que eu surtei e que depois que soube dessa opção de estar se envolvendo com ele, eu finalmente assumi que era apaixonado por você. Eu até me mesmo me afundei em bebida em uma noite. Meu pai quase cortou minha cabeça fora por preocupar minha mãe e não voltar para casa.

— Você o que?! — Sabia que minha voz tinha se agravado, mas não pude evitar. Minha mente estava apenas criando imagens do que ele poderia ter feito enquanto estava bêbedo e pior... com raiva de mim.

Jimmy provavelmente notou que estava pensado sobre essas possibilidades terríveis, pois se aproximou e tomou meu rosto, olhos fixos nos meus.

— Nem pense — falou seriamente — Não aconteceu nada, e mesmo que estivesse caindo de tanta bebida, eu não faria nada aquela noite. Estava mais preocupado com o que você estava fazendo com Damien.

O olhei desconfiada. — Será mesmo?

— Juro por tudo. Pode confirmar com Stef e Jack e Jonah, foram eles que me buscaram quando Maia ligou — Me afastei dele com uma careta.

— Quem é Maia? — Droga. Eu não estava controlando. Não estava.

Jimmy resmungou e esfregou o rosto.

— Você não está me escutando! Eu não fiquei com ninguém!

— Quem é Maia? — grunhi dessa vez e ele bufou, alisando o cabelo com impaciência.

— É uma amiga e ela trabalha no pub onde estava... Ela apenas me ajudou a...

— Já ficou com ela? — O cortei. A boca dele se fechou no mesmo instante e seu rosto ficou imóvel. Meu estômago revirou — Legal. Já entendi.

Tentei passar por ele, pisando duro para que pudesse pegar minhas roupas no chão, mas ele não permitiu e segurou meus braços, os transmitindo uma pressão forte o suficiente para me fazer ficar parada.

— Você não vai ir a lugar algum antes de me ouvir — Ele rosnou, e eu quase não pude esconder a surpresa em meu rosto. — Certo. Agora, você queria saber por que eu não estou na faculdade. — Ele continuou me segurando, mas engolia em seco, porém havia uma confiança e uma força emanando de seus olhos que fiquei parada, esperando.

— Eu não fui, porque eu desisti — respondeu firmemente — Eu não fui, porque se escolhesse isso, eu nunca poderia reconquistá-la.

— O-o que? — Estava em choque, olhando-o embasbacada.

Jimmy não vacilou.

— Eu não estaria aqui se escolhesse a faculdade, Harlow. Teria que deixá-la, e isso me corroeria para sempre, saber que tive uma chance de tê-la e que simplesmente ignorei. Eu fiz isso para ter seu perdão e eu não me arrependo.

Por um instante, eu tive que permanecer quieta, olhando para ele sem saber que reação usar, mas então tudo fez sentido. Ele estava feliz pela oportunidade, mas foi só eu ter voltado e ele tinha decidido permanecer e não ir à faculdade, ele virou as costas para a melhor oportunidade de todas, e havia escolhido ficar aqui... por mim. Por mim.

Sem realmente pensar no que estava fazendo, minhas mãos foram contra seu peito e o empurrei, com força, fazendo-o cambalear com os olhos arregalados.

— Você recusou a maldita vaga por mim?! — Berrei.

Ele mordeu os lábios e respirou fundo, como se já esperasse por essa reação.

— Não fique zangada, eu não poderia ir.

— Mas é claro que podia! — Me indignei, jogando as mãos para o alto com frustração — Eu não acredito que você fez essa... essa... Erg! — Virando-me para a cama, peguei o travesseiro que havia lá, e grunhindo atirei nele uma, duas, três vezes — Seu... grande... Idiota!

— Eu ainda te amo... Ei!

— Cala essa boca. Eu não acredito que recusou uma bolsa que custa milhares de dólares por minha causa! Você por acaso é algum imbecil? É sua vida! Não podia ter estragado ela por mim, porra! — Continuei acertando ele, sentindo o suor descendo minha pele junto com a raiva e a maldita culpa. Ela adorava me perseguir.

Jimmy tirou a almofada das minhas mãos com um puxão.

— Minha vida não seria feliz sem você — falou. Não adiantou.

— Foda-se! — Gritei e procurei por qualquer coisa que estivesse perto para acertar nele. Encontrei um abajur em cima da escrivaninha. — Era para você realizar seus sonhos! — Joguei o abajur, mas ele se jogou para o lado e a coisa caiu no chão com um baque, se despedaçando por completa.

Jimmy arregalava os olhos.

— Qual é Harlow, meu sonho pode ser realizado depois, mas você era negocio de “Agora ou nunca.” Por favor, pequena — Ele tentou se aproximar.

— Pequena o caralho — grunhi, e marchei até sua mesa, de onde peguei o que parecia ser um pode de tinta. Jimmy engasgou quando o joguei, mas novamente desviou — Você vai voltar atrás com isso!

— Não posso e você sabe. Aliás, a vaga já foi preenchida por outro, é tarde.

Eu quis gritar para os ventos. Eu quis trucidá-lo. Eu quis chorar... Chorar, porque esse idiota tinha feito a coisa mais sem noção de todas e por minha causa, queria chorar porque nenhum outro homem ousou me escolher em primeiro lugar e só então se preocupar com sua própria vida. Queria chorar, porque durante todo esse tempo o ignorando, Jimmy estava se sacrificando só para ficar comigo.

— Harlow, que tal conversarmos numa boa? Não precisa quebrar meu apartamento inteiro, querida — Ele tinha as mãos erguidas como escudo, mas não podia dizer que adiantaria.

— Não me chame de querida! — Lati, e joguei mais um pote. Ele xingou.

— Mas você é minha querida... Oh, merda, Harlow, largue o... Droga — Ele se jogou para o lado antes do jarro de vidro o acertasse, esse atingiu a parede, indo água e vidro ao chão também. — Você vai me matar assim — Ele ofegou.

— Eu gostaria! — resmunguei, e tentei alcançar a mesa com seus outros potes, mas não fui rápida o suficiente, ele me encontrou no meio do caminho e passou seus braços em volta de minha cintura, me erguendo alto e prensando-me contra a parede mais próxima.

— Me solta! — Me debati, mas suas mãos agarraram meus pulsos, forçando-os contra a parede.

— Não enquanto não se acalmar.

— Não vou me acalmar, porra! — Gritei em seu rosto, mesmo que minha garganta estivesse queimando com emoção. — Você deixou a melhor chance do mundo escapar por minha causa. Não devia ter feito isso!

— ESTÁ ENGANADA! — A voz dele também se elevou. Meus olhos aumentaram ao ver seu rosto vermelho e os lábios franzidos em uma linha severa. Fúria marcando cada traço, ela me fez ficar imóvel, completamente parada com sua inesperada explosão — Está enganada — Voltou a dizer, mas dessa vez mais suavemente e respirando um pouco mais devagar. Uma de suas mãos soltou meu pulso, e quando ele percebeu que ficaria no mesmo lugar, levou-a ao meu rosto, onde deixou e disse — Isso... valeu tudo. Valeu tudo, porque estou aqui, com você em meus braços e olhando para o rosto que em tanto tempo eu fiz de inspiração. Entende isso? — Suas palavras mudaram para um doce sussurro aos meus ouvidos — Agora eu posso tocá-la, posso beijá-la — Seus lábios tocaram os meus, e a tão delicada pressão desencadeou as lágrimas que segurava, ele as secou, beijando a trilha que elas deixavam. — A minha musa está aqui comigo — Um sorriso cortou seus lábios e ele me olhou — Pensa mesmo que estou arrependido de ter desistindo de uma faculdade quando posso aprender muito mais apenas observando e admirando você? Eu não mudaria isso Harlow, não mesmo.

— Mas... — Seu dedo cobriu minhas palavras

— Shh. Surgira outras oportunidades para mim, e até lá, eu estarei aqui, esperando ao lado da mulher... — Me encarou profundamente — que eu amo mais que tudo.

Respirando mais gradativamente, deixei o ar passar e minha testa encostou-se a dele, o alívio em ouvir suas palavras me preenchendo por inteira enquanto aspirava seu perfume e aproveitava sua proximidade.

— Como pode me escolher? — sussurrei, deixando que ele me levasse ao seu peito, onde acariciei e suspirei. — Eu sei que me ama e tudo, mas... Esta mesmo desistindo da sua liberdade por mim? — Levantei o rosto para vê-lo — Vai desistir do que você dizia ser a melhor coisa que um homem podia ter? É capaz disso?

Ele me olhou incrivelmente parado, parecendo estar procurando por minha alma através dos olhos. Por um momento, achei que ele fosse recuar e começar a hesitar sobre sua escolha, mas então aquela luz piscou em suas íris, e logo em seguida, ele estava me puxando pelo quarto.

— Hey, o que foi?

— Vistá-se. Quero lhe mostar uma coisa — disse, e puxou uma calça de dentro de uma gaveta juntamente a camisa. Eu ergui uma sobrancelha.

— Me mostrar o que?

— Apenas se vista, e em breve saberá. Te encontro na garagem — E vestido, beijou-me rapidamente antes de pegar a chave da moto e saiu, deixando-me olhando para porta igual a uma tonta.

~*~

Eu me vesti o mais rápido que podia, e quando finalmente desci a garagem usando a mesma roupa que havia vindo, o encontrei recostado na moto de Jack e enquanto brincava com as chaves, a testa franzida de uma maneira estranha, como se estivesse pensando em muitas coisas ao mesmo tempo.

Me aproximei dele cautelosamente, quando percebeu minha presença levantou a cabeça e me olhou. Sorriu em seguida, tocando meu rosto e então descendo a mão por meus braços, que eram cobertos por sua jaqueta mais uma vez.

— Eu realmente gosto de você nas minhas roupas — disse. Eu tentei não corar como uma garotinha apaixonada e apenas mordi o lábio, olhando para baixo ao dizer.

— Onde vamos?

Ele voltou a sorrir e se afastou, montando depois na moto para ligá-la.

— Você queria saber se tinha certeza sobre deixar minha liberdade. Bem, acho que para fazê-la compreender minha decisão, primeiro tenho que mostrar como era viver daquela forma. Mostrar o que estou deixando para trás.

Fiz careta.

— Tem certeza que quer fazer isso? — Ele assentiu.

— Sim. Será uma forma de mostrar como eu amo estar ao seu lado e porque não me arrependo — disse, e sorriu, me estendendo a mão — Vamos?

Nervosa, olhei em volta e então para sua mão estendida, um pouco receosa com que iria ver, a peguei, mas disse.

— Preciso ligar para Jared... Dormi fora de casa, ele deve estar louco atrás de mim. — Inesperadamente, ele me puxou, beijando meu rosto suavemente.

— Hum. Podemos começar usando isso — falou, me deixando confusa — Está ai uma das primeiras coisas que eram frequentes na “minha liberdade”. Pense em seus dias começando dessa forma, com a consciência pesada por saber que sua família está louca atrás de você, esperando que dê notícias depois de uma noite inteira de malandragem, pense no desinteresse logo seguido por remorso. Acha que isso é algo bom?

Neguei, sentindo meu coração aperto só de imaginar como haviam sido as manhãs dos pais dele, e principalmente do próprio Jimmy. Algo tão insensível.

— Tem razão... Não é — Ele deu um sorrisinho — Mas eu não me importava. E sempre estava decepcionando aos meus pais, não somente você. Agora venha, vou mostrar como eu passava minhas noites e manhãs. Assim, vai compreender ainda mais. Não se preocupe com Jared, a levarei para casa ainda hoje.

Ele me levou além das ruas em uma moto às duas da tarde. O vento em nos rostos, meus braços a sua volta, tão juntos que quase podia sentir minhas costelas sendo comprimidas em suas costas. Às vezes ele soltava uma de suas mãos do guidão da moto para alisar meu braço, como se não aguentasse ficar sem me fazer um carinho sequer durante aqueles minutos de viagem. Não podia dizer que não gostava. Na verdade eu adorava.

Não estava compreendendo o porquê de seu querer em me mostrar suas diversões antigas, mas não me recusaria em ver, pois de uma forma ou de outra, havia aquela parte de mim que estava se corroendo com curiosidade, e essa parte sabia, que seja lá o que queria iria mostrar, mudaria muita coisa na maneira em que eu viria o olhar.

— É aqui.

Pulei de cima da moto quando estacionamos em frente uma calçada vazia. Nela não havia nada de mais, pois o que realmente chamava atenção era do outro lado da rua, onde havia uma fila enorme de pessoas que dava na porta de um pub com luzes piscando e guardas nas tomando identidade, e tudo isso quando o sol ainda estava à vista. Virei o rosto para Jimmy com confusão, mas ele não me olhava, estava com os olhos nas pessoas e no pub, as íris escurecidas quando senti sua mão agarrando-se a minha com força.

Compartilhamos um olhar, e então ele me puxou para o outro lado da rua. Mas não seguimos para a fila, pelo contrário, entremos em um beco ao lado, onde também havia umas pessoas rindo e entrando por uma porta de ferro, o que considerei ser os fundos do pub. O homem que estava a por era enorme, tinha um cabelo escuro rapado do lado e um aparência assustadora. Não sabia se podia ter considerado bom o fato que ele abriu um sorriso estreito e malicioso assim que colocou os olhos em Jimmy.

— Um bom filho a casa sempre retorna — falou e ele e Jimmy riu, deixando que o homem enorme o pegasse em um abraço — Como vai homem? Anda sumindo de repente, lembro de ter visto você sair carregado daqui na última vez.

Arregalando os olhos o olhei, Jimmy suspirou.

— Estou bem, aquele só foi um dia complicado — Ele disse isso me olhando, como se quisesse me garantir que nada de ruim aconteceu. Obriguei-me a relaxar para não enlouquecer. — Chan, essa é Harlow.

Os olhos curiosos do homem pousaram em mim e ele acenou com a cabeça, um sorriso malicioso nos lábios.

— Muito prazer querida — A forma como ele pronunciou “Querida”, com tanta intimidade enquanto me avaliava dos pés a cabeça como se tivesse verificando uma mercadoria que lhe interessava fez-me fechar o rosto. Estava pronta para acertá-lo quando Jimmy me puxou para perto e fuzilou o tal de Chan, mandando um aviso sombrio para que o “amigo” ficasse longe.

— Não essa Chan — falou seriamente — Nem tente a chance.

Chan ergueu uma sobrancelha surpresa, mas depois sorriu, erguendo as mãos para o alto.

— Como queria colega. Ela é toda sua. — falou, e apontou para porta — Vai entrar?

— Sim. Vamos Harlow — Ainda com uma carranca, ele me arrastou para dentro, passando por Chan diretamente para a escuridão e o barulho.

Surpreendida, olhei em volta da boate e para aquela multidão de pessoas que saltavam em meio à pista, pulando ao som da música eletrônica, remexendo-se uns contra os outros e gritando. Claro que não era a primeira que vinha a um pub, mas era a primeira vez que vinha em um às duas da tarde e ainda sim encontrava o local lotado e muito animado. As luzes de diferentes cores piscavam em cima dos corpos suados e grudados. Havia uma cabine para o DJ na parede e a música trance explodia das caixas de som fazendo até mesmo o chão tremer em baixo de meus pés.

O recinto era uma mistura de pressão de corpos, cheiro de fumaça, cerveja e suor. Estava pronta para virar para Jimmy querendo saber o motivo de estarem lá quando ele a puxou além daquela multidão, diretamente para o bar onde uma mulher morena atendia homens e mulheres com copos e mais copos de mulheres e homens.

— Qual o intuito de estar aqui? — perguntei a ele com uma voz alta por conta da música.

Ele virou e sorriu, sentando-se em um dos bancos e me colocando entre suas pernas, os braços a minha volta.

— Você já vai saber. — disse suspeitosamente me deixando mais curiosa.

Ia mandar ele parar de fazer suspense quando a bartender parou na nossa frente com dois olhos arregalados e um sorriso de gato cheshire.

— Ora só quem voltou — Ela cantarolou e seus olhos brilharam com humor ao me olhar — E acompanhado da “amiga”.

Jimmy virou os olhos, mas sorria enquanto eu não entendia nada.

— Você me conhece? — indaguei, ela sorriu ainda mais.

— Não necessariamente — falou divertida e espiando Jimmy de lado. Ele limpou a garganta, incomodado — Bom, eu sou Maia, uma amiga de Jimmy — Ela estendeu uma mão, mas eu não me movi para apertá-la. O que eu fiz foi algo muito diferente.

Fechei minha expressão e estreitei os olhos, sentindo meu sangue ferver ao reconhecer o nome. O ciúmes dando as caras.

Você é a Maia? — O sorriso dela diminuiu e ela ergueu uma sobrancelha para Jimmy, esse apertou os lábios com nervosismo.

— Parece que não sou muito querida — falou, e parecia divertida com isso.

Fiz careta.

— Que bom que notou.

— Harlow — Fui apertada pelos braços a minha volta antes que pudesse ter a chance de saltar na garganta da mulher que já se assanhou para cima de Jimmy — Pare com isso bonita, Maia é uma amiga.

— Oh, e eu devo me conformar por você transar com sua amiga? — questionei virando o rosto para ele. Jimmy ficou vermelho.

Maia riu alto.

— Oh, eu gostei dela — Anunciou. Eu apenas pisquei sem entender. Ela me olhou — Fique tranquila, eu e J não temos mais nada há muito tempo.

— Como se sua palavra fosse me confortar. E o nome dele é Jaime — A fuzilei com insatisfação.

— Aposto que não, mas que tal isso? — Ela ergueu a mão direita e balançou os dedos. Um anel prateado brilhou ali, e quando ela tirou e se inclinou no balcão para que mostrasse dentro da aliança eu pude ver uma data e o nome “NICHOLAS”.

Relativamente relaxei e olhei Jimmy, que sorria satisfeito pelo efeito.

— Eu não faria isso com você — falou, e beijou-me no rosto antes de virar para Maia — Você não disse que estava noiva.

A morena deu de ombros.

— Não houve oportunidade. Se me lembro bem eu tive que carregar sua bunda magra para fora daqui da última vez. — Jimmy fez careta.

— Não vamos falar disso — disse me olhando, eu não concordei.

— Oh, não se detenham por minha causa — falei e me dirigi à moça — O que aconteceu?

— Maia, não... — Ele tentou, mas foi em vão, a morena já estava falando com um sorriso divertido.

— Ele chegou aqui com o rabo entre as pernas e falando coisas como ter perdido uma certa garota para um tal de Damien — Ela piscou inocente para Jimmy e riu quando o viu gemer, deixando a cabeça cair no balcão quando eu estreitei a vista para ele.

— Ele disse isso?

— Sim. E ainda se afundou em bebida. Por isso tive que ligar para uma amiga dele para vir buscá-lo, o pobrezinho estava desolado.

— É mesmo? — Dessa vez eu sorri, me deleitando com essas informações. Jimmy ergueu a cabeça e encarou Maia.

— Dá para parar de manchar minha imagem? Ou serei obrigado a contar a esse seu noivo umas coisas muito comprometedoras.

Maia sorriu maliciosamente.

— Querido, ele já sabe tudo sobre mim.

— Aposto que não sabe sobre aquela noite em que você bebeu tanto que acabou fazendo uma cena em cima de um...

— Okay! Okay! — Ela tinha os olhos arregalados, e por mais que tivesse uma pele morena, pude ver um rubor suave nas bochechas que estendia-se as orelhas — Você ganhou.

— Ótimo — Ele sorriu. E bufei.

— Você é impossível.

— Apenas zelando minha imagem, pequena — Beijou minha testa — Maia, nos vê duas tequilas.

Tanto eu quanto Maia erguemos a sobrancelha para ele.

— Você pretende me embebedar? — perguntei. Ele riu.

— Não querida, apenas quero mostrar uma coisa. Maia?

— Ok. Apenas manerem, não quero ter que arrastá-lo daqui de novo — falou, e nos serviu com a bebida para então sair e atender os outros homens.

Jimmy se virou no banco até estar olhando para mim, seus olhos escuros brilhando com ansiedade quando empurrou um dos copinhos em minha direção. Eu apenas queria saber o que ele pretendia com tudo aquilo.

Ele riu suavemente e levantou seu copo.

— Tim. Tim — Brindou.

Aproximei o copo do nariz e quase cai para trás. O cheiro era acido e forte, e eu tive que engoli em seco, sentindo o olhar dele sobre mim, desafiando-me a tomar. Respirando fundo, o fitei, afundei-me em suas íris e assenti, fazendo o sorrir.

E então tomamos.

O gosto quase me fez tossir o liquido para fora, mas segurei, apertando os olhos quando a merda queimou toda minha garganta até chegar o estômago. Sem ao menos antes ter me recuperado mãos agarraram os lados do meu rosto e de repente minha boca estava sendo devorada pela de Jimmy. Ofeguei, abrindo para ele e sentindo o gosto amargo da tequila que ele também havia acabado de digerir, ficando molhada no momento em que sua língua traçou o contorto de meus lábios, varrendo tudo por dentro como se quisesse me possuir.

Quando se afastou estava sem fôlego e meu corpo clamando por mais, meus seios apontando contra o sutiã e meu centro dolorido por atenção também.

— Sente isso? — Ele sussurrou, distribuindo beijos por minha mandíbula até o pescoço, levantando-se do banco para ficar atrás de mim, puxando-me para pressionar as costas contra seu peito e... algo mais. — O jeito como o amargo da bebida ainda fica em sua garganta — Fechei os olhos, ficando sem ar quando ele desceu por meu ombro, voltando então ao meu ouvido, sussurrando sensualmente de muito perto — A forma como o ar quente, e a batida da música pode aquecer nossas veias, a tentação de seguir o ritmo agitado até que não pensemos em nada mais a não ser perde-se naquela multidão cheia de toques. Sente isso Harlow? — Sem fôlego, assenti, sentindo muito mais que isso quando suas mãos prenderam minha cintura, onde apertaram-se em uma pequena pressão.

Quando ele voltou a falar, eu podia sentir o seu sorriso.

— Era assim que me sentia... Me perder nisso era mais do que me sentir vivo ou liberto, era sentir o prazer de explodir em um mundo completamente diferente, um sem preocupações. Atraia-me — Lentamente ele se deslocou de detrás de mim, ficando em minha frente, seus olhos banhados com adoração — Deixe-me mostrar a você — disse, e segurou minha mão, depois de tirar sua jaqueta me levou até a pista de dança, onde tudo era mais intenso que aquele beijo roubado, onde tudo eram passos e sensualidade.

Era um lugar no qual não me encaixava, ou pelo menos era isso que achava quando Jimmy me levou devagar até que estavam grudados e dançando na batida da música. Como sempre soube, Jaime era um dançarino excelente. Talvez fizesse sentindo. Com todas aquelas aulas de natação na qual ele usava o corpo para deslizar contra água, o fazia cuidadoso até mesmo na hora de dançar, com certeza não havia muita coisa que ele não soubesse fazer com seu corpo. Jimmy jogou a cabeça para trás, seus cabelos estavam escuro de suor depois de um tempo, grudando nas têmporas, e a curva da garganta brilhava sob luzes coloridas.

Eu via como os outros olhavam para ele, como seus olhos cintilavam com admiração, curiosidade e fome maliciosa, homens e mulheres desejando aquele cara que parecia fazer parte daquela roda de sons diferentes e estrondosos. Com uma possessividade que eu não esperava, me aproximei mais dele, deslizando por seu corpo, como já tinha visto muitas garotas fazerem em garotos em festas, mas nunca pensei que pudesse ter coragem para me mover dessa forma. Ao fazê-lo eu me senti tudo, menos deslocada. Ali eu era uma mulher decidida e sexy, mostrando a todos que aquele homem já tinha dona, e funcionou, pois os olhos caíram longe, uns com desgosto e outros com decepção. Eu sorri satisfeita, esfregando-me contra ele e me soltando por completa, sentindo a batida nas veias enquanto as mãos de Jimmy percorriam meu quadril e voltavam para cima. Ele estava de olhos fechados, mas no momento em que os abriu houve gritos e então uma explosão.

Gritei quando água gelada atingiu nossas cabeças, e só então, mais tarde, notei que não era exatamente água. Passei a língua pelos lábios e provei o gosto de vodca pura na boca, olhei para Jimmy e ele encontrava-se tão molhado quanto a mim quando chegou perto e se abaixou, tomando meu rosto nas mãos e lentamente, percorreu uma caminhada quente por meus lábios, os lambendo e descendo até meu pescoço. Seguindo pelo decote generoso de minha camiseta e então voltando, deixando-me mais do que louca.

Respirando com dificuldade, nós nos olhamos, perdendo-nos por um longo e demorado tempo até que ele esticou seu braço por minha cintura e me puxou, beijando-me profundamente. Minha boca foi invadida por um gosto forte de bebida. Uma mistura de tequila e vodca forte. Mais bebidas foram atiradas em cima da multidão enquanto nos perdíamos um no outro. Me afastei lambendo propositalmente a boca, tomando mais da vodca, gim, cerveja, seja o que fosse aquilo que eles jogava para todos os lados. Jimmy estava ofegando ao tentar chegar perto novamente, mas eu me afastei rindo.

Não sei o quanto aquilo durou, mas nós dançamos. Subitamente livre e desgovernada, e incrivelmente leve. Era impressionante como estar ali me fazia esquecer de tudo, eu apenas queria entra no ritmo, me divertir, pular, sentir, chacoalhar, queria ser libertada. De olhos fechados eu rodopiei, cada vez mais rápido, deixando para trás a dor e todos os problemas com a família, esquecendo-me de que provavelmente Jared e Amélia estariam surtando, girei até ficar tonta, girei até cair em um par de braços fortes que a agarrou por trás. Olhando para baixo reconheci as palmas e os dedos de pintor. Derreti-me contra ele, fechando os olhos, deixando a cabeça pender contra seu ombro. Sentindo o coração dele bater rapidamente contra minhas costas.

— Venha comigo — Ele sussurrou.

Em seguida estávamos atravessando o recinto com rapidez, Jimmy guiando-me até o final da pista até chegar a um canto escondido onde havia casais agarrando-se nas portas dos banheiros. Sem verificar as placas de feminino e masculino, ele me puxou para dentro e em seguida estávamos colidindo um contra o outro.

Nossas bocas se encontraram e se encaixaram perfeitamente. Jimmy me levantou, de modo que meu corpo estivesse pressionado contra a parede e seu corpo, os dedos percorrendo o material molhando de minha roupa e por baixo dela. Podia sentir o calor e a suavidade de sua pele por de baixo da camisa, e minhas mãos queriam mais. Muito mais.

— Isso é o que sentia quando me via em meio o mar de luxuria — Ele murmurou contra minha boca, beijando loucamente — Desespero de toque, desespero por um carinho, por um beijo... por você. Eu sempre precisei de você Harlow, e por isso trazia mulheres para minha cama, para poder imaginar você nelas.

Ele mordeu meu lábio inferior. Ofegante e doendo por ele, me agarrei aos seus ombros, sentindo a protuberância que cutucava minha barriga. Eu o olhei.

— Você me tem agora. — murmurei. E como se fossem as palavras que ele esperava, voltamos aos toques intensos até que nossas mãos batalhavam em livrar-se da barreira que nos matinha longe um do outro. Por um momento Jimmy me soltou, sua mão foi para um tipo de cesto grudado a parede, e quando retirou ele segurava um pacote de camisinha. Corando fortemente, observei enquanto ele se preparava, e mesmo que a vergonha tivesse dado as caras, tudo que eu mais queria era ter ele novamente dentro de mim, assim como aconteceu no loft, assim como aconteceu em sua mesa... queria ele por inteiro.

Ele voltou para mim, desabotoou minha calça, abaixando junto com minha calcinha e me ergueu, me prendendo novamente a parede fria, não perdeu tempo. Me beijou no ombro, abaixando aos poucos a alça da blusinha com uma lentidão torturadora, o mundo se fragmentou em pedacinhos, como as peças brilhante de dentro de um caleidoscópio. Ia desmontar nas mãos dele.

— Jimmy... — Agarrei-me a camisa dele. Ela estava molhada, grudenta, mas isso não importava, tudo que meus sentidos tinham consciência era do fato que seu membro estava roçando em minha entrada e então... estava no paraíso.

No começo, tive de me remexer com a sensação nova de estar usando a camisinha, era uma coisa estranha, mas como se entendesse meu desconforto, Jimmy passou a me mimar com beijos, trabalhando em meu pescoço e descendo ao busto ao puxar a frente do meu decote. Ele me deflorou até que estava languida novamente. A música lá fora fugiu de meus ouvidos e tudo que conseguia fazer era me perder no poder do prazer, ele se movia contra mim, me apertava e me tocava como nunca fui tocada antes. Era intenso, era novo e malditamente bom, era uma sensação que me fazia perder a cabeça até o momento em que a queimação começou subir do baixo ventre e se espalhar pelo corpo ao ponto de tudo se tornar tenso e doloroso, uma dor tão aclamadora que me fazia resmungar seu nome enquanto ele dizia coisas perversas em meu ouvido. Era o tipo de sexo que não imaginava um dia ter, um sexo no qual estava completamente submissa ao seu toque desde que me levasse ao ápice.

— Venha para mim pequena — Como se o fato dele ter mandado fosse meu botão de “Agora” o orgasmo me bateu com força e quase me fez ver o lado contrario da cabeça. Pude ouvir o gemido profundo de Jimmy quando ele também chegou ao seu fim, estocando umas duas últimas vezes antes de ceder contra parede, mas ainda segurando minhas pernas com força para que eu não despencasse no chão.

Ainda ser ar, abri os olhos, as mãos presas atrás da nuca dele quando encontrei seus olhos inundados com chamas e furiosas de prazer. Ele estava sorrindo, beijou meu rosto por inteiro, me fazendo rir e sentir mais daquele sentimento maravilhoso que era a paixão que guardava há tanto tempo por ele.

— Sabe essa felicidade depois do êxtase? A alegria de estar assim — Ele perguntou baixo, tão baixo que tive de me aproximar ainda mais — Eu não a sentia depois do sexo com as outras Harlow. Pense em como seria se compartilhasse isso com uma pessoa, e quando chegasse ao fim e abrisse os olhos para vê-la, para dizer que queria voltar a tocá-la sempre e todos os dias de sua vida... e de repente se lembrasse que aquilo foi só uma ilusão. — Seu rosto contorceu com dor, como se lembrar fosse a pior coisa que já fez — Pense como a desilusão era profunda quando saia para encarar mais um dia como se nada tivesse mudado, sendo que seu coração não concordava.

Com meu peito doendo, alisei seu rosto devagar sem saber o que falar, então apenas me inclinei e o puxei para um abraço. Querendo mostrar que daquela vez era real e que não havia necessidade para sentir dor, mas ele me afastou rápido, olhando para mim seriamente.

— Existe uma última coisa para você ver.

Antes que eu pudesse negar alegando que não precisava, ele saiu de dentro de mim, jogou a camisinha fora e se arrumou. Sem opção fiz a mesma coisa, e quando estávamos novamente em nossas roupas saímos do banheiro.

Recuperamos meu casaco e partimos para a saída que usamos para entrar nesse lugar. Ele tinha uma mão forte na minha, ele não trocou palavras com Chan quando passamos, mas notei que o homem parecia surpreso ao ver Jimmy sair, talvez, sóbrio e com a mesma garota da noite. Queria falar umas verdades a aquele homem, mas Jimmy se apressou para me levar além daquele lugar até o final do beco, e foi só quando estávamos fora que percebi que já era tarde da noite. A lua brilhava no céu e tudo parecia silencioso demais enquanto andava pela calçada, porém não demorou muito para pararmos, e o que vi partiu ainda mais meu coração.

Havia um desconhecido largado no chão, ele resmungava coisas e ria sozinho, cinco minutos depois estava choramingando para si mesmo enquanto tentava se levantar usando as paredes e os postes. Jimmy nos fez parar ali e seus olhos assistiam ao homem com remorso e arrependimento.

— Era sim que sempre acabava. — Murmurou melancólico — Toda liberdade requer um preço Harlow, e o meu era esse. Toda vez, depois de toda a diversão, eu sempre acabava sozinho, perambulando pelas ruas e com lembranças que nem mesmo eu suportava. — Ele me olhou, suas pupilas estavam dilatadas e os lábios franzidos — Agora pense na pergunta que me fez. Acha mesmo que quero voltar a isso? Acha que quero voltar a me sentir sozinho quando posso acordar todos os dias com você ao meu lado? Acha que essa liberdade é mais importante que o amor que sinto por você? Se acha, eu peço que me entenda agora — Se virou, tocando minha bochecha e a acariciando — Eu nunca estive tão feliz como estou nessas últimas horas, e não mudaria isso nem por um segundo de liberdade como aquela. Eu tenho você, e é isso que quero. Para sempre.

Com lágrimas, sorri, tocando seu rosto e ficando nas pontas dos pés, começando a compreender de vez, que a partir daquele instante, não poderia viver longe de Jimmy nem que tentasse.

— Sabe por que eu implico com seu nome? — perguntei o surpreendendo. Ele ergueu uma sobrancelha e seu lábio tremeu.

— Por que você ama me atazanar? — indagou. Eu ri, balançando a cabeça.

— Bem, isso também — falei, e ele virou os olhos — Na verdade é que ele me faz lembrar que eu mesmo tenho um nome que mancharia minha reputação. Ele faz lembrar a mim mesmo de uma forma bizarra, então acho que nós meio que combinamos.

— Seu nome não é tão ruim — disse com a testa franzida. Eu ri.

— Você não sabe qual é meu segundo nome — falei. Ele piscou, parecendo se dar contar disso só agora.

Me encarou com curiosidade.

— Qual é seu nome? — questionou, mas eu hesitei. Ele sorriu— Vamos pequena, conte-me. Nós combinamos lembra? Preciso saber dele para que possa dar o veredicto.

Mordendo o lábio, respirei fundo e virei os olhos.

— Penelope — respondi — Harlow Penelope.

Eu pude ver quando a diversão inundou seus olhos e a felicidade o fez abrir um sorriso radiante e absolutamente lindo. Minutos deles ele estava gargalhando e seus braços estavam me erguendo enquanto ele rodopiava, me fazendo gritar.

— Penelope! Oh Deus, isso é bom demais... — Ele gritava, gargalhando tão profundamente que tive de bater nele com irritação.

— Cala essa boca!

— Mas por que? — Ele me colocou no chão e me encarou, rindo com minha expressão assassina. Balançando a cabeça, ele beijou meu nariz, um gesto tão doce que foi impossível não rir. — Sim. Nós combinamos maravilhosamente bem, minha Penélope charmosa.

E me beijou, e mesmo sobre a camada de raiva, eu me entreguei da forma mais fácil e derretida de todas. Afinal, eu o amava, e não seria uma idiota de afastá-lo quando mais me sentia viva. Não mesmo.

~*~

Notas finais
E ai genteeee? Me digam que estão se derretendo com esses dois, pois eu tô aqui nem me aguentando com tanta fofura. Comentem ok. Preciso saber sobre suas opiniões. Agora sobre minha situação com a net. 1° Ainda estou sem, então infelizmente estou dependendo de umas pessoas para postar. 2°Comentários: Estarei os respondendo por celular ou quando puder, ou logo depois que postar. 3°As postagens não terão datas precisas. Sorry. Por enquanto é só isso e espero que entendam minhas dificuldades. Um beijo enorme. E byeeeee!