Rude Girl

33 Capítulo 33 — Conhecendo-se


Notas iniciais
E estamos de volta! Primeiramente queria agradecer a minhas graciosidades por terem me desejado um feliz aniversário. May (Coffee is life) M. Scarcell e futuramente Ellie. Muito obrigada por serem tão absurdamente fofas. Amo vocês. Agora vamos acabar com o suspense e ler. Boa leitura a todos amores ♥

Nós quartos fomos encaminhados até uma mesa junto com nossos avós por a enfermeira Lily. Em nenhum momento os dois saíram de perto de mim, e isso estava começando a me agradar. Ter Adele alisando minha mão e o vô Mason acariciando minhas costas era mais do que confortavelmente bom... Era relaxante.

— Deixarei que aproveitem a compainha um do outro agora — Llily sorriu amável e se despediu.

Quando estávamos apenas nós em volta da mesa, eu esperei pelo bombardeio dele em cima de mim, mas não foi isso o que aconteceu, pelo contraio. Minha vó se dirigiu ao meu irmão ao invés.

— Você podia ter nos avisado que vinha, Jad — Ela disse com um sorriso de lado. Jared e Dana se colocaram do outro lado enquanto eu estava no meio dos meus dois velhinhos.

— Eu sinto muito, mas resolvemos isso de ultima hora — Jared sorriu para mim e em seguida para os avós — Queria fazer uma surpresa.

— E foi uma surpresa e tanto. — Ela me abraçou forte — Não é Mason?

Vovô assentiu, me olhando com um sorriso pequeno.

— Sim querida. Eu estou muito surpreso — Seu sorriso vacilou um pouco — Não achava que poderia querer me ver novamente.

A tristeza alcançou meu coração de uma forma dolorosa, e quando olhei nos olhos dos meus irmãos, ambos assentiram me encorajando a seguir em frente.

— Vô, eu... — Engoli em seco e respirei fundo — Vim pedir desculpas. Aos dois — Os olhei profundamente — Mas principalmente ao senhor. Eu fui cruel em ter me afastado daquela forma, foi à coisa mais horrível que já fiz e espero que me perdoem.

Os dois ficaram me olhando enquanto tinha a cabeça baixa, o peso do olhar deles era como uma pedra caindo em minhas costas, pesava pra cacete. Quando comecei a ficar inquieta, vó Adele agarrou minha mão em um aperto forte e disse.

— Nós não precisamos de suas desculpas, querida. Sabíamos na época que estava passando por um momento difícil e compreendemos até hoje. — Seus olhos azuis brilharam para mim com orgulho — E se você está aqui agora, isso quer dizer que conseguiu vencer seus pesadelos. E isso é maravilhoso!

— Mas... Vocês também tinham acabado de perder alguém — Minha voz falhou com a culpa — Eu não tinha o direito de machucá-los daquela forma.

Sem palavras, eles me olharam e depois viraram na direção de Jared e Dan, que apenas observavam tudo bem atentos.

— Escute o que vamos falar, Harlow — Mason pegou minha mão esquerda e seus incríveis olhos escuros me fitaram. — Nós sabíamos mais que todos aqui, que você estava sofrendo. Ainda tão jovem e perder o pai para logo em seguida acabar descobrindo a real história de sua mãe... Você estava fragilizada, filha, entendemos isso. Eu entendo, pois assim como disse, perdi alguém, e esse alguém foi uma das pessoas mais importantes da minha vida. Mas não posso imaginar como é se sentir como você se sentiu ao saber de Hope e ainda ter que enfrentar o luto por Martin.

Engolindo saliva, abaixei a cabeça e respirei fundo, lembrando dos vários aniversários que eu me tranquei e adoeci sentindo a dor da culpa. Pensei nas horas em que me excluí e me afastei dos meus irmãos por causa da morte da minha mãe. Eu estava tão quebrada.

— Foi complicado — admiti em meia voz — Às vezes eu me sentia vazia. No dia das mães era pior, ou no dia dos pais... As crianças me perguntavam o que eu ia fazer com meu presente, e eu simplesmente dizia que ia jogar fora... Era difícil fazer isso — Minhas mãos tremularam ao agarre de meus avós, esses pareciam sentir toda a dor que eu tive de enfrentar, pois apertaram de volta e se aproximaram mais. — Esses dias eu até conseguia ignorar, mas meu aniversário — Fechei os olhos.

Meus avós suspiraram e Adele esfregou minhas costas suavemente.

— Esses dias já passaram meu anjo — Ela sorriu amável para mim— Você parece tão bem e bonita. Aliás, todos vocês estão — Os olhos azuis passaram por mim e meus irmãos, que sorriram em respostas — Tão lindos os meus netos. Dana, querida, fazia um tempo que não vinha nos ver.

Dan tomou um olhar triste.

— Eu sinto muito, vó. Mas é que tenho me dividido um pouco entre ir trabalhar e estudar. Mudei meu turno de curso para noite, tentarei vir mais vezes ver vocês. Eu prometo.

— Está se sobrecarregando de novo — Minha avó franzia o cenho em desgosto para Dana, era uma expressão tão “Pai” que cheguei a sorrir — Os dois estão. Pensam que não vejo as manchas em baixo dos olhos de vocês? — questionou nervosa, olhando para Jared e Dana, que no mesmo instante abaixaram os ombros.

— É preciso — Jad disse apenas — Mas estamos bem.

— Oh sim, eu vejo isso quando bocejam ao pensarem que não estamos olhando — Adele resmungou e suspirou — Jared, precisam maneirar.

— Estamos bem, dona Cooper — Sorriu meu irmão, humor e carinho ao olhá-la — Eu é que devia estar averiguando a senhora. Não acha?

— Ora, que coisa mais indelicada filho. Eu não preciso de averiguação nenhuma, diga para ela Mason. — Adele acenou com uma expressão adoravelmente rabugenta. Meu avô ergueu uma sobrancelha para ela, como se soubesse todos os seus segredos, o que obviamente era verdade.

— Quer mesmo que eu fale com ele, querida? Não acho que irá gostar — E sorriu. Adele franziu os lábios e cruzou os braços.

— Mas que coisa homem! Não venha com essa conversa agora, temos nossa Harlow para falar, não quero passar meu tempo sendo revistada por um médico mandão. Sem ofensas, querido — Ela acenou para Jared. Ele riu alto.

— Claro vó.

— Ela está doente? — perguntei um pouco aflita. Jared disfarçou um sorriso para mim.

— Não doente, apenas o calor da idade que está fazendo-a mais cansada que o habitual. Digo que ela precisa descansar, mas não permanece um instante na cama, certo, dona Adele? — Ele encarou a avó, que bufou e chacoalhou a mão direita como um sinal de exagero.

— Não preciso de cama nenhuma. Mason me prende lá por três horas seguidas durante a semana. Não suporto mais ficar deitada. — Resmungou ela, e meu avô sorriu.

— Se você fizesse sozinha a recomendação de Jared, eu não precisaria prendê-la na cama, meu amor. — Ri. Eles eram um casal tão bonito que não me cansava de olhar.

Adele fez careta para o marido.

— Eu vou fingir que você não me entregou ao meu médico, e apenas aproveitar a presença adorável da minha doce netinha. — E se focou em mim.

Acho que me assustei um pouco quando o som da risada de Mason veio de trás de mim. Eu arregalei os olhos e meu coração saltou quando me virei no pulo, avida por ver isso. Seus olhos eram miudinhos e o sorriso exibia uma fileira inteira de dentes brancos, sua mão estava sobre o peito enquanto as convenções de sua risada diminuíam. Fiquei emocionada.

Mason então percebeu que eu o encarava fixamente, sua gargalhada se foi e ele engoliu em seco.

— Tenho que me acostumar com a forma que me olha — murmurou um pouco constrangido. Eu sorri.

— Eu acho bom, porque eu não consigo parar — confessei e em seguida me virei para Jad — Ele é ainda mais parecido com ele, né?

Jared olhou nosso avô e sorriu.

— Sim. Muito.

— Eu seria também, se não fosse pelos olhos — Dana disse, piscando muito ao nos olhar e sorriu — Papai dizia que nossos olhos e os da mamãe pareciam com uma pedrinha chamada Labradorite. Ela é bem azulada com detalhes em verde. É totalmente linda.

Sem perceber, levei a mãos aos olhos e sorri, pensando em como seria ter papai de volta. Aqui e conosco. Suspirei.

Adele esfregou meu ombro.

— Seus olhos são lindos, querida. Assim como os de Jared — Adele focou-se bastante em Jad e sorriu — Como não amar alguém que me lembra os olhos do meu marido?

Rindo, vi como Jad corava e ao seu acompanho, Mason fazia o mesmo, encolhendo-se em seu lugar. Isso foi tão doce que todas nós nos pegamos rindo.

— Vocês são tão bonitos. — Dana murmurou os olhando.

Jad virou os olhos.

— Não exagere Dana.

— Ela diz a verdade, querido. — Vovó sorriu divertida — Sua inocência é do lado paterno da família. É absolutamente linda. Martin também era tão doce quando queria algo. E talvez seja por isso que me apaixonei por esse fanfalhão que só manda em mim.

Mason piscou divertidamente para a mulher e depois para nós.

— Ela não se cansa de mim nunca.

Nós rimos. Meus avós eram as melhores pessoas que eu já tinha conhecido; passar uma hora com eles nunca pareceu correr tão depressa. Nós colocamos as novidades em dia, eu disse como fiz para seguir em frente sobre a morte de minha mãe, contei sobre meus amigos, — pois nenhum dos dois parecia querer deixar nada em relação a mim de fora — e também falamos de como andava meu colégio.

Porém, foi quando disse sobre minha viagem a Califórnia, que ambos fecharam a expressão e confusão invadiu seus olhos. Percebi nesse instante que nenhum dos meus irmãos havia contado nada sobre Amélia ou a viagem, e muito menos sobre a tutela.

Nesse instante eu olhei para meu irmão sem saber o que dizer, e ele acabou por respirar fundo e falar:

— Amélia está de volta

Eu não entendi o porquê, mas tanto Mason quanto Adele, ficaram muito sérios ao trocarem um olhar e voltarem-se para Jad, que passou a relatar tudo que tinha acontecido durante todos aqueles meses. Eles ouviram com atenção redobrada até que Jad falou do meu desejo de ir com Amélia.

Ambos me olharam surpresos.

— Tem certeza que é isso o que quer, querida? — Adele indagou. Eu suspirei.

— Ela não é tão ruim como pensam. Amélia é boa — dei de ombros — Só é muito sozinha. Tenho certeza que posso convencê-la a ficar aqui conosco, mas para isso preciso de tempo. Mas o julgamento para a tutela é dia três de outubro. São daqui a poucos dias.

— Compreendemos que quer ajuda-la, filha, mas não acha que isso é uma medida drástica? — Adele parecia aflita ao me olhar, e quando a encarei, ela suspirou— Não vou mentir dizendo que quero que vá, mas... Não posso pedir ao contrario se não é esse seu desejo.

— Mas não é isso! — gemi com frustração e esfreguei o rosto — Estou tentando dizer que não tenho alternativa a não ser deixar um de vocês pra trás... E se eu escolher abandonar Amélia, ela vai embora. Não por não me amar, mas por que a vida dela está fixa na Califórnia durante anos, tem o trabalho dela e muito mais. Jared e Dana também, mas ao contrario de Amélia, Jad está preso no hospital até pelo menos terminar sua residência. Então se eu for com Amélia por um tempo, posso convencê-la a transferir seus negócios para cá.

— Negócios? — Jared me olhou com curiosidade — Ela falou para você no que trabalha?

Torci o nariz para ele e então pensei.

— Não, mas acho que é empresaria. — falei e acrescentei— Para conseguir um avião tão facilmente ela com certeza têm muita grana.

Dana pigarreou em surpresa.

— Por que ela precisou de um avião?

— Ah, é que nós fomos... — Me interrompi em meio a frase quando percebi o que estava prestes a falar. Senti todo meu sangue gelar olhando meus irmãos e avós — Nada.

— Nada? — Jared apertava os olhos para mim — Harlow...

— Já disse que não é nada, nós só... er... Fomos em um passei de avião — Falei, e no mesmo instante me impedi de morder as unhas com minha mentira enorme — Isso! Ela conseguiu um avião para me mostrar Malibu e São Diego. Foi lá que pegamos o avião, tinha pista de pouso e tudo mais. — Apertei as mãos em baixo da mesa.

Jared me observou por uns instantes tentando ter certeza se eu não mentia, dando-se por satisfeito, assentiu.

— Então ela tem uma empresa em São Diego?

— Eu disse que acho. Não tenho certeza. — Relembrei, estranhado como meu irmão pareceu tão pensativo.

Dana falou:

— Bem, acho que se ela tem uma empresa lá. Iria acabar prejudicando sua ideia, Harlow. Dirigir uma empresa requer muito trabalho, e transferi-la de um lugar, assim, de uma hora para outra, seria muito complicado.

— Dana está certa — Mason tinha um olhar avoado e pensativo — Me pergunto como ela conseguiu essa empresa.

— Qual parte do “Eu não tenho certeza” vocês não entenderam? — questionei nervosa — Ela pode ser apenas uma vendedora ou uma secretaria. Pelo amor Deus!

— Desculpe querida, não quero contradize-la, mas se o que vocês disseram a nós for verdade, e ela tem uma casa enorme em Malibu e os melhores advogados — Adele balançou a cabeça — Com certeza ela está à cima da escala de secretaria ou vendedora.

Ela bem que tinha razão, mas não conseguia compreender o que deixavam-os tão inquietos.

— Ok. Mas e se ela for mesmo uma CEO? — perguntei ao meu irmão — O que isso tem haver conosco? É o trabalho dela.

Jared franziu a testa.

— Trabalho que surgiu absolutamente do nada — murmurou, mas ao ver minha reação às suas palavras negativas, ele esfregou o rosto e disse — Não estou tentando colocá-la contra Amélia, Harlow, apenas estou juntando uns fatos. Nossa tia nada mais é que uma estranha para nós, nunca soubemos dela até agora. E ela está querendo levar você para dentro de seu ninho no fim do mundo. Precisa compreender que tenho de me informar ao máximo sobre ela... Por você, entende?

O desgosto se foi e permitir-me relaxar. Como sempre, Jared estava pensando em mim e não em seus próprios problemas.

— Eu vou ficar bem — garanti.

Sua face decaiu um pouco.

— Por quanto tempo? — Sussurrou. Eu suspirei e agarrei sua mão.

Estava tão cansada de ver Jared se matando só para me dar o melhor. Estava na hora dele descansar. Cuidar de si mesmo.

— Jad, escute — Segurei-o e estendi uma das mãos para Dana, que também a segurou, mesmo que estivesse com uma careta — Vocês cuidaram de mim durante todo esse tempo. Agora está na hora de organizar a vida de vocês. Dan, você só tem dezenove anos, não era para parecer uma mãe responsável, e sim uma adolescente como eu!

— Eu não me importo com isso — resmungou. Eu sorri.

— Sei disso e é exatamente por esse fato, que a amo tanto. E por amar os dois assim, quero que parem um pouquinho de pensar em mim. Jad, aproveite que Caroline pode estar aqui... Você parece tão feliz ao lado dela.

Jared desviou o olhar para nossas mãos e não voltou a erguê-lo. Eu não entendi o porque e olhei Dana, que também parecia confusa, nossos avós logo se agitaram.

— Quem é essa Caroline? — Adele perguntou. Eu sorri.

— É a nova namorada do Jad — Dana falou.

Jared corou.

— Oh! Querido, como assim? Você precisa trazê-la para conhecermos — disse Adele toda feliz.

Meu irmão piscou e bufou.

— Nós não estamos namorando — falou. Eu arregalei os olhos.

— Como assim, não estão? — Me inclinei sobre a mesa — Você não se esqueceu que quando eu saí de casa ela estava lá e usando uma de suas roupas, certo?

Ele corou ainda mais, olhando os avós que sorriram divertidamente de lado.

— É complicado.

— Só porque você quer — Dana rebateu — Car está super na sua.

— E você na dela — Acrescentei o fazendo mais ruborizado.

— O que está acontecendo querido? — Adele pegou a mão do neto e sorriu — Não gosta dessa moça?

O rosto dele rapidamente demonstrou os seus verdadeiros sentimentos, seus olhos foram para a avó e brilharam tanto quanto o sorriso em sua face.

— Não eu... gosto dela. Mas é que... É como Harlow disse, Caroline faz faculdade longe e em breve vai embora — O sorriso se desmanchou e decepção fez com que ele abaixasse a cabeça — Só voltaria a vê-la no final do próximo ano. Sempre seria assim... Eu não sei se um relacionamento renderia dessa forma. Nós dois sabemos que seria complicado.

— Mas ela poderia vir nas férias de junho — Sugeri e dei de ombro— Eu conversei com Damien sobre isso também. Assim que convencer Amélia a morar comigo aqui, ele virá me ver assim que as férias chegar. Assim como eu poderia ir para lá.

— Damien? — Mason ergueu uma sobrancelha questionadora. Eu sorri.

— Damien é meu... — Hesitei, pensando em como deveria me referir a Damie — Ele é meu namorado. E também é irmão gêmeo da Caroline. Conheci-o na Califórnia.

— Gêmeos? — Adele parecia maravilhada. — Eles devem ser adoráveis.

Jared e eu rimos, trocando olhares maliciosos.

— Eles não são tão parecidos como pensa — falei divertida — De rosto eles são idênticos, mas o resto.

— Caroline é calma e controlada — Jad disse sorridente, mas depois suspirou ao me olhar — Já Damien é mais extrovertido e problemático. Ele é um dos meus problemas agora.

Dan riu eu virei os olhos.

— Ele não quer encarar que eu estou crescendo — falei aos meus avós. Eles riram.

— Você só tem dezessete! — Jared soou indignado — É uma criança ainda.

— Minha bunda. — praguejei.

— Harlow!

Meus avós gargalharam alto. Eu cruzei os braços emburrada e olhei em volta, notando vários velhinhos cansando-se de dançar e apenas se sentando.

— Nós entendemos sua frustração, querido — Adele sorria largo — Demorei muito para perceber que Martin havia enfim crescido. Apenas cai na real quando você estava nos braços dele.

— Ela então passou a adular você ao invés — Mason murmurou, e Jad sorriu ao me olhar.

— Harlow sempre vai ser minha garotinha — falou, e eu não consegui conter o rubor em minhas bochechas e o sorriso em meu rosto. Jared às vezes era fofo demais para uma pessoa só.

Conversamos mais sobre Car e Damie, e durante esse papo tentei e muito convencer meu irmão de que ele devia falar com Caroline. Ele não podia simplesmente deixar seu futuro ir embora. Dan e meus avós apoiaram, e eu quis tanto abraçá-los por isso.

— Eu falarei com ela — prometeu Jad com um suspiro cansado — Mesmo que ache isso uma perda de tempo.

— Quero ver você achar isso quando entrarem no quarto — escapei em voz alta. Eu tapei a boca com os olhos arregalados para meus avós, mas o único que parecia chocado era Mason, que assim como Jared, tinha os olhos esbugalhados. — Foi mal.

E assim Dan e Adele passaram a rir escandalosamente. Percebi que ambas tinha a mesma risada, o som era tão bonito e alegre que dava vontade de sorrir em resposta.

De repente, sobre o som das risadas da minha irmã e vó, — e também sobre o som de Jazz — uma movimentação a nossa esquerda nos fez virar o rosto. Na porta, uma roda de enfermeiros circulava alguém enquanto resmungos vinham até nossos ouvidos.

— Oh, lá vem ele de novo — Adele murmurou e chacoalhou a cabeça ao olhar para o marido — O que será que houve dessa vez?

Mason abriu um sorriso imenso enquanto espiava a roda.

— Talvez tenham colocado remédio para dormir em seu copo novamente. Ele não apareceu essa manhã no refeitório. — Vovó riu.

— Como se ele gostasse de lá. — falou. Eu não entendia de quem eles falavam, mas quando vire-me na direção das vozes, uma em especial me chamou a atenção.

Foquei-me no homem que saia do meio dos enfermeiros resmungando, seu cotovelo voando de encontro à barriga dos homens enquanto uma mulher com cabelo escuro tentava fazê-lo retornar de onde veio. Eu ergui uma sobrancelha surpresa e me levantei.

— Josh? — murmurei observando enquanto Joshua Jodie — avô paterno de Jodie — lançava maldições aos enfermeiros.

— Não me venha com historinhas Lucinda! Eu sei que tem dedo seu nessa história.

— Senhor Joshua, tente manter a calma e vamos voltar ao seu quarto, assim podemos terminar sua sopa. — A moça suspirava e tentava puxá-lo gentilmente, mas o velho não queria papo. Ele cerrou aqueles olhos absurdamente azuis para ela e franziu o lábio em uma linha severa.

Eu não consegui conter o estremecer que passou por mim quando a imagem fria e clara de Edgar passou por minha mente. Não havia nenhuma forma de esquecer aqueles olhos azuis cheios de maldade, aquele rosto duro e terrivelmente aterrorizante. Não havia.

E aquele velhinho era o pai do homem que torturará tanto Jodie, mas ao contrário do filho, Joshua era bom.

— Não quero suas desculpas mocinha! Me solte de uma vez ou farei um escandalo — Josh apontou para a tal enfermeira Lucinda.

Pelo menos para alguns. Pensei sorrindo.

Meus avós e irmãos também se levantaram, Mason e Adele me olharam curiosos.

— Conhece Josh?

— Ele é avô de uma amiga minha — expliquei e franzi o cenho — Eu não sabia que estavam no mesmo asilo. — Olhei para Jared.

Ele sorriu.

— Eu havia me esquecido completamente.

— Ele parece bravo— Dana murmurou assistindo ao homem. Eu ri.

— Josh sempre está bravo com os enfermeiros — falei. Mason e Adele assentiram.

— Ele é uma de nossas melhores diversões. Semana passada ele atirou aquela bengala dele em um dos enfermeiros, tudo porque o pobre rapaz lhe serviu sopa sem sal. Sempre tão ranzinza, mas é isso o que o faz parecer tão adorável — falou Adele, e caminhou devagar até onde Joshua estava discutindo. Eu fiz careta ao perceber que às vezes suas pernas tremiam com seu peso, por isso olhei para Jared de forma preocupada.

Ele parecia fazer a mesma coisa. Estava avaliando nossa avó de longe, e considerei que sua testa franzia era algo ruim.

— Ela está bem? — Sussurrei. Ele me olhou triste.

— Não posso fazer com que ela envelheça mais devagar — lamentou realmente muito decepcionado — Está apenas acontecendo o inevitável.

Eu tive de engoli o choro. Vovó estava adoecendo e ficando cansada, adoecendo por causa da idade. Isso queria dizer que em breve não estaria mais entre nós. Meus olhos arderam e olhei meu avô, que parecia tão bem e forte, seus olhos nunca deixando sua esposa. Não era justo ele ter que ficar sozinho quando ela fosse embora. Não era.

— Joshua, querido, o que está havendo aqui? — Ouvi ela perguntar ao chegar até a confusão.

O avô de Jodie olhou-a emburrado e bufou.

— Eles me doparam de novo! Isso é inadmissível!

— Não faríamos isso se fosse dormir na hora em que pedimos — Lucinda resmungou ao lado — O senhor não pode ficar durante muitos instantes de pé. É receitado por seu médico lembra-se?

— Viu! — Josh apontou dramaticamente e olhou Adele — Eles vão me matar qualquer dia desses. Estou falando sério.

— Claro que está querido. — Ela agarrou o braço que ele não apoiava na bengala e o fez andar, também usando a sua própria bengala para se manobrar — Mas por que não vem se sentar conosco, hum? Pode jogar xadrez com Mason outra vez, que tal?

— Ele não pode ganhar de mim. — Ele resmungou e então sorriu largo — Só minha Michelle ganha. Mais ninguém.

— Estou ciente que sua neta é a única boa o bastante para ganhar do rei do xadrez, Joshua — disse Mason, sorrindo quando sua esposa se aproximou com ele. Josh assentiu satisfeito.

— Sim. Minha neta é incrível — falou e então percebeu que tinha mais gente no local. Ele passou os olhos por meus irmãos então travou em mim, fez careta e falou — Eu conheço você. Sim. Eu absolutamente conheço você.

Ri um pouco e assenti ao falar.

— Sou Harlow, lembra? Amiga da Jodie — falei. Os olhos do velho logo se iluminaram ao ouvir o nome da neta.

— Ah sim, minha bonequinha está aqui? — Ele olhou em volta e pareceu decepcionado ao não encontrar a neta. — Onde ela está?

— Não — falei delicadamente — Jodie foi para seu primeiro dia na faculdade. Ela não contou ao senhor?

O rosto de Josh se iluminou de orgulho ao falar.

— Sim, ela disse — Ele piscou para meus avós — Elizabeth está na faculdade. Minha neta é assim tão inteligente — Eu ri, olhando como Joshua se abaixava e sentava atrás de uma mesa que tinha um jogo de xadrez. Logo meu avô Mason o seguiu, sentando-se na outra cadeira.

— Nós sabemos meu amigo — falou gentil e deu um sorriso — Você adora nos falar de suas netas. Mas agora eu creio que é minha vez de gabar-me. Esse é meu neto Jared, e minhas duas netas Dana e Harlow. Fico surpreso que já os conheça.

— Sim. É uma grande surpresa — Josh disse, e então olhou para o quadro de xadrez e coçou o queixo e então me olhou — Por favor, será que você é boa como minha neta? Pode me trazer um sanduíche com muito cheddar? — sorri.

— Não! — Lucinda se colocou atrás do velho de cabelos embranquecidos. — O senhor não pode comer isso, já disse!

— Não seja chata Lucinda. — resmungou Joshua. Meus irmãos riram.

— Sua dieta precisa ser controlada e ela sempre é interrompida quando sua neta vem lhe visitar. Já está de bom tamanho — falou a enfermeira, e em seguida suspirou ao nos olhar. — Agradeceria se não trouxer nada.

— Luce, você sabe que ele vai conseguir de uma forma ou de outra — Minha avó disse, se sentando no banco que estávamos antes.

— Adele, não me entregue dessa forma — Josh resmungou com um sorriso, e olhou o tabuleiro cantarolando — Estou indo até sua rainha Mason. Veja.

— Maldita seja sua mão, Josh — resmungou meu avô, eu sorri, mas me virei quando o toque do meu irmão veio em meu ombro.

— Temos que ir. — Ele falou para todos, mas seus olhos então pousaram em Adele — Que tal irmos rapidamente até o quarto para passarmos aquela revisão? — perguntou suavemente.

Minha avó bufou exasperada.

— Estava pensando o quanto que você iria aguentar. — Resmungou e pegou a mão que Jared estendia para que ela se levantasse — Sempre com o médico no coração, certo?

— Absolutamente — Sorriu meu irmão, e levou-a para fora lentamente. Virei-me para Dana e nós trocamos um olhar preocupado antes de virarmos para Mason. Ele fazia careta para a porta que Jad havia passado com sua esposa, e quando nos olhou, sua face suavizou.

— Vai ficar tudo bem com ela, queridas. Eu estou com os olhos bem abertos — garantiu. Nós tentamos sorrir em resposta, mas foi malditamente difícil.

Ficamos assistindo aos dois no jogo durante uns dez minutos inteiros, e em todos Josh ganhou e comemorou como uma criança. Mas eu podia perceber que meu avô estava distraído e incomodado com a demora do meu irmão para voltar com sua esposa. Eu mesmo estava quase cogitando ir atrás deles. Mas no instante que levantei Jared reapareceu sozinho, com sua famosa maleta branca. Tal essa eu nem tinha notado que ele carregava.

Mason se levantou na mesma hora e foi até o neto, que tinha uma expressão séria enquanto relatava para o avô o estado de Adele. Mesmo que eu não escutasse o que ele falava, eu sabia que seria algo como: Adele anda cansada demais, estou controlando seus medicamentos para que seja mais fácil para ela durante os dias, mas não garanto que a faça melhorar.

Eu senti quando Dan me abraçou ao ver Mason assentir e abaixar a cabeça, a mão indo esfregar os olhos de forma exausta. Jad nos olhou penoso e então tocou o ombro do avô, inclinando-se para falar em seu ouvido, Mason sorriu e suspirou.

— Obrigada filho — consegui entender ele dizer, e então o abraçou. Ele se voltou para mim e Dana e abriu um sorriso, porém eu vi a tristeza nas profundezas de seus olhos — Fiquem com Deus e se cuidem. Dana, venha me ver mais e pare de trabalhar tanto, não gosto de ver esses olhos fundos. Certo?

Dan sorriu e foi para dentro dos braços dele.

— Okay, vovô.

Ele sorriu e beijou sua testa antes de olhar para mim.

— Não sabe a alegria que me dá saber que você irá vir me ver outro dia. Não sabe como fico feliz ao saber que não carrega magoa alguma de mim — Seus olhos brilharam molhados — Obrigada Harlow. Obrigada por confiar e me dar mais uma chance.

Sorri, e me aproximando dele o abracei forte, respirando seu cheiro com saudade.

— Eu sinto muito por não ter vindo antes. — falei. Ele me apertou.

— E eu sinto por não ter ido até você — E beijou minha cabeça.

Quando ele se afastou e seguiu para seu quarto acompanhado de Josh, eu senti sua falta. Queria permanecer em seus braços e apenas descansar ali, mas tive de me contentar quando Jad disse que voltaríamos na próxima semana.

Nós seguimos até o metrô em silencio e chegamos em casa dentro dele. Eu pude ouvir o som da tv do meu quarto ligada, o que denunciava que Damien estaria aproveitando mais um de seus jogos. Eu não pude me virar para ir até ele, pelo contrario. Eu caminhei até o sofá com meus irmãos e me sentei com eles. Dana a minha esquerda e Jared a minha direita.

Ficamos olhando para o porta-retrato de Adele e Mason em cima da estante. Eles pareciam mais novos e havia um garotinho com lindos cabelos e olhos escuros aos seus pés. Ele estava banhado com lama e segurava uma bola de futebol. Meu pai estava uma bagunça.

— Quanto tempo ela tem? — Dana conseguiu perguntar.

Minha garganta queimou.

— Não posso ditar um tempo— Jared confessou, mas não parecia feliz — Porém ela pode piorar a qualquer momento. Suas dores estão fracas agora, mas o seu cansaço — Sua voz baixou e formou-se um sussurro — ele parece aumentar a cada instante. Se continuar assim terei que interná-la.

Voltamos a ficar quietos, olhando a fotografia com um medo gritante e ao mesmo tempo silencioso. Não sei quanto tempo passou, mas foi o suficiente para que Damien acabasse de jogar em meu quarto e finalmente descesse. Porém ele ainda tinha companhia.

Caroline descia logo ao seu lado e seus dedos trabalhavam em tentar esconder algo que estava na cara. Seu rosto estava vermelho e os olhos embaçados e brilhantes, o rosto molhado deixava-a incrivelmente diferente, parecia uma menininha assustada quando ergueu a cabeça e notou que estávamos na sala.

Damien tinha um braço em cima de seus ombros e tentava secar suas bochechas enquanto descia, e talvez tenha sido o fato dela estar chorando, que fez meu irmão arregalar os olhos e se levantar com o rosto branco como cal. Ele já havia entendido que Car não era de recorrer às lágrimas, e vê-la fungando daquela forma pareceu ser o próprio inferno dele.

— O que está havendo? — questionou olhando para ela.

Caroline se soltou de Damien e tentou mascarar sua tristeza com um sorriso.

— Nada. — Ela evitou o olhar de Jared a todo instante — Estou bem, já estava de saída. Damien estava me levando à porta. Vamos Dan — Fiquei chocada que ela simplesmente fosse se virar e ir, e fiquei chocada que Jared fosse permitir. Eu apenas quis chutá-lo. No entanto me contive quando uma luz brilhou e a cabeça de Jad pareceu funcionar.

Ele se apressou e agarrou o pulso de Caroline, impedindo-a de ir.

— Espere. — pediu — Me diga o houve — Sua voz pareceu mais mansa e muito preocupada. Caroline mesmo assim não o olhou. Droga!

— Já disse que não é nada.

— Car. — Damien suspirou pesadamente e então olhou Jared — Ela só está emocionada. Apenas isso.

— Por que? — Jared não tirava a atenção dela.

— Ela estava com meu pai no telefone. Só isso — falou. Os ombros do meu irmão caíram como se compreendesse o motivo das lágrimas da mulher. Entendi que era exatamente isso quando ele caminhou até ela e pegou sua mão, alisando-a antes de olhá-la profundamente.

Fiquei fascinada com a forma que Car focou-se nele e então tudo pareceu fazer sentindo em seus olhos. Sua face inundou com alívio e ela suspirou, se aproximando dele lentamente enquanto permitia que Jad tomasse sua mão. Jared a levou para seus lábios e a beijou, fechando os olhos como se apenas aquele contato fosse o bastante para que se acalmasse.

— Por favor. Entenda — Caroline pediu baixo, chorosa.

Jared piscou e segurou seu rosto.

— Me desculpe por não ter entendido antes. Me desculpe — falou aflito. Eu sorri, sabendo que ele, naquele instante, se referia ao fato de ter a recusado como namorada a longa distancia. Jad estava seguindo nosso concelho e reatando com a mulher por qual estava apaixonado. E isso me trazia orgulho dele.

— Eu virei visitá-lo — garantiu Car, sem afastar a testa da dele — Prometo que virei. Não irei me dedicar somente ao trabalho, eu prometo.

Sua fala então me fez sentir pena. Eu lembrava de quando Caroline tinha dito que todos os seus antigos namorados sempre saiam fora por causa de seu emprego e de sua responsabilidade em ser a melhor em tudo. Lembrava de seu olhar triste dizer que desejava pelo menos uma vez, que isso fosse diferente e que Jared lhe desse uma chance. Apenas uma. E eu a compreendi, tanto compreendi como resolvi ajudar.

Devagar, me levantei do sofá sob o olhar curioso de Damien e Dana e cheguei de fininho atrás do meu irmão. Sem nenhum arrependimento, empurrei Jared contra a loura e assisti, com eterna satisfação, como Car tropeçava para trás e meu irmão a segurava pela cintura, acabando com aquele espacinho idiota ao seu meio. Eles se olharam por apenas um segundo, e logo em seguida estava aos beijos como eu bem pensava.

Sorri, sentando-me ao lado de Dana e dando espaço para que Damien caísse ali também. Ele me olhou sorridente, e me puxando, beijou-me no rosto antes de sussurrar em meu ouvido.

— Mandou bem caramelo.

Sorri e observei enquanto Caroline ria e Jad distribuía beijos em seu rosto, sorrindo para ela e a abraçando.

— Sim — murmurei — Eu mandei.

E nunca fiquei tão orgulhosa disso.

~*~

Notas finais
E é isso. Espero que tenham gostado e que venham comentar suas opiniões. E claro, antes quero mais uma vez agradecer aquelas lindas pela parabenização. Foi algo muito importante. Valeu. Adoro vcs ♥ Com amor e até a próxima ♥