Rude Girl

14 Capítulo 14 — Conhecendo-se


Notas iniciais
Hey gente, dei mais uma mancada por não postar ontem, mas estava chovendo muito aqui e fiquei com medo de ligar o PC e dar pani em tudo.Mas agora eu to aqui, e finalmente vcs vão conhecer vão ver como anda o relacionamento de Harlow com a Amélia e de quebram vão ver Damien e ter um pouquinho de Jimmy. Espero que gostem. Boa leitura gente!

Eu ainda não sabia o que estava fazendo aqui. Estava tentando ser boa para Amélia, mas mesmo assim, sempre que olhava para ela, algo me dizia para não me aproximar muito, pois seria perigoso voltar a atrás depois. Não era um sentimento que eu podia controlar, pelo contrário, tudo que eu conseguia fazer era suspirar e olhar para cima a procura de coragem e paciência.

O dia havia começado quente e ensolarado, e o céu estava um azul absolutamente lindo. Invejava que nunca tinha o visto de verdade quando morava em Princeton, ali, na Califórnia, tudo parecia mil vezes mais bonito e isso era mais uma das coisas que me incomodava. A forma como eu gostava do lugar.

Mais que droga! Eu era tão idiota. Eu não podia me apegar a tudo aquilo. Devia ser inteligente, pois um dia eu iria embora, tinha que volta para Jared, Dana e meus amigos... tinha que voltar para...

Oh não. Pare de pensar nele!

O aviso em minha mente não adiantou de muita coisa, pois enquanto caminhava com Amélia ao meu lado para dentro do shopping, eu passei a pensar no que Jimmy estaria fazendo agora. Provavelmente estaria curtindo e bagunçando com o pessoal da banda, não é como se ele fosse parar sua própria vida só porque eu fui embora por dois meses. Vamos Harlow, você precisa acordar para vida. Ele não gosta de você assim.

— Está quieta — Me espantei levemente quando Amélia falou. Eu não gostava quando isso acontecia. Odiava que as pessoas me pegassem desprevenida. — No que está pensando?

Olhei para minha tia avaliadoramente. Ela parecia realmente curiosa com minha falta de animação enquanto andava sem pressa alguma ao meu lado. Hoje Amélia vestia-se um pouco mais confortável: Um vestido florido que se amarrava atrás da nuca e os cabelos estavam como sempre lindos e soltos sobre os ombros. As ondas castanhas brilhando e balançando quando andava. Ela também não usava salto e sim uma rasteirinha bem simples, contundo por mais que ela parecesse mais à vontade, Amélia Santino ainda sim, não deixava de ficar elegante.

Ao contrario de mim, que vestia um jeans naquele calor dos infernos e uma camiseta regata que pertencera a Dana e que eu tinha sequestrado para mim. Nos pés eu usava meu velho converse branco, que na verdade já estava quase preto. E meu cabelo eu prenderá em um rabo de cavalo, para que não me causasse mais calor. Eu, comparada a Amélia, virava uma piada.

— Apenas pensando no que meus amigos estariam fazendo agora — Não precisava enfatizar que pensava em um em especial.

Amélia assentiu.

— Já sente falta deles, não é? — perguntou suavemente e ajeitando a bolça sobre o ombro.

Agarrei minha mochila e suspirei assentindo.

— Não é fácil viver longe deles. Não quero que fique magoada, mas Lizze, Jack e todos os outros sempre estiveram fazendo parte do meu dia-a-dia — Dei de ombros — É estranho não tê-los agora.

— Entendo — murmurou e em seguida me olhou — Bem, então acho que sei qual primeira loja levarei você — E sorriu radiante. Eu estremeci, achando seus olhos familiares demais.

— E qual seria? — indaguei. Ela segurou meu pulso e puxou-me para virar a esquerda no meio de toda aquela gente.

— Jared um dia me disse que você tem uma banda com seus amigos — falou.

— Sim. Mas o que isso tem haver?

— Veja por você mesma — disse, e ainda me puxando, entramos em uma nova loja de... Porra!

Eu não conseguia me lembrar quando foi a última vez que tinha entrado em uma loja de instrumentos. Com certeza foi quando ajudamos Jonah a escolher sua bateria, mas tinha o que? Dois anos? Como na vida eu tinha esquecido a sensação de entrar em uma loja como aquela?

— Então. O que vai querer? — Amélia perguntou.

Me virei na mesma hora com os olhos arregalados.

— O que?

— Escolha um instrumento. O que quiser — sorriu abertamente — Fiquei sabendo que seu violão quebrou a corda e que ultimamente, você tem tentado aprender violino. — Abriu os braços e indicou toda a loja — Vá. Aproveite e pegue o que quiser. É por minha conta.

Eu não sabia onde enfiar a cara. Olhei interrogativamente para ela por uma hora, isso até que um vendedor grande e barbudo chegou ao nosso lado.

— No que posso ajudar essas belas senhoritas? — perguntou todo galante. Minha tia sorriu para ele.

— Minha sobrinha deseja ver uns violinos e quem sabe, os violões também. Poderia nos indicar uma boa marca? — O cara abriu aquele sorriso enorme, um que dizia o quão feliz ele estava por ter encontrado uma ricaça no meio de sua loja.

— Será um prazer. Venham comigo — Ele nos guiou para mais fundo até chegar a uma área um tanto rustica. Eu tive de segurar-me para não babar nos violinos e teclados que tinha a minha volta.

— A senhorita tem alguma preferencia? — O vendedor perguntou diretamente para mim. Molhei um pouco os lábios, olhando cada um deles.

— Na verdade... Estou começando a tocar agora. Vai fazer um ano que comecei com violino, portanto não me foquei muito nas marcas — disse. Ele assentiu e em seguida pegou um dos violinos que estava habilmente pendurado.

— Veja este. Ele é um Rolim. Uma das melhores marcas de violino nacionais na fabricação de violinos, violas, violoncelos e contrabaixos.

Com cuidado, posicionei o violino sobre o ombro, testando seu peso e o tamanho, ajeitei os dedos sobre a corda e sorri. Ele era realmente muito bonito, no entanto, ainda não conseguia dizer que era o certo.

— Não sei... Acho que... Será que posso ver outro?

Ele me mostrou mais dois deles, um mais lindo que o outro, porém eu ainda não estava satisfeita. Isso até que Amélia apareceu ao meu lado com um violino com o tampo avermelhado, o estandarte quase tão vermelho quanto.

— O que acha desse? — perguntou. Eu o peguei e alisei as cordas, em seguida a ponta curvilínea da voluta. Ele era perfeito.

— Qual é esse?

— Stradivarius — Respondeu o vendedor com um sorriso — É uma das marcas de violino mais conhecidas do mundo. Estima-se que existam somente 500 destes violinos em circulação no mundo. Atualmente, seu nome é usado para designar instrumentos musicais de altíssima qualidade. Apesar de especialistas terem estudado os violinos Stradivarius das mais variadas formas possíveis, ainda não há uma explicação para a qualidade sonora produzida por eles.

Era realmente muito lindo, e por um instante me perdi na sensação de tê-lo em minhas mãos.

— Acho que esse é o escolhido — Amélia disse ao homem parecendo satisfeita. — Querida. Que tal vermos um violão agora?

— Oh, não — neguei — Não precisa eu... Quero só esse — disse sinceramente. — Ele é perfeito Amélia.

Ela sorriu e acenou, em seguida virou-se para tratar com o vendedor o preço do instrumento. Depois que ele foi pago e o violino guardado na bolsa, nós duas seguimos para fora da loja. No entanto, assim que consegui estar sozinha com ela, perguntei.

— Como sabia que eu gostaria dele?

Amélia me olhou e um sorriso suave curvou os seus lábios.

— Minha irmã não era única da família que gostava de música, Harlow — falou brandamente — Eu posso não cantar como Hope, mas toco. Porém ao contrario dela, eu prefiro violino. Hope nunca teve muita paciência em aprender sobre eles, gostava mais de violão, Baixo.

— Isso é uma surpresa. — disse sinceramente e lembrando da foto que ela me mostrará — Pensei que você seria daquelas que preferem guitarra.

Sua risada foi alta e bem sincera, tanto que sorri de volta.

— Bem. Você também parece alguém que curti um bom rock roll — sorri, compreendendo o porquê de ela achar aquilo.

— Okay. Já entendi... A aparência nem sempre é a resposta — deduzi. Amélia assentiu satisfeita.

— Isso mesmo. Não é só porque usamos um jeans rasgado e uma camiseta grande, que vamos preferir uma música que a sociedade acha que combina com nosso estilo — Ela então acenou para si mesma — Eu sei que mudei no visual de uns tempos para cá, no entanto meus gostos continuam os mesmos.

— Ah, eu bem sei que isso é verdade — suspirei — No colégio eu não sou muito social sabe. Quando o pessoal estudava comigo era muito bom mesmo eles sendo os populares, os bonitos, os que botavam medo e espalhava comentários. Eu sabia que muitos me achavam uma intrusa no meio deles, mas eu não ligava, pois eles pareciam não se importar. Mas depois que eles acabaram colegial eu tive de ficar sozinha, ninguém gosta muito de falar comigo. Não que eu faça questão, claro. É só que... As pessoas olham muito para seu visual e esquecem o que realmente importa.

— Entendo que deve ser terrível. E acredite, eu já passei por isso — Paramos em uma fila para sorvetes e Amélia mexeu em sua bolsa em busca de um cartão de créditos — Mas você não precisa das pessoas para conseguir amigos. O termo “popular” é só algo que os adolescentes se agarram para ter algo do que falar.

— Ah, eu sei disso. Você devia ver como sempre tinha fofocas sobre Lizze pegando um garoto, ou quando distorciam uma história tipo... Eu dando uma rasteira em Jimmy. A história dele caindo da escada rolou por todos os corredores, e cada versão era pior — bufei. Amélia estreitou os olhos para mim.

— Você derrubou um garoto da escada?

— Não! — gritei, mas depois me encolhi — Quer dizer, mais ou menos. — Ela arqueou uma sobrancelha e eu bufei novamente — Ok. Eu meio que empurrei, mas ele estava me provocando! Eu tinha que revidar.

— Esse Jimmy — falou cuidadosamente e franzindo o cenho. Deu um passo até a moça do sorvete quando chegou nossa vez. — Dois milk-shake. Morango e... — Me olhou.

— Chocolate.

— Chocolate — repetiu para a garota. Em seguida voltou-se para mim novamente. — Ele não é o loiro que estava na varanda quando cheguei a sua casa?

Eu quase corei ao lembrar do quão próximo o maldito infeliz estivera de mim.

— Sim. É ele — respondei. E ajeitando a bolsa do violino em uma mão, peguei o milk-shake com a outra. Provei e estava ótimo.

— E vocês são só amigos? — Arregalei os olhos para ela.

— O que lhe faz pensar que não somos só amigos? — indaguei. Foi inesperado o sorriso que ela deu depois.

— Começando com a forma como ele me olhou durante os breves minutos em que ficamos lado a lado? — perguntou divertida — Talvez porque quando você fala seu nome, seus olhos brilham e seu rosto fica vermelho. — Minha boca caiu aberta.

— Eu não fico vermelha! — protestei — E meus olhos não brilham!

Amélia gargalhou, mas continuou andando.

— Você fica sim. No entanto — Ela tomou um gole de seu milk-shake — Eu vejo hesitação em seu olhar também. Como se falar dele fosse bom e ao mesmo tempo uma das coisas mais idiotas a se fazer. Por que se sente assim?

Olhei para meu copo, ficando em silencio e deduzindo se devia ou não contar a verdade para ela.

— Vou entender se não quiser falar — disse suave — Talvez seja cedo demais para isso? — suspirei, olhando dela para o copo.

— Não estou acostumada a falar sobre garotos com alguém — murmurei — Ainda mais quando se trata do Jimmy. Deixa-me nervosa. Desculpe, mas ainda não posso falar sobre isso com você.

— Não se desculpe — balançou a cabeça negativamente — É sua vida. Não posso obrigá-la a me contar, mas quem sabe tentar fazer você confiar em mim? Foi para isso que lhe trouxe aqui Harlow, para que veja que eu não sou o monstro ao qual seus irmãos acham que sou. Quero que compreenda, que eu os amo, e que podem confiar em mim.

— Então por que não ficou com a gente? — parei no meio do shopping, a frustração em minha voz ao olhá-la com rancor — Eu sei que Jared queria ficar em Princeton, mas você não. Por que não ficou conosco mesmo depois dele ter pedido para ir embora? O que foi mais importante que a família, Amélia? O que?

Ela ficou me olhando, e bem lá no fundo de seus olhos azuis, eu pude ver o remorso que carregava, o arrependimento. E pensei que ela fosse me explicar tudo agora mesmo, todavia me enganei.

Seu rosto endureceu e os lábios apertaram ao falar.

— Eu... Precisei resolver algo. E não poderia levar crianças comigo — suspirou e me olhou, sua camada carinhosa voltando — Eu achei que ficariam bem com Jared até resolver tudo.

— E tinha razão — conclui — Ele cuidou muito bem de mim e da Dana. Mas agora estamos em um problema só porque você voltou. E eu não consigo entender o motivo disso Amélia... Se nos ama como diz, me diga o porquê de tudo isso. Por que me quer aqui de verdade?

Mais uma vez, ela ficou em um silencio aterrador, mas esse ela o cortou bem mais rápido.

— Só quero que confie em mim — murmurou quietamente.

E eu, bem. Não pude dizer mais nada a não ser segui-la por mais lojas. Só esperava que não me arrependesse dessa aproximação mais tarde.

~*~

Passamos a tarde no shopping. Amélia me fez comprar mais roupas que podíamos levar. Tanto que algumas coisas, ela teve que mandar entregar em sua enorme casa. Quando saímos da sexta loja, eu já sentia o suor pingando minha testa, enquanto Amélia apenas sorria para outras vitrines. Essas eram de biquínis.

Eu estava aterroriza com a perspectiva de ir à praia com algum daqueles que ela me comprou. O problema ali era que desde o maiô até uma saia de ceda simples, pele iria ser mostrada. E vamos combinar que eu não tinha muita coisa bonita para mostra, pois eu era, quase literalmente uma tabua. Com meus seios pequenos, minha barriguinha reta e as pernas finas, eu nunca que ficaria sexy em alguma daquelas roupinhas — roupinhas mesmo! — de banho. Ao contrario de Amélia, que tinha um corpo escultural.

— Isso é ridículo! — protestei ao vê-la erguer um vestido preto que provavelmente cairia à cima das minhas coxas. Ele com certeza era usado no propósito de seduzir, e aquelas alcinhas obviamente eram finas como uma ceda muito delicada. — Eu nunca ficaria bem nisso.

Amélia virou os olhos para mim.

— É claro que ficaria. Só precisa saber se arrumar. — Apontou enquanto eu mirava o vestido com uma careta

— Ótimo. Então deixa ai porque eu definitivamente não sei me arrumar. — falei, dando-lhe as costas. Amélia riu.

— Nós vamos levar. Nunca se sabe quando vamos precisar ficar belas — disse, eu tive de virar os olhos. Ela não conseguia entender que eu não poderia chamar atenção com o corpo que tinha?

Nós fomos para o caixa e pagamos mais essas comprar. Depois caminhamos para fora, eu tentei ao menos me manter sobre os pés enquanto segurava aquele tanto de sacolas.

— Que tal irmos agora? — perguntou Amélia quando me viu equilibra o violino em uma das mãos — Ou deseja ir em mais algum lugar?

Na minha luta com as sacolas, minha mente de repente recordou-se do endereço que Jodie me passou. Era onde poderia encontrar o irmão de Caroline.

— Na verdade, eu quero ir sim a um lugar — falei. Amélia assentiu.

— Okay. Vamos para o carro e procuraremos esse lugar.

Nós seguimos juntas para a garagem e ao chegar em seu carro, ajudei-a a organizar as coisas no porta-malas e no banco traseiro. Quando entramos na frente, puxei a mochila dos ombros e cacei pelo papel que Jodie me dera. Passei para Amélia.

— Sabe onde é? — perguntei. Ela leu e ergueu uma sobrancelha.

— Não sabia que gostava de jogos — disse me devolvendo o papel. Eu ergui uma sobrancelha.

— Como assim?

— Esse endereço é de uma loja de games no centro em Santa Monica. Sempre está tão lotada, é uns trinta e dois minutos de carro indo da minha casa — Oh. Então ele tinha uma loja de games. Interessante.

— Ok. Me leve lá. — disse, e ela assentiu, ligando o carro em seguida.

— Você conhece alguém por aqui? — Ela perguntou, parecendo surpresa.

— Na verdade não, mas uma amiga de Jodie, sabe aquela loira que estava em meu aniversário? Ao lado de um cara bombado — Assentiu — Então. Ela tem uma amiga. A Caroline, e ela tem um irmão gêmeo que mora por aqui. Estou deduzindo que a loja é dele, já que ele faz faculdade de designe de games.

— Entendi. Vai ir conhecê-lo então?

— Sim. Talvez seja uma boa ter alguém para conversar — dei de ombros — Não conheço ninguém aqui, e em alguma hora você precisara trabalhar e eu ficarei sozinha naquela casa. Só vou garantir ter alguém para perturbar caso isso aconteça.

Ela sorriu compreendendo e deixou o assunto por assim mesmo. Suspirando, passamos as horas no carro em silencio, e como não tinha nada muito bom para fazer, abri as imagens do meu celular. Arrependi-me, pois de todas as fotos que tinha lá, a única que me chamou atenção foi a que Jimmy me mandou por mensagem.

Porcaria. Ele estava tão lindo e seu sorriso tão brilhante. Senti minhas bochechas quentes ao lembrar a confusão em que me meti por causa daquela maldita foto. Como eu iria saber que ele não estava com uma garota? Ele parecia tão feliz na imagem, que pensei que estivesse contente por ter conseguido uma noite bem desejosa.

Droga. A quem eu queria enganar? Ele tinha razão quando disse que surtei por causa de ciúminho idiota. Mas porra, eu não tinha culpa por ele, a cada momento bipolar de sua vida, viesse me beijar e dizer que estava confuso. Jimmy ficava fofo confuso. Assim como ficava terrivelmente atraente perto de mim.

Isso era quase uma tortura para falar a verdade. E depois da forma doce que ele me tratou em meu aniversário, eu não conseguia parar de imaginar o porquê de ele ter se importado comigo, ao ponto de cuidar de mim ao lado de Dana. A garota que ele um dia namorou e que me confessou quase ter pedido em namoro.

Eles não pareciam mais os mesmo quando os deixei. Era obvia a reconciliação dos dois, e por mais que amasse minha irmã, eu ainda me sentia inquieta com essa história de “Amigos novamente.” E se agora que eles estavam se dando bem de novo, Jimmy descobrisse que Dana era a única que ele realmente queria? E se Dana voltasse a gostar dele como antes, e ambos voltassem a namorar? E se todas as coisas que Jimmy me disse sobre sentir-se atraído por mim fosse esquecida enquanto estou aqui e Dana tão perto dele?

Ai meu Deus. O que está acontecendo comigo?!

— Harlow? Harlow — pisquei, e confusa, olhei para meu ombro. Amélia me chacoalhava e me olhava preocupadamente. — Você está bem? Não vai atender?

— Hãm? O que? — fiquei mais confusa. Ela apontou para minha mão.

— Seu celular, querida — indicou. Eu olhei e percebi que ele estava tocando. E pior. O nome que aparecia era justo o qual estava pensando.

Jimmy.

— Merda.

Amélia estreitou o olhar.

— Algum problema? — perguntou. Tomei fôlego.

— Não, eu. Não. — disse. E mesmo que estivesse com dedo tremendo, atendi a ligação — Oi? — O que? OI?! Eu realmente disse “Oi”?

Do outro lado, ouvi o que pareceu um suspiro, mas depois a voz dele foi bem alta.

— Me diz. Malibu é tão bonita quanto todos dizem? — perguntou, e eu juro que mordi o lábio com força só de ouvir sua voz. Eu não podia me sentir assim caramba!

— É lindo sim. — Respondi hesitante.

— É verdade que sua tia mora em uma mansão? — perguntou, e sua curiosidade me fez franzir o cenho.

— Como sabe disso? — questionei.

— Falei com Dana por telefone e marcamos de nos ver depois que ela chegasse do trabalho. Ela disse que falou com você sobre sua tia ter até piscina — Ele não parecia muito satisfeito com isso, no entanto não prestei muita atenção nesse fato. Estava ocupada demais apertando os dedos em punhos e sentindo as pontas das unhas machucarem a pele.

— Saiu com a Dana? — tentei ser branda. Bem calma. Mas por dentro eu estava fervendo.

— Saímos sim. Mas vamos deixar isso para falar depois, quero saber como você está. Tudo certo com entre você e a Amélia? — Seu tom bem humorado só serviu para me deixar com mais raiva. Como assim ele simplesmente dizia que saiu com minha irmã, e ainda tinha a cara de pau de perguntar como eu estava? Cafajeste.

— Estou ótima — disse duramente, porém depois algo veio a minha mente. Senti um sorriso estreitar em minha boca — Não vai acreditar onde estou indo — Fingi uma animação exagerada, do outro lado, Jimmy pareceu rir.

— Vai ir conhecer a praia? Você poderia tirar umas fotos e nos mandar — disse, e pareceu mesmo interessado, no entanto minha raiva ainda estava na beirinha.

— Oh não, iriei a praia só amanhã. Eu acho... Agora estou indo conhecer Damien — E assim, Jimmy ficou mais mudo que nunca. Mordi a unha, esperando uma reação — Jimmy, ainda esta ai?

— Você... vai o que? — Senti minha pele arrepiar com o grunhido que sua voz escondia ao falar. Eu tive que engolir um sorriso quando vi que ele estava ficando furioso.

— Ver o Damien. Lembra-se do irmão da Caroline? Estou chegando em sua loja para...

— Harlow, você não pode simplesmente procurar por um estranho! Volte para casa. Esqueça esse Damien — Percebi que ele pronunciou o nome do irmão de Caroline com amargura, e quase me dei por satisfeita. Quase.

— Ora. Pare de ser idiota. Caroline falou que podia confiar nele, então, o que custa conhecê-lo?

— Mas... Porra, Harlow. Você não pode ver ele! — protestou um tanto alto demais. Fiz careta, não gostando do seu tom.

— Não me diga o que fazer. — disse de volta com irritação — Sou muito grandinha para saber com quem devo andar.

— Pois não parece. Já que está indo para conhecer um cara que nem ao menos sabemos se é confiável.

— Você está sendo paranoico!

— Estou sendo sensato. Não seja teimosa e esqueça esse cara.

— Quer saber de uma coisa Jimmy? Vai à merda com essa sua sensatez. E oh. Olha só. Já cheguei à loja dele. Bye. Bye Jaime.

Eu desliguei no mesmo momento em que Jimmy rugia sua insatisfação. Foi muito o meu esforço para não jogar o celular para fora da janela.

— Devo perguntar? — Indagou Améiia. Virei os olhos.

— Não. Não deve. — E com mau humor, pulei para fora do carro quando esse foi estacionado. Estava na hora de conhecer esse Damien.

E eu estava tão na pontinha de explodir, que nem mesmo esperei Amélia descer do carro, apenas caminhei em passos duros até a loja. Ao entrar, olhei em volta com curiosidade, franzindo o cenho para o tanto de garotos e garotas, sentados em sofás de frente para televisões maiores que aquela na minha casa. Ao fundo tinha o que parecia ser salinhas reservadas com computadores, como se fosse uma mini lan-house dividida em dois corredores. E logo ao meio tinha um sofá de couro, uma recepção com dois computadores, e de frente para o sofá tinha um tv de plasma preta, e nela passava um tipo de anime, ou era um jogo?

Me aproximei mais até conseguir ver uma cabeleira muito loura, que absolutamente lembrava as ondas de Caroline.

—Hey — chamei do meu canto — Você é o Damien? — perguntei. O louro não virou o rosto para ver quem era, apenas disse, em uma voz bem humorada, no entanto muito concentrada. Percebi que aquilo era mesmo um jogo ao ver um controle em suas mãos.

— Isso depende — seus dedos lutavam contra os botões com uma habilidade quase feroz. — Está aqui para me cobrar algo? Se for isso eu atendo pelo nome Hades — Sorri, sentindo minha fúria contra Jimmy ser esquecida por um breve instante.

— Não vim cobrar nada — falei.

— Veio aproveitar os tesouros da minha loja? Se for isso fique a vontade, estou em um desafio aqui e... Ai caralho, não seu desgraçado é o outro lado... Merda de duende. Morte aos duendes sanguinários! — Senti quando a risada escapou. Era um pouco impossível, considerando que o cara estava quase estuprando o controle para matar um bichinho com um gorro verde.

Olhei para o que ele jogava e reconheci o game que eu e Jonah havíamos jogado por mais de uma semana tentando ultrapassar a ultima. City of gold era um jogo de estratégias e fugas, no qual você precisa dar a alma para descobrir onde ficava a chave da Prisão Tale, que era onde um artefato, — que basicamente seria uma fonte de energia — estava trancado.

Damien estava cometendo o mesmo erro que eu quando fui tentar pular o abismo do fogo.

— Aperte C e use a pedra para dar impulso. — sugeri — Assim pode usar a relva para se balançar para o outro lado. Se você tentar pular diretamente, sempre vai cair no fogo — Notei seus dedos hesitarem em primeiro lugar, analisando minha dica, porém depois soltou o que pareceu um xingamento e fez exatamente o que eu disse. Como esperado ele conseguiu passar para próxima faze, e fiquei terrivelmente surpresa quando o louco saltou sobre os pés jogando os punhos fechados para cima.

— Isso! Porra! Eu não acredito que não fiz isso antes — pareceu inconformado, e mais uma vez tive de rir, mas depois parei, pois ele virou diretamente para mim.

Meu queixo quase caiu. Quando Caroline disse que ele tinha seu rosto, eu pensei que ele seria uma versão um tanto que feminina e suave demais. No entanto Damien não tinha nada de feminino. Era certo que o rosto era muuuito idêntico ao da irmã; Tinha os mesmo olhos escuros, o mesmo cabelo louro brilhante e um sorriso de lado que carregava segredos e inteligências. No entanto as semelhanças acabavam na forma como ele movia os ombros de uma forma despreocupada, quase relaxada. No pouco tempo que passei com Caroline, eu já pude perceber que ela estava sempre arrumada e preparada para impressionar, ou seja, sua postura era ereta e elegante, enquanto a do irmão era rebelde e sensual.

— Então garotinha — Ele piscou para mim brilhantemente — Acho que faço uma ideia de quem seja — Ergui uma sobrancelha.

— Verdade? E como é possível? — indaguei. Ele voltou a sorrir e cruzou os braços, fazendo-me notar que sua estrutura era quase parecida com a de Jimmy. Ambos compartilhavam o mesmo tanto de músculos, apesar de pensar que Damien era mais alto.

— Bom, talvez seja culpa da minha maninha — Ele me olhou por inteira — Você é Harlow. A amiga da Jodie. E pelo que vejo você já se encontrou muito bem, já que está aqui e ainda trouxe companhia — Olhei por cima do ombro e vi Amélia nos assistindo, em seguida me voltei para ele, que parecia levemente curioso.

— Sim, eu sou Harlow. — Seu sorriso só brilhou mais.

— Isso é ótimo. — Se aproximou animado — Mas antes de tudo me diga, Harlow, o que você sabe sobre monstros?

Droga. Ele era louco. Onde foi que a Jodie e Caroline me meteram?

~*~

Notas finais
E ai gente? Por favor, não pulem os comentários, pois estou começando a achar que me abandonara. Digam-me o que esperam desse encontro entre Harlow e Damien. E sobre a Amélia. Gostam dela? E o coitadinho do Jimmy, acham que ele vai fazer uma merda depois desse telefonema?^ Me digam ok. Vou esperar. Bjs e até quinta pessoal ♥