Rude Girl
56 Bônus II — O encontro
Notas iniciais
(Pov’s Jared)
Merda. Isso não estava funcionando… Oh droga, gravata idiota. Como era possível alguém mover-se dentro de um traje engomado como aquele?
Sim! Apenas passar por cima e… Pronto! Isso. Cacete, não estava um tanto torto?
Maldição. A quem eu queria enganar? Não fazia a menor ideia de como fazer aquilo, e não por nunca ter feito um laço com uma porcaria daquela, mas sim porque minhas mãos tremiam como a porra de bambus frouxos, e mesmo que tivesse passado horas sobre o chuveiro, o suor se acumulava atrás da nuca e pelo resto do corpo, a tensão fazendo-me rígido ao soltar a gravata rudemente e encarar meu reflexo no espelho.
Estava indo ao meu primeiro encontro descente e podia me comparar com um adolescente virgem que nunca na vida tinha saído com uma garota, o que na verdade, era quase verdade. Não poderia contar os encontros com Becky e Celiny. Minhas duas primeiras namoradas… ou, pelo menos achava que elas eram. Não conseguia decidir se beijos atrás da faculdade em aulas vagas, com Becky, e depois encontro as escuras com Celiny, fosse realmente um encontro.
Aos dezenove anos, Becky foi uma grande distração nas aulas, era uma garota linda de cabelos escuros, seus olhos verdes como o fundo de uma garrafa. Claro que alguém como ela seria popular e de boa família, ao contrario de mim; Um nerd concentrado e que não tinha um amigo sequer ou interesses de ir a festas da universidade. Na época eu estive tão focado em apenas estudar para conseguir um futuro, que Becky me perseguir acabou sendo uma grande curiosidade. A menina era abusada e confiante, sabia bem que era belíssima e usava isso a seu favor… E ela tinha algo tão curioso, que cedi aos seus encantos.
Queria poder dizer que durou, pois ela era sim uma garota incrível, mas não aceitava quando eu deixava de ir a uma festa, para ficar em casa cuidando das minhas irmãs, ou estudando.
Já Celiny… Conheci ela em uma palestra em um dos hospitais mais movimentados da cidade. A faculdade estava levando os alunos a uma excursão lá, e Celiny eram uma das alunas da equipe avançada. Ainda podia lembrar como foi estranho nosso encontro… E posso dizer que não nos gostamos logo de cara, e talvez fosse culpa minha. Ela não gostou de ter alguém melhor que ela na turma, na verdade ela odiou, e provou isso me fuzilando toda vez que topávamos nos corredores da faculdade. Celiny era competitiva, inteligente, e provocante com aqueles óculos retangulares e roupas contidas… Com ela tudo começou com ódio para em seguida virar amizade, e logo depois… um caso sério de atração. Acho que é bem óbvio o que aconteceu depois, começamos a namorar, e sim, eu pensava que tudo ia acontecer com ela ao meu lado. Era uma boa ouvinte, me compreendia, e gostava de mim como eu gostava dela, e quando tivemos nossa primeira noite juntos. Deus sabe como fiquei louco por ela, contudo, mesmo com ela ao meu lado… Eu não conseguia ver tempo para parar de estudar, o desespero para ter do melhor para minhas irmãs, a preocupação que tinha de que Amélia um dia tentasse levá-las de mim. Então, pelo mesmo motivo que acabei com Becky, Celiny se foi, deixando-me sozinho para cuidar da minha família.
Eu não as culpava de querer outro. Eu não rendia um futuro a ninguém e fiquei ciente disso depois que soube que Celiny mudaria para Londres, e isso só me fez focar mais no meu intuito. Nunca mais pensei ou sequer tentei ter outro relacionamento depois disso, tudo para mim era a faculdade, — e depois da conclusão dessa — o hospital. No entanto, minhas meninas vieram sempre em primeiro lugar. Portanto, conhecer Caroline nunca, jamais, esteve nos meus planos.
Principalmente ficar terrivelmente apaixonado por ela.
Mas assim como as outras, ela estava indo embora, e eu não podia fazer nada para impedir.
Olhei-me novamente no espelho e suspirei. Me sentia um pouco derrotado mesmo que tentasse negar. Olhando em volta do quarto, pisquei muito quando a cena ante a mim se formou novamente, exatamente como hoje cedo quando tinha me levantado da cama com o corpo exausto, e as palavras de Caroline tocando profundamente meu peito.
E enquanto recordava, a dor no peito parecia crescer a cada instante.
— … Cuide dela Jared. — Da porta, minha irmãzinha me sorriu e piscou um olho, como se confiasse em mim a grande confissão de Car.
Sorri, sentindo o cansaço em cada entranha.
— Pode deixar querida — A mudança no corpo dela foi visível até mesmo para mim, quando Harlow se afastou e deixou Caroline parada na porta, suas costas continuou virada. Eu esperei que ela se mexesse, mas quando não houve nenhum movimento, sorri e caminhei para ela, sentindo—me desolado por ter que, finalmente, me despedir dela… E depois do que ouvi, isso seria o inferno. Era minha Caroline. Minha mulher… E ela estava partindo amanhã. O que eu poderia fazer?
— Car — Chamei suavemente, ela continuou onde estava, congelada.
Com cuidado, fiquei atrás dela e afundei em seus cabelos, fechando os olhos ao respirar seu cheiro. Seu primeiro movimento foi a subida languida do peito ao suspirar, seu corpo inclinando para trás em minha direção.
Toquei suas mãos, e por um instante me permiti ficar preocupado com como ela estava fria.
— Querida, está tudo bem? — indaguei, e subi a mão ao seu pescoço, sentindo a frieza de sua pele. Quando ela não respondeu, a puxei para dentro do quarto devagar, e sem ao menos prestar atenção, fechei a porta para poder olhá-la. — Meu Deus, você está tão pálida — Toquei seu rosto, sentindo suas bochechas que naturalmente eran coradas, mas agora pareciam brilhantes como mármore. — Venha se sentar.
Puxei-a para cama sem pressa, pela mão. Não perdendo tempo ao pegar minha maleta na escrivaninha. Peguei meu estetoscópio e me preparei para ouvir seu peito, mas suas mãos afastaram as minhas suavemente.
— Estou bem — falou.
Eu neguei.
— Você não está se vendo agora. Não posso distingui onde estão seus lábios, pois estão na mesma coloração de uma das minhas colchas brancas de cama — Tentei me aproximar novamente, mas ela voltou a me impedir. Tive de segurar um grunhido de impaciência.
Ela obviamente notava minha frustração, pois me encarou por longos segundos. Foi quando me pegou completamente de surpresa.
Em um momento estava pensando em amarrá-la para poder a examinar, e em seguida estava sendo atacado por seus lábios gentis, e a língua gelada. Fogo correu por minhas veias instantaneamente, o toque aveludado me deixou trêmulo e antes que pudesse raciocinar o que diabos estava acontecendo, ela acariciou meus lábios com precisão. A língua quente e úmida, ela abocanhou, a sucção em minha boca e aquelas lambidas apagando o mundo, trazendo-me instantaneamente à beira do orgasmo.
Deixando o estetoscópio cair, ergui o troco até estar pressionando as mãos aos lados de seus quadris na cama.
Sobre a camada de luxuria, eu gemi — Car…
— Talvez tenha encontrado minha boca agora — falou simplesmente. Ela estava calma, sem ofegar, ainda arrastando sua unha pintada de clarinho por meu rosto. Fechei os olhos com força.
— Você só pode querer me matar — ralhei, mas tinha o coração acelerado, a pele arrepiada, e uma tenda em minha calça.
Mas Caroline tinha aquela expressão perturbadoramente sexy e calma.
— Acredite. Isso é o que menos quero — falou, e quando voltei aos seus olhos, um pouco da excitação se acalmou. Ela parecia doente, mas o medo em seu olhar a fazia parecer temerosa, uma garotinha perdida que precisava de amparo.
Sem conter meus braços, a puxei para mim, levando-a para o meio da cama onde me estiquei com ela por cima do meu peito. Sua bochecha descansando contra mim enquanto alisava seu cabelo dourado.
Por minutos, apenas permanecemos dessa forma, mas mesmo assim era como se estivéssemos conversando. Não com a boca, mas com nossos confusos sentimentos. A apertei quando sem parar, sua voz dizendo que não queria partir, aumentava em minha mente. Seria um verdadeiro sonho que essa mulher escolhesse viver aqui, ao meu lado… Mas eu não poderia permitir tal coisa, por mais apaixonado que estivesse, ela tinha uma vida em Phoenix e precisava retomá-la de onde havia deixado. Não podia ser egoísta ao ponto de pedir que fique. Não quando sabia que seria infeliz para sempre.
— É tão difícil assim de fazer? — Sua voz me tirou dos pensamentos dolorosos.
Arrastei a mão por seu ombro.
— Fazer o que? — Silencio. Franzi o cenho quando seus dedos apertaram minha blusa, olhei para ela — Caroline?
— Basta fazer — Derrota marcava cada entonação das palavras. — Termine logo com isso. Eu vou entender.
Fiz uma careta, e totalmente alheio sobre o que falava, me ergui na cama, fazendo com que ela sentasse também, mas ela não me olhou.
— Car. Caroline olhe para mim — Puxei seu queixo em minha direção, e quando ela tentou se soltar, fiz pressão — Caroline. O que está falando? O que é isso de terminar logo? Não estou entendendo.
Relutantemente pelo que vi, ela me encarou, e suas iris brilhavam com tristeza ao falar.
— Está sendo difícil, eu sei… Mas por favor, não me de mais esperanças e termine tudo o que temos agora. Eu juro que não guardarei rancor…
— O que? — Arregalei os olhos. Apostava que as malditas coisas pareciam querer saltar das minhas orbitas. Caroline ainda sim continuou.
— Sei que irá arranjar outra rapidamente e… Quando eu for embora, estará livre desse problema. Mas…
— Pare. — Ela não parou
— … Sei que é muito egoismo da minha parte, mas eu queria que amanhã fosse comigo até o aeroporto, para eu me despedir e… Depois não precisamos nos falar mais, e então…
— Caroline pare com isso! — Segurei em seus ombros com puro terror. Sério. Ele passava por todo meu corpo como uma especie de droga doentia. Eu tremia, mas isso pouco me importou quando os grandes e claros olhos dela se arregalaram para mim, as lágrimas que antes eram presas, agora descendo com uma enchente. Meu peito se apertou ainda mais quando a chacoalhei.
— Acha mesmo que terminaria tudo? — questionei ofendido. Ela não se moveu, ou sequer falou. Mas eu precisava fazer isso — Caroline… Escute algo que vou dizer só uma vez — Me aproximei de seu rosto, encostando nossos nariz e fixando-me somente nela. — Eu não vou terminar com você. Foda-se que tem de ir embora. Foda-se meu emprego e foda-se a sua faculdade e outras mulheres. Eu quero você e somente você. E se um dia me falar que vou encontrar outra que não seja você… A amarrarei em minha cama, e farei com que mude de ideia no mesmo instante. Me entende?
Por um momento, ela ficou quieta, sua bile subindo e descendo como se estivesse engolindo em seco. As lágrimas deslisando pelas bochechas, que para a gloria de Deus, estavam voltando a coloração normal corada novamente. Sobre seu choque, suspirei, e balançando a cabeça negativamente, agarrei sua nuca, aproximando-a de mim ao ponto de sentir sua respiração contra minha boca.
— Caroline, eu sei que tem de partir, e sei que isso vai machucar a nós dois, mas eu nunca terminaria com você por isso. Não estando tão apaixonado por você, não estando tão necessitado de você. Querida, por favor, não pense que vou deixá-la como os outros fizeram, eles eram idiotas e não sabiam como preciosa você é. E agradeço aos céus por isso, pois se eles não tivessem partido… Talvez não teria lhe conhecido.
Aos poucos, um sorriso pequeno curvou seus lábios. E Deus. Eles eram tão lindos daquela forma.
— Eu não mereço isso — sussurrou.
Toquei seu rosto com delicadeza.
— Sim. Não merece — Ela piscou. E antes que visse sua magoa, beijei sua boca — Você merece mais.
— Ah Jared — Mais lágrimas pigaram, e dessa vez, ela pareceu frustrada por deixá-las cair, pois as limpou com aspereza — Por que estou chorando? Eu não choro… Eu não sou fraca. Oh, eu não posso parar… — Ela soluçou, e aquela imagem era tão dolorosa e atordoada, que pensei morrer ali mesmo por ver como frágil a mulher na verdade era.
Com elegância e calmaria, Caroline era a pessoa mais frágil e quebrável que podia conhecer. E vê-la no seu estado caótico de desespero, tudo por que não queria me deixar, fez tudo se acender. As palavras “Vale a pena” soando sem parar, e por várias vezes, eu quase podia confundi-las com outras três muito mais importantes, com uma entonação e significado totalmente diferente, mas que vinham livres como água corrente ao meu coração.
— Tudo bem, venha aqui querida — A puxei para meu colo. Embalei-a em meus braços enquanto chorava murmurando coisas como “Eu não posso chorar” ou “Eu não sou assim”. Ela não estava se reconhecendo, e comecei a achar se ela mesma chegava a se ver de verdade, ou se somente via a Caroline que mostrava para todos outros. A controlada, a séria e fria… A mulher acostumada com rejeição.
Me perguntava se ela notava como seu interior parecia com o de uma criança machucada.
Suspirei.
O que faria sem ela aqui depois de tudo?
— Jared — Ela estava rouca, e a voz baixa, mas escutei quando sob os soluço, ela falou — Por que ainda está comigo? Eu tenho que ir embora.
— Eu sei — Acariciei seu cabelo — Mas existe celulares. Ligarei todos dias para saber como está. Farei Dana me ensinar a mexer naquela coisa chamada Skype, assim poderei ver seu rosto.
— Mas...
— Posso mandar cartas — A cortei sorrindo — Flores todos os dias por correio.
— Jared, você não está me escutando.
— Não. Não estou. Porque o que você espera ouvir é o que nunca vou fazer — respondi. Ela fungou em meu peito.
— Por que? — perguntou novamente. — Por que não está desistindo de mim?
Sorrateiramente, sorri, afundando o nariz contra seus fios. Me embriagando com seu perfume.
— Eu que pergunto a você — falei — Por que chorar por mim? Por que quer ficar comigo? Se for o que penso, eu com certeza me sinto igual;.
Ela permaneceu calada,e quando se levantou, os olhos brilhavam.
— Eu acho que estou começando a amar você — falou baixinho — De mais.
Como um desfreado, o órgão em meu peito começou a bater como se fosse uma britadeira, senti o sorriso alongando no meu rosto e mostrando uma trilha de dente, a maldita coisa se alongava tanto que sentia as bochechas reclamarem. Mas ainda sim, a alegria era tanta, que a casa poderia pegar fogo que eu não sairia de perto daquela mulher por um segundo sequer.
Toquei seu rosto, e quando ela beijou meus dedos, falei:
— Estou começando a te amar também Caroline. E acho que em algum instante, serei preenchido por inteiro — pisquei, respirando fundo. — Por isso eu não desisto de você. Porque eu sei que será a mulher para minha vida, se nós realmente quisermos. Se tentarmos.
— Mas e minha viagem?
— Você irá voltar doçura, vai voltar para mim. E mesmo se não o fizer, eu irei a até você, pois como Harlow vive dizendo. Eu preciso ter minha vida, e ela no momento só é completa quando estou ao seu lado.
— Ah Deus — Ela respirou, e fungando novamente. Se atirou em mim, jogando os braços em volta do meu pescoço enquanto eu a levantava. Apertando-a ao máximo que podia, pelo tempo que tinha — Obrigada. Obrigada.
— Querida, não. Não me agradeça. Não por querer você. Não por isso.
— Eu te quero também — disse ela, colocando a mão sobre a maçã de meu rosto, e sem evitar empurrei contra ela, de olhos fechados, ouvindo suas palavras com adoração. — Vou sempre querer você Jared. Sempre.
Tarde de mais para conter, pequenas gotículas salgadas deslizaram meu rosto e Car as colheu, acariciando, sussurrando.
— Quero você — Ela beijou-me na bochecha, com a mesma amabilidade com que eu a tratara. Ela estava com os braços firmes a minha volta, como se jamais fosse me soltar. E eu senti quando ela beijou o queixo e então finalmente a boca, que nada me faria soltá-la também.
Com um som de frustração, me forcei a parar de pensar, mas ainda sim, mesmo através da lembrança, ainda podia sentir como tudo começou. Lembrava de como os beijos aumentaram com mais urgência como sempre acontecia, de lento para feroz, de feroz para desesperado. Até que estavamos embolados um contra outro na cama, trabalhando naquela linda dança de tirar o que nos impedia de tocar um ao outro. Nos perdendo no calor da paixão.
Durante toda a tarde eu quis voltar para aquele momento, e não estar embolado até a cabeça com os assuntos relacionados a Amélia. Não queria ter que me preocupar com minhas irmãs saindo na rua, ou com um bando de policiais na minha porta. Eu não queria ter passado a tarde inteira em um departamento de policia, quando devia estar me despedindo de Caroline.
Tanto que não perdi tempo ao chegar, e em casa, na primeira oportunidade, marquei uma reserva em um restaurante e a convidei. E agora aqui estava eu tentando fazer um milagre com aquela gravata, quando tremia como uma vara. Tudo porque o nervosismo não largava do meu pé.
— Merda — Levantando bruscamente voltei a tentar fazer o laço na gravata, mas não funcionava, nada funcionava.
— Jared, Car já está… Uau. Meu irmão está um gato! — Virando-me, diversão afastou um pouco da frustração quando Dana entrou no quarto em seu pijama do bob esponja e o sorriso malicioso.
— Ela está pronta?— perguntei.
Dana assentiu ansiosa.
— Ela está magnifica. Vai ficar louco quando a ver — falou, e senti a pontada de curiosidade e orgulho ao sorrir. Dana me olhou— Quer uma ajuda com isso?
— Por favor — gemi suplicante.
Ela riu e correu até mim, seus pés estavam descalços. Com uma eficiência invejante, ela dominou a gravata e começou a formar o laço enquanto sorria.
— Você está tão parecido com o pai — Ela suspirou e terminou rapidamente o laço, para então alisar meu smoking — Ele serviu direitinho.
— Agradeço por ter guardado ele durante todo esse tempo — Olhei no espelho, e me senti um tanto encabulado ao ver que parecia realmente com meu pai. — Lembro-me dele usando esse traje.
— Eu também me lembro — Ela piscou um pouco, como se quisesse afastar as lágrimas — Adoro que esteja usando ele. Me traz boas recordações dele.
Devagar, envolvi ela com os braços e senti quando essa retribuiu o abraço. Beijei seus cabelos e ergui seu rosto.
— Amo você — falei. Novamente, ela sorriu, e eu quase perdi um pedaço do meu coração para isso. Ver minha irmã sorrir era como ser iluminado de dentro para fora, sua alegria era totalmente revigorante, assim como sua presença.
— Você está meloso por causa do nervosismo? — questionou, e acertou levemente meu estômago. — Vamos. Precisa ver como Car está linda. — A observei caminhar para porta e a segui, sorrindo, mas antes que chegasse ao seu lado ela parou e se virou— Amo você também — falou, e saiu em disparada para seu quarto, obviamente para chamar minha acompanhante.
Sorrindo, segui para fora do quarto depois de pegar as chaves de casa e a carteira, desci para sala e encontrei Apolo sentado no sofá, Solzinho estava em seu ombro enquanto alisava sua prancha. Pensei em perguntar por que ele estava com ela, mas resolvi deixar para lá e apenas deixei o homem terminar sua conversa com o porquinho da índia de Caroline. Esperava ficar daquela forma até ela descer, mas Apolo me notou e me avaliou, o que me deu um pouco de receio.
Pelo pouco de tempo que havia passado ao seu lado, havia compreendido que ele não avaliava as pessoas e sim as pessoas que o avaliavam. Portanto, se ele estava fazendo isso agora, algo estava para sair.
— Você está bem — Ele estava sério. Oh Deus. Isso não poderia acontecer agora. Não agora!
— Obrigada senhor — dei um sorriso amarelo. Apolo continuou olhando até que me tornei inquieto.
— Não machuque minha filha — falou então, de repente.
Eu quis sumir dali no mesmo instante, mas eu não faria isso. Era o pai de Car, e ele estava preocupado com a filha. Não podia deixar que esse pensasse loucuras de mim.
— Nunca faria isso senhor — garanti sinceramente — Caroline é importante para mim.
— É mais para mim — contrabateu, e alisou a prancha — Minha garotinha é dura na queda, mas se fere fácil, portanto não quero saber de você ferindo seus sentimentos. Sou bobo para certas coisas, mas não a respeito de meus filhos. Isso nunca. Fui claro meu jovem?
De repente me peguei o avaliando também enquanto começava a relaxar. Apolo Levesque podia ser um grande e desastroso homem, mas era um bom pai. Isso era óbvio.
— Muito claro senhor — respondi.
E como se nada tivesse acontecido, ele assentiu e voltou a falar com Solzinho. Interiormente, comecei a rir. Esse era um homem que impressionava. Isso não tinha duvida.
— Jad? — Com a voz de Dana novamente presente, me virei para ela, mas… Me perdi completamente assim que meus olhos encontraram a beldade que estava aos seu lado, vestida para estourar os miolos da minha cabeça, e obviamente quebrar o zíper da minha calça.
Enquanto olhava, achei que tinha perdido toda minha respiração, ou quem sabe toda a maldita alma. Caroline permaneceu onde estava, ao lado de Dana em saltos tamanho quinze, dedos passando as vezes por seus cabelos agora cacheados, como se não estivesse certa de que eles daquela forma agradaria.
O que achei loucura, pois naquele instante, a mulher poderia ser considerada uma grande arma para a sedução. Com seus fios enrolados até os ombros, seu vestido tomava meu fôlego, era preto com simples corte, seu corpete era decotado e a saia terminava no meio da coxa.
Eu tive de ranger os dentes quando ela começou a se aproximar, sem desgrudar os olhos dos meus. E eu não podia deixar de encará-la. Na verdade eu tinha certeza de que meus olhos não saírim dela durante toda a noite.
— Não gosta? — Ela perguntou e alisou o vestido, parecendo decepcionada — Eu posso trocar se…
— Não! — Minha resposta pareceu um tanto alta e desesperada demais quando a alcancei. Logo atrás minha irmã riu, até mesmo pude ver pelo canto de olho, o distraído Apolo, balançando a cabeça com um sorriso.
Com orelhas e o rosto queimando, tomei sua mão.
— Você está maravilhosa.
Ela começou a sorrir. Então ela olhou de volta para Dana, que deu dois polegares para cima. Eu não conseguia nem rir desse ato tão legal delas, apenas não podia perder nenhuma parte de sua aparência… Por que mesmo temos que nos despedir com tantas pessoas em volta? Por que não no quarto onde tinha luz e… Uma cama?
O pensamento não só me fez parecer um idiota pervertido, como também fez algo acordar mais ao sul. Engolindo em seco, caminhei mais para ela, com medo que alguém percebesse minha vulnerabilidade.
— Vamos indo? — perguntei.
Ela sorriu e tomou minha mão quando a ofereci.
— Vai ficar bem? — Indaguei a Dana, ela acenou uma mão.
— Claro que sim. Fique tranquilo e divirta-se, não é Apolo? — Da sala, o homem acenou a cabeça com um grande e alegre sorriso.
— Com certeza, espero que se divirta meu anjo — disse a Car, que sorriu ao olhá-lo.
— Obrigada pai.
— Tudo por você querida — disse, e tomou Solzinho de seu ombro para poder acariciar.
Quando Car se voltou para mim novamente, todo meu mundo pareceu rodar como um carrossel gigante. Me tornei tonto, mas fiz o possível para tomar firme sua mão, e guiá-la para porta. Ao estar fora, uma felicidade incomum espalhou por todo meu peito enquanto a acompanhava até o carro, mas quando essa se preparou para ir ao volante, eu tive de a impedir.
— Espere — Segurei-a pelo pulso — Me deixe dirigir essa noite?
Ela me olhou por um instante.
— Eu posso fazer isso — disse gentilmente, eu sorri, tomando as chaves de sua mão.
— Mas hoje eu quero fazer tudo para você, desde de dirigir a levá-la a um jantar. Eu quero fazer você se lembrar dessa noite. Ok? — Ela encarou por minutos, e quando pensei que ela fosse permanecer assim, suas bochechas coraram ao ponto de brilhar no escuro.
Foi um ato tão doce, que ri ao tomar o rosto em minhas mãos.
— Você está completamente linda essa noite.— Ficou mais vermelha.
— Você também está muito elegante — Seus dedos tocaram a gravata borboleta ao sorrir — Eu confio em você Jared, e sei que vai fazer essa noite a melhor de todas.
Ah. Como foi bom ouvir suas palavras. E enquanto pensava em beijá-la até perder a cabeça, pensei como as coisas poderiam ter sido se seguisse corretamente a partir dali. Eu a levaria para jantar, elogiaria seu vestido, o cabelo, tudo que tinha sobre ela, logo depois pediríamos vinho para brindar a nossa grande noite, para então poder levá-la para um caríssimo Motel, onde mostraria como, e com qual intensidade, eu estava apaixonado por ela. Mas ainda sim, nada daquilo aconteceu, pois estávamos falando de mim, e nunca na vida tinha um tempo para poder realmente viver.
Compreendi isso quando minha irmã Dana abriu rudemente a porta de casa, e veio correndo até mim, ofegando, os olhos uma mascara de preocupação. Entendi antes mesmo dela falar, que nossa noite estava completamente arruinada, e eu não poderia fazer absolutamente nada.
~*~
(Pov’s Caroline)
Horas depois…
Me tornei consciente aos poucos do clima péssimo que fluía a nossa volta. Engolindo o caroço da decepção, voltei-me para a porta da casa de Jared, onde meu irmão havia sumido com um sorriso escancarado e olhos brilhantes.
Apenas avaliando sua expressão, eu sabia que ali tinha coisa. Era meu irmão, nasceu comigo e vi esse mesmo tramar loucuras ao lado de meu pai, sabia quando estava pronto para tramar alguma coisa, mas não conseguia me importar o suficiente para ir atrás dele. Não depois do grande fracasso que essa noite havia se tornado.
Ainda podia lembrar de como o rosto de Jared escureceu quando Dana disse onde estavam nossos irmãos cabeças ocas. Primeiramente, eu pensei em apenas ir até Damie para soltá-lo, e então descarregar toda minha decepção, mas então tudo pareceu perder o sentido quando o vi na delegacia. Ele parecia tão feliz ao lado de Harlow, mesmo estando em sérios apuros. Ele tinha algemas nos pulsos e a fúria do irmão da menina para enfrentar, mas ainda sim, seus olhos nunca estiveram tão brilhantes quanto naquela noite. O que me fez pensar que pelo menos eles haviam conseguido se despedir.
De escanteio, olhei para Jared quando esse deu um suspiro. Derrota marcava sua expressão quando começou a andar para longe da casa, assim como Damien havia sugerido, alegando que Harlow iria fazer algo para nós. Era óbvio que Jad entendia que a irmã e Dan se sentiam culpados por ter acabado com nossas ideias, então provavelmente faziam algo para tentar se redimir.
Eu não os impediria.
Jared muito menos.
Caminhei atrás dele lentamente, meus saltos soando altos na calçada enquanto seguia. Ele tinha as mãos escondidas nos bolsos, e estava tão desolado que pensei em ir até ele para consolá-lo. Contudo eu não podia fazer isso quando estava da mesma forma. O dia inteiro pensei em ter um momento a sós com ele. Preparei esse vestido da mesma forma que preparava meus trabalhos da faculdade, trabelhei horas na maquiagem e mais um pouco delas no cabelo, respirei e inspirei por todos os segundos que se seguiam, pensei em como me sairia com ele e como poderia mostrar meus sentimentos tão complicados. Dizer o que sinto nunca se tornava fácil, e com Jared era mil vezes pior… No entanto, eu sabia que em certo ponto ele me transmitiria confiança, pois eu sabia que iria fazer meu coração começar a pular e então facilmente fraquejar, eu sabia que iria suar e me tornar corada, pois estar ao lado dele era ser assim. E eu gostava de ser assim.
E queria poder falar isso a ele hoje, mas estava tudo acabado. Eu não teria a noite que sonhei, não poderia olhar em seus olhos e dizer o quanto estava apaixonada por tudo que ele era e por tudo que ele fazia.
Então não havia maneira de saber como tranquilizá-lo agora.
Infelizmente não havia…
Inesperadamente, um toque em meu rosto me fez pular. Arregalando os olhos, me dei conta de que tinha parado de andar, e que agora, Jared estava de frente para mim, suas iris escuras me fitando e a mão me acarinhando.
— Me desculpe — sussurrou. — Não queria que tivesse acabado assim.
Contendo aquela estranha emoção e a ardência nos olhos, abaixei a cabeça e sorri amarelo.
— Tudo bem. Não se culpe por isso — Respirei fundo, juntando sua mão com a minha — Nós apenas temos muitas responsabilidades. Acho que isso foi apenas uma amostra do que podemos enfrentar pela frente. Apesar de tudo, eles são nossa família.
Eu queria poder dizer que minha voz saiu como sempre, mais do que confiante, mas não foi esse o caso, pois quando olhei, Jared parecia sofrer.
— Sim. Eles são — Concordou, mas agarrou minha nuca forte o suficiente para me levar mais para perto de seu rosto — Assim como você Car. É a minha mais preciosa família e não quero perdê-la assim.
Mais ardência. Deus, o que havia comigo?
— Como consegue dizer essas coisas? Elas soam tão perfeitas — fechando os olhos, toquei a testa em seu ombro, regulando meus pensamentos — Tudo o que diz é perfeito. Mas eu nunca consigo fazer o mesmo.
— Minhas palavras são e sempre serão para você, independe se são perfeitas — Com leveza, ele contornou-me o lábio, sorrindo ao fazê-lo — Direi o que for preciso para fazê-la feliz.
— Você já me faz feliz — Constatei, ele riu.
— Eu não consegui lhe dar um encontro descente, Caroline — Seu riso cessou tão rápido quanto apareceu — Não sei se posso fazer alguém feliz.
— Não diga isso! — Segurei seu rosto entre as mãos, fazendo com que me olhasse nos olhos. — Fico feliz só de estar perto de você, Jared. Não admito que se menospreze assim.
— Querida, não estou me menosprezando. Eu apenas não consigo me conformar que você vai embora, e eu não pude deixar pelo menos uma lembrança bonita com você. Eu tinha um plano para hoje. Iria levá-la para jantar, elogiar seu cabelo e dizer como está magnifica para mim, eu queria poder ter tido essa oportunidade para que se lembrasse de mim sempre que fosse dormir, mas eu não pude fazer isso… E eu nem mesmo posso culpar Harlow ou Damie, eles nunca fariam o que fez se soubessem o que iriamos perder. Eu não posso culpar ninguém a não ser a mim mesmo, por ser tão apegado a minha irmã, que sempre a coloco em primeiro lugar. Eu queria dar algo melhor para você levar consigo, assim eu poderia ter um pouco de esperança de que um dia… Você vai voltar para mim.
Com tais palavras, pela primeira vez em toda a minha vida, eu entendi quando meu pai me explicou a forma como um dia amou minha mãe. Nunca havia entendido o fato de Apolo ter se apaixonado por uma mulher como Katherine, minha mãe parecia agir sem emoção com tudo, tendo o trabalho seu único e precioso interesse. Não podia imaginar o dia em que ela cedeu estar perto de alguém tão extrovertido como meu pai, e talvez dizendo em outras palavas, diria que Katherine era uma versão mais velha de mim, engenhosa, dura e com papo na língua, era uma coisa tão semelhante, que me vi pensando como era possível meu coração estar batendo tão forte como naquele instante.
Eu não era imune ao amor intenso que Apolo tanto dizia, afinal? Será que isso que aquecia meu peito podia ser considerado amor?
— Jared — meu sussurro era cheio de confusões, algo tão surpreendente, que cheguei a franzir o cenho, olhando para onde meus dedos descansavam no peito de Jared. — Me sinto tão estranha. — Era a única coisa que podia falar, e Jared pareceu compreender, pois deu um sorriso ameno e alisou meu rosto graciosamente, como se estivesse desenhando cada traço dele para nunca se esquecer.
— O fato de sentir assim já é algo satisfatório para mim — falou, e tive de piscar umas vezes para sair da imensidão negra que eram seus olhos, antes de perguntar.
— Por que?
Seu rosto se iluminou e ele sorriu largo, os dentes cintilando quando se aproximou ao ponto de sentir seu hálito bater o meu.
— Porque quer dizer que eu lhe deixo assim — Seu polegar arrastou-se por meus lábios — E isso é a prova de que, apesar de fazer as coisas erradas, eu ainda a tenho com a atenção em mim, o que me dá esperança de que esteja se sentindo estranha, pelo fato de realmente, gostar de mim o mesmo tanto que gosto de você.
As batidas do meu coração, que antes estavam rápidas, agora estavam atingindo um ritmo anormal, e quando pensava que poderia sofrer um pequeno infarto, aqueles lábios voltaram a se aproximar, chegando ao ponto que era possível ver as linhas claras que nunca havia notado dentro de suas iris, era puxadas para um azul esverdeado, mas tais essas era tão impersistiveis que acabavam sendo adoráveis, pois por serem tão escondidas naquela escuridão, acabavam por tornar-se um segredo, um segredo que somente eu poderia ver.
— Eu vou voltar — falei então, como um o sussurro de um vento. Não poderia dizer quantas vezes havia dito isso a ele, e até a mim mesmo, mas por algum motivo, não conseguia me livrar daquele sentimento de medo, como se de alguma forma, mesmo querendo muito voltar, algo fosse me impedir de fazê-lo, me impedir de retornar aos braços dele. E talvez Jared sentisse o mesmo, pois sua boca se curvou em um sorriso impossível e triste.
— Irá mesmo? — Estávamos completamente juntos, o rosto sobre rosto, boca roçando boca, e corpos juntos de corpos. Seu calor invadindo cada partezinha de meu corpo — Pode me prometer isso? Pode prometer agora, que nunca vai me deixar? Prometeria isso para mim sabendo, que a qualquer instante, poderia acontecer algo que possa nos distanciar… Talvez nossos irmãos, ou quem sabe nossa própria carreira. Podemos ir para caminhos diferentes e perder o que temos tentando ficar juntos… Poderia prometer deixar isso, para estar comigo?
— E você? — Minha garganta ardia tanto quanto o peito que encontrava aflito, olhando-o profundamente — Prometeria agora não me deixar, independente das consequências? Mesmo que tenha de deixar tudo… Ficaria comigo, ou viraria as costa como todos os outros que me machucaram e…
— Não sou nenhum deles — disse com rancor, e tomou meu rosto nas mãos — E a prova disso é o meu sim. Prometo fazer de tudo para estar ao seu lado. Eu prometo.
Não sei bem quem deu o primeiro passo depois de suas palavras. Tudo que podia pensar, era que no instante seguinte, o paraíso havia me engolido. O gosto de seu beijo me consumiu, seus lábios acariciando os meus e depois me submetendo, sua boca prendendo a minha em um beijo furioso e fogoso, cheios de promessas e verdades, um beijo que garantia as palavras que havia ganho sem nem mesmo merecer. Suas mãos encaixadas dos lados de meu rosto me puxando para mais perto, como se não conseguisse me ter o suficiente, todos esses pequenos gestos contendo uma camada gigantesca de importância, gestos esses que me tiraram, como sempre, do patamar da boa educação e calma.
Nada mais era importante, a não estar com Jared. E esse pensamento foi tão sincero, que me agarrei ao seu pescoço de forma que entendesse que ele, apenas ele, estava me levando a um lugar onde nunca havia conhecido, para que soubesse que eu, com todo meu ser, estava me entregando para ele essa noite e nas próximas, mesmo que a distancia exista, tudo em mim era dele, e se isso se tratava de amor, eu não podia saber, mas que estava me afogando com esse sentimento… Ah sim, estava.
— Caroline — Ele falou, com os braços a minha volta, puxando-me para perto.
Ele encaixou nossos corpos perfeitamente juntos, curvas e entradas, músculos e suavidade. Sua boca estava aberta sobre a minha, a língua passando suavemente pelos lábios. Levando meus pensamentos as nuvens, onde não queria descer nunca mais. Onde poderia estar para sempre. Com o calor aceso entre nós, Jared se afastou, ofegante, seu lábios vermelhos e os olhos brilhando com paixão contida. Poderia dizer que me encontrava da mesma forma, necessitada por mais, mas naquele instante, por mais que houvesse desejo para apartar entrem nós, também tinha zelo. Foi a partir desse sentimento que ele respirou fundo e apenas me abraçou, mantendo-me por perto para que pudesse estar sob seu queixo enquanto sua mão deslisava de meus cabelos às costas, sendo retribuído por meus braços o apertando enquanto sentia sua respiração. Era bom. Estar com alguém que poderia me abraçar e só permanecer em silêncio, curtindo o momento juntos… e foi ainda melhor quando ele tomou minha mão e puxou-me para caminhar ao seu lado sorrindo as vezes, ou apenas tocando meu rosto, minha testa e lábios com um beijo. A noite amena nos envolvendo enquanto retornávamos silenciosamente para sua casa.
Não queria que aquilo acabasse, e não desejava partir amanhã para deixar isso, mas uma coisa que havia aprendido, era que “Querer não é poder” portanto tudo que podia fazer, era beber da visão do homem ao meu lado por essa noite, e aproveitar o tempo que ainda tinha ao seu lado. Pelo menos havia ganhado tal possibilidade.
Foi enquanto pensava sobre como gostava da forma como ele estava lindo, que ele se refreou em seus passos e franziu a testa, olhando para sua casa com uma careta.
— Eu estou vendo coisas, ou seu pai está saltitando em minha janela? — questionou.
Imediatamente, vire-me na mesma direção que ele, e com um sobrancelha erguida, olhei para imagem de Apolo, em seus plenos quarenta anos, pulando como uma criança de cinco em frente janela, apontando para nós como se tivesse visto os pais que haviam chegando depois de um dia cansativo. Suspirando, balancei a cabeça, pensando que talvez meu pai fosse um dos homens mais raros que existia no mundo inteiro.
— Ele parece feliz — Jared deu um sorriso divertido, recomeçando a andar.
Sem conter, um sorriso surgiu em meu rosto.
— Sim. O que me faz pensar no por que — Olhei para janela quando Apolo desapareceu e as luzes da casa foram apagadas — Teria algo haver com Harlow e Damien?
— Não faço ideia, apenas espero ter minha casa inteira — disse rindo, e não pude deixar de acompanhá-lo ao subir os degraus da casa.
— Tenha confiança na sua irmã.
— Oh eu tenho — Sorriu ele e me olhou — embora essa menina seja um tanto encrenqueira demais. Gostaria que ela não tivesse puxado essa parte de minha mãe.
— Aposto que sua mãe era adorável — falei, e ele garalhou.
— Ela podia ser adorável, mas não para as boas coisas. Por isso digo que Harlow, definitivamente, puxou a ela. Sua tendencia para problemas fica pior toda vez que olha para alguém com aquele doces olhos — Seus sorriso foi completamente afetuoso quando ergueu a mão para a maçaneta — Eles podem ser a perdição de qualquer um.
— Pobre de você então — disse, e ele riu.
Nesse instante a porta da casa foi aberta e Jared afastou desengonçadamente com surpresa, porém seus olhos logos se estreitaram quando Harlow apareceu ali, sorrindo de orelha a orelha.
— Harlow! O que está tramando?— Jared indagou, e eu não pude deixar de sorrir ver como esse estava preocupado.
Harlow no entanto…
— Um pedido de desculpas meu e de Damien por destruir a noite de vocês — disse para nosso espanto.
Eu tive a vaga consciência que Jad piscava minha antes de olha para mim, por esse motivo, tentei soar o mais gentil possível ao falar, porém não sei se funcionou.
— Tudo bem querida, haverá outras oportunidades — Não. Nem mesmo a mim convenceu, e tive a certeza disso quando Jared suspirou e tomou minha mão ao sussurrar com um ar triste.
— Sinto muito — Me sentindo culpada por fazê-lo ficar mal novamente, balançei a cabeça e apertei levemente sua mão.
— Tirem essas expressões desoladas do rosto. Vocês queriam um encontro para passar o tempo juntos, e terão isso — Garantiu, porém não pude compreender onde a menina queria chegar.
Jared a olhou carinhosamente.
— Harlow… querida. Nenhum restaurante está aberto a essa hora — falou, mas ainda sim, sua irmã sorriu, segurando a maçaneta da porta com empenho.
— Sim. Mas eu não disse nada sobre restaurante — Nós continuamos perdidos, mas tudo mudou quando, lentamente, Harlow abriu a porta e nos deu passassem para entrar — Bem-vindos ao jantar de vocês.
Havia pétalas de rosa vermelha no chão, formando um caminho ao qual fez meu coração saltar com espanto e admiração. Com os olhos arregalados, segui com Jared por cima das pétalas, lutando para livrar-me do caroço que havia se formado em minha garganta quando olhei para Jared, que parecia tão pasmo e pálido quanto eu, Olhos engolindo tudo a sua volta no lugar escuro. Ao chegarmos a sala, as lágrimas pareciam a única coisa que podia segurar até então, e juntamente a Jad, paramos na entrada e rolamos os olhos pelo chão pintado de vermelho pelas pétalas, que subiam pela belíssima mesa arredonda ao meio da sala, havia velas na janela e estante, duas sobre a mesa no meio de dois pratos brancos e talheres organizadamente bonitos. A rosa sobre a mesa dava a imagem daquela sala um ar romântico, assim como a luz das velas; e claro, o mais adorável de tudo.
Meu pai estava para na entrada, sorrindo aquele sorriso que derretia aquele órgão que estava em meu peito, o enchendo de amor, e ficando completamente derretido assim que esse se curvou sobre o braço e disse, tentando parecer o mais culto possível em seu pijama gigantesco.
— Caminhem até a reserva de vocês por favor.
Foi impossível não rir para seu ato tão bonito, e tudo que mais quis, foi beijá-lo por todo o rosto, mas nesse instante, Jared virou-se para mim com um sorriso enorme, os olhos brilhando com alegria ao estender-me uma mão.
— Me daria a honra? — perguntou.
Eu senti meu próprio rosto mudar e se acender com uma lampada, emanando brilho por toda sala quando tomei sua mão, deslumbrada que tudo aquilo, realmente, estava prestes acontecer. Mesmo depois dos problemas, imamos mesmo ter nosso primeiro jantar — ou encontro — juntos.
Assim que estávamos sentados, Dana apareceu na soleira da mesa com uma bandeja de prata enquanto Damie me surpreendia vindo logo atrás, segurando o vinho e taças. Vê-lo em meio aquela surpresa fez as barreira do meu controle se desparecerem, e contra minha própria vontade, lágrimas deslizaram meu rosto enquanto fungava, fazendo meu irmão gêmeo sorrir com toda aquela doçura que apenas podia se qualificar a ele.
— O que é tudo isso? — perguntou Jared, tão emocionado quanto eu.
Dana se curvou assim como Apolo, sorrindo de orelha a orelha.
— Isso caro irmão, é o jantar de vocês — falou, e passou a servi-lo enquanto falava —Uma deliciosa receita de espaguete feito com bacon, creme de leite, cebola, queijo e cogumelos. O espaguete à carbonara é italiano e todo mundo conhece e adora. Portanto espero que apreciem.
Eu vi como Jared olhou para tudo aquilo totalmente sem reação, e quando pareceu passar horas assim, virou-se para única pessoa que poderia pensar em tudo aquilo, a única que continha aquele olhar que a poucos minutos atrás, Jared tinha descrevível como a perdição de uma pessoa. Aquela que continha não apenas um seu amor, como agora também sua eterna gratidão.
— Eu agradeço — Ele falou — Está tudo perfeito.
— Sim — Concordei, engolindo em seco e tentando manter-me sobre o controle ao fungar — Obrigada por salvarem nossa noite.
— Apenas aproveitem — Pediu Harlow — A noite e a casa é de vocês. Certo?
Mesmo que essa noticia fosse a melhor coisa que receberá no dia todo, hesitação me fez trocar um olhar com Jad, que também parecia nervoso.
— Mas e vocês?— Perguntei, e com preocupação, olhei meu pai.
Damien sorriu e o puxou para longe de mim, impedindo-me de correr para ele no instante que o imaginei tentando cuidar si mesmo sozinho.
— Não se preocupe, estaremos seguros.
— Acho que esqueceram rapidamente de onde vinhemos poucas horas atrás — Murmurou Jad, e pude ver Harlow e Damien se encolherem. Dana tomou parte.
— Estou no comando então. Cuido desses cabeças de banana, e vocês se divertem. Ok? — Ainda sim, eu não consegui manter-me tranquila, mas Dana não pareceu apita a deixar-nos decidir, pois com uma rapidez enorme, empurrou a todos para porta enquanto se despedia.
Gostaria de poder dizer que a partir dali, nós suspiramos em alivio e apenas aproveitamos a noite, mas não foi assim que tudo começou. Ficamos por uma boa parte do tempo, olhando aflitos um para o outro, pensando se valia mesmo a pena esquecer nossos irmãos por apenas uma noite, mesmo que isso significasse o fim do mundo. Pensamos se conseguiríamos passar aquele tempo sem preocupar-se com nossas famílias.
Jared sorriu suavemente para mim.
— Acho que isso é um tipo de desafio — falou, tentando soar divertido.
Mordendo os lábios, olhei em volta, respirando fundo para tamanha surpresa.
— Um dos grandes — concordei e espiei a janela — Será que eles vão ficar bem? Meu pai, ele…
— Acho que vai ficar bem — Ele sorriu e se levantou, indo a estante onde havia uma caixa de som e a televisão de plasma. — Por que não tentamos fazer o que pediram? Eles com certeza estarão vivos amanhã, mesmo que tenha queimado a casa de Eloise.
— Oh Jared — ri atrás da mão e a melodia delicada tomou a sala quando ele se virou com um sorriso esticado no rosto. Com passos completamente elegantes, Jared parecia uma pantera movendo-se, com grança felina e perigosa, que tornou-se tão bonito de olhar, que prendi um suspiro entre os lábios, observando-o capturar a garrafa de vinho da mesa para encher nossas taças.
— Vamos brindar — disse, e entregou-me uma taça, abaixando-se para que pudesse estar a minha altura — Brindaremos a essa noite, pois agora eu poderei dizer tudo que pretendia dizer, poderei tocar sua mão por cima da mesa — devagar, ele pousou a palma sobre a minha, envolvendo-a completamente ao olhar em meus olhos —Eu poderei dizer o quão magnifica está, e como estou feliz, por poder fazer isso.
— Não sei escolher palavras tão bonitas como as suas para expressar o quão feliz estou — murmurei, sentindo-me o mais aquecida possível — Mas estar aqui com você, ver sua satisfação e o seu carinho, me faz querer nunca ir embora. Então eu brindo a isso. A nós e a essa noite… para que ela não acabe.
Por breves segundos, ele apenas olhou, sorrindo quando tocamos nossas taças uma na outra. Ele levou a sua aos lábios e eu quase pude sentir inveja do fino cristal, que tocava o lugar mais macio e desenhado que ele possuía, o lugar onde gostaria de me perder por horas.
— Dance comigo? — perguntou quando abaixamos as taças. Eu sorri e olhei para mesa.
— Mas e o…
— Podemos comer depois — Ele estendeu uma mão, tomando a minha com cuidado — Temos a noite toda para isso. Por agora, tudo que mais quero é estar perto de você. Por favor?
Eu não lembrava se alguém já havia me chamado para dançar, e isso aqueceu o meu coração e fez-me ficar de pé, sabendo que tinha uma coloração avermelhada ao segui-lo para o meio da sala. Engolindo em seco, senti quando seu braço circulou preguiçosamente por meu quadril, puxando-me para mais perto dele. Corpo colados, juntamos nossas mãos, sem nunca desviar atenção para outro lugar quando ele guiou nossos passos em uma dança amena, onde ele levou-me entre rodopios e balanços como se estivéssemos andando por cima de nuvens, era como a história contada por Apolo. Aquela em que a menina chega ao baile totalmente linda, e ao ser vista por seu príncipe é levada por ele para o meio do salão em um dança mágica, onde só existia os dois e onde o sentimento chamado amor, emanava em cada passo.
A noite de repente pareceu mais especial quando suas mãos tomaram minha cintura mais forte, levando-me a direções cheias de leveza, seus olhos encontrando os meus em um sentimento que somente nós podíamos entender. Lembranças pipocaram em minha mente enquanto rodopiava sob seus braços, a musica acompanhando a troca de imagens, trazendo lágrimas. Eu podia recordar de cada toque dele desde que nos conhecemos, cada beijo e carinho, cada palavra, me dando a certeza de como estava morta antes de conhecê-lo, as luzes apagadas por tanto tempo. Mas ele estava fazendo algo que a muito eu duvidava ser capaz de sentir, ele estava me salvando.
— Jared — Apertei seus ombros, abraçando-o contra mim — Obrigada.
Ele tomou meu rosto nas mãos e me fez olhá-lo, curiosidade nas feições.
— Por que está me agradecendo? — indagou, e eu sorri, tocando seu rosto lentamente, afastando a mexa que teimava cair sobre seus olhos.
— Obrigada por me fazer abrir meu coração — pisquei — Obrigada, por me fazer sentir tão viva e tão acordada. Eu me sinto feliz com você, e não quero que isso mude… Não quero.
— Ah Car… — Suspirou, e como se seu próprio sentimento fosse demais para que pudesse controlar, ele deu passos decididos para mim até que me teve contra uma parede, seus olhos grudados em mim — Eu que preciso agradecer por ficar ao meu lado, noite após noite. Eu tenho estado cada vez mais apaixonado por você. A cada dia… E eu não posso deixar que isso acabe, pois sem você, eu me sinto vazio. Completamente vazio. Toda vez que estou contigo, sinto que estou voltando a vida. Uma vida mais forte e feliz. Então não pretendo deixá-la partir para sempre. Nunca, me entende? Nunca.
E então estávamos no beijando. Jogados um contra outro como fogo furioso, mãos e unhas prensadas na pele um do outro enquanto nossas bocas abriam-se em busca de algo para sanar a cede de ambos. Mas não era o suficiente, estar tão juntos. Queríamos mais, ao ponto do toque tornar-se duro e feroz, desesperado ao viajar para as roupas um do outro, procurando por botões e zíper, empurrando o tecido que tinha escolhido com tanto cuidado, amassando-o.
Cambaleando pelos moveis, esquecemos da mesa de jantar e também do vinho. Tudo que precisávamos agora, era estar juntos, pele com pele, desejo contra desejo.
— Jared…
— Nunca me deixe — pediu ofegando, empurrando-me contra o sofá, onde cai e o puxei junto, respirando seu ar — Nunca se esqueça de mim.
— Nunca — concordei, sorrindo ao beijá-lo rudemente, puxando seus lábios com dentes e o fazendo grunhir. — Diga que fará o mesmo. Jared, me prometa que vai esperar por mim. Por favor.
— Sempre — Jurou entre beijos — Sempre.
E a noite mostrou-se ser maravilhosa e cheias de promessas, onde nos entrosamos e gememos, tocando-nos com adoração, beijando com luxuria, e nos abraçando com lamento. Os pensamentos perdidos entre a brasa da paixão, os beijos intensificados quando finalmente ficamos sem peças de roupas, os múrmuros e os nomes sussurrados e os gemidos contidos começando aumentar quando estávamos finalmente presos um ao outro, trabalhando naquela dança excitante enquanto a musica seguia-se sob nossos sons ofegantes, fazendo daquela casa, das velas, e das pétalas de rosas, as únicas coisas a ver a liberdade que emanávamos ao fazer amor, como pássaros libertos, como um homem e uma mulher, amando intensamente por longas e longas horas, presos em um só coração, que se preparava para uma despedida pouco apreciada.
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