Rude Girl

57 Bônus III — Minha estrela


Notas iniciais
FELIZ NATAAAAL MEU POVO! Meus amores, hoje será nossa despedida definitiva, estarei fechando a a fanfic Rude Girl >—< Lágrimaaaaaas! Mas ainda sim, no dia de hoje quero estar desejando uma feliz natal, muita felicidade na vida de todos vocês, e que possamos nos encontrar na próxima história dessa turminha de amigos. Eu amo vocês, e espero que gostem do bônus de hoje, que terá uma pequena continuação do capitulo 41 — Confusão, mas dessa vez no pov do nosso surfista lindo, Damien Levesque. A partir do momento em que Harlow pede a ele para tomar conta de Dana, depois de toda a discussão. Aproveitem tudo, e por favor não pulem as notas finais, pois ai vem revelação da data de postagem de Amélia. Fiquem ligado e boa leitura ♥

O som da mare em meus ouvidos era alto, observei enquanto a água deslizava sobre a areia enquanto o sol caia para trás das ondas, escondendo-se lentamente e manchando o céu com riscos laranjas e vermelhos, o calor em volta tomando como amigo o vento, que sopravam meus cabelos para frente dos olhos quando voltei-os novamente para meus pulsos, focando por minutos naquele que tinha aquele pequeno e simples desenho de um sol, que marcava a presença de alguém mais do que importante.

Harlow.

Incapaz de não deixá-lo escapar, o sorriso tomou meu rosto, a maldita coisa fez com que meu rosto doesse. Olhar o por do sol sempre seria assim, o que me fazia pensar se talvez ela sentava-se em algum lugar para observá-lo partir, apenas para pensar em mim, assim como eu fazia todas as tardes para poder imaginar seu rosto e seu sorriso direcionados para mim. Para poder pensar em sua loucura da qual a cada dia, eu sentia mais falta. Por um momento apenas permaneci ali, sentado na areia quente da praia, olhando a grande bola de fogo ir, e assim que essa se escondeu por completa, o ar frio fez com que os pelos de minha nuca se arrepiasse, pois nesse instante, a lua deu as caras, juntamente das estrelas. Aqueles malditas estrelas.

Assim como sempre acontecia, meus olhos seguiram por elas avidamente, as mãos que antes estavam firmes agora seguiram tremulas quando esfreguei o rosto, tentando afastar as lembranças que estavam sempre invadindo-me desde que havia retornado para Califórnia. Eu não podia fechar os olhos ou sequer dormir sem pensar, nem que por um segundo, naquele dia.

Contra minha própria vontade, respirei fundo, porém mais uma vez, cai diretamente para aquela enchente de sentimento, para o momento em que minha mente, talvez, tenha mudado e esquecido de tudo que antes acreditava.

A porta do quarto dela estava aberta, e exatamente por esse fato, pude ouvir os murmúrios altos que eram atirados dentro. Lentamente, me encostei contra o batente da porta no mesmo instante que um xingamento foi atirado no ar, juntamente a uma almofada que passou voando em frente aos meus olhos. Erguendo uma sobrancelha, observei os passos rudes que ela dava dentro do quarto, sua estrutura pequena tensa enquanto arrastava as unhas contra os cabelos negros e que desprendiam-se das trança. Ela parecia tão menininha naquele pijama que era impossível não achá-la adorável, ainda mais quando falava pelos cotovelos tentando, em vão, controlar as lágrimas que desciam por suas bochechas rosadas.

— …Droga! Como ela pôde falar daquela forma comigo?… E tudo por causa daquela mulher… Mas que merda! — Ela atirou o pé para frente, como se quisesse chutar o tênis a sua frente, mas antes que sequer pudesse avisar, ela mirou um pouco mais a esquerda e seu dedo acertou bem na quina da cama — Oh, merda — Ela gritou e tropeçou para trás, prestes a cair, mas não estava deixando isso acontecer, portanto me apressei em entrar no quarto e segurá-la assim que tombou para o lado, choramingando para si mesma.

— Peguei você.— A agarrei mais firme, tirando-a de seus pés e fazendo-a ofegar e arregalar os olhos vermelhos com lágrimas.

— Damien?

— Eu preciso mesmo dizer a você que chutar a cama não vai fazer com que a raiva passe?— perguntei, e impedi um sorriso de se forma quando ela fez um bico e desviou o olhar.

— Por que está aqui? Não devia estar com Harlow? — O tom de ofensa em sua voz me fez estreitar os olhos, mas em seguida olhei em volta, caminhando com ela até sua cama onde a coloquei deitada cuidadosamente, em seguida sentei-me ao seu lado, me abaixando para ver seu pé. Aliviado que não estivesse machucado, voltei-me para ela, sendo então engolido por seu olhar tão semelhante ao de Harlow.

Dana Cooper era uma mulher de lindos olhos azuis esverdeado e um sorriso doce, uma pele pálida suave que as vezes tinha vontade de tocar para alisar, lábios finos e cabelos tão escuros quanto os do irmão mais velho, Jared. E sempre que encontrava seu olhar, pensava se poderia existir algo mais brilhante.

— Ela o mandou aqui? — Voltou a perguntar, e parecia mais do que machucada. Eu continuei a olhando, notando coisas que antes não havia percebido.

Como no fato de que vê-la tão triste, fazia com que algo dentro meu peito ficasse muito aflito, e também saber que aquele rosado em suas bochechas não era porque o tempo estava abafado demais, mas por que ela provavelmente ainda tinha febre alta. Essas constatações faziam algo de muito estranho acender por dentro de mim, mas mesmo assim, não conseguia entender. Tudo que pensava naquele instante, era que Dana precisava de um consolo, e que depois daquela discussão entre Amélia e Harlow, a mulher estava desolada.

— Sim, ela pediu — Confessei, mas antes que ela tentasse me expulsar, sorri e me aproximei dela, fazendo-a piscar com confusão quando me aconcheguei ao seu lado para deitar — Mas eu iria vir mesmo se ela não pedisse.

— Por que? — Ela me olhava confusa — Eu pensei que iria ficar ao lado dela depois que eu… Bem, depois do que aconteceu — Ela cruzou os braços e suspirou, olhando para a porta do quarto fixamente, e mesmo que tentasse esconder, preocupação nublou sobre seu rosto — Ela com certeza está mal.

— Assim como você — Apontei gentilmente e ela piscou surpresa — Eu me importo com Harlow, muito, mas agora ela não vai precisar de mim… Jimmy está com ela. Ao contrario de você. Não poderia deixá-la sozinha. — Me arrastei um pouco para cima, olhando-a fixamente quando essa virou o rosto, impedindo-me de olhá-la.— Dana.

— Eu não preciso de sua piedade — censurou ela, e sua voz estava fraca, tremula — Eu posso me cuidar… Eu posso… — Ela engoliu em seco, como se sua garganta tivesse travado de repente, ela tomou várias respirações, tentando voltar a falar, e em sua dificuldade, solidariedade fez-me erguer a mão e tocar seu rosto, virando-o para mim para que não o escondesse.

— Dana.

— Não — Ela fechou os olhos não querendo me olhar, mas mesmo assim, as lágrimas caíram — Pare… Vá embora, eu não quero que me veja assim… Eu odeio chorar na frente dos outros.

Inesperadamente, um riso partiu de mim, e Dana franziu o cenho, mesmo que ainda pudesse ver suas lágrimas.

— Eu sou tão engraçada assim? — sua voz saiu magoada, mas eu ainda não podia deixar de sorrir ao deslisar o polegar por cima de suas gotas salgadas.

— Na verdade eu usaria outra palavra — falei, e ela tentou a abaixar a cabeça fungando e ainda com olhos fechados.

— Com certeza estou horrível.

— Não se rebaixe a esse patamar querida estrela, pois eu a levarei para o de completamente chorosa para eternamente adorável.

Como esperava, seus olhos saltaram abertos novamente, e estavam vermelhos e brilhantes com lágrimas. Ela também continha uma grande camada de curiosidade ao me encarar, seu rosto deito delicada e lindamente, para o lado.

— Estrela? — piscou — Adorável?

Assenti, deitando de costa na cama para que pudesse olhar para o teto, mesmo sentindo sua atenção completamente em cima de mim.

— Adorável para forma como parece quando chora — Senti uma careta minha se formar — Nunca pensei que uma garota pudesse ser adorável quando está chorando. E estrela? Bem, será meu apelido para você — Expliquei, e a encarei fixamente por uns instantes — Pois toda vez que lhe olho, tudo que posso pensar, é que você brilha como uma.

Eu não sabia que merda estava falando, ou de onde todas aquelas palavras estavam vindo, mas no entanto, quanto mais dizia, mais delas vinham a minha mente, e quando vi que Dana parecia mais do que surpreendia, uma satisfação tomou conta de meu peito por completo, aliviando a preocupação para com ela.

— Oh — Ela murmurou, e com diversão notei suas bochechas corarem, juntamente com o suspiro que deu ao secar o rosto e tentar mandar-me um sorriso — Você é ótimo em bajular as pessoas.

— Eu sou ótimos em muitas coisas, e bajular é a maior delas — disse com uma piscadela, que satisfatoriamente, a fez sorrir. Mas não durou por muito tempo como desejava, pois o sorriso se foi como um passe de magica quando os sons da voz de Jared chegou até nós, misturando-se com as vozes de várias outras pessoas, que obviamente estava discutindo no anadar de baixo.

— Eu causei isso — sussurrou dobrando os braços para que pudesse abraçar a si mesmo — Eu devia ter permanecido quieta… Devia ter apenas ignorado e…

— E então se corroer aqui em cima como uma coitada? — sugeri, o mais o suave possível. Ela engoliu em seco — Dana, se você tivesse sequer feito isso, não seria você, e acredite, teria sido pior para todos. Tenha a certeza de que todos entendem a situação que está, o mesmo sobre Harlow e Jared, até mesmo Amélia, ninguém aqui é idiota para jugar você.

— Amélia — Seu nariz torceu, e ela bufou ao esfregar o rosto rudemente — Não estava em meus planos bater nela, mas… Eu perdi o controle, aliás, me desculpe pela cotovelada — Me olhou lamentosa e estendeu uma mão até meu estômago, como se fosse verificar se não estava ferido gravemente, no entanto, antes de tocar minha camisa ela arregalou os olhos e recuou, parecendo espantada por tentar algo parecido — Desculpe.

— Pare de se desculpar — pedi incomodado e a olhei de lado — Eu estou bem, não me machucou, mas estou admirado com sua força. Foi um bom golpe. — falei esfregando o lugar atingido, que na realidade, não estava tão dolorido como falava.

Ela riu e balançou a cabeça, abaixando-se no colchão.

— Você está fazendo de novo.

A encarei.

— O que estou fazendo?

— Isso — Ela indicou-me com as mãos — Tentando me distrair do que realmente importa. Me elogiando, fazendo graça.

— Eu sou muito bom nisso — Admiti orgulhoso, ela riu um pouco mais alto.

— Não seja tão orgulhoso de si mesmo — disse sorrindo, e como queria antes, seus olhos brilhavam, porém não por lágrimas, e sim com diversão — Sabe que isso não adianta muito, né? Uma hora eu vou ter que pensar.

— Então essa não é hora, minha estrela. Tentarei deixá-la o mais distraída possível — falei, e me levantei da cama quando ela me encarou. Me mostrava um sorriso, mas não um completo. Era aquele que ficava no cantinho suave de seus lábios, aquele que em certas horas, eu queria tocar, encarar ou até mesmo…

Parei meus pensamentos bruscamente, sentindo de repente uma quentura a mais subir por meu rosto e orelhas, e considerando a forma curiosa que Dana encarou, ela com certeza novata o quão embaraçado havia me tornado de repente.

— Tudo bem? — perguntou.

Eu sorri amarelo, tentando , em vão, não pensar mais nada além de consolá-la.

— Sim, eu… Por que não vamos jogar um pouco? Aposto que perde para mim — Minha cabeça girava um pouco ao falar, meu estômago parecia uma lavadeira de tão agitado, mas mesmo assim, continuei tentando parecer normal quando nem mesmo sabia por que diabos estava reagindo dessa forma com a irmã da minha melhor amiga.

— Eu já o vi jogando com Harlow, Damie, sei que é bom — disse desdenhosa, mas parecia um pouco mais bem humorada, portanto tratei de lhe agarrar uma mão para puxá-la até a ponta da cama, fazendo resmungar — Damieee.

— Vamos, você não pode permanecer se lamentando nessa cama, tente fazer algo para distrair essa sua mente. Aqui, me siga.

— O que? Ei, por que está me levando para o quarto da Harlow?

— Minhas coisas está instaladas aqui, não precisa fazer essa cara, eles ainda estão discutindo lá em baixo, e pelo que percebi, isso vai demorar. Podemos jogar uma vez sem interrupções.

— E por que eu tenho de jogar com você? — questionou com um bico birrento quando empurrei a porta do quarto de Harlow aberta, ela entrou da mesma forma emburrada e cruzando os braços — Não estou a fim disso.

— Querida, eu vou fazê-la mudar de ideia assim que pegar no controle. — prometi com um sorriso, ela virou os olhos, caindo no puf preto que havia de frente para televisão de Harlow. Enquanto isso, puxei os fios dos controles e liguei-os aos aparelhos, em seguida cai ao lado de Dana, que olhava para o controle com se fosse uma invenção que nunca havia pegado nas mão.

Divertido, observei enquanto ela o estudava, e então se esticava para capturar a capa do CD do jogo, olhando com os olhos escuros cerrados.

— Eu ainda não mudei de ideia — resmungou, e eu não pude me impedir de rir.

— Você nem começou a jogar, aqui. Segure assim.

— O que acontece se eu conseguir ganhar?— indagou, e eu sorri maliciosamente.

— Você ganhara um humilde escravo, pois se passar da primeira fase sem morrer uma vez, eu irei adorá-la por toda eternidade. Harlow nem mesmo chegou perto, antes de acertar o controle em minha cabeça.

Dana me olhou chocada.

— E por que ainda vai me fazer jogar isso?

— Por que é interessante ver os outros perdendo — confessei com um sorriso, e recebi um soco no ombro esquerdo.

— Idiota.— sorri de lado.

— Presta atenção estrela, o jogo vai começar.

Dana começou a resmungar para si mesma quando a voz do personagem passou a ser ouvida no jogo, ela piscava para suas falas com uma sobrancelha erguida, como se a história apresentada fosse pelo menos um pouco interessante. Eu queria poder tirar os olhos dela para ver o que acontecia na TV, mas era quase impossível, sua expressão era ainda melhor que suas palavras murmuradas.

— Oh meu Deus… Vai começar! Damien, o que eu faço? — Ela tinha os olhos arregalados e empurrava o controle para mim desesperadamente.

Rindo, expliquei:

— Você vai lutar contra os deuses, vê aqueles caras em cima da montanha, eles são Zeus, Poseidon, Hades, Hermes, e Hélio, se preparando para a batalha.

— Batalha? Mas eu mal sei que botão apertar! — disse escandalizada, eu gargalhei.

— Veja, e vou mostrar.

Enquanto eu mostrava os comandos para Dana, tentei não focar no fato de que ela estivesse perto demais, e que dessa forma, eu podia sentir o seu perfume, que me surpreendeu totalmente por ser, com certeza, apenas de um hidratante. De alguma forma, já havia percebido que Dana não usava perfumes, tinha notado isso apenas chegando perto e sentindo a fragrância suave de rosas, que se espalhava por toda sua pele como um convite para que me aproximasse, para que sentisse mais… Era uma distração que fazia minha mente dar curto. Não sabia exatamente quando tinha começado a me sentir assim em relação a ela, mas achava que desde o momento em que coloquei os olhos em Dana, algo mudou.

Minha visão para relacionamentos nunca fora boa, na verdade eu não pretendia nunca namorar sério novamente. Isso até que conheci Harlow. Claro, meu envolvimento com ela era total e completamente diferente no que tive com Lara, nem sequer poderia comparar. Pensar em Lara era como enfiar uma faca em meu próprio coração, mesmo ainda estando tão ferido. Portanto nunca pensaria que Harlow tinha algo a ver com minha ex-namorada.

No entanto havia algo. Não podia negar a atração que senti pela pequena garota logo de cara. Harlow era uma menina bastante peculiar, com uma língua solta que poderia provocar a qualquer homem um sentimento incomum e avassalador, por tanto depois de provar um beijo dela, meus pensamentos apenas vagavam para aquele dia em questão. Gostava de estar ao seu lado, gostava de consolá-la e de vê-la sorrir, mas ainda sim, não era um idiota para não entender o amor que ela tinha por outro cara, mesmo esse sendo um completo idiota. Sempre soube, desde o inicio, que o assunto com o tal Jimmy não tinha se encerrado.

Mas eu permaneci ao lado dela, não por pena, longe disso, e sim porque durante cada um desse momentos, eu me sentia mais curado da merda que Lara e meu antigo — e traíra — amigo, Rafael, fizeram ao meu coração. Harlow ajudou a curar o que me fazia afastar as pessoas, fez com que eu quisesse realmente estar perto, portanto não hesitei em aceitar viajar com ela para Princenton, ainda mais ao saber que Caroline estaria lá, poderia vê-la e continuar, pelo menos um pouco mais, ao lado de Harlow. Seja como namorado ou amigo… Era tudo que mais queria.

Sobre tudo isso, eu nunca esperei encontrar alguém — além de Harlow — que me chamasse mais atenção. Eu esperava uma briga com o suposto cara que a minha menina gostava, mas uma garota linda com um rosto estonteante e olhos tão brilhantes como duas estrelas, nunca esteve em meus planos. Dana foi uma surpresa que passou-se a ser curiosidade, e em seguida, uma admiração. Nunca em minha vida tinha encontrado uma mulher que pudesse ser mãe e irmã, ao mesmo, conseguir dobrar-se entre emprego e estudos. Nunca tinha encontrado uma mulher tão forte e obstinada para seu deveres e ainda assim permanecer sorrindo a maior parte deles, nunca deixando a doçura e o carinho fora de sua ações. Mesmo que para isso ela fosse sacrificar a própria felicidade.

Fiquei fascinado por ela, essa era verdade. E dada a situação depois que Harlow acabou tudo comigo, algo moveu-se entre o meio termo em relação a Dana. Fiquei decepcionado sobre terminar com Harlow? Claro. Essa era uma menina que valia ouro, e tinha 100% de certeza de que poderia fazê-la feliz, assim como ela faria o mesmo por mim. Porém, quando finalmente dei-me conta de que estava sozinho, meus olhos imediatamente foram para a pessoa que capturou tanto minha atenção, e assim como hoje, naquele dia, eu pensei se aquilo era uma coisa além da amizade, ou apenas um forte e incomum carinho pela tão animada mulher.

— AH! — Dana comemorou ao meu lado e gargalhou, me trazendo de volta a vida — Olha só Damien! Eu consegui! Consegui de verdade!

Pasmo, olhei para TV. Ela realmente havia conseguido passar pelo braço direito de Gaia, mesmo quando um Hipocampo apareceu e começou a atacar Kratos. Fiquei chocado. Era a primeira vez que alguém que jogava comigo, conseguia passar pelo braço direito de Gaia sem ter sucumbido ao Hipocampo que surgia logo na frente. Virei-me para ela e senti meu peito inflar no mesmo instante que assisti seu sorriso aumentar, seus dedos quase perfurando meu controle enquanto tentava não saltar do puf, os olhos tão arregalados que parecia estar vendo uma monstruosidade.

— Ai Jesus, o que eu faço agora? — jurou espantada e eu tive de tirar os olhos dela para ver — O que diabos é isso?

Eu ri.

— Agora precisa derrotar o centauro. Você fugiu de um hipocampo, não precisa temer esse carinha — expliquei rindo, mas ela fez um careta adorável.

— Mas como faço isso?

— Aqui, deixe-me fazer — Estendi a mão para pegar o controle.

Quando nossos dedos roçaram um nos outros, Dana me olhou e sorriu, larga e lindamente, as iris claras de seus olhos brilhando tanto quanto brilhavam quando a conheci. Ela estava mais do que bonita agora, ela estava de tirar o fôlego. Eu não conseguia saber se podia me mexer novamente, mas de qualquer forma, eu não precisei, pois nesse instante a porta do quarto foi aberta, e ali, Harlow apareceu um pouco pálida demais, os olhos baixos e a testa franzida, ao nos ver ali ela imediatamente pousou os olhos tristes na irmã, que não mais sorria e também tinha o rosto abaixado ao pular de pé.

— Eu vou voltar pro meu quarto — falou, e como se não se importasse com a presença de Harlow, ela passou diretamente e correu para fora.

Tristeza preencheu os olhos da menina, fazendo uma parte de mim sangrar com preocupação.

— Harlow — Me aproximei dela, mas ela negou, balançando a cabeça.

— Continue com ela… — Pediu sem me olhar —Apenas vá com ela.

— Mas…

— Damien por favor — Ela dirigiu um olhar suplicante para mim — Quero ficar sozinha. Só um pouquinho. Vá atrás dela por mim.

Eu sabia que não poderia convencê-la do contrario, portanto era inútil tentar, por isso apenas suspirei e beijei sua testa, pedindo aos céus para que aquela menina parecesse de sofrer, pois vê-la tão triste parecia arrancar um pedaço de mim. Engolindo em seco, me afastei e com mais uma olhada nela, parti novamente atrás de Dana, mas ao entrar no quarto não a vi de imediato, olhei ao redor, incluindo dentro do guarda-roupas, pois não sabia o quão doida essa mulher era quando se tratava de se esconder, então quando não a achei comecei a ficar estático. Para onde ela poderia ter ido?

Sai do quarto, passando pelo o de Jared que tinha uma luz acesa, pensei se ela não teria ido até ele, mas desisti de bater quando pude ouvir a voz de Caroline ultrapassar a madeira. Fazendo careta, me afastei, ficando apreensivo ao olhar o corredor escuro. Caminhei até a porta do banheiro, e foi impossível não perceber meu alivio ao ver por baixo da porta, que a luz estava ligada. Respirando fundo, encostei-me na parede para esperar, mas quando os minutos se passaram e nenhum ruido de chuveiro ou sequer de torneira chamou atenção, eu encarei a porta.

Ela estava presa a mais de dez minutos e não tinha ouvido nada.

— Dana? — bati suavemente na porta. Nenhum ruido. Meu coração saltou — Dana, está tudo bem? — Eu tentei manter a voz baixa, mas quando ela novamente não respondeu, e respirei fundo e fechei os olhos.

Talvez eu me arrependesse do que fosse fazer, mas não poderia permanecer ali parado, quando não sabia o que estava acontecendo. Não podia deixá-la ali trancada quando não ouvia sequer um barulho dentro do banheiro.

Agindo totalmente por impulso e preocupação, segurei a maçaneta da porta e torci. A porta abriu lentamente, mas mesmo assim eu sentia meu pulso acelerando quanto mais tinha a visão do banheiro e então…

— Dana! — Me apressei para dentro, agachando-me dentro do box para a forma curvada e encolhida da mulher. Tentei não me importar como o fato dela estar sem sua camiseta de bob esponja, ou sua calça larga de pijama, tentei fazer minha mente deletar o fato que aquela mulher magnifica estava em calcinha e sutiã na minha frente, com toda a força que tinha em meu consciente. — Dana, ei. Está tudo bem?

— Quando eu não falei nada — A voz dela era abafada e rouca dentro dos braços — Eu quis dizer que queria estar sozinha.

— Eu pensei que tivesse desmaiado, já que ainda não está bem — falei sinceramente, e abaixei os olhos para não a olhar — desculpe.

— Tudo bem. Pelo menos não está me vendo nua… não que calcinha e sutiã seja de grande ajuda, mas… Merda, eu estou falando pelos cotovelos. — Ela fungou e se encolheu. Sem me conter, sorri, olhando-a de escanteio e então procurando por alguma coisa que pudesse cobri-la.

Puxei a toalha branca que estava pendurada no box, e em seguida a descansei sobre os ombros dela, num intuito de preservar o pouco a intimidade que eu havia invadido. Ela ergueu o rosto aos poucos, e ao me olhar, tinha lágrimas presas nos olhos, mas esses pareciam mais fortes que nunca.

— Desculpe por ter lhe preocupado. — disse, e eu sorri, olhando em volta para então me juntar a ela no azulejo, sentando e me enconstando contra a parede.

— Por que está encolhida aqui? — perguntei, ela molhou os lábios secos e puxou a toalha para mais perto.

— Eu pretendia tomar um banho, mas de repente eu travei —Ela piscou por uns segundos — Estou tentando ser forte para não ter que voltar no quarto dela. — Olhou para a porta, as lágrimas voltando novamente, mas ainda sim, ela não as liberou — Me abaixei aqui no intuito de me segurar longe, mas… Eu quero tanto ir abraçá-la.

— E por que se segurar? — indaguei com carinho — Harlow precisa de você, sabe disso.

Acho que dessa vez as lágrimas pesaram muito, pois deslisaram por sua bochechas rosas e a fez soluçar, o rosto torcendo tanto que pareceu estar sentindo dor.

— Eu preciso dela também — sussurrou, e esfregou os olhos — Mas não consigo parar de pensar que depois de hoje, um muro enorme foi posto entre nós.. Um muro que não posso quebrar sozinha.

— Então peça ajuda, estrela. Peça ajuda para a pessoa que está do outro lado — Ela me olhou, olhos cintilando com lágrima. Por certo impulso, escorreguei o polegar até seu rosto, secando-o lentamente — Harlow pode ajudá-la a derrubar isso. Não pode depender só de uma. Nunca vai.

— Mas e se ela me negar? E se preferir Amélia?

— Nunca vai saber se não tentar — Segurei seu rosto na palma, sentindo sua quentura. Fiquei admirado quando as pálpebras dela caíram e fecharam, e em seguida, seu lábios bonitos emitiram um suspiro que reverberou por todo meu corpo, fazendo-me arrepiar.

— Estou com medo Damien— Ela sussurrou ainda de olhos fechados — Com medo de tentar e perder. Com medo de ter minha irmã longe… Com medo de Amélia nunca… — Ela se refreou na frase, sua testa franziu e os olhos abriram, encontrando os meus que já estava cerrados.

A mirei — Com medo de Amélia nunca o que? — quis saber. Ela não respondeu, apenas continuou me olhando, muito fixamente, congelada. Foi só então que eu notei algo que nunca havia passado em minha cabeça.

Rejeição brilhava nos olhos dela. Medo. Mas não medo de nunca mais ver Amélia, não… Era algo mais pessoal, como um desejo. Um desejo profundo que qualquer menina que desejava ter sua família unida, podia criar. Era o mesmo desejo que via em Harlow ao falar de Amélia e o mesmo que via em Jared quando falava que não se importava em não ter afeto por parte da Amélia,

— Dana — Segurei seu rosto com as duas mãos, algo que pareceu surpreendê-la, pois arregalou os olhos e me encarou espantada — Você gostaria de ter uma tia?

— O que? Eu nunca disse…

— Dana — A cortei, tornando meu tom o mais sério possível. — Eu entendo ok? Entendo que ver Harlow receber todo o afeto de uma tia, se torne doloroso, entendo e não julgo o fato de desejar isso. Amélia é sua tia também, portanto é totalmente humano querer que ela lhe ame tanto quando ama sua irmã mais nova. Eu sei, entende?

— Damien — Sua voz se tornou chorosa, tremula.

— Não tenha medo de ela nunca lhe amar, minha estrela. Vocês são família, e esse laço é algo que ninguém pode partir, nem mesmo ela própria. É claro que uma aproximação entre as duas pode ser difícil agora, mas não impossível. Não sinta medo de não ser amada por uma pessoa, quando tem outras várias ao seu redor se importando contigo. Se for para Amélia lhe amar, ela irá o fazer, não por que quer, mas por que seu coração pede. Então tenha calma, as coisas vão melhorar, você vai se acertar com Harlow, e quem sabe um dia não tenha esse amor de tia que tanto deseja. Aprendi algo depois que conheci Harlow. Entendi que quando se ama, nada pode apartar esse sentimento, seja romântico ou familiar… O amor poder vir, se for permitido a ele ser planto. Para mim, isso nunca esteve tão claro.

— Ah Damie. — Suas lágrimas pigaram com mais pressa, e então, Dana estava em meus braços, agarrando minha camisa, enquanto choramingava sua tristeza…

— Damien!

Fui puxado da lembrança brutalmente com alguém me chamando, quando olhei para trás, sorri ao ver meu pai de longe, segurando sua prancha de surf e usando um short azul que ia aos joelhos. Ele acenava para mim freneticamente.

— Vamos embora filho, acho que deixei o arroz no fogo hoje de manhã — Ele gritou, e saiu correndo, e eu não pude deixar de sorrir.

Sim, ele tinha deixado, mas antes de sair havia desligado sabendo que o meu velho pai iria se esquecer e lembrar somente horas depois, mais precisamente quando a casa estivesse em chamas.

Respirando fundo, me levantei, batendo a areia para fora de meu shorts, e então, mais uma vez, meus olhos voltaram para o céu. Sentia falta dela, sentia falta de ver as estrelas em seus olhos, sentia falta de seu sorriso e de seu bom humor e toque. Pensei naquele dia, quando passei um longo tempo sentado ao seu lado no banheiro — com ela quase nua — a acalentando enquanto chorava. As únicas mulheres que ganharam esse tratamento de mim foram Caroline e Harlow, e mesmo assim, minha irmã não era de recorrer as lágrimas, portanto não me via tomando-a sempre nos braços ou secando seu rosto. Harlow e Dana eram diferentes, e pela primeira vez na vida, achava que tinha conseguido encontrar um desejo enlouquecedor

Queria vê-las novamente. E Dana… Não sabia o por que, mas tinha o pressentimento de que no momento que a visse, algo iria acontecer, e como se esperando isso, meu coração batia mais rápido toda vez que me encontrava d’baixo de um céu com estrelas. O que estava acontecendo comigo?

— Damien!

— Estou indo! Vai indo na frente. — Me abaixei para pegar minhas coisas, mas assim que fiz menção de pegar a prancha de surf, o ruido de meu celular chamou a atenção, olhei para o lado e ele estava vibrando, e bem como acontecia quando olhava aquele nome, eu sorri, pegando com o peito inflando — Caramelo!

Uma das melhores ligação que eu tinha no dia, sempre era de Harlow, porém sempre, a todo instante, eu desejava que mais uma pessoa me ligasse, mas ela nunca o fazia, o que só me dava mais vontade de ouvir sua voz.

— Acho que sempre vou amar a forma como quase tem um ataque quando eu ligo — Sua voz risonha me fez sorrir mais largo.

— Vai fazer exatamente um ano que não nos vemos, precisa me dar uma corda. Ainda estou querendo virar-te do avesso por não ter vindo me ver nas férias de junho. — Eu podia sentir meu próprio desgosto.

Do outro lado, Harlow deu um suspiro pesado e cansado.

— Quantas vezes terei que me desculpar? Eu já disse que estava atolada com os estudos para começar a faculdade. E agora que ela começou estou tendo de me dobrar em duas por causa da revisão das matérias. Eu estou frustrada! Por que merda temos que rever todo o conteúdo do colegial? Jared disse que é necessário, mas estou enlouquecendo — Ela bufou profundamente, e rindo, olhei para além do mar, me perguntando como eu conseguia me sentir tranquilo só a ouvindo reclamar.

— Jared tem razão, é apenas seu primeiro ano na faculdade de medicina. Você vai ir pegando o jeito depois.

— Para você é fácil falar, já que acabou de se formar — resmungou, e então murmurou lamurinhas — Como se sente sobre isso? E Car? As fotos da formatura dela chegaram a mim e Jared de surpresa. Lamentamos tanto por não termos ido.

Sua voz se tornou a mais dolorosa possível.

— Sabemos que as coisas por ai estão difíceis, não se preocupe com isso. Nossa formatura foi apenas uma comemoração para nos lembrar que agora temos de trabalhar mais.— Tentei soar divertido, e talvez tenha conseguido, pois ela riu um pouco, mas não com a vontade que eu desejava,

— Eu queria ter ido na sua também… Me sinto uma amiga horrível.

— Pare de ficar se lamentando caramelo, eu não estou lhe cobrando nada, apenas peço que venha me visitar logo. Preciso te ver e… — Seria estranho perguntar sobre ela?

— Vou dar um jeito. — Jurou ela — Acho que nas próximas férias eu tenho mais chances… E sendo maior de idade Jared não pode mais me impedir, não que ele fosse capaz antes, já que está tão agoniado quanto eu para ver Caroline. Ele ainda não engoliu o presente que ela deu até hoje. — falou, e eu me impedi de rir.

Imaginar que minha séria e recatada irmã, estava fazendo um homem, louco, deixava-me estranhamente satisfeito, ainda mais quando sabia que disso, algo mais iria sair. Queria a felicidade de Carol, e pelo jeito, ela estava junto de Jared e sua pequena família.

— Eles tem se falado? — perguntei, voltando a me sentar na areia.

Esperava que meu pai ainda estivesse vivo quando chegasse em casa.

— Acho que sim, pois esse é o único motivo que me passa pela cabeça para fazê-lo sorrir todas as manhãs. As vezes ele chega em casa exausto do trabalho, mas ainda sim tem essa cara de bocó. Meu irmão é muito previsível quando se trata de Car. — Nós rimos. Um sentimento de conforto me fez suspirar, olhando fixamente para o mar, engolindo em seco para ondas.

— Er… E você e o loiro play boy? — indaguei, e ela resmungou.

— Você precisa parar de chamá-lo desses nomes — reclamou, e eu ri abertamente.

— Que nomes? Ah, se refere a Play boy? Ou quem sabe Sininho? Admita, combina com ele e seu cabelo cor de areia.

— Damien! — Ela fez um ruido na garganta, que mais me divertia do me assustava.

— Picasso, então? — Cutuquei, ela grunhiu.

— Cala essa boca. E para sua pergunta muito anterior, sim, nós estamos bem. Ele acabou de tirar Carta e está muito contente. Tio Kane lhe comprou uma moto, sendo assim ele finalmente devolveu a de Jack — contou e eu virei os olhos.

— Estou tããão feliz por ele — disse com falsa animação.

A quem eu queria enganar? Eu estava apenas enrolando e enrolando para chegar ao assunto realmente importante.

Harlow deu um suspiro irritado.

— Por que pergunta dele se vai agir assim? — indagou magoada, eu esfreguei o rosto, tentando me controlar.

— Ok. Eu sei que sou um idiota, mas eu adoro provocar.

— Não seja uma agora, e me diga o que está havendo — pediu, e no mesmo instante fiquei rígido.

— Hum? — Ela riu.

— Eu conheço sua voz Damien, tem algo te incomodando.— disse para meu desconforto — Fale comigo.

— Eu…

— Harlow, campainha! — Uma voz ao fundo me fez gelar.

Minha mãos tremeram e um sorriso formou-se em meus lábios, os dedos pressionando com força a mais o aparelho.

— Dana — Não foi minha intenção falar coisa alguma, mas o nome dela passou por meus lábios suavemente, como uma brisa inesperada.

— Sim, ela está me chamando e… — A campainha novamente — DANA PORRA, EU TO NO TELEFONE!— Eu gargalhei.

— Sua sutileza me seduz caramelo.

— Claro que sim — disse com humor — Agora por que não voltamos a falar do…

— Hey! — Meu peito inflou novamente quando, mais uma vez, a voz de Dana apareceu, e agora parecia mais perto — O Jimmy está te esperando na sala sua ingrata.

—Diga para vir depois, estou falando com Damien. — disse acentuadamente, como se não se importasse em trocar seu namorado durante cinco minutos por mim, o que me fez muito satisfeito.

E no entanto, algo também me fez ter o coração aquecido, e eu queria poder negar que foi a forma como Dana ficou em silencio ao ouvir meu nome, queria poder esconder o fato, que quando ela voltou a falar, as palavras que escolheu me fez ver mais do que as estrelas no céu.

— Está falando com Damien? — Sua voz parecia mais animada que antes, e mais perto.

— Isso, mas por que está sorrindo desse jeito louco e… Sério, tá dando medo Dan. Pare com isso… HEY!

— Damien?

E finalmente, eu achei que fosse desabar na areia. Eu estava falando com ela! Depois de todo esse tempo, estávamos realmente nos falando.

— Dana, me devolve o…

— Damien, sou eu, Dana. Está me ouvindo?

— Ele tinha que me ouvir, sua ladra de celulares, procure o seu próprio. Hey, o que está fazendo? Esse quarto é meu. DANA! — Ergui uma sobrancelha quando ouvi o som de uma porta fechando com força — … abra essa porta já! Dana Lopez Cooper! Eu quero entrar…

— Ignore ela — A voz de Dana sobrepôs os gritos indignados da irmã — Está ai ainda?

Engoli em seco, e, respirando fundo, procurei por uma voz.

— Sim. — Não sabia o significado do suspiro que ela deu a seguir, mas esperava que fosse algo bom. — Você realmente prendeu Harlow fora do quarto dela? — questionei curioso.

Ela gargalhou, e tudo em mim pareceu estar sufocando. Merda, eu havia sentindo falta desse som.

— Apenas por que eu sabia que ela não me permitiria falar com você, pois faz uns dias que não se falam. — Se explicou, e eu sorri.

— Então gostaria de falar comigo? — Silêncio. — Dana?

— Desculpe — falou então — Desculpe por não ter ligado ou… Entrando em contado de outra forma. Estou sem celular por enquanto, mas de toda forma, eu estava pensando se não séria muito abuso da minha parte querer falar com voc…

— Abuso?! — Minha voz pareceu crescer, e quando ela parou de falar de repente, eu respirei fundo e disse — Nunca séria um abuso para mim, Dana. Eu tenho esperado sua ligação desde que cheguei na Califórnia. Achei que me considerasse seu amigo, mas quando não ligou eu fiquei com receio de incomodá-la querendo alguma explicação

Do outro lado da linha, ela deu o que parecia ser um risinho.

— Sinto muito por fazë-lo pensar assim. Eu realmente estava com vergonha, mas… Eu prometo que ligarei a partir de agora. — Sua voz abaixou por um instante ao falar: — Eu sinto falta do seus concelhos.

Sim. Eu estava indo para ser internado por ataque do coração depois que desligasse o celular. Não viveria depois de tanta doçura em apenas simples palavras.

— Apenas deles? — questionei, e quando ela puxou o ar bruscamente, apertei os olhos, pensando em como tinha jogado uma cantada tão tosca e idiota em cima dela. Babaca. — Desculpe Dana, eu…

— De você também — Ela me cortou — Sinto sua falta, Damien.

Minha garganta fechou e pousei a mão sobre o peito. Dentro as batidas eram tão rápidas quanto as músicas em uma escola de samba brasileiro. Estava ofegante e o sorriso teimava em aparecer. O que estava acontecendo comigo?

— Damien?

— Também sinto sua falta — disse roucamente — Não sabe o quanto estrela.

Fechei os olhos mais apertados dessa vez, e quando ouvi a respiração dela do outro lado, correr rápida assim como a minha, meu mundo pareceu sacudir.

— Eu senti falta de você me chamando assim — Sua voz era baixa e marcava timidez.

Sorri.

— E eu queria poder olhar em seus olhos para poder lhe chamar assim — Confessei, e cai de costas na areia, olhando para o céu — Escute. Vá até a janela de Harlow.

— O que?— Ela pareceu confusa.

— Está no quarto dela, certo? Então, vá para a janela e olhe para o céu — pedi.

— Hum. Ok, só um minuto — disse, e então ouvi ruídos, e então ela abrira as janelas, e em seguida — oh!

Sorri, deitando sobre o braço enquanto tinha o telefone no ouvido.

— Lindo. Certo?

— Eu ainda não tinha parado para ver as estrelas… Na verdade nem lembro a ultima vez que fiz isso — disse, e sua voz parecia tão relaxada, que quase podia fingir que ela estaria deitada ao meu lado, olhando para as estrelas comigo.

— Pois que bom que sou o primeiro a pedir que o faça — falei, e mordi o lábio inferior. — Nesse instante, estou deitado na praia, olhando para o céu. Faço isso desde que lhe conheci.

— De verdade? — Sua voz estava baixa, mas ainda audível.

— Sim. Eu penso em seu rosto quando olhos pro céu, então quero que faça o mesmo — Pisquei para cima, sentindo as batidas do meu coração — A partir de hoje, quero que encontre um lugar livre para você olhar para cima, nesse mesmo horário. Quando as estrelas estiverem totalmente a vistas, pense em mim, pois estarei fazendo o mesmo por você daqui.

— E se não houver estrelas? — perguntou, sua voz embargada com emoção.

Eu apertei o aparelho nos dedos.

— Se não houver estrelas, volte para sua casa, tome um banho e coma algo, Mas antes de deitar em sua cama, deixe a janela aberta, pois assim eu poderei ir vistá-la em seus sonhos, para ambos nós dois, conseguirmos ver as estrelas juntos. Para que minha mente, viaje até você. Pode fazer isso?

Esperei por sua resposta, mas quando essa não veio, fiquei inseguro, com medo que tivesse ido longe demais. Mas então eu ouvi aquele suspiro. Um cheio de tranquilidade, de carinho… De alegria.

Ele me fez sorrir, mas também me fez tremer.

— Farei isso — Sua voz era animada, cheia de tudo de bom que poderia existir nesse mundo. — Estarei pensando sempre em você, até que possamos nos encontrar. Ok? Fara o mesmo por mim Damie?

Eu faria?

A pergunta não sobrevoou nem por segundos antes de uma parte minha se manifestasse, pulando e saltando em afirmação, como se nunca e em nenhum momento, ela tivesse cogitado fazer uma coisa diferente. E essa partezinha escondida, foi a única que me fez ver, o que só estava negando ultimamente. Eu me importava com Dana, e não somente como amigo. E isso estava tão claro agora, que tive de me encolher quando um vento frio passou por mim.

— Damie? — Sua voz suave me alcançou como musica e eu derreti, fechando os olhos completamente ferrado.

— Sim, Dana — sussurrei derrotado — Faria qualquer coisa por você, minha doce e brilhante estrela.

~*~

Notas finais
E agora é hora do adeus, mas não para sempre. Como disse lá em cima, estarei deixando a data de postagem do primeiro capitulo de Heart of titanium, portanto pelo amor de Deus, não se esqueçam de ir conferir meu perfil nesse dia. E claro, que o natal de você seja bem aproveitado cheio de presentes, e que tenham um ano novo prospero e muitas alegrias. Eu todos você e agradeço aquele que continuaram comigo até o final - Vocês são demais! Estarei respondendo os comentários em breve, apenas não sei se vou conseguir fazer isso hoje, então se preocupem. Venham se despedir de mim nesse ultimo bonus, e um beijo enorme meus caramelos ♥ Até a próxima. Data de postagem no primeiro cap de Heart of titanium : 16/02/2018 ♥ Byeeeeeee ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!