Rota Zero

26 Quando Os Caminhos Se Encontram


Notas iniciais
Cheguei!!!! Tudo bom com vocês pessoas do meu kokoro? E vamos para mais um capítulo. Sem muita enrolação, só sinto que a pobre Clarice vai ser ainda mais odiada. Boa leitura!

December

QUANDO OS CAMINHOS SE ENCONTRAM

A situação mais perigosa da minha vida, antes de sair em jornada, tinha sido cair do telhado ao ajudar meu pai a limpar a calha de escoamento de água. O resultado? Um pulso torcido e uma bronca homérica porque eu tinha caído sobre o roseiral e destruído as plantas que minha mãe cuidava com tanto afinco. Mas agora, perto de tudo o que eu estava vivendo, isso parecia um sonho bobo e distante.

Quando cheguei à rua, com a enfermeira pendurada no meu ombro, vi que a situação fora do Centro Pokémon estava muito pior. Havia um corre-corre generalizado, vários focos de incêndio pela cidade, sirenes ensurdecedoras e outros sons que não soube identificar. Arrastei a mulher alguns metros longe do Centro em chamas e ela desabou no meio fio, chorando e resmungando algo ininteligível.

Ela não estava gravemente ferida, mas parecia muito abalada e sem forças para dar mais passo algum. Não demorou a aparecer treinadores que haviam abandonado o Centro e se amontoassem em torno dela tentando descobrir se alguma das Pokéball que a mulher carregava era sua.

Haila ainda estava dentro do Centro, tentando recuperar nossos Pokémon e eu pensei seriamente em voltar lá e resgatá-la. O problema é que o fogo havia se alastrado rapidamente, e havia tanta fumaça que não era possível enxergar mais nenhum palmo. Ela era muito mais experiente do que eu, então se sairia melhor nesse tipo de situação, mas apesar desse pensamento, isso não diminuía minha preocupação.

Esperei e esperei e aquilo pareceu durar uma eternidade. A movimentação na rua se intensificou e eu podia ouvir sons de motores de carros e disparos. Bem, eu não tinha certeza se eram tiros porque nunca ouvira nenhum, exceto pela televisão, mas pelo alvoroço, só poderia ser algo parecido com isso.

Me virei para ir atrás de Haila, mas não consegui fazer isso. Com os braços enlaçados no meu pulso imobilizado, uma garota de jeans e camiseta amarela me encarava, meio surpresa, meio aliviada: Clarice.

– Deedee! – Ela estava coberta de fuligem e parecia muito cansada, como se tivesse corrido uma maratona.

– Clarice? O que faz aqui?

– O hotel onde eu estava – ela falava pausadamente, tentando recuperar o fôlego – foi atingido por uma bomba. Tivemos que evacuar. Achei que o Centro Pokémon fosse um local seguro – e os olhos buscaram a fachada em chamas com certa desilusão.

– Fomos atacados também – disse simplesmente.

– Precisamos sair daqui, a rua não é segura – e me puxou pelo braço esquerdo, tentando me tirar dali.

– Haila – puxei de volta e ficamos nesse cabo de guerra com meu braço machucado – ela ainda está no Centro. – Lancei um olhar ao estabelecimento. As labaredas altas lambiam toda a frente do prédio. A placa de identificação da fachada, torceu e desabou, levantando uma nuvem de poeira e faíscas. A situação estava ficando cada vez pior. – Precisamos ir buscá-la.

Mas Clarice parecia ter planos diferentes, pois me puxou novamente pelo braço – nós não podemos entrar lá e não é seguro esperá-la aqui.

Puxei o braço novamente, não arredaria o pé dali sem a garota de Nuvema, mas Arceus parecia conspirar contra minhas decisões. Um mar de gente apareceu correndo e subiu a rua praticamente nos arrastando com eles. Senti Clarice aumentar o aperto no meu braço para que não nos perdêssemos e tentar nos guiar no meio da bagunça. Eu não sabia exatamente o que estava acontecendo, mas podia ouvir sons de carro subindo a rua rapidamente e tiros. E sim, desta vez, tinha certeza que eram tiros.

Eu precisava achar um cheio de sair da turba e voltar para pegar Haila, mas eu mal conseguia me guiar no meio das pessoas apavoradas. Os tiros pareciam mais próximos e as pessoas mais apavoradas.

– O que está acontecendo? – Gritei, tentando me fazer ouvir.

– Estamos sob ataque – Clarice respondeu – e você estava certo aquele dia – eu mal conseguia ouvi-la.

– Que dia?

– Da lanchonete, sobre a Team Plasma.

Eu não tinha certeza se tinha ouvido direito, mas ela tinha citado Team Plasma? Então eram eles que estavam causando todo esse alvoroço? Mas Burgh não havia alegado que eles estavam fora de atividade? Cassie dissera algo semelhante.

– Precisamos ir para um local seguro – ela sugeriu.

– Onde?

– Não sei, achei que o Centro ainda estaria de pé.

Precisávamos de um local seguro, mas a cidade toda estava em chamas. Eu podia ver grandes nuvens de fumaça cobrindo o entardecer e o céu ser tingido de vermelho pelo reflexo do fogo que consumia a cidade. Apesar do caos, meu maior objetivo era encontrar Haila. Ela não tinha Xtransceiver para que eu pudesse contatá-la e o Centro Pokémon, um ponto óbvio de encontro já não existia mais. Para onde ela iria? Para onde eu deveria ir? Nós não conhecíamos ninguém na cidade, não tínhamos amigos, exceto...

Tentei me orientar na massa e encontrar para que lado estava o ginásio da cidade. Elesa era nossa única conhecida em comum. Era forte e habilidosa e seu ginásio não iria cair tão facilmente. Certamente Haila iria para lá.

– Eu tive uma ideia – gritei para Clarice, antes de puxá-la pelo braço.

Foi uma dificuldade gigantesca correr e nos desvencilhar da multidão, mas conseguimos alcançar uma minúscula viela. Havia escombros ali que dificultavam a passagem, mas isso ao menos mantinha os transeuntes afastados.

Quando finalmente terminamos de pular uma pilha de concreto e metal retorcido, Clarice me puxou pelo braço, praticamente colando minha cara no chão, usando os escombros para nos esconder. Pude ouvir atrás de nós o som de carros grandes, talvez Jeep e tiros, muitos tiros. Era um som alto e apavorante, que parecia ecoar dentro do meu peito.

Ficamos ali até ter certeza que eles já tinham avançado, então seguimos pela viela e saímos em uma rua lateral. Era uma rua menor do que a que ficava o Centro e estava completamente vazia. Um hidrante tinha sido destruído e a água jorrava em uma grande coluna, contrastando com o cenário caótico e incendiado.

Havia uma quantidade absurda de água cobrindo a rua e calçada, quase como uma enchente e nossos pés faziam um barulho engraçado ao pisotear no espelho d’água.

– Tem certeza que é por aqui? – A menina questionou enquanto avançávamos.

Não tinha. Eu tinha ido ao ginásio uma única vez e não conhecia Nimbasa muito bem, fora que aquele era um caminho alternativo. Meu único consolo era que na direção do ginásio não havia tanta fumaça e fogo, o que aumentava minha certeza de que Elesa estava segurando as pontas.

Andamos dois quarteirões, até eu perceber que era uma rua sem saída. Clarice fechou a cara e achei que fosse me repreender, mas não disse nada. Apenas me deu as costas e voltou descendo a rua. Havia uma rua que havíamos ignorado no quarteirão anterior e aquele provavelmente deveria ser o caminho que deveríamos seguir.

Fiquei encarando a loja que ocupava o final da rua sem saída, ouvindo os passos de Clarice se afastarem e patinharem água. Eu estava cansado e cheirando a fumaça. Havia um misto de pavor e esperança no meio peito. Estava apavorado pelo ataque, mas ansioso para chegar logo ao ginásio de Elesa e ver que Haila e nossos Pokémon estavam seguros.

Os passos de Clarice já estavam longe e antes que decidisse correr para alcançá-la, ouvia-a gritar. Nunca atravessei dois quarteirões tão rápido. Quando cheguei até ela, seu Audino já estava fora da Pokéball em posição de ataque. Diante dela, havia uma mulher com uniforme preto e uma arma nas mãos, parecia um fuzil, mas eu não saberia precisar. No meio do peito havia um grande broche azul e prata, que eu reconheceria em qualquer lugar.

Se havia alguma dúvida em meu coração, ela já não existia mais. Era mesmo a Team Plasma. A mulher na verdade não passava de uma garota pouco mais jovem que eu. O cabelo castanho, preso em duas maria-chiquinhas saia por debaixo da boina e grandes olhos azuis profundos podiam ser divisados através da máscara que usava para cobrir parte do rosto. E eu conhecia aqueles olhos.

– Rose?

Clarice me encarou por cima do ombro, sem saber o que estava acontecendo. A soldado puxou a máscara, revelando o rosto todo.

– Há quanto tempo, December.

Rose era uma garota de Aspertia que saiu em jornadas quanto tinha doze anos. Os pais não eram muito favoráveis a ela se tornar treinadora Pokémon e Bianca precisou intervir para que ela pudesse sair em jornada. Eu nunca mais tivera notícias dela desde que deixara a cidade e seus pais nunca tocavam no assunto. Pelo que me lembrava era uma garota entusiasmada e determinada que amava Pokémon, por isso não fazia sentido vê-la ali, empunhando uma arma e usando um uniforme da Team Plasma.

– Que surpresa você por aqui, achei que nunca sairia de Aspertia – e realmente não estava nos meus planos. Quando Rose foi embora, ela havia me dito que não entendia como eu poderia gostar tanto da cidade e não querer conhecer o mundo. Agora, nem eu mesmo entendia como podia ter almejado tão pouco.

– Coisas acontecem e as pessoas mudam – respondi.

– Realmente, sou obrigada a concordar – e sorriu de soslaio como se lembrasse de algo. – Bem, Deidran disse para sermos bastante enérgicos em nossas ações, mas como é você, seria boazinha. Se libertarem seus Pokémon agora, posso deixá-los ir embora.

– Não seja ridícula, por que faríamos tal coisa? – Clarice indagou agressiva.

– Ora, ora. Você deve ser o tipo que pensa que somos os vilões por aqui – e ajeitou o fuzil nas mãos – Olhe para esse pobre Audino, ele não parece ser bem cuidado e muito menos feliz em ter você como treinadora – a palavra treinadora saiu anasalada com um riso e Clarice fechou a cara.

Eu tinha que concordar com Rose, o Audino de Clarice não estava nas melhores condições e a maneira como ela treinava não era a mais eficiente.

– É muito fácil querer impor sua ideologia segurando uma arma, quero ver você resolver isso em uma batalha Pokémon – Clarice estava muito irritada.

– Se insiste dessa forma – e sacou uma Pokéball do bolso. Da luz avermelhada saiu um gigantesco Tyranitar. Eu sabia que eles eram grandes, mas aquele parecia enorme. – Vá! – Ordenou secamente e o Pokémon avançou para cima do parceiro de Clarice.

– Audino, use Secret Power – mas a menina mal conseguiu terminar o comando. Tyranitar deu uma chicotada de cauda, mandando o bicho rosa para o chão, então avançou com um Crunch e eu soube que aquilo acabaria antes mesmo de começar. – Audino, Take Down – mas o coitado mal conseguia afastar Tyranitar que cravava seus dentes afiados na pele macia, quando mais executar algum comando.

– Dark Pulse – Rose comandou. Tyranitar deu um salto, se afastando e concentrou uma grande quantidade de energia. Foi o tempo do Audino se por de pé, apenas para receber a rajada pulsante.

O Pokémon foi lançado aos pés de Clarice, estava bem machucado. Os olhos suplicantes para a treinadora, mas a garota o mandou levantar e atacar com Double Slap. Com dificuldade o monstrinho se levantou e atacou. O golpe foi certeiro, mas inútil. Tyranitar nem se incomodou em defender ou desviar.

– Chip Away – Tyranitar avançou. Audino inutilmente colocou as mãos diante do corpo tentando se defender, mas recebeu todo o impacto do golpe. O monstro rosa foi ao chão novamente, mas isso não impediu o Pokémon de pedra continuar atacando.

– Clarice, chame-o de volta – pedi. O pobre Audino iria ficar irreconhecível depois daquilo.

– Eu não vou desistir ainda.

– Do que está falando? Você já perdeu.

– Eu não vou perder para um membro da Team Plasma.

– Clarice, isso vai matá-lo. Ele não tem chance contra o Tyranitar – e avaliando a situação, os meus parceiros também não tinham.

– Você deveria ouvi-lo – Rose interrompeu – ele parece ter muito mais consciência do que você.

– Eu não vou deixar você tirá-lo de mim – bradou.

– Tyranitar, pare! – Imediatamente o grandalhão parou – seu Audino não tem culpa da sua irresponsabilidade e incompetência. É óbvio que você não tem capacidade para ser uma treinadora.

– Você acha que eu vou aceitar essa história de que Pokémon e humanos não podem viver juntos? – a menina da blusa amarela chorava.

– Você prova melhor do que ninguém como esse convívio é forçado e frágil. E quem paga? Seu pobre Pokémon. Agora, chega de conversa e me dê sua Pokéball – Rose tirou uma das mãos da arma e estendeu-a para Clarice esperando que a garota fosse entregar o dispositivo.

Mas a coordenadora apenas fechou a bola vermelha e branca nas mãos, se recusando a colaborar.

– Se você prefere desse jeito – Rose deu de ombros. Voltou a mão ao fuzil e achei que iria atirar na gente, mas ela tinha planos diferentes – Tyranitar, acabe com esse Audino.

O monstro esverdeado voltou a bater no Pokémon, com o dobro da força e fúria. Eu podia ouvir o som dos ossos estalando a cada soco e os gemidos do Audino que já nem saiam direito. Clarice abaixou a cabeça, cobrindo a visão com a franja. Ela apertava a Pokéball com força demasiada e resmungava que nunca iria compactuar com a Team Plasma. O Audino iria morrer ali.

– Por que está fazendo isso? Achei que queria libertar os Pokémon para o bem deles – inquiri.

– E a morte não é destino melhor para esse Audino do que continuar nas mãos dessa menina?

Clarice era péssima treinadora e eu não acreditava que a morte fosse uma saída, mas ela estava deixando o Pokémon passar por tudo aquilo só porque não queria dar o braço a torcer. Eu é quem não poderia compactuar com aquilo.

Dei um passo e puxei a Pokéball das mãos dela, talvez por seu eu, ela não esperasse tal atitude e não mostrou resistência.

– Aqui – joguei a bola aos pés de Rose – faça-o parar. – Eu estava tremendo e chorando. O Audino não era meu Pokémon, mas não merecia passar por tudo aquilo.

– Pare! – Ela ordenou e sorriu sombriamente ao me encarar – Você foi bem esperto – então pisoteou o artefato até não sobrar nada além de fragmentos.

Clarice caiu de joelhos, os olhos presos ao que sobrara da Pokéball.

– Você entende quem são os vilões aqui, não é? – Rose me encarava – as pessoas, todas elas. Esse amor que elas dizem nutrir por Pokémon é apenas para escravizá-los. Nós somos a verdadeira salvação.

– Salvação?

– Um mundo onde os Pokémon possam ser livres, verdadeiramente livres e autônomos. É apenas isso que desejamos. – Então se abaixou e passou a mão pelo semblante arruinado de Audino. – Você é livre agora – a voz era doce e delicada, como era quando ela morava em Aspertia.

Audino gemeu e tentou se sentar. Olhou confusamente para a garota de preto e se voltou para a treinadora, mas Clarice parecia presa em um estado catatônico e encarava a Pokéball que Rose destruíra.

– Aqui – tirei um Potion da mochila e estendi a Rose. Não sabia se ela tinha algum medicamento, mas o Audino precisava de tratamento. Ela aceitou e deu ao Pokémon.

– Agora o mundo é apenas seu – se voltou para o bicho que parecia ligeiramente melhor. Era visível que precisaria de tratamento intensivo do Centro Pokémon, mas dadas as circunstancias isso não seria possível – agora você pode viver na floresta com seus irmãos.

O bicho parecia atordoado e confuso. Era como se quisesse aceitar a proposta de Rose, mas ao mesmo tempo não queria abandonar Clarice. Mas a falta de ação dela aos últimos acontecimentos parecia pesar muito na decisão do rosado.

– Você diz liberdade, mas eu seu Tyranitar?

– Ele não é meu. Somos apenas amigos. Ele está comigo enquanto for conveniente para ele, mas é livre para partir quando quiser. – Eu nunca tinha ouvido tal conceito, isso era mesmo possível? – Você me parece um bom treinador, mas vou precisar dos seus Pokémon também. Ordens são ordens.

Eu tinha me esquecido que ela era uma soldado afinal. Para mim, era apenas Rose e eu conseguia vê-la por baixo do uniforme. Mas mesmo nossa familiaridade não abrandaria as coisas para o meu lado.

Dei um passo para trás e vi o Tyranitar instintivamente se por em posição de batalha. – Não torne as coisas difíceis – Rose se pronunciou – nem para mim, nem para você e muito menos para os Pokémon.

Eu não tinha chance contra o Pokémon, mandar Bacon e Chiclete seria dar-lhes o mesmo destino que o Audino. Mas eu não queria abrir mão deles, eram meus amigos, minha família.

– Eu não posso fazer isso – eu estava tremendo.

Rose sorriu sombriamente e com um aceno, mandou o Tyranitar na minha direção.

– Solar Beam – uma voz feminina, aguda e musical ecoou sobre o barulho da água sendo patinhada pelo Tyranitar e uma rajada verde mandou o monstro contra uma parede próxima.

Com as botas enfiadas na água e o cabelo todo desarrumado, Roxie estava parada ali acompanhada de um Amoonguss. Ela tinha alguns machucados no braço e rosto, mas parecia bem.

Rose pareceu surpresa com a presença da líder ali e girou o corpo até ficar de frente com ela, me ignorando. A soldado encarou por cima do ombro, acompanhando o Pokémon que se punha em pé.

– Ammie, Absorb – a roqueira ordenou e o Pokémon cogumelo foi em direção ao Tyranitar, absorvendo sua energia vital.

– Isso não vai ser fácil assim – Rose gritou, empunhando o fuzil e apontando para a garota de cabelos brancos.

– Realmente não será – sorriu de canto – Hamlet – e um Toxicroak surgiu do nada e atingiu Rose com um chute, mandando a arma para longe. – Vocês dois – e Roxie se voltou para nós – fujam!!!

Eu não sabia bem o que fazer, mas se ela estava me mandando correr, achei que seria melhor acatar. Mas Clarice se mantinha imóvel. Precisei praticamente arrastá-la dali. Quando ao Audino, não fez menção de nos seguir e só me restou deixa-lo para trás.

=8=

Não tínhamos ido até o ginásio de Elesa no final das contas. Estávamos em uma instalação improvisada no estádio onde tinha estado com Haila no dia anterior. Engraçado como aquilo parecia uma lembrança tão distante, mesmo tendo acontecido há menos de vinte e quatro horas.

Roxie tinha vencido Rose, mas esta aproveitara uma brecha e fugira. A cidade ainda estava sob ataque, mas boa parte do incêndio tinha se apagado e apenas alguns membros da Team Plasma ainda permaneciam no local, a maior parte do contingente já tinha deixado Nimbasa.

Eu não sabia o porquê do ataque e naquele momento sequer me importava. Estava agradecido por Roxie ter nos salvado e nos levado até ali e estava preocupado porque Haila não estava. Eu não fazia ideia de onde ela se encontrava e só poderia torcer para que ela estivesse em melhores condições do que nós.

Clarice ficou o tempo todo ao meu lado em um estranho estado de torpor. Tentei falar com ela, mas ela só movia a cabeça e nunca dizia nada.

– Vocês estão bem? – Roxie se sentou ao meu lado no chão empoeirado e encarou Clarice de esguelha. Apenas confirmei com a cabeça e ela sorriu. – Muita sorte eu ter encontrado vocês, estavam bem encrencados, hein? – Apesar do tom leve, parecia que eu estava tomando uma bronca.

– E o Audino? – Perguntei me lembrando do parceiro de Clarice.

– Bem, quando tudo terminou, ele não estava mais lá, deve ter fugido...

– Entendo. – A verdade é que não entendia. Será que algum dos meus Pokémon faria o mesmo se tivesse a chance de ser livre? – A garota do Team Plasma, ela disse que eles querem apenas que os Pokémon sejam livres.

– E eles não são?

– Bem, nós não sabemos realmente se eles querem ser capturados – eu nunca tinha pensado nisso, parecia algo tão natural, mas agora, pensando direito, estávamos tirando eles de seus habitat e nichos só para nos fazerem companhia.

– Realmente não temos como saber, mas é só olhar para os seus parceiros, eles parecem infelizes? – Não pareciam. Principalmente Chiclete e Abóbora.

– Mas Clarice e seu Pokémon... – não terminei, porque não sabia exatamente o que dizer.

– Alguns treinadores tem mais afinidade do que outros. Nem todos nasceram para isso. Assim como nem todos nasceram para serem bombeiros ou médicos – deu de ombros. – Eu lamento pelo que aconteceu a sua amiga – e lançou um olhar a Clarice. – Mas não se deixe enganar pelas palavras pomposas da Team Plasma, eu já os vi em ação antes e não é como realmente parece.

– Mas...

– Nunca confie em ninguém mal, mas nunca confie em ninguém que seja muito bom também. É um futuro utópico o que eles almejam e utopias sempre são construídas em cima de sangue. Quantas pessoas morreram hoje por causa desse ideal? – Roxie me encarou e então se levantou e foi falar com a mulher que parecia ser a encarregada do alojamento.

Pessoas tinham morrido? Eu não sabia disso. Bem, Rose tinha uma arma, mas achei que fosse apenas para intimidar. O que tinha acontecido com ela para ter se unido a Team Plasma? E o que tinha acontecido ao Audino de Clarice?

Mas por mais que Roxie tivesse dito tais palavras, eu ainda não estava totalmente convencido das motivações da Team Plasma. Era algo assim tão errado? Pokémon deveriam ter direito de fazer suas escolhas também, não é? Talvez os meios que usavam fossem errados, mas no final, não era por uma boa causa? Para que Pokémon como o Audino de Clarice tivesse uma vida melhor? Será que Haila estava bem? Será que ela concordaria com meus pensamentos?

Notas finais
N/T: E o que o Deedee, Dee, Dec, December fez nesse capítulo? Nada!!! Cara até eu me impressiono com ele, as vezes. Comentem, me xinguem (pois sinto que serei) enfim, interajam, adoramos conversar. Pessoas, esqueci de avisar, mas fizemos um tumblr de R0. Sim!!! Na verdade, o Júlio é quem fez e posta lá algumas das ilustrações dos personagens... Para quem curte. E além disso, nós também postamos uns pequenos sketchs cômicos, caso vocês queriam conhecer melhor os personagens. Logo de cara começamos com Deedee, espero que gostem: http://rotezero.tumblr.com/ Beijokinhas e até!