Rota Zero
22 Maré De Sorte
Notas iniciais
Haila
MARÉ DE SORTE
– Deedee? – Chamei seu nome mais uma vez e ele se engasgou. – Que historia é essa de roubo?
– Do que você esta falando? – Ele perguntou com aquela cara inocente de sempre. Se alguém me dissesse á um mês atrás que esse garoto ia se tornar meu melhor amigo eu com certeza riria da cara dela.
Meu melhor amigo, o pensamento novamente correu pela minha cabeça e senti realmente vontade de rir. – Ouvi Tris dizendo algo sobre isso.
– Bem... – ele começou a dizer, cruzei os braços e o encarei de forma firme. Infelizmente, para me matar de curiosidade, o Xtransceiver do garoto começou a tocar. Deedee me olhou temeroso e ergueu o dedo pedindo um minuto.
Franziu o cenho ao encarar a tela do aparelho e comentou – é o seu namorado do outro dia.
Dei um salto agarrando o braço de Deedee, quase o arrancando com a intensidade do movimento. – Ele não é... – tentei dizer, mas Deedee começou a falar junto a mim.
– Quer atender?
Balancei a cabeça positivamente o soltando ao mesmo tempo. Enquanto o garoto desprendia o aparelho do pulso eu arrumei meu cabelo, mandando alguns fios rebeldes de volta para o lugar, instintivamente.
Ele me entregou e eu o atendi, segurando o aparelho na mão mesmo. O som ambiente do outro lado da tela começou a ser emitido antes mesmo de a imagem aparecer. Era barulho de agua, agua caindo nas folhas.
Tom surgiu em seguida, usando desta vez o uniforme vermelho de Ranger. Seu cabelo estava molhado, tal qual seu rosto. – Achei que nunca mais falaria contigo – ele choramingou.
– Eu sou uma pessoa ocupada – respondi séria. Deedee soltou um pequeno grunhido irônico, segurando uma risada falsa. O encarei por apenas um instante antes de voltar-me para Tom.
O aparelho mostrou vultos verdes por um momento e depois voltou a focar no rosto de dele – Droga de chuva... Sabe, você deveria ter me dito que estava fugindo de casa – ele desabafou de forma tranquila. De repente um frio havia tomado conta da minha barriga. Tentei abrir a boca para respondê-lo, mas ele continuou – agora ha cartazes com seu lindo rosto para todo lado, senhorita Gray.
Sorri forçadamente. Não havia muito que dizer. Aparentemente meus pais haviam feito um ótimo trabalho divulgando meu desaparecimento, porém me intrigava o fato deles terem começado a fazê-lo apenas agora. Já fazia um bom tempo desde que fugi de casa.
Talvez eles ainda esperassem que eu acabasse voltando, que talvez estivesse morando no bosque com os Pidove e Patrat. Minha mãe sempre disse que meu lugar era na natureza e que eu muito provavelmente poderia sobreviver dias na mata, visto meu gosto por plantas.
A vez que me perdi com Leaf não havia sido a primeira, nem muito menos a ultima que me encrenquei nos bosques em volta de Nuvema. Não haviam muitas crianças da minha idade na cidade então minha diversão era desbravar a mata sozinha, ou raramente com Jaden.
– O que você esperava que eu dissesse? – Respondi com arrogância – Olá, meu nome é Haila Gray, fugi de casa há alguns dias porque meus pais me controlam e eu não quero o futuro que eles planejaram pra mim. Alias, gosta de chocolate?
Ele pareceu ficar irritado – não, mas...
– Mas o que? Desculpa por mentir, não posso mudar isso. Quando for a policia ou falar com meus pais diga-lhes que estou bem e que não, não voltarei para casa – e mais uma vez desliguei na cara do garoto.
Joguei o Xtransceiver em Deedee, que o pegou na segunda tentativa, poucos centímetros antes do chão. – É melhor você deixar isso desligado – o alertei furiosa. Ele apenas alançou a cabeça positivamente, com olhos arregalados.
Às vezes eu tinha a impressão que Deedee tinha medo de mim.
Chegamos ao Centro Pokémon não muito depois disso. Andei com passadas largas, mal desviando das pessoas no meu caminho.
Quando as portas de vidro se abriram demos de cara com o lugar lotado. Uma fila gigantesca se formava no Mart e no balcão de cura. Entramos direto passando pela primeira parte e seguindo até o fundo do primeiro andar, onde o restaurante e o balcão de check-in ficavam normalmente.
Ao contrario do que imaginei, apenas dois homens, que pareciam estar juntos, estavam no balcão. Antes de chegarmos até lá eles saíram. A mulher negra que estava debruçada sobre o balcão nos olhou preguiçosamente e comentou – deram sorte, esses que acabaram de sair só vieram para o torneio de Bouffalant, não haviam mais quartos vagos.
– Torneio de Bouffalant? – Deedee questionou. Eu sinceramente não me interessava, estava ainda processando a alegria repentina de poder economizar dinheiro pagando muito mais barato para ficar no Centro.
– De que planeta você veio? – A mulher perguntou ironicamente.
– Do mesmo que há gente que fala sobre o que não perguntamos – a respondi ainda enfurecida. Só eu podia zoar o Deedee. – Você pode nos dar os quartos ou não?
A expressão dela mudou de entediada para nervosinha. Não resistindo, eu sorri – quem disse que haviam dois quartos? – Ela respondeu torcendo os lábios.
Revirei os olhos e bufei, aquele séria um ótimo dia.
=8=
Ironicamente foi mesmo. Nós deixamos nossos Pokémon com o enfermeiro ruivo enquanto comprávamos alguns mantimentos e Potion no Mart. Expliquei para Deedee o uso de alguns Berry que aprendi no livro da folha e seguimos para o quarto.
Não era grande, muito pelo contrario na verdade, o lugar conseguia ser menor do que o quarto do hotel que havíamos ficado. Era apenas um beco, com um beliche e um único criado-mudo. Uma janela, minúscula e redonda iluminava o quarto de paredes brancas.
Deedee quis a cama de cima, pensei em questiona-lo, mas não estava com animo. Então passamos algum tempo conversando sobre Nuvema e sobre Aspertia, nossas cidades natais.
Ele me falou sobre como era à vida dele antes e como foi quando saiu de casa. Falou sobre Cheren, Cassie e a incomum capacidade de atrair Patrat furiosos. Falou sobre os Pokémon que capturou, Chiclete, Couve-flor o Sunkern, um Pidove chamado foiegras que eu nunca o vi usar e sobre a Patrat Shiny que Cassie o havia emprestado.
Eu o contei sobre Jaden e Corin. Sobre minha rápida aventura com Tom, Deidran e Cilan e como havia sido quando eu ganhei Simi e descoberto que Kara era a namoradinha de Tom.
Mais tarde, depois de pegarmos nossos Pokémon eu e Deedee fomos até a saída da cidade onde havíamos chegado e passamos o resto da tarde treinando. Ele porque seu Contest seria dentro de poucos dias e eu porque havia decido enfrentar a famosa líder do Ginásio de Nimbasa.
Desta vez Simi e Leaf batalharam um contra o outro, disputando poder em ataques coordenados. Leaf tinha claramente um nível inferior ao de Simi, um Pokémon de um líder de Ginásio bastante experiente, mas no fim ela se saiu bem.
Ao sair da Pokeball, Abobora o Trapinch de Deedee, correu para cima dele, como um filhote carente para a mãe. Bacon e Chiclete se cumprimentaram com um movimento de cabeça. Já Couve-flor e pela primeira vez Pidove pareciam desorientados fora do objeto.
Ficamos lá até a noite cair. O clima desértico na cidade era menos intenso, mas mesmo assim a variação de temperatura era marcante.
Na manha seguinte, depois de tomarmos café, fomos até onde séria o Contest. Ao começarmos a atravessar a cidade pudemos ver a tão famosa roda gingante, um dos principais pontos turísticos da lá.
A nossa frente, o enorme prédio pintado com cores vivas fora surgindo. Varias pessoas estavam na porta, muitas da nossa idade. Deedee pagou e fez sua inscrição, ganhando por sorte um desconto por ter se inscrito antes do prazo final.
Enquanto andávamos pela cidade nos deparamos com um grupo de homens que corriam em direção ao estádio que não ficava muito longe do prédio do Contest. Eles pareciam animados e falavam alto sobre o evento já ter começado.
Deedee pareceu tão curioso quanto eu, então decidimos dar um pulo lá para descobrimos o que estava havendo. A metros do lugar já podíamos ouvir o montante de vozes alegres e vez ou outra espantadas.
– Senhor – Deedee chamou a atenção do homem parado ao lado da entrada – o que esta havendo ai dentro?
O velho barbudo nos encarou um instante antes de responder – O torneio anual de Bouffalant, ora.
Festeiras e mal educadas, assim eram as pessoas da cidade em minha opinião. Compramos nossos ingressos por um preço bem justo e seguimos para a arquibancada que estava lotada.
No meio do estádio, sobre um solo arenoso estavam dois enormes Bouffalant. Saquei o Pokedex de Jaden e comecei a checar as informações relacionadas a ele. Pokémon do tipo normal com grande força e mau temperamento. O tipo de criatura que eu não teria em minha equipe.
– Alder tem um destes – comentei me lembrando de já ter visto algo como aquilo na televisão. Deedee apenas deu de ombros. Era realmente improvável que ele soubesse.
As duas criaturas que estavam em lados opostos começaram a correr em direção uma a outra. Cabeça baixa, chifres apontados para frente. Tive o impulso de desviar o olhar quando os dois se chocaram.
– Haila – Deedee me chamou apontando para o telão do outro lado da arquibancada. Para minha surpresa Kara era a treinadora de um dos Bouffalant, justamente daquele que havia tido vantagem e derrubado o outro com um movimento abrupto de cabeça.
Senti uma pontada de inveja e raiva ao mesmo tempo. Como aquela garota poderia parecer tão melhor que eu em tudo? – O que? – Deedee me perguntou. Então percebi que havia dito aquilo tudo em voz alta.
– Nada, esquece – respondi envergonhada, dando um sorriso tentando esconder o constrangimento.
As criaturas pareciam ser muito mais fortes que Leaf. Apenas o peso do corpo deles, ou uma patada deixaria minha Pokémon fora de combate. Isso me fez questionar o quanto eu ainda tinha que treinar para conseguir superar Kara.
Minha primeira meta definida até então. Tentar vencer Kara.
De tanto agoura-la seu Pokémon acabou ficando fora de combate nas quartas de final, o que me deixou com um certo peso na consciência. Deedee afirmou com convicção que aquilo seria muito improvável o que me fez gostar mais dele ainda e me deixou mais calma em relação aquilo.
Aproveitamos as ultimas horas de sol do dia treinando. Ajudei Deedee enquanto Leaf e Simi corriam, dando algumas dicas sobre como usar melhor seu Pokemon planta e sobre algumas técnicas para efetuar ataques rápidos sem esgotas o seu parceiro. Informações que havia conseguido a partir do livro da folha.
=8=
No terceiro dia em Nimbasa decidi que finalmente era hora de conhecer e enfrentar a líder do Ginásio, Elesa. Fui no inicio da manha ao Ginásio, que Deedee descobriu ficar ao lado daquela enorme roda gigante.
Depois de avista-la sobre os prédios não foi difícil chegar até lá. Ela ficava em um enorme parque, onde crianças brincavam em volta de um grande boneco inflável de um Pikachu.
Passamos por um prédio com símbolo da liga Pokémon, mas ao chegarmos na porta encontramos uma plaquinha que dizia que aquele era o antigo ginásio, que um novo prédio havia sido construído metros a frente.
Fiquei tentada a explorar o ginásio antigo depois que ver alguns garotos brincando lá dentro, mas minha ansiedade pra poder mostrar os resultados do meu treinamento e mostrar a Deedee e kara que eu podia ganhar insígnias se quisesse, era maior.
Passamos pela roda gigante, que me deixou impressionada. As vigas de sustentação pareciam ter metros de diâmetro. Aquilo deveria ser imensamente pesado.
Logo mais a frente avistamos o novo prédio. Com a fachada decorada com Led amarelo e paredes pretas eu pude sentir o ego de Elesa a metros de distancia. Eu não havia conhecido muitos ginásios. O de Cilan que ficava no restaurante mesmo, o de Lenora em seu museu e o de Burgh em sua galeria.
O Ginásio de Elesa parecia uma casa de shows. Na entrada havia uma passarela que percorria todo o espaço até o fundo, onde um telão do tamanho da parede estava desligado. Duas escadas, uma para o lado direito e outro para a esquerda davam acesso aos espaços vagos onde as pessoas costumam ficar em dias de Show.
Eu já havia a visto na tevê. Era uma ótima cantora, muito carismática e bonita. Resumindo, ela me irritava.
Um dos holofotes do teto se acendeu, dando foco a uma mulher loira, usando uma roupa justa na cor azul. Ela era tão bonita como Elesa. – Posso ajuda-los? – Ela perguntou enquanto caminhava, como se desfilando, em nossa direção.
– Eu vim desafiar a líder do Ginásio – respondi com firmeza.
– E você? – A garota perguntou a Deedee.
– Só estou a acompanhando.
Ela o analisou durante algum tempo, olhando o garoto de cima embaixo, quase arrancando um pedaço dele com o olhar. Quando a situação ficou constrangedora de mais eu literalmente a cutuquei – onde ela esta?
A garota franziu o cenho e inflou as bochechas de forma infantil – venham – disse rançosa. Seguimos a mulher por todo o palco até chegarmos a um ringue de batalhas desenhado no chão, bem no centro do palco principal, abaixo do telão. – Ela esta tirando o cochilo, como sabem ela cantará com Roxie esta noite e talvez ela não queira desperdiçar energia com vocês.
– Lideres não podem recusar desafios a menos que tenham um bom motivo – afirmei olhando para a mulher que não ficou nada satisfeita com o comentário.
– Talvez eu deva verificar se o seu desafio é digno antes de acordar minha diva – ela esbravejou arrancando a Pokeball, antes presa ao cinto, a lançando em minha direção.
Um Flaaffy de pele rosada e olhos preguiçosos saltou na minha frente – você não pode fazer isso – Deedee tentou questionar.
– Eu sou umas das discípulas de mestra Elesa, se ela não conseguir me derrotar nunca derrotará minha Diva – a garota argumentou. Era um bom ponto na verdade. – Louis, vamos acabar com eles.
Dei um passo para frente e agarrei a Pokéball de Leaf no meu bolso – não se preocupe Dee, se é isso que eu preciso para poder lutar contra Elesa, eu farei.
De repente ouvi o som típico da Pokeball se abrindo e ao meu lado Bacon surgiu. O Pokémon ergueu os braços e deu um pequeno grunhido animado – se você lutar seus Pokémon não conseguiram enfrentar Elesa – Deedee se intrometeu.
Olhei para trás e sorri. – Não será preciso – uma voz feminina se fez ouvir detrás do telão. Elesa estava vestida com uma calça preta e uma camiseta amarela. Seus braços estavam cheios de pulseiras douradas, simples e finas. Tal como seu pescoço onde um colar com pingente de Emolga pendia. Seu cabelo preto estava trançado e batia no meio de sua cintura – Alanna esta apenas tendo um mal dia.
– Mestra, eu só queria...
– Eu sei o que queria, minha querida. Aquela garota que derrotei ontem passou pela mesma coisa – Elesa a interrompeu de forma educada – agora – disse ela se virando para nós – quem são meus desafiantes?
Fiquei constrangida. Ela não parecia arrogante, nem sequer metida. Na verdade sua segurança ao andar e falar me lembrava Burgh de alguma maneira estranha – meu nome é Haila e este aqui é Deedee. Eu sou sua desafiante.
– Muito bem – ela concordou enquanto Alanna e Deedee recolhiam seus Pokémon – que tal um desafio três a três?
Meu coração deu um pequeno salto. A mesma coisa aconteceu com Burgh. Eu precisava capturar mais Pokémon se eu quisesse continuar desafiando lideres de ginásio. – Bom, infelizmente... – tentei informa-la de meu infortúnio, mas senti o toque de Deedee em meu ombro.
Quando me virei ele estava com uma Pokeball na mão – você conhece os ataques de Couve-flor – foi tudo o que ele disse.
Era um Pokémon com pouco treinamento e de nível baixo, mas eu confiava em Leaf e Simi. Eu só precisava de uma chance para poder mostrar que podia. Balancei a cabeça positivamente agradecendo o gesto dele e voltei-me para Elesa – eu aceito.
– Muito bem – Elesa exclamou – você pode ser nossa juíza essa manha Alanna?
A garota fez uma mesura e correu para a posição onde o juiz costuma ficar. Elesa apertou um botão e o telão ao nosso lado ligou. Uma imagem um pouco mais distante mostrava o campo de batalha.
A luz do aparelho me fez apertar os olhos. Nossa batalha séria transmitida só ali, não é?
– As regras são simples. Cada uma de nós usara três Pokémon. Apenas você como desafiante poderá trocar de Pokémon a qualquer momento na batalha, quando os três Pokémon estiverem fora de combate à batalha terá fim – explicou Elesa. Balancei a cabeça confirmando que entendi e ela comprimiu os lábios, mexeu em seu cinto e pegou uma das Pokeball presas a ele.
A Pokeball rolou pelo chão antes de se abrir e um pequeno Emolga de pelos lustrosos sair animado do objeto. Olhei para a Pokeball de Deedee em minha mão e fechei os olhos por um instante.
Eu queria muito ganhar, mas novamente as chances não pareciam muito boas para mim. Eu precisava derrubar três Pokémon de um líder de Ginásio com dois meus. Não podia contar com aquele Pokémon semente.
Com a Pokéball ainda na mão libertei Sunkern. Ele se materializou de costas para mim. – Couve-flor, conto com você – disse sem muita certeza.
O Pokémon deu dois pulinhos ficando de frente para mim. Piscou os olhos de forma curiosa e depois voltou-se para o Emolga. Elesa me encarou com surpresa no olhar e depois deu de ombros como se dissesse “Sério? Bom, deixa pra lá”.
– Pokémon do tipo planta são equilibrados contra elétricos. Nenhum dos dois leva vantagem – Alanna comentou mais alto do que imaginou.
– Dior – Gritou Elesa – use Double Team. – o Emolga balançou a cabeça positivamente e começou a correr. De repente em volta de Sunkern surgiu uma dúzia de Emolga, formando um circulo perfeito. O Pokémon elétrico começou a emitir um som que parecia ser multiplicado pelos seus clones recém-criados.
Couve-flor ficou desorientado. Deu um pulo para trás e em seguida me olhou esperando que eu dissesse algo. Eu conhecia aquele Pokémon há pouco tempo, mas sabia todos seus movimentos – Use o Spark e continue com o Double Team. – Elesa comandou.
No telão atrás de nós a cena era ampliada mostrando o rosto confuso de Couve-flor. Dior deu um pequeno grito junto a vários clones e correntes elétricas vindas de varias direções surpreendentemente rápidas foram na direção de Sunkern. – Pule para os lados, tente desviar – pedi o mais rápido de pude.
Sunkern dava pequenos gritos a cada salto dado, que eram ampliados pelo telão atrás de nós. No instante que ele deixava o chão o raio de luz acertava o exato lugar. Seus pequenos olhos negros estavam arregalados enquanto tentava fugir desesperadamente dos ataques constantes.
Tentei pensar em uma saída, mas nada veio a minha mente. Eu estava ficando nervosa, precisava sair daquela situação. O inevitável logo aconteceu. Couve-flor foi atingido por três rajadas seguidas. O Pokémon planta deu um grito fino e caiu no chão.
Emolga continuou a girar mostrando que mesmo se eu trocasse de Pokémon eu não saberia como para-lo. Então tive uma ideia absurda. Um dos ataques de Sunker que não havia funcionado quando treinei com Deedee poderia funcionar agora.
– Couve-flor use Grass Whistle – Gritei para ele. Sunkern se remexeu no chão e em um salto se levantou. Seu pequeno corpo estava com marcas escuras e sua expressão era de nítida dor.
Ele se arqueou um pouco, até que a folha da sua cabeça alcançasse sua boca e começou a sopra-la. Algo como um assobio baixo começou a ser emito do pequeno Pokémon, que aos poucos foi aumentando a força. Seu pequeno corpo começou a brilhar e os amplificadores de som embutidos ao telão aumentaram a força do ataque.
Emolga começou a perder velocidade, fazendo seus clones diminuírem consideravelmente de quantidade. – Que ataque é esse? – Alanna intrometida resolveu questionar.
Eu abri a boca para responder e então notei que ela estava falando com Elesa – Grass Whistle é um ataque de sono que poucos Pokémon Grass tem. Ele normalmente não é muito efetivo, a menos que o Pokémon tenha um alto nível para aplica-lo.
– Couve-flor tem pouco treinamento, mas como o telão esta reproduzindo todos os sons da batalha mais altos ele deu a vantagem que precisávamos – comentei alegre.
–Dior, acabe com isso. Use Electro Ball – ordenou Elesa ansiosa.
– Dê tudo de si Couve-flor – pedi como ultimo recurso.
Emolga saltou e todos os seus clones desapareceram. Ele uniu suas pequenas patas e uma esfera elétrica amarela surgiu. Os olhos dele estavam meio caídos e seus movimentos menos velozes do que no inicio da batalha.
Sunkern usou de todo seu folego para aumentar a intensidade do som e no êxtase de perseverança caiu dormindo. A esfera de Dior foi arremessada, mas por sorte não acertou o coitado. Emolga também caiu no sono, acertando o chão com força logo em seguida.
– Eles estão... Os dois... Fora de combate – Alanna falou incrédula.
Corri para o centro da arena e peguei Sunkern no colo. Ele parecia bem apesar das leves esfoliações. Ele estava quente, mas sua respiração estava calma, o que me deixou mais tranquila.
Atravessei o palco e entrei o Pokémon a Deedee que o segurou como fazia com Trapinch. – Obrigada – disse baixo o suficiente para que só ele pudesse ouvir.
– Uma técnica interessante – comentou Elesa – no entanto parece que nem mesmo seu Pokémon aguentou a intensidade do ataque. Agora vou usar Joltik. – Ela retirou outra Pokeball das que estavam presas em seu sinto a arremessou-a novamente no chão. O Pokémon inseto elétrico saltou para fora e me encarou.
Pokémon do tipo inseto já haviam acabado com todas as minhas estratégias antes, eu poderia usar Simisage e esperar que o próximo fosse apenas um elétrico, mas preferi não arriscar, as pessoas sempre guardam o melhor pro final.
Leaf saiu da Pokeball pronta para o combate. Sua calda de folha erguida, sua orelhas em pé.
–Trouxe um arsenal de Pokémon Grass? – Ela comentou divertida.
– Sou especialista neles – respondi sem pensar. Eu tinha que mostrar superioridade em relação a algo e de certa forma eu entendia bem esse tipo de Pokémon, além de serem meus preferidos, porque não me especializar? – Leaf, pronta? Comece com Rozar Leaf.
Leaf começou a fazer movimentos bruscos com a cabeça e dezenas de folhas cortantes começaram a ir em direção a Pokémon inseto. – Suba Kenzo – comandou Elesa. O Bug arqueou seu corpo e lançou uma teia em direção ao teto, que se prendeu a um dos Holofotes. Em seguida o material se contraiu puxando Kenzo para cima.
– Tentei acertar a teia Leaf – pedi com urgência.
Leaf mudou seu alvo repentinamente. As folhas ganharam altura e começaram a ir na direção do Pokémon – Kenzo, rápido, use ElectroWeb.
Joltik se agarrou com as patas traseiras ao fio e com as patas dianteiras postas a frente da boca cuspiu uma descarga elétrica em forma de uma teia completa. A rede de energia prendeu todas as folhas lançadas por Leaf e voltou-se em direção a ela.
Por sorte, ela saltou sem que eu precisasse comandar, desviando quase no ultimo momento do ataque do seu rival que se desfez no chão. – Muito bom – Elesa exclamou – Gastro Acid, Kenzo.
– Droga, ataque tipo poison. Leaf use seus chicotes e tente se prender no teto o mais longe que puder dele.
Leaf balançou a cabeça confirmando e começou a correr na direção oposta ao Pokémon. Joltik começou a cuspir um liquido roxo com um cheiro terrível para todos os lados, conseguindo cobrir um espaço maior graças à altura em que estava.
Leaf saltou e seus chicotes surgiram procurando desesperadamente agarrar-se a qualquer coisa no teto. Infelizmente ela falhou, sendo atingida nas costas por uma rajada de acido que a fez arfar de dor.
– Kenzo, se balance até ela e use Bug bite – comandou Elesa cruzando os braços e me encarando.
– Leaf, eu sei que você aguenta, use Razor Leaf mais uma vez. – A Pokémon se esforçou para ficar de pé e lançou seu ataque a tempo de cortar o fio preso ao teto. Para nosso azar, Kenzo já havia começado a se balançar e quando a teia foi cortada ele foi lançado para cima dela.
Leaf abriu a boca e em uma ultima tentativa altruísta usou Energy Ball. A esfera de energia explodiu no Pokémon em pleno ar, fazendo Leaf cair no chão e Kenzo desaparecer na fumaça.
– Leaf – gritei e do meio da fumaça pude ouvi-la fazendo seu tipo barulho estranho. Ela saltou para trás de repente se fazendo ser vista e logo atrás dela estava Kenzo, diabolicamente movimentando suas pinças tentando agarra-la.
– Spark Kenzo – Elesa pediu ao perceber a aproximação dos dois. O ataque acertou diretamente Leaf a fazendo arfar e cair inerte no chão.
Passei a mão pelos cabelos e suspirei. Meu coração estava batendo rápido. Elesa era muito boa. – nossa – ouvi Deedee exclamar, mas não me virei para ver como ele estava. Eu queria manter meu olhar fixo em Elesa.
– Obrigado Leaf, você fez o que podia – desabafei antes de trazê-la de volta. Kenzo estava machucado, seu pelo amarelo estava parcialmente coberto por uma camada preta, provavelmente queimada pelo Energy Ball. – Simi, conto com você.
Libertei-o sem tirar a Pokeball da mão. Ele apareceu em campo sentado. Se levantou depressa, olhou para mim por um instante e depois se voltou para Kenzo, o olhando com brasas nos olhos.
Elesa estava sorrindo, parecia realmente animada com a lavada que eu havia levado – parece que você não mentiu quando disse sobre os Pokémon Grass. Você sabia que não há nenhum líder de ginásio desse tipo na região de Unova? – ela moveu a cabeça de um lado para o outro e fez uma careta – vamos continuar.
– Simisage, não se engane com o tamanho dele, use tudo o que puder – o instrui nervosa. Eu não podia deixar que Simi recebesse muitos danos durante essa batalha, se não, não havia chance. Não importa o que viesse. – Use Vine Whip depois Seed Bomb.
– Não deixei que ele te acerte, use Spark – Elesa pediu. Uma corrente elétrica correu por cima da pelagem amarela de Kenzo, mas era tarde de mais, Simi o acertou duas chicotadas e em seguida salto em sua direção cuspindo as sementes explosivas que acertaram em cheio o Pokémon.
Joltik ainda se manteve de pé. Suas patas tremiam, mas sua cabeça ainda estava erguida – volte e descanse, você fez sua parte. – Elesa o chamou de volta para minha surpresa – Lutar com Pokémon não é apenas saber usar o ambiente ao seu redor, você tem que saber reconhecer o limite do mesmo – ela me contou. Não de forma arrogante, mas sim com um tom doce, como Lenora diria a mim. – Agora Donny, preciso da sua força.
A Pokeball girou no alto e o raio de luz vermelho trouxe a criatura ao chão. Uma Zebstrika de olhos amarelos e azuis surgiu, passando a pata dianteira direita no chão com força. Uma corrente elétrica correu por seu corpo mostrando que sua carga estava no máximo.
Aparentemente aquele Pokémon tinha um nível muito superior ao dos outros dois. – Simi vamos pra cima, não podemos dar-lhes tempo para se armarem – pedi nervosa. Simi fez um som primata e começou a correr em direção ao Pokémon elétrico.
– Não o deixe se aproximar Donny, Thunder Wave. – gritou Elesa apontando para Simi. Das orelhas de Zebstrika uma rajada de raios amarelos luminosos vieram na direção de Simi.
– Esquive com Agilidade – pedi as presas. Simi se jogou para o lado desviando do primeiro ataque, logo em seguida aumentou sua velocidade, surgindo e desaparecendo até estar em cima de Zebstrika. – Agora, a técnica que aprendemos com Deedee, Reversal.
Simi girou no alto e acertou um chute no rosto de Donny, que relinchou de surpresa e dor ao receber o ataque. – Quick attack – pediu Elesa inclinando o corpo para dentro da arena.
Donny recuperou o equilíbrio e com um forte movimento de cabeça acertou Simi o lançando para trás dele. Simisage rolou, mas ficou de pé em seguida guinchando de excitação – Stomp rápido – berrou Elesa.
– Desviei com Acrobatcs – pedi como ultimo recurso, mas infelizmente Simi levou o ataque diretamente. Quando o Pokémon acertou com uma força assustadora o peito dele, o arremessou para fora do palco.
No telão a cara de pavor de Deedee estava sendo focada. Corri até a beirada e encontrei Simisage caído, com a pata no peito com dificuldade para respirar – você esta bem? – Perguntei me abaixando para saltar atrás dele. No entanto ele grunhiu me repreendendo e com dor estampada no seu rosto ele se levantou.
Com dificuldade para se manter em pé ele estendeu seus chicotes se prendendo a beirada o palco para se puxar para cima. Seus olhos estavam cheios de raiva e seu peito descia e subia com força sob sua pata.
– Ele não esta em condições de continuar – Elesa queixou-se, fazendo Simisage grunhir alto em desaprovação.
– Aparentemente não é isso que o Simi acha – respondi confiando em meu Pokémon. – Vamos garoto. Use sua agilidade para se aproximar dela.
Simisage concordou e começou a correr, a principio com dificuldade, mas em questão de segundo ele estava tão rápido como sempre, mais afiado pelo treinamento. – Vamos acabar com isso Donny, use Flame charge.
Zebstrika relinchou e começou a correr, aos poucos seu corpo foi coberto por chamas que iluminaram o auditório vazio. Comecei a focar em Simi esperando o ultimo momento para que Elesa não tivesse tempo de reagir.
Quando vi o rosto de Simisage iluminado pelas chamas no telão gritei – Desviei e Seed Boomb. – Simi pulou para o lado desviando do ataque, cuspindo pequenas sementes explosivas que atingiram a lateral do corpo de Bonny, fazendo-a perder o equilíbrio e cair pesadamente pelo chão. – Agora, Grass Knot.
– Evasiva – pediu inutilmente Elesa. Já era tarde de mais, Simisage já estava em cima dela. O ataque de vinhas a prendeu, apertando o laço e comprimindo o corpo da Pokémon a impedindo de se mover.
Ela relinchou como ultima tentativa desesperada de se libertar. Uma corrente elétrica passou pela ultima vez por seu corpo antes da cabeça pender para o lado e ela apagar.
Alanna estava boque aberta, já Deedee estava sorrindo escancaradamente. Caminhei até Simisage que soltava Zebstrika das vinhas e o abracei com força. Ele gemeu um pouco mostrando que estava machucado, mas parecia ainda sim muito contente.
– Zebstrika esta fora de combate. A vencedora é Haila – Alanna disse mais para si própria do que para os dê mais no palco.
Bonny despareceu em um raio de luz e em seguida Elesa estava em pé na minha frente com a insígnia na mão. – Você fez por merecer, essa insígnia é sua.
Me levantei e peguei o pequeno objeto dourado e amarelo com um sorriso enorme no rosto. – Obrigada –. Não havia palavras pra descrever o quanto eu estava me sentindo feliz. Mas o sorriso gigantesco no meu rosto definia tudo.
– Você tem um futuro brilhante pela frente – comentou Elesa quase me fazendo surtar de tanta empolgação. – Me surpreendeu usando aquele Grass Whistle. Invista, busque conhecimento e treine muito. Espero que nos encontremos novamente treinadora de Pokémon Grass.
Ela estendeu a mão e eu a agarrei com firmeza – farei o melhor que puder.
Me virei e me deparei com Deedee. A expressão dele deveria estar tão cheia de euforia quanto a minha. Minha primeira insígnia. Meu coração estava acelerado no peito. Aquela era a sensação cujo qual Jaden buscava? Aquilo era ser um treinador?
Suspirei buscando o ar que faltava e fui em direção a Dee. Eu não poderia me sentir mais realizada.
O Contest de Dee se aproximava então era hora de ver se meu treinamento e as experiências obtidas desde a derrota chorosa de Castelia City eram o suficiente para que ele conseguisse a fita. O Grande Festival séria esse ano e alguns meses no separavam da competição.
Quanto a mim, talvez fosse à hora de decidir que rumo tomar, afinal de contas eu já tinha atravessado um quarto da região. Tornar-me uma treinadora, me especializar em Pokémon Grass? Talvez essa fosse minha melhor aposta.
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