Notas iniciais
Bem pessoal, é aqui que tudo finalmente começa a convergir, por isso, diferente do normal o protagonista desse capitulo é na verdade Corin. O fim desse capitulo se passa ao mesmo tempo que o ultimo capitulo de Haila e o Ultimo capitulo de Dee. Onde a Team Plasma esta invadindo e atacando varios lugares diferentes ao mesmo tempo. Elite Four, Anville, Floccesy Town... Quero deixar claro que não é Spin-off, não é para encher buraco. É um capitulo importante que explicará muitas coisas importantes que darão inicio ao fim da fic, então nao deixem de ler ou vocês não vão entender o papel de Corin nisso tudo. Principalmente se você não leu o capitulo Tom: Route 17. Então aproveitem o capitulo.

CORIN

AGORA...

Cinco meses antes...

Correr para debaixo da cama não tinha sido minha primeira ideia besta naquele dia. Eu não deveria ter gritado com meu pai, decididamente não devia. Ainda mais na frente de Tris e Arthur. Sem duvida quando voltasse para casa ia levar um enorme castigo.

Vi a porta do quarto se abrindo e os pés de Dania. Ela ficou parada um tempinho antes de se agachar e olhar pra minha cara. – Talvez você devesse esconder seus pés da próxima vez, – disse baixinho. A espertalhona pelo menos não estava rindo.

— Quem sabe eu não tente, – respondi infeliz, me arrastando para fora.

Meu pai queria que eu voltasse pra casa depois que o noticiário disse que a Team Plasma tinha tido um confronto com dois lideres de ginásio na cidade de Humilai. Como se ela não ficasse a centenas de quilômetros do deserto e eu estivesse correndo algum perigo com os tios de Dania.

Eu tinha colocado Hamal de volta na Pokéball para que meu pai não visse que ele tinha evoluído para um Flareon como o seu Pokémon. Ele queria que eu esperasse ele aprender antes Shadow Ball, para enfim evolui-lo. Logo ele ficaria ainda mais insatisfeito e me enxeria a paciência, assim como fez como Jaden e Haila que passaram pela mesma coisa.

Tris apareceu, se recostando a porta e sorriu pra mim, – ele não pareceu muito feliz. Você não deveria ter gritado que não iria voltar, mas tenho certeza que se você pedir desculpas quando voltar, tudo ficará bem.

Bem, era fácil pra ela falar. Desde que Haila tinha saído de casa minha mãe não era mais a mesma e meu pai parecia nervoso em tempo integral. Não que ele já não fosse genioso antes dela fugir, mas parecia explodir por qualquer coisa agora.

— Eu não quero voltar, Tris. Quero ficar aqui com vocês.

Ela fez uma cara triste e veio até mim, se agachando na minha frente. Eu ainda estava sentado no chão, desanimado demais para levantar. – Arthur e eu adoraríamos que você pudesse ficar mais conosco e vamos ficar muito contentes em recebê-lo de novo quando você puder voltar. Mas o recesso escolar está no fim e se o seu pai acha mais seguro leva-lo de volta, não há nada que possamos fazer.

— Ele não sabe de nada, – respondi me erguendo. Se ele soubesse Haila não teria fugido e Jaden ido embora.

— Corin, ele te ama, por isso quer você de volta.

— Ele quer me ter sobre controle, por isso ele me quer lá – rebati, ela tinha que entender, eu não queria ir embora, não queria voltar pra casa. – Jaden foi embora porque meu pai queria que ele se tornasse um criador e não o deixava em paz. Haila fugiu por que ele gritou com ela, disse que ela nunca seria nada e ele vai fazer o mesmo comigo.

Ela ficou me encarando, devia não saber o que dizer, pelo menos agora sabia a verdade, – eu conheci sua irmã como já te contei. Ela é uma garota forte e decidida assim como você e agora eu posso ver muito mais dela em você, – umedeceu os lábios e prosseguiu. – Você ainda é novo pra entender como o mundo em volta funciona, mas quando chegar a hora eu sei que você vai tomar suas próprias decisões e se tornar o que quiser ser. Arthur e eu estaremos sempre aqui para acolhê-lo e orienta-lo. Nós te amamos assim como amamos Dania.

Me puxou contra si e me abraçou. Eu não queria abraça-la porque estava com vontade de chorar. Tive que pensar no mar e na ilha para poder segurar. Fingindo que eu não estava ali, mas sim em outra aventura com Tom e Dania.

— Tenho que ir agora mesmo? – Perguntei depressa antes que eu não conseguisse mais segurar.

— Seu pai acha que seria melhor – respondeu se afastando, – como sabe demoram alguns dias até que vocês cheguem lá de barco. Além disso, Dania irá com você até a baia de Nuvema.

— Claro que ele acha – respondi com um tom frio e recebi um olhar triste de Tris. Tinha sido muito legal ficar ali, mas parecia que nem tudo que era bom continuava pra sempre.

Limpei minhas calças com as mãos e caminhei devagar até minha mochila no canto do quarto. Não quis saber de muito contato, ou de despedidas demoradas com Tris. Já era muito ruim ter que ir embora depois de ter gritado com meu pai pela vídeo-chamada, eu não queria chorar na frente de ninguém.

Depois de chegarmos ao píer, desci para o convés inferior e deixei minha mochila no quarto pequeno onde eu sempre ficava, antes de voltar para a proa do navio, para poder esperar a despedida melosa de Arthur e Tris.

Dania se sentou do meu lado e suspirou pesadamente, encostando seu ombro ao meu. – Se você quiser posso deixar Polarus com você até eu voltar.

— Você o capturou há poucos meses. Eu nunca separaria vocês.

Ela suspirou de nova, estava ansiosa. Depois fez um barulho demostrando seu incomodo e soltou seu corpo, deitando no chão de madeira. – Queria que as coisas fossem mais fáceis. A Team Plasma está ferrando com tudo.

A acompanhei me soltando, estendendo meu corpo pela madeira quente. O sol estava quase a pico, daqui a pouco o calor ali seria muito intenso para ficar daquele jeito. Eu gostava do deserto, tinha me acostumado a ele.

Passei a mão sentindo a Pokéball de Hamal, meu Flareon, e tentei me senti-lo melhor, mas não adiantou muito. – Se eu pudesse, – disse encarando uma nuvem com formato engraçado de flor, – faria qualquer coisa para chutar a bunda daqueles palhaços.

— Eu também, – Dania concordou confiante. – Acho que poderíamos agora que nossos Pokémon evoluíram.

Quando me virei para afirmar que conseguiríamos senti uma gota cair na minha testa. Olhei para cima meio assustado e notei que a nuvem já estava se desfazendo. Não podia ser chuva, agua do mar de algum modo deveria ter espirrado.

=8=

4 Meses antes...

Acordei para o café da manhã um pouco atrasado. Tentei me aprontar depressa e vesti a primeira roupa que vi pela frente, deixando Hamal deitado no tapete aos pés da minha cama. Quando abri a porta o som de uma voz exaltada explodiu em meus ouvidos.

Era meu pai. Eu conhecia aquele tom. Algo não tinha saída como ele queria e aparentemente ele não estava nada feliz. Caminhei devagar pelo corredor até a escada, mas além de um murmúrio e o som de talheres eu ainda não conseguia diferenciar as suas palavras. E não estava nada animado para descobrir.

Mas era inevitável, – eu não quero saber, já estou cansado de ter de repetir – ao chegar ao meio da escada eu já conseguia entender o que meu pai estava dizendo.

Desci com cuidado, degrau por degrau. Meu coração estava batendo forte, porque eu conhecia aquele tom, sabia o que significava.

O som de algo de vidro se partindo ecoou pela casa vazia e eu congelei, parando exatamente onde eu estava. Me abaixei, quase sentando na escada para poder ver a cozinha, e fiquei quieto.

— Não quero saber ha quantos anos são amigas, – meu pai gritou. Ele estava de pé, parando em frente a minha mãe, a poucos centímetros dela, que se apoiava na pia, com o corpo praticamente dobrado para dentro da pia, tentando se afastar dele.

Atrás da minha mãe, no balcão, agua escorria, vinda de um amontado de vidro disforme. Meu pai tinha arremessado o copo? – Essa mulher acha que é dona do saber absoluto. Acha que porque recebeu o titulo de professora tem o direito de se intrometer na vida dos outros, de enfiar ideias nas cabeças das mulheres.

Minha mãe estava de cabeça baixa, seus olhos estavam molhados e sua respiração rápida e só ao vê-la daquele jeito percebi que eu também estava.

Meu pai segurou o queixo dela com força, fazendo a pele da sua face se enrugar e puxou-o para cima com violência, fazendo minha mãe encarar seus olhos. – Se eu sonhar que você se falou com ela novamente eu juro por Arceus que eu arranco sua língua, – moveu o braço com força, fazendo o rosto de minha mãe acompanhar seu movimento. Os olhos dela se fecharam com força e um gemido de dor escapou da sua boca, – entendeu? – Meu pai gritou.

Eu não percebi quando meus lábios se moveram e muito menos ouvi quando minha voz escapou da minha boca. Mas eu soube no momento em que os olhos do meu pai se encontraram com os meus que eu precisava correr.

— O que você está fazendo aqui garoto? – Ele gritou, soltando minha mãe. Suas pernas se moveram depressa e como uma locomotiva ele começou a atravessar a sala, vindo em minha direção.

Tentei correr, mas meus pés não se moveram. Senti como se todo meu corpo tivesse sido congelado, como se meus músculos não me pertencessem e não quisessem me obedecer. Os sentimentos explodiram dentro de mim, raiva, ansiedade, tristeza, mas cima de tudo medo.

— Não, não, não... – gritei quando meu corpo voltou a reagir. Meu pai já estava no primeiro degrau da escada e minha mãe finalmente conseguira se mover, vindo em nossa direção com lagrimas nos olhos.

Simplesmente me virei e agi, primeiro engatinhando, depois correndo escada acima. – Corin, – ouvi meu nome ser rosnado pelo meu pai quando finalmente alcancei o corredor ainda sendo seguido por ele.

Me joguei para dentro do meu quarto e fechei a porta o mais rápido possível. Meus dedos escorregaram enquanto eu tentava, tremendo, encontrar a trinca. Um segundo antes da enorme pancada vir da porta eu finalmente consegui fecha-la.

A maçaneta girou com violência, seguida de mais um impacto e a voz descontrolada do meu pai, – abra isso, abra isso agora, – ele cuspiu as palavras como se cuspisse fogo.

Afastei-me o mais rápido possível e me joguei na minha cama, enfiando minha cabeça entre os travesseiros. Eu estava com dificuldade de respirar, o quarto estava muito quente. – Abra sua peste, não me faça arrebentar essa maldita porta, – meu pai continuou a gritar, esmurrando a porta com força, girando a maçaneta com violência.

— Para, para, para... – comecei a repetir, tapando meus ouvidos com o travesseiro. Eu não queria ouvir aquilo, não queria ter visto aquilo na cozinha, eu não queria estar aqui.

Algo entre um instante e uma eternidade se passou enquanto eu repetia aquilo pra mim mesmo. Lagrimas vieram aos olhos e escorreram pelo meu rosto com facilidade. Minha respiração ainda ofegava e o quarto parecia estar inteiro em chamas.

As vozes soaram baixo na minha cabeça durante algum tempo, mas por algum motivo o grito da minha mãe foi mais fundo, se partindo como um trovão dentro da minha mente. Fui resgatado de volta como se eu fosse um filhotinho de Eevee no fundo de um viveiro e mãos enormes me pegassem e me puxassem para cima.

— Por favo... – ela pediu em meio a um grito e algo se partiu. Vidro se estilhaçando no chão?

Pareceu que o mundo tinha perdido o foco. Era a voz do meu pai, mas não haviam palavras, apenas ruídos de fúria. O que Jaden faria? O que Haila faria? Simplesmente me movi, colocando os braços em frente ao corpo.

Parecia que o mundo tinha desacelerado e eu já estava na frente da porta, a destrancando. Mãos firmes dessa vez, eu precisava... Não consegui terminar o pensamento. Minha estava no chão e meu pai segurava o cabelo dela com força, enrolado ao punho. Sua outra mão erguida.

Saltei sobre ele, agarrando seu braço e fui puxado pela força do movimento que começava a acontecer. Fui arremessado sobre minha mãe, batendo a testa no chão. Eu estava chorando muito.

— Corin, – minha mãe me chamou, me puxando contra os seus braços. Ela estava pior. Seu rosto estava ensopado, em seus lábios semiabertos por onde ela emitia aquele ruído de choro gutural saliva criava um caminho entre o meio deles. Seus cabelos castanhos estavam soltos, desgrenhados.

Olhei para o meu pai e ele estava parado, sua face ainda tomada de raiva, mas em seus olhos havia desapontamento. – Você vai destruir esse garoto, – ele usando um tom que eu não sabia o que significava. Apenas sabia que não era bom.

Minha mãe me abraçou mais forte, trazendo meu rosto colado ao dela. – Eu te amo – ela sussurrou em meio às lagrimas.

=8=

3 meses antes...

Eu não conhecia aquela parte da floresta e algo me transmitia à sensação de que aquela não era a floresta que eu conhecia, mesmo sendo o mesmo tipo de vegetação. As folhas secas vaziam barulho sob meus pés a cada passo que eu dava e o sol criava cortinas de luz entre a copa das arvores, criando uma passarela em frente.

Segui por esse caminho algum tempo até que notei os troncos entrelaçados a minha frente. Mas de acordo com que eu me aproximava notei que não eram troncos e sim raízes, se estendendo por metros de altura e largura, criando um muro gigante, que parecia cortar a floresta.

Eu sabia, sem realmente saber, que eu não conseguiria entrar ali, mas que algo me esperava ali. Era uma presença imponente e poderosa, mas de algum modo ela não me representava ameaça. Então acordei, o despertador de Pidove começou a grasnar do meu lado fazendo as imagens virarem um borrão na minha cabeça.

Depois de me aprontar fui para a parte detrás da casa, atravessando o jardim até a área dos Eevee. Era quase uma segunda casa, onde ovos eram chocados em incubadoras e por Eevee e mais a frente havia uma área comum onde os Pokémon podia se distrair, brincar e namorar.

O espaço deles era maior do que a própria casa onde vivíamos, um trabalho de limpeza bem pior também. Devo ter passado quase duas horas depois do café da manha ajudando meu pai a limpar tudo e a repor a ração dos Eevee.

Por todo o tempo em que ele e eu jogávamos pás de fezes para dentro dos potes para o lixo ficamos em silencio. Não que isso fosse muita novidade para o meu pai, desta vez isso parecia ainda pior e mais pesado.

Havia um ar de tensão no ar, como se o som da minha voz fosse fazê-lo despertar de seu devaneio e aquilo me assustava. A lembrança do ocorrido do outro dia ainda estava fresca na minha mente. As lagrimas da minha mãe, a expressão no rosto do meu pai.

Eu sabia que eles brigavam, mas aquela fora a primeira vez que eu vi algo realmente violento acontecer. Eu não conseguia deixar de pensar o que Jaden e Haila deveriam ter visto para criar coragem suficiente para fugir de casa, e uma leve pontada de inveja e saudade dos dois veio crescendo ao poucos dentro de mim, se fazendo notar.

Quando finalmente fui liberado estava com os braços doendo e minha mente um pouco menos conectada ao agora e o aqui. Eu podia sentir os Pokémon ao meu redor se comunicando, sentindo cansaço, preguiça, vontades, mas nada realmente relevante até que eu ouvi o sussurro.

Era como uma voz, mas nada tinha sido dito por ninguém. Olhei em volta, girando meu corpo, mas não consegui encontrar de onde vinha. Mas era como se ao mesmo tempo viesse de todos os lados.

Então senti a trombada na minha perna. Hamal, meu Flareon estava me puxando, sua cauda se agitava depressa. – O que está havendo? – Perguntei olhando fixamente para ele, deixando minha mente se esvaziar e se expandir.

No começo era difícil identificar, mas ao poucos fui percebendo que os momentos em que eu podia senti-los, entendê-los, era quando eu estava calmo, de mente aberta. A sensação era quase como afundar na agua.

Como se eu fosse jogado na agua, com os bolsos cheios de carrinhos, e eu afundasse sem muita velocidade. O ambiente em minha volta se tornava um pouco mais opaco de acordo com que eu ia afundando e o Pokémon se tornando mais nítido, inexplicavelmente mais reais.

Então como um estalo no fundo da minha mente a conexão acontecia e os mesmo sons que eu ouvi, os sussurros, vieram de novo. Mas não era eu a ouvir, era Hamal. E para ele aqueles sussurros tinham outro sentido, outro peso.

Um sentimento de opressão e ao mesmo tempo choque correu por ele, acompanhado por algo que causava o impulso de se ajoelhar e desviar os olhos. Como se alguém da realeza estivesse por passar.

Mas assim como ele, eu soube no mesmo instante que fosse lá o que fosse, não estava ali. Não perto o suficiente para que pudesse nos fazer mal. Que talvez apenas nos espreitava de algum lugar no bosque que tinha inicio alguns metros atrás de nossa casa.

— O que está acontecendo com esses Eevee? – Meu pai perguntou olhando em volta. Os Pokémon que antes se agitavam, corriam, brincavam, agora estava em silêncio profundo, quase sem sair do lugar.

E tão de repente como começou, o sentimento de opressão desapareceu. Uma sensação parecida a quando Dania tinha sentado em minhas costas e acabado de sair se alastrou em mim. A pressão sendo liberada e o ar voltando a correr novamente em meu peito.

Os Eevee começaram a se mover e aos poucos e som foi retomando o patamar normal. Olhei em volta por instinto, tentando encontrar qualquer coisa, mas o sentimento foi se esvaindo depressa deixando tudo completamente como antes, sem vestígio de nada. – Eu não faço ideia, – respondi mais para Hamal do que pra meu pai.

E antes que mais alguma tarefa me fosse dada corri para dentro de casa.

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2 Meses antes...

A professora continuava falando, mas eu não estava prestando muita atenção no que ela dizia. Em cima da arvore colada a janela da sala de aula, em um galho ainda mais próximo, um Pidove estava nervoso com Patrat que aparentemente atrapalhou seu ninho.

Tão nítida quanto à voz da minha professora, eu podia entender o que o Patrat não fizera por querer. Apenas tinha se assustado com um garoto e corrido para o mais alto possível, tentando se proteger. Mas a Pidove não sabia disso e não estava muito interessada.

Não haveria como o Patrat saber que seu ninho já tinha sido destruído mais duas vezes antes daquela por garotos com pedaços de madeira. Mas eu sabia. A lembrança e os sentimentos deles eram tão nítidos pra mim como se eu mesmo os tivesse vivido.

Tão claros quanto à voz da professora, se eu não estivesse novamente imerso nessa quarta dimensão. Onde todo mundo, menos o próprio Pokémon perdesse o foco.

Então o Patrat me encarou, primeiro com duvida e depois com uma expressão feia na cara. Ele finalmente tinha notado a conexão e a estava desfazendo com violência, me fazendo voltar como se tivesse recebido uma palmada.

Aquilo fez minha cabeça doer e o mundo ficar levemente distorcido, mas aos poucos, como sempre acontecia, ele foi voltando ao foco novamente. – ( )... O produto interno bruto, ou PIB, de Unova é um dos maiores do mundo. Apesar da recente preocupação com a economia devido aos incidentes com a Team Plasma. Se abrirem o livro na pagina trezentos e quarenta e sete vocês poderão acompanhar o gráfico que faz um comparativo.

A voz da minha professora foi voltando ao normal de acordo com que ela terminava a frase, minha percepção de mundo voltando com ela. Foi quando a porta da minha sala se abriu e a professora de física entrou. Tinha algo no rosto dela, medo?

Correu até a professora Jane e cochichou em seu ouvido. Ergueu o Xtransceiver em seu braço e mostrou algo na tela. Deixando Jane também assustada.

— Tomara que estejam cancelando as aulas, – Finn cochichou pra mim. – Algum professor deve ter se acidentado, – comentou mais animado do que deveria, fazendo um comentário tão sombrio.

Mas antes que eu pudesse repreendê-lo ou dar qualquer outra sugestão, Jane afirmou e cochichou de volta para a professora de física, deixando que ela partisse, antes de se virar para nós. Sons de vozes começaram a preencher os corredores e crianças saírem das portas das salas de um lado do corredor. Aquele do qual a professora de física tinha vindo.

— Hoje vocês serão liberados mais cedo. Não haverá o turno da tarde.

Todo mundo da sala explodiu em sorrisos e comentários, até que a voz de um dos meus colegas de classe se exaltou, chamando a atenção de todos. – Aconteceu alguma coisa? Por que estamos sendo liberados tão cedo?

Jane pareceu hesitar, olhou para porta quando um garoto gritou algo aleatório no corredor e depois de voltou pra gente. O corredor estava começando a lotar e os alunos da minha sala a ficar de pé e se olharem intrigados.

— A Team Plasma atacou outra cidade, desta vez Opelucid. Parece que o numero de feridos pode ser imenso. As autoridades enviaram alertas pedindo que o comercio e escolas fechassem mais cedo por segurança.

— Eles vão nós atacar também? – Uma menina que eu não gostava muito praticamente gritou.

A sala estava completamente tomada de vozes vindas do corredor e mesmo do lado de dentro. Mas não como no intervalo onde se ouviam risadas e cantaroles. Havia apenas um murmúrio constante e deprimente, tocado por leves momentos de exaltação.

— Não se preocupe Camille, estamos completamente seguros. Isso é apenas uma medida de segurança – a professora mentiu. Ela não podia ter certeza disso, assim como ninguém podia. Ninguém sabia os planos da Team Plasma e não existiam super-heróis para nos defender dos super-vilões. E por saber disso eles estavam nos liberando mais cedo.

Me levantei e comecei a guardar meus cadernos depressa, a turma inteira estava fazendo isso. No corredor o zumbido vindo dos alunos aumentava e o numero de garotos crescia também. Logo eu já estava me juntando a eles, me perguntando por que as pessoas faziam esse tipo de coisa.

Do lado de fora da escola os alunos foram se espalhando, correndo para casa, se juntando em montinhos, esperando amigos. Eu por outro lado não tinha ninguém para esperar. Dania era minha única amiga, a única pessoa que estaria disposta a me esperar. E ela não estava ali.

Pelas ruas o movimento de carros era pequeno. Algumas lojas já abaixavam as portas e em alguns bares, lanchonetes e restaurantes alguns adultos estavam de pé, próximo a televisões, com expressões indecifráveis no rosto.

De relance pude ver as imagens de um helicóptero, enquanto andava depressa pela calçada. Era Opelucid segundo a legenda. Eu não conhecia a cidade ou pelo menos o que restara dela. Havia pessoas nos telhados de prédios, enquanto a onda de lama preta invadia as ruas, carregava carros e arvores, destruía vitrines e desaparecia com postes.

Minhas pernas simplesmente não se moveram, eu fiquei preso no nada, olhando sem saber o que sentia, para as imagens de pessoas e Pokémon na lama, se debatendo, pedindo ajuda, tentando escapar. Enquanto as pessoas que conseguiram fugir jogavam cordas, estendiam pedaços de madeira ou galhos tentando impedir que as outras fossem arrastadas pela lama.

E aquilo tudo tinha sido causado por uma equipe do mal para que tivéssemos medo dela e soltássemos nossos Pokémon. Como eles podiam fazer isso? Como eles podiam machucar tantas pessoas e Pokémon por uma coisa como essa?

Pokémon e humanos podiam viver em harmonia. Pokémon e humanos podiam ser amigos. Eu não tinha um pingo de duvida disso. Hamal era feliz comigo, assim como Prim e Polarus eram feliz com Dania.

Senti algo queimando dentro de mim e só então percebi que estava chorando. Estava chorando, parado no meio da calçada enquanto alguns adultos me olhavam sem entender o que estava havendo comigo. Como se eu pudesse entender.

Corri para casa o mais depressa possível, com lagrimas ainda escorrendo pela minha bochecha, encharcando meu rosto. Corri até minhas pernas doerem e não haver mais ar suficiente no mundo.

Quando finalmente parei, atravessando a porta de entrada da minha casa, meu corpo estava totalmente molhado de suor. Meu pai me encarou com uma expressão feia, me analisando de cima embaixo antes de perguntar com um tom nervoso, – o que você está fazendo em casa a essa hora?

Tentei responder de primeira, mas não pude, eu precisava respirar. Meu peito subia e descia depressa, gostas de suor desciam pelos meus braços, costas e testa. Porque eu estava correndo? Porque eu tinha ficado daquele jeito com o ataque da Team Plasma?

— Corin! – Meu pai gritou, me trazendo de volta do devaneio. A expressão dele já havia se endurecido o que fez um frio correr pela minha espia.

— A escola... Nos liberou mais cedo... Por causa do ataque – consegui dizer entre meio a pausas para respirar.

Ele analisou meu rosto, buscando talvez uma mentira, mas eu não mentiria. Não sobre uma coisa dessas e ele percebeu isso. – Muito bem, – respondeu parecendo perder o interesse. Imagens de um ângulo diferente estavam sendo exibidas na nossa TV por um canal diferente.

— Licença, – pedi fazendo uma mesura e corri escada à cima, indo direto para o meu quarto.

Me joguei na cama e cobri minha cabeça com o travesseiro. Havia uma pressão estranha. Uma sensação de aperto como se algo grande estivesse me cercando, me prendendo. E só então me dei conta do que se tratava.

Não era só Opelucid. Havia algo mais pesado no ar, à mesma sensação de autoridade que eu havia sentido junto dos Eevee voltava a me cercar. Tentei afastar a confusão da minha mente e fui até janela.

Tentei me concentrar nos sons e no que podia ver. Os Eevee no cercado estavam novamente parados enquanto ao redor nenhuma ave cantarolava. Estava tudo novamente muito quieto.

Olhei para a floresta que se iniciava a alguns metros do fim do quintal tentando ver alguma coisa. Eu não conseguia entender, mas sentia. Sentia algo que até então não fazia ideia do que fosse, mas estava diretamente ligada a mim.

— Quem é você? – Perguntei em um sussurro, admitindo a mim mesmo que algo realmente estava acontecendo. Até que novamente como começou, a sensação partiu. De uma hora pra outra.

Serrei os punhos e uma onda de raiva me dominou, – quem é você? – Gritei sem esperar resposta, esperando apenas que o que quer que fosse pudesse ouvir.

Aquilo não podia ser coincidência, não acontecer tão depressa. Assim que o ataque foi anunciado e eu sai da escola aquilo tinha tomado conta de mim. Os Pokémon podiam sentir assim como eu.

Algo grande estava acontecendo e isso tinha diretamente haver com o que a Team Plasma estava fazendo. Mas a pergunta era, o que eu tinha a ver com tudo isso.

=8=

1 mês antes

“– (...)Autoridades acreditam que a morte do líder de Ginásio Clay esteja associada a uma ação de repressão da Team Plasma. O aprendiz do líder, Damian Blanne de dezoito anos acabou sofrendo um acidente e teve o braço mutilado. Outros jovens envolvidos, segundo relatos, conseguiram sair sem maiores ferimentos...”.

A mulher do telejornal continuou o relato mostrando cenas da entrada da caverna na qual Clay escavava, mas eu desviei o olhar e a atenção, me voltando para os brinquedos que eu tinha em cima do sofá.

— Isso é terrível. Iris continua desaparecida, Draiden e agora Clay mortos – mamãe exclamou, sentada no sofá ao meu lado. – Eles têm que tomar alguma providencia. Depois do que aconteceu em Opelucid as forças armadas deveriam ter tomado conta da situação.

Meu pai fez um som grave em desgosto e da poltrona ao lado comentou, – e admitir para o resto do mundo que a crise de Unova chegou a esse ponto? O presidente Giles nunca permitiria isso. Isso só mostra que o que está havendo é pior do que os jornais estão mostrando.

“– Ele muito provavelmente teme que nem mesmo as forças armadas consigam deter a Team Plasma e que as outras regiões queiram tomar alguma atitude militar sobre Unova tirando todo o poder que ele tem”.

— Mas isso não piora ainda mais o quadro da região? – Minha mãe perguntou abismada, – Se nem mesmo as forças armadas podem fazer alguma coisa, ficar sem elas não é ainda pior para o povo?

Papai deu de ombros sem olhar para ela, – como se ele estivesse muito interessado em que situação o povo se encontra. Presidente Giles deve estar sentado na mansão presidencial cercado por dezenas de seguranças esperando que os lideres de ginásio resolvam a situação como fizeram das ultimas vezes que isso aconteceu. Tolice dele – completou com um tom carregado de desprezo.

Eu não conseguia entender o que eles diziam direito. Sabia que as coisas estavam mal, mas tinha outras preocupações no momento. Assim que a noticia do ataque se espalhou fiquei esperando que a sensação voltasse a me dominar, mas desta vez nada tinha ocorrido.

Horas tinham se passado desde o ataque a Driftveil City e tirando a apreensão das pessoas, o clima pesado não tinha nada de extraordinário.

Peguei meus brinquedos e subi para o meu quarto. Eu não estava conseguindo realmente me concentrar naquilo. Varias perguntas que eu tinha abandonado voltaram a minha mente e uma voz não parava de me atormentar, dizendo que eu devia estar ficando maluco.

Não que eu já não fosse. Falar com os Pokémon não é uma coisa comum, nem mesmo para as pessoas mais malucas. E até finalmente entender e aceitar esse dom eu já estava completamente isolado e quase sem amigos. Não fosse por Dania.

Mas me esconder não tinha trazido nada de bom até mim. Ter ido até a ilha junto de Dania e ter conhecido Tom me deu autoconfiança, me fez mais forte e eu não ia voltar para a escuridão.

Fui até a janela novamente e olhei a floresta nos fundos da minha casa. A penumbra da noite intensificada pelas arvores tornava quase impossível diferenciar qualquer coisa, mas algo me dizia que, o que quer que fosse, que me causava aquela sensação deveria estar ali espreitando.

Em silêncio sob as arvores, ocultando seus passos com o som dos galhos se balançando com a força do vento.

Fechei meus olhos e tentei sentir, deixando minha mente se esvaziar e meu corpo relaxar. Aos poucos, enquanto minha respiração se acalmava, minha consciência foi submergindo naquela outra dimensão, se expandindo, achando a compreensão do que eu ouvia.

Sussurros, desejos e sentimentos foram tentando se encontrar, tomando forma, criando entendimento. Saltei de uma mente pra outra mais próxima, um Eevee atrás de outro até atravessar a cerca e encontrar a grama.

Então eu encontrei a barreira do meu próprio limite. Minha cabeça começou a doer e meu nariz a queimar. Eu nunca tinha conseguido passar disso. A dor me fazia perder a concentração e o próprio entendimento das coisas se perder. Me empurrando de volta como um chicote, fazendo voltar a ouvir o ruído inteligível dos Pokémon.

Uma onda de tontura me abateu e eu recuei, tentando me apoiar a própria janela. – Droga, – disse a mim mesmo, forçando meu equilíbrio a voltar. Até que enfim parou.

Um sentimento de impotência me invadiu. Tive vontade de me soltar no chão e deitar no tapete, mas eu não podia me apegar aquele desânimo. Sem Dania eu provavelmente afundaria naquilo e só Arceus sabia quando o pai dela voltaria de missão para que ela pudesse ter com quem ficar.

— O que ela diria? – Me perguntei em voz alta. Como se fosse preciso. Eu sabia o que Dania diria. O que ela sempre dizia. Suspirei, me preparando psicologicamente para a dor e voltei para a janela. Senti o ar frio e salgado batendo no meu rosto, fazendo a ponta do meu nariz congelar.

Dania sempre disse que eu podia mais do que imaginava, ela confiava em mim mais do que eu realmente acreditava. E graças a ela eu tinha decidido ir até a ilha no Route dezessete e sem isso provavelmente os contrabandistas teriam capturado os ovos do Volcanora e quem sabe o que teria sido deles.

Eu podia e se não pudesse deveria continuar tentando até não aguentar mais. Só assim eu podia viver com isso depois.

Fechei novamente os olhos e me acalmei mergulhando ainda mais profundamente nessa outra dimensão antes de buscar entendimento. Pude sentir com ainda mais intensidade o vento, como se meu tato aumentasse. Pude sentir o cheiro nítido do mar, como se eu estivesse na praia. E o som dos Pokémon foi se tornando mais alto e mais nítido.

Aos poucos tomando forma, tomando compreensão e com suas palavras, seus sentimentos e memoria brotaram uma atrás da outra enquanto eu pulava de consciência em consciência, até atravessar a barreira do que eu acreditava poder.

A onda de dor me acertou com força, mas desta vez eu sabia que ela viria e estava preparado para suporta-la, indo em frente, ouvindo os sussurros na grama. Avancei um metro, dois, três. Eu podia sentir a distância que minha percorria, fazendo com que eu sentisse como se uma estaca fosse cravada no meio da minha testa.

Continuei tentando avançar, mas o ritmo diminuía de acordo com que eu seguia. A dor começou a se espalhar, subindo pela minha cabeça, indo para trás dos meus olhos, fazendo meu couro cabeludo queimar.

E então como se eu desse de cara com um enorme edifício encontrei. Era uma presença como eu nunca tinha sentido, ainda maior do que a de Volcanora. Era um Pokémon majestoso, mas eu podia apenas ter um vislumbre do que ele realmente era. Suas memorias, seus pensamentos não estevam acessíveis a mim, mas eu podia sentir sua tristeza.

Era uma tristeza intensa e que ainda não tinha sido sentida pelo Pokémon. Uma tristeza tão profunda que fez com que meu coração se apertasse.

Mas nossa conexão não durou, no momento em que eu finalmente o alcancei ele se deu conta. Mas ao invés de fechar sua mente ele me falou comigo, permitindo que eu ouvisse seus pensamentos. Sons tomaram foco, deixando a nevoa em volta do sentindo da frase se dissipar até que eu finalmente pudesse entender. – É quase chagada a hora, você é necessário.

E com violência fui jogado de volta, fazendo minha consciência de espaço e tempo se normalizarem. A dor na minha cabeça começou a diminuir no mesmo instante e o tato voltou tão logo minha visão se ajustou, me fazendo levar a mão ao nariz para secar o sangue que escorria.

Olhei para minha mão surpreso. Aquilo nunca tinha acontecido comigo, mas ao invés de preocupado, eu estava eufórico. Eu não estava com medo ao contrario do que pensei. Aquela presença não representava ameaça, muito pelo contrario, de alguma forma eu sabia que para aquele Pokémon eu já tinha provado meu valor.

Assim como eu sabia quem ela era, sabia seu nome. Ela era a responsável por aquelas florestas, pelo recado que me fizera ir até a ilha, e por todos os Pokémon que me vigiavam nas sombras. Seu nome era Virzion!

=8=

Agora...

Dania já sabia de tudo quando o Unfezant entrou pela janela do meu quarto trazendo a mensagem. O Unfezant estava afobado e seus pensamentos confusos, mas sua fala foi claro. Eu precisava ir à floresta de Accumula Town e encontrar alguém para que fosse levado a presença de Virizion.

A mensagem só não dizia quem. Apenas deixava claro que eu saberia assim que chegasse lá. Corri para minha mochila e joguei as primeiras peças de roupa que encontrei. Chamei Hamal de volta para a Pokeball e corri até a dispensa para pegar alguma coisa pra comer.

Meus pais não estavam em casa. Papai havia ido comprar mais ração para os Eevee e minha mãe ido ao mercadinho do quarteirão de cima buscar alguma coisa. Se eu quisesse sair e aproveitar a luz do dia, aquele seria o momento.

Apenas quando finalmente parei na saída da cidade, a uma centena de metros da minha casa, percebi o que estava fazendo. Aquela não era uma aventura como a que eu tinha tido com Dania, Tom e Ben.

Eu não tinha tempo para arrumar uma desculpa, ou sequer deixar um bilhete. Eu estava fazendo exatamente como Haila. Fugindo de casa. A constatação de que talvez meu pai se portasse em relação a mim, como fizera com Haila, fingindo que ela não existe, fez meu estomago se revirar.

Talvez, se eu seguisse em frente, nunca mais voltaria para casa. Talvez nunca mais veria minha mãe de novo ou quem sabe Jaden. Eu pensei por muito tempo que o que eu queria era simplesmente deixar aquilo tudo para trás, mas na hora de finalmente fazer eu estava travado de medo.

Me perguntei demoradamente se Haila tinha sentido a mesma coisa quando saiu de casa, negando a mim mesmo a resposta que já sabia. Não. Haila era forte e decidida, talvez até mais que Jaden.

Vê-la daquele jeito, de cabelo cortado, com a expressão dura e firme tinha me enchido de um sentimento que até então eu não tinha conseguido me dar conta. Mas agora eu sabia o que era. Era inveja. Inveja da coragem dela.

Eu podia voltar para casa naquele momento e ficar bem com isso, mas era provável que nunca mais na minha vida eu tivesse uma oportunidade assim. Toquei a Pokeball de Hamal no bolso e respirei fundo. Aquele era o momento. Meu momento.

Voltei a correr e só parei quando não conseguia mais respirar. Sai da estrada e me embrenhei no meio da floresta.

Eu não tinha medo de me perder. No tempo em que eu não estava com Dania, eu passava com Haila andando pela floresta e ela tinha me ensinado como me orientar e sobreviver. Ela tinha me ensinado que tipo de planta tinha espinhos, qual era venenosa, qual causava coceira e quais serviam para curar. Evitando que eu fizesse as mesmas burradas que ela fez, descobrindo do jeito difícil.

E ainda havia muitas duvidas e ninguém para responder. Quem eu encontraria? Onde eu encontraria? E como saberia onde achar Virizion? Mesmo assim continuei até que finalmente escureceu.

Eu estava exausto e minhas pernas doíam tanto que parecia que eu ficaria sem elas. Tirei Hamal da Pokeball e ele me ajudou a acender uma fogueira a qual tentei dormir próximo a ela, mas mal consegui pregar os olhos.

Eu não era tão habituado à floresta como Haila ou sequer era forte como Jaden. E por mais que eu pudesse entender o que diziam os ecos que corriam pela floresta eu não deixei de me preocupar com que podia encontrar. Mesmo que esse algo fosse meu próprio pai.

Levando meu pensamento obviamente para o quão desolada minha mãe se sentiria quando percebesse que eu não estava mais em casa e isso me destruiu. A ideia de deixar ela sozinha com meu pai me aterrorizada, mas era ainda pior pensar no quão egoísta eu estava sendo deixando ela para trás para fazer o que eu queria.

A noite foi difícil, mas eu sobrevivi a ela. Hamal estava lá e nossa conexão era forte, mesmo sem que eu precisasse tentar ler seus pensamentos ou palavras, ele sabia como eu estava me sentindo e principalmente, sabia como me consolar.

Não percebi o quanto estava cansado até acordar com o sol a pico, pela posição do astro provavelmente era quase meio dia e um calor infernal invadia a mata. Procurei Hamal entre meus braços, mas ele não estava mais ali.

Meus sentidos voltaram em um estalo quando me dei conta disso, me fazendo saltar e ficar de pé. Olhei em volta, a fim de gritar, mas tive medo. Meu pai podia estar por perto, podia estar me perseguindo e Hamal tentou despista-lo, levando ele pra longe.

Já estava pronto pra sair correndo quando vi o Flareon voltando com um galho com frutas na boca, com a cauda felpuda balançando. Agradeci a ele fazendo um carinho na cabeça e as comi com vontade. Eu podia economizar a comida que tinha roubado da cozinha um pouco mais.

A tarde já estava quase chegando ao fim quando finalmente avistei Accumula Town. O som do trafego e de pessoas já podia ser ouvido de longe. Vozes exaltadas e até mesmo alguns gritos.

Eu podia, talvez encontrar Tom, ele sem duvida me ajudaria se eu pudesse dizer a ele que precisava encontrar alguém e que um Pokémon considerado uma lenda tinha me procurado pra isso. A ideia me animou bastante, me fazendo apertar ainda mais o passo.

Quando finalmente já podia ver a cidade entre as arvores comecei a notar uma movimentação estranha. Pessoas corriam, gritavam e outras vestindo roupas pretas instigavam seu Pokémon a ataca-las e aos edifícios.

Meu coração deu um salto, me fazendo parar no meio do mato. Galhos começaram a estalar depressa atrás de mim e Hamal se virou, começando no mesmo instante a fazer um som ameaçador.

Pude entender no mesmo momento que não era um Pokémon selvagem. Hamal estava nervoso, ansioso e um pouco assustado. – Me entregue as Pokeball e você não precisa sair ferido daqui – uma voz grave de um adulto veio da mesma direção.

Tentei me virar pra ele, mas meu corpo não se moveu. Minha barriga parecia ter sido cheia por cubos de gelo, meu corpo todo tinha sido envolto por correntes fantasmagóricas do mal e sequer minha voz parecia existir mais.

Fogo saiu das ventas de Hamal e o homem voltou a falar, desta vez usando um tom ainda mais ameaçador. – Eu disse; me entregue as Pokeball e eu não vou te machucar. É melhor me ouvir ou eu posso reconsiderar.

Me forcei a virar para o homem, tentando respirar mais devagar e mais profundamente. Minhas pernas estavam tremendo e o som cada vez mais assustador de gritos e explosões na cidade aumentava atrás de mim a cada minuto.

Quando finalmente consegui olhar para o homem tive a confirmação. Ele estava usando o uniforme preto e o broche era inconfundível. A Team Plasma estava atacando e não tinha ninguém pra me ajudar.

Atrás dele, quase tão grande quando o Team Plasma, um Gigalith me se agitava, rosnando uma ameaça feroz. Ele estava pronto pra quebrar alguns dos meus ossos, se assim o soldado decidisse.

Eu não podia entregar Hamal, nem podia batalhar contra ele. Não tínhamos chance, aquele Pokémon era forte demais para nós dois. Se fosse Jaden talvez, ele podia acabar com ele mesmo usando um Pokémon mais fraco, mas eu não era tão bom quanto ele. Na verdade, nem mesmo era bom em batalhas.

— Eu... – tentei falar alguma coisa, mas estava claro para nós dois. Eu não sabia o que dizer. E apesar de toda a dor nos pés, só tinha uma coisa pra fazer. – Hamal, corre.

Gritei sem pensar de novo, saindo em disparada na direção da cidade. – Hey, parado garoto – o Team Plasma ordenou, mas eu não o escutei.

Ele provavelmente era mais rápido do que eu, mas seu Pokémon não era. Avancei o mais depressa que pude pela mata, indo em direção à rua alguns metros a minha frente, com a vantagem do tempo de reação.

Mas logo o soldado já estava sobre mim. Agarrando meu ombro, me fazendo perder o equilíbrio. Tropecei nas minhas próprias pernas e senti a gravidade me puxando pra baixo. O próprio soldado acabou se atrapalhando e caindo sobre mim.

Meu coração batia muito forte, minhas pernas queimavam e eu sentia que podia chorar. As mãos dos soldado estavam sobre mim, tentando me segurar, enquanto eu me debatia violentamente, chutando, socando, gritando qualquer coisa. Talvez por ajuda.

Enquanto o soldado ordenava que eu ficasse quieto, tentando segurar meus braços, deixando seu peso sobre mim. Tentei mordê-lo, abocanhando seu antebraço. Ele urrou de dor e fez um movimento brusco com o cotovelo, acertando meu queixo.

A dor me fez perder por um segundo a noção de tempo, enquanto o gosto de sangue explodia na minha boca. As chamas vieram logo em seguida, acertando o Team Plasma sobre mim em cheio.

Ele gritou de pavor e dor, rolando para o lado e Hamal veio direto pra mim, mordendo minha mochila, me puxando o mais forte que conseguia para longe do soldado. O Gigalith vinha o mais depressa que podia logo atrás, se movendo barulhentamente pela floresta.

Os gritos da cidade estavam mais perto, os urros e explosão ainda mais altos. Me levantei aos tropeços e voltei a correr, ainda enquanto tentando recuperar meu equilíbrio. Minha respiração estava tão rápida que eu não conseguia me lembrar de ter ficado assim antes.

Meus braços queimavam, minhas costas doíam e minha boca estava lotado do gosto de ferro. Me joguei na rua como um foguete e apenas ouvi a buzina. O carro conseguiu desviar de mim por pouco, mas acabou esbarrando o retrovisor em mim, me lançando para frente.

Uma mulher quase tropeçou em mim e foi correndo em direção mata. Ela estava chorando e seu braço estava cheio de sangue. Tentei gritar para ela não ir naquela direção, mas ela não me ouviu. Um pouco mais no alto da rua outro soldado descia com um Camerrupt.

Do mini-vulcão em suas costas um fluxo de fogo sobrenatural surgiu, enviando uma onda de chamas a metros de distância. Incendiando carros, placas, lojas e até mesmo uma idosa que tentava desesperadamente fugir.

Suas roupas foram tomadas por chamas alaranjadas enquanto ela gritava coisas sem sentido, tão alto que imaginei que ela poderia machucar a garganta. Sua saia estava pegando foco e parte dos seus cabelos brancos estava chamuscado.

Tentei correr na direção dela para tentar ajuda-la, mas assim que dei três passos o Camerupt criou um mastro de chamas que veio na minha direção. Hamal saltou na minha frente e respondeu usando o mesmo ataque.

As chamas se encontraram a poucos centímetros de Hamal criando uma bola de fogo tão quente que me fez cair, mas ele conseguiu conte-las um pouco. Tempo suficiente para que eu me arrastasse para longe.

Depois tudo virou um borrão. Corri por uma ruela e acabei me deparando com mais gente correndo, indo para outro canto da cidade. Havia mais Pokémon, mais soldados, mais gritos, mais destruição por toda a parte.

Fumaça começava a se erguer por todo lado fazendo o céu escurecer. Hamal tentou fazer o que podia, se jogando na frente de tudo e todos, me protegendo como podia. E de alguma forma, talvez pelo desespero, perdi o controle sobre o que podia fazer e o sentimento de medo, angustia e até mesmo a dor dos Pokémon a minha volta me inundou.

Me joguei num canto entre uma porta e uma pilastra e não consegui mais conter. As lagrimas vieram com tanta intensidade que eu não consegui me mover. Meu peito começou a subir e descer depressa, convulsionando enquanto eu tentava buscar ar.

Os gritos, explosões e choros eram ensurdecedores, o medo a minha volta era paralisante. Carros cantavam pneus, tiros ecoavam ao longe e vidro se estilhaçava. O ar começou a ficar pesado, pela fumaça e por um odor que eu não conseguia reconhecer, mas era horrível.

Hamal voltou a rosnas e algo pulou sobre ele. Era um Liepard com o dobro do seu tamanho. Eles começaram a se engalfinhas pelo chão, mais um soldado, este mais jovem veio na minha direção.

Ele estava com um sorriso no rosto, com uma Pokeball de cor diferente na mão. Tentei me levantar, tentei pensar em algo, tentei gritar, mas nada aconteceu. As unhas de Liepard eram afiadas e ele era mais forte.

Não demorou para que ele empurrasse Hamal tempo suficiente ele pudesse rasgar um pedaço da pata do meu Flareon. O pele dele se encheu de sangue na mesma hora, deixando a pelagem dele já vermelha com um tom ainda mais escuro.

— Para, por favor – pedi tentando limpar meus olhos que estavam borrados pelas lagrimas, mas o soldado sequer mudou a expressão, olhando animado para o resultado que estava obtendo.

Hamal trouxe de novo mais chamas, enviando a coluna de fogo pra cima do Liepard. Mas não suportou mais do que um instante, cedendo no chão com a dor que sentia. Meu corpo reagiu sozinho, quando percebi tinha pilado e estava sobre Hamal, puxando ele pra longe de Liepard.

— Acabou a brincadeira rapazinho. – O soldado cuspiu, – agora Unova é da Team Plasma. Liepard, Hyper Beam.

O Pokémon fez o movimento com o corpo, canalizando energia para frente do corpo, causando a distorção do ataque sem hesitar. Pude ler seus sentimentos e não tinha duvida ali. Ele estava disposto a me machucar. E muito.

Tranquei os dentes, puxando Hamal com mais força, minha camisa ficou banhada de sangue da ferida do Pokémon. Mas antes que Liepard pudesse me atingir uma esfera de energia escura explodiu no tórax do Pokémon o arremessando contra a vitrine de uma loja, fazendo o vidro se partir em milhões de pedaços.

Olhei para o Ratata sem conseguir esboçar nenhuma reação e para o seu treinador de uniforme vermelho ainda mais paralisado, – se você quer tanto assim a região, vai ter que tira-la de nós antes.

Um esquadrão Ranger estava lotando as ruas e Pokémon começava a batalha contra Pokémon. Tom andou ante mim depressa, tomando Hamal em suas mãos e com a mesma velocidade o Team Plasma que me atacou saiu correndo. – Quão ferido ele esta?

— Não muito, mas não vai conseguir se mover direito, – respondi depressa, – ele esta com muita dor – disse fitando os olhos de Tom.

Ele comprimiu os lábios e ficou em silencio um instante. Imagino que chegando à constatação de que eu podia sentir isso também. Mas seus olhos não mostravam nada além de segurança, – traga-o de volta a Pokeball. Vamos chutar o traseiro desses bastardos e cuidar de Hamal.

Afirmei com a cabeça e fiz o que ele pedia. – Vocês conseguem vencer? – Perguntei preocupado.

Ele me encarou por mais um instante, me puxando para um canto, um pouco menos visível da confusão e perguntou, – o que você esta fazendo aqui? Você não deveria estar no Relic Castle?

— Meus pais de trouxeram de volta.

— E porque não esta em casa?

Um Pokémon foi jogando sobre nós no beco e outro veio correndo, se jogando em cima dele. Tom me puxou para o canto e Tophin, seu Ratata saltou sobre um dos Pokémon. – Fui chamado, tenho uma missão, – respondi tendo que gritar. Os sons da batalha estavam ainda mais intensos.

— Agora? – Tom arregalou os olhos, – esses Pokémon não tem Timer? Unova tá caindo e eles querem que você choque mais alguns ovos?

— Foi Virizion quem me chamou e acho que pode ter haver com isso tudo.

— Virizion? O Pokémon lendário que Team Plasma procura? Todos ouviram os rumores.

Dois Rangers correram para o beco e seus Pokémon se puseram a frente, tentando bloquear o ataque dos soldados. A Team Plasma estava em numero muito maior. – Vamos ter que recuar Theodor – uma Ranger garota rugiu, – esses desgraçados tem um contingente maior. Vamos acabar tendo muitas baixas.

Uma corrente elétrica invadiu o beco, acertando o outro Ranger. Ele gritou de dor e seu corpo se moveu de um jeito inumano antes dele cair no chão com fumaça se erguendo de suas roupas. O clarão mal tinha desaparecido e a garota se jogou sobre ele gritando, – Jonathan. Não, por favor.

O Gigalith invadiu o beco, acertando blocos enormes do asfalto sobre Scolipede e Conkeldurr. Os enormes Pokémon foram esmagados contra a parede, caindo desacordados no chão. A Pokéball de Tom se abriu antes que eu pudesse ver que ele tinha a pegado.

Emboar já estava envolto em chamas correndo na direção do monólito de pedra, chocando seu corpo violentamente contra ele. Quase em sincronia com Tom já estava sobre Jonathan, agarrando seus braços, o puxando pra longe da luta dos dois gigantes.

— Faith, – ele gritou, – preciso de ajuda. Seja útil. – A garota secou as lagrimas com a manga da blusa e agarrou o dorso do garoto, ajudando com a coloca-lo sobre os ombros.

Mais Team Plasma e mais Pokémon estavam surgindo. Emboar estava usando uma quantidade assustadora de fogo, criando uma barreira incandescente entre nós e eles, mas era certo, aquilo não os seguraria por muito tempo.

— Precisamos chegar ao transporte. Eles devem estar na mesma situação que nós e quase partindo – Tom gritou com dificuldade, andando o mais rápido que podia com o peso nas suas costas, – Corin, – me lançou um olhar preocupado. Não fazendo mais questão de esconder o que sentia, – fique perto de mim. Eu vou te proteger.

Um Politoad saltou atrás das chamas e enviou um canhão de agua diretamente em Emboar, fazendo o Pokémon cair sobre seus próprios joelhos, com vapor subindo de seu corpo. Ao mesmo tempo em que Tophin derrotava seu oponente na nossa frente.

Agarrei a Pokeball no cinto de Tom enquanto corríamos e trouxe Emboar de volta, antes que ele perdesse a consciência. O jato de agua tinha sido assustadoramente potente, esfriando a temperatura corporal do suíno a ponto de deixa-lo tonto. O próximo raio brandiu em nossa direção tão logo o flash vermelho se extinguiu. Passando tão perto que pude sentir os cabelos do meu braço se arrepiarem.

Algo me dizia que nem mesmo Tom acreditava no que estava dizendo. A ilha perto daquilo parecia um parque de diversões. Meus músculos doíam, mas não era pelo esforço. Eu não estava conseguindo me mover direito. Todos meus sentidos me diziam para ficar parado, menos a razão que me dizia para fugir.

Minha cabeça estava começando a rodar com tanta coisa a minha volta, tanto gritos, tantos sussurros, tantos sentimentos, tantos Pokémon. Eu quase não conseguia ouvir meus próprios pensamentos. E no meio de tudo isso, finalmente pude notar a presença grandiosa. Ela estava ali, estava próxima.

— Corin – Tom berrou meu nome fazendo-me acordar do devaneio. Eu estava parado e Tom estava a vários metros à frente. A Team Plasma estava praticamente sobre mim.

Voltei a correr, mas meu tempo de reação foi curto. Gigalith já estava sobre mim e não parecia nada satisfeito por eu ter transformado o treinador dele em churrasco. A Shadow Ball acertou o Pokémon praticamente em cima da mim, arremessando meu corpo com o impacto da explosão.

O mundo virou um borrão um segundo e quando dei por mim estava no chão com o braço ardendo e a cabeça doendo. Senti as mãos sobre mim e não consegui reagir, não consegui diferenciar de quem se tratava até ouvir a voz de Faith. – Vamos garoto, – gritou em desespero, me forçando a levantar.

Tophin estava firme, mas visivelmente cansado. O pequeno Pokémon mantinha a cauda erguida orgulhosamente, já formando o próximo ataque, mas não houve tempo para disparar. Emolga do outro Team Plasma já estava descarregando correntes elétricas sobre ele.

Mais uma explosão aconteceu no prédio sobre nós, arremessando madeira e vidro pela janela. A chuva mortal veio na direção dos Team Plasma, dando-nos tempo suficiente para correr até a próxima esquina.

Havia carros revirados, pessoas feridas correndo e mais Team Plasma a frente. Eu não queria ir a lugar nenhum. Queria voltar pra casa, queria nunca ter saído de lá, queria não ter essa maldição em mim, me forçando a fazer esse tipo de estupidez.

Meu braço estava sangrando e a dor era muito forte. Eu estava tentando correr, mas estava muito zonzo e mal podia acertar um passo atrás do outro. Um ataque após o outro os Pokémon se enfrentavam pela rua e seus gritos e urros invadiam minha mente. Enquanto a pressão continuava na minha barriga e a presença do Pokémon crescia.

— O comboio deveria estar aqui – Faith gritou em pânico, soltando finalmente minha mão.

Tom olhou em volta apavorado, os Team Plasma que estava mais no final da rua já tinham notado a presença dos Rangers e não pareciam nada satisfeitos. – Tophin, – ele chamou o Pokémon e o encarou.

Tophin soube exatamente o que Tom queria naquele momento. Ele pedira as forças do Pokémon emprestado, porque temia que aquela pudesse ser a ultima batalha deles. E Tophin, apesar disso, não sentiu medo. Ele estava pronto pra lutar até que não conseguisse mais ficar de pé.

Faith entrou em pânico. Levou as mãos à cabeça, entrando com os dedos em meio aos cabelos castanhos – o que vamos fazer? O que vamos fazer? – Gritou olhando pela passagem de onde viemos.

Da mata, mais soldados já vinham caminhando ao lado de seus Pokémon. Estávamos cercados e não tínhamos mais como lutar. Os Pokémon com esses soldados estavam tão dispostos como o que me atacará. Cada um deles tinha um sentimento queimando dentro deles, como se estivessem certos do que fariam.

Eu recuei preocupado, mas não havia pra onde ir. Eles estavam prontos pra acabar com a gente, quer seus treinadores pedissem, quer não. Aqueles Pokémon não gostavam de humanos e tinham uma aversão maior ainda por Rangers e seus dispositivos de controle. E eu tinha me metido no meio daquilo tudo.

Fechei os olhos e tentei encontrar a presença, não havia mais tempo, não havia mais escolha. Apenas ela poderia me salvar. Mas a confusão era grande e os sentimentos estavam à flor da pele, eu não conseguia distinguir os Pokémon.

Quando o primeiro Team Plasma atacou, um Samurott usando um Scald, uma rajada de vento dissipou o ataque. Um Unfezant desceu quase num rasante, acertando o Pokémon de cima. Mais a cima, no alto da rua o comboio apareceu, sendo seguido por um Zebristrika lançando ataques nos Pokémon que se enfiava em seu caminho.

— Graças a Arceus – Faith comemorou.

O caminhão freou bruscamente e mais Rangers acompanhados de Pokémon desceram, criando uma barreira em volta de nós. Os Team Plasma não hesitaram, começando a atacar de todos os lados.

— Entre depressa, – a mulher que pilotava o caminhão gritou.

Um dos Rangers correu até Tom e começou a ajuda-lo com Jonathan, enquanto eu e Faith fomos o mais rápido possível para a parte detrás, subindo com a ajuda do restante dos Rangers lá dentro.

O caminhão era exatamente como os do exercito, com bancos dos lados e o meio vazio, pintado de azul escuro e laranja, assim como o uniforme da equipe. Uma explosão fez a barreira inteira falhar por um segundo. Tempo suficiente para um Dark Pulse sacodir o caminhão inteiro.

Os últimos Rangers se jogaram no caminhão e seus Pokémon psíquicos flutuaram logo em seguida para dentro. Arrancando o caminhão no mesmo instante.

— Onde está o segundo caminhão? – Tom perguntou enquanto um dos Rangers verificava Jonathan que estava estirado no chão.

Poison Sting nos surpreenderam vindos da mata fechada, sendo bloqueados pelo Protect. Seviper estava nos esperando, em cima das arvores. Outro Ranger se levantou e libertou um Pansear. A barreira foi abaixada ao mesmo tempo em que o Pokémon lançou chamas na direção da serpente. Sendo erguida tão logo o ataque teve fim.

— Foi derrubado, – um outro alertou sobre o caminhão. – Havia alguém com um Hipopotas, ele usou Earthquake. Tentamos ajudar, mas o Pokémon criou uma tempestade de areia enquanto os outros lançavam ataques incessantes. Se continuássemos lá provavelmente teriiamos sido abatidos também.

— Eu odeio a Team Plasma, – a mais nova do grupo amaldiçoou.

— Não tivemos chance contra eles, – Faith comentou desanimada.

— Quem sabe numa próxima, – Tom respondeu deixando que um silêncio desconfortante caísse sobre nós.

Ninguém disse mais muita coisa até o caminhão para em frente ao prédio Ranger, protegido por enormes muros, no limite da cidade com Nacrene City. Um dos Rangers limpou meu ferimento e o enfaixou depois que terminaram de checar Jonathan. Eles não tinham certeza se ele ficaria bem.

Ao descer novamente pude sentir a presença, mas desta vez mais próxima. Próxima como nunca estivera antes e uma força que eu não conhecia me atraia a ela. Mas de alguma forma eu sabia que aquele não era o momento, então me contive.

Continuei olhando para mata fechada até que Tom me chamou para entrarmos. Havia muito que contar a ele e talvez se eu não fizesse agora, não tivesse oportunidade de fazê-lo depois.

Notas finais
Pra quem ainda esta na duvida, Corin tem mesmo habilidade de sentir e se comunicar com os Pokémon. Um tipo de empata, talvez um pouco mais poderoso. Daqui a pouco vocês vão entender onde tudo isso se encaixa.