Rosewood
1 Rosewood - O inicio
Notas iniciais
Era uma manhã fria e calada na cidade de Rosewood, sentia o tom gélido de misericórdia e solidão em meu corpo, acabei encontrando a mim mesma jogada na estrada, já não me reconhecia mais, já não sabia quem era " Gisele Williams" todos os momentos que passei até chegar naquela situação eram como se fossem um "play back" da minha vida mostrando tudo que provavelmente havia perdido.
Em alguns meses atrás eu era apenas uma garota que levaria uma vida aparentemente normal, eu era a Gisele Williams ideal para mim mesma.
Era uma manhã tranquila em minha cidade, Rosewood, ainda estaria em minha cama adormecida quando furiosamente toca meu despertador, ainda com os olhos fechados e enrolada em minha coberta jogo uma de minhas mãos sobre o despertador o desligando. Levanto de maneira vagarosa e sigo até o banheiro, lavo o rosto e escovo os dentes de maneira rápida fazendo caretas para o espelho, soltaria meus cabelos lisos e castanhos que estariam um pouco embaraçados, mas nem assim eles teriam volume algum. Ao estar pronta para ir ao colégio com minha calça jeans, blusa roxa, casaco jeans e sapatos, pego minha bolsa em cima da cama e saio do quarto descendo as escadas de maneira rápida. Encontro meu irmão mais novo, Derek, dormindo no sofá com a mochila encostada em sua barriga e me sento ao seu lado tocando seus ombros.
– Derek?- falo de forma calma
– Gisele?- diria meu nome de forma preguiçosa
– Precisamos ir ao colégio ou vamos nos atrasar, tio Jack ficará bravo se isso acontecer- acaricio seu rosto
Sem me dizer sequer uma palavra, Derek levanta do sofá ajeitando sua mochila e andeja até a porta, o sigo de forma rápida e saímos juntos de casa, fechando a porta.
Ao chegar ao colégio, encontro minhas amigas encostadas em meu armário, caminho até elas de forma rápida com um sorriso no rosto
– Bom dia — digo abrindo os braços
– Está bastante contente ou é impressão minha?- Diz Jade entre risos
– Não é impressão sua, Jade, estou mesmo feliz, é nosso último ano no colegial e eu quero aproveitar cada momento antes de irmos para a faculdade- a respondi com um sorriso de orelha a orelha
– A Gisele está certa, precisamos viver nossos cotidianos de maneira mais intensa- Fala April
– Sim, April, fala isso até o Steven te ligar e você chutar os armários do colégio- Brinca Rebekah
– Rebekah, por favor, não fala desse filho...Da mãe — Diz April de forma irritada
– Fica calma, April, joga o Steven no passado, eu sei que é dificil, mas você consegue, você merece uma nova vida, merece alguém que te ame de verdade- Falo tocando os dois ombros de April
–Eu tentarei, prometo- Diz April fitando meus olhos e sorrindo
– Então, pessoal, já ta tudo certo pra festa no acampamento que tou organizando que será realizada em dois dias- Diz Rebekah empolgada fazendo o número dois com os dedos
– Mal vejo a hora, admito que já estava com saudades das festas da Rebekah- Diz Jade
Logo após Jade terminar suas palavras, o sinal tocaria e todos andariam agitados pelos corredores do colégio, seguindo seus caminhos para suas respectivas aulas. Ao chegarmos na sala de aula de meu tio, Jack Williams, professor de matemática, sentamos nas terceiras cadeiras das fileiras, ficando lado a lado, como sempre fazíamos. Tio Jack nos cumprimentou de forma gentil e se direcionou ao quadro colocando o título "aquecimento" e anotando de forma rápida alguns exercícios, enquanto alguns alunos resmungavam de forma baixa, a grande maioria, incluindo minhas melhores amigas e eu pegamos nossos cadernos e começamos a anotar, já nos preparando caso o tio Jack chamasse alguém ao quadro, ele adorava fazer isso. Dois minutos depois alguém bate a porta da sala de aula tirando a atenção de todos nós.
– Pode entrar- Diz o tio Jack de forma simpática
Notei a maçaneta girar, eu tinha um pouco dessa mania de olhar para a maçaneta da porta sempre que iriam abri-la, de forma lenta abre a porta um garoto alto, pele branca, cabelos castanhos e olhos esverdeados, estaria um pouco atrasado, mas por ser novato meu tio não chamaria a atenção de forma tão brusca.
– Bom dia, senhor Williams- Diria o garoto dirigindo-se ao meu tio de forma segura
– Bom dia, acredito que seja o aluno novo, seja bem-vindo, tente chegar mais cedo para a próxima aula, rapaz- Diz tio Jack de forma simpática
– Não acontecerá novamente, prometo-
O garoto andejaria até o centro da sala, ficando ao lado do tio Jack que pigarreia chamando a atenção de toda a sala que estaria em silêncio.
– Deem as boas-vindas ao nosso colega novo, Nicholas Millers-
– Seja bem-vindo, Nicholas- falaríamos todos em sintonia
Nicholas ainda não teria me notado, analisaria toda a sala reparando cada detalhe, ao voltar seus olhos para o começo se depara comigo, ele me olharia de forma fixa e surpresa, a expressão era de alguém assustado, admirado, eu não entenderia, ficaria confusa perante o olhar dela, mas ao sentir o toque do tio Jack em suas costas ele pisca os olhos de forma rápida como se fora desperto de sonhar acordado e segue seus passos até a cadeira vazia que estaria há uma cadeira atrás da Jade, que estaria ao meu lado, logo ele acomodou-se e se sentou na cadeira.
Jack voltaria a ficar de frente para o quadro, anotando mais exercícios e voltaríamos a acompanha-lo, inclusive o garoto novo, Nichollas Millers, que parecia ser bastante ágil.
Ao a aula de Jack acabar, todos sairiam da sala de forma ligeira levando seus materiais, seguiríamos para outra sala que ficava logo a direita do corredor, teríamos 5 minutos até a próxima aula, então sempre aproveitamos aquele curto tempo para conversar um pouco.
– O que acharam do garoto novo, o tal Nicholas Millers?- Pergunta Rebekah
– Ele é bastante gato- Comenta April
– Está seguindo em frente, April? ou é impressão minha- Brinca Rebekah
– É impressão sua, Rebekah, eu realmente o achei o bonito, o que pode acontecer ou não eu não sei, não tenho bola de cristal- Responde April
– Ele é bonito sim, mas ao passar por mim eu sentir algo estranho nele- Comenta Jade
– Como assim Jade? o que sentiu?- Manifestei-me após só observar as garotas falarem
– Eu não sei, eu sentir um tipo de arrepio, de calafrio, eu não sei explicar, é como se algo nele fosse gélido- Responde Jade
Apenas a olharia mordendo meus lábios, April olhou seu celular e apenas faltaria 1 minuto para começar a próxima aula, apressamos o passo indo logo a direita, entrando na sala, nos acomodamos nas bancas e permanecemos caladas esperando todos entrarem, mas o professor ainda não teria chegado.
Logo entraria a sala de aula de maneira brusca, Pietra Ballardini, uma mulher alta, cabelos castanhos da mesma cor que o meu, olhos castanhos claros que seriam também da mesma cor que os meus, ela usaria um bonito salto preto que ecoava ao piso da sala, ao ficar ao centro daria de cara comigo onde me analisaria do mesmo jeito em que fizera Nicholas Millers, mas ela não parecia assustada, apenas surpresa.
– Bom dia, pessoal, eu sou Pietra Balladirni, a nova professora de história- Diria desviando seus globos oculares de mim e os concentrando ao centro da sala
Pietra era bastante segura, ela entrava em detalhes que deixava o tema a ser tratado muito interessante, até parecia que ela viveu a época, ao terminar sua aula, anotou no quadro um trabalho onde teríamos que fazer na biblioteca do colégio, todos saíram da sala da mesma maneira apressada, Pietra fez um sinal com a mão onde me chamou até sua mesa, minhas amigas a olhariam de forma tensa, mas logo sairiam da sala nos deixando a sós.
– Como se chama?- perguntou
– Gisele Williams-
– Williams? seu sobrenome me é familiar-
– Sou sobrinha do senhor Williams, professor de matemática-
– Sobrinha do Jack! mas é claro, por isso estava reconhecendo seu rosto de algum lugar, vi fotos suas e também a vi pequena quando fui na casa de seus pais...-
– Conheceu meus pais?- olhei para baixo
– Sinto muito eu...-
– Tudo bem, senhora Balladirni, não tem problema, não sabia que conhecia o tio Jack e que até nos conhecíamos-
– Estudamos juntos, mas eu me mudei para Washington, passei uma temporada lá-
– Entendo... Bom, senhora ballardini, prazer em conhece-la, mas eu preciso ir-
– O prazer é todo meu, Gisele, por favor me chame de Pietra-
Não diria nada, apenas a olharia com um sorriso de orelha á orelha e balancei a cabeça positivamente, andejei até a porta da sala tomando meu rumo e deixando a Pietra sozinha, onde parecia pensativa.
– Gisele Williams... Quem diria... A sobrinha do Jack é a tal doppolganger das Ballardini- Sussurraria
Na hora do almoço, minhas amigas estariam adiantadas já sentadas á mesa enquanto eu haveria acabado de arrumar minha bandeja, viro meu corpo bruscamente para alcança-las, aconteceu algo inesperado, atrás de mim estaria o Nicholas Millers, o garoto novo, no qual acabei esbarrando.
– Desculpe-me... Prazer em conhece-lo, eu sou a Gisele — Diria de forma envergonhada
– Tudo bem, o prazer é todo meu... Gisele- Fitou meus olhos fixamente
– Você.... Você quer se sentar com minhas amigas e eu?-
– Obrigada pelo convite, Gisele, mas vamos deixar pra uma próxima, eu não vou almoçar aqui sairei mais cedo hoje-
– Tudo bem- sorrir e seguir meus passos até a mesa onde estariam sentadas minhas amigas.
Sentei com minhas amigas de forma silenciosa, ajeitei minha bandeja á mesa pegando meu garfo e o triscando na comida , minhas amigas me olhavam de forma maliciosa, sentiria indiretas em seus olhares até que chegou ao ponto que não aguentei mais fingir que não estava percebendo e as olhei ainda mexendo no meu almoço.
– O quê? que olhares são esses?- sorri
– Você e Nicholas Millers...Percebi olhares desde a aula do senhor Williams- Brinca April
– Oh meu Deus, apenas esbarrei nele e me desculpei, vocês veem coisas onde não existe nada -sorrio
– Aposto que adorou o esbarrão- Diz Rebekah entre risos
– Aposto nisso também, Bekah -Fala Jade
–Talvez- Respondo entrando na brincadeira
– Gisele!- Diz April como se tivesse surpresa com algo
– Estou brincando, eu apenas esbarrei nele e me desculpei, o que tem demais nisso? -sorrio
–Bem, as histórias de romance sempre começam assim, pelo menos na maioria delas- Diz April
– April Montgomery assistindo romances? -Brinca Jade
– Por que não? Já que não vivo um vejo o dos outros -Responde April soltando uma piscadela.
– Pessoal e sobre a festa de acampamento da Rebekah? ja está tudo feito ou precisa de ajuda em algo? — Digo na tentativa de mudar o assunto-
– Já está tudo planejado e vai ser maravilhoso, vou contar um segredo a vocês... Garotas, advinhem... Marquei de ficar com o Bryan lá — Diz Rebekah batendo palmas de forma discreta.
– Espero que a praga do Steven não esteja lá- Diz April revirando os olhos.
– Qual é, April, nos prometeu que ia superar o Steven- Reclama Rebekah
– Eu sei, mas não quero estar no mesmo lugar que ele-
– Eu entendo, você tem magoa pelo que aconteceu, não é pra menos, você está no seu direito, mas April, mostre ao Steven que ele é passado e que a presença dele não significa nada pra você, vai conseguir, é só uma questão de tempo- Digo em forma de consolo.
– Eu sei, Gisele, vocês têm razão, eu sei que sim, mas raiva não é tão fácil assim de superar-
– Sabemos, mas vamos te ajudar a esquecê-lo, darei uma olhada na lista de convidados da Rebekah e vou separar os caras mais gatos pra você escolher -sorrio com a boca fechada, dando uma piscadela para a April.
– Eu apoio, acho que vai ser bom pra April começar a seguir em frente- Diz Jade levantando a mão esquerda e terminando de engolir sua refeição.
– Claro que os caras mais gatos não podem faltar, ainda mais nas minhas festas- Brinca Rebekah.
Há uma quadra da minha casa morava os Millers, no caso eram apenas dois, Nicholas e seu irmão mais velho, Kevin.
Ao chegar em sua casa, Nicholas encontra uma cena um tanto desnecessária em sua sala de estar, Kevin estaria com o som bastante alto e a sua camisa aberta, dançando com quatro garotas loiras ao mesmo tempo, puxando uma delas pela cintura e a virando de costas, afastando os cabelos longos e loiros do pescoço, Kevin aproxima o rosto do pescoço da mesma que parecia estar bastante calma e não se importando com o que iria acontecer. Veias cresceriam em seu rosto juntamente com suas presas pontudas e afiadas, seus olhos azuis claros mudariam a coloração para uma tonalidade avermelhada como sangue e logo estaria totalmente cego pelo cheiro do sangue humano que em questão de segundos cederia a ele, fincando suas presas no pescoço da garota loira sugando seu sangue de forma lenta, segurando um pouco abaixo do tórax da mesma.
–O que está acontecendo aqui, Kevin?- Pergunta Nicholas, andejando até próximo a eles os observando com a testa franzida.
Kevin soltou a garota, com vida, de forma brusca no sofá, limpando a sua boca com a manga da camisa, onde ainda teria o sangue que havia tomado da garota e logo virou-se para Nicholas o olhando de forma debochada.
– Boa tarde, irmão, cansou de brincar de adolescente humano e decidiu voltar pra casa mais cedo?- Brinca Kevin.
– Hipnotizou essas garotas para brincar com elas, Kevin? Vidas não são brinquedos-
–Deixe a velha lição de moral para a hora do juízo final, se é que vamos chegar a tê-lo, mas nessa vida se conta com tudo, não é mesmo, irmão?- Diz Kevin sorrindo de canto
– Você é o Nicholas? não quer provar um pouco de meu sangue?- Diria uma das garotas loiras virando-se de costas para Nicholas e afastando seus cabelos do pescoço.
Nicholas fecharia os olhos e empurraria a garota para longe, as veias já teriam crescido em seu rosto implorando para que ele cedesse ao sangue, mas a sua força de vontade era maior, afinal já estaria há 30 anos sem alimentar-se de fonte fresca, apenas se alimentaria do sangue de animais selvagens e de bolsas de sangue.
– Tire-as daqui, Kevin, tenho algo extremamente importante para falar- daria as costas indo até a escada da sala de estar, onde subiria os degraus, sumindo da vista de todos-
– Não ligue, querida, meu irmão está em uma espécie de regime, ele prefere devorar os lindos coelhinhos do que se alimentar do sangue de vadias baratas, depois eu sou o monstro -Diz Kevin sorrindo de forma debochada.
Nicholas ainda ofegante pela tentação ao sangue, tranca-se em seu quarto e põe ambas as mãos na cabeça, sentiria uma confusão de desejo e nostalgia que o tirava por completo do senso. Naquele momento só conseguia lembrar-se de uma unica recordação que o levara novamente ao passado, as suas dores e até alegrias e essa pessoa era eu, Gisele Williams.
Em agosto do ano de 1853 na sala de estar da mansão dos Millers, haveria uma grande cerimônia, um baile que comemorava o aniversário de 20 anos de Nicholas. A festa estava realmente extraordinária, homens com ternos charmosos da época que teria uma cor acinzentada, mulheres com longos e armados vestido que seguiria de luvas e belos penteados nos cabelos. Por aquele momento chegaria até Nicholas, Kevin, seu irmão mais velho de 22 anos mais uma vez o parabenizando, no mesmo instante pela porta de entrada principal, chegaria uma bela mulher carregando em suas curvas um belo vestido longo, armado e lilás, luvas brancas, cabelos ondulados e castanhos com um belo penteado que os deixariam amarrados, o mais intrigante eram seus olhos castanhos médio claros que prendera totalmente a atenção de Nicholas e Kevin, os deixando impressionados. Para a atualidade de Nicholas o que mais impressionaria e até chegaria assustar seria a tamanha semelhança da garota do baile comigo, éramos totalmente iguais, parecíamos clones o mesmo que Nicholas sentiu a primeira vez sentiu de novo ao me ver e lembrar-se dela.
A bela garota andejou até onde estariam os garotos, virou-se de frente para Nicholas e fitou seus olhos de forma totalmente paralisante.
– Você deve ser o senhor Millers, parabéns, eu sou Caroline Blackburn -Diria Caroline de forma sútil levantando sua mão direita para que Nicholas pudesse beijar a mesma.
– Agradecido, senhorita Blackburn, ouvir falar muito da senhorita, vizinha nova recém chegada de Washington- Responde Nicholas curvando o corpo e beijando o palmar da mão de Caroline.
– Por favor, você pode me chamar Caroline- Responde entre um belo sorriso de orelha a orelha.
Nicholas quebraria sua recordação, voltando apartir daquele momento para a atualidade que foi causada pela entrada brusca de Kevin ao quarto.
– O que a fada do dente quer? convidar-me para uma ceia de coelhos e veados?- brinca Kevin
– Não é hora para brincadeiras, Kevin-
– Então para de enrolar e fala logo, dispensei quatro fontes de sangue fresco por sua causa, acho bom que seja mesmo importante-
– Hoje, no colégio conheci uma garota exatamente igual a Caroline, não sei explicar deve ser sua descendente-
– O que? interrompeu minha refeição para falar que viu uma garota parecida com á Caroline e blablabla-
– Não está entendendo Kevin, ela não é apenas parecida, ela é exatamente igual á Caroline, exatamente, como se fosse clones, eu não sei-
– Bebeu o sangue de algum desses " bad boys" drogados? ou foi mordido por algum lobisomem e está delirando?
– Por que não vai ao colégio amanhã e prova você mesmo-
– Não vou perder meu tempo entrando nessas suas fantasias de " uma volta ao passado" parece até nome de filme- daria de ombros saindo do quarto-
Já estávamos em nossa última aula no colégio de Rosewood, faltaria poucos minutos para o sino tocar e nós largarmos. Estaríamos tendo aula de espanhol com a professora Rosalinda Garcia, uma mulher alta de cabelos negros e ondulados, olhos castanhos claros e óculos quadrados. Eu não gostava muito da matéria, na verdade não entenderia um terço do que ela falava, não sou boa em línguas.
– Quiero hacerlos una pregunta, todos hicieran la tarea de casa que he pasado en la semana anterior? porque voy a elegir uno alumno para venir a frente de clase y traducir toda la pagina. Gisele Williams?- Diria a senhora Garcia, olhando para mim em seguida.
– Desculpe, senhora Garcia, eu não entendi nada- Sorri sem graça
– Eu perguntei se todos fizeram a tarefa de casa que passei na semana anterior, pois vou escolher um aluno para vim aqui na frente traduzir a página completa, você fez Gisele Williams?-
– Ah... Sim, senhora Garcia, eu fiz- Respondo deixando minhas mechas de cabelos cobrir o rosto e em seguida a fitando um pouco nervosa-
– ótimo, já pode vim aqui na frente- Diria a senhora Garcia com um sorriso um tanto provocativo apontando para o centro da sala.
Mesmo estando bastante nervosa, peguei meu livro e me levantei da cadeira andejando até o centro da sala como havia dito a professora, olhei para todos os alunos que estariam na sala e mordi os lábios tentando não mostrar meu nervosismo, tirando para minhas amigas que sabiam da minha dificuldade em espanhol, com certeza aquela matéria era o meu pesadelo. Ao virar para o quadro sentia meu corpo inteiro tremer, mas ainda sim segurei o piloto firme o encostando no quadro.
– Tudo bem, senhorita Williams?- Pergunta a senhora Garcia percebendo meu nervosismo-
– Sim, está tudo bem- a olhei por alguns segundos, mas logo voltei a encarar o quadro novamente.
O destino pareceu por algum momento da minha vida conspirar a meu favor, naquela hora mais do que nunca acreditei em milagres, o sino haveria tocado avisando que a aula acabou e a senhora Garcia levantou a mão direita fazendo um sinal que todos poderiam sair. Sentir um imenso alivio, fechei os olhos e suspirei.
– Bom pessoal, continuamos na próxima aula, boa tarde para vocês-
Todos os alunos já estariam indo embora, fui até a minha mochila e ajeitando e fui encontrar minhas amigas que já haveriam saído da sala, estariam me esperando no corredor, caminhamos juntas até a porta de saída, até lá apenas Rebekah falava dizendo o quanto que detestava a senhora Garcia, apenas concordávamos com as suas palavras tagareladas. Ao chegarmos na porta nos despedimos e cada uma seguiu para um caminho diferente. Surpreendendo-me aparecia em minha frente Dylan Walker, meu ex namorado, eu haveria terminado o nosso relacionamento ao descobrir que ele era um tremendo de um irresponsável egoísta, mas ele não aceitou bem esse término.
– Oi, Gisele, faz tempo que não conversamos- Diria bloqueando a passagem.
– O que você quer Dylan?- Diria de maneira raivosa desviando meu olhar do dele.
– Calma, doçura, apenas vamos conversar-
– Não temos nada para conversar- Tentaria passar por ele que segura meu braço.
– Escuta, eu gosto de você, Gisele, eu amo você, vamos tentar consertar as coisas me deixe te explicar.
– Eu não quero conversar, não quero explicação eu só quero que me deixe em paz e vá viver a vida muito feliz, eu não te odeio, não te desejo nenhum mal de forma alguma, mas quero você bem longe de mim- solto meu braço de sua mão tentando passar novamente.
– Eu juro que se me der outra chance vai ser tudo diferente, Gisele, eu juro por Deus- Segura novamente o meu braço.
– Não jure por Deus, não diga o nome dele em suas mentiras, eu já disse que acabou- tento me soltar.
– Pois você não irá a lugar nenhum sem me escutar, você é uma garotinha mimada e boba que tem a vida perfeitinha onde o mundo gira ao seu redor e todos fazem as suas vontades- apertaria meu braço de forma rude.
– Você não me conhece! eu tenho a vida perfeitinha? eu perdi as pessoas mais importantes da minha vida, meus pais! sabe o que é isso? não, não sabe, porque graças a Deus os seus estão vivos e você deveria agradecer por isso, eu não tento manipular ninguém para fazer o que eu quero, se estou satisfeita com alguma coisa é porque convivo com pessoas iguais a mim, por isso lave a sua boca antes de sair falando da minha vida coisas que você não sabe- Tento me soltar de forma brusca já tendo os olhos cheios de lágrimas.
De uma forma inesperada aparece diante de mim e de Dylan o garoto novo, Nicholas Millers, que de forma calma e paciente segura um dos ombros de Dylan o fitando nos olhos.
– Solte-a, agora- Diria Nicholas de forma firme.
– Quem é você para me dar ordens? — Zomba Dylan.
– Por que não resolve as coisas feito um homem? claro, você não é um homem, é um garoto estúpido e mimado metido a bad boy, por isso eu digo que se não soltar a Gisele agora as coisas ficarão sérias para você-
– Quem é você cara? acabou de chegar na minha cidade e quer bancar o dono do pedaço? — Soltaria meu braço de forma brusca virando de frente para Nicholas.
– Vai embora, Dylan, chega de confusão- Peço de forma preocupada.
– O que a princesinha quer, todos fazem, pena que hoje não vai ser assim- Zomba Dylan ainda olhando para Nicholas.
– Concordo com as palavras de Gisele, é a primeira e última vez que mando ir embora, ou eu não serei tão bom-
Ao escutar a ameaça de Nicholas, Dylan fica possesso, cego pela raiva, pois ele odeia que alguém o dê ordens ou o tente fazer sentir medo. Dylan cerra seus punhos de maneira forte e levanta um deles com a tentativa de acertar o rosto de Nicholas, mas em questão de um segundo Nicholas segura o punho do mesmo, sem fazer esforço algum, parecia segurar uma pluma, mas já entortaria todo o braço de Dylan o deixando apavorado.
– Como disse a Gisele, vá embora e a deixe em paz, não queremos confusão- Diria suas palavras calmamente, hipnotizando Dylan tendo suas pupilas dilatadas e soltando seu punho.
Dylan não diria sequer uma palavra ou tentaria fazer alguma coisa, sem hesitar andaria para o lado contrário ao nosso, deixando totalmente a área do colégio.
– Oh meu Deus, muito obrigada, já não aguentava mais ter que ficar aturando isso- Agradeço com as mãos na testa.
– Namorado ciumento?-
– Ex namorado que não aceita o término- sorrio sem graça.
– Entedo, já tive uma ex namorada parecida- sorrir
– Achei que tivesse ido embora mais cedo-
–Sim, eu fui, problemas familiares, entende?-
– Sim, entendo, tomos nós temos isso é inevitável... Bem, mais uma vez obrigada, Nicholas, eu preciso ir, até amanhã- Sorrio de leve e dei de ombros andejando para fora da área do colégio.
Nicholas sorrir para mim e em seguida fita o chão, notando algo que eu não havia percebido, em meio a confusão que tive com o Dylan deixei a pulseira que havia sido da minha mãe cair ao chão, Nicholas ajoelhou-se e pegou a pulseira a guardando em seu bolso, saberia que era minha, haveria notado em meu braço mais cedo.
Ao chegar em minha casa, encontro o tio Jack sentado ao sofá teclando em seu notebook, como sabia que provavelmente era coisas do colégio eu não me aproximei, ele não gosta que o Derek e eu vejamos e eu também não gosto de olhar, não acho certo espiar as provas, é trapaça e meu irmão e eu somos alunos como todos os outros com os mesmos direitos e deveres.
– Boa tarde, tio Jack- Disse quebrando o silêncio.
– Boa tarde, Gisele, como foi seu dia?-
– Normal e o seu?-
– Normal do tipo bom, ou normal do tipo ruim?- sorrir
– Normal do tipo mais ou menos-
–Mais pra mais ou pra menos?-
– Pra mais- Sorrio
– O meu dia foi bom, assim como o seu tive um dia cotidiano de sempre- sorrir
– Pelo menos nada de mal aconteceu- Sorrio
– E o Derek chegou?- Pergunto
– Sim, está lá em cima, no quarto-
– Ok... Tio Jack, queria lhe perguntar onde conhece a senhorita Ballardini?
– Vou ser sincero com você, Gisele... Pietra e eu namoramos na época da faculdade, nos conhecemos em Washington quando passei a morar lá- Responde entre risos, relembrando o passado.
– Ah... Antes que pense ser algo demais, digo que não é nada, apenas estive conversando com ela e me pareceu uma boa pessoa, é bastante gentil-
– O que conversaram?-
–Nada demais, ela achou meu sobrenome familiar e eu disse que sou sua sobrinha-
– Tudo bem então, espero que realmente se deem bem-
– É uma pena que tenham terminado, tio Jack, ela parece uma boa pessoa e você merece alguém assim- o olho com a expressão de quem lamenta algo.
– Obrigado- Sorrir
Retribuiria o sorriso do tio Jack, logo subo as escadas da minha casa indo até o meu quarto onde coloco minha mochila em cima da cama tirando meus livros e os folheando.
Diferente de mim, Nicholas ainda estaria no colégio, no corredor de frente ao seu armário o abrindo, e dentro pegaria uma foto antiga da Caroline, em 1853 da época em que a houvera conhecido mais uma vez permitindo suas memórias voltarem.
Nicholas e Kevin estariam no jardim de sua casa, correndo pelo mesmo sobre cavalos, eram ótimos montadores, logo tiveram sua concentração interrompida ao Caroline chegar ao local ao lado da prima dos mesmos, usando um longe vestido azul tendo seus longos cabelos ondulados soltos apenas com uma pequena parte da franja presa. Caroline aproxima-se dos rapazes sorrindo de canto.
– Parabéns, são bons montadores para quem conduz um transporte sem carruagem- brinca.
– Obrigado, Caroline- Agradece Nicholas com um sorriso alegre
– E você, garota? gosta de cavalos?- Pergunta Kevin.
– Tenha respeito, Kevin, não é modo de se falar com uma dama- Reclama Nicholas
– Tudo bem, Nicholas e respondendo sua pergunta, Kevin, eu adoro cavalos, sou uma ótima montadora e quem sabe posso ensina-los a montar ainda melhor-
Está falando sério? -sorri Nicholas
– Por que não estaria? por que sou uma garota? faça o teste senhor Millers, empreste-me seu cavalo-
Sem sequer dizer uma palavra, Nicholas desce de seu cavalo cedendo espaço para Caroline aproximar-se. Caroline levanta um pouco o seu vestido e monta na cela do cavalo com a ajuda de Nicholas que a apoia segurando na cintura da mesma.
– Obrigada- Agradece Caroline, sorrindo para Nicholas.
– Por que não apostamos uma corrida, Kevin?- Pergunta Caroline fitando o mesmo.
– Não é seguro, você pode se machucar- Responde Kevin.
– Por favor, se eu cair do chão eu não passo, e morremos quando temos que morrer, certo? eu não me machuco fácil, Kevin-
– Tudo bem- cede Kevin.
No mesmo tempo Kevin e Caroline cavalgariam pelo jardim, Caroline acelera seu cavalo tendo total controle do mesmo até chegar o ponto de ultrapassar a Kevin.
– Você é boa!- Diz Kevin.
–Tudo é tempo, mais prática do tempo- sorrir de canto.
Aquelas foram as últimas palavras de Caroline que as memórias de Nicholas permitiram remitir, sua viajem ao passado fora bruscamente cortada por palavras cortantes e secas, de ninguém mais que Pietra Ballardini.
– Nicholas Millers, o que faz ao colégio a essa hora?
– Não se preocupe, senhora Ballardini, não vou demorar, apenas vim buscar algo — diria guardando a foto no bolso de sua calça e virando-se para fechar seu armário-
Em questão de um segundo, Pietra já estaria mais que apenas diante de Nicholas, ela empurraria bruscamente o corpo do mesmo em um dos armários atrás, segurando seu pescoço de forma brutal, enquanto já teria exposta suas presas e seus olhos de coloração vermelha.
– Onde conseguiu essa foto?- Pergunta Pietra ainda furiosa.
Nicholas não responderia a pergunta de Pietra, não á diria uma palavra, seguraria o pulso da mesma entortando para o lado, dando-o oportunidade para respirar, não perdendo tempo e também a jogando para outro armário apontado para a sua lateral.
– Espiando as coisas alheias? deveria lhe importar mais as coisas que lhe interessam, por exemplo, não deveria expor ser uma vampira, professora- Responde Nicholas.
– Está enganado, querido, isso me interessa tanto quanto você nem imagina e sobre minha identidade, estamos no mesmo barco, você me entrega... Eu te entrego- Em um segundo se aproxima do mesmo golpeando seu abdômen com dois chutes consecutivos-
Em um dos chutes de Pietra, Nicholas consegue agarrar seu pé a jogando para o ar fazendo seu corpo por completo girar, ao cair ao chão Pietra levanta-se mais rápido que um piscar de olhos, indo há um dos carros de limpeza quebrando o cabo de uma vassoura e tentando acerta-lo contra Nicholas, que segura o cabo da mesma medindo forças, mas seria em vão, Pietra era mais velha e mais forte, quanto á força teria uma vantagem, conseguira empurrar o cabo bastante próximo do corpo de Nicholas até acerta-lo, próximo de seu coração.
Nicholas caí ajoelhado ao chão ainda segurando o cabo que já estaria contra seu corpo, olharia Pietra agonizando e tentando puxar o mesmo, esperaria alguma palavra da mesma que também parecia estar bastante ofegante da briga.
– Errei o coração de propósito, mas caso não me contar como conseguiu aquela foto, ou melhor, de onde conheceu aquela mulher... Não lhe darei uma terceira chance-
Ao finalmente conseguir arrancar o cabo de seu peito e o jogar ao chão repleto de seu sangue, Nicholas espera seu ferimento se regenerar, o mesmo apenas demora alguns segundos para estar totalmente curado e se levanta encarando Pietra de forma destemida.
– Irei lhe dizer o porquê da foto, se me disser o seu interesse-
– Direi o meu interesse assim que responder a minha pergunta-
– Tudo bem, essa garota foi minha namorada, á conheci aqui mesmo em Rosewood em 1853, satisfeita?-
– Sabia que o conhecia de algum lugar, Nicholas, seu rosto me era bastante familiar, o vi uma certa vez, beijando a mesma moça da foto, agora lembrei!-
Dessa vez era Pietra vagando ao passado, escondida entre umas árvores acerca da mansão dos Millers, Pietra encontrava-se bem escondida, observava o movimento pelo jardim, era pouco, deserto, mas não demorou muito a avistar seu principal interesse. Andejavam pelo jardim Caroline e Nicholas, conversavam muito a vontade após Caroline mostrar suas habilidades na montaria, Nicholas certamente estaria bastante surpreso com o que viu e a parabenizava não deixando de admirar a tão especial garota que ele e seu irmão cortejaram desde o primeiro momento em que a houvera conhecido no baile.
– Sabe Nicholas? eu amo jogos, e você?- Pergunta Caroline de uma forma provocativa
– Sim, depende- Responde Nicholas
– Então... Você é o terrível lobo mal e eu a chapeuzinho vermelho, vem me caçar- Diria Caroline se adiantando em uma corrida, segurando as barras de seu vestido que de certa forma a atrapalhava de correr-
Nicholas entraria no jogo imposto por Caroline, correria atrás da moça pelo jardim quase a alcançando, mas a deixando ultrapassa-lo, pelo menos sim na cabeça dele. Ao pararem de correr próximos de uma fonte, Caroline esconde-se no lado oposto do mesmo, ela saberia que Nicholas á teria visto, esperou o mesmo se aproximar da fonte e o surpreendeu aparecendo de supetão, deixando seu corpo e principalmente seus lábios a poucos centímetros de distância.
– Acho que conseguir a presa- Diz Nicholas entre um sorriso um tanto nervoso.
– Agora, falta a parte principal-
–Qual parte?-
– A que o lobo devora sua presa- Caroline tocaria os lábios de Nicholas com o seus, iniciando leves movimentos ao redor de sua boca, partindo para o primeiro beijo que logo envolveria o mesmo-
Assim como fizera Pietra de inicio, Nicholas não se importou ao quebrar sua memoria, usando palavras gélidas e até soando ameaçadoras.
– Quem é você, Pietra Ballardini?-
– Como perdeu sua namorada?-
– Respondi sua pergunta, agora você responde a minha-
– Só responderei quando tiver todas as informações que necessito, como perdeu a Caroline?-
– Em um incêndio... Na minha casa-
– Trágica história de amor-
– Sua vez de responder a minha pergunta, quem é você?
– Caroline Blackburn, sua namorada, ou ex namorada tanto faz... Era minha mãe-
– O que?-
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