Rose à Trois
2 et Lui
Bervely conseguia pensar em cerca de doze coisas que ela deveria estar fazendo ao invés de raspar suas unhas pela pele firme e morena do capitão da Grifinória, mas nenhuma delas era de longe tão interessante.
Observou a barriga dele se contrair em resposta à carícia, os pelinhos claros se arrepiarem todos. Um sorriso travesso e involuntário surgiu em seu rosto; era sábado, fazia um calor dos infernos em qualquer lugar senão o seu sempre agradavelmente gelado quarto nas masmorras, e ela estava mandando todas as obrigações para o inferno – pelo segundo fim de semana seguido.
— Não pare – um Oliver manhoso pediu, ainda de olhos fechados. Nenhum dos dois tinha acordado de verdade, embora ela desconfiasse que já passava do meio dia lá fora, na chatice do mundo real.
Ele passara a noite em seu quarto, mas não dava para dizer que tinham dormido juntos. Após a costumeira última ronda de sexta, Oliver tinha aparecido para uma visita despretensiosa, usando o suéter do quadribol, aqueles com as listras largas, vermelhas e douradas, e uma coisa tinha levado a outra, e a outra coisa tinha levado à sua cama. Wood pegara no sono (já sem sua camisa ou qualquer outra peça de roupa, se valia a pena mencionar); Bervely o deixara dormindo e, sem sono, tinha decidido trabalhar um pouco em seu projeto para o Instituto Flamel. Uma vez envolvida na poção, só percebeu que era manhã quando Jinx apareceu no quarto, miando porque havia um estranho em "sua" cama.
Ela entrara num breve acordo com o gato (que envolveu abrir a porta de seu guarda–roupas, segundo lugar preferido dele para tirar uma soneca), tomara um banho rápido e se deitara ao lado de Oliver, apagando quase instantaneamente. E ali estava, algumas horas depois, acordada de novo e preferindo atormentar o capitão semiadormecido a retomar a pilha de deveres que se acumulava sobre a sua mesa de trabalho.
Bervely arrastou as pontas dos dedos pela barriga plana dele, tirando mais prazer daquilo do que devia ser permitido na lei dos amantes casuais. Arrepios de satisfação se espalhavam pela sua espinha ao vê-lo se contrair sob seu toque, enquanto os dedos passeavam para cima, em torno do umbigo, até o peito e de volta para baixo, até a linha de sua virilha, coberta com o lençol verde escuro. Agora Oliver estava todo arrepiado e havia um sorriso travesso em seus lábios rosados.
— Que jeito ótimo de acordar. – apreciou ele, pousando uma mão quente sobre a dela, fazendo com que Bervely espalmasse a sua pele ao invés de apenas dedilha-la.
— Você dorme demais. – ela resmungou, sentindo seu baixo ventre se apertar ao perceber que ele guiava sua mão para baixo, na direção da virilha.
— Eu estou bem acordado agora.
E estava mesmo, ela constatou com uma breve olhada para a área no meio de suas pernas, onde o lençol formava uma tenda. Oliver abandonara a sua mão após lhe dar a sugestão do caminho a seguir, e agora a mão livre procurava a cintura dela, querendo puxá-la para si. Ele encontrou sua camisola de cetim e fez uma careta, abrindo os olhos.
— Porque você está com tanta roupa?
— Porque eu não sou uma selvagem, para dormir pelada.
Ele riu travessamente.
— Você parecia bem selvagem ontem, se não me falha a memória. "Isso mesmo, Oliver", "Assim, Oliver", "Mais forte, Oliver!" – disse, numa péssima imitação de alguém gemendo, que certamente não era ela.
— Cala a boca, Wood. – brigou, dando um beliscão na coxa dele, que deu um pulo e uma risada.
— Não, isso você não disse hora nenhuma. – e então, antes que ela ficasse muito enfezada, usou as duas mãos para puxá-la até ele, até estarem bem colados. – Bom dia, Rose.
Ela rolou os olhos e não lhe dignou resposta, para ele não achar que estava tudo bem zombar dela daquele jeito. Oliver no entanto passou a coberta por cima de ambos, envolveu um braço pela sua cintura e a pressionou contra seu corpo, deixando-a saber o quanto ele estava quente e duro, ao pressionar a ereção contra a sua barriga. Ele espalhou beijos pelo seu pescoço, as mãos correndo pelo seu corpo, apertando e acariciando a pele coberta pela camisola. A outra mão dele tentou puxar o travesseiro para uma posição em que servisse a ambos, mas ele parou no meio do movimento.
— O que é isso?
Ela só entendeu do que ele falava quando Oliver puxou a peça em questão até o espaço entre eles. Ela reconheceu o sutiã de Tara, que usara... Bem, que usara para fins poucos dignos há alguns dias, e que tinha se esquecido completamente de procurar depois disso. De alguma forma, a peça ficara ali em sua cama ao longo da semana, provavelmente enfiada no vão entre o colchão e a cabeceira.
— É só um sutiã. – disse, esperando soar convincente, mas ele não era bobo. Algo em seu tom, ou na própria peça fez com que franzisse o cenho com desconfiança e a analisasse mais de perto.
— Não é seu, é? – ele constatou perspicazmente. Ela ainda se sentia queimando, e queria continuar o que tinham começado, mas o rumo que aquela conversa tomava parecia ser o exatamente oposto daquele que os levaria de volta aos amassos. Oliver notou sua hesitação. – Apenas responda.
— Não, não é. – ela rolou os olhos, impaciente. – É da Tara, ela esqueceu aqui. Faz tempo.
— Tem certeza que faz tempo? Porque está em sua cama, então?
— Eu não aprecio o interrogatório, Wood. – disse com irritação, fechando a cara. Mas ele ainda estava lhe encarando com uma expressão indefinida, que não mudou mesmo diante do tom endurecido dela.
— Bem, eu pensei que vocês não estavam mais... Você sabe. Desde que fizemos as pazes, eu e você.
— Não estamos. – informou, apesar de saber que isso só dificultava explicar porque raios o sutiã estava ali. E diabos, ela não tinha que explicar nada. Era constrangedor, para dizer o mínimo, quase preferia falar que tinha deitado com Tara na noite passada.
Oliver no entanto estava alheio ao seu dilema interno, observando a peça de lingerie em sua mão pensativamente. O polegar dele esfregava a superfície sedosa do tecido do mesmo jeito que Bervely fizera há algumas noites.
— Vista pra mim. – ele pediu por fim.
— O quê?
— É bonito. – deu de ombros, sério. – Coloque pra mim, quero ver como fica em você.
Ela o encarou um momento, tentando descobrir se ele estava falando sério. Como pareceu que sim, Bervely se ajoelhou na cama e abaixou a parte de cima da camisola lentamente. Ela desejou que ele não prestasse atenção em seu braço, mas nem precisava ter se preocupado, pois Oliver só tinha olhos para seus seios. Ele assistiu enquanto ela vestia a peça e ajeitava-se nela, aproveitando–se do fato de que ela e Tara vestiam quase o mesmo tamanho no busto.
O grifinório a puxou de volta para a cama, envolveu seu seio com uma mão, deslizando os dedos fortes pela renda, depois puxando a taça só um pouco para baixo e liberando seu mamilo. O olhar faminto dele tinha correspondência direta nos apertos de seu ventre, então Oliver chupou o bico eriçado e cor de rosa escuro, movimentos circulares de sua língua, fazendo Bervely deixar escapar um lamento surpreso e involuntário.
— Continue o que estava fazendo antes. – pediu em seu ouvido, rouco, pontuando com uma mordidinha no lóbulo de sua orelha. Ela, ainda um pouco alterada, liberou uma mão, a qual correu pela coxa musculosa, procurando uma brecha para o caminho da virilha. Ele afastou o quadril o suficiente para a mão dela passar, então primeiro seus dedos, depois a palma, fizeram contato com o membro rígido. Ele ofegou quando ela o apertou gentilmente, no movimento mais lento para cima e para baixo. – Minha nossa, Rose, isso é tão bom...
Bervely se inclinou para beijá-lo enquanto o masturbava devagar, desfrutando de cada ofegar que arrancava dele. Com a mão livre, Oliver se ocupou em desbravar a parte inferior de sua camisola, que ela ainda vestia, os movimentos um pouco erráticos. Escorregou os dedos por debaixo de sua calcinha ao mesmo tempo em que Bervely apertava a glande escorregadia e macia. Ele a encontrou muito molhada, derretendo só por estar em contato com ele e segurá-lo em sua mão. Oliver deslizou o indicador pelas suas dobras antes de penetrá-la, soltando um palavrão quando ela se ondulou, fazendo-o entrar mais fundo.
Eles ficaram alguns minutos perdidos por completo na carícia mútua, até Oliver achar que não aguentaria mais muito tempo sendo friccionado pela mão macia, roçando contra ela, sentindo em torno dos dedos da própria mão as paredes de sua vagina se apertarem.
— De costas. – mandou em seu ouvido, segurando a mão dela longe de seu membro, antes que ela causasse um estrago. Ela rolou sobre o estômago sem resistência, dando as costas para ele, o cabelo solto escorrendo pelos ombros enquanto tentava ver o que o grifinório planejava.
Oliver beijou seu pescoço, correndo a mão do topo de sua coluna até as nádegas que ela virava para ele. Ela tinha costas graciosas, adornadas pelo elástico delicado do sutiã, o sulco da coluna fundo e bem marcado, uma curvatura estreita na cintura e alargando-se nos quadris bem redondos. Enterrou os dedos entre as nádegas, procurando a umidade deliciosa de sua vagina de novo, adorando como ela se empinava em resposta ao seu toque.
— Hum, parece que não fui o único que acordou cheio de vontade, né? – ele se divertiu, vendo–a afastar as pernas e se oferecer para ele, tentando–o com a carne tenra e rosada de sua intimidade. – O que você quer, Rose?
— Você sabe o que eu quero. – ela reclamou, um pouquinho transtornada com a pirraça. A necessidade de ter algo mais substancial que os dedos dele se enterrando dentro dela só crescia a cada movimento, e ela não pretendia implorar nem nada, mas ele a deixava louca com toda a provocação.
— Não sei não. Meus dedos? Minha boca? – seguindo a própria sugestão, ele se inclinou e a lambeu ao redor dos grandes lábios, longe o bastante da área de interesse para que ela soltasse um gemido frustrado. – Meu deus, você empinada desse jeito, que coisa mais deliciosa...
A língua quente fez contato com o clitóris inchado dela, que ele estava negligenciando até o momento, e Bervely sentiu os joelhos ficarem fracos, ao mesmo tempo em que uma deliciosa onda de prazer explodia em seu interior, deixando tudo ainda mais lubrificado e pulsante. Ele continuou fazendo movimentos circulares com a língua por ali até que ela gemeu um "Oliver, por favor!", que no fim das contas era tudo que ele queria ouvir.
Seus lábios se afastaram, ele deitou sobre ela, sustentando o corpo com um braço, e com o outro guiou o pênis para dentro, escorregando deliciosamente fundo e fácil, um rosnado de pura satisfação arranhando-lhe garganta afora. Ainda assim – especialmente porque se fosse rápido gozaria em dois segundos – ele fez questão de ser lento, saindo e entrando bem devagar, controlando-se.
— Wood! – reclamou Bervely, que a essa altura queria tudo menos lentidão. A pressão em suas entranhas estava doendo, pedindo por liberação, algo que só o atrito vigoroso daquele membro dentro e fora dela poderia resolver. Tentou ditar um ritmo, ondulando o quadril, mas ele se valeu da força física, usando a mão livre para pressionar o quadril dela contra a cama.
— Calma ai, gatinha. – pediu em seu ouvido, meio ofegante. – Pra que a pressa? Me sente entrando em você... Isso... Ah, Rose...
Ele se deixou pesar sobre ela, uma mão firme em seu quadril, controlando o vai e vem, a outra puxando seu rosto para o lado, para que pudesse beijar o canto de sua boca, seu queixo e o ponto atrás de sua orelha. Agora eles estavam se movendo juntos; a fricção era maravilhosa, assim como sentir todo o corpo dele pressionado sobre ela, mantendo-a completamente imóvel a não ser por onde seus corpos se uniam.
— Gosta assim? – perguntou em seu ouvido, a voz entrecortada. Ela assentiu, perdida e entregue, os olhos fechados. – Quer mais rápido?
— Quero mais forte. – murmurou, sabendo que era um pedido que o deixava louco, apesar da zombaria de mais cedo.
Ele obedeceu, metendo tão forte e tão fundo que ela rapidamente perdeu o senso de si mesma. O mundo se reduzia ao pênis de Oliver Wood entrando e saindo, mais nada importava. Ela apertou as pernas quando a sensação do orgasmo iminente foi crescendo, mordendo a mão dele com força quando aquilo explodiu, contraindo-a toda e depois relaxando-a de dentro para fora. Ele se retirou dela um segundo antes de gozar também, sêmen quente se derramando em esguichos em suas costas e nádegas.
Oliver se deitou ao seu lado, trêmulo com a intensidade do sexo. Bervely, que ainda formigava e flutuava, sentiu só com meio interesse o sêmen escorrer por sua cintura e ser absorvido pelo lençol. Seu coração se debatia no peito como um louco, do melhor jeito possível. Os dedos dele se entrelaçaram nos seus, acima de sua cabeça, e ela os acolheu, agradavelmente satisfeita.
— Essa foi por pouco. – ele disse depois de um tempo, o bastante para suas respirações se regularizarem. Bervely sabia que ele se referia a quase ter ejaculado dentro dela, ao que assentiu. Talvez fosse a hora de se render as poções contraceptivas, mesmo que isso envolvesse solicitá-las à Madame Pomfrey (que era a opção menos terrível do que ser pega por Severus, tentando prepara-la).
Sentiu que a atenção dele estava de volta ao sutiã de Tara, que ela ainda vestia. A expressão enigmática também retornara, algo que ela não entendia, queimando nos olhos cor de chocolate amargo.
— Não precisa ter ciúmes. – disse, chamando a atenção dele para o seu rosto.
— Fácil pra você falar. Ela provavelmente sabe fazer coisas que eu nem sonho em saber, só por ser uma garota. É competição injusta.
Bervely riu, o que provavelmente não era a melhor decisão no momento, a julgar pela expressão dele que se tornou ainda mais obscura.
— Não é uma competição. – garantiu, rolando os olhos para ele, que estava perto de fazer um bico amuado. – Olha, se o problema é esse, tenho certeza que Holmes estaria mais do que contente em lhe ensinar um truque ou outro.
— Não tem graça, Rose. Estou falando sério. – Sim, lá estava o bico. Ela se segurou para não se inclinar e mordê-lo.
— Eu também.
Ele fez uma careta nada satisfeita, olhando para ela de esguelha.
— Desde que você fique com o sutiã.
Ela sorriu, marota.
— Vou ficar com o sutiã, se gostou tanto dele.
— Ótimo. Ótimo.
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