Notas iniciais
Boa leitura... Comentem e tals...

Abri os olhos bem devagar. A primeira coisa que constatei foi: Não sentia nenhuma dor. Pensei que podeira estar morto porém o lugar em que me encontrava não poderia ser o céu nem o inferno, mas tampouco se parece com algum lugar em que eu tenha estado antes.

Estava deitado em uma cama de madeira escura, entalhada com diversas cenas de vida e de morte. Nas cobertas, que tinham um tom de vermelho como de sangue, apareciam rostos tomados pelo terror e pelo medo e que em seguida desapareciam para que outro rosto tomasse seu lugar.

Levantei-me rapidamente da cama, perplexo e um tanto horrorizado. Olhei à minha volta, o restante do cômodo era composto basicamente por uma lareira enfeitada com caveiras e rubis. Duas poltronas de veludo roxo estavam dispostas na frente da lareira aonde queima uma pequena e acolhedora chama artificialmente laranja. Em cada lado da cama havia um criado-mudo com um abajur preto.

Reparei também que não havia janelas no aposento, este era iluminado exclusivamente pela fraca luz da chama. A única saída visível era uma porta dupla de madeira, entalhada com uma grande rosa. Achei esse fato um tanto irônico lembrando-me das visões e sonhos com rosas que estava tendo recentemente.

As paredes de pedra davam um ar antigo e rústico ao quarto. Uma onda de conforto e felicidade momentânea tomou conta de mim, mas logo se foi quando eu me lembrei que não fazia a mínima ideia de como fui parar ali e imaginei como faria para dar o fora daquele lugar o mais depressa possível. Mas a sensação de nostalgia ainda me perturbava, como uma mosca que você luta para encontrar num quarto escuro.

Ainda estava distraído com o quarto quando, de repente, ouvi alguém bater na porta. Não respondi de imediato, estava pensando quem poderia estar do outro lado, mas quando a batida na porta se repetiu disse, ser pensar muito bem no que fazia:

– Entre — e no segundo seguinte estava me amaldiçoando pelo que acabara de dizer.

Então, um barulho de chaves. Eu estava trancado aqui? Perguntei-me. Logo em seguida, o som da porta se abrindo com um leve rangido. O que indicava que a porta não era aberta com regularidade.

Virei-me para encarar quem quer que fosse que estivasse ali. Sinceramente, esperava encontrar com o mesmo homem de capa negra e olhos rubros, por isso o que vi me deixou perplexo e até mesmo assustado.

Fechando novamente a porta e olhando em minha direção, estava uma garota de aproximadamente uns dezesseis ou dezessete anos, o que era dois ou três anos a mais que eu. Seus cabelos negros caíam em cascatas onduladas e brilhantes até o meio das costas. Ela usava um vestido com três camadas de saias, cada uma em um tom de roxo que ficava mais escuro à medida que descia. E seus olhos também eram roxos, um roxo intenso e acolhedor.

Eu devo ter ficado realmente com cara de bobo. Senti minhas bochechas ficarem quentes e torci para que ela não tivesse percebido. Ela era linda e sentia que ela me era familiar mais descartei rapidamente a possibilidade, novamente. o que está acontecendo comigo? Tudo aqui parece tão familiar e tão distante e desconhecido ao mesmo tempo.

Ela deve ter percebido que eu havia corado. Na verdade, só poderia ser sega, caso não tivesse percebido, pois eu provavelmente parecia um pimentão. A garota deu um leve sorriso par mim, mas ao tentar retribuí-lo tenho certeza de que ele ficou mais parecido com uma careta, pois o sorriso dela se alargou em um largo sorriso de divertimento e deu uma risada entretida que me deixou constrangido. Perecendo ler meus pensamentos ela se aproximou e disse com uma voz amigável e relaxante, como se um anjo falasse comigo e não uma garota:

– Não precisa ficar envergonhado pela minha presença Louis. Nós somos irmãos! — deu uma ênfase exagerada na última frase, falando lentamente para que eu entendesse melhor.

– Irmãos?- perguntei um tanto chocado com a notícia. -onde é que eu estou? Como cheguei aqui? E que história é essa de sermos irmãos?

Ela levantou a mão em um claro gesto para eu parar com tantas perguntas ao mesmo tempo. Respirei fundo e a fitei, ansioso por alguma explicação.

– Okay!– Ela disse quando eu me acalmei um pouco, seu olhar era atento, ela parecia me examinar e me medir com o olhar, como se esperasse alguma coisa. -sei que devemos algumas explicações já que a sua memória foi danificada por causa do convívio como os mundanos.- E percebendo que eu tomava fôlego para mais perguntas, continuou — Meu nome é Cassandra e assim como você sou filha do deus dos mortos. E a pessoa que você sempre via recolher as almas das pessoas é Dêniss e ele...

De repente a porta foi totalmente aberta e o garoto que tinha as feições iguais as minhas, usando uma calça jeans clara e uma blusa preta com uma foice estampada, apareceu e entrou no quarto sem ao menos ser convidado a fazê-lo.

– Pode deixar que eu mesmo me apresente, Cass.– Sua voz era um misto de divertimento e perversidade, como um daqueles bad boys de filmes. -eu sou Dêniss, mais conhecido como Morte pelos do mundo de cima– ele completou em tom enigmático.

– Dona Morte– caçoou Cassandra. -Você é conhecido como A Dona Morte– disse, tentando inutilmente manter a expressão neutra e logo em seguida caindo em uma gargalhada descontrolada. Pelo que parecia, ela não era muito boa em disfarçar suas emoções.

Dêniss apenas a ignorou e tive a nítida sensação de que eles já haviam discutido aquele assunto diversas vezes. Olhei atentamente para o rosto de Dêniss. Não conseguia acreditar em como ele se parecia tanto comigo, menos em alguns pequenos detalhes, como a cor dos olhos, a expressão tensa e enigmática, como uma máscara que escondia suas reais feições e algumas cicatrizes na pele exposta do braço e no rosto.

– Enfim.- Continuou. -você deve ter percebido que você é muito parecido comigo fisicamente, exceto pelos seus olhos que são prateados. Percebeu isso, não percebeu?

– P- percebi sim.- Consegui dizer com a voz quase falhando. -o que não entendo é por quê?

– Isso é simples!– respondeu Cassandra feliz por voltar à conversa — É porque vocês são demônios Gêmeos mas você não pode...

– Cass!- advertiu Dêniss levantando uma das mãos, fazendo sinal para que ela parasse de falar -Papai falou para não lhe contarmos sobre o ocorrido. — voltou-se novamente para mim — e que deverá descobrir por conta própria.

– Está bem. Eu não irei contar mais nada.- Ela então se virou para falar comigo. -por hora você deve ficar aqui e descansar. Mais tarde nosso pai lhe fará uma visita
Cassandra se aproximou e me deu um beijo na testa. Logo em seguida desapareceram em meio às sombras.

Aquilo tudo tinha sido realmente muito estranho. Será que comera alguma coisa estragada naquela manhã e isso era um pesadelo causado pela comida estragada? Fiquei encarando o fogo por algum tempo, tentando lembrar de alguma coisa que tornasse tudo isso menos real. Aquele termo, "mundano", já tinha visto aquilo em alguns livros, como os instrumentos mortais, será que estava sonhando com aquilo?

Com os pensamentos de volta ao quarto, percebi que havia uma bandeja em cima da cama. A bandeja continha um copo vazio, e um prato com caldo que, pelo cheiro, estava delicioso. T também havia um bilhete preso sob o copo. Dizia:

“desculpe não poder explicar tudo direitinho pra vc
Mas vc tem que descobrir sozinho. Ook? Aaah! Mais uma coisa.
Se quiser beber algo, apenas segure o copo e diga o nome da bebida
Bjs de sua maninha Cass!!”

Só pode ser brincadeira, agora quer dizer que o copo é como os do acampamento para semideuses daquela saga do Percy Jakson...

Peguei o copo na mão. Ele me parecia um copo de vidro comum. Mesmo parecendo meio bobo, ergui o copo e disse para o nada iogurte de morango. Na mesma hora, um espírito surgiu da parede e encheu o meu copo com iogurte de morango.

Tenho que admitir que meu sangue congelou por um segundo. Quando me recuperei do susto, dei um gole na bebida rosada que estava segurando. Em menos de vinte minutos eu já havia terminado o maravilhoso caldo que estava na badeja bem como outros quatro copos de iogurte.

Como estava muito cansado, deitei-me na cama e antes de cair em sono profundo um pensamento dançou em minha mente:

O que estou fazendo aqui?

Notas finais
Espero que tenham gostado, qualquer erro de português, me desculpem ( e me avisem para eu corrigir)