Rosas do Fogo
1 Lyanna
Notas iniciais
O dia estava límpido e frio. Os ventos fortes da noite se sessaram pela manhã gelada. Não havia pássaros no céu ou cães latindo. O inverno não era forte, mas Winterfell era sempre frio, o sol aparecia entre nuvens, quase nunca tinha sol. Mas não podia se dar ao luxo de reclamar. Os grandes invernos são muito piores. Invernos que, às vezes, que poderia durar uma geração inteira. Assim como muitas pessoas rezavam pelo Grande Verão, há quem diga que depois dele o Grande Inverno viria. E esse era o lema da Casa Stark: O inverno está chegando. Eles como qualquer outra grande casa tinha seu lema. O lema dos Stark era o de longe o grande temor de muitas pessoas.
Sentada no parapeito da janela na ponte coberta entre o armeiro e a Torre Grande, Lyanna observava o treino da manhã, os mais jovens treinavam hoje, mas via Brandon, que já não era mais rapaz, treinando em um canto do pátio. Via Sor Rodrik Cassel, o mestre das armas, gritar para os rapazes ajeitarem suas posturas na hora da luta. Todos usavam grandes casacos de couro ou peles de urso para se proteger do frio.
Poderiam estar em um inverno, mas não poderiam deixar de fazer suas tarefas. Trocaria sem pestanejar, as agulhas de costura por uma boa espada, afiada para acertar seus alvos. Prenderia Septã Graz na Primeira Fortaleza se fosse pedido caso pudesse participar dos treinos. Seria um alívio para muitos, para Lyanna principalmente, se a velha septã sumisse por um tempo.
Sentia falta de suas fugas com seu irmão mais novo, Benjen, para um lugar onde os dois pudessem treinar seus vários golpes de espada. Mas agora vivia enfurnada em uma sala junto com Septã Graz e outras mulheres fazendo variados tipos de panos e bordados. “Uma boa esposa é aquela que sabe fazer o melhor bordado” dizia a septã.
Lyanna conseguiu fugir por um tempo da sala da costura. Passando pelo buraco da parede que tinha do lado da sala de costura no corredor estreito do primeiro andar. Aproveitou que a velha Septã fora buscar mais linhas de costura e que as outras mulheres estavam distraídas e saiu correndo da sala. Mas não iria demorar até Septã Graz descobrir sua emboscada e a procurar por todo canto.
Viu seu irmão Brandon dando vários golpes na direita e esquerda, em cima e em baixo, no boneco de madeira. Ele era um dos melhores espadachins de Winterfell. Lyanna seria tão boa quanto ele, se o seu pai permitisse que ela tivesse uma espada, que usasse um escudo e que pudesse montar em um cavalo para uma luta.
— Lyanna, Lyanna, Lyanna! – Lya ouviu os chamados da septã no pátio e saiu correndo da janela.
Chegou corada e sem fôlego ao grande pátio. Onde encontrou a velha septã raivosa a sua espera.
― Quanta vez terá que lhe dizer que precisa terminar seu bordado antes de sair da sala, e tem que ser com a minha permissão? – disse a septã aos sussurros e bastante raivosa.
Benjen, que se estava com um arco na mão ao nosso lado, abafou seu riso, olhando para irmã com graça. Lyanna o olhou com raiva e respirou profundamente e respondeu a septã que parecia agora um cão raivoso:
— Desculpe Septã estava ferrando os cavalos nos estábulos como uma boa dama deve fazer – Lya respondeu tentando controlar o tom de descrença e a septã lhe lançou um olhar raivoso.
― Já é uma moça Lyanna para ficar fazendo esses tipos de gracinha. Ande vá terminar seu bordado! E contarei ao Lorde Rickard o que a senhorita anda aprontando – Lya acompanhou a septã, mas antes deu um pontapé em Benjen que soltou um grunhido de dor.
A cada ponto de Lya seu trabalho ficava mais torto. Tinha que se controlar para não enfiar uma das agulhas na septã, que a olhava reprovando seu trabalho. Desfez mais uma vez a remende e começou novamente a refazê-lo.
— Vá com calma, não tenha pressa. Um bom bordado se faz com calma e paciência – disse Luísa Halen, filha de um ferreiro de Winterfell e a pessoa mais íntima em que Lya poderia conversar naquela sala.
― Odeio bordar, odeio tudo isso – sussurrou Lya olhando por toda a sala. E mantendo um olhar cuidadoso na septã para que não perceba sua conversa com Luísa.
— Sei disso. Mais uma boa esposa tem que saber fazer as melhores remenda – disse ela terminando seu bordado magnifico e começando outro. Parecia à velha septã falando daquele jeito. Lembraria que tinha que trancar não apenas a septã mais a Luísa também, colocar as duas na Primeira Fortaleza.
Lya revirou os olhos e olhou para o próprio bordado. Não há agradava a ideia de casar com um homem a qual não ama muito menos querer fazer os caprichos de seu futuro marido Robert Baratheon.
Robert foi o primeiro filho de Senhora Cassana Estermont e Lorde Steffon Baratheon. Ele nasceu na sede da família Baratheon, em Ponta Tempestade. Sendo criando no Vale Arryn desde criança. Quando ele ainda era jovem, Robert e seu irmão Stannis, viram como seus pais morreram em um naufrágio à vista de Ponta Tempestade, tornando Robert o Senhor de Ponta Tempestade.
Já fazia alguns meses em que Lya se desposara de Robert. Já o virá várias vezes quando Ned vinha visitar a família. E nunca gostou muito de Robert. Lya lembra que na noite em que ficou noiva de Robert confessou a Ned, mais tarde naquela noite, o que achava sobre Robert.
“Robert nunca se limitará a uma cama – disse Lyanna com amargura – Ouvi dizer que fez um filho em uma moça qualquer no Vale.
Nos olhos de Ned dava para perceber que Lya estava certa.
— Sim, ele tem uma filha no Vale. Há segurei em meus braços quando nasceu. – confessou Ned – Mais nada do que aconteceu antes importa Lya. Ele fez uma promessa, o que aconteceu antes não importa. Conheço Robert, ele é um homem bom e fiel. Irá ama-la de todo o coração.
― O amor é doce, querido Ned, mas não pode mudar a natureza de um homem – disse-lhe tocando seu rosto enquanto sorria com ternura a ele”.
— Senhorita Lyanna – chamou Septã Graz.
― Sim?
— Seu pai lhe chama no Torreão do Meistre Luwin – disse a septã. Assim que saiu de vista saiu correndo até o Torreão.
Parou em frente na porta de carvalho do Torreão do Meistre. Assim que entrou encontrou o pai, Lorde Rickard Stark, Senhor de Winterfell. Seu irmão Brando, o herdeiro de Winterfell, e seu irmão mais novo Benjen. E o Meistre Luwin, o conselheiro de todos que existem em Winterfell. Os quatro se encontravam em pé no meio do Torreão.
― Mandou-me chamar pai? – perguntei entrando na sala e ficando perto de Bran.
— Sim, por favor, Meistre Luwin – disse Lorde Rickard indicando ao velho Meistre.
― Sim meu senhor – o Mesitre pegou de suas vestes um pergaminho e começou a lê-lo – Os números de Winterfell continuam normais, não tivemos muitos gastos. Os fazendeiros da Vila de Sal pedem por mais segurança, já que vândalos andam atacando suas hortas. O jantar para o senhor Roose Bolton acabou com o pouco de comida do que tínhamos no armazém Mas os alimentos para a viagem já estão guardados. Teremos que abastecer o armazém rápido.
— Que viagem? – perguntou Benjen olhando para o pai.
― Recebemos uma carta hoje pela manhã de Lorde Walter Whent de Harrenhal das Terras Fluviais, ele está organizando o Torneio da Falsa Primavera, em honra de sua filha. Qualquer um pode competir, e no final o grande guerreiro coroara a Rainha do Amor e da Beleza, um título que é pertencente ainda da filha de Lorde Whent – disse Rickard olhando para os três filhos, mas parando seu olhar em Bran.
Antes que qualquer um se pronunciasse, Bran andou para perto do pai.
— Irei competir, mostrarei toda minha força meu pai – disse Bran com orgulho.
― Sei que irá – disse seu pai – Mas quero que Benjen vá com você.
Benjen abriu um sorriso e Lya fechou a cara.
— Não irei ao torneio? – perguntou ela ao seu pai.
— Não – disse Lorde Rickard inspirando profundamente – Chamei você aqui porque quero lhe avisar que seu casamento já está marcado. Casará logo após o casamento de Brando com Catelyn Tully, o que deve acontecer em menos de um ano e meio. Irá se casar aqui mesmo em Winterfell, Robert fez a gentileza de deixa-la se casar em sua terra natal e logo depois irá para Ponta Tempestade onde se tornara a Senhora Baratheon. E também para lhe falar que a partir de amanhã ficará responsável pelos números de Winterfell. Tem que aprender a administrar uma casa.
Raiva e injustiça se apoderaram de Lyanna. Não era justo. Brandon, Eddard e Benjen podiam tudo. Eram homens, isso é notável, mas queria ter essa liberdade como os outros. Sentia inveja quando via seus irmãos ganhando espadas, armaduras e sempre parabéns por seus golpes espetaculares. Ela ao contrario ganhava panos, agulhas e reclamações de Septã Graz por causa de seus pontos tortos.
— Se me permite meu lorde – começou a falar Meistre Luwin – Acho que seria bom à senhorita Lyanna acompanhar Brandon e Benjen a Harrenhal.
— Por que acha isso Meistre? – perguntou o pai de Lya.
— Como disse o casamento irá acontecer em dentro de alguns meses. E senhorita Lyanna precisa conhecer mais sobre seu futuro marido. Lorde Robert irá participar do torneio, acho que os dois podem se conhecer melhor nesta ocasião.
Lyanna ficou feliz por dentro. Muitos conselhos de Meistre Luwin seu pai concordava.
— Acho que está certo Meistre. Lyanna poderá ir ao torneio. Terá bastante tempo para aprender a lidar com as despesas – disse Lorde Rickard e Lya sorriu, lembraria que tinha que dar um beijo no Meistre antes de ir. – Eddard irá também, descera direto do Vale. Vocês partiram em três dias, junto com uma guarda.
— Não irá nos acompanhar? – perguntou-lhe Ben.
― Não. Sempre tem que ter um Stark em Winterfell – disse Lorde Rickard por fim.
Lyanna sempre gostara do Jardim de Vidro. Uma estufa onde são cultivados frutos, verduras e flores. Sempre que podia ficava horas sentadas na estufa, apreciando dos frutos doces e das verduras saborosas, mas principalmente sentir o perfume das Rosas Azul do Inverno. Seu cheiro doce e sua cor azul como geada era um encantamento, era uma maravilha observá-la e senti-la. Desde pequena fora sua flor favorita. Cuidava ela mesma dessa preciosidade. Em seu quarto sempre tinha uma Rosa do Inverno para decorar as paredes frias de pedra.
Estava na entrada da estufa com uma Rosa Azul do Inverno em sua mão. Era o que fazia quando ficava sozinha, horas e horas olhando para o nada, apenas acariciando em sua mão a bela rosa. Às vezes, quando era pequena, ela e Ben traziam a Velha Ama até as estufas onde os três saboreavam dos frutos. Mas gostava quando iam para o quarto dormir. E a Velha Ama contava mais um de seus contos.
Ela e Benjen passavam horas sentadas aos pés da Velha Ama em seus aposentos. Ouvindo suas histórias. E sempre impressionados com as histórias o Desembarque de Aegon, os filhos das florestas e até mesmo as histórias aterrorizantes como o conto dos Outros. Adorava olhar para o rosa enquanto ouvia os contos.
Lembrava-se dos dias, em que logo após um passeio no Jardim de Vidro, seu irmão Bran a buscava montado em seu formoso cavalo trazendo consigo a égua de Lya. Cavalgavam por todas as redondezas de Winterfell, até o dia virar noite e regressarem para casa. Tanto ela quanto Bran eram conhecidas em Winterfell por serem metade cavalo. Os dois sabiam cavalgar como ninguém. Lya limitava a dizer que tinha o sangue-lobo, assim como seu irmão. Aprenderá com ele a cavalgar. Mas agora Bran se tornava muito mais ocupado, cuidando ao lado do pai assuntos sobre Winterfell. Teria que se limitar apenas a Benjen, assim que Bran se cassasse com a filha de Lorde Hoster Tully de Correio, a jovem Catelyn Tully, sua vida se tornaria muito mais ocupada. Assim como a de seu outro irmão Eddard.
Havia um bom tempo que Lya não via seu irmão Ned. Aos oito anos o rapaz fora mandado ao Vale Arryn para ser criado por Lorde Jon Arryn. Foi onde Ned conheceu Robert Baratheon, a qual os dois se tornaram amigos rapidamente. E Lorde Jon, que não tinha filhos, os acolheu como seus filhos. Sempre que podia Ned descia do Vale para visitar sua família em Winterfell. E foi em uma dessas visitas em que ele levou Lorde Robert e o apresentou a família. Desde aquela época Robert tentava encantar Lya, e Lorde Rickard aceitou depois de um tempo a desposa-la com Robert. Para sua infelicidade.
— Pequena loba – ouviu a voz de Brandon a chama-la, seu apelido desde pequena. Parecia que tinha voltado à infância. Bran montado em seu garanhão trazendo a égua de Lya logo atrás. A égua negra e formosa estava selada, e pronta para ser montada.
Lya correu até a égua e montou. Sorrindo.
― Vamos dar um volta – disse Bran correspondendo ao seu sorriso e começando a cavalgar rápido. E Lya o seguiu.
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