Notas iniciais
Oioioi!
A fic está acabando, pessoal. Esse é o penúltimo capítulo, olha que lindo.
Espero que os leitores já tenham visto o anime todo, pois facilitará muito o entendimento do último capítulo, que será o próximo.
Sem mais delongas,
boa leitura.

Michael agora esperava pela minha resposta, observando atentamente minha expressão. Ele estava se divertindo com minha confusão, e eu sabia perfeitamente bem disso, mas não podia evitar. Não conseguia dar uma resposta imediata, mas precisava fazer alguma coisa. Encarei furiosamente seus olhos escarlates e disse com firmeza:

Rose: Eu aceito.

Ele sorriu, exibindo todos os dentes e fazendo a expressão mais cruelmente maligna que eu já tinha visto em toda a minha vida. Saiu de perto de Lily, e eu torci para que ela saísse correndo, mas ela estava paralisada. Olhava diretamente para mim, e seus olhos pediam para que eu não fizesse aquilo, em pânico.

Michael andou até mim e passou suas imundas mãos sujas de sangue em meus cabelos. Torci o nariz para demonstrar desprezo, mas tudo o que ele fez foi rir.

Lily: PARE!

Ignorando-a, Michael e eu ficamos cara-a-cara. Por um instante, encarando de perto aqueles cruéis olhos vermelhos como sangue, respirando a respiração dele e sentindo seu calor, achei que Michael fosse fazer algo desagradável como me beijar, mas tudo o que ele fez foi aquilo; encarar-me. Seu sorriso se desfez do nada e se transformou numa careta.

Saindo de perto de mim, Michael olhou para a porta.

Ali estava ele; Sebastian Michaelis. Seu terno estava rasgado e ele estava coberto de sujeira e arranhões, mas ainda era sombriamente lindo com aqueles fios negros bagunçados e olhos vermelhos em chamas. A luz que vinha do lado de fora da casa fazia com que ele parecesse, por mais contraditório que fosse, um anjo.

Michael: Como você...?

Ele se engasgava com suas palavras, furioso.

Sebastian: Como eu poderia me considerar um mordomo da família Phantomhive caso não conseguisse sequer me soltar de correntes como aquelas?

“Ele acha que o que acabou de dizer é algo normal?!” perguntei-me em pensamentos, extremamente aliviada com a aparição dele. Sem dizer uma palavra, Michael se lançou para cima dele, e eu corri imediatamente na direção de Lily, puxando-a para perto de mim.

Lily: Rose...

Rose: Vamos sair daqui, rápido!

Lily: Eu achei que você fosse... Achei que... Fosse perder você...

Rose: Não temos tempo para sentimentalismo, por favor, CORRA!

Para tirá-la do momento de choque, sacudi um pouco minha irmã. Ela assentiu e se levantou com as pernas bambas, desajeitava. Desesperada e puxando Lily comigo, abri uma das janelas com força e deixei que ela passasse primeiro. A porta estava bloqueada pelos dois “monstros” que lutavam.

Lily correu para fora da mansão, e eu, antes de ir também, olhei para Michael e Sebastian, jogando talheres um contra o outro furiosamente, agora se dirigindo para o centro do salão.

Rose: Ér... Obrigada, Michaelis.

E com isso, saímos correndo pelo jardim da mansão River. Só agora eu havia notado, mas já estava de manhã. Perguntei-me onde estariam Ciel e Elizabeth, mas logo minha resposta foi respondida.

Ciel estava parado na porta da mansão, preocupado e pálido como leite. Não vi Elizabeth, então supus que ele a havia deixado sob os cuidados de alguém –talvez Grell–. Mas cancelei a hipótese ao lembrar que o ruivo provavelmente estava ajudando Sebastian lá dentro.

Antes que eu pudesse me aproximar dele, uma visão me assustou.

Porém, a reação de Lily foi pior do que um susto.

Ela soltou um grito horrível, desesperador, e doloroso de se escutar, pois bem na sua frente, estava Christopher Klein jogado no chão com a garganta completamente perfurada e a barriga com um profundo corte. Os dois olhos estavam abertos, e ele estava extremamente branco. Sem nem mesmo checar, eu sabia que ele não estava respirando.

Ao ouvi-la, Ciel virou-se para nós e apenas abaixou a cabeça; com certeza ele já tinha visto-o. Lily se jogou no chão, chorando ruidosamente. Eu sabia que Christopher era importante para ela; ele havia salvado sua vida, e eu tinha minhas suspeitas sobre os sentimentos que um nutria pelo outro, porém agora ele estava...

Ciel: Ele está morto.

A voz do jovem conde era dura e contida, mas eu podia sentir um mínimo tom de lamento nela. Sem saber o que dizer, abaixei-me ao lado de Lily e toquei de leve seu ombro.

Eu não me senti triste; senti ódio. Puro ódio, pura ira e pura vontade de destruir aquele que havia causado tanta dor á minha irmã; Michael Klein. De alguma forma, eu sabia que a culpa era dele. A raiva avassaladora que eu sentia naquele momento era impossível de ser descrita.

Fechei meus punhos com tanta força, que depois de alguns instantes avistei sangue na palma de minha mão e embaixo das unhas. Aquele homem, aquele desgraçado, matou o próprio irmão. Eu jamais iria perdoá-lo, e o faria pagar.

Ciel ficou de pé e se aproximou de nós em silêncio. Em seguida encarou com seriedade aquela mansão. Ele já estava sem o tapa-olho, então simplesmente chamou “Sebastian” numa voz alta e clara.

Quando olhei para a porta da mansão, esperando a aparição do mordomo, senti uma imensa mistura entre surpresa e satisfação; na mão do mordomo Michaelis, havia a decepada e ensanguentada cabeça de Michael Klein. Ele estava com os olhos abertos e com uma expressão assustada. Eu não sabia se virava o rosto ou se começava a rir.

Optei pela segunda opção. Ignorando a tudo e a todos, comecei a rir com vontade. Gargalhei com amargura e libertando como um veneno, todo o ódio que eu tinha contra Michael e deixando evidente para todos o prazer que eu sentia ao ver que ele estava morto.

Um pouco surpreso, Ciel deixou escapar um pequeno riso.

Ciel: Vocês não vão recuperar Christopher Klein; mas sentiram-se melhor ao ver que o culpado estava morto. Por isso desisti de meu futuro e me agarrei ao passado; para me sentir como vocês estão se sentindo agora.

Ainda rindo, pensei um pouco sobre o que ele havia dito. De certa forma, eu discordava e concordava ao mesmo tempo, mas preferi ignorá-lo e continuar a desfrutar de minha amarga diversão. Lily encarou aquela cabeça como se fosse o ser mais repugnante de toda a terra, e em seguida, pôs-se a rir juntamente comigo.

Risadas amargas e venenosas.

Rimos até perdermos o fôlego. Ciel apenas olhava distraidamente para aquela mansão repugnante, que por mais linda esteticamente que fosse, aos meus olhos já não tinha mais nada de bonita.

Grell Sutcliff apareceu por trás de Sebastian com sua motosserra completamente encharcada de sangue. Ele fez uma careta ao encarar aquela cabeça decepada; provavelmente Michael era nojento aos olhos de todos, agora.

Ciel: Como vocês o mataram?

Grell: Um corte com uma deathscythe pode matar qualquer coisa; até mesmo um demônio.

Sorri ao imaginar Michael sendo decepado com uma motosserra. De repente, senti-me estranha ao notar que estava me divertindo ao imaginar cabeças ensanguentavas voando por aí. Um leve enjoo tomou conta de mim, e tentei respirar fundo, mas o cheiro de sangue não me ajudou em nada.

Ciel olhou diretamente para mim, e eu não consegui nem imaginar no que ele estaria pensando.

Foi quanto percebi uma coisa; Christopher estava morto, River havia sido assassinado por um desconhecido e Michael dissera que havia “se livrado” do assassino. Isso provavelmente queria dizer que...

Rose:... Acho que Christopher mantou o conde River...

Sem dar importância ao que eu disse, Lily se deitou ao lado do corpo de Christopher e tocou de leve seu rosto. Ciel e eu viramos o rosto imediatamente; nenhum de nós queria ver uma garota lamentando a perda de seu amado, imaginei.

Ciel: ...A mansão era de River e ele está morto. Todos pensam que vocês são filhas dele; foi justamente por isso que ele mandou Lily para aquela festa do incêndio, para que todos soubessem. Em outras palavras, a mansão agora é de vocês.

Arregalei os olhos. Aquilo era verdade; graças ao plano malsucedido do Conde River, eu e Lily agora éramos consideradas as filhas órfãs dele. Agora tínhamos um título, nobreza, e uma mansão. Tudo falso, mas ninguém sabia.

Olhei para Lily, que me fitava com a mesma expressão de incredulidade.

O que eu deveria fazer?

Decisões, decisões... Odiava ter que tomar tantas decisões. Será que River não podia ter escolhido outras órfãs para fingir que era pai? Se bem que não era tão simples... Mas deixando isso de lado...

Eu deveria voltar para minha casa antiga? Lutando para pagar impostos, para comer, lidando com aquelas pessoas ruins e cruéis...

Ou ficar nesse lugar horrível, onde vi a pessoas morrerem, sendo sequestradas, e onde tomei conhecimento sobre a existência de... Demônios.

Olhei para Ciel e olhei para Sebastian. Olhei para Lily, olhei para Christopher. Nobreza. Pobreza.

A qual deles eu deveria pertencer, afinal?

~Continua...

Notas finais
Etto...
Até o próximo, pessoal.