Rosas E Lírios
19 Kagayaku Sora No Shijima Ni Wa
Notas iniciais
Boa leitura!
Muitos anos depois...
(Lily)
A neve caía fina e gelada, linda aos meus olhos, pura.
Toquei a janela com meus delicados dedos e observei meu anel. Um anel detalhado, de prata, com uma enorme e redonda pedra verde. O toquei com tristeza.
Fechei meus olhos e segurei minhas próprias mãos próximas ao meu coração.
Sentia-me solitária.
Aquele anel tinha uma cor terrível, pois ele me lembrava dos olhos dela.
Sentia falta da minha irmã.
Toquei meu rosto deformado com tristeza. Por que eu estava sozinha agora? Uma lágrima quente atravessou minha face.
Alguém bateu na porta.
Apenas murmurei um “entre” desanimado, pois não tinha a mínima vontade de falar, não queria nem ouvir minha própria voz.
Meu mordomo, August, entrou no recinto silenciosamente, como se numa espécie de luto.
August: Está na hora, senhorita.
Fitei novamente a neve.
Lily: Sim, eu estou indo.
Andei lentamente até a porta, olhando-me uma última vez no espelho. Um vestido impecavelmente verde, verde esmeralda, brilhante, vivo. Esta cor parecia me perseguir.
Segui meu mordomo ao meu destino, o lindíssimo salão da mansão River, agora decorado de branco, dourado e tons de creme. Eu não seguiria tradição “uma cor de cada vez”, obviamente.
As pessoas do salão pareciam felizes, animadas. Eu mal os conhecia, com a exceção de uma pessoa. Sebastian Michaelis. Ele foi o primeiro a passar por meus olhos, mesmo estando bem misturado á multidão.
Ele se aproximou de mim como uma sombra, bem como eu sabia que ele faria, quase imperceptivelmente aos olhos de todos. Trajava um sobretudo negro, assim como o chapéu que fazia sombra em seu belo rosto.
Sebastian: Feliz aniversário, senhorita River.
Olhei para meus pés, infeliz.
Ele tirou algo do bolso, uma caixinha vermelha com um lindíssimo laço da mesma cor, porém num tom mais forte e mais brilhante. Toquei a caixinha como se fosse algum tipo de relíquia e olhei para Sebastian, que me fitava com os orbes vermelhos.
Sebastian: Da senhorita Rose.
Eu sabia de quem era.
Assenti agradecendo, com uma sincera vontade de sair correndo dali para abrir o presente longe de todas aquelas pessoas, mas eu sabia que não podia.
Michaelis saiu de perto de mim rapidamente assim como apareceu, como uma espécie de vulto negro.
Entreguei a caixa ao mordomo August, fazendo um sinal para que ele fosse guardar.
Assim que ele se retirou, observei aquelas pessoas.
Falsos.
Poucos deles verdadeiramente me conheciam, e estavam ali, como se fossem meus amigos.
Reconheci de longe, outra pessoa conhecida. Elizabeth Middleford. Fiquei realmente surpresa com o fato de ela ter comparecido... Odiava aquela mansão, o que era perfeitamente compreensível.
Eu nem mesmo queria falar com ela, pois sabia que a mansão River a fazia se lembrar de Ciel, que aparecera para salvá-la.
Há quantos anos ele estava “morto”? De qualquer forma, ela jamais superou a perda dele... Talvez jamais superasse.
Meu aniversário... Meu tão infeliz aniversário...
Não só meu, claro.
~*~*~
(Narração)
A carruagem se movia ao pôr-do-sol. Era uma paisagem linda, o céu rosado e as nuvens em tons alaranjados.
Uma garota de rosto pálido observava da carruagem os pássaros voando de volta á suas árvores, numa espécie de toque de recolher.
Chamando sua atenção, uma mão fria a tocou no ombro. Ciel Phantomhive a observava, sério como sempre, com seus belos olhos escarlates (considerando que um deles estava coberto).
Rose:... O que foi?
Ciel: Quantos anos você está fazendo hoje?
Rose ergueu uma das sobrancelhas.
Rose: Como sabe que hoje é meu aniversário...?
Ciel: Você mandou um presente para Lily. Vocês são gêmeas.
Rose:... Está bem, foi uma pergunta idiota. De qualquer forma, são 16.
Ciel: Certo...
Rose: Daqui á uns meses, você também fará 16.
Ciel: Pretende ficar contando sua idade pela eternidade?
Rose: Só até quando eu me lembrar de que dia 23 de agosto é meu aniversário. Talvez futuramente eu acabe me esquecendo.
Ciel: Certamente.
Rose:... Não sente falta das pessoas que deixamos em Londres...?
Ciel: ...Você sente?
Rose fechou seus olhos verde-esmeralda, como se fosse pensar no assunto. Porém, seu coração parecia gritar por um “sim”, apesar de que sentia falta de somente uma única pessoa... Uma única pessoa que não viveria pela eternidade.
Uma pessoa que, após alguns insignificantes momentos que seriam sua vida, já não passaria mais de uma mera lembrança, uma farpa no coração negro de Rose.
Um coração que nunca esquece... Um coração que não perdoa... O puro rancor. Rose Bringwood jamais esqueceria o ódio e o desespero que sua passada vida em Londres havia lhe causado.
Deixara a irmã na esperança de que a mesma pudesse viver ali uma vida afortunada, passageira, e, uma coisa que ela já não podia mais ter, que seria a luz. Uma vida iluminada, a vida iluminada que Lily parecia merecer ter.
A luz deixara Ciel. A luz deixara Rose. Isso lhe causava uma silenciosa dor, e não desejava o mesmo para uma das únicas pessoas a quem Rose chegara a amar de verdade.
Vendo que o Phantomhive ainda esperava por sua resposta, Rose decidiu mudar de assunto. Não queria falar da irmã, e não queria falar dos anos que pareceriam jamais passar e que ao mesmo tempo passariam em segundos.
Rose:... Para onde vamos?
Ciel olhou para o teto da carruagem, sereno, e calmamente como se fosse dormir, foi fechando-os e cobrindo-os com aquela cortina de longos e belos cílios.
Ciel: Qualquer lugar.
“Qualquer lugar...” as palavras dançavam na mente de Rose.
“Vamos para qualquer lugar... E será assim para sempre...” pensou ela, fechando também seus olhos verdes.
Mas nenhum dos dois jamais dormiria novamente.
Fim.
Notas finais
1- O aniversário de Lily e Rose é dia 23 por que é o aniversário de uma pessoa que eu conheci, e que faz aniversário nesse dia *-*
2-Sobre o final... Então, eu espero que já tenham visto o anime todo, pois isso facilita bastante o entendimento, rs...
3-Pois é, queria saber o que acharam da fanfic, no final das contas!
Bom, muito obrigada por acompanharem e... Tchau, seus lindos! ♥
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