Rosas E Lírios

12 Corredores sombrios


Notas iniciais
ALELUIAAAA!!!
Consegui postar este capítulo sem que ele fosse deletado!
Eu ia fazer agradecimentos, mas não dá tempo, estou sendo apressada!
Mil perdões por tudo! Pela demora, etc.
Beijinhos.

(Narração: Lily)

Por algum motivo, eu estava vagando pelos corredores daquela enorme mansão, sem rumo nenhum. Minha irmã agora estava descansando em seu quarto, com a não tão agradável presença de Sandra ao seu lado, sendo obrigada a cuidar dela. Michael disse que se eu ficasse lá com elas, só iria me irritar com Sandra reclamando. E como eu conheço bem Rose, sei que ela também não ia gostar que eu a visse naquele estado um pouco... “Deplorável”, como ela mesma diria.

Então eu agora havia escapado de uma das aulas de piano, que o meu pai havia me mandado fazer. Acho que o piano tem um som muito bonito, porém meu professor não é lá dos mais agradáveis, e nenhum ser humano comum me culparia por fugir dele.

Toquei o lado direito do meu rosto. Eu fazia isso quase o tempo todo. Por algum motivo que eu não entendo, tocar as cicatrizes de queimadura em meu rosto me trazia uma sensação de felicidade. Talvez felicidade pelo simples fato... De que eu estou viva. Até agora não entendo bem, talvez porque não me explicaram direito, como na verdade eu saí daquela mansão inteira. Ou melhor, quase inteira. Um lado de meu bonito rosto, de certa forma, havia ficado lá.

Suspirei, perdida em meus pensamentos. Pelo menos Rose saíra ilesa daquele lugar. Michael me disse que ela havia invadido a mansão para me ver, e quando viu, a mansão estava pegando fogo. E ela entrou para me tirar de lá. Às vezes realmente acho que não mereço a irmã incrível que tenho.

E Christopher. Ele quase perdeu seu braço. Não gosto de pensar que foi minha culpa, mas sei que é a verdade. Quando uma das luminárias de vidro explodiu com o calor, ele se meteu bem na minha frente. Lembro perfeitamente dos pedaços de vidro saindo voando e entrarem em seu braço. Pareceu acontecer em câmera lenta, e isso, na verdade, é uma das poucas coisas que lembro com exatidão daquele dia. O mais estranho, é que, agora, eu não consigo parar de pensar em Christopher.

Mas deixando isso de lado...

Parei de andar e comecei a observar o ambiente ao meu redor.

Lily:... Onde é que eu estou?

Olhando em volta agora, acabo de notar que nunca passei por esses corredores antes. Como a mansão era enorme, isso não era de se surpreender, porém na maioria dos corredores que eu já tinha visto, havia pelo menos uma semelhança, que era a cor do ambiente, mas agora...

Os corredores eram de um tom de lilás bem claro, e as paredes tinham algumas irregularidades. Os móveis pareciam um pouco antigos e empoeirados... Será que eu estava na parte de trás da mansão? Eu não sabia. Nem mesmo sabia como havia parado neste lugar, sem que sequer notasse. Tudo bem que eu estava distraída, mas não perceber o ambiente ao seu redor mudar de luxuoso para isto, não é bem algo a ser considerado normal.

As luzes do corredor eram fracas. Andei até uma antiga cômoda de madeira mal polida, e abri uma gaveta que estava vazia. Seria possível que essa parte da mansão não era usada? Então para quê um lugar tão grande? Os corredores eram praticamente vazios, e conforme continuei andando, só via algumas cômodas e pequenas estantes; tudo vazio.

Passei por um espelho, e ao invés de olhar meu reflexo como sempre fazia, fechei os olhos e segui adiante. Gosto de tocar as cicatrizes, mas não me sinto muito bem ao vê-las. Ainda não estão bem curadas, então não posso cobri-las, mas quando estiverem, com certeza o farei.

Então cheguei á uma parte menos iluminada.

Lily: Será possível? Onde foi que eu vim parar agora?

Não havia o menos sinal de que eu estivesse chegando mais perto da parte habitada da mansão, sem contar que, é claro, eu não tinha tanta certeza de que esta parte era abandonada. E então, minha imaginação fértil começou a trabalhar.

Comecei a imaginar coisas, coisas horríveis que poderiam estar escondidas nas sombras deste lugar, dentro dos armários que abri... e imaginei uma coisa me olhando! De dentro do espelho, enquanto eu fechava os olhos. Aqueles olhos me observando...

Senti uma imensa vontade de gritar. Sempre tive uma imaginação fértil demais, e acabava por pensar e coisas que não queria. Minhas pernas agora estavam moles e fracas, e eu achei que fosse cair no chão imediatamente, mas não caí. Me apoiei numa das paredes estranhas e meio descascadas.

“Tudo bem, eu estou perdida. Mas eu posso lidar com isso, não posso?”. Pensei, tentando ser otimista. “É só me lembrar do caminho.” Porém, como estava distraída, eu realmente não sabia por onde tinha passado para chegar até uma zona sombria como esta. Decidi continuar andando. Uma hora ou outra, eu tinha que encontrar uma janela. Não era possível que neste lugar não haveria nenhuma.

E andei, e andei... Continuei andando por um bom tempo por aqueles corredores mal iluminados. Todos eram parecidos, e chegou um momento em que achei que estava andando em círculos, mas isto era impossível, sendo que eu praticamente andava em linha reta, desta vez tomando o cuidado de não me distrair novamente.

Comecei a ficar cansada de andar, e minhas pernas já doíam. Que horas seriam agora? Será que alguém estava procurando por mim? Se Rose não estivesse tendo que ficar no quarto, com certeza ela estaria. O meu pai também se preocupa muito comigo, porém não acho que ele seja do tipo que sairia por aí me procurando, “cansando sua beleza”, como ele mesmo diria.

Tudo bem que ele é um pouco egocêntrico, mas eu o aceito como ele é, pois no final das contas, somos do mesmo sangue. E sei que ele também ama Rose, mesmo que ela não acredite. Mas se não amasse, por que ele iria mandar Chris e Michael nos buscar naquele dia? E por que pediria para morarmos com ele? Mas Rose não parece entender isto.

E isto me lembra do dia que Chris e Michael foram nos buscar. Tenho certeza de que Rose não se lembra bem deste detalhe, mas para que conseguissem nos levar até a mansão, Chris bateu nela. Não necessariamente bater. Na verdade, ele fez alguma coisa no pescoço dela, e ela desmaiou. Lembro-me de como fiquei apavorada...

Ah não.

“Eu me distraí de novo!”

E mais uma vez, ali estava eu, sem ter a menos ideia de onde estava. “Tinha que ser Lily Bringwood”, pensei, desanimada. Olhei em volta, e para meu susto, desta vez o ambiente não se parecia com NADA do que eu já tinha visto nessa mansão.

As paredes agora eram de tijolos vermelhos, e o piso era todo de cimento. O lugar tinha um cheiro estranho, e o ar era carregado de umidade, mesmo que o lugar fosse bastante abafado. “MEU DEUS, MAS COMO FOI QUE EU VI PARAR AQUI?!” gritei para mim mesma, em meus pensamentos.

E então, abafei um grito.

Não tinha certeza, mas podia jurar que tinha ouvido uma voz.

Ficando em completo silêncio, esperei para ver se ouvia alguma coisa de novo, mas o único som era o de minha respiração acelerada. O silêncio começava a me incomodar, quando ouvi novamente. Eu estava parada ali, tentando não fazer nenhum barulho, para ver se conseguia ouvi precisamente, e realmente ouvi.

“Tem alguém aí?” perguntava a fraca voz, que parecia ecoar pelos corredores.

Eu não tinha ideia do que fazer. Ou corria dali sem saber o que era, ou ia para o lugar de onde a voz vinha e descobriria quem era, mesmo que pudesse custar minha vida. A voz era completamente desconhecida, não pertencia a nenhum dos moradores da mansão.

Não sei o que deu em mim, mas optei pela segunda opção. Andando com minhas pernas trêmulas, atravessava as sombras daqueles corredores esquisitos.

Foi então que cheguei ao final do corredor.

Por mais estranho que pareça o final era mais assustador do que o corredor inteiro. Nele, havia uma portinha de madeira polida; a coisa mais bem cuidada que havia ali, e era tão estranho ela estar ali, naquele corredor vazio, brilhando, quase que me convidando a entrar.

Minha razão tentava resistir á tentação de entrar, mas minha curiosidade falava mais alto. Muito mais alto. Pensei no sermão sobre irresponsabilidade que Michael me passaria, e também imaginei Rose me fritando viva, sabendo que estava me arriscando desta forma. “Me arriscando?”. Na verdade, eu não sabia como eu havia chegando á conclusão de que o que havia atrás daquela porta era algo perigoso.

Quase corri até a portinha, ignorando minha fértil imaginação, já que imaginar Rose me fritando na verdade não era nada agradável.

Contei até três para abrir a porta. Toquei no trinco brilhante e frio, sentindo agora um estranho nervosismo. E então, o girei, empurrando a porta ao mesmo tempo.

As luzes estavam apagadas, então acabei por ficar mais nervosa. Respirando fundo, tateei na parede fria e irregular do cômodo procurando por um interruptor, mas sem mover meus pés. Logo, comecei a imaginar as coisas que eu podia tocar, coisas desagradáveis. Ou até mesmo coisas que podia tocar em mim! Quase fiz minha mão recuar, mas logo senti o interruptor.

A luz do quarto era forte, mesmo que tenha piscado algumas vezes antes de ficar totalmente acesa. Meu coração quase saltou peito afora.

Arregalei os olhos com a sena. As paredes do cômodo eram de pedra polida e eram bastante irregulares. Havia uma cama parecida com a minha antiga no canto do quarto, e algumas estantes com poucos livros empoeirados. Mas não foi nada disso que fez com que meu coração quase fugisse de dentro de mim.

Era no centro do quarto.

Havia uma garota presa, e ela estava acorrentada numa cadeira. Seus cabelos loiros cobriam o rosto, e ela estava sentada no chão, fungando. Suas roupas brancas estavam sujas, pareciam um tipo de camisola velha.

Lily: O-Olá?

A menina levantou a cabeça, encarando-me com aqueles enormes e expressivos olhos verdes. E com uma voz fraca, ela respondeu:

Garota: Quem é você?

Notas finais
Obrigada por ler!