Rosa dos Ventos
11 XI • Como me transformei no novo dono do Rosa dos Ventos
Notas iniciais

A PILHA DE ESCOMBROS SURGIU em meus sonhos mais uma vez naquela noite. Dessa vez, acompanhada de flashes menos assustadores, mas a sensação de sufocamento permaneceu, como se minha garganta estivesse sendo imprensada por uma mão invisível.
O garoto sentado à minha frente parecia nervoso, ansioso para sair dali e não ter que me olhar mais nos olhos. O trem no qual estávamos sacolejava, atravessando os campos e deixando seu rastro de fumaça no céu da manhã.
Ele se levantou, atrapalhado, e se despediu. Uma sensação de tristeza me invadiu na mesma hora, e então, como se alguém arrancasse propositalmente uma parte de um filme, a cena mudou para um céu estrelado. Na verdade, muito mais estrelado do que o normal. Eu reconhecia quase todas as constelações: lá estava Ofiúco, segurando a Serpente, o Lobo, o Centauro e o Escorpião, brilhando mais do que as demais, como se reinasse sobre o céu de verão.
E o garoto de cabelos pretos estava lá de novo, deitado na relva ao meu lado. Ele chorava, e logo depois nós dois estávamos ajoelhados ao lado da pilha de tijolos e madeira, corroídos pelo tempo. Seu choro se tornou cada vez mais alto, até se transformar num grito de terror.
Acordei encharcado de suor, olhando para os lados no dormitório escuro. Só percebi depois que cravava as unhas no colchão, numa tentativa de voltar à realidade. Passei a mão sobre a testa molhada.
Merda, exclamei mentalmente, checando no meu celular e constatando que ainda eram cinco e quinze da manhã. A chuva caía pesada lá fora.
Eu tinha certeza que não conseguiria voltar a dormir, ainda mais sabendo que teria uma prova dali a menos de duas horas. Na verdade, se querem mesmo saber, eu só havia pegado no sono às três da manhã, e sabem por quê? Vocês querem saber o maldito por quê?
Nathan.
Aquele nome ecoara na minha cabeça durante a noite toda, como uma bolinha de pingue-pongue sendo jogada pra lá e pra cá nas paredes do meu crânio. O idiota tinha que ter feito aquilo. Tinha que ter destruído toda noção que eu soubesse ter sobre mim mesmo.
Em termos práticos, eu havia passado a madrugada encarando o teto — o qual, na verdade, eu não conseguia enxergar por causa do escuro. —, os olhos arregalados, a mente totalmente voltada para esse certo alguém na Ala Leste.
Apesar de todas as... coisas, digamos assim, que já haviam acontecido comigo ou que eu já havia presenciado naquele colégio, eu não cogitara realmente a possibilidade de que Nathan fosse me beijar. Não daquele jeito... ou melhor, não da forma... quer dizer, não que ele fosse... argh!
Segundo meus cálculos, eu havia repetido a cena do beijo aproximadamente um trilhão de vezes na minha mente, e minha reação era diferente a cada uma. Eu tacava um murro na cara dele, ou então repelia, assustado, e saía correndo. E não vou negar que... bem, eu também pensei... pensei muito... como seria se tivesse demorado mais. Não que eu tivesse gostado, ok? Mas eu imaginara como teria sido.
Finalmente desistindo de qualquer possibilidade de cair no sono de novo, levantei-me e tomei um banho rápido, deixando meus colegas nos braços de Morfeu.
O colégio ficava sempre vazio àquelas horas. Não era exatamente proibido andar por ali tão cedo — embora, certamente, se o Rondarolli me encontrasse, daria um jeito de me aplicar uma punição —, contanto que você não saísse por aí pichando, ou fazendo xixi em lugares inapropriados, coisa desse tipo.
Eu sabia que a biblioteca não estava aberta ainda, por isso procurei algum outro lugar onde pudesse revisar o conteúdo em paz. A primeira prova do dia seria Geografia, seguida imediatamente por Moral e Cívica, e não custava reler o assunto de ambas um pouquinho.
A única entrada que ficava aberta era a que dava para a Praça Aberta, que consistia num polígono de cimento de vários metros quadrados de espaço, mais ou menos um metro acima do nível da área dos jardins. Era bonitinha, com vários banquinhos ao redor de uma jabuticabeira bem grande. A cobertura, no mesmo formato poligonal, ficava aberta somente no centro — acima da árvore —, de modo que eu poderia ficar lá, desfrutando do ar da manhã sem, contudo, ser atingido pela chuva.
Escolhi um dos bancos e deitei-me, abrindo o livro de Geografia em seguida e erguendo-o acima de meu rosto. Depois de mais de meia-hora de bocejos e tentativas não muito felizes de entender geopolítica do pós-guerra, ouvi uma voz zangada exclamar uma porção de xingamentos, caminhando através da Praça.
Reconheci-o pelos olhos pequenos e o rosto redondo — dessa vez franzido, devido à cólera. O zelador arrastava com dificuldade uma sacola de lixo preta e enorme, trazendo uma vassoura em uma das mãos.
— Malditos ratos. Ah, mas um dia ainda recebo minha aposentadoria e saio dessa vida de roedores e sacolas de lixo pesadas, ah se saio. — Ele resmungava, o cenho enrugado.
Ratos? Ele dissera isso mesmo? Então eu não estava enganado, afinal, o que era totalmente insano, considerando a obsessão do Sr. Rondarolli por limpeza e ordem. O zelador passou apressadamente por mim, sem me notar. Ele desceu pelas escadinhas que levavam aos jardins e caminhou até os portões de ferro que ficam nas laterais dos muros do colégio. Ele pôs os lixo lá fora e voltou, igualmente zangado e agora muito molhado por causa da chuva, para dentro.
Bocejei mais uma vez, fechando o livro. De repente, o sono me atingiu, e meus olhos fecharam instantaneamente. Não sei quanto tempo se passou, só sei que acordei com um dedo tocando várias vezes a ponta do meu nariz.
— Alô, alô marciano, aqui quem fala é da Terra... — Demorei alguns segundos para despertar, mas eu já tinha certeza de saber a quem aquela voz pertencia.
Samuel pôs o rosto na frente do meu, só que ao contrário. Encarei-o friamente, sem sequer me levantar. Ele continuou a fazer brincadeiras e me cutucar pelo corpo, mas eu o repeli.
— Ei, por que tanta frescura às seis horas da manhã? Isso é raiva por eu não ter ido te encontrar na biblioteca ontem? Tive que fazer umas coisas.
Demorei um segundo teatral para responder, olhando nos olhos dele.
— Tenho certeza que fez muito bem.
A sombra da desconfiança atravessou seu rosto. Ele se sentou na ponta do banco.
— Ehr... bem, mas está preparado para a prova?
Assenti com a cabeça, sem falar mais nada.
Os alunos já começavam a circular por ali, alguns tensos, outros mais tranquilos, mas quase todos carregando livros e cadernos sob o braço. Fiquei observando atentamente o rosto de cada um, procurando a feição que encaixasse com a de Nathan.
E ela apareceu logo depois, caminhando duramente, como se suas articulações estivessem meio emperradas. Ele passou por nós sem nem mesmo se dar conta de nossa presença e sentou-se num dos bancos mais afastados, abrindo um livro grosso que trazia consigo.
Apesar de já estar no colégio há mais de um mês, eu nunca trocara palavra com Nestor. Exceto, claro, durante aquele dias em que eu achava que ele e Nathan fossem a mesma pessoa. Talvez fosse melhor assim, considerando a possibilidade de que sob qualquer suspeita de que eu beijasse rapazes (ou pior, seu próprio irmão), ele faria questão de me espancar até a inconsciência com os amiguinhos.
Samuel estava ao meu lado, falando sobre coisas variadas, e eu só conseguia olhar para seu rosto e pensar: "Viado. Desgraçado. Tapado. Como você teve coragem de mentir pra mim? Como teve coragem de voltar para os braços do maior babaca do colégio? Vou te jogar num triturador, mentiroso"
Eu não era do tipo que escondia o que pensava, mas não tive coragem de brigar com Samuel ali, por isso me despedi com a desculpa que ia pegar uns livros no meu dormitório e deixei-o na praça. Eu sabia que, mais cedo ou mais tarde, ia explodir e gritar toda minha indignação sobre ele, mas isso não era apropriado para um clima de semana de provas.
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Primeiramente, uma palavrinha sobre o Professor Assis: ele passava metade do dia dormindo e a outra metade com sono.
Também era conhecido por ser, durante os escassos momentos em que não estava babando sobre sua mesa, totalmente indiscreto sobre a vida pessoal. Já nos contara como conquistara o amor de uma prostituta chilena oferecendo a ela um churrasquinho de frango, ou então como dava trabalho trocar a fralda de sua avó e passar pomada em suas assaduras.
— Muito bem classe, vamos lá... hun... aqui estão as provas e, hun... vamos fazê-las. — Ele falou, sentando-se à mesa e apoiando o queixo em uma das mãos. A turma levou quase um minuto para se organizar até, finalmente, ele poder distribuir os testes.
— Professor, o senhor tá com sono ou é impressão minha? — Disse Denis, atrás de mim, de um jeito zombeteiro e irônico, que fez a turma toda rir.
— Muito engraçado, senhor Santanna. Acontece que ontem eu convidei uma amiga minha de infância para passar a noite em minha casa, e sabe... ela não me deu descanso a noite toda.
Todo mundo riu mais uma vez. Ou o Professor Assis não se importava, ou não percebia que estávamos rindo dele, e não com ele.
Os ânimos se acalmaram aos poucos, embora as questões estivessem bem fáceis. Fiz as de geografia física, que eu era particularmente bom, e enrolei um pouco nas que tratavam de geopolítica, e, mesmo assim, saí da prova sentindo que tinha me dado bem.
Os minutos em que fiquei esperando, do lado de fora, todos os alunos terminarem para que a prova de Moral e Cívica começasse foram infernais. Eu tentava revisar em minha mente o assunto e, mesmo que eu estivesse conseguindo fazer isso excepcionalmente bem, sentia minhas mãos escorregadias de suor.
Encostado à parede e observando quem passavam pelo corredor, fui surpreendido por Nathan andando por ali. Que diabos ele tava fazendo no corredor de salas da Ala Oeste? Será que tinha vindo falar comigo?
Nossos olhares se encontraram por meio segundo, e desviei o rosto na mesma hora. Antes, porém, pude perceber um sorriso surgir em seu rosto, enquanto o meu provavelmente estava completamente vermelho. Não vi pra onde ele foi.
A sirene militaresca que assinalava o início da prova de Moral e Cívica soou pelo colégio, fazendo com que os alunos entrassem em suas respectivas salas de aula. E foi exatamente o que eu fiz, antes que deparasse com Nathan mais uma vez.
Como se fôssemos robozinhos programados, sentamos e nos organizamos rapidamente, terminando exatamente no momento em que o Professor Leal entrava na sala. Guardei meu material, meu celular e meus livros na mochila.
Ele pôs suas coisas na mesa e nos encarou, imponente, como se estivesse guardando uma foice por debaixo da manga e esperasse pela primeira oportunidade de enfiar na cabeça de quem tirasse um zero.
— Pelo visto esse primeiro mês serviu para vocês aprenderem a se sentar. Magnífico. Espero que o conteúdo tenha entrado com a mesma facilidade nas suas cabecinhas. Lápis, caneta e borracha à mesa, vamos. Quem emitir qualquer som será irremediavelmente expulso e levará nota zero.
Leal começou a distribuir as provas como se fossem bombas preste a explodir. Assim que passou ao meu lado, colocou o teste sobre a minha carteira com especial cuidado, certamente antegozando a nota horrível que imaginava que eu fosse tirar.
Idiota, pensei. O conteúdo estava todo na minha cabeça. Nada ia dar errado.
— Podem começar. — Ele falou, ao terminar a distribuição.
Respirei fundo e virei a prova, lendo as primeiras questões.
A primeira tratava de hasteamento de bandeiras. Eu sabia. A segunda exigia mais escrita, a respeito dos símbolos da república, e eu também sabia. Respondi a terceira, a quarta e a quinta sem a menor dificuldade.
Sem sequer perceber, fui vencendo aquele bicho de sete cabeças que não se mostrou, pelo menos pra mim, tão feroz. Levantei-me, confiante, de meu lugar, caminhando até a mesa do Professor Leal. Ele olhou pra mim como se não entendesse meu atrevimento.
Parei ao seu lado. Pude ver que todos os meus colegas me encaravam, igualmente ignorantes a respeito do motivo de eu estar em pé.
— Posso ajudá-lo, senhor Pompeia? — Ele me falou, através de seus óculos retangulares.
— Na verdade, não. Acabei a prova.
Leal deu um sorriso, depois de eu pôr a prova em sua mesa, como se pensasse que eu tinha enlouquecido de vez, o qual se desfez lentamente ao ver que eu realmente havia respondido a prova toda. O relógio no alto da parede marcava nove e vinte da manhã.
E em vinte minutos, completei, orgulhoso de mim mesmo. Pude ver dali que a maioria dos meus colegas ainda não passara da segunda questão.
O professor ergueu uma sobrancelha, e, para minha surpresa começou a corrigir minha prova na mesma hora. Ele lia atentamente, mas rápido, e marcava um "C", que significava que eu tinha acertado, em todas as questões.
Depois de quase cinco minutos de correção ele terminou a prova, e tive a impressão de que ele fosse entregá-la a mim, mas ele apenas sorriu e riscou, com a caneta vermelha, um 0,0 bem grande, no espaço dedicado à nota.
E foi então que ele a esticou em minha direção.
Eu tentei falar alguma coisa, mas nenhum som saiu de minha boca.
— Da próxima vez pense bem antes de colar. Não serei tão bonzinho.
Minha mente não processou direito a informação.
— O que você disse? — Eu consegui falar.
— Você terminou a prova em menos de vinte minutos e acertou todas as questões. Vindo de um aluno como você, isso significa cola, e eu não admito isso.
A fúria subiu a minha cabeça. Corri até a minha carteira, urrando, agarrei minha mochila com as duas mãos e a joguei, de lá mesmo, no quadro negro. Todo o meu material escolar se espalhou pelo chão.
— Cola? Procure aí uma cola. Eu estudei feito um louco pra essa merda e sou eu que não admito as coisas aqui. Você é um idiota encubado que não sabe distinguir um pau de uma salsicha. Vamos, procure uma cola aqui. PROCURE!
Eu estava totalmente fora de mim, gritando e chutando as coisas. Leal apenas me encarava, obviamente indeciso se me punia ou realmente se abaixava para procurar a cola entre minhas coisas jogadas no chão.
— Se retire da minha sala, senhor Pompeia, ou serei obrigado a chamar o...
— Diretor? Ótima ideia, pode deixar que eu mesmo chamo ele. Pode enfiar esse caralho no seu cu que eu não dou a mínima. Passar bem. — E saí da sala, revirando mais coisas do que um tornado conseguiria.
Não me virei para ver o rosto dos meus colegas, que certamente estariam completamente boquiabertos com a cena. Atravessei o corredor furiosamente, quase sem ter noção das distâncias e cheguei à porta da sala do diretor num tempo que não me pareceu levar mais do que dois segundos. Só percebi que tinha subido as escadas depois de olhar para trás.
A porta estava entreaberta, como sempre ficava. Esperei Rondarolli me chamar, como da outra vez, já que ele sempre sabia quem estava subindo por causa do eco que os passos faziam ali, mas sua voz não veio.
Seria mesmo uma boa ideia?, me perguntei, antes de decidir entrar. Era o mesmo que denunciar um inimigo a outro inimigo. Talvez o Rondarolli apoiasse o Leal e, inclusive, mandasse tatuar um zero bem grande no meu nariz. Quase pensei em dar meia volta e esquecer aquilo, mas eu não podia deixar minha nota daquele jeito.
Abri a porta devagar, observando as bandeiras penduradas na parede e imaginando a cara com a qual o Diretor estaria hoje. A mesa do Rondarolli ficava do outro lado, de modo que quem entrava precisava "virar a esquina" para vê-lo.
Surpreendi-me ao ver a cadeira vazia atrás de todas as bugigangas que ele exibia sobre a mesa. Levei um segundo para lembrar que ele tinha um quartinho no qual dormia, que era acessado por uma escadinha espiralar logo ao lado dessa mesma mesa. Eu tinha a impressão de estar cometendo um suicídio, mas fui até a tal escada.
Ela era pequena, e eu não imaginava como o diretor fazia para subi-la. A lembrança de algo que Denis me dissera, mais de um mês atrás, sobre Leal e Rondarolli terem um desentendimento, foi o que me fez ir além do primeiro degrau e reunir coragem para continuar.
Pus a cabeça pra dentro do quarto, vendo primeira a cama de solteiro e a entrada para um banheirinho que ficava à direita. Quase entrei de corpo inteiro, quando vi o vulto do diretor ao lado da cama.
Estaquei, congelado. Ele estava de costas pra mim, e, mesmo de frente, não poderia me ver, já que a visão da entrada era bloqueada por um casaco pendurado na porta. Mas o que me deixou petrificado, e me fez esquecer o motivo de estar ali, foi perceber que ele estava completamente nu, balançando o braço direito em frente ao corpo de uma forma muito suspeita, e que eu conhecia muito bem.
Pensei seriamente em sair correndo dali, mas a curiosidade foi maior. Espionei por entre as dobras do casaco enquanto ele se virava. Segurava, na mão esquerda, uma das revistas que eu reconheci da cena da Sala dos Troféus e, com a direita, masturbava velozmente o próprio membro, quase coberto pela barriga protuberante.
Eu assistia tudo sem saber o que pensar. Acho que meu sentimento mais forte era repulsa, mas eu também estava morrendo de vontade de rir. Finalmente caindo na real e percebendo o que tinha em mãos, procurei o celular no meu bolso da calça. Ele não estava.
Puts, eu tinha deixado na mochila. A qual, aliás, tinha sido jogada contra o quadro com tudo dentro. Não pensei naquilo muito mais tempo, pois os glúteos do Sr. Rondarolli já se contraíam, e eu sabia o que aquilo significava. Ele se tremeu um pouco, exclamando algumas expressões de prazer, e eu vi o pequeno jato branco sair da ponta do seu pênis e cair no chão.
Ele nem pôde se recuperar, pois eu pigarreei, atraindo sua assustada atenção. Ele me encarou, de olhos arregalados. Dei um passo em sua direção, tentando manter um sorriso confiante no rosto, mas tremendo de medo por dentro. Ele puxou na mesma hora um dos lençóis da cama para cobrir sua nudez.
— O que... o que você está fazendo aqui? — Ele gritou, nervoso.
Dei uma risada, ao ver como ele parecia um bichinho assustado. Aquele era meu momento de vingança, meu trunfo.
— Já ouviu falar de uma coisa chamada internet? Aquela rede internacional de computadores pela qual as coisas passam em questão de segundos? Espero que saiba me tratar bem a partir de agora, ou será nela que jogarei essas belezinhas. — Eu disse, tocando no bolso vazio de trás da minha calça e dando a entender que tinha tirado fotos com o celular. — Ah, e, pra começar, eu ficaria muito feliz em participar do time do colégio, se quer mesmo saber.
Saí do quarto rindo sonoramente, somente com a lembrança do rosto incrédulo do Sr. Rondarolli. Ainda consegui gritar, de lá de baixo:
— Seu insolente. — E fui embora, tendo a certeza que, a partir de hoje, aquele colégio pertencia a mim.
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