Rosa dos Ventos

4 IV • Quebro algumas regras de moral


Notas iniciais
OLÁ QUERIDOS! Como vocês estão? Espero que tenham gostado do capítulo anterior. Aqui estou euzinho com o novo, e o degustem com a mesma intensidade que eu escrevi. Bjos em todas as partes com terminações nervosas

PRIMEIRA DICA SOBRE O QUE fazer ao caminhar direto para a forca: NÃO caminhe direto para a forca.

Assim que encarei a pequena plateia que me observava aturdida enquanto o Diretor segurava a revista com cheiro de naftalina, senti como se não conhecesse mais eu mesmo. Se eu não conseguisse uma ereção por estar tão apavorado? E por que o Igor conseguiu e mesmo assim pareceu ter reprovado no teste? O Sr. Rondarolli voltara para a página que mostrara inicialmente a ele, o que só serviu pra me deixar ainda mais tenso.

Eu tinha certeza das minhas convicções. No momento que eu abrisse aquela revista eu me excitaria como faria em qualquer ocasião, não era? Mas por que eu estava tão mergulhado em desconfiança sobre mim mesmo? Então percebi que era esse o objetivo: detectar quem seriam aqueles que, com o tempo, poderiam cair na tentação, mesmo que não gostassem num primeiro momento. Será que eu...

– Qual o seu nome, meu jovem? – Ele perguntou. Ri sarcasticamente por dentro, lembrando que ele sabia meu nome mais do que eu mesmo até um dia atrás, e meu crachá de identificação se encontrava muito bem visível no meu peito. Ele estava fazendo questão que soubéssemos os nomes uns dos outros pra nunca mais esquecermos da lição.

– Ulisses.

– Ulisses! Então, Ulisses, vamos, pegue. – Ele disse, empurrando a revista em minhas mãos.

Preferi não olhar mais ninguém nos olhos, nem mesmo o Sr. Rondarolli. Tentei ignorar o fato de que todos ali na minha frente iriam começar a encarar avidamente o meu membro.

Tudo bem, Ulisses, eu pensei, assim que isso acabar você vai denunciar esse Diretor de merda e se vingar. Seja forte.

Abaixei meu olhar para a revista. Página quinze. Tefinha Trovoada.

A mulher empinava a bunda para mim, completamente sem roupa, a posição favorável a ver todo e qualquer detalhe na região de lá de baixo. Ela tinha os cabelos morenos e era completamente desejável. Em qualquer outro momento eu estaria explodindo de vontade de aproveitar a imagem, digamos assim, mas percebi que eu não estava reagindo da maneira que eu deveria estar reagindo. É muito dificil se concentrar nesse tipo de coisa com uma dúzia de pares de olhos atentos a você.

Vamos lá, eu pensei desesperado, você consegue. Percebi que eu começara a suar.

O Sr. Rondarolli sorria com minha demora, obviamente satisfeitíssimo em apanhar mais um meliante. Então ele meteu a mão na revista e virou para a página seguinte, exatamente como fizera com Igor.

A seção se chamava "Para ELAS", o "elas" uma referência irônica e muito clara aos leitores homens cujo interesse não se restringia ao sexo feminino.

O cara era loiro e bonitão. Estava deitado de barriga pra cima, segurando o pênis enorme e entumescido com uma mão, enquanto seu rosto se contorcia numa expressão de puro prazer. Então foi isso que aconteceu, o tal Igor viu essa foto e acabou se entregando. Ok, eu não me sentia atraído, mas então meu coração gelou, pois o sangue começou a bombear mais particularmente no meu próprio membro. Tentei ao máximo desviar meu pensamento disso: pensei em flores, pássaros, uma paisagem de montanhas, qualquer coisa que me distraísse. Dei uma olhadela pra baixo, onde a saliência começou a diminuir levemente. O Sr. Rondarolli pareceu não notar.

Então eu mesmo virei a página, onde uma loira completamente gostosa segurava cada peito com uma mão e posava com as pernas abertas para mim. Tentei me materializar ao lado dela, o que foi provavelmente a melhor ideia que eu poderia ter tido.

Tiro e queda, em poucos segundos meu baixo ventre começou a pulsar, e o volume na minha cueca ficou óbvio a qualquer um. Imaginei-me penetrando nela, e então o cara da outra página estava na minha cabeça também. Ele se aproximou e abraçou a mim e a loira, acariciando a nós dois. Meu pênis vibrava. Foi então que fiz a coisa mais louca da minha vida. Abaixei o short, com cueca e tudo.

Você pode se perguntar: puxa Ulisses, de que parte do seu cérebro de jerico você tirou isso? A resposta é: não sei. Quando pensei sobre isso depois, somente consegui lembrar que eu estava completamente irado com a situação. Queria fazer o Sr. Rondarolli se arrepender de algum jeito desse teste sem escrúpulo nenhum criado por sua mente megalomaníaca. O acesso de raiva fez eu puxar tudo pra baixo.

Esperei que todo mundo tapasse os olhos, ou algo assim, mas ao invés disso todos eles gritaram enlouquecidamente, como eu fosse seu herói. O Sr. Rondarolli ao meu lado, estava igualmente perplexo. Segurei meu pênis com uma mão e o masturbei duas vezes, só de pirraça. O olhar desejoso de alguns dos garotos me fez perceber que eles definitivamente iriam ser pegos no teste.

Virei-me pra o Diretor, cujo olhar exibia a própria face do diabo.

– Ponha essas calças, agora! – Ele gritou, depois de recuperar-se do choque, e eu obedeci, isto é, sem deixar de mostrar a meus queridos futuros colegas pra que lado eu guardava meu amigão.

Ele me segurou com força pelo braço e me arrastou até a saída, soltando vapor pelas narinas. Assim que saímos da Sala de Troféus, ele me segurou pelo colarinho.
– Se você voltar a me desafiar mais uma vez, eu corto fora esse troçozinho que você chama de pau, está me entendendo? – Ele rugiu.

Não dei a ele o gosto de responder, apenas me desvencilhei de sua mão gorda e subi Titã como se fugisse do demônio. Ouvi ele bater a porta da Sala com violência lá embaixo.

✧

– VOCÊ FEZ O QUÊ?

Conhecia Samuel há menos de um dia e isso já foi suficiente pra eu me sentir muito lisonjeado — ou não. — em deixá-lo realmente impressionado.

– Exatamente o que você ouviu. – Eu disse, catando uma tampinha de refrigerante do assento. Ele e eu sentamos na arquibancada, em companhia apenas das duas traves de basquete, uma de cada lado da quadra vazia.

– Mas não é possível. VINTE E QUATRO HORAS AQUI E VOCÊ JÁ ENTROU PARA A HISTÓRIA DO INTERNATO. – Ele disse, os olhos ainda arregalados. Sua voz ecoou pelo ginásio.

Eu tive que rir.

– Não sei se entrei pra história do Internato, mas pra do Sr. Rondarolli com certeza.

– Ele deve ter ficado MUITO puto.

– Pode apostar que sim.

Olhei para o centro da quadra, me perguntando o que os garotos "detidos" por não terem passado pelo teste teriam sido obrigados a fazer ali algumas horas atrás. Certamente nada bom, psicologicamente falando.

– Você não acha que ele poderia, sabe, me expulsar? – Perguntei, porque isso estava passando, por incrível que pareça, pela primeira vez na minha cabeça desde o que aconteceu.

– Duvido muito. – Samuel respondeu, se recostando na cadeira. – Vocês agora estão meio que entrelaçados: ele não pode te expulsar, pois teria que explicar o motivo e a ocasião, o que não seria exatamente bom pra ele. E você não pode denunciá-lo porque, bem... imagino que não queira que Deus e o mundo — melhor dizendo, os seus pais. — fiquem sabendo desse "incidente", não?

– Definitivamente, não quero. – Concluí, pesaroso. A ideia de estar entrelaçado de alguma maneira com o Sr. Rondarolli me deu calafrios.

Devo dizer que eu ainda estava assustado comigo mesmo. Foi muito estranho o loiro musculoso da revista ter se intrometido no meio da minha fantasia. Eu estava preferindo não pensar naquilo pra não acabar enlouquecendo, mas era difícil.

O som de várias vozes conversando veio da entrada mais distante de nós dois. Um grupo de mais ou menos dez garotos entrou chamativamente, vestindo um uniforme padronizado de futebol. Um arrepio percorreu minha espinha quando reconheci quem vinha à frente, segurando a bola e rindo de forma exagerada, seu cabelo loiro como um ponto reluzente.

– Vamos embora daqui. – Eu disse, fazendo menção de levantar. Samuel me segurou pelo pulso.

– Não, espere... eu... – Ele disse, seu olhar passando pelo rosto de cada um dos jogadores. Foi então que a ficha caiu.

– Ah...

Os garotos se espalharam pela quadra, fazendo muito barulho, trocando xingamentos e agindo como bobões.

– Qual deles? – Perguntei a ele.

– ... O que está com o casaco azul amarrado na cintura.
O menino em questão era alto e atlético, pele cor de oliva e cabelos pretos lisos. Dei o braço a torcer que ele era realmente bonito.

– Qual o nome dele?

– Júnior... bem, pelo menos é assim que ele gosta de ser chamado. O primeiro nome dele é Romero.

– Vocês... hun... estão brigados?

Fiquei com medo que Samuel explodisse de novo, mas ele apenas olhou, melancólico, pra a quadra.

– Não... não exatamente. Depois te explico.

– Tudo bem.

Ouvi um palavrão de comemoração, e percebi que Nathan havia feito um gol. Ele olhou pra arquibancada, na nossa direção, na esperança de um grito da torcida. É claro que se frustrou, pois nós mal havíamos olhado, que dirá feito uma hola ou algo do tipo.

Eu não estava nem um pouco a fim de vê-lo, principalmente depois de saber quais provavelmente deveriam ser as intenções dele ao falar comigo, mas eu realmente sentia falta de estar lá, correndo atrás da bola. No meu colégio anterior não existiam times de futebol, nem sequer onde nós pudéssemos jogar. Um ano de abstinência já começava a pesar no meu emocional.

Nesse momento Júnior estava parado com a bola debaixo do pé, esperando uma chance de bater a falta. Assim que viu a oportunidade, chutou e um dos outros garotos a recuperou. Ele veio correndo até o outro lado da quadra, onde um dos meninos do time adversário o interrompeu e a bola veio correndo até bem perto de Samuel e de mim.

– Eu pego!

Desci os dois degraus e chutei a bola de volta. Nathan materializou-se a alguns metros de mim, apartando-a com um pé.

– Muito bem controlada... não sabia que você tinha talento.

Resolvi ignorar o elogio.

– Então, o colégio tem um time?

– Tem, sim. Somos os Ventos. Antigamente tinha o mesmo nome do colégio, mas o Rosa não era muito... másculo, digamos assim. – Ele falou, me olhando de um jeito que não consegui decifrar. – Se tiver interessado, fale com o capitão amanhã. Temos uma vaga.

– E quem é o capitão?

Ele deu um sorriso de um lado, o que eu percebi ser um mínimo sensual, e apontou para si mesmo com o polegar. Me deu as costas e voltou para o jogo.

✧

Depois do almoço (o qual, por algum motivo, era servido à uma da tarde a não ao meio-dia), fui ao meu quarto, na intenção de tomar um banho e de falar com ele sobre o time, mesmo que ele tivesse dito pra procurá-lo no dia seguinte. Abri a porta, mas nenhum dos meus colegas de quarto estava lá. Eu ainda não havia efetivamente conversado com eles, quer dizer, exceto com Nathan, de modo que ainda não os conhecia muito bem.

Tomei um banho rápido e fui procurar Samuel no seu dormitório. Pelo que eu lembrava das regras, era proibido que alunos entrassem em quartos nos quais não dormiam. Logo, era exatamente o que todo o mundo fazia.

Dei dois toques discretos na porta que exibia o número 6 dentro de um triângulo dourado, mas ninguém veio atender. Resolvi arriscar a sorte. Meus dedos foram até a maçaneta, que girou e fez a porta abrir. O quarto era idêntico ao meu, exceto, obviamente, pelos pertences dos moradores.

– Alô-ou. – Eu disse, espiando lá dentro. Um garoto estava de costas pra mim, agachado ao lado de uma das camas. Parecia estar guardando algo lá embaixo. Ao ouvir minha voz, ele se virou como se eu tivesse atirado alguma coisa na sua cabeça.

– Ah! Quer dizer... Oi! – Ele disse, e eu o reconheci como o garoto que havia trombado comigo no dia anterior. Tentei lembrar seu nome mas não consegui.

– Oi... você sabe onde está o Samuel? – Perguntei. O rosto dele não me era estranho, mas devia ser só impressão por tê-lo visto ontem.

– O Samuel? Ah... ele não está aqui. Procure na biblioteca, ele fica lá de vez em quando. – Ele falou muito apressadamente, como se estivesse ansioso para que eu fosse logo embora. Tentei ver o que havia debaixo da cama, logo ao seu lado, mas provavelmente ele percebeu e moveu o corpo um pouco naquela direção, impedindo minha visão.

– Hum... ok, obrigado. – Dei uma confirmada de agradecimento com a cabeça e fechei a porta.

Assim que me virei, olhando de volta para o corredor, Nathan apareceu à minha frente. Tomei um susto enorme. Ele era muito bom em se teletransportar para os lugares perfeitos para me surpreender.

– Ah! Ei, você me assustou! – Eu disse.

Ele me olhou sem entender. Dessa vez, eu podia jurar que ele não parecia ter feito de propósito.

– Foi mal. – Ele disse, simplesmente, e me deu as costas.

– Ei, espere! – Ele se voltou pra mim. Eu ia pedir desculpas, mas então percebi que não havia um jeito de fazer isso sem que eu precisasse explicar minha neurose sem sentido. – Eu... ehr, então, posso entrar no time ou não?

A expressão quase neutra dele estava me deixando nervoso. De algum modo, eu preferia quando ele me tratava do jeito canalha. Por que ele ficava tão diferente longe dos amigos?

– Bem... os testes vão ser amanhã, não? Talvez você consiga entrar.

Assenti com a cabeça, e ele respondeu com o mesmo gesto.

– Vou aparecer lá, então. Até.

– Ahn, até.

Ele continuou o caminho até o nosso dormitório, como se tivesse sido interrompido apenas por um tropeção ocasional no carpete.

...

A noite chegou poucas horas depois. Todos aproveitavam ao máximo cada momento para conversar e fazer o que mais quisessem, pois as aulas começariam no dia seguinte. Parecia uma opinião geral que o início das aulas era um evento tão bem-vindo quanto comparecer à própria execução na guilhotina.

– DEIXE SÓ AQUELE VIADINHO CHAMAR MINHA ATENÇÃO DE NOVO. FAÇO ELE SENTIR O GOSTO DA PRÓPRIA BUNDA.

Eu estava sentado num grupo com outros quinze garotos nos jardins, e, nesse momento, o que se chamava Jeremias relembrava a detenção que pegara ano passado, quando xingara na aula do Sr. Leal, nosso professor de Educação Moral e Cívica.

– Fala sério, qual o problema da palavra "caralho"? Eu a repito uma centena de vezes por dia e Deus não me castiga. CARALHO! CARALHO! CARALHOOO! – Ele gritou para o céu. Esperei que ele entrasse em combustão espontânea, ou algo do tipo, mas, felizmente, nada aconteceu.

– Talvez tenha sido porque você realmente a repetiu uma centena de vezes durante a aula. – Um garoto gordinho disse ao meu lado.

– Ah, isso é só um detalhe. – Jeremias disse, deitando-se em cima da mesa redonda de pedra na qual estava sentado.

Jeremias, o garoto de dread-locks e pele escura que era um dos meus colegas de quarto, tinha esse apelido por causa do personagem negro da Turma da Mônica, de mesmo nome. Na verdade, o que constava na sua carteira de identidade era José Maria, mas aparentemente ele não gostava e se apresentava pelo apelido, o qual, segundo ele mesmo, era mais "foda".

– E quem não gosta, que vá tomar no cu. – Ele concluía.

A noite estava um pouco fria, mas aconchegante. Eu quase conseguia ficar tranquilo do lado deles, mesmo desconfiando que a qualquer momento pudesse ser atacado pelas costas e estuprado, ou algo pior.

A conversa chegou ao Grande Caso dos Quatro, que Samuel havia me contado mais cedo. Parece que, quando Jeremias fora ao gabinete do diretor cumprir a detenção, ouvira gemidos vindos da biblioteca. Ao subir as escadas pra conferir, encontrara os infratores, completamente sem roupas e em estado de coma alcoólico.

– Aquela semana foi muito engraçada. – O menino ruivo à minha direita riu.

– Quem eram os quatro? – Eu perguntei, realmente curioso pra saber.

Dois garotos levantaram as mãos em rendição, culpando-se. Um deles era alto, loiro e tinha covinhas nas bochechas. O outro era muito musculoso, tinha o cabelo cortado bem curto, um piercing na sobrancelha e uma tatuagem no antebraço esquerdo. Não consegui imaginá-los naquela situação.

– Os outros dois caras saíram do colégio ano passado – Disse o loiro. – Já terminaram o Ensino Médio.

– Juan deve ter levado recordações muito boas pro México. – Disse Jeremias e todos riram.

– Mas, não podemos terminar essa conversa sem falar de um dos maiores atos de coragem — ou de estupidez. — da história desse lugar. – Continuou ele, e apontou com as duas mãos abertas pra mim.

Eu soube imediatamente do que se tratava, e me senti acuado. Rezei para que não desse pra ver meu rosto ruborizado à noite.

– Eu acho melhor não... – O olhar vorazmente curioso de todos ali me fez repensar a minha convicção de não espalhar aquilo. Eles iam acabar sabendo uma hora ou outra, e eu preferia que fosse da minha boca.

Contei a eles exatamente o que acontecera na Sala dos Troféus. Eles ouviam boquiabertos, acho que mais impressionados com o fato de eu ter sobrevivido pra contar a história.

– Velho, isso foi incrivelmente sinistro. – O garoto da tatuagem estendeu a mão para eu bater nela.

Já eram quase dez horas, e a silhueta redonda do Sr. Rondarolli nos encarava lá de longe, da janela de seu gabinete. Senti uma fúria imensa assim que o vi. Eu ainda não engolira o que ele tinha nos feito passar.

Um dos meninos se levantou, espreguiçando-se.

– Acho que já é hora de ir, amanhã o diabo acorda cedo.

– Concordo. – Disse outro, e logo todos já nos dirigíamos a nossos respectivos dormitórios.

Pensei em esperar Jeremias, que era o único do grupo do mesmo quarto e da mesma Ala que eu, mas ele disse que ia fazer algo antes e acabei indo sozinho. Preferi não esperar porque, dependendo do que fosse o que ele ia fazer — e eu não tinha uma boa teoria a respeito -, ia demorar muito.

Subi os degraus de mármore de Titã, as placas de madeira indicando as Alas Oeste e Norte à esquerda e Leste e Sul à direita. Ao me virar para subir o outro lance de escadas, um braço me agarrou pela gola da camisa e me jogou no chão. Tentei me desvencilhar, mas a pessoa era forte. À meia luz, não consegui definir seu rosto, mas então notei as tatuagens subindo pelo braço.

Meus temores não eram tão infundados. Eu ia ser estuprado.