Rosa De Sangue - O Retorno
2 Encontro um Dragão
Notas iniciais
Era fim de tarde, eu ainda estava presa no submundo. Precisava urgentemente achar um portal para Ernas e sair daqui, porque ora, eu já estou sendo procurada. Não demorou muito para sentirem a minha falta e colocarem alguns caçadores atrás de mim — e não duvido nem um pouco que um deles seja o Lupus.
Sem saber para onde ir, caminhei sem rumo por uma pequena estradinha de terra, sempre tendo que usar meu leque para me defender dos ataques de algum monstro. E alguns eram bem chatos de se batalhar.
O Submundo é uma dimensão bastante curiosa e estranha, tendo também seu toque tenebroso. Acho que até agora não descrevi como são as coisas por aqui... Bem... Eu não sei por onde começar. É um lugar onde a vida não é bem vinda, a não ser que você seja algum monstro tenebroso ou haros, claro. O cenário é bastante... Como posso dizer? Eu diria vazio, morto, cinzento. O ambiente possui algumas plantas exóticas e monstros nem um pouco amigáveis, apesar de que eles parecem viver em uma espécie de "paz" com os haros. Bem, se vivem em paz ou não, não me importa nem um pouco. Até porquê estou cheia de falar sobre haros.
É em situações como essa que eu percebo o quão estou perdida e o quanto eu sou sedentária. Passou-se mais ou menos uma hora de viagem e a dor nas pernas era tanta que me deu vontade de morrer — o que é uma grande ironia, porque eu já estou morta. Resolvi parar e me encostar em uma grande pedra incrivelmente cinzenta que achei no meio do caminho.
Tudo estava lindo até essa pedra se mexer e soltar um rosnado.
Imediatamente levantei e me afastei, com medo de o que poderia acontecer a seguir. Aquilo definitivamente não era uma pedra, pois até onde eu saiba, pedras não possuem caudas ou asas. E muito menos cabeças parecidas com a de um...
...
D-Dragão!
A grande criatura levantou-se e olhou confusa para mim. Tombou a cabeça, parecia estar se decidindo se iria me comer agora ou depois; eu só sei que estava tão assustada que não conseguia mover nenhum membro do meu corpo. Não sabia se devia de fato temer ou ficar encantada.
Podia até ser uma criatura assustadora, mas ainda assim era incrivelmente bela. Tinha lindas escamas na cor cinza metálico, as grandes asas estendiam-se por pelo menos alguns quilômetros. A cauda era toda metálica e tinha uma ponta bastante afiada; era impossível confundir: eu estava na frente de um imenso dragão de ferro. E os sacerdotes que um dia cuidaram de mim diziam que essas criaturas são incrivelmente inteligentes e conseguem falar.
– H-Hey, senhor dragão! — Não é a melhor coisa para se falar para um, mas pelo menos eu tentei. — Por favor não me devore! Até porquê eu acho que não posso ser devorada... Sou um espírito, sabe? Heh...
A grande criatura, ainda confusa, abaixou levemente sua cabeça para me encarar mais de perto.
– Quem é você, garotinha? — A voz era tão grossa como um trovão. Aquilo intimidaria até mesmo o pior dos seres.
– Ahn... Meu nome é Lin. — Consegui responder com a voz mais firme que consegui, depois de alguns segundos de silêncio.
– Hm... Lin... — Ele tombou a cabeça novamente, me avaliando.
– E você, como se chama? — Eu certamente não sabia o que estava fazendo. Conversar com dragões não é algo muito normal, creio.
– Chamo-me Skiadrum, um dos dragões de ferro de Hades. — Ele levantou-se, glorioso. Seu porte era digno de uma criatura divina e não de algo demoníaco.
– Um dos dragões de... — Encarei-o incrédula e admirada. — Existem mais como você?
– Sim, existem. Na verdade, temos uma hierarquia... Os maiores e mais sábios dragões são os mais velhos enquanto os menores são os mais novos.
– Então você deve ser um dos mais velhos, não é? — Perguntei em tom inocente, ainda admirada com o tamanho do dragão. Este apenas soltou uma curta risada.
– Talvez, talvez. Mas diga, pequena alma, o que faz aqui sozinha? — Voltou a se abaixar, como se estivesse interessado na provável história que eu iria contar.
– Eu preciso achar um portal para Ernas... Preciso voltar para lá.
– Voltar para Ernas? Mas criança, você está morta. É proibido as almas daqui voltarem para Ernas, é por isso que os Caçadores de Recompensas existem.
– Não me lembre sobre Caçadores de Recompensas! — Exaltei-me por alguns instantes, visto que ainda não gostava de tocar nesse assunto. — É que... A história é um pouco longa, não era para eu estar morta. Eu sou a reencarnação de Agnécia.
– Reencarnação de Agnécia? — Surpreendeu-se Skiadrum. — Então os boatos eram verdadeiros... Lupus pegou a alma de Agnécia.
– Sim. — Concordei rangendo os dentes. Não gostava de ouvir aquele nome e muito menos de lembrar disso. — Preciso voltar para o meu corpo ou algo muito ruim pode acontecer. É como se... Uma das deusas estivesse fora do comando e tivesse sumido, é algo assim. — Eu realmente não conseguia explicar. — Mas por favor, você pode me ajudar? Preciso achar um portal para Ernas antes que os caçadores me achem!
– Hm, entendo. Isso engloba questões sobre ordem dimensional. — Raciocinou o dragão. — Suba a bordo, mocinha. Sei onde você poderá encontrar um portal.
– Obrigada! — Eu disse animada, flutuando até o corpo da criatura. O lado bom de ser um espírito é justamente esse: o fato de poder flutuar. Acho que sentirei falta disso se conseguir voltar para o meu corpo.
Skiadrum voou com toda a sua grandiosidade pelo terreno do Submundo em uma velocidade incrível. Do alto, eu pude ver vários outros dragões; alguns estavam sentados, outros deitados, alguns estavam até brigando. Eram criaturas magníficas... Eu tinha que admitir isso.
– E é aqui que nos despedimos, mocinha. — Disse isso enquanto pousava. — Este é o portal por onde Berkas passou.
– Berkas? — Perguntei curiosa enquanto descia.
– Sim, Berkas é um dragão de ferro assim como eu que estava revoltado com a hierarquia dos dragões e resolveu fugir. Mas essa é uma longa história... Volte para o seu corpo, mocinha. E depois venha me visitar quando conseguir. — Ele riu, brincalhão.
O portal era uma grande massa arroxeada de magia, que deixava todo o ambiente incrivelmente mais pesado. Nunca vi tanta concentração de magia em um só ponto.
– Ah, claro! Obrigada Skiadrum, até algum dia! — Acenei animada, passando pelo portal. Foi quase como passar por uma parede toda molenga.
Quando olhei, eu já estava em Ernas. Não sabia ao certo onde, mas estava... Agora eu devo achar a Grand Chase e recuperar o meu corpo. Será que alguém o achou? Onde será que ele está? Droga, por que isso está acontecendo comigo? Bah, não adianta reclamar. Agora eu devo focar em achar a Grand Chase.
Notas finais
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