Rosa De Sangue - O Retorno

3 Um Espírito em Canaban


Notas iniciais
Então gente, divirtam-se com o capítulo três dessa segunda saga. Espero que estejam gostando =w='

O portal me deixara logo em alguma parte de Vermécia, mas eu não sabia exatamente onde. Enquanto voava, Skiadrum me explicou que existiam diversos portais dimensionais espalhados pelo Submundo e que a localização desses portais costumavam mudar frequentemente. Disse também que o portal onde me deixaria provavelmente me deixaria em Áton, o que por uma sorte minha não era verdade.

Sem saber onde estava, passei a apenas caminhar. As florestas de Vermécia podem ser um ótimo lugar para relaxar, isso se você não for atacado por alguma gosma nojenta, claro. A paisagem bonita e quase totalmente verde daquele lugar era nostálgica; eu devia mesmo ter ficado bastante tempo fora dali. Sentia falta do ar livre, da liberdade, da... Minha vida. Irônico, estou morta; devo mesmo ser muito insensível por estar fazendo trocadilhos com isso.

Caminhando por algumas horas cheguei em um local completamente morto. Eu já estivera ali; foi onde vi pela primeira vez o vulto daquele que queria me matar e conseguiu. A aura morta dali juntamente com as más lembranças me fizeram correr (ou flutuar) para longe em alguns instantes. O que eu queria mesmo era esquecer que aquele caçador maldito existe, é totalmente normal querer isso.

Andando mais um pouco, comecei a reconhecer a floresta onde ocorreu a primeira batalha contra o caçador. O lugar ainda possuía marcas de violência, como alguns buracos no chão ou algumas árvores cortadas ao meio. Sentia-me muito mal por estar passando por ali novamente... Era como uma lembrança viva do meu fracasso. Acho que... Não, eu não acho nada. Melhor continuar andando.

-

Mais algum tempo se passou e finalmente consegui chegar a Canaban. Caminhava por lá escondida, pois creio que não seja muito normal ver o espírito de uma garotinha flutuando por aí; as pessoas podiam se assustar. Ou até chamar um padre para me mandar de volta ao Submundo.

Estava quase sem esperanças quando reconheci uma figura familiar. Era um rapaz de longos cabelos azuis... Não tinha dúvida nenhuma: era Ronan! Agora... Como eu iria me aproximar dele sem espantar o resto das pessoas? Essa era uma excelente pergunta, se quer saber.

- Psiu... Ronan! Ei, Ronan! — Escondi-me em um canto qualquer da praça e o chamei pelo nome. De início ele pareceu confuso, olhando para os lados como um tonto.

- Não seja idiota! AQUI, RONAN!

Ele finalmente conseguiu ver de onde estava vindo a voz e a seguiu, se deparando comigo ali parada. Nunca tinha visto alguém tão assustado e maravilhado como ele.

- L-Lin! Você está... Como é que...? — Ele não tinha palavras para descrever o tamanho de sua alegria. Foi divertido de ver.

- É uma longa história... Sim, esse é meu espírito. E eu estou morta. — Suspirei. — É embaraçoso, uma história um pouco longa... Mas eu preciso da ajuda de vocês. Onde está a Grand Chase?

- Em um bar local daqui, vou te levar até lá! Mas espere... Com todo o respeito, como poderei disfarçar a senhorita para que não assuste os outros? — Ronan sempre teve a educação em primeiro lugar na sua lista de valores. De certa forma, eu admiro isso nele.

- Ahn... É uma ótima pergunta. Não tem como eu me esconder na sua capa? — Apontei para a capa.

- Ah... É uma boa ideia. Com licença... Venha aqui. — Ele me cobriu com a capa e me abraçou, fazendo parecer que ele estava ajudando alguma pessoa a andar. Meu corpo e meu rosto estavam ocultos, isso era o importante.

A cena seria no mínimo cômica se eu não estivesse envolvida.

Depois de não muito tempo, chegamos a um pequeno bar escondido nos confins da cidade. Olhei de canto e lá estavam: todos da Grand Chase, bebendo e rindo. Cheguei a me perguntar se eles realmente sentiram a minha falta ou se eu era mais um ser insignificante entre um grupo de guerreiros.

- Pessoal! Silêncio, por favor! — Chamou Ronan.

- Calem a boca, o engomadinho quer falar. — Sieghart virou-se com aquele seu típico sorrisinho, dando fim a uma grande conversa paralela.

- Peço para que não se assustem, mas trago comigo uma... Pessoa.

Enquanto Ronan fazia seu típico discurso de boas-vindas, uma certa imagem ao fundo do bar chamou minha atenção. Eu não conseguia ver seu rosto, mas me era familiar... E não estava na Grand Chase desde a última vez que os vi. Aquela pessoa... Eu tinha certeza que a conhecia. Permaneci encarando-a tentando reconhecer alguma coisa até que o dos cabelos azuis chamou novamente minha atenção.

- Seja bem-vinda de volta, Lin. — Ele sorriu, me descobrindo e revelando para todo mundo ali. Todos aparentaram estar bastante surpresos, até mesmo o imortal Sieghart ergueu a sobrancelha.

- Lin! Como diabos você conseguiu sair do Submundo? — Ele me encarava, incrédulo. Ainda assim, sorria.

- É uma longa história, mas eu preciso achar o meu corpo e voltar a vida antes que seja tarde... Não tenho certeza, mas acho que as coisas poderão ficar bem feias se eu não for... Revivida.

- De certa forma ela tem razão. — Disse Mari, arrumando os óculos no rosto e abrindo seu grande manual. Nunca fiquei tão feliz em ver a baixinha azulada. — Não estou supervalorizando, mas pelo meu ver Lin possui uma alma dupla. A existência de Agnécia ainda é crucial para o bom funcionamento do universo e tudo o que conhecemos dele.

- Mas Mari... Eu não sei se é possível eu voltar para o meu corpo.

- Sim Lin, é possível. Mas requer um ritual detalhista e cansativo, e não é qualquer pessoa que pode passar por ele. Você, como alma de uma Deusa, deve conseguir.

- Então nós só temos que devolvê-la para o corpo dela? Fácil. — Sorriu Sieghart, com seu costumeiro ego maior do que uma montanha.

- Estão esquecendo de um detalhe... — Disse, mesmo que insegura. — Onde está meu corpo?

- Quando você morreu um templo dedicado a você foi construído. Seu corpo está guardado lá. — Disse Ronan, em seu tom mais meigo.

- Ah, que ótimo, parece que alguém aqui se importa comigo. Onde está esse tal Templo?

- Serdin, Catedral de Ernasis. Nos fundos da igreja.

- Partimos para lá amanhã cedo. — Concluiu Elesis, encerrando o assunto.

- Não quer se sentar? Temos bastante coisa para contar, Lin. — Disse Ronan, puxando uma cadeira para mim.

Foi de fato uma ótima conversa, tinha me esquecido de o quão amigável era o pessoal da Grand Chase. Vez ou outra eu olhava para a pessoa que atraiu minha atenção; a cada vez percebia uma característica. Estava sentado em uma área mais afastada, parecia não gostar de tanta confusão. Era um rapaz... Cabelos morenos, a roupa avermelhada... Olhos vermelhos...

...

Não, não é possível...

O rosto virou-se para mim a fim de me encarar. Era ele mesmo: Lupus Wild. Aquele que me matara, agora sentado junto a Grand Chase.

Ao notar meu espanto, ele sorriu. Provavelmente estava se divertindo com a minha indignação.

Aquela com certeza seria uma longa noite.

Notas finais
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