Notas iniciais
Desculpem-me pela incrível demora de pouco mais de um mês. Fiquei apertada com provas de final de semestre e isso acabou comigo, mas agora estou de férias e é bem provável que a fic acabe antes de eu voltar para a escola. Afinal, esse é o penúltimo capítulo :3

Não tive pesadelos por um bom tempo; e com isso, quero dizer alguns dias. Talvez isso significasse que eu não estava mais em perigo, na melhor das hipóteses. Porém, no pior dos casos, eu podia estar com pouco tempo de vida. Preferia mil vezes acreditar na primeira opção, por mais que os fatos me levassem a acreditar no contrário. Mas, como diz Lire, devemos sempre ser positivos.

Eu não saí de perto da Grand Chase em hipótese alguma, como Mari me instruiu a fazer. Até que Azin estranhamente não me encheu muito o saco; tenho a impressão de que alguém contou a ele a real situação, apesar de que nem isso o faria parar com as provocações. A única coisa que eu tinha certeza era de que Sieghart sabia, Mari me contou que ele quis saber depois de ter me visto naquele estado. Será que ele resolveu me ajudar? Não estava em condições de escolher ajuda, afinal. Qualquer um era bem-vindo.

A noite do quinto dia sem pesadelos finalmente ia chegando. Eu tinha resolvido sentar-me e assisti-lo, pela primeira vez em alguns anos. Talvez o medo de morrer estivesse mesmo tomando conta dos meus sentimentos; isso era terrível. Mas o lado bom era que pude me sentir em paz ao ver o Sol. Uma sensação impossível de descrever... Tranquilidade, paz de espírito. Se Agnécia tem algo a ver com isso, eu devia agradecê-la.

O pôr do sol era incrivelmente avermelhado, característica que mesmo tendo me assustado me deixou maravilhada. Era tão bonito e tão ameaçador... Podia ser um sinal de que algo podia acontecer. Logo desisti da ideia: estava paranoica demais, pensei comigo mesma. Cheguei a pensar que as coisas não estavam tão ruins assim.

A noite finalmente caiu, depois de um belo espetáculo no céu. Alguns integrantes da grande caçada, os mais animados, fizeram uma fogueira ali perto e começaram a fazer várias brincadeiras e a cantar algumas músicas. Por ironia do destino ou não, uma delas se chamava Hope. Acho que tudo o que eu precisava era de um pouco de hope.

As horas foram se passando, logo todos os integrantes restantes haviam caído no sono ali mesmo ou em suas próprias barracas. Eu, ao contrário do que costumava fazer, permaneci ali; alguma coisa me prendia àquele cenário. Um misto de medo e saudade... Saudade de quê? Não sei. Talvez a saudade que... Irei sentir...? Ah, vários pensamentos estavam juntos na minha cabeça de novo. Agnécia tinha e ainda tem o péssimo costume de embaralhá-los.

Foi quando escutei o primeiro barulho. Levantei-me já pronta para correr, mas algo me impediu. Fui puxada e de repente tudo ficou preto.

Algum problema, albina? Não parece tão valente agora.

Era aquela voz de novo, aquela voz. Abri os olhos e me encontrei capotada na grama de o que parecia ter restado de uma vegetação. Olhei para frente e finalmente o vi: era o haros. O maldito Caçador de Recompensas. E provavelmente queria me matar.

– O quê você quer... — Levantava-me desajeitadamente enquanto perguntava. — ... De mim? — Juntei todo o resto de coragem que me sobrava para encará-lo. Os orbes vermelhos reluziam malignamente a luz da Lua e isso não me ajudou muito.

– O que eu quero de você? — Ele riu irônico, balançando a cabeça negativamente e colocando as mãos na cintura. — Sua alma. – Disse por fim, sombrio.

– Por que me trouxe aqui? — A resposta para essa pergunta era óbvia, mas eu estava tão apavorada que perguntaria qualquer coisa para adiar uma possível batalha.

– Não quero que outros idiotas me atrapalhem e para conseguir o que quero, terei que te matar. Por que não se rende logo? Posso dar-lhe uma morte rápida. — Ele sorria insanamente enquanto me fitava. Chegava a ser algo doentio.

– Eu não vou me render pra você. — Muito contra a minha vontade, saquei meu leque. Percebendo que finalmente batalharia, ele sacou suas scarlets.

– Ganharei uma boa recompensa. — Ele cochichou, alto o suficiente para que eu ouvisse. Não cansava de me provocar, parecia estar brincando com o meu medo.

Antes que eu pudesse pensar em mais alguma coisa, ele me atacou. Era incrivelmente rápido e teria me acertado um tiro na cabeça se eu não tivesse usado o leque antes. Tentei contra-atacar a tempo, mas ele pareceu prever meus movimentos; desviou sem dificuldade alguma dos ventos e em algum momento que eu não pude calcular qual, invocou uma espécie de faca espiritual e me acertou dois grandes cortes. Desolada, caí no chão com algum sangramento no rosto e no tórax. Vendo que tinha me acertado, ele apenas invocou novamente as scarlets e atirou.

Rolei no chão e movimentei o leque, acertando-o com algumas rajadas de vento. Já tinha passado da hora de eu contra-atacar; e ele ter se levantado e estar correndo em minha direção me deu um momento perfeito.

– Tufão!

Os tornados surgiram e logo se expandiram, quase pegando um caçador desprevenido. O ataque provavelmente conseguiu fazer alguns cortes nele pelo o que pude ver no meu campo de visão, mas o maldito era persistente. Ele aproveitou o curto momento em que o perdi de vista para atacar minha lateral.

– Tornado Sangrento!

Os dois primeiros cortes me pegaram em cheio, mas pulei para trás escapando dos tiros e de todo o resto do ataque. Levantei-me e prometi a mim mesma que daria tudo de mim nessa batalha, não me deixando render para alguém como meu oponente.

Agnécia estava certa, meus pressentimentos tentaram me avisar. Eu não conseguiria vencer o caçador em uma batalha sem ajuda alguma e os acontecimentos estavam se encaminhando para isso. Eu estava exausta, era uma batalha muito difícil até para mim. O caçador se encontrava em um estado quase igual, estando apenas um pouco melhor do que eu. Seu corpo estava repleto de cortes e hematomas, mas ele ainda conseguia sorrir daquela maneira demoníaca. Isso antes me deixaria com medo, mas agora me deixava com uma raiva descomunal.

Estava perdendo as esperanças e ele já estava caminhando até mim para dar o golpe final, quando uma voz iluminada soou em minha cabeça.

"Irei emprestar-te meu poder. Por favor, saia desta batalha com vida."

Não sei explicar o que aconteceu, mas uma energia divina me tirou do chão. Senti minha energia ser restaurada, meu corpo estava diferente...

Agnécia? O que está fazendo?

Notas finais
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