Roommates

1 Uma pintura no museu do Louvre


-Olha, segundo suas contas, você precisa dividir o apê.

-Alex, não é tão difícil assim!

-Pra vocês não é, mas pra mim é muito difícil! Não posso chamar qualquer um, Nana.

-Vamos fazer uma entrevista então. Coloque anúncios pelo bairro e a gente escolhe uma pessoa sensata, positiva, que não seja um assassino blá blá...

E foi assim que tudo começou.

Bem, eu sou Alex e tenho 21 anos. Acabei de perder meu emprego numa loja de departamentos e enquanto parte de mim se sente aliviado por sair daquele lugar infernal, outra parte (e sinto que é mais da metade de mim) está desesperada por dinheiro. Enquanto contas e mais contas se acumulavam em cima da mesa, Nana e Camila, minhas vizinhas/únicas amigas nessa cidade caótica que é São Paulo, me deram a ideia de arranjar um colega de apê pra me ajudar a pagar as dívidas.

Eu odiei essa proposta a princípio. Como podia chamar um completo estranho pra morar aqui, sem mais nem menos? Mas, minha carteira vazia falou mais alto, e depois de um tempo, "colega de apê" parecia uma ideia aceitável.

E foi assim que eu conheci ele.

Depois de espalhar panfletos fazendo propaganda do meu "charmoso" apartamento, comecei a receber ligações de pessoas interessadas e marquei diversas entrevistas. E assim que recebi o primeiro aprendiz-de-colega-de-apê (quase um padawan), me arrependi profundamente de toda essa história.

-Então... Voc... Quer dizer, o senhor, não trabalha? — disse Nana, que estava me ajudando.

-Érr, não... M-mas, eu vou arranjar um emprego, prometo! Só preciso de um lugar pra ficar por um tempo. — falou o homem calvo que aparentava ter perto de 40 anos. Ele gaguejava muito e tinha ares muito suspeitos. Não sei explicar direito, mas só saibam que o cara era bizarro!

-Senhor, eu não sei. — Nana olhou para mim e viu minha cabeça sacudindo um leve e discreto "não" — No momento, precisamos de alguém com um salário fixo. O senhor se qualificaria em tudo, mas o dinheiro é o foco aqui.

Nana conseguia ser educada quando queria. Mas se a irritassem, ninguém conseguia segurá-la mais. E foi exatamente isso que aconteceu em menos de 5 minutos.

-Olha aqui, senhor, eu já disse que não!

-Moça, por favor! — o velho encostou no braço de Nana e o seu rosto ficou inteiro vermelho. Nada iria pará-la. Nada, exceto Camila. É como se elas sempre precisassem ficar juntas para tudo fluir de maneira tranquila.

E se Camila não tivesse chego naquele momento, com certeza teríamos uma visita da querida polícia.

Enfim, o velho foi embora, Nana se acalmou, tivemos mais algumas entrevistas e ninguém foi devidamente aprovado.

Depois de algumas horas, já estávamos desistindo dessa ideia absurda. Eu era muito exigente para isso, além de ter uma extrema falta de confiança no mundo.

E foi aí que ouvimos a batida na porta.

-Olha só, mais um esquisitão! Isso que é uma noite divertida, hein — disse Camila, de uma maneira sarcasticamente animada.

Assim que Nana abriu a porta, pude vê-lo pela primeira vez. Um garoto que aparentava ser um pouco mais velho do que eu, usando uma blusa branca e bermuda preta.

Ele entrou e se sentou na minha frente. Não vou dizer que estava apaixonado ou algo assim. Mas eu senti alguma coisa diferente, algo que embrulhava meu estômago e ainda assim era uma sensação boa.

Comecei a analisá-lo: seus cabelos compridos e encaracolados, seus olhos castanhos, seu nariz definidinho e sua boca meio rosada. As mãos mostravam com clareza suas veias e eu podia perceber que elas estavam levemente trêmulas.

Falar que ele era bonito seria muito clichê da minha parte. Então, simplesmente direi que se ele fosse uma pintura no museu do Louvre, eu passaria horas e horas vendo cada detalhe sem me cansar.

Notas finais
Gostaram? Não? Ok, tudo bem. Mas deixe aquela review amiga aqui que eu tento melhorar hihi ♥