Romeo and Cinderella

3 Despedidas Entre Confidências


A chuva caía fortemente enquanto todos na residência de Amy adormeciam tranquilamente, mas eis que ao som de um raio, os pais da menina tiveram seu descanso interrompido. Neste momento tanto a mãe quanto o pai da menina foram imediatamente ao quarto da mesma averiguar se estava tudo bem com ela e Lupus.

Chegando até o recinto de Amy, eis que seus pais ascendem às luzes do cômodo e depara-se com sua filha abraçada ao jovem rapaz que havia conhecido mais cedo.

Muito indignados após presenciar aquela cena, os pais da garota deram um único e alto chamado:

– AMY! O que a senhorita está fazendo fora de sua cama?

– E ainda por cima abraçada a este garoto?

Assustados com aquele grito, ambos acordaram aflitos tentando se explicarem, porém, sem êxito. O pai da bela Dançarina, então, ordenou que Lupus se soltasse de sua filha e que a mesma retornasse para sua devida cama.

Sem graça diante aquele ocorrido, Lupus tentou se desculpar para os pais de Amy, mas com um profundo desgosto no coração e tomados pela raiva, os mesmos apenas disseram ao rapaz:

– Você não precisa se desculpar seu atrevido!

– Apenas pegue suas coisas e vá dormir na sala, pois amanhã mesmo você já estará de partida daqui.

Lupus então pegou seu travesseiro e cobertor e foi rumo à sala.

Observando aquela situação, Amy pediu que seus pais não tratassem seu amigo daquela forma, onde a mesma proferiu dizendo:

– Papai, mamãe... Não falem assim com o Lupus. Ele não teve culpa de nada, quem o abraçou fui eu.

– E também de certa forma... Acho que estou apaixonada por ele.

No momento em que Amy terminou de dizer aquilo, a mãe da garota apenas disse:

– A senhorita acha mesmo que eu e seu pai permitiremos que você se case com um menino tão atrevido como aquele seu amiguinho?

Indignada diante aquelas palavras de sua mãe, Amy em lágrimas retrucou:

– O Lupus não é nenhum atrevido. Quantas vezes serão necessárias eu dizer que ele não teve culpa de nada?

– Ele cresceu praticamente sem a presença dos pais, ele é uma pessoa sozinha, a forma como o conheci me comoveu bastante e sem comentar que o Lupus não possui amigos. Mas é claro que vocês não sabiam disso, afinal, não estão dando chance de conhecerem ele.

Notando a afronta de Amy, o pai da menina disse:

– Não tivemos chance de conhecê-lo e nem vamos querer.

– O que presenciamos aqui já foi suficiente para conhecer o verdadeiro caráter daquele sujeito.

Com um olhar de repulsa, a bela Dançarina disse para seus pais:

– Vocês são mesmo insensíveis...

Sem mais paciência, a mãe de Amy apenas deu-lhe a última sentença:

– Você escutou seu pai...

– Amanhã você já pode se despedir deste rapaz, afinal, seria ridículo de nossa parte mandá-lo embora agora de baixo desta tempestade.

Em aflição, Amy chorava muito, porém ao ser interrompida por seu pai, ele disse:

– Seque estas lágrimas logo.

– A minha decisão e de sua mãe já foi tomada e não serão estes seus mimos capazes de fazer-nos mudar de ideia.

Os pais da menina então fecharam a porta do quarto da mesma, enquanto iam até a sala, desta vez para falar com Lupus.

Chegando até a sala onde o rapaz estava os pais de Amy demostravam uma feição de extremo desprezo, onde eles proferiram dizendo:

– Amanhã queremos que bem cedo você já não esteja mais aqui. Entendido?

Lupus apenas se desculpou pela última vez e balançou a cabeça concordando com o que havia escutado pelos pais de Amy.

No dia seguinte todos acordavam depois de todo aquele alvoroço na noite passada, inclusive Amy que já estava de pé antes mesmo de seus pais.

Surpresos por verem Amy já acordada, os responsáveis da menina disseram:

– Que milagre nossa filha já acordada.

– Já está pronta para se despedir de seu amigo?

Ainda muito angustiada, Amy disse:

– Acordei cedo para fazer o café da manhã para o Lupus antes dele ir.

Um pouco sem jeito perante aquela circunstância, Lupus pediu que Amy não se preocupasse com ele, pois o mesmo poderia passar em uma lanchonete para comer algo, porém Amy insistiu e pediu que Lupus esperasse.

Enquanto Amy preparava a refeição da manhã, o jovem rapaz se arrumava para sair, e foi ao terminar de se aprontar que Lupus se deparou com Amy já servindo as guloseimas que tinham preparado.

Notando que garoto de olhos rubros já estava arrumado, a bela Dançarina o chamou para tomar café junto dela no jardim da casa, e assim solicitado, Lupus fez.

No jardim, enquanto comiam os doces preparados pela bela garotinha de cabelos cor-de-rosa, tanto ela quanto Lupus conversavam sobre o ocorrido da noite passada. Amy então se desculpou do garoto pedindo perdão por tudo que aconteceu e lamentou-se pela atitude de seus pais.

Percebendo tamanha preocupação vinda de Amy, Lupus colocou suas mãos sobre as mãos dela e disse:

– Não se preocupe com isso Amy. Depois de tanto tempo vivendo sozinho percebi que ainda existem pessoas que se importam com os outros. Você é a prova disso. Muito obrigado por todo este carinho que desenvolveu por mim, e espero que saiba que nunca irei me esquecer de uma pessoa tão gentil e adorável como você.

Com o rosto corado perante aquelas palavras de agradecimento, Amy notou que aquele era o momento para se declarar para Lupus, e foi então que ela disse:

– L-Lupus... N-não sei se você acredita nestas coisas...

– M-mas... M-mas... Eu acho que... Acabei me apaixonando por você no dia em que te conheci.

Surpreso diante aquela declaração Lupus disse:

– Bem... Eu de fato nunca acreditei muito nestas coisas, mas em seu caso eu posso passar a acreditar.

Ambos então se levantaram do chão do jardim, olharam-se olhos nos olhos e sem suportar tamanho sentimento, Amy em lágrimas abraçou Lupus dizendo que o amava. O rapaz, por conseguinte pegou na ponta do queixo de Amy e solicitou que ela fechasse os olhos. Assim solicitado pelo garoto a simpática garotinha sucedeu, foi então que de modo inesperado Lupus uniu suavemente seus lábios aos lábios de Amy.

Sentindo o toque dos lábios de Lupus sobre os seus, Amy o abraçou fortemente e em prantos, e logo após tal troca de carinho, o rapaz se despediu de sua então atual amada, afirmando que jamais a esqueceria.

Por fim antes de ir embora, Amy agarrou-se nos braços de Lupus e disse:

– Por favor, não permita que nosso amor se transforme na tragédia de Julieta.

Lupus olhou fixamente para Amy e afirmou:

– Não se preocupe... Seremos como Romeo e Julieta.

– Viveremos nossa paixão, mesmo que esta seja secreta ou custem nossas vidas.

Em contra resposta Amy proferiu:

– Julieta...?

– Não me chame por este nome horrível, apesar de meu anseio neste momento ser de ir embora com você.

– Na verdade... Quero prefiro viver o conto de Cinderella. Mesmo que só tenha uma roupa para vestir.

Sorrindo para Amy, Lupus deu um beijo no rosto da mesma e disse:

– Sempre que tiver tempo aparecerei por aqui sigilosamente lhe chamando.

– Então tente ficar atenta na janela de seu quarto durante estas próximas noites.

Escutando aquelas palavras, Amy ficou um pouco mais tranquila e por fim despediu-se de Lupus.