Romeo and Cinderella

6 Caixas da Felicidade


Presa em seu quarto, Amy se lastimava pelo ocorrido, pois a partir de então, a bela menina acabara de perceber que suas mentiras não puderam durar por muito tempo e em lamúrias, a garota pensava consigo mesma:

– (Então quer dizer que não possuo mais meu machado de ouro?)

– (Venha me salvar, meu Romeu... Não demore, por favor!)

Apesar de sua tristeza naquele momento, Amy ainda carregava esperanças de que na noite seguinte Lupus retornaria para fugir com ela, e foi então, que só assim a garotinha conseguiu cair no sono.

Por outro lado, ao chegar à residência a qual estava se abrigando atualmente, Lupus começou arrumar todos os seus pertences, afinal, o rapaz estava decidido de que iria fugir com Amy na próxima noite. Enquanto guardava suas roupas, o rapaz ficou a pensar em todo carinho que estava recebendo por parte de sua amada, e em um sorriso de expectativa, Lupus disse para si mesmo:

– Amanhã te salvarei minha Cinderella.

A noite se foi e um novo dia raiava sobre a Terra de Prata, e como costumeiro, Amy acordou e seguiu rumo à cozinha para tomar seu café da manhã junto de seus pais. No momento em que a jovem garota chegou, seus responsáveis apenas a observaram sem mencionar qualquer palavra, afinal, os mesmos já estavam esperando uma possível atitude mal criada por parte de sua filha.

Todos à mesa tomavam café sem trocar quaisquer de palavras, e foi então que ao terminar, Amy se retirou e partiu rumo ao jardim da casa.

No jardim, a simpática menina de cabelos rosados ficava pensativa a respeito de sua fuga, onde os seguintes pensamentos ecoavam por sua mente:

– (Esta é a verdadeira escolha que devo tomar? Largar meus pais, apesar de tudo que fizeram por mim no passado?)

– (Tudo parece estar tão confuso... Eu preciso de uma resposta)

Observando Amy no jardim da casa, a mãe da menina olhou para o pai da mesma e disse:

– Pobre Amy... Ela provavelmente deve estar sofrendo muito com tudo isso.

Indignado, o pai da garota respondeu?

– Que sofrendo que nada. Amy precisa de limites o mais rápido possível.

– Estou pensando seriamente em nos mudarmos de terra para que ela possa ficar longe deste rapaz.

– Até então ela ficará presa em casa, pois precisa refletir a respeito de seus atuais comportamentos.

Enquanto isso, Lupus já estava com tudo pronto para partir, o rapaz deixou alguns trocados em cima da mesa de tal residência que esteve hospedado, pegou sua mochila e partiu. Enquanto saía rumo à casa de Amy, Lupus avistou uma pequena joalheria, e foi então que o jovem garoto teve a intenção de entrar em tal estabelecimento.

Chegando à loja de joias, Lupus observou na vitrine um belo anel, e ao se aproximar de tal bijuteria, o rapaz perguntou ao vendedor:

– Escuta... Quanto custa este anel?

Rindo em um tom de zombaria, o vendedor respondeu:

– Este anel é bem caro rapazinho. Nem queira saber seu valor.

Não muito contente Lupus novamente perguntou:

– Quanto custa este anel? Você não me ouviu?

Sem jeito, o vendedor cessou as risadas e disse:

– Bem... Este anel é feito de platina, um metal muito precioso. Junto dele como pode perceber, há uma linda e valiosa pedra brilhante em forma de coração chamada Paraiba Tourmaline.

Lupus escutava atentamente o vendedor, porém interrompendo o mesmo, o rapaz de olhos rubros retirou de sua mochila uma enorme quantidade de recompensas e disse:

– Tudo bem, já chega de conversas. Eu estou disposto a pagar o valor que sugerir.

Diante toda aquela riqueza em sua frente, o comerciante mencionou que venderia a joia para Lupus em troco de tudo aquilo que o garoto havia apresentado, e sem hesitar, assim o jovem garoto fez.

Orgulhoso por ter comprado aquele tão valioso anel, Lupus saiu da joalheria sussurrando consigo mesmo:

– Isso é para você Amy.

– Eu já estou chegando.

Em sua casa, Amy retornou ao quarto e deitando em sua cama, a garotinha chorava por estar tendo uma enorme incerteza sobre suas futuras ações, afinal, seu coração clamava pela companhia de Lupus enquanto sua mente criavam suposições do que Amy poderia estar colocando em risco caso fugisse com o rapaz.

Muitos pensamentos passavam pela cabeça da simpática Dançarina, inclusive a desistência de fugir com seu amado, porém, com todos estes embaraços, a garota decidiu que seria melhor tomar uma decisão de todo o plano na presença de Lupus.

À medida que o tempo passava cada vez mais Amy ficava aflita quanto suas escolhas, pois agora a menina estava a pensar também nas consequências que passaria caso dissesse um “não” de último momento para Lupus. Porém recordando do passado de seu amado, Amy refletiu consigo mesmo:

– (Não... Eu não posso permitir que nada nos atrapalhe...)

– (Apesar de não possuir mais meu machado de ouro, ainda tenho que ser uma boa menina).

A noite chegava e após inúmeras horas de reflexões, Amy decidiu que fugiria com Lupus e que nada atrapalharia seu romance, nem mesmo seus pais.

A garota então passou um pouco de rímel nos olhos e vestiu seu vestido preferido, dizendo para si mesma:

– Eu prometi a mim mesma que fugiria com ele... Nesta história não poderá existir meio termo, afinal, quero viver um conto de Cinderella mesmo que tenha apenas uma roupa para vestir.

Enquanto se aprontava, os pais de Amy chegaram a seu quarto para tentar dialogar com a menina e notando que a mesma estava se arrumando, o pai da mesma a questionou:

– Onde a senhorita pensa que vai assim?

Olhando para seu pai, Amy disse:

– Não se pode mais ficar bem vestida dentro de casa?

Diante aquela resposta por parte de Amy, o pai da menina a pegou pelo braço dizendo:

– Olha como a senhorita fala comigo, ouviu mocinha?

Interrompendo seu marido, a mãe da menina apenas pegou na mão do mesmo e disse:

– Deixe nossa filha se acalmar.

– Amanhã tentamos conversar com ela. Sem comentar que isso não durará por muito tempo. Você sabe disso!

Os pais da menina então se retiraram e foram para seus quarto.

Algumas horas se passaram e para não perder o costume e as esperanças, Amy decidiu dá uma olhada pela janela de seu quarto e ao observar como que estavam às coisas do lado de fora, eis que a bela garota notou que Lupus já estava chegando a sua casa. Naquele instante, o coração de Amy disparou fortemente fazendo com que em um ato de susto e surpresa a menina acidentalmente deixasse cair no chão um retrato dela junto de seus pais de quando a mesma ainda possuía três anos de idade.

Aflita, Amy pensou:

– (Papai e mamãe ainda devem estar acordados em seus quarto, então terei de descer silenciosamente para não alarmar qualquer evidência).

Na ponta dos pés, a garota foi até o quarto de seus pais, e olhando pela beira da porta notou que os mesmos já haviam ido dormir, ao contrário do que cogitou alguns instantes atrás. Prontamente, Amy desceu as escadas e foi rumo à porta principal para se encontrar com Lupus, porém sem sorte a garota notou que a porta estava trancada.

Até o atual momento Lupus não tinha visto Amy aparecer da janela, e foi então que o rapaz decidiu jogar algumas pedrinhas na janela do quarto da garota, isso a fim de alertá-la que já havia chegado como fez das vezes passada. Ouvindo aqueles barulhos, Amy rapidamente retornou a seu quarto e fez um gesto com as mãos pedindo que Lupus parasse, pois os pais da mesma já haviam ido dormir. Notando aquilo, o jovem rapaz então acenou pedindo que Amy fosse até a porta da sala.

Chegando até a sala, Amy encostou-se à porta e disse para Lupus:

– Lupus... Está tudo trancado.

– Papai e mamãe estavam desconfiados de algo e trancaram a casa toda. Sem comentar que eles estão planejando algo contra nosso romance.

– E agora? O que eu faço?

Em resposta o rapaz disse:

– Fique tranquila. Apenas tente procurar as chaves.

Desesperada a procura das chaves da porta, Amy olhava em todos os cantos da casa, e foi então que Lupus disse:

– Elas provavelmente devem estar no quarto de seus pais.

– Dê uma olhada lá.

Ouvindo aquelas palavras, Amy disse:

– M-mas... E se eles acordarem inesperadamente e me verem lá?

Encorajando sua amada, Lupus retrucou:

– Amy... Eu confio em você.

Após aquela demonstração de confiança por parte de seu amado, Amy proferiu dizendo:

– Então espere aí em silêncio.

– Eu vou lá rapidinho e logo mais volto.

Acatando o pedido de sua companheira, Lupus se sentou e encostando-se ao muro da casa ele disse:

– Tudo bem! Ficarei aqui te esperando.

A partir disso, Amy respirou fundo, proferindo:

– Não se preocupe... Irei tentar não demorar.

– Espere por mim.