Romeo and Cinderella
7 Meia-Noite
Apreensiva, mas em pequenos passos para não acordar seus pais, Amy subia as escadas a fim de tentar encontrar as chaves da casa, enquanto Lupus por outro lado a esperava do lado de fora da residência.
Chegando ao recinto de seus pais, a bela Dançarina abriu as portas de tal local lentamente para não demostrar qualquer sinal de sua presença por lá. Ao entrar no quarto, Amy primeiramente decidiu vasculhar nas gavetas, porém sem êxito a menina não encontrou nada além de papéis e roupas. Continuando sua busca, a garota decidiu desta vez procurar no guarda-roupa de seus responsáveis, mas também sem muita sorte não houve sucesso. Amy olhava em cada canto do cômodo, até mesmo debaixo dos tapetes e entre as janelas, e eis que inesperadamente, a simpática menina de cabelos rosados avistou tais chaves perto de um criado ao lado da cama de seus pais.
Muito assustada devido tal objeto estar tão próximo de seu pai, a garota pensou consigo mesmo:
– E agora...? O que eu faço?
– Estas malditas chaves estão muito perto de papai. Qualquer movimento brusco que eu fizer será capaz de acordá-lo.
Um pouco aflita diante aquela circunstância, Amy encheu o peito de coragem e resolveu tentar pegar as chaves, porém, em um ato precipitado ao apanhá-las, a jovem Dançarina deixou que tal objeto fizesse um pequeno barulho.
Com aquele ruído de chaves encostando uma as outras após serem pegas de modo arriscado, o pai da garota abriu os olhos sonolentamente, porém, como o cansaço era maior do que sua vontade de despertar durante um tarde horário da noite, o mesmo voltou a repousar-se.
Com as chaves em sua posse, Amy saiu rapidamente do quarto de seus pais, e encostando-se a parede com as mãos no peito, a menina respirou aliviada dizendo:
– Foi por pouco...!
Embora um pouco preocupada após todo o ocorrido, a bela garota desceu rapidamente até a sala para abrir a porta para Lupus.
Notando que sua companheira havia conseguido pegar tais chaves, o jovem rapaz de olhos rubros imediatamente se levantou, e eis que ao se encontrarem novamente, Amy pulou nos braços de Lupus e lhe deu um beijo dizendo que o amava. Diante aquilo, o rapaz disse:
– Então...? Vamos?
Após aquele questionamento por parte de seu amado, a bela garota olhou para o mesmo e respondeu dizendo:
– Antes de partirmos quero deixar uma carta para meus pais.
– Afinal, apesar de serem contra meu romance, eles cuidaram de mim durante todos estes tempos enquanto estive sobre responsabilidade dos mesmos.
Ouvindo aquelas palavras proferidas por Amy, Lupus disse:
– Tudo bem! Vamos depressa a seu quarto para que você escreva esta carta e após isso nós partimos. Okay?
Feito isso, os dois foram até o quarto da garota para que a mesma deixasse tal bilhete informativo para seus pais.
Chegando até seu quarto, Amy pegou um lápis e um pedaço de papel para começar a redigir tal carta. Enquanto a simpática menina escrevia, Lupus ficava da porta vigiando se ninguém aparecia, e notando que tudo estava calmo, o rapaz decidiu entrar para ficar ao lado de sua companheira.
À medida que Amy escrevia cada palavra, um sentimento dentro de seu coração ia surgindo, e este sentimento era algo que a mesma já havia sentido recentemente, mais especificamente, a insegurança. Aquela incerteza incomodava bastante os sentimentos de Amy, o qual foi suficiente para fazer com que a menina parasse de redigir a carta e ficasse pensativa.
Notando que tinha algo de errado com sua companheira, Lupus olhou para ela e perguntou em um tom de preocupação:
– O que foi que aconteceu Amy?
Sem notar que Lupus lhe questionava, Amy continuou perplexa a respeito da ação que estava prestes a tomar, porém, a um chamado mais alto por parte de seu amado, a menina teve seu momento de hesitação interrompido.
Perante aquilo, a bela Dançarina olhou para Lupus e pôs-se a chorar.
Observando que Amy estava em lágrimas, Lupus se aproximou da mesma e ajoelhando-se frente à menina perguntou:
– Amy... O que está acontecendo, meu amor?
– Você não quer mais fugir comigo?
Em lamúrias Amy respondeu:
– Lupus... Está tudo confuso...
– Eu não sei se conseguirei...
Pegando nas mãos de sua amada, Lupus enxugou as lágrimas da mesma e perguntou:
– Você confia em mim?
Em resposta Amy disse:
– Confio! Mas é que... É que...
Naquele instante, Lupus colocou a mãos no bolso como se estivesse pegando algo e após retirá-las, o mesmo mostrou para Amy uma pequena caixinha. Porém sem entender muito bem aquela situação, a garota de cabelos rosados perguntou:
– M-mas... O que é isso?
Frente aquela indaga de Amy, Lupus apenas respondeu:
– Parece que a felicidade pode estar mais precisamente nas caixas pequenas do que nas grandes.
– Eu posso te ajudar a tomar suas escolhas antes que você acabe me odiando?
Com um olhar paralisado, Amy ficou sem respostas para Lupus. Mas percebendo que sua amada estava sem palavras a dizer, o jovem rapaz abriu aquela caixinha e tentou ser mais específico, perguntando:
– Então Amy... Você quer se casar comigo?
Muitos confins passavam pela cabeça da menina. À medida que Amy pensava em seus pais, ela também pensava em Lupus, e consequentemente, a mesma também pensava em seus futuros sentimentos após tomar uma decisão.
Foi então que decididamente, a garota enxugou de vez suas lágrimas e melhorando sua feição ela respondeu para Lupus:
– É claro que eu aceito me casar com você.
– Não chegamos até aqui sem um propósito. O que eu deixei cair anteriormente foi o machado de ouro, e foi assim que papai e mamãe descobriram.
– É melhor ser honesta ou acabarei sendo devorada pelo lobo.
Muito feliz e orgulhoso diante aquela determinação de Amy, Lupus colocou a joia no dedo de sua amada e disse:
– Se fosse sozinho não teria a menor graça, não é?
– Temos que nos unir, senão tudo isso não faria o menor sentido.
Dando continuidade a carta, Amy terminou de escrevê-la, e desta vez com um sorriso no rosto, pois a partir de então, a menina tinha ciência de que aqueles definitivamente eram os desejos de seu coração.
Com o bilhete terminado, a bela Dançarina desamarrou seus cabelos e amarrou tal mensagem em forma de pergaminho com os elásticos que estava usando. Após isso, Amy se lembrou de que seus pais haviam confiscado seu artefato sagrado, e levando em consideração que não poderia fugir sem o mesmo, a garota decidiu ir buscá-lo.
Se levantando, Amy foi em direção ao quarto de seus pais, e foi então que Lupus perguntou:
– Amy onde você está indo? A saída é por aqui, minha flor.
Em resposta Amy disse:
– Estou indo buscar uma coisinha que me pertence.
Novamente chegando ao quarto de seus pais, porém desta vez para pegar de volta sua Caixa de Pandora, Amy avistou tal item no alto de uma estante, e foi neste momento que a menina pediu o auxilio de seu amado para que pudesse ajuda-la a resgatar sua caixa mágica.
Com Lupus pegando-a no colo, Amy subiu nos ombros de seu amado e disse:
– Lupus, está vendo aquela caixa em cima daquela estante?
Em resposta Lupus disse:
– Estou sim!
Diante a confirmação do rapaz, a garota de cabelos cor-de-rosa retrucou:
– Me leve até ela, pois preciso pegá-la de volta.
– Aquilo é um artefato sagrado que me pertence. Se esta caixa ficar nas mãos de meus pais eles poderão facilmente descobrir nosso futuro paradeiro.
Lupus então levou Amy em direção a sua caixa mágica e feito isso a menina conseguiu resgatar tal artefato com êxito. Por fim, o casal se retirou do quarto dos pais da menina, onde os mesmos se abraçaram no corredor da casa.
Enquanto corriam prestes a partir, Amy decidiu retornar a seu quarto para pegar uma última coisa que estava faltando, e foi então que Lupus interrompeu a menina, dizendo:
– Oh meu Deus... O que foi agora Amy?
Em resposta a menina apenas respondeu:
– Este de fato é a última coisa. Eu juro!
Os dois novamente foram rumo ao quarto da menina, e chegando lá Amy foi à busca de uma fotografia dela de quando tinha apenas três anos de idade, retrato este que em que a mesma estava junto de seus pais. Notando que tal item não estava no devido lugar a qual costumava ficar, desesperadamente a menina começou a procurar por tal objeto.
Sem entender aquela situação, Lupus a questionou:
– O que você está procurando desta vez Amy?
Respondendo, Amy disse:
– É uma foto minha junto de meus pais.
– De quando eu era pequenininha coisa e tal.
Observando aquilo, sucedeu que Lupus avistou um porta-retratos caído e quebrado no chão, e foi então, que a partir disto o mesmo perguntou:
– Por um acaso é esta fotografia?
Olhando para o objeto a qual seu amado lhe mostrara, Amy pegou tal item e respondeu que de fato aquela era fotografia que estava procurando. Por fim, a garota olhou para a imagem e deixando derramar uma lágrima de seus olhos, disse:
– Obrigada mamãe! Obrigada papai!
– Eu amo muito vocês, mas essa é a minha escolha.
– Adeus!
Amy então colocou tal recordação em sua Caixa de Pandora e disse:
– Está tudo certo, Lupus.
– Agora vamos!
Escutando sua amada Lupus respirou com alivio, dizendo:
– Bem... Já era hora, né!?
– Então vamos.
A partir disso, Amy segurou firmemente nas mãos de Lupus e em passos ligeiros ambos saíram correndo de dentro da morada da menina. Chegando ao lado de fora da residência, o casal corria bravamente sem soltar as mãos um do outro, e enquanto fugia, Amy sorria em lágrimas pensando arrumo de si mesma:
– (Este é o final que estive sonhando. Sem dúvidas isso é algo mágico)
– (Sou sua Cinderella, então me leve para longe daqui, Romeo)
Enquanto estavam a fugir, no meio da rua os sinos do relógio da Terra de Prata começaram a tocar como em Cinderella, a qual estes davam a anunciar que já era meia-noite, e foi justamente a melodia de tais sinos que Lupus e Amy tiveram sua fuga realizada, fuga esta que foi consagrada pelo casal de apaixonados como “Romeo e Cinderella”.
FIM!
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