Romeo And Juliet
1 Capítulo 1
Notas iniciais
No caso de erros me contatem por aqui mesmo!
Tenham uma ótima leitura.
— As terras sempre serão nossas Montecchio, jamais pense que poderá rouba-las algum dia! — Capuleto insistia descontroladamente defronte a seu rival de longa data. As famílias mais enriquecidas de Verona nunca tiveram um contato amigável entre si; isso acabava prejudicando de uma forma ou de outra todo o bem estar da economia da cidade: as terras deveriam permanecer divididas entre as linhagens mais antigas para que os compradores e negociantes ficassem mais esparsos e a renda não se concentrasse apenas em um grupo de laços.
— Não estamos falando de roubar e sim de conquista! Ou você especula que seus poderes não poderão me pertencer? — o homem olhava furiosamente para o inimigo declarado. Pouco implicava que os curiosos da ruela estivessem saindo dos estabelecimentos comerciais e de suas moradias para observar os atrevidos brigões. Ele só queria ter mais uma extensão para chamar de sua.
— Presumo que se isso você deseja então deveremos desencadear o inicio de algo justo, uma decisão na qual mesmo descontentes não poderíamos intervir. — Capuleto propôs um acordo, as mãos suando de nervosismo e ansiedade, dois sentimentos que não denunciavam medo, mas sim vontade de tirar a limpo as brigas intermináveis.
— Que maneira seria essa? Tirar nos palitinhos como vovozinhas? — ironizou com o sorriso sarcástico ajuntando a pele morena nos cantos da boca.
— Certamente não. Estou falando de algo muito mais sério e digno de origem...
O que se decorreu a seguir arregalou em sequência os olhares metediços da população. Capuleto retirou a espada que estava presa ocultada junto a sua botina, o prateado da arma reluziu perigoso, já tinha sido utilizada várias vezes para revogar com vidas de outrora desgostosos. A lâmina tinha sido de confiança em suas mãos fortes. Saltou sobre Montecchio com voracidade — impulsionando as botas de couro contra o solo rachado — estava mais do que aparente que o oponente se encontrava desprevenido. Não era nada justo, mas Capuleto preferiu seguir com sua ideologia: a vida não é justa.
A espada cortou o ar seco com incrível rapidez de movimentos, adiantando-se sobre o pescoço do homem, este se encontrava deitado sobre a terra, imobilizado pelo golpe anterior. Procurando acabar com a vitalidade pressionou a ponta contra a pele marcada pelo sol daquele árduo verão.
O clique cortou o ambiente agora silencioso. O longo rifle carregado se encontrava posicionado sobre as mãos do Príncipe Escalo, governante de Verona, este acompanhado de seus fiéis guardiões.
— Creio que não o fará Senhor Capuleto. Nossa cidade não precisa de mais desentendimentos.
Capuleto largou o armamento depositando-o novamente colado à botina. Montecchio levantou-se com dificuldade, um filete de sangue escuro fluindo em linha tênue.
— Os brigões não possuem coragem para me enfrentar, não é mesmo? — provocou seguro de que teria seus homens em caso de um novo conflito. Os homens permaneceram calados temerosos diante da autoridade. — Se querem permanecer se odiando que façam isso sem atracar-se no meio da cidade. O contrário mandarei um soldado executar os dois. Está entendido? — perguntou, carregado o rifle uma vez mais e apontando para peito de cada um.
— Sim senhor. — disseram em uníssono.
***
Capuleto adentrou em sua enorme moradia ciente de que os boatos verdadeiros sobre a briga com seu rival já tinham chegado aos ouvidos de sua esposa e do resto da família. E de fato tinham.
A moradia era esplendida do lado de dentro, suas portas seguras por apenas dois guardas — estes que o homem julgava serem suficientes para a proteção. O chão de madeira brilhava encerado com a luz refletida pelo lustre pendido ao teto. A mobília era feita particularmente de um estofador de Roma, e plantas sobre as mesas de centro exalavam o aroma de primavera. O ambiente em si era gélido, mas contava com uma lareira de pedras instalada em um canto da saleta, produzindo calor sempre que necessário.
— Leopoldo, eu tenho conhecimento de tudo. Você foi ameaçado pelo próprio Príncipe! — Marieta apareceu repentinamente, vestindo um vestido de seda esverdeado incrustado por diamantes, estes que também seguravam seus cabelos claros presos em um enrolado no topo da cabeça. A mulher certamente tinha belos traços e quando fora prometida a Capuleto a mesma não fizera muito esforço para agrada-lo; uma elegância digna da realeza a pertencia.
— Amada, eu precisava me garantir tentando matar aquele cretino. Desculpe-me se isso feriu sua imagem diante de Verona. — falou aproximando-se da esposa e apanhando uma de suas delicadas mãos dentre os dedos.
— Leopoldo, você apenas deve fazer o melhor para nós... E no momento, não creio que esse melhor seja entrar na ‘lista negra’ da família real por causa de Valentim. — Marieta não ostentava de capacidade em falar apenas o último nome nem mesmo de seu inimigo. “Os nomes são nossos verdadeiros reconhecimentos. Por que terão de ser iguais ao resto da família?”, ela sempre dizia.
— Novamente você está certa, eu errei e reconheço, mas um dia, e não demorará muito, eu possuirei todos os bens daquela maldita família.
A mulher enrijeceu-se com as palavras fortes do marido e preferiu mudar de assunto lembrando-se da visita que esperava por Leopoldo.
— Temos um convidado lhe aguardando na sala de visitas. É melhor deixarmos discussões aparte para depois da janta.
Capuleto concordou com a cabeça e tocou com os lábios a mão de Marieta, um costume que sempre manteve desde 1500, o ano em que se casaram, e que se seguiu pelos vinte anos à frente.
Seguiu em direção à sala de visitas, passando pro um longo corredor repleto de quadros de família pregados a parede. Vários de sua filha única, que possuía um dom incomum para a pintura.
Páris esperava sentado sobre uma poltrona de tecido avermelhado, folheando o jornal da cidade. Tinha seus trinta anos, os cabelos pretos penteados em perfeição para trás e vestia um terno que só os nobres poderiam vestir. De fato, ele era um.
— Boa Noite Páris, perdoe-me se demorei com minha esposa. Estávamos discutindo fatos. — cumprimentou sentando-se no sofá posicionado lateralmente sobre o tapete lanoso.
— Sem problemas Capuleto. Eu vim aqui sem mais delongas. Cansei-me de enrolar. — Páris depositou o jornal sobre a mesa de centro e voltou a atenção para Leopoldo. — Eu quero me casar com sua filha sem mais atrasos!
Capuleto não se surpreendeu com a exigência. Julieta estava prometida há tempos com o homem nobre. Ele não gostava muito da ideia de sua filha casar-se tão cedo, porém poderia ser uma oportunidade única de encaminhá-la para uma vida de rainha; uma vida ainda melhor do que a que a mesma já levava.
— Páris. Julieta é tão nova. Possui seus dezesseis anos e nem está madura para criar laços com você. Peço que espere mais dois anos. Um tempo para que ela crescesse por completo seria a melhor.
— Não me sinto a vontade com esse ponto de vista. — Páris era esnobe e não havia quem conseguisse fazê-lo desistir de algo.
— Dois anos... Será melhor para você mesmo.
— Eu já lhe informei. Há muitas outras garotinhas que desejam um futuro ao meu lado. Creio que deverá garantir que Julieta o tenha. — levantou-se rapidamente e estendeu a mão para Leopoldo, o mesmo a apertou sem escolhas. — Envie a boa nova para minha amada: casaremos semana que vem.
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