Romeo And Juliet
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Já vou avisando que não será nada muito descritivo pois eu vou me focar na ideia principal, mesmo não descrevendo tudo com perfeição.
Espero que COMENTEM!
Ama penteava lentamente os fios que caiam em uma cascata loira da cabeça de Julieta. A bela jovem sempre gostara de se cuidar, e aprendera como impressionar um homem com sua beleza desde cedo, quando ela e Marieta brincavam de se enfeitarem e desfilavam às escondidas; esses momentos sempre fizeram seus olhos acinzentados cintilarem como prata de felicidade.
A garota tinha preso ao corpo magro um roupão pós banho de lã batida. Encontrava-se em um tipo de ritual que ela e sua criada faziam toda noite, um pouco antes do jantar ser servido, a jovem era tratada pelas mãos hábeis de Ama e sua pele rosada massageada para ficar digna de uma princesa.
Todavia, naquele anoitecer Julieta não estava com a alma alegre, não como nos outros dias — aqueles no qual comparava sua vida luxuosa com a dos camponeses desprovidos, e agradecia por tudo o que tinha. Estava mais do que certa que após a notícia de seu casamento com um nobre quatorze anos mais velho pelo qual não tinha sentimentos e vira somente uma vez em toda sua vida, isso levando em consideração que tinha na época apenas 10 anos de idade. Era nova demais para ser mulher de um desconhecido; e tinha fiúza que seus pais aprovavam essa união porque queriam destina-la para o caminho do sucesso.
— Eu não faço ideia de como vai ser Ama, é tudo tão complicado e eu não vejo nenhuma importância em me casar com dezesseis anos! — reclamava para a criada, — que era também sua confidente.
Ama suspirou, tendo compaixão pela mais jovem. A diferença de idade era apenas dois anos, e não conseguia se imaginar em uma situação parecida, mas de fato isso jamais aconteceria com ela: sua família não era enriquecida como a de Julieta e, portanto não haveria ninguém realmente interessado em casa-se.
— Senhorita você...
— Julieta, Ama. Chame-me apenas de Julieta, per favore. — interrompeu já estando acostumada que a criada a levasse por senhorita. As duas já tinham combinado há tempos que formalidades deveriam ser feitas apenas em frente ao resto da família; estes que não aceitariam tanta intimidade entre duas classes distintas.
— Certo, Julieta. Eu queria muito te ajudar com essa questão, entretanto nesse século pelo menos você não poderá ignorar um homem como Páris. Terá um futuro meraviglioso! — prosseguiu a serviçal, moldando agora uma trança nos cabelos da jovem.
— Eu não o amo... Isso não é certo.
— Se há uma coisa que eu aprendi nessa vida é que entre o certo e o errado não há muita diferença. Só sua contestação. Deve ser feito, Julieta...
Uma batida leve na porta cortou a conversa e desviou a atenção.
— Filha, posso entrar? — a voz ecoou através da madeira do portal.
— Sim.
Marieta adentrou com suas roupas luxuosas diárias, os saltos de metal tilintavam em contato com o piso lustrado cuidadosamente pelos empregados do casarão.
— Permita-me licença. — pediu Ama direcionando-se à porta, porém a mesma foi impedida pela senhora.
— Fique Ama, eu gostaria de saber um pouco de sua opinião já que é próxima de Julieta.
— Bem, minha senhora, estávamos conversando sobre isso um pouco antes de chegar. — esclareceu. — Eu acho que a senhorita Julieta deveria aceitar a proposta do cavalheiro Páris.
— De forma você está correta. Será uma oportunidade única de proporcionar a vida que ela merece.
—PAREM DE FALAR DE MIM COMO SE NÃO ESTIVESSE AQUI! — gritou levantando-se da cama e se aproximando das mulheres. — A vida é minha!
— As coisas não funcionam bem assim Julieta. Não é oque você quer. É o que seu pai e eu queremos para você!
— Mãe! Entenda uma coisa: não se aprende a amar, simplesmente se ama com todas suas forças. — ressaltou enquanto que pensava o porquê do casamento dela ter de ser diferente dos do resto da Europa Ocidental: arranjados.
— Está decidido, pare de tentar mudar decisões já formuladas. Você se casará com Páris e quero que esteja o mais linda possível na grande festa do seu noivado. Será nesse fim de semana aqui em nossa residência; toda cidade comparecerá, exceto os Montecchios, é claro.
— Mãe...
— JULIETA! Você se casará com toda a certeza. O vestido da festa chegará amanha mesmo; foi bordado pelo melhor alfaiate de Verona. Gostará. Disso eu sei.
— Não faz ideia do quanto me machuca viver presa. — falou, um filete de lágrima salgada fluindo impiedosa de seu olhar. — Assim seja. Jamais demonstrarei alegria novamente após esse maldito dia.
***
Dois jovens caminhavam por entre as árvores em sincronia. O verde estonteante fazia que suas narinas praticamente respirassem natureza, e não somente estivessem em sua presença. As árvores do jardim agora de inclinavam sobre as cabeças dos garotos, trancando com suas copas a visão completa das estrelas. Era uma noite clara, iluminada pelo luar cheio, não era necessário se utilizar lampiões para andar.
— Primo, você deve ter algum contato com ela. Já está enamorado. Sua vida é composta de tropelias amorosas a toda hora com essa garota.
— Benvólio, eu gosto de Rosalinda, mas ela não me corresponde de forma alguma. Talvez eu devesse ser mais atrevido como os outros cavalheiros.
— Romeu, você é da forma que se fez ser. Não vá cruzar os braços sem tentar por uma última vez conquistar o coração da moça. Mas você terá problemas também se conseguir o feito. — avisou Benvólio Montecchio...
— Eu tenho plena consciência disso meu primo. Rosalinda é uma Capuleto, sobrinha de Leopoldo, o maior inimigo de meu pai.
— O amor não tem distinção. Haverá uma festa de noivado da filha única de Capuleto. Rosalinda estará lá de certeza. Iremos à festa de penetras e você roubará o coração daquela bela jovem.
— E quando será essa festa dos Capuleto? — perguntou Romeu automaticamente concordando com a sugestão.
— Nesse final de semana. Assim que escurecer e as estrelas aparecerem no céu.
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