Romances Inacabados

4 O céu também chora


Notas iniciais
Mais um romance que não tem um final feliz.

E lá estava ele olhando o mar calmo.

Daquela altura aquele oceano parecia um lençol de seda azul.

Tudo ali era lindo.

Seu coração estava partido, sua mente estava quieta, o que parecia ser pior, o que o deixava mais louco.

Não ter nenhuma voz dizendo o que ele deveria fazer deixava tudo pior.

A dor que ele estava sentindo dentro do peito era pior do que a dor física. Queimava, ardia. Sua vontade era de arrancar aquele órgão tão importante de seu corpo para que ele viesse sentir um alivio bom. Mas era impossível, a menos que ele se matasse.

Esse pensamento dava-lhe medo, mas a morte era a única solução, a dor que ele sentiria da morte seria melhor do que sentir aquela dor dentro dele. Aquilo estava o matando aos poucos.

"O amor é masoquista" ele se lembrou dela dizendo aquilo pra ele, com aquele sorriso maroto e seus olhos insanos. Com seus cabelos negros caídos nos ombros, sua pele parda e macia. Ah, a voz dela era tão doce e forte.

Ele caiu de joelhos.

Lembrar dela só fazia aquela dor aumentar, só fazia tudo piorar.

Um grito saiu de sua boca, e o céu rosnou em troca, talvez sentindo a mesma dor que ele.

O dia estava claro, mas bem longe uma nuvem negra tomava conta de uma cidade e seus trovões e raios estavam ali.

Aquela chuva não chegaria até ele. não mesmo.

O céu ia chorar com ele, mas não o abraçaria.

– Você prometeu me amar para sempre! — ele falou sem entender quando ela pegou sua mochila e colocou nas costas, seu cabelo preso em um rabo de cavalo bagunçado, seus olhos tristes, sua pele avermelhada do sol de verão.

– Pare de ficar repetindo coisas que eu disse antes! — ela colocou uma mexa solta pra trás da orelha — Aquela época foi boa, mas tudo mudou, o nosso relacionamento mudou.

–Mas...

– Mas pare de relembrar de coisas que eu disse antes. Passado é passado. Esquece tudo isso! — ela o interrompeu, sem olhar nos seus olhos continuou — Quando gostamos de alguém dizemos coisas que talvez não seremos capaz de fazer ou cumprir. — as ultimas palavras saíram quase como um sussurro.

As lagrimas que já haviam brotado nos olhos dele agora acariciavam seu rosto forte.

A mulher se aproximou dele e tocou-lhe o rosto, limpando suas lagrimas.

– Eu amo a sua barba desse jeito. — ela sussurrou — Você é tão lindo e doce — seus olhos encontraram os dele, mas ela não suportou olhar aqueles grandes globos azuis e voltou a olhar para seus lábios rosados — Você pode me odiar se você quiser, mas todo amor que tenho aqui dentro de mim é só para você.

– então não me deixe. — ele pediu, sua voz esganiçada.

– Nada que você fizer ou dizer vai fazer com que eu volte pra ti. Então, por favor, não tente. Nada pode mudar meus pensamentos. — ela se afastou dele — espero um dia sermos grandes amigos.

E foram aquelas as ultimas palavras dela pra ele.

Depois de três meses tentando conversar com ela, ele viu que ela não voltaria, que ela jamais o amou como havia amado-a.

Ele se levantou, as vozes então retornaram.

ele olhou mais uma vez para o mar que parecia seda e novamente para o céu nebuloso distante quando ouviu seus estrondos e as luzes que cortavam as nuvens enegrecidas.

Ele tinha certeza do que iria fazer. Era a única solução.

Deu dois passos, não olhou pra baixo.

"Eu sempre te amarei Isabela" e foram suas ultimas palavras, não para ela, mas para o céu que chorava com ele e que viu sua dor indo embora quando dali ele deu seu salto para a imensidão do mar lá embaixo.