Notas iniciais
Dessa vez é sobre a luz que uma pessoa pode carregar.

Era um bom dia para se matar.

Na verdade eu não sei como poderia definir um bom dia para isso. Mas bem, hoje parecia um bom dia.

Ela era feliz quando o conheceu e ela achava que ele também era feliz, mas na verdade havia tanta felicidade nela que acabava se refletindo nele e aquela felicidade que ela via pertencia a ela mesma e não a ele. Mas ela só descobriu isso quando ele a deixou entrar em seu mundo e ali era tão escuro que acabou se perdendo na escuridão e ali não havia mais felicidade, apenas tristeza de ambas as partes.

Quando a escuridão a tomou por inteira, então tudo foi completamente perdido.

a luz que ela carregada se apagou e ela se tornou tão escura, tão densa que ela não enxergava mais nada, nem a luz que poderia haver para sair daquele lugar.

E ele?

Talvez ele já fosse a escuridão. Porque nele não havia luz a muito tempo.

Ele não estava mais ali.

Ela não tinha mais vida, amor, felicidade. Foi enganada por si mesma.

Por isso parecia reconfortante a ideia de morrer, pois nada poderia ser pior do que a dor que estava sentindo por dentro, nada poderia ser pior do que a ferida em seu peito.

Ela deu todo o seu amor, toda a sua felicidade, toda a sua luz, sua vida, por ele e agora se encontrava abandonada, sem jamais saber se ele encontrou sua própria luz ou se achou alguém com tanta luz quanto ela tinha antes.

Ela foi abandonada por alguém que a cativou profundamente.

Ela era intensa e dramática, por isso a banheira não pareceu um tanto clichê, mas pareceu o certo a se fazer.

A água ainda estava quente, mas a banheira transbordava com um liquido vermelho. O cheiro de ferrugem estava forte e o único som que se ouvia era dos pingos constantes e densos de sangue que deixavam seu corpo, querendo a liberdade, querendo ver a luz, e se transformava em uma poça de sangue no chão.

O vermelho vivo era lindo.

O cheiro acobreado piorava.

A faca foi largada ao lado da banheira.

seus cabelos antes louros tinham manchas avermelhadas. Seus olhos negros ainda estavam abertos, ela esqueceu de fecha-los. Seu rosto macio estava molhado, mas de uma água salgada, lagrimas.

Seus pulsos foram cortados sem hesitação, talvez nem tenha doido, pois a dor que ela carregava no peito era muito maior.

Ela simplesmente se foi, tão fácil, tão rápido e agora jamais voltará para dizer se tudo melhorou e se a dor se foi ou se ela encontrou o que queria e também jamais saberá que ele nunca encontrou uma luz como a dela e que ele estava mais perdido que ela e que ele a deixou por que ele queria que ela voltasse a ser como era antes, cheia de luze e não de trevas como ele.

Notas finais
Até a próxima. Beijos, Little Fish