Romances Inacabados
1 Lembranças
Notas iniciais
Eu ainda odeio o seu sorriso envergonhado. Eu ainda odeio os seus cachos caindo em seu rosto. eu ainda odeio o seu olhar sobre mim, aquele olhar sedutor e insano. Ah, como eu o odeio.
Odeio de um tal forma que eu poderia mata-lo, talvez lentamente e sadicamente.
Limpo os olhos para que eu consiga ver a imagem no computador perfeitamente. Mordo os lábios e começo a soluçar contra a minha vontade.
"Eu não quero entrar em um relacionamento agora. Não me sinto preparado!" ele disse olhando nos meus olhos, prendendo o meu olhar e me deixando sem fala "nós estamos tão conectados..." ele então desviou o olhar, mas eu não "Mas temos tantas coisas diferentes" seu olhar voltou para o meu que com certeza estava brilhando com as lagrimas que transbordavam "acho melhor a gente não se ver mais".
– MENTIROSO! — gritei ao dar um pulo e ficar de pé derrubando o meu pequeno computador portátil — Mentiroso! — me ajoelhei me sentindo fraca.
Aquela noite parecia tão perfeita, mas eu havia sentido uma coisa estranha dentro de mim por todo o dia, mas não dei atenção, não quis ouvir o que a minha voz interior me dizia...
Olhei para o computador que estava entre aberto, a foto ainda estava lá. Ele sentado sorridente, usando óculos escuros e ao seu lado um bela mulher de cabelos brancos e longos, tão linda quanto um anjo. Me senti feia, inútil, talvez mal amada. Me senti triste, acabada. Aquela foto esta me matando, olhar para aquela mulher perfeita que o envolvia com os braços esta me matando...
Abri os olhos e ele ainda estava dormindo. o quarto estava bem iluminado, olhei para as janelas altas e do lado de fora as arvores dançavam bruscamente junto com o vento.
O quarto estava quente a agradável, o Sol que nascera a pouco tempo deixava a paisagem do lado de fora linda, com uma iluminação única. Sorri, era tão perfeito.
Voltei a olhar para o homem ao meu lado, seus cabelos caiam sobre sua face, cada cacho bagunçado e grosso alisavam seu rosto. seu sorriso ainda estava ali e por um bom momento tentei imaginar o motivo dele, que sonho ele poderia estar tendo.
Eu não queria acorda-lo, mesmo sabendo que eu precisava, pois tinha que voltar pra casa, mas eu preferia chegar atrasada do que perder mais um segundo daquele sorriso, daquele sono tão leve. Ele era tão perfeito...
Limpei mais uma vez as lagrimas dos olhos. Ele me enganou, nunca me amou, nunca sentiu nada por mim, nunca tivemos conectados, como ele mesmo falou. Mas por aquela garota ali da foto...
Ah, como eu queria que fosse eu ali.
é tão injusto sentir isso por alguém!
devagar peguei o computador e o fechei por completo. sentei do chão quente e olhei para o teto lembrando da noite que o conheci.
o álcool já estava na minha cabeça. Talvez eu nem estivesse pensando direito naquele momento. As luzes me deixavam confusa e aquele homem de preto e alto não me soltava, me rodopiava de um lado para o outro dizendo o quão gostaria de me ter na casa dele naquela noite. Eu não estava interessada nele, só queria ser simpática e aceitei as bebidas que ele me deu e juntamente o pedido de uma dança. Tentei fixar o olhar em algo, o que foi em vão, pois tudo não passava de simples borrões pra mim, até que um hora ele me rodopiou novamente e encontrei ele no meio daquela multidão.
Seu casaco verde chamou minha atenção, tentei acha-lo novamente e enquanto eu rodava eu podia vê-lo por breves segundos, ali de pé ao lado de seu amigo, me olhava como se estivesse preocupado, mas também parecia seguro em não se meter em me tirar dos braços daquele homem.
Bem, no dia seguinte eu estava na minha casa e na minha mão tinha um pedaço de papel amassado e manchado e ali havia escrito com uma coreografia nada bonita "baterista" e um numero de telefone em baixo. Sorri, o numero era do cara de casaco verde.
Parei de chorar e sorri com a lembrança. Foi tão bom aqueles primeiros encontros.
Ele sempre reparava em todos os detalhes em mim, nada passava, ele sempre foi muito galanteador, era... perfeito.
"Você é tão linda e sexy" ele mordeu os lábios, me olhava com aquele olhar insano, fazendo o meu corpo esquentar e ferver por dentro e ele podia sentir o fervor que estava por dentro de mim "você é tão quente" ele sussurrou me puxando pra perto dele sem se importar com as pessoas ao redor, seu corpo pulsava contra o meu e o calor só aumentava "Eu quero você hoje" mas ele nunca me teve...
A imagem dessa noite talvez nunca saia da minha cabeça, lembro que estava sentada no colo dele, tocava algum rock antigo e seus amigos estavam no bar rindo de algo que não foi compartilhado com a gente, como se fossemos realmente prestar atenção em algo que eles dissessem.
Eu não me arrependo de não ter ido pra cama com ele. Não sei se seria bom, não por talvez ele ser ruim no sexo, mas por talvez eu não sentir amor da parte dele, ele nunca me amou...
"eu não posso te amar, você não pode me amar!" ele não me olhou ao dizer isso, apenas continuou a dirigir enquanto a minha mão que acariciava sua nuca escorregou e caiu sobre o banco "Desculpa, mas não podemos sentir isso um pelo outro" ele me olhou rapidamente e voltou a olhar para a estrada sabendo que nada eu diria...
Fechei os olhos para conter outra rodada de lagrimas que queria desesperadamente sair. Mas me contive. Respirei fundo duas vezes e abri os olhos novamente.
Ele nunca me enganou, nunca disse que me amava e talvez por isso nunca me senti a vontade de dizer o mesmo. Também nunca me iludiu com um futuro bom, com nós dois sentados numa sala quente assistindo a um filme e dando risadas.
Na verdade, eu que me enganei, eu que me iludi. Pensando que tudo isso poderia acontecer, pensando que seriamos um casal, que ele diria que me amava, que seriamos felizes juntos. quanta inocência da minha parte.
Tudo está quieto.
fiquei olhando para a porta do meu quarto e permaneci assim por um longo tempo, eu não consigo afastar meus olhos dali. Eu esperava por algo, mas o que?
Peguei o meu celular no meu bolso, nenhuma mensagem.
Entrei na agenda telefônica, não precisei procurar muito, o nome dele estava nos favoritos.
Mesmo que eu deletasse aquele numero, eu ainda sabia de cabeça, poderia disca-lo sem ao menos pensar.
Deletei.
Entrei na caixa de mensagens onde havia uma mensagem de ontem, uma na qual eu não respondi.
"Você quer tomar um chocolate quente?" era de um cara mais velho, parecia um tanto maduro e está tentando me levar para um passeio faz algum tempo, mas venho resistindo.
Se eu disser que sim eu posso estar dando outra chance a mim mesma de esquecê-lo, mas ao mesmo tempo estarei abrindo portas para viver a tristeza de novo, não que agora ficarei triste saindo com esse novo cara, mas se acontecer de novo? se ele me fizer feliz e depois ir embora? acho que dessa vez eu não teria mais forças para aguentar.
Olhei para o computador fechado, meu coração estava partido. Eu não queria entrar em depressão mais uma vez.
Fiquei de pé.
Eu deletarei ele de minha vida!
Liguei para o dono daquela mensagem
– Ah, oi. — quase sussurrei.
– Oh, você me ligou! — pude ouvir a sua risada do outro lado da linha telefônica, uma risada gentil e forte, totalmente diferente do homem que eu amo. Talvez tenho que tentar, ele é diferente, não me fará lembrar do cara que eu tanto odeio.
– Ainda quer tomar um chocolate quente? — perguntei, meu coração ainda apertado, não querendo esquecer aquele que me deixou...
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