Romances Inacabados
2 Felicidade
Notas iniciais
Ela estava me olhando, não que ela quisesse fazer alguma pressão, ou só estava olhando para fingir interesse como sempre fazia. Dessa vez o olhar dela era curioso e ela realmente queria saber o que eu estava prestes a falar.
Continuei na mesma posição. O sofá era bem confortável.
– Ele tirou a minha felicidade. — comecei — Ele se apaixonou pela minha felicidade e não por mim e sem eu saber, eu estava entregando a ele tudo o que eu tinha, não demorou muito para que todos meus sentimentos bons tivesse ido embora.
Abaixei a cabeça, eu não queria olhar pros olhos azuis brilhantes dela... me lembrava ele...
– Ele perdeu a felicidade dele. E em mim encontrou algo parecido com o que ele tinha antes. — mordi os lábios — Ele roubou a minha felicidade, ele devorou tudo o que tinha de bom, mas o problema é que ele perdeu a minha felicidade também e quando ele quis sugar mais de mim e viu que dentro de mim nada mais havia... — meu coração se apertou, eu ainda não aceito um termino que não foi convincente até hoje pra mim — ele simplesmente me amassou e me tacou na lata de lixo.
Decidi levantar a cabeça.
– Eu poderia ter produzido mais felicidade e ter dado a ele mais e mais a cada dia. Mas eu não sabia o que estava acontecendo, eu não sabia o que estava sendo tirado de mim. A maquina de produzir felicidade dentro de mim está quebrada e eu não consigo conserta-la.
Olhei novamente pros olhos dela que ainda me encaravam com certa curiosidade. Meu coração se apertou de novo e a imagem do rosto dele pairou em minha mente.
– Apesar de tudo o que ele me falou, de tudo o que ele fez... eu ainda espero por ele.
– Por que? — sua voz era doce e suave.
– Porque eu acho que ele vai me devolver tudo aquilo que foi tirado de mim! — respondi com a voz quase sumindo — Não que a culpa tenha sido apenas dele... — novamente baixei o olhar — Eu fui ingênua e infantil demais.
– Isso foi um aprendizado. — ela quase sussurrou como se alguém pudesse nos ouvir — Para que você não erre com outra pessoa.
– E quem disse que darei está oportunidade para outra pessoa? — franzi o cenho — Eu sofri demais, eu chorei demais, eu ainda sofro eu ainda choro por alguém que não me ama! — as lagrimas começaram a brotar em meus olhos — você acha que eu deixaria alguém fazer isso comigo de novo?
– Você deve dar oportunidades! A si mesma!
– Eu cometi um erro e olha como estou agora. Não darei a chance da vida fazer isso comigo novamente! — levantei o olhar, ela agora não me olhava. Agora o que chamava a sua atenção era o clima lá fora, a garoa e o tempo cinzento... igualmente dentro de mim.
– Nenhum amor é igual! Todos são diferentes. Já pensou que ao invés dele você poderia ter magoado-o?
– Já! — falei — Mas isso não aconteceria por causa da minha sinceridade e minha capacidade de amar. — suspirei — Demorou tanto pra eu dizer o primeiro "eu te amo" pra ele. Porque eu queria ter certeza de que o amava antes de dizer essas palavras.
Ela não falou mais nada, como se deixasse espaço para eu continuar.
– Eu acreditei em todas as promessas dele. Eu acreditei em todos os medos dele de um dia me perder — continuei — Mas quando ele disse "Adeus" ele não parecia ter medo de nada. Parecia que jamais havia feito tantas promessas pra mim. Ele simplesmente se foi. Me deletou da vida dele. Foi fácil pra ele. Eu queria ser igual a ele! Eu queria ser egoísta, eu queria não me importar, eu queria ser fria que nem ele.
– Você é igual a ele! — sua voz era firme.
– Foi no que ele me transformou. — afirmei olhando também para a janela que havia pequenas gotículas de água fria da chuva que descia.
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