Romances Inacabados
3 Tempo e Feridas
Notas iniciais
A chuva caia do lado de fora, o frio me trazia um pouco de conforto. Meu moletom me mantinha aquecida, mas o chocolate quente em minhas mãos me fazia derreter.
Sorri e fui até o sofá onde um grande edredom me esperava, mas antes de me aconchegar a campainha tocou e fiquei de pé novamente fazendo uma careta.
Coloquei minha caneca na mesinha de centro e fui ate a porta.
Abri.
– Kyle? — meu olhos se arregalaram. O que ele estava fazendo aqui?
– Posso entrar? Esta tão frio aqui fora. — dei espaço pra ele e ele entrou apressadamente.
Fechei a porta e me virei sem acreditar no que estava acontecendo. Meu coração já pulava, o sentimento retornando, cada célula do meu corpo vibrando ao sentir a presença dele.
O olhei nos olhos. Eu não deveria ter feito isso, aqueles olhos azuis esverdeados me sugavam ate suas profundezas e ali eu sempre me afogava.
– Me perdoe pelo horário. — ele olhou por um segundo ao seu redor e depois para mim novamente.
Seu cabelo cor de meu estava crescido, sua barba maior (ele nunca havia deixado a barba crescer, algo no qual eu sempre pedia), seus olhos estava cansados, ele naquele momento parecia mais velho, mas ainda lindo.
– eu te amo! — ele falou de uma vez, suas palavras me atingindo com força no peito.
eu sempre quis ouvir aquelas palavras, eu sempre esperei por aquelas palavras. Balancei a cabeça em negação e de meus olhos lagrimas começavam a brotar.
– Um ano sem me ver, um ano sem me ligar! Um ano chorando. Um ano sofrendo porque você disse que não me queria mais e simplesmente me deixou, foi embora sem dizer o verdadeiro motivo de sua partida. — comecei a gritar furiosa com aquela frase "eu te amo" — Um ano chorando, um ano tentando curar a ferida que você fez, um ano tentando achar um solução para as minhas dores, para encontrar meu sorriso, a minha felicidade. — levantei os braços, franzi o cenho, as lagrimas já me cegando — e então numa noite qualquer você decide voltar e dizer "eu te amo"?
– Desculpa, eu só... — ele começou a falar, seus olhar era triste,mas o interrompi.
– Você só acabou de abrir uma ferida que demorou muito tempo para fechar. — minha voz quase falhou, mas era a verdade, meu peito começou a doer, eu o amava, sempre o amei, sempre o amarei, o que é bem injusto, mas o amor não é algo que eu possa controlar — Não que tenha superado, mas uma hora eu me acostumei com a dor.
– Eu estava perdido, mas eu sempre te amei. — ele se aproximou de mim — Mas eu não estava bem comigo mesmo e eu estava te machucando, por isso decidi partir, eu queria ver você feliz.
– Por que você voltou então? — tentei enxugar as lagrimas de meus olhos.
– Porque eu não sou feliz sem você! — seus olhos começaram a ficar vermelhos.
– Eu passei tantas noites em claros pensando em você. Eu fiquei dias sem comer porque eu sentia a sua falta. Eu fiquei doente por não cuidar de mim mesma. — cruzei os braços — Você não me perguntou se eu queria você na minha vida, se você me fazia feliz ou não. Você simplesmente se foi e você não pode voltar quando quer, porque quer.
– Eu sei que eu errei e peço perdão por isso. — ele se aproximou mais de mim, eu podia sentir o calor do corpo dele, mesmo com as roupas. Meu corpo estava com saudades do corpo dele, tudo o que eu queria era abraça-lo, senti-lo por inteiro e esquecer todo o passado. Mas e então? o medo permaneceria. o medo de ser deixada novamente — Por isso eu não voltei antes, porque eu não sabia como você estava e se estava com outra pessoa, eu não voltei antes porque fiquei com medo. Eu também sofri, ok?
Fiquei encarando-o enquanto ele fazia o mesmo, seus olhos estavam me sugando e eu estava batalhando para nadar pro lado contrario daquelas profundezas.
ele se aproximou mais e entes de seu corpo encostar no meu eu o parei com uma de minhas mãos.
– Não! — pedi.
– Eu te amo, você me ama. Por que não? — seus olhos eram tão convidativos. Por que eu tinha que ama-lo tanto?
Desviei o olhar de seus olhos, olhei para o chão.
– Vá embora. — pedi com lagrimas nos olhos novamente.
– Não faça isso com a gente. — ele segurou o meu braço e todo o meu corpo estremeceu com o toque. Mas não olhei pra ele.
– Me solte por favor e vá embora. — pedi mais uma vez, implorando pros soluços não virem.
– Não acabe com esse amor! — ele sussurrou e minha mente explodiu em milhões de memorias ao lado dele.
O olhei nos olhos então.
– Você destruiu esse amor quando decidiu me deixar, quando decidiu ir sem perguntar se era isso que eu também queria! — puxei o meu braço e me afastei um pouco.
Ele mordeu os labios, passou a mãos nos cabelos e olhou pra porta.
– Desculpe-me por ter feito você passar por esta dor. Eu não sabia. — pude ver algumas lagrimas em sua face — Espero que um dia você me perdoe por tudo que eu fiz pra você. Eu queria que fosse tudo melhor para nós dois.
– Eu também quis muito isso. — sussurrei querendo que essas palavras tivessem ficado apenas em minha mente.
Ele andou até a porta, rodou a maçaneta e a abriu.
– Eu jamais poderei amar outra pessoa. — ele falou num tom de tristeza que me machucou mais ainda e sem olhar para mim saiu fechando a porta.
– Se você soubesse que eu também sou incapaz de amar outra pessoa, não teria ido embora agora de novo, mas teria insistido, teria ficado. — sussurrei para o vazio.
Fiquei olhando pra porta, meu coração ansiando pelo retorno dele.
Mas isso jamais aconteceu.
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