Romances Inacabados
7 Estrelas
Notas iniciais
Poderia existir uma historia mais infeliz que a minha?
Poderia eu amar tanto uma pessoa que até as poucas palavras que saem de sua boca faz lembrar ela?
Poderia eu viver nesse mundo sem ela?
Poderia eu passar o resto da minha vida sem o amor dela?
Olho a Lua que parece estar mais próxima hoje, tão redonda quanto uma bola e tão grande quanto uma melancia.
Aquela Lua me fazia lembrar dela.
Ela amava a Lua, mas a paixão maior dela eram as estrelas.
Ela sempre amou a noite, dizia pra mim que era uma criatura noturna e que eu deveria ter medo dela, pois criaturas noturnas gostam de sangue.
Eu deveria ter ouvida-a. Mas não o fiz.
— O que você está fazendo acordada? Está frio. — perguntei depois de esfregar as costas das mãos nos olhos, ainda sonolento.
Ela me olhou com seus olhos pequenos e sorriu com seus lábios de coração.
— Sente-se aqui. — ela me chamou, desenrolando um pouco de sua coberta pra eu poder se aconchegar ao lado dela — A noite fica mais bonita nessa hora e é o horário que todos estão dormindo, então as estrelas aparecem mais, porque a maioria das luzes estão apagadas aqui em baixo.
— Ok Frankenstein. — bocejei abraçando ela pela cintura.
— Einstein. Albert Einstein! — ela gargalhou e beijou a minha bochecha — você é tão fofo quando acaba de acordar.
Essa foi a nossa ultima conversa feliz.
Depois disso ela adoeceu. ficou tão doente que mal podia entender as piadas que eu tentava contar a ela.
— Afinal, eu não sou mais imortal. — ela cochichou.
— É sim, minha vampira. — apertei sua mão gélida.
— Não mais. — seus olhos de cor caramelo se abriram e ela me olhou e seu olhar fez com que meu coração doesse — Mordi você enquanto dormia. — sorriu — Meus poderes agora são seus. você que é imortal agora.
— Já que sou o vampiro agora, então eu vou te morder e você ficará bem novamente. — beijei sua mão.
— Você não pode morder o seu criador — e novamente fazendo esforço ela me olhou — Seria trapaça.
— Eu adoro trapacear! — ri por ter lembrado de nossas brigas engraçadas em jogos, porque sempre um de nós trapaceava.
— você é o rei da trapaça meu querido. — e sorriu novamente fechando os olhos delicadamente — E mesmo assim eu te amarei pelo resto da eternidade.
— Isso se realmente você me mordeu certo. — ficou olhando seu rosto suavizado e pálido — Como iremos saber que sou imortal? — perguntei sorrindo esperando que ela me olhasse com aquele olhar de "ei, eu sei de tudo", mas ela não se mexeu.
Mordi os lábios, ela estava parada demais...
Parada demais...
Mas seu sorriso ainda estava ali...
Desvio o olhar da Lua brilhante e volto a olhar para as estrelas. Ela faleceu em uma noite calma e quente de verão. Numa madrugada de chuva de meteoros, em uma madrugada perfeita para se sentar na varanda com um pote de sorvete, uma conversa engraçada, nossos dois cachorros e a imensidão de estrelas no céu.
Mas naquela madrugada ela nem se lembrava da chuva de meteoros e muito menos que existiam estrelas, mal sabia que a noite estava perfeita e que estava tão agradável que um pote de sorvete seria pouco para a nossas longas conversas e brincadeiras.
ela jamais teria uma noite daquela. Eu jamais poderia dar isso a ela.
Uma vez ela me contou que eu fui um desejo realizado. que ela me pediu as estrelas e de bom grado as estrelas deu o meu amor para ela.
— vocês podem me devolve-la? — pedi olhando pras estrelas que brilhavam mais do que um diamante.
E a única resposta que obtive foi de uma estrela cadente, que rasgou o céu fantasmagoricamente e percebi que ela sempre pertenceu as estrelas e não a mim. Que ela era delas e não minha.
Fechei os olhos e sussurrei paras as estrelas
— Esse amor jamais acabará. — adormeci sabendo que esse amor essa inacabável, e que um dia eu encontraria ela novamente, de alguma forma.
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